Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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A – Ação extracorpórea do homem vivo, comportando efeitos psíquicos (fenômenos da telepatia – transmissão de impressões a distância)


Como exemplo típico das manifestações deste gênero, citarei o caso seguinte, que tenho de primeira mão, de uma amiga minha, a jovem Barbe Pribitkoff. Reproduzo o seu testemunho tal qual ela o escreveu:

“Em 1860, eu passava o verão na aldeia de Belaya-Kolp (perto de Moscou), que é propriedade do Príncipe Schahovskoy. A sua sogra, a Princesa Sofia Schahovskoy, tinha adquirido o hábito de tratar pela homeopatia os doentes dos arredores.

Certo dia, levaram-lhe uma menina doente. Indecisa quanto ao remédio que lhe devia administrar, a princesa teve a idéia de pedir, por meio da mesa, um conselho ao Dr. Hahnemann. Eu protestei energicamente contra a idéia de tratar um doente segundo as indicações de um ser que não se poderia identificar. Insistiu-se e, apesar de minha oposição, conseguiram instalar-me diante da mesa, com a jovem Kovaleff, pupila da Princesa Schahovskoy.38

A despeito dessa oposição interior – pois que eu me abstinha de estendê-la até à atividade das mãos –, o pé da mesa soletrou, por meio de pancadas, o nome de Hahnemann, o que me contrariou muito, e fiz votos íntimos para que ele recusasse formular um conselho. E justamente a frase ditada foi que ele não podia dar conselho. A princesa contrariou-se por sua vez; atribuiu essa recusa à minha oposição e afastou-me da mesa. Não posso dizer se quem me substituiu foi a própria princesa ou outra pessoa. Sentei-me perto da janela, a alguns passos da mesa, e esforcei-me, por uma concentração de toda a minha vontade, em fazer reproduzir pela mesa uma frase que formulei mentalmente. Então a princesa perguntou:

– Por que motivo Hahnemann não podia dar conselho?

A resposta foi (em francês):

– Porque eu me tornei um insensato em questões de Medicina, desde o dia em que inventei a homeopatia.

Ditei esta frase fazendo apelo a toda a minha força de vontade e concentrando o pensamento sucessivamente sobre cada uma das letras que deviam vir. Estou bem lembrada de que nenhum erro foi cometido durante a transmissão desta frase. Apenas terminado o ditado, eu senti uma violenta dor de cabeça.”

Aqui temos a prova positiva de que uma das formas mais freqüentes das manifestações intelectuais do Espiritismo – por meio da mesa – pode ser resultado do esforço intelectual (isto é: a distância) de uma pessoa viva; o efeito produzido emana da consciência exterior, agindo livremente e nas condições normais, ao passo que, como regra, as manifestações desse gênero são devidas à ação da consciência interior e não chegam ao conhecimento da consciência exterior.

Citarei agora muitos casos de comunicações feitas por pessoas vivas durante o sono. Para começar, eis um fato que tenho igualmente de primeira mão: do nosso escritor bem conhecido Wsevolod Solovioff, que mo deu por escrito:

“Era no começo do ano de 1882. Eu me ocupava, nessa época, com experiências de Espiritismo e de magnetismo, e desde algum tempo experimentava um estranho impulso que me levava a tomar um lápis com a mão esquerda e a escrever; e, invariavelmente, a escrita fazia-se mui rapidamente e com muita clareza, em sentido inverso: da direita para a esquerda, de maneira que só se podia lê-la colocando-a diante de um espelho ou contra a luz.

Certa noite em que eu me tinha demorado em uma conversação com amigos, senti de novo, às 2 horas da manhã, esse desejo irresistível de escrever. Tomei o lápis e pedi a uma pessoa de minha amizade, a Sra. P., que o segurasse ao mesmo tempo; pusemo-nos assim a escrever simultaneamente. A primeira palavra foi: Vera. A nossa pergunta: “Que Vera?”, obtivemos por escrito o nome de família de uma jovem minha parenta, com cuja família eu tinha reatado relações recentemente, depois de uma interrupção muito prolongada. Surpreendemo-nos, e para ficarmos bem certos de que não nos enganamos, perguntamos: “É realmente Vera M.?” Recebemos esta resposta: “Sim. Durmo, mas estou aqui, e vim para dizer-vos que nos veremos amanhã no Passeio de Verão.” Então deixei o lápis e em seguida nos separamos.

