Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



Baixar 2.01 Mb.
Página46/51
Encontro29.11.2017
Tamanho2.01 Mb.
1   ...   43   44   45   46   47   48   49   50   51

D – Identidade da personalidade de um morto verificada por uma comunicação proveniente dele, com um conjunto de pormenores relativos à sua vida, e recebida na ausência de qualquer pessoa que conhecera o morto


No capítulo III, item 9, apresentei muitos casos que correspondem com esta condição de maneira inteiramente satisfatória.

Assim, por exemplo, o caso do velho Chamberlain, que transmite uma comunicação, pelo órgão do médium, a um grupo de doze pessoas, que não o conheciam. Essa personalidade se manifesta imediatamente uma segunda vez, para acrescentar certos pormenores que lhe diziam respeito, depois que os membros do grupo externaram seu pesar por não os ter pedido por ocasião de sua primeira manifestação, a fim de obter uma prova completa de sua identidade. Sabe-se que, feita a verificação, reconheceu-se ser exato tudo quanto ele tinha dito.

Conhecemos outro caso análogo, o de Abraão Florentino, que, falecido na América, manifestou-se na Inglaterra, por pancadas, em um círculo espírita, onde nem sequer se suspeitava de sua existência, e que dava a seu próprio respeito indicações que foram reconhecidas exatas após informações tomadas na América.

No capítulo em questão, eu indicava a fonte em que se encontram milhares de exemplos semelhantes que poderiam fornecer matéria para um estudo especial feito no lugar, em condições de fiscalização das mais rigorosas; quero falar do Message Department do Banner of Light. Os documentos que devem servir, quer para desvendar as imposturas, quer para estabelecer a verdade, estão ao alcance de quem quer que deseje dar-se ao trabalho de analisá-los. Seria muito interessante tomar umas cem mensagens na ordem em que estão impressas e estabelecer a proporção do falso, do exato e do duvidoso.

Entre essas comunicações, encontram-se algumas que contêm alusões a questões de família, inteiramente íntimas. Em o número de 15 de março de 1884, há, por exemplo, uma comunicação dada em nome de Monroe Morill, que narra o que lhe tinha sucedido no Extremo Oeste americano; o número de 5 de abril publica uma carta de Hermann Morill, irmão do morto, que confirma a exatidão da mensagem e diz entre outras coisas: “Compreendo muito bem a alusão que ele faz ao Far-West: trata-se de um incidente que ele, nosso irmão o Dr. Morill, em Sandusky (Ohio) – onde Monroe morreu – e eu éramos os únicos a conhecer.”

Outro exemplo: em o número de 9 de fevereiro de 1889, encontra-se uma mensagem de Emma Romage, de Sacramento (Califórnia), que refere a visão que teve de seu amigo Jenny em seu leito de morte. Em o número de 30 de março do mesmo ano, o Sr. Eben Owen, de Sacramento, publica uma carta na qual diz que ele mostrou essa mensagem à irmã de Emma Romage e que esta confirmou o fato da visão da qual Emma lhe havia falado em seu leito de morte.

Independentemente dos elementos que nos fornece o Banner of Light, eu poderia indicar numerosos casos desse gênero, mas avalio que os que citei bastam de sobra. Para fechar esta categoria, citarei ainda este exemplo que merece toda a minha confiança, porque é tirado da experiência pessoal de Robert Dale Owen, e que é exposto de maneira circunstanciada em sua obra The Debatable Land, sob o título: “Provas de identidade fornecidas por uma pessoa estranha que se achava a 500 milhas de distância”. Não podendo essa narração ser exposta em resumo, reproduzo seu texto na íntegra, com as poucas páginas que lhe servem de introdução:

“Mais de quarenta anos decorreram desde a morte de uma jovem senhora inglesa a quem eu conhecia muito bem. Ela gozava de todas as vantagens que uma instrução perfeita pode dar; falava corretamente o francês e o italiano; tinha viajado muito pela Europa e conhecera numerosas personagens de sua época, que estavam em evidência. A Natureza favorecera-a tão generosamente quanto a sorte; era tão formosa quanto instruída, acessível aos sentimentos generosos, de grande simplicidade; inteligência refinada, com tendências espiritualistas. Chamá-la-ei Violeta.48

