Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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B – Ação extracorpórea do homem vivo, sob forma de efeitos físicos (fenômenos telecinéticos – deslocamento de objetos a distância)


Desde que se reconheçam os fenômenos mediúnicos físicos (dentre os quais os mais concludentes são os fenômenos de deslocamento de objetos sem contato), somos obrigados a admitir no homem a faculdade de exercer uma ação física a distância.

Sendo a ação física, em si, impessoal, é impossível afirmar que tal manifestação física – por exemplo o deslocamento de um objeto sem que se tenha tocado nele – se tenha produzido pela ação de A ou de B. Atribuem-se geralmente esses fenômenos à ação especial de um dos assistentes, o médium, e importa-nos antes de tudo assegurar-nos de que assim é. O resto nada mais será do que uma questão de quantidade e de qualidade. O que é possível a A pode da mesma maneira, em um grau qualquer, ser possível a B, quer este último esteja ausente ou presente à sessão; e o que A pode realizar a pequena distância, B poderá estar no caso de realizá-lo a considerável distância. Assim, B poderia manifestar-se, quer em virtude de sua própria mediunidade, quer pela mediunidade de A; neste último caso, teríamos uma manifestação física não só extracorpórea, como ainda extramediúnica, pois que o efeito terá sido produzido não pelo próprio médium, mas pela ação que outra pessoa viva tiver exercido sobre ele. Uma vez estabelecido o fato de uma ação intelectual a distância, o efeito físico produzido a distância não seria mais do que o seu corolário ou vice-versa.

Enquanto não tratamos senão de um efeito físico, atribuímo-lo sem hesitar à ação do médium, mas esta conclusão é baseada unicamente na probabilidade lógica. É no grupo “D”, adiante, que encontraremos a prova disso; veremos ali que o efeito físico é produzido pelo duplo do médium que se tem sob os olhos no próprio instante em que a ação se realiza.

As experiências instituídas independentemente do Espiritismo, com o intuito de demonstrar a possibilidade de uma ação extracorpórea manifestando-se a distância por um efeito físico, são pouco numerosas.

O Sr. H. Wedgwood dá testemunho, como se segue, de uma experiência desse gênero feita pela Sra. Morgan, mulher do falecido professor de Morgan, autora do livro From Matter to Spirit (Da Matéria ao Espírito):

“Um exemplo, que a Sra. de Morgan me referiu por muitas vezes, fará compreender melhor o poder que possui o Espírito extracorpóreo de produzir, em certas condições, efeitos físicos. Ela tivera a oportunidade de tratar pelo magnetismo uma jovem clarividente, e por diversas vezes pôs à prova sua faculdade de clarividência para fazê-la ir em espírito a diferentes lugares com o fim de observar o que se passava lá. Certo dia teve o desejo de que a sensitiva se dirigisse à casa em que ela própria habitava. “Bem, disse a moça, eis-me aqui, bati na porta com força.” No dia seguinte a Sra. De Morgan informou-se do que se tinha passado em sua casa naquela mesma ocasião: “Muitas crianças mal educadas, responderam-lhe, tinham ido bater na porta, fugindo em seguida.” (Light, 1883, pág. 458).

Encontrar-se-á o símile de experiências iguais no grupo “D”: tratava-se do duplo de um sensitivo mesmerizado, que tinha sido visto na ocasião precisa em que produzia um efeito físico.

Eis o que lemos em Perty, acerca da célebre visionária de Prevorst:

“A Sra. Haufe tinha o poder de manifestar-se em casa dos amigos, produzindo, durante a noite, pancadas surdas, porém muito distintas, e como que aéreas. Certo dia ela bateu assim em casa de Kerner (um médico que se interessava particularmente por ela e que publicou a sua biografia) e este último não lhe participou o que tinha acontecido. No dia seguinte ela lhe perguntou se devia bater novamente.” (Perty – Fenômenos Místicos, 1872, tomo II, pág. 124).