No dia seguinte, cerca de 1 hora, recebi a visita do poeta Maïkoff; às 2 horas e meia ele se despediu; ofereci-me para acompanhá-lo e saímos juntos, recomeçando a conversação interrompida. Eu o seguia maquinalmente. Morava naquela ocasião na esquina das ruas Spasskaïa e Znamenskaïa. Ao passar pela rua Pantelemonskaïa, nas proximidades da ponte das Prisões, meu companheiro notou a hora e observou que não tinha tempo a perder e que seria obrigado a tomar um carro de aluguel. Separamo-nos, e entrei sem a mínima demora pelas portas do Passeio de Verão (ao lado da ponte das Prisões). Nunca, durante o inverno, tinha passeado nesse parque. Convém dizer, também, que eu não pensava mais no que se tinha passado na véspera, em nossa sessão espírita. Julgai de minha surpresa, quando, apenas transposto em alguns passos a grade do Passeio de Verão, eu me achei face a face com a jovem Vera M., que passeava com a sua dama de companhia. Ao ver-me, a jovem Vera M. perturbou-se visivelmente, tanto quanto eu mesmo, aliás, pois que a nossa sessão da véspera me voltou subitamente ao espírito. Trocamos um aperto de mão e nos deixamos sem dizer palavra.

Na noite desse mesmo dia, fui visitar a sua família, e a mãe de Vera, depois das primeiras palavras de felicitações, começou a queixar-se da imaginação fantástica da filha; contou-me que esta, ao voltar de seu giro do Passeio de Verão, naquele mesmo dia, havia manifestado um estado extraordinário de excitação, que tinha falado muito de seu encontro comigo, como de um milagre; que ela tinha contado ter vindo a minha casa em sonho e ter-me anunciado que nos encontraríamos no Passeio de Verão, às 3 horas.

Alguns dias depois, deu-se um fato semelhante e nas mesmas condições: na sessão, minha mão escreveu o nome de Vera, e em seguida nos foi anunciado que ela passaria por nossa casa no dia seguinte às 2 horas. Efetivamente, à hora indicada, ela se apresentava em nossa casa, com a sua mãe, para fazer-nos uma visita. Esses fatos não se renovaram mais.”

Casos análogos são muito abundantes na literatura espírita; assim lemos em um artigo de Max Perty, sob o título Novas experiências no domínio dos fatos místicos:

“A 20 de julho de 1858, uma moça. Sofia Swoboda, achava-se com a sua família à mesa, tomando um ponche, para festejar uma solenidade de família; ela estava de humor calmo e contente, se bem que um pouco fatigada dos trabalhos do dia. Bruscamente se lembrou de não ter desempenhado a sua tarefa, a tradução de um texto francês para o alemão, e que deveria estar pronto para o dia seguinte pela manhã. Que fazer? Era mito tarde para entregar-se ao trabalho: cerca de 11 horas; ela estava, além disso, muito fatigada.

Nessa preocupação, a jovem Swoboda deixou os companheiros e isolou-se no quarto vizinho, pensando em sua incômoda distração, que ela lamentava tanto mais quanto era certo que votava estima particular à sua mestra. Mas eis que, sem aperceber-se, e até sem experimentar surpresa alguma, Sofia persuade-se achar-se em presença da Sra. W., a mestra em questão; dirige-lhe a palavra, dá-lhe parte, em tom jovial, da causa de seu pesar. Subitamente a visão desaparece e Sofia, de ânimo calmo, volta à reunião e conta aos convivas o que lhe sucedeu.

No dia seguinte, a Sra. W. chega à hora precisa e previne Sofia, imediatamente, de estar ciente de que o seu tema não está pronto e faz a narração seguinte em presença da mãe de Sofia: na véspera, às 10 horas da noite, ela tinha lançado mão do lápis, para comunicar-se com o finado seu marido, por meio da escrita automática, como tinha por hábito fazer; mas dessa vez, em lugar de traçar o nome desejado e esperado, o lápis tinha começado a formular palavras em alemão, em uma escrita que reconhecera ser a de Sofia; eram termos graciosos, exprimindo descontentamento a respeito do tema que não tinha sido feito, por esquecimento. A Sra. W. mostrou o papel e Sofia pôde convencer-se de que não somente a escrita era a sua, mas ainda que as expressões eram as que ela tinha empregado em sua fictícia conversação com a mestra. A jovem Sofia Swoboda atesta que a Sra. W. é pessoa de grande sinceridade, incapaz de proferir a menor mentira.” (Psychische Studien, 1879).

No mesmo artigo de Perty encontramos outro exemplo de escrita mediúnica executada pelo espírito de Sofia Swoboda, em uma sessão que se realizou em Mœdling, enquanto ela dormia em Viena. Reproduzo essa narração in extenso, segundo Perty:

“O caso seguinte é edificante, particularmente graças a um concurso de circunstâncias mui interessantes: o espírito transporta-se a um lugar distante, a um meio absolutamente estranho, e age por intervenção de um médium que ali se encontrava. Evidentemente este fato só tem valor com a condição de sua autenticidade ser garantida, como tenho todo o fundamento de admiti-lo, sob a fé dos documentos que me foram fornecidos.