Vinte e cinco anos depois de sua morte, tendo recomeçado minhas pesquisas espíritas, ocorreu-me esta lembrança: se é possível às pessoas que se interessaram por nós, durante a vida, continuarem a comunicar-se conosco, após sua passagem a uma outra vida, o Espírito de Violeta poderia mais facilmente do que qualquer outro manifestar-se a mim. Entretanto, eu nunca tinha acedido em evocar tal ou qual Espírito, julgando mais razoável esperar sua manifestação espontânea. E, entretanto, passavam-se os meses e eu não obtinha o menor sinal de reconhecimento por parte de Violeta; acabei por não contar mais com isso e duvidei que semelhante coisa pudesse acontecer.

O leitor compreenderá minha surpresa, quando em uma sessão, a 13 de outubro de 1856, em Nápoles (em presença da Sra. Owen e de outra senhora, médium profissional), fui testemunha das coisas seguintes:

O nome de Violeta foi soletrado inesperadamente. Dissipada em parte a minha surpresa, perguntei mentalmente com que fim tinha sido ditado esse nome que me era tão familiar.

Resposta – Fiz pro... (gave pro...)

Nesse ponto terminaram as letras. As súplicas reiteradas, de continuar-se a comunicação, não foram atendidas; não pudemos obter uma letra sequer. Finalmente, lembrei-me de perguntar:

– As letras p, r e o são exatas?

Resposta – Não.

– Fiz (gave), está certo?



Resposta – Sim.

Pedi então:

– Soletra ainda uma vez a palavra que se segue a gave.

Obtivemos a frase seguinte, na qual foi preciso aqui e ali corrigir uma letra: “Fiz por escrito a promessa (em inglês: gave a written promise) de lembrar-me de ti, mesmo depois da morte.”

O sentimento que se apoderou de mim, ao ver esta frase compor-se, letra por letra, só poderá ser compreendido por uma pessoa que já se encontrou em uma situação igual à minha. Se uma recordação de infância qualquer conservou-se viva para mim, mais nitidamente do que tudo o mais, foi sem dúvida a carta que Violeta me escrevera, prevendo a sua morte, carta que continha palavra por palavra a promessa que acabava de trazer-me à memória no mesmo instante um ser de além-túmulo, e isso quando a metade de minha vida tinha decorrido. Essa circunstância nunca terá, para outra pessoa, a mesma significação que tem para mim. A carta está sempre em meu poder; só eu conheço sua existência, porque ninguém a vira. Poderia eu prever, lendo-a pela primeira vez, que um quarto de século mais tarde, em um país longínquo, a autora dessa carta estaria em estado de dizer-me que tinha cumprido com a sua promessa?

Alguns dias depois, a 18 de outubro, em uma sessão espírita, o mesmo Espírito se anunciou e eu obtive, às diversas perguntas mentais que fiz, respostas igualmente precisas e exatas, se bem que essas perguntas se referissem a coisas de ordem íntima, que eu era a única pessoa que conhecia. Não havia ali a menor inexatidão e, além disso, as respostas continham alusões a circunstâncias que ninguém neste mundo – estou absolutamente convicto disso – podia conhecer, à exceção de mim.