Encontramos fatos análogos fora do Espiritismo e do mesmerismo. Eis o que se lê a esse respeito em Perty:

“Um estudante suíço, na Basiléia, fazia freqüentes visitas a uma família que o conhecia já pela maneira de tocar a campainha. Tempos depois, atacado de sarampão, em Berlim, foi acometido de uma espécie de nostalgia de seus amigos da Basiléia. No momento em que seu pensamento se dirigia com tanta intensidade a esse meio de amigos, a campainha foi puxada exatamente da maneira pela qual ele tinha o hábito de fazê-lo, e todos se surpreenderam com o seu regresso, mas quando abriram a porta ninguém estava nem tinha sido visto ali. Em conseqüência desse incidente, mandaram pedir notícias dele em Berlim.” (Magicon, tomo V, pág. 495; Perty, ibidem, pág. 123).

Perty cita ainda outros exemplos de telecinesia.

Eis um exemplo de pancadas dadas a distância por uma pessoa doente, adormecida, e sonhando que bateu. O Sr. Harrison tirou este caso do livro de Henry Spicer, Sights and Sounds (Fatos de visão e audição):

“A Sra. Lauriston (o nome está ligeiramente modificado), residente em Londres, tem uma irmã que mora em Southampton. Certa noite em que esta última trabalhava em seu aposento, ouviu três pancadas na porta. “Entre”, disse essa senhora. Ninguém entrou; mas, repetindo-se o eco, ela se levantou e abriu a porta. Ninguém estava ali. No momento preciso em que o eco se tinha feito ouvir, a moléstia da Sra. Lauriston tinha chegado a seu momento crítico. Ela caiu em uma espécie de transe, e quando saiu dele referiu que, tomada de ardente desejo de ver sua irmã antes de morrer, sonhara que tinha ido a Southampton e batera na porta de seu aposento; em seguida, depois de ter batido uma segunda vez, sua irmã se tinha mostrado na porta, mas a impossibilidade em que se achava de lhe falar a tinha impressionado de maneira tal que voltou a si.” (Harrison – Spirits before our eyes (Os Espíritos diante de nossos olhos), pág. 146).

Aqui vêm colocar-se os numerosos testemunhos de pancadas dadas para ser ouvidas por parentes ou amigos afastados, por pessoas moribundas, pois que essas pancadas foram sempre universalmente reconhecidas como se tendo produzido nos últimos momentos de vida.

Assim, por exemplo, o Sr. Roswell, de Edimburgo, despertou por três vezes ouvindo pancadas violentas de encontro à porta de entrada. Levantou-se para ver quem estava ali, mas não viu ninguém.

Mais tarde recebeu a notícia da morte de seu irmão em Calcutá e verificou que a hora em que ouvira as pancadas correspondia exatamente com aquela em que seu irmão tinha recebido grave ferimento. (Vede, para maiores particularidades, Light, 1884, pág. 505).

O professor Perty cita numerosos casos desse gênero no capítulo de seu livro Ação a distância dos moribundos, páginas 125 e seguintes.

Em sua obra O Espiritualismo Moderno, ele menciona, segundo o professor Daumer, “o caso de um avô moribundo que pede à filha, próxima a seu travesseiro (ela não morava na mesma casa), que procurasse seu neto, a fim de que viesse orar por ele, pois que não lhe restavam mais forças para fazê-lo – e que no mesmo instante se manifesta como espírito em casa de seu filho, batendo com violência no corrimão da escada, chamando-o por seu nome e pedindo-lhe com insistência que fosse para perto de si; imediatamente o filho se veste, sai e encontra no patamar sua mãe, que ia procurá-lo. Ambos se dirigem para perto do avô, que recebe seu neto com um sorriso, convida-o imediatamente a orar e morre pacificamente duas horas depois (pág. 209).