A 21 de maio de 1866, dia de Pentecostes, Sofia (ela morava em Viena nessa época) tinha passado toda a manhã no Prater, na Exposição de Agricultura; voltou para casa muito fatigada e sofrendo de dor de cabeça. Depois de ter tomado uma refeição à pressa, retirou-se para seu quarto a fim de repousar. Quando se deitou eram quase 3 horas da tarde. Antes de adormecer, sentiu-se particularmente disposta a desdobrar-se, isto é, “deixar o corpo e agir independentemente dele”. As suas pálpebras entorpecidas fecharam-se e ela se achou transportada imediatamente a um quarto que lhe era bem conhecido, pertencente a uma pessoa que ela conhecia muito bem. Viu ali essa pessoa e tentou inutilmente fazer-se ver por ela; Sofia voltou então ao seu quarto, e sentindo-se ainda com bastante força, teve a idéia de dirigir-se à casa do Sr. Stratil, sogro de seu irmão Antônio, com a intenção de fazer-lhe uma surpresa agradável. Com a rapidez do pensamento, sentindo-se com liberdade de movimentos, transpôs o espaço, lançando apenas um olhar fugitivo sobre Viena e o Wienerberg, e achou-se transportada ao belo país que circunda a cidade de Mœdling; ali, viu-se no gabinete do Sr. Stratil, defronte dele próprio, e do Sr. Gustavo B., a quem muito estimava e ao qual desejava vivamente dar uma prova palpável da atividade independente do espírito, pois que ele sempre manifestara uma atitude céptica a tal respeito.

Toda entregue à impressão de seu deslocamento vertiginoso, e de humor prazenteiro, Sofia sentia-se admiravelmente bem, não experimentando inquietação nem abatimento.39

Ela se dirigiu diretamente ao Sr. B. e lhe falou em tom ameno e alegre, quando subitamente despertou (em Viena), em conseqüência de um grito que retumbou no quarto vizinho ao seu, onde dormiam seus sobrinhos e sobrinhas. Abriu os olhos, profundamente contrariada, e pouco lhe ficou da conversação que entretivera em Mœdling, que tinha sido interrompida de maneira tão brusca.

Por felicidade, o Sr. B. tinha escrito cuidadosamente o diálogo inteiro. Essa ata foi anexada pelo Sr. Stratil à sua coleção de comunicações espíritas. A conversação com Sofia, por conseguinte, tinha apresentado os caracteres de uma comunicação espírita, dada por um médium. O relatório seguinte faz parte da ata do Sr. Stratil:

No dia seguinte, isto é, a 22 de maio, a jovem Carolina, filha do Sr. Stratil, recebeu uma carta que lhe enviava (a Viena) seu pai, que estava em Mœdling. Entre outras, essa carta continha as perguntas seguintes:

“Como passou Sofia o dia 21 de maio?

Que fez ela?

Não dormiu nesse dia entre 3 e 4 horas da tarde?

Se dormiu, que viu em sonho?”

A família de Sofia tinha certeza de que ela havia estado deitada durante esse tempo, sofrendo de violenta dor de cabeça, mas ninguém tinha tido conhecimento do que ela vira em sonho. Antônio interrogou sua irmã a tal respeito, sem nada lhe dizer, entretanto, sobre a carta que tinha recebido de seu sogro. Contudo, a narração desse sonho colocava Sofia em um embaraço evidente: sem perceber onde seu irmão queria chegar com suas perguntas, ela hesitava em dar-lhe resposta. Respondeu-lhe que se recordava apenas do incidente principal, a saber: que tinha deixado o corpo e visitado outros lugares; que não se recordava mais quais fossem. E, entretanto, Sofia recordava-se perfeitamente bem de todas as particularidades de sua primeira visita, mas lhe era desagradável divulgá-las. Quanto à sua segunda visita, ela tinha perdido a lembrança precisa, por causa de seu brusco despertar, e apesar do desejo de dar parte dela a seu irmão, não o pôde.

Em conseqüência das instâncias deste último, ela chegou enfim a recordar-se de que se tinha achado em companhia de dois senhores, um velho, o outro moço, e que tinha tido com eles uma conversação animada; recordava-se de ter experimentado uma impressão desagradável em certo momento, por ter-se achado em desacordo com esses senhores.

Antônio comunicou todas essas particularidades para Mœdling e, em resposta, recebeu do Sr. Stratil uma carta com um embrulho lacrado. O Sr. Stratil manifestava o desejo de que esse embrulho só fosse aberto quando a própria Sofia falasse em uma carta que devia receber do Sr. B. Guardou-se segredo absoluto sobre essa correspondência e ninguém conhecia as intenções do Sr. Stratil; Antônio, assim como Rosa e Carolina, estavam reduzidos a formar conjecturas sobre as missivas estranhas do Sr. Stratil. Mas o desejo deste último de guardar intacto o pacote fechado foi respeitado rigorosamente. Passaram-se alguns dias e o embrulho lacrado ficou completamente esquecido no meio das preocupações quotidianas.