Os resultados que obtive não podem, de maneira alguma, ser atribuídos ao que se designa algumas vezes sob o termo de “atenção expectante”, causa presumida de fenômenos análogos. Naquela época procurávamos provocar diversas manifestações físicas que outras pessoas afirmavam ter obtido, tais como: deslocamentos de objetos sem contato, escrita direta, aparição de mãos, etc. Mas ninguém podia esperar o que sucedeu, nem eu, nem, com mais razão, os outros assistentes. Se associações de idéias, desde há muito adormecidas, foram subitamente evocadas pela composição inopinada de um nome, é certo que esse resultado não era devido nem ao meu pensamento, nem a um desejo ou esperança que me fosse pessoal, se é certo que a nossa consciência é uma garantia suficiente da presença de um pensamento ou de um sentimento. Se a origem dessas idéias não residia em mim mesma, muito menos podia ser atribuída a qualquer outra pessoa entre os assistentes. Estes ignoravam até a existência da carta em questão e não conheciam a pergunta que eu fizera mentalmente: a hipótese de uma influência terrestre deve, pois, ficar limitada à minha pessoa.

Outra circunstância ainda vem provar que uma expectativa acentuada da minha parte não representou papel algum no que se passou. Desde o primeiro esforço que foi feito para responder à minha pergunta, ao ler as poucas letras que começavam a frase “gave pro”, eu tive realmente a lembrança de que a palavra não acabada devia ser promessa e que se referia ao juramento solene que violeta tinha formulado tantos anos antes. Mas, que sucedeu? Nosso interlocutor declarou que essas letras não estavam certas. Recordo-me ainda perfeitamente com que surpresa, com que desapontamento restaurei essas letras. E foi com o sentimento de uma surpresa ainda maior que percebi que a correção tinha sido empreendida com o intuito único de tornar a frase mais completa e mais precisa! – tão precisa que o documento em questão não teria podido ser designado mais claramente, ainda que fosse reproduzido na íntegra. Em tais condições seria impossível admitir que meu pensamento, que uma impulsão vinda de mim tivesse podido exercer uma influência, qualquer que fosse, sobre os efeitos de que fomos testemunhas.

E este incidente não foi mais do que o precursor de uma série completa de manifestações que se deram durante numerosos anos e que deram em resultado convencer-me da existência póstuma de um Espírito amigo e de sua identidade. Esses fatos se produziram, na maior parte, depois de meu regresso de Nápoles aos Estados Unidos, em 1859.

Cinco ou seis semanas depois da publicação de meu livro Footfalls on the Boundary of another World, em fevereiro de 1860, meu editor apresentou-me um senhor que acabava de chegar de Ohio e que me declarou que meu livro tinha muita aceitação naquela província. Acrescentou que eu poderia fomentar ainda a sua procura se enviasse um exemplar à Sra. B., que morava em Cleveland naquela época, senhora que possuía uma livraria e era incumbida da publicação de um dos jornais da localidade. “Ela se interessa muito por essas coisas – disse-me ele –, e creio que ela própria é médium.”

Até então eu nunca ouvira falar nessa senhora; apesar disso mandei-lhe um exemplar de meu livro com um breve oferecimento de polidez, e pouco tempo depois recebi dela uma carta, datada de 14 de fevereiro.

Nessa carta a Sra. B., depois de me ter falado de algumas particularidades de negócios, manifestava-me toda a satisfação que tinha experimentado por ocasião da leitura do capítulo intitulado “Mudança depois da morte”. “Eu sou médium vidente – me escrevia ela entre outras coisas – e, enquanto lia o capítulo em questão, o Espírito de uma mulher, a quem eu nunca tinha visto, conservava-se perto de mim, como para escutar, e dizia-me: Eu o inspirava quando ele escrevia isto; ajudei-o a acreditar em uma vida eterna.

A Sra. B. fazia em seguida a descrição da pessoa que lhe tinha aparecido, especificando a cor dos cabelos e dos olhos, a tez, etc., e esse retrato correspondia exatamente ao de Violeta. Ela acrescentava que um comerciante de Cleveland, que é médium “impressionável” (ele deseja ficar incógnito), tinha entrado naquele momento em sua casa e lhe dissera: “Terás a visita de um novo Espírito hoje, o de uma mulher. Ela disse que tinha conhecido uma Sra. D.” e nomeou uma senhora inglesa, falecida, a quem a Sra. B. conhecia de nome – como escritora –, mas de quem o comerciante em questão nunca ouvira falar.