Estes últimos fatos têm realmente um caráter anedótico, mas hoje, que os fenômenos mediúnicos estabelecem de maneira indiscutível a possibilidade de uma ação física extracorpórea, não há inconveniente algum em incluir-se na presente categoria a relação de casos desse gênero, que se produzem desde há muitos séculos.

Poder-se-ia objetar que os fatos dessa natureza não passam de alucinações do ouvido e dos sentidos em geral. Seja, mas em todos os casos são alucinações telepáticas reais, isto é, provocadas pela ação psíquica extracorpórea de um agente afastado, e está aí o essencial; mas quando se trata de fenômenos mediúnicos, não se poderia negar de maneira positiva a concomitância de efeitos físicos.

Há razões para admitir que a parte dos fenômenos que se produzem em casas “mal-assombradas” deva ser classificada nesta categoria. Seria um estudo muito interessante a ser feito; não me recordo de que tenha sido empreendido em qualquer tempo sob esse ponto de vista.

Assim, leio em Gorres (A Mística, tradução francesa, tomo III, pág. 325), no capítulo consagrado ao “Espírito batedor de Tedworth”, que, segundo declaração do próprio mendigo preso, era ele quem produzia em Tedworth, na casa Monpesson, todo o ruído e desordem de que Glanvil nos deu a narração circunstanciada em seu Sadducismus triumphatus, o que fez dele um caso clássico. Eu tive, porém, ocasião de ter à mão esse livro para verificar a exatidão dessa passagem de Gorres. Perty faz menção desse caso em seus Fenômenos Místicos, tomo II, página 96.

Antes de passar ao grupo seguinte, é preciso responder a uma questão que se apresenta aqui muito naturalmente: se as manifestações mediúnicas não são em muitos casos mais do que efeitos da ação extracorpórea do homem vivo, por que, pois, essas manifestações não se anunciam como tais, já que dão testemunho de uma inteligência própria? Esses casos existem, mas creio que foram geralmente desprezados, como se pode ver pela observação seguinte do Sr. Harrison, antigo editor do Spiritualist:

“No sábado, 12 de setembro de 1868, dirigi-me sozinho a uma sessão privada em casa do Sr. e da Sra. Marshall, para ter uma longa conversação com John King. No começo, estávamos em plena luz e disseram-nos por meio de pancadas:

– Sou o vosso bom Espírito familiar.

– Então tenha a bondade de dizer-me quem és.

– Sim, sou tu mesmo.

Voltei-me para a Sra. Marshall e perguntei-lhe o sentido dessa comunicação. Respondeu-me que nada sabia a tal respeito; dantes, ela nunca tinha ouvido dizer coisa alguma semelhante. Era talvez teu duplo, acrescentou ela, pois que, diz-se, certas pessoas têm seus duplos no mundo dos Espíritos.

Era a primeira vez que eu ouvia falar da existência de duplos, e era para mim uma hipótese muito ousada para que me submetesse tão depressa a ela. Concluí daí, imediatamente, que a comunicação era uma brincadeira à maneira de John King. Eu perguntei:

– Dir-mo-ás ainda em um aposento escuro?

A resposta foi:

– Sim.

Entramos no aposento escuro e, no fim de pouco tempo, vimos produzirem-se corpos luminosos semelhantes a cometas, do comprimento de cerca de 30 centímetros, alargados em uma das extremidades e afilando-se em delgada ponta na outra; esses corpos luminosos flutuavam no ar, aqui e ali, seguindo uma trajetória curvilínea. Um momento depois, uma voz me disse, muito perto de mim:



– Sou teu próprio “eu” espiritual; falei contigo no aposento vizinho.

Pensei ainda que era uma brincadeira de John King e não continuei a conversação.

Sempre lamentei essa circunstância, agora que sabemos que papel importante representam em grande número de manifestações espiríticas o duplo e outros agentes semelhantes.” (Spiritualist, 1875, t. I, pág, 129).

Um fato análogo é referido por Hornung em seu livro Novos Mistérios, mas não me recordo onde está esse livro.




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