A 30 de maio, Sofia recebeu pelo Correio uma carta galante, acompanhada de uma fotografia do Sr. B. A carta dizia:

“Senhora: Eis-me aqui. Reconheceis-me? Neste caso, peço-vos que me deis um lugar modesto no bordo do teto, ou na abóbada. Ficar-vos-ei muito grato não me suspendendo, se isso for possível; será preferível lançar-me em um álbum, ou antes em vosso livro de rezas, onde poderei facilmente passar por um santo, cujo aniversário se festeja a 28 de dezembro (dia dos Inocentes). Mas se não me reconhecerdes, meu retrato nenhum valor poderá ter para vós, e neste caso eu vos ficarei muito obrigado se mo devolverdes. Aceitai, etc. – N. N.

Os termos e torneios de frases empregados nessa carta eram bem familiares a Sofia. Parecia-lhe que as frases eram em grande parte as suas; porém ela só conservava das ditas frases uma vaga reminiscência. Mostrou a carta misteriosa a Antônio e às suas duas cunhadas; então Antônio abriu, em presença de todos, o pacote enviado pelo Sr. Stratil. Ele continha a ata de uma conversação psicografada com uma personagem invisível, em uma sessão em que as questões tinham sido apresentadas pelo próprio Sr. Stratil, funcionando o Sr. B. como médium.

Pela mão deste último é que as comunicações seguintes tinham sido escritas:

ATA

“Mœdling, 21 de maio de 1866, às 3:15 p.m.



Stratil – Eis-nos a sós, e desejaríamos comunicar com a mesma personagem feminina que se manifestou a 5 deste mês. Luísa T. nos tinha prometido voltar hoje, dia de Pentecostes. Estamos prontos, etc.

– Meu caro Gustavo, eu durmo e te vejo em sonho, e sou feliz. Sabes quem sou?



Gustavo B. – Não tenho disso a menor idéia e preferira que te fizesses conhecer.

– Não o posso nem o quero. É preciso que adivinhes.



Gustavo B. – Começo a acreditar, coisa estupefaciente... que estou em presença de...

– Erro. Sei o que queres dizer, sou uma mulher a quem tinhas igualmente prometido o teu retrato, e eu venho para lembrar-te a tua promessa. Sinto-me feliz em sonho, mas não é pelo fato de sonhar contigo, homem presunçoso... Isso não passa de uma coincidência fortuita.



Gustavo B. – Não sou bastante vaidoso para supor que a posse de meu retrato ou o meu aparecimento em sonho possa fazer a felicidade de quem quer que seja. Mas dize-me, minha desconhecida, por que motivo vens para recordar-me uma promessa tão fútil, que efetivamente eu já fiz a muitas pessoas?

– É que hoje se te depara uma excelente oportunidade de cumprir com a palavra, sem constrangimento algum e sem despender coisa alguma. Qual a utilidade de encomendar três fotografias e destruir duas delas? Por que não obterei um dos exemplares condenados a perecer?



Gustavo B. – Seja; desde que estás tão bem informada, terás o meu retrato, ainda que eu tivesse para isso de mandar reproduzi-lo. Mas explica-me antes de tudo por que escreves em caracteres latinos e não em alemães, e dize-me em seguida, cara desconhecida, quem és tu, do contrário eu correria o risco de enviar o meu representante com um endereço falso, o que me comprometeria.

– Os caracteres latinos são de minha parte um simples capricho de criança. Quem sou? Eis o meu endereço, é para ali que enviarás a carta que vou ditar-te, pois desejo saber se me lembrarei, quando despertar, do que vejo em sonho. Escreverás...



Gustavo B. – Compõe a carta tu mesma, a fim de termos o confronto do teu sonho.

– Senhora, eis-me aqui, vós me reconheceis? Nesse caso, etc. – (Segue-se textualmente a carta anônima que Sofia tinha recebido.) – Endereço: À Sra. S. S. M. G. Alservorstadt, casa número 19.



Gustavo B. – É preciso dizer a rua, do contrário o endereço não fica completo.

– És perverso, bem o sabes. Lembras-te perfeitamente da promessa que me tinhas feito de enviar-me tua imagem encantada em um pedaço de papel. Tudo o mais é sem importância; envia-me o mais cedo possível o teu retrato. Dar-me-ás prazer.



Gustavo B. – Então, adivinhei realmente a rua: é “Marianengasse”?

– Sim. E também adivinhaste da mesma forma os dois S.



Stratil – Efetivamente, mas o terceiro S pede permissão para te saudar na qualidade de sua cara prima.

(Segue-se uma observação jocosa por parte do senhor idoso e uma réplica de Sofia.)



Stratil – Apesar da pequena altercação que tivemos, espero que não terás má vontade ao terceiro S e aceitas o seu cumprimento?

– Como poderia eu ter má vontade a um amigo tão paternal? Mas é tempo de terminar o nosso colóquio. Começo a ouvir, como em meio sonho, as crianças gritarem e fazerem barulho no quarto vizinho ao meu, e sinto as idéias confundirem-se. Adeus. Envia-me uma carta e o teu retrato.



Gustavo B. – Obrigado por tua visita. Pedimos-lhe que aceites os nossos cumprimentos e esperamos que te lembrarás de nós depois do despertar. A carta e a fotografia lhe serão enviadas nesses poucos dias. Adeus e boa noite!

– Adeus, eu desp...

(Fim da sessão às 4 horas.)”

À leitura dessa ata, as recordações de Sofia tornavam-se cada vez mais precisas e ela exclamava a cada instante: “Oh! sim, é realmente isso!” Antes de terminada a leitura, Sofia tinha recuperado a memória e recordava-se de todas as particularidades que lhe tinham escapado em conseqüência de seu brusco despertar. Antônio tinha notado que a escrita em questão assemelhava-se muito à de Sofia, em seus temas de francês. Quanto a Sofia, a mesma opinião era aceita.

As atas das comunicações espíritas, escritas pela mão do Sr. Gustavo B., distinguem-se pela particularidade de não ser a escrita igual do princípio ao fim: quando ele escreve as perguntas apresentadas, a escrita é geralmente a sua própria, mas as respostas que ele deu na qualidade de médium são escritas por uma outra mão. Antônio relatou minuciosamente ao Sr. Stratil a atitude de Sofia depois do recebimento da carta e durante a leitura da ata. Esta narração está junto à sua rica coleção de comunicações psicográficas, ao lado da ata que acaba de ser lida.”

No livro da Baronesa Adelma von Vay Studien über die Geisterwelt (Ensaio sobre o mundo dos Espíritos), encontramos um capítulo intitulado Manifestações medianímicas do Espírito de um homem vivo, e enviamos o leitor à página 327 e seguintes, nas quais se trata de comunicações feitas pelo primo da baronesa, o Conde Wurmbrand, que se achava nesse momento em campanha e tomava parte na batalha de Königgraetz. No dia seguinte à batalha ele lhe tinha comunicado, pela mão dela (a baronesa escrevia mediunicamente), que não tinha sido morto. Verificou-se que essa notícia era exata, se bem que seu nome figurasse na lista dos mortos.

O Sr. Tomás Everitt, cuja reputação é bem firmada entre os espiritualistas e cuja mulher é excelente médium, conta um fato interessante em uma memória apresentada à Associação Britânica dos Espiritualistas (mês de novembro de 1875), sob o título Demonstração da natureza dupla do homem. Ei-lo:

“Não é coisa rara para os espiritualistas receber comunicações de pessoas que afirmam serem ainda deste mundo. Freqüentemente fizemos essa experiência, principalmente no começo. Essas comunicações, transmitidas por pancadas ou pela escrita, apresentavam realmente o cunho característico das pessoas que afirmavam ser os seus autores, quer pelo estilo, quer pela escrita. Assim, por exemplo, um dentre nossos amigos, dotado de faculdades mediúnicas, conversava freqüentemente conosco por intermédio de minha mulher e nos transmitia comunicações que correspondiam de maneira absoluta a seu caráter. Em suas cartas, ele procurava freqüentemente saber se eram exatas as comunicações que por sua vez recebia do Sr. Everitt e sucedia freqüentemente serem exatas as comunicações transmitidas de ambos os lados, por meio da palavra, de pancadas ou da escrita.

Em seguida o Sr. Everitt relata os pormenores de uma sessão, no decurso da qual recebeu uma comunicação escrita pela mão de sua mulher e vinda de parte de seu amigo o Sr. Mëers (também médium), um mês depois da partida deste último para a Nova Zelândia (veja-se o Spiritualist, 1875, II, págs. 244-245).

A escritora inglesa muito conhecida, Sra. Florence Marryat, refere, de seu lado, que recebeu, por sua própria mão, uma comunicação de pessoa que dormia na ocasião de transmiti-la:

“Há alguns anos já, eu entretinha relações de amizade com um senhor que havia perdido uma irmã muito estimada, antes de nossas relações. Freqüentemente ele me falava a seu respeito e eu fiquei conhecendo assim todos os pormenores de sua vida e de sua morte. As contingências da vida separaram-nos, e durante 11 anos não entretive relações com esse amigo.

Ora, certo dia em que eu recebia pela mesa uma comunicação provinda de uma senhora de meu conhecimento, a mesa ditou-me de maneira inteiramente inesperada o nome da irmã do amigo que eu tinha perdido de vista. Foi a primeira tentativa que ela fez para entrar em comunicação comigo. O seguinte diálogo travou-se entre nós:

– Que desejas de mim, Emília?

– Venho dizer-te que meu irmão está na Inglaterra presentemente e desejaria muito ver-te. Escreve-lhe com o endereço do clube da cidade de C... e dize-lhe onde ele poderá ver-te.

– Penso que não posso fazê-lo, Emília; há muito tempo já que não nos vemos, e talvez ele não quisesse renovar suas relações comigo.

– Ele deseja-o; não há dúvida. Pensa constantemente em ti; escreve-lhe, por conseguinte.

– Antes de fazê-lo, desejaria ter uma prova do que me dizes.

– Ele próprio vo-lo dirá, pelo mesmo meio. Recomeça a sessão à meia-noite. Então ele estará dormindo e eu vos trarei sua alma.

Conformei-me com esta prescrição e retomei meu lugar, diante da mesa, à meia-noite precisa. Emília anuncia-se de novo e diz-me:

– Trouxe-vos meu irmão. Ele está aqui. Interroga-o tu mesmo.

Perguntei:

– É verdade, como mo garante Emília, que desejar ver-me?

– Sim. Dá-me um lápis e papel.

Quando fiz o que ele me pedia, continuou:

– Escreve o que vou ditar-te. (E inscrevi o que se segue): Longos anos, é verdade, passaram-se desde que nos vimos pela última vez. Todavia, por mais longos que sejam esses anos, não podem apagar a recordação do passado. Nunca deixei de pensar em ti e de orar por ti.

Alguns instantes depois ele acrescentou:

– Conserva esta folha de papel e envia-me uma carta, com endereço do Clube de C...

Desconfiando de minhas faculdades mediúnicas, foi só dez dias depois que resolvi escrever a meu amigo, de cuja presença na Inglaterra eu não suspeitava, não conhecendo com maior razão o seu endereço. Na volta do Correio recebi sua resposta, na qual ele reproduzia exatamente as palavras que eu tinha inscrito dez dias antes.

A Ciência tem o poder de explicar como as palavras obtidas por intermédio da mesa em Londres, a 5 de dezembro, puderam ser transmitidas por uma via natural qualquer, ao cérebro de um homem vivo, que se achava à distância de 400 milhas inglesas, e que a 15 do mesmo mês ele repetiu em sua carta? Os fatos que me tinham sido comunicados não só me eram desconhecidos, mas também inverossímeis. Muito mais, eram fatos ainda não consumados, mas que deviam realizar-se dez dias depois. Não é o único caso desse gênero que observei. Sucedeu-me por muitas vezes receber comunicações de pessoas vivas, por intermédio de médiuns falando no estado de transe.” (Light, 1886, pág. 98).

A Srta. Blackwell, escritora espírita muito séria, relata um fato ainda mais notável: a evocação do Espírito de um homem vivo, durante o sono, e que confessa, pela mão do médium, um roubo que ele tinha cometido. (Human Nature, 1877, pág. 348).

Também há exemplos de comunicações provenientes de pessoas vivas, transmitidas pela boca de um médium em transe. O juiz Edmonds nos dá o testemunho positivo de um fenômeno desse gênero, em seu livro: Spiritual Tracts, no capítulo intitulado: “Comunicações mediúnicas com os vivos”. Eis sua narração:

“Certo dia em que me achava em West Roxbury, pus-me em relação, por intermédio de minha filha Laura, com o Espírito de uma pessoa a quem eu muito tinha conhecido outrora, mas a quem não via desde anos. Era um homem de caráter inteiramente estranho; assemelhava-se tão pouco a todos aqueles a quem eu tinha conhecido, e era tão original, que não havia meio de confundi-lo com outro qualquer. Eu estava longe de pensar nele. Quanto à médium, esta lhe era completamente desconhecida. Ele manifestou-se não só com todas as particularidades que o caracterizavam, mas ainda me falou acerca de coisas que ele e eu éramos os únicos a conhecer.

Depois dessa sessão, concluí que ele tinha morrido; e qual não foi minha surpresa ao saber que ele estava vivo (e ainda o está). Não posso entrar aqui em todos os pormenores de nossa conversação, que se prolongou por mais de uma hora. Eu estava muito persuadido de que não tinha sido vítima de uma ilusão; que era uma manifestação espírita semelhante a muitas outras que eu mesmo tinha observado ou que me tinham contado. Mas como podia dar-se isto? É uma questão que me inquietou por muito tempo. Daí em diante, fui freqüentemente testemunha de fatos análogos que não mais me permitiram duvidar de podermos obter comunicações de pessoas vivas da mesma maneira que mensagens de pessoas mortas.”

Na biografia da célebre médium Sra. Conant, lemos que lhe sucedeu transmitir comunicações de parte de pessoas vivas, ou antes manifestar-se ela própria em diversas sessões por intermédio de outros médiuns (páginas 91-107).

Outra médium, ao mesmo tempo autora muito conhecida, a Sra. Hardinge Britten, relata em seu artigo Sobre os Duplos, publicado no Banner of Light (números de 6 de novembro e 11 de dezembro de 1875) que, no ano de 1861, achando-se em estado de transe, falou em nome de uma pessoa que estava viva, como foi verificado mais tarde.

Nesse mesmo artigo, ela cita um caso interessante que ocorreu em 1858: em um círculo espírita em Cleveland, em casa do Sr. Cutler, uma médium começou a falar o alemão, apesar de que essa língua lhe fosse completamente desconhecida.

“A individualidade que se manifestava por seu intermédio dizia-se mãe da Srta. Maria Brant, uma jovem alemã que se achava presente.

A Srta. Brant afirmava que sua mãe, até onde podia sabê-lo, estava viva e de boa saúde.”

Algum tempo depois, um amigo da família, chegado da Alemanha, levou a notícia de que a mãe da Srta. Brant, depois de ter atravessado uma moléstia séria, em conseqüência da qual tinha caído em longo sono letárgico, declarou ao despertar ter visto sua filha, que estava na América. Ela disse que a tinha visto em um quarto espaçoso, em companhia de muitas pessoas, e que lhe falara.40

O Sr. Damiani informa, por seu lado, que nas sessões da Baronesa Cerrápica, em Nápoles, receberam-se freqüentemente comunicações provenientes de pessoas vivas. Diz ele, entre outras coisas:

“Há cerca de seis semanas, nosso amigo comum, o Dr. Nehrer, que mora na Hungria, seu país natal, comunicou-se conosco pela boca da nossa médium, a baronesa. Sua personificação não podia ser mais completa: seus gestos, sua voz, sua pronúncia, a médium no-los transmitia com absoluta fidelidade; estávamos persuadidos de que nos achávamos em presença do próprio Dr. Nehrer, que nos declarou fazer uma sesta naquela ocasião, descansando das fadigas do dia, e nos deu parte de diversos pormenores de ordem privada, e que todos os assistentes desconheciam completamente. No dia seguinte escrevi ao doutor. Em sua resposta ele confirmou serem exatos em todos os pontos os pormenores comunicados.” (Human Nature, 1875, pág. 555).

Dentre os exemplos verificados na Rússia, acerca de comunicações feitas pelas pessoas vivas, por intervenção de médiuns, citarei o seguinte, publicado no Rebus de 1884:

“Em uma das sessões, nosso interlocutor declarou ser filho de uma proprietária de nossa vizinhança, que habitava à distância de 8 “verstas”. Esse moço é incumbido de um serviço em um dos governos do centro da Rússia. Na própria manhã do dia da sessão, um de nós tinha visto sua mãe. Não se tinha falado acerca de sua chegada e, entretanto, falando conosco, ele declarou que tinha chegado à sua propriedade duas horas antes. À nossa pergunta indagando como sucedia que ele tivesse falado conosco, respondeu: “Estou dormindo.”

Preocupado e acreditando ser o joguete de uma alucinação, dois dentre nós se dirigiram no dia seguinte de manhã à casa do nosso vizinho. Encontraram o moço em questão ainda deitado e souberam por ele que, por dever de serviço, dirigia-se a São Petersburgo e que se tinha detido, no decurso da viagem, em casa de sua mãe, por um dia apenas. Na véspera, à noite, fatigado da viagem, ele se tinha deitado imediatamente. – Samoïloff, Trifonoff, Meretzki, Slavoutinskoy. Aldeia Krasnya Gorki (Governo de Kostroma), 19 de janeiro de 1884.”

Se um bom médium escritor se tivesse achado nessa sessão, e se a comunicação transmitida em nome da pessoa que dormia tivesse sido escrita com sua letra, esse fato teria sido uma prova preciosa em apoio da teoria que nos ocupa. Que me conste, um só fato desse gênero foi devidamente verificado na Rússia: um de nossos médiuns, a Sra. K., referiu-me que em uma sessão realizada em um círculo privado, à qual assistiam somente sua mãe e sua irmã, o lápis de que ela tinha o hábito de servir-se para essas experiências parou de repente, e depois de uma pausa de alguns instantes, começou a traçar palavras em uma escrita desigual e muito fina. Contudo, a assinatura que se seguiu, composta de duas letras vigorosamente traçadas, foi imediatamente reconhecida e excitou a admiração de todas as pessoas. Era a assinatura do irmão da médium, o qual se achava em Tachkent.

O primeiro pensamento foi que ele tinha morrido e que viera dar parte disso. Começaram a decifrar a escrita e eis as palavras que foram lidas: “Chegarei em breve”. Todos ficaram vivamente surpresos com tal comunicação, tanto mais quanto pouco tempo antes se tinha recebido uma carta dele, na qual dizia que viria na qualidade de correio, porém não já, por estar inscrito na lista em décimo quinto lugar e que, por conseguinte, sua viagem não poderia realizar-se antes de um ano. Tomou-se nota da hora e data dessa comunicação – era a 11 de maio de 1882, às 7 horas da noite – e ela foi mostrada a muitas pessoas da intimidade da família K.

No começo de junho, o irmão da médium chegou efetivamente. Mostraram-lhe a curiosa comunicação. Ele reconheceu a sua assinatura, sem mostrar hesitação, e disse-nos que era nessa mesma data que se tinha posto a caminho. Segundo o cálculo do tempo que se fez, verificou-se que no momento em que a comunicação era transmitida ele estava imerso em profundo sono no “tarantass” (carro de viagem) e que antes de adormecer tinha pensado nos seus, na surpresa que lhes causaria sua chegada.

Tive sob os olhos a comunicação em questão e pude verificar a semelhança completa da assinatura que havia ali com a do Sr. K.

No que diz respeito à verificação e ao estudo desse gênero de fenômenos por via experimental, só posso citar esta passagem tirada do tratado do juiz Edmonds, de quem se acaba de falar:

“Há cerca de dois anos, fui testemunha de um exemplo admirável desse gênero. Tinham-se organizado dois círculos, um em Boston, outro nesta cidade (Nova Iorque). Os membros desses círculos reuniam-se simultaneamente nas duas cidades e comunicavam entre si por seus médiuns. O círculo de Boston recebia, por seu médium, comunicações emanantes do espírito do médium de Nova Iorque e vice-versa. As coisas perduraram assim por muitos meses, no decurso dos quais os dois grupos inscreviam cuidadosamente as atas. Tenho a intenção de publicar brevemente a narração dessas experiências, que constituem uma tentativa interessante de telegrafia intelectual, cuja possibilidade é assim demonstrada.”

É muito lamentável que o Sr. Edmonds não tenha realizado esse projeto.

Lembro-me de um fato desse gênero, ocorrido na Rússia: a filha do Sr. Boltine, um de nossos espíritas mais zelosos na propaganda, era médium escrevente. Ela morava em são Petersburgo e comunicava-se com sua irmã casada, a Sra. Saltykoff, que morava na província; a relação mediúnica estabelecia-se à noite, quando se julgava que uma das irmãs estava dormindo, recebendo a outra, no estado de vigília, as comunicações que sua irmã adormecida lhe transmitia. As cartas que escreviam uma à outra confirmavam singularmente as comunicações feitas durante o sono. Soube desse fato pela Sra. P., que freqüentava a família Boltine. Infelizmente, perdi-a de vista e não posso, por conseguinte, obter os pormenores necessários.

Muito antes de tratar-se de Espiritismo, os fenômenos do magnetismo animal tinham demonstrado que uma relação extracorpórea, de ordem intelectual, pode ser estabelecida entre os homens. Quando eu estava em Paris, em 1878, tive o ensejo, graças ao Sr. Donato e ao seu excelente sensitivo, de fazer uma bela experiência de transmissão do pensamento a distância, como não acredito que tenha havido outra igual. Obtive um êxito maravilhoso. A narração respectiva foi publicada na Revista Magnética de 16 de fevereiro de 1879. O Sr. Ochorowicz fez-me a honra de citar essa experiência circunstanciadamente em sua importante obra A Sugestão Mental (Paris, 1887). Em 1883, a Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres começou seus estudos sobre a transmissão do pensamento e estabeleceu-as de maneira incontestável.

As experiências do professor Charles Richet e de outros sábios franceses confirmaram esses resultados por outros métodos (veja-se a Revista Filosófica).

Os fatos que acabamos de citar nada mais fazem, por conseguinte, do que apresentar um aspecto diferente de um mesmo fenômeno: a ação intelectual recíproca, proclamada pelo Espiritismo. Eles nos provam que certos fenômenos muito comuns, tais como as comunicações transmitidas pela mesa, pela escrita ou pela palavra, podem, efetivamente, ser atribuídas a uma causa que se acha fora do médium; que se pode pesquisar essa causa na atividade consciente ou inconsciente de um homem vivo que se acha fora do recinto onde o círculo está reunido.

Esses fatos têm grande valor, porque graças a eles podemos estabelecer, pela observação direta, o laço que une a causa ao efeito.




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