Essa senhora D. não era outra mais do que a irmã de Violeta; mas em minha resposta à Sra. B., resposta que mais era uma carta de negócios, não lhe falei nem da pessoa cuja aparência ela me pintara nem da Sra. D. Com o objetivo de submeter a Sra. B. a uma prova tão completa quanto possível, evitei até fazer qualquer alusão que pudesse levar a supor que eu tinha reconhecido a mulher que lhe aparecera. Além dos assuntos de negócios, só acrescentei algumas palavras, para lhe dizer que lhe ficaria muito agradecido se ela pudesse obter alguns pormenores a respeito do Espírito: seu nome e outras indicações que pudessem servir para estabelecer-lhe a identidade.

Recebi duas cartas, datadas de 27 de fevereiro e de 5 de abril. Continham as informações seguintes: 1º- o nome próprio; 2º- o Espírito declarara que a Sra. D. era sua irmã; 3º- alguns pormenores a respeito de Violeta. Todas estas informações eram rigorosamente exatas. A Sra. B. escrevia em seguida que tinha sabido ainda de outros pormenores, mas eram de natureza absolutamente privada e a tal ponto confidenciais, que ela julgava só mos poder confiar de viva voz, se eu passasse por Cleveland, em meu regresso a Oeste.

Como eu tinha necessidade de partir para a Europa dentro de quinze dias, escrevi à Sra. B., pedindo-lhe que me mandasse essas informações por escrito, o que ela fez em sua quarta carta, com data de 20 de abril. As informações que me mandou eram obtidas em parte por si mesma, em parte pela mediunidade do comerciante de quem se tratou.

Dizendo mais acima que as provas obtidas por mim nunca poderão ter para os outros a mesma significação que têm para mim, só dei uma fraca idéia da importância desse testemunho. Mas o leitor poderá sempre apreciar uma parte das maravilhas que a mim se revelaram. Por exemplo: eu tinha escrito uma simples e breve carta de negócios a uma pessoa totalmente estranha, que morava a quinhentas milhas, em uma cidade que Violeta nunca tinha visto e onde eu nunca estive, se tenho boa memória. Sendo dadas tais condições, é preciso excluir toda idéia de uma sugestão qualquer, de uma leitura de pensamentos ou de uma relação magnética. Seria igualmente inadmissível supor que um editor ou um comerciante de Cleveland tivesse possuído informações acerca de uma pessoa cujo nome é obscuro e que morreu no outro hemisfério, a 1.000 milhas daquele lugar. E era desses estrangeiros, de tão longe, que me tinham chegado, espontaneamente, sem que eu o tivesse pedido, e como de um mundo superior, a princípio a descrição do exterior de uma pessoa, correspondendo exatamente ao de Violeta, depois um nome que deixava firmemente supor que era realmente ela mesma quem se manifestava a eles – em seguida seu nome próprio, e finalmente a designação de seu parentesco com a Sra. D., e tudo isso sem a mínima indicação de minha parte.

Os meus leitores estão no caso de apreciar o valor desses fatos, que constituem por si sós provas de identidade maravilhosas; para mim, têm uma significação ainda mais elevada, porquanto se trata aí de pormenores íntimos referindo-se à minha juventude e à de Violeta, pormenores que nenhum ser, aquém da Grande Fronteira, podia conhecer, e que apenas foram tocados de leve nesta narração, de maneira que a pessoa que os recolhia apenas compreendia sua significação, pormenores, enfim, não só sepultados no passado, mas também ocultos nas profundezas dos corações para os quais eles eram recordações sagradas; para mim, pois, o sobrevivente, quando me achei em presença dessas revelações – dentre outras das que eram contidas na última carta da Sra. B. –, vi ali a prova íntima de que as recordações, pensamentos e afeições do homem continuam a existir além da morte, prova de que se não pode impor a uma terceira pessoa e que, por sua própria natureza, só pode produzir uma convicção pessoal.”




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   43   44   45   46   47   48   49   50   51


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal