Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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G – Identidade do morto verificada por comunicações recebidas na ausência de qualquer pessoa que o tivesse conhecido, e que revelam certos estados psíquicos ou provocam sensações físicas, próprias do morto


Esta categoria forma a transição entre as provas interiores, ou intelectuais, da identidade de uma personalidade, e as provas exteriores ou físicas. Os fatos que classifiquei sob o título acima nos oferecem, é certo, entre outras provas, muitas que poderiam fazê-los ser classificados nas categorias precedentes, mas eles são caracterizados ao mesmo tempo por certas particularidades de ordem completamente diferente, para as quais desejo atrair a atenção do leitor. Elas são indicadas pelo próprio título desta categoria.

Uma das objeções mais correntes que se levantam contra a hipótese espirítica, para explicar as comunicações mediúnicas, é que estas últimas nada mais são do que o eco das idéias que o homem formou acerca do estado da alma depois da morte e acerca do mundo espiritual em geral. No ponto de vista das idéias aceitas, tradicionais, seria certamente muito difícil admitir que depois da morte os “Espíritos” conservassem os mesmos defeitos psíquicos e os mesmos sofrimentos físicos com que estavam afetados no momento da morte. Por exemplo, poder-se-ia bem supor que as pessoas mortas no estado de alienação mental pudessem conservar vestígios dessa desordem psíquica, quando elas se manifestam pouco depois da morte? Este fato foi, entretanto, verificado na prática do Espiritismo; ele é absolutamente inesperado, contrário às idéias admitidas; por isso ele só pôde ser aceito a posteriori.

Citarei, como exemplo, a comunicação seguinte, publicada no “Message Department” do Banner of Light (24 de novembro de 1883):

“Oh” não me sinto bem absolutamente. Eu não sabia que voltando experimentaria isso; mas parece que tenho muitas coisas a aprender. Vim aqui na esperança de poder ensinar a meus amigos que estou inteiramente restabelecida e feliz presentemente... Queimei-me aqui. Não posso referir o caso, porque não quero pensar nisso; mas uma nuvem envolveu-me, minhas idéias tornaram-se confusas; eu não compreendia o que fazia, e foi assim que caí no fogo e queimei-me gravemente... Meus mestres me dizem que nunca mais estarei em perturbação semelhante, que causas físicas tinham produzido um desarranjo em meu espírito, mas que essas coisas tinham relação com a Terra e desapareceram para sempre... Eu ainda era moça... Habitava em West Grandby, Connecticut. Meu pai é muito conhecido nessa cidade... Seu nome é Ebert Rice. Falando em tudo isso, minhas idéias não são muito claras e não posso dizer-lhes com exatidão quando parti; parece-me que isso se deu há muito tempo; porém estou muito satisfeita por ter podido voltar e espero voltar ainda. – Emma Rice.”

Três semanas depois (15 de dezembro), lia-se a carta seguinte no Banner of Light, sob a rubrica: “Verificação de comunicações espiríticas”:

“Hartford, Connecticut, em 24 de novembro de 1883.

Senhor Diretor do Banner:

Encontro, em o número de 24 de novembro, uma comunicação de Emma Rice, de West Grandby. Todos os espíritas sabem que, quando uma pessoa cujo Espírito tinha sido perturbado, durante sua vida na Terra, se manifesta por intervenção de um médium, traz ainda vestígios desse estado. Verifiquei que o verdadeiro nome desse Espírito é Emma Ruick, mas que durante seus acessos de demência ele dizia chamar-se Emma Rice. A comunicação é exata. Ela se queimou como o disse, saltando por cima de um montão de lenha em chamas. Todos os pormenores são exatos e esta comunicação será acolhida com reconhecimento por seus amigos na Terra.



Herman F. Merrill.”

Eis outro fato, que possuo de primeira fonte. Uma senhora de meu conhecimento, a Sra. Maria S., que desde alguns anos organiza sessões de duas pessoas com sua sobrinha, sessões mediúnicas no decurso das quais esta escreve em estado de transe, recebeu um dia uma comunicação extraordinária, em língua francesa, e assinada Napoleão. Ela acreditou em uma mistificação e a princípio não deu a mínima importância ao caso. Imediatamente depois, seu “Guia” habitual lhe deu a chave desse mistério: a comunicação em francês provinha de um indivíduo que tinha sido louco, em vida, pretendendo ser Napoleão; ele explicou que, em regra, os alienados continuam a ser afetados, durante algum tempo depois da morte, da mesma aberração mental de que tinham sido afetados durante a vida. A Sra. S. ficou muito admirada disso; porém sua surpresa foi maior ainda quando, após haver contado esse caso como uma coisa muito curiosa, eu lhe declarei que esse fato estava longe de ser único.

Parece que as anomalias mentais consecutivas a diversas afecções fisiológicas de que o indivíduo tinha sofrido durante os últimos tempos de sua vida não são as únicas a persistir depois de sua morte, e que a dor física que ele experimentava no momento de morrer se reproduz também, de novo, quando ele reaparece na esfera terrestre. Eis alguns exemplos:

A narração seguinte acha-se em Light de 1882 (pág. 74). Trata-se de dores físicas sentidas pelo morto durante sua última enfermidade e que são sentidas pela médium:

“Lewisham, 13 de fevereiro de 1882.

No começo do estio de 1879, fiz casualmente conhecimento com um vizinho que, segundo as aparências, não tinha mais muito tempo de vida. Um dia, enquanto eu o acompanhava a casa – caminhávamos lentamente –, no decurso da conversação chegamos a falar em Espiritismo; ele mostrava o ar de surpresa ao saber que eu me interessava por semelhantes tolices, porém não ficou menos impressionado por algumas de minhas reflexões. Em nossa entrevista seguinte, apressou-se em reatar a mesma conversação e questionou-me acerca das provas que eu tinha podido adquirir pessoalmente. Porém, desde então, evitou falar a tal respeito, e eu me abstive igualmente de voltar ao assunto, sabendo quanto é prejudicial para um doente como ele entrar em qualquer discussão excitante.

Em junho do mesmo ano – era em Barmouth, no País de Gales – caí no estado de transe, sob a influência de um Espírito que dizia ser o mesmo senhor, e fez-me dizer estas palavras:

– É muito extraordinário, é tão diverso do que eu esperava ver! Lamento não me ter aproveitado da oportunidade que me forneceste para instruir-me sobre a vida espiritual.

Durante todo o tempo em que se exerceu sobre mim sua influência, não deixei de sentir uma dor na boca e na garganta. Dois dias depois, a carta de um amigo me informava de que o doente tinha morrido pouco tempo depois de minha partida.

No mês de maio do ano passado, achei-me ainda uma vez sob o domínio do mesmo Espírito, que desta vez disse pelo meu órgão, com tom decidido:

– Dize a Mary que vi Will.

Experimentei de novo a mesma sensação dolorosa na boca e na garganta. “Mary” era a irmã que estava incumbida do governo de sua casa.

Durante meu transe, tive a impressão de que havia um laço de afeição entre “Mary” e “Will”. Eu estava impressionado a tal ponto pelo tom sério daquele que se manifestava, que pedi à minha mulher que se dirigisse à casa da irmã do morto para lhe transmitir a comunicação. A senhora lhe disse que só conhecera duas pessoas a quem chamava Will: uma era seu primo e outra um senhor com o qual ela tinha estado para casar alguns anos antes, porém que um e outro estavam vivos, como lhe parecia, e gozando saúde. Acrescentou que seu irmão tinha estado afetado de aftas (moléstia ulcerosa do tubo digestivo) por ocasião de sua morte. Isso explicava a dor que eu tinha sentido na boca.

Nenhuma informação vinha, entretanto, explicar a mensagem, e eu concluí que ela fora alterada na transmissão, como tantas outras. Acabei por não pensar mais em tal coisa. Mas eis que, na semana passada, a irmã do morto apresenta-se em minha casa e me informa que acabava de saber que seu antigo noivo morrera na Austrália, mais ou menos na mesma época em que eu recebera a mensagem que se referia a ele.

Só me falta acrescentar que as relações que tinham existido entre essas pessoas me eram totalmente desconhecidas.



Edmundo W. Wade.”

O jornal Facts publica, em seu número de junho de 1885, uma curiosa narração do Sr. Eli Pond de Woonsocket (Estado de Rhode Island). O médium cai sob a influência do Espírito de um homem que morreu afogado; treme e experimenta a sensação do frio. Eis a tradução completa da narração:

“Há cerca de um ano, eu ia visitar meu filho e sua mulher. Estando esta com dores de cabeça, disse-lhe eu:

– Talvez eu possa aliviar-te fazendo passes acima de tua cabeça.

Ela consentiu nisso. Apenas dei começo, ela se achou sob a influência de um Espírito que recorria ao alfabeto dos surdos-mudos. Nem eu nem seu marido compreendíamos aqueles sinais, e a influência deixou de manifestar-se. Uma outra substituiu-a, sob o nome de Sarah Makpeace. Ela disse que havia habitado o Oeste e que morrera afogada, que ficava agradecida ao velho senhor por lhe ter facultado a ocasião de rever este mundo. A médium voltou então a seu estado normal e exclamou: Parece-me que vou ficar gelada! E, efetivamente, minha nora tremia de frio e parecia tão mal disposta que decidi-me a intervir pedindo a Sarah que a deixasse e que se manifestasse por outro médium, a Sra. Annie Wood, em hora fixada de antemão. Ela prometeu e cumpriu rigorosamente com a palavra.

Eu não conhecia ninguém que tivesse o nome que ela tinha dado, mas estava resolvido a saber se alguém com aquele nome se tinha afogado. Depois de alguns meses de indagações quase infrutíferas, descobri que um tal Makpeace morava em Providência, Rhode Island. Porém, no intervalo, tive muitas conversações com Sarah, em conseqüência das quais soube que ela tinha pais naquela cidade. Perguntei-lhe se seus pais eram espíritas e recebi resposta negativa. Disse-me ainda que tinha morrido na idade de vinte anos, cerca de três anos antes; que se afogara em circunstâncias muito penosas e que seus pais a repreendiam excessivamente. Ela parecia ser muito infeliz.

Pouco tempo depois, eu estava em Providência e, procurando no livro de endereços, encontrei o nome do pai a respeito do qual ela me tinha falado. Logo que me foi possível, fui a sua casa. Ele estava muito ocupado e pediu-me que voltasse em outra ocasião.

Voltei à hora indicada e ele mandou que eu me sentasse. À minha pergunta se conhecera uma moça chamada Sarah Makpeace, que tinha morado no Oeste e que se afogara, respondeu-me que efetivamente a conhecera, porém muito pouco. Perguntei-lhe em que época mais ou menos se tinha dado a desgraça. Ele não se recordava com exatidão; porém, quando eu lhe disse que, segundo ouvira dizer, o caso se dera havia três anos, ele observou que devia ser isso mesmo. Perguntei-lhe pela idade da moça.

– Ela podia ter vinte anos – disse-me ele.

Em seguida pedi-lhe que me dissesse o endereço do pai da falecida. Ele me perguntou secamente o motivo do meu pedido. Eu então lho disse. Então ele teve um verdadeiro acesso de cólera:

– Não quero que se suscite o que quer que seja – disse ele – que possa manchar a reputação de minha família!

E despediu-me de maneira pouco cortês. Retirei-me; entretanto, adquirira a certeza de que Sarah dissera a verdade.”

Resolvi reproduzir essas duas narrações integralmente porque apresentavam interessantes exemplos da verificação da identidade de um morto, na ausência de pessoa que o tivesse conhecido, independentemente das particularidades que os fazem colocar sob a presente categoria.

Tomemos ainda este exemplo: a morte foi produzida pelo fogo, e o médium experimenta o sentimento de ser sufocado pelo fumo. Lemos o artigo do Sr. Clement, publicado no Religio Philosophical Journal de 9 de março de 1889, a passagem seguinte:

“Todos os meus bens na Terra foram presa das chamas, em 1856. Minha irmã morreu nesse incêndio. Eu assisti muitas vezes a sessões espiríticas, em um grupo em que ninguém conhecia minha história; quando minha irmã se manifestava, sucedia que o médium acreditava sufocar-se, e outros sensitivos sentiram o cheiro do fumo e começaram a tossir, como quando se entra em um quarto cheio de fumo.”

Neste último exemplo, as comunicações eram recebidas em presença da pessoa que sabia qual tinha sido a causa da morte; porém, se interrogasse o Sr. Clement, é mais do que provável que se ouvisse de sua boca que ele não esperava de maneira alguma, quando se deu a primeira comunicação, que o médium experimentasse a sensação de asfixia.

As manifestações nas quais a personalidade se acha caracterizada por sinais distintivos daquela natureza oferecem, em minha opinião, uma importância toda especial; elas poderão talvez levar-nos ao caminho das leis gerais às quais obedecem os fenômenos desse gênero.

As sensações puramente físicas, tais como a dor na garganta, o calafrio, a sufocação, não podem ficar inerentes ao nosso estado póstumo; isso não é duvidoso. É evidente, de outro lado, que essas sensações não são infligidas ao médium no intuito de afirmar a identidade do morto, pois que se conclui dos exemplos citados pelos Srs. Wade e Pond que, no primeiro caso, o médium ignorava o gênero de morte e a natureza dos sofrimentos de que o morto tinha sido afligido e, no segundo caso, nem sequer conhecera a pessoa que se manifestava. Uma prova semelhante de identidade não pôde ser solicitada nem era esperada.

Por conseguinte, tudo leva a crer que essas sensações, provocadas no médium, são o resultado de uma lei natural que poderia ser formulada assim: Toda individualidade transcendente que se manifesta de novo na esfera da existência terrestre fica submetida, enquanto dura essa manifestação, às mesmas condições nas quais se achava no fim de sua existência fenomenal.

Isso importaria, por assim dizer, em um esquecimento temporário das condições de sua existência transcendente e uma volta à existência fenomenal, tal qual era no momento de sua extinção.50

É por esse motivo que o “surdo-mudo” de quem fala o Sr. Pond não pôde conversar de outra maneira a não ser por intermédio do alfabeto que lhe era familiar, sem conseguir fazer-se compreender. E é pela mesma razão que a moça louca, Emma Rice, tinha esquecido seu verdadeiro nome. Do mesmo modo para os outros casos.

Se estendermos esta lei ao domínio das manifestações intelectuais, facilmente teremos a explicação do motivo pelo qual a personalidade que se nos manifesta retoma, por assim dizer, sua existência terrestre e só sabe falar dos fatos que dizem respeito a esta esfera.

O mesmo sucede com as materializações e com as fotografias: a aparição apresenta-se sempre sob a forma que o indivíduo tinha no fim de sua vida, quer fosse moço ou velho, e mesmo com os defeitos físicos de que era afetado. Que as coisas não se dão assim no intuito único de afirmar identidade, temos a prova, dentre outras, na imagem fotográfica obtida pelo Sr. A. (Oxon) e sobre a qual voltaremos a nos ocupar.

Ela representa uma criança muito pequena, que falecera havia mais de cinqüenta anos, na idade de sete meses (veja-se Spirit Identity, pelo Sr. A. (Oxon), págs. 117-121); ela dizia ser irmã do Dr. Speer. Mas como era desconhecida pelo Dr. Speer, bem como pelo médium, o Sr. A., essa forma de criança não pôde evidentemente dar uma demonstração qualquer de sua identidade. Indaga-se, em vão, por que motivo a imagem dessa criança se fixara na chapa, e não só na primeira experiência, porém durante toda a série das manifestações dessa personalidade, que duraram muitos anos.

Porém, acrescentemos desde já, há fatos que provam, por outro lado, que esta lei não é geral; por conseguinte, ela estaria submetida a modificações segundo o momento e a individualidade.

H – Identidade da personalidade de um morto atestada pela aparição de sua forma terrestre


Agora que adquirimos, por manifestações de caráter intelectual, a prova pedida – isto é, a prova de que o princípio individual é independente do corpo, que tem sua existência própria, que sobrevive à desagregação do corpo, que, além disso, conserva bastantes elementos de sua personalidade para provar o grande fato da sobrevivência –, podemos passar (como já o fizemos no capítulo III) à demonstração do mesmo fato por manifestações de caráter exterior, físico mesmo. Podemos desde já tratar de estabelecer as condições que devem apresentar essas manifestações para serem consideradas como mais ou menos concludentes, sem nos sentirmos constrangidos pela convicção a priori a admitir que a natureza espirítica de semelhante fenômeno não tem razão de ser suficiente. A manifestação mais ideal deste gênero de fenômenos será:

H1 – Aparição de um morto atestada pela visão mental do médium, na ausência de pessoas que o conhecem


Aqui temos um fenômeno telepático, correspondendo às alucinações verídicas dos vivos, mas com a diferença de que o agente que evoca o fenômeno não se acha entre os vivos. Este gênero de fenômenos constitui uma variedade particular de mediunidade. Posto que todos os bons médiuns sejam mais ou menos videntes, em alguns o desenvolvimento dessa faculdade cria uma mediunidade especial. Eles descrevem a pessoa do morto que vêem perto do vivo, com muitos pormenores que são outras tantas provas de identidade; não se limitam à descrição do hábito externo da aparição, mas transmitem as palavras e as frases pronunciadas por ela. As provas que foram dadas por esse processo são inumeráveis. Mas, como geralmente elas se dão na própria presença da pessoa que conhecia o morto e podem por conseguinte ser explicadas por uma transmissão inconsciente das idéias daquela pessoa, devo deixá-las de lado. Para que sejam valiosas, em nosso ponto de vista, é preciso que a aparição dê pormenores desconhecidos do amigo vivo, ou que a aparição se realize na ausência deste.

Já citei um caso da primeira categoria no capítulo III, item 8, no qual um médium descreveu ao General Drayson a aparição de um amigo que ele julgava vivo, com todos os pormenores que se referiam à sua morte extraordinária.

Um caso da segunda categoria me é fornecido por minhas próprias notas. A 26 de fevereiro de 1873, fiz uma sessão íntima com minha mulher. Estávamos sós. Em pouco tempo ela adormeceu e sua mão escreveu uma comunicação em francês, de caráter íntimo, fazendo alusão a uma sessão anterior à qual tinha assistido uma senhora de nosso conhecimento, a condessa A. Tolstoï, mulher do vice-presidente da Academia de Belas Artes. A comunicação era proveniente da filha falecida da condessa e dirigia-se a ela: é inútil falar aqui do conteúdo da comunicação, pois que a prova de identidade está no que se segue. Quando minha mulher voltou a si:

– É extraordinário – disse ela –, acabo de ver alguma coisa!

– Que é?

– Uma figura.

– De homem ou de mulher?

– De mulher; um rosto lindíssimo, que impressionava pelo brilho dos olhos azuis; eles pareciam iluminados por dentro. A figura conservava-se de pé à minha frente, a certa altura; representava uma pessoa moça, bem feita, vestida de branco.

– Uma morena?

– Sim!


– Reconheces alguém nessa figura?

– Não. Porém ela me produziu a mais agradável impressão; é verdade que eu dormia, mas não era o sono ordinário.

Esta conversação realizara-se imediatamente depois do despertar de minha mulher; ela não sabia se havia qualquer coisa escrita, ainda menos o que tinha sido escrito e qual era o autor da mensagem. Nós não sabíamos se a aparição da figura tinha qualquer relação com a comunicação. Um mês e meio depois, minha mulher, achando-se de visita em casa da condessa, que acabava de perder o marido, e passando a um aposento retirado, onde até então nunca tinha entrado, achou-se defronte de um retrato de moça representado em busto e que ela nunca vira, mas no qual reconheceu imediatamente a bela figura que lhe tinha aparecido por ocasião de sua visão interior. Era o retrato da filha falecida da condessa.

Sob a categoria precedente citei um caso, referido por Dale Owen, relativo à aparição de sua amiga Violeta a dois médiuns que não conheciam Dale Owen e nunca tinham visto a sua amiga falecida; aquela aparição, em tudo semelhante à aparência terrestre de Violeta, completava o conjunto das particularidades pessoais e íntimas dadas aos mesmos médiuns.


H2 – Aparição de um morto atestada pela visão mental do médium e, simultaneamente, pela fotografia transcendente ou pela fotografia só, na ausência de pessoas que conheceram o morto


A manifestação mais espiritualizada da ordem física é, sem a mínima dúvida, a fotografia transcendente que estabelece o fato da realidade objetiva de uma aparição ou de uma materialização invisível. Dei no capítulo I todos os pormenores históricos relativos ao desenvolvimento desse fenômeno. Temos o seu protótipo fundamental nas experiências notáveis do Sr. Beattie, onde o médium em transe dava a descrição das formas luminosas que apareciam à sua vista mental – começando por diferentes formas indeterminadas que se desenvolviam gradualmente em formas determinadas – e muitas vezes correspondendo perfeitamente às fotografias obtidas.

Encontramos a confirmação desse gênero de fatos em um testemunho inteiramente seguro, o do respeitável Sr. A. (Oxon), que por sua vez reunia todos os predicados de uma mediunidade excepcional. Eis como ele descreve a sua primeira experiência de fotografia transcendente:

“A primeira imagem que obtive com o Sr. Hudson é notável pelo obscurecimento quase completo do sensitivo. Eu estava colocado de perfil defronte da máquina fotográfica e conservava os olhos fixos no teto do gabinete de estudos. Tinha a impressão perfeitamente consciente da existência, em torno de mim, de um nevoeiro luminoso e da presença de um ser que se conservava a meu lado. Essa impressão sensorial aumentou a ponto tal que me achei em estado parcial de transe antes de estar terminada a exposição. Por ocasião do desenvolvimento, a chapa só apresentou um contorno de minha forma, apenas indicado, ao passo que, no lugar onde eu sentira a presença de um ser, ela mostrava uma forma distintamente desenhada, mas inteiramente coberta por um véu e colocada de perfil. Entretanto o rosto é bem visível e acha-se exatamente no ponto em que a minha impressão lhe marcava. O nevoeiro luminoso, que eu tinha percebido, velou minha forma quase completamente. Entre outras medidas de precaução, eu pedira ao Sr. Hudson que voltasse a chapa para obter uma certeza maior contra uma fraude possível.” (Human Nature, Londres, 1º de outubro de 1874, pág. 426).

Eis agora dois casos nos quais as individualidades invisíveis que se consagram ao serviço dos médiuns e se lhes apresentam freqüentemente à visão mental aparecem também na chapa sensível, quando esses médiuns se fazem fotografar.

O primeiro já foi citado por mim no capítulo I; é aquele em que a mui conhecida médium, a Sra. Conant, vê aparecer-lhe, um momento antes da exposição, sua amiguinha, a indiana Wash-ti; ela lhe estende a mão e a fotografia reproduz as duas figuras de mãos dadas.

Somos ainda devedores do segundo caso ao Sr. A. (Oxon). Enquanto ele se fazia fotografar, viu mentalmente e descreveu a aparição e a posição da pequena Paulina, que habitualmente se manifestava em seu círculo íntimo; ela não deixou escapar-se a oportunidade de se fazer fotografar também. Eis a curta narração do Sr. Oxon:

“Há cerca de um mês tentamos obter uma fotografia com o Sr. Parkes, e por esta ocasião obtivemos uma nova manifestação de Paulina. Sentei-me defronte de pequena mesa e quase instantaneamente caí em transe. Em meu estado de clarividência, vi a menina em pé e flutuando muito perto de meu ombro esquerdo. Ela parecia muito próxima da mesa e tentei em vão atrair a atenção do Sr. Speer para a aparição. Logo que a exposição terminou e eu despertei, referi o que vira; quando a chapa foi revelada, viu-se aparecer perto da mesa a forma de uma criança. Ela estava exatamente na posição em que eu a tinha visto e sentido. Assemelhava-se muito à pequena Paulina, que declarou imediatamente reconhecer-se no retrato e manifestou extraordinária alegria pelo bom êxito da experiência. Minha visão tinha sido tão distinta, eu estava tão certo do que se encontraria na chapa fotográfica, que teria arriscado toda a minha fortuna em uma aposta, quanto ao resultado previsto, antes de ver a chapa revelada.” (Human Nature, Londres, 1º de setembro de 1874, pág. 397).

Podem-se juntar a esses fatos, até um certo ponto, os casos de fotografia transcendente das formas visíveis que aparecem habitualmente na presença de certos médiuns por via de materialização. Falei neles extensamente no capítulo I.

Até hoje, as fotografias transcendentes são consideradas como a imagem dos mortos; mas não falamos ainda das provas de identidade. O fenômeno atinge seu grau mais elevado, compreende-se facilmente, quando a personalidade é posta fora de dúvida pela semelhança. Os casos deste gênero são numerosos; mencionei também muitos deles no capítulo I. O de Moses Dow (capítulo I, item 1) deve ser considerado como perfeitamente concludente, em vista da importância das provas de ordem intelectual. Escrevi ao Sr. Dow, em 1886, para obter informações mais amplas, porém nesse meio tempo ele falecera.

Dentre os casos mais recentes, posso citar o que é mencionado pelo Sr. Alfred Russel Wallace, em sua conferência feita em São Francisco, em 5 de junho de 1887:

“Um dos casos mais interessantes, sob o ponto de vista da identidade da personalidade, me foi comunicado pelo Sr. Bland, um amigo muito conhecido dos indianos. Ele fez numerosas sessões com uma mulher médium que não era médium de profissão que recebesse salário, porém uma de suas amigas. Por intermédio daquela pessoa ele recebia freqüentemente comunicações de sua mãe. Nada sabia acerca da fotografia dos Espíritos, porém casualmente sua mãe lhe disse que se ele se dirigisse à casa de um fotógrafo de Cincinnati (onde ele habitava então, creio), ela tentaria aparecer com ele na chapa. Nenhum fotógrafo era designado particularmente. Perguntou ao médium se acedia em acompanhá-lo. Foram, pois, juntos à casa do primeiro fotógrafo que encontraram e pediram-lhe que os fotografasse. Sentaram-se um ao lado do outro e a fotografia foi tirada.

Quando o fotógrafo revelou a chapa, disse que deveria ter havido qualquer acidente, pois que havia na prova negativa três figuras, em vez de duas. Eles responderam que contavam com isso; mas, com grande surpresa do Sr. Bland, a terceira figura não era a de sua mãe. Este fato é muito digno de nota pelo que vai seguir-se. Ele voltou para casa e perguntou como sucedera que tivesse aparecido na chapa a imagem de outra pessoa. O Espírito de sua mãe lhe respondeu que era a imagem de uma amiga que a tinha acompanhado e que, mais entendida na matéria do que ela, desejara fazer a experiência em primeiro lugar e que, se ele quisesse repetir a experiência, ela própria apareceria desta vez. Assim se fez e o retrato de sua mãe foi encontrado no negativo.

Depois disto, um de seus amigos sugeriu-lhe a idéia – para excluir toda possibilidade de dúvida a respeito da sinceridade do fotógrafo, que poderia ter obtido um retrato de sua mãe – de pedir a esta que aparecesse diante do aparelho fotográfico com uma ligeira modificação no trajo, o que devia evitar toda a suspeita de fraude. Por conseguinte, foram tirar um terceiro retrato: obtiveram-no de novo, mui semelhante ao primeiro, com a pequena diferença de não ser a mesma a maneira de abotoar os colchetes. O Sr. Bland mostrou-me as três fotografias e descreveu verbalmente as circunstâncias que se referiam ao caso. Admitindo-se que ele me tivesse falado a verdade, não vejo necessidade de recorrer a outra hipótese, a não ser a de uma comunicação real entre sua mãe e ele.” (Light, 9 de julho de 1887, pág. 308).

Temos o caso muito recente da fotografia transcendente de Nellie Power, obtida por uma pessoa de confiança, o Sr. Johnstone, com um médium particular, o Sr. Rita, isto é, nas condições exigidas pelo Sr. Hartmann.

Finalmente, entre os casos modernos, pode-se ainda citar a fotografia do Sr. Pardo, obtida pelo mesmo Sr. Johnstone, às escuras (Médium, 1892, 15 de julho), e a fotografia de um menino em quatro posições diferentes, obtida pelo Sr. Edina (Light, 1892, 7 de maio).

O único ponto vulnerável das fotografias transcendentes reconhecidas é, no ponto de vista do Sr. Hartmann, que a pessoa que a obtêm, geralmente a que se expõe diante da máquina fotográfica, conhecia a pessoa de quem se tratava e, por conseguinte, pode ser considerada como a fonte inconsciente da imagem da pessoa morta; então o médium, por um processo de clarividência e de objetivação inconsciente, consegue colocar esta imagem de criação própria no foco desejado; ou antes ainda, o pensamento só da primeira produz tudo isso com o auxílio das emanações fluídicas do médium, etc. É difícil, porque, ordinariamente, o médium e a pessoa que se expõe acham-se, durante a execução dessas fotografias, perfeitamente em seu estado normal. A explicação é pouco racional, mas enfim não é ilógica no ponto de vista do animismo.

As fotografias reconhecidas, obtidas com uma condição mental de inspeção (uma posição determinada, uma particularidade desejada mentalmente, etc.), constituem uma variedade preciosa desse gênero de fenômenos (vede por exemplo os casos referidos no Human Nature, 1874, pág. 394; Light, 1885, pág. 240, etc.); mas evidentemente elas dão motivo à mesma objeção.

Por conseguinte, para que um caso de fotografia transcendente fosse concludente em absoluto, seria preciso que a prova negativa fosse obtida na ausência de pessoas que conheceram o morto.

No caso citado por Wallace, nós já temos a prova de que não é sempre a imagem mentalmente desejada pela pessoa que se expõe defronte da máquina fotográfica que é reproduzida, pois que o Sr. Bland esperava ver uma imagem inteiramente diversa; porém temos ainda casos que correspondem completamente à condição que acabo de enunciar. Citei no capítulo I, com pormenores e reprodução da fotografia, o caso do Sr. Bronson Murray, que obteve em casa de Mumler a fotografia de uma mulher a quem não conheciam nem Murray nem os Mumler e que foi em breve reconhecida pelo marido da senhora, o Sr. Bonner; este obteve em seguida uma fotografia idêntica, com mudança de posição, segundo uma promessa feita, e sem que Mumler soubesse que era o marido daquela pessoa. Sua aparição, mesmo com a indicação do nome, foi assinalada pelo Sr. Mumler, que era médium vidente, alguns minutos antes da execução da fotografia.

O Dr. G. Thomson, a quem conhecemos por ter tomado parte nas experiências do Sr. Beattie, dá testemunho do seguinte fato, em sua carta publicada no Spiritual Magazine de 1873, página 475:

“Worcester Lawn, 4, Clifton.

Bristol, em 5 de agosto de 1873.

Caro Senhor:

Em cumprimento à minha promessa, informo-o por estas linhas de que a figura que se produziu em minha fotografia foi reconhecida como retrato de minha mãe, falecida pouco depois do meu nascimento, há quarenta e quatro anos; como eu nunca vira retrato dela, não me era possível verificar por mim mesmo a semelhança. Entretanto, enviei a fotografia a seu irmão, pedindo-lhe simplesmente que me mandasse dizer se achava alguma semelhança entre a figura e algum de meus parentes falecidos, e em sua resposta ele afirmou que reconhecia na figura os traços de minha mãe.

Seu amigo e obrigado,

G. Thomson.

P. S. – Seja-me permitido acrescentar que não suponho que meu tio tenha a mínima idéia do Espiritismo ou da fotografia espirítica, pois que ele mora em um distrito afastado, na Escócia. Cheguei a esta conclusão pela observação seguinte que ele fez: “Em verdade, não posso compreender como isso pôde suceder!”

Podem-se ler ainda pormenores interessantes, acerca deste caso, no Human Nature, 1874, página 426.

A Moses Dow devemos outro caso desse gênero, perfeitamente concludente. Ele foi muito bem exposto em um artigo do Sr. Dow, publicado pelo Banner of Light de 14 de agosto de 1875, do qual dou o resumo:

O Sr. Dow continua a obter comunicações de Mabel Warren, cuja história conhecemos. Ela lhe fala muito a respeito de sua amiga no mundo espiritual, a quem ela chama Lizzie Benson; promete-lhe, como testemunho de sua gratidão (cujos motivos são explicados no artigo), seu retrato em companhia de Mabel. O Sr. Dow dirige-se à casa de Mumler e obtém efetivamente seu próprio retrato com as imagens de Mabel e de Lizzie Benson, a quem ele nunca tinha conhecido; a aparição das duas figuras ao mesmo tempo é também assinalada pela Sra. Mumler, na ocasião de tirar o retrato. O Sr. Dow manda esse retrato à mãe de Lizzie Benson; ela verifica sua perfeita semelhança, e em sua carta, que o Sr. Dow publica, lemos entre outras coisas:

“Acreditar em semelhante coisa parece-me muito extraordinário, mas sou coagida a fazê-lo, porque sei que ela (Lizzie) nunca teve retrato de espécie alguma.” Conforme acabamos de verificar, neste caso a prova é absoluta. Eu tive ensejo de ver esta fotografia na coleção do Sr. Wedgwood, em Londres, no ano de 1886.

Um caso igual, talvez ainda mais comprobatório, foi publicado em Light (de 15 de dezembro de 1888, página 614), que o transcreve no British Journal of Photography. Eu o resumo:

O Sr. Fred. H. Evans conhece o fato e os pormenores pelas próprias pessoas às quais ele se refere. O Sr. H., médium não profissional, dirige-se um dia, em companhia de seu amigo o Dr. S., à casa do Sr. W., que não era fotógrafo de profissão, mas simples amador, e a quem o Dr. S. conhecia por já ter obtido fotografias transcendentes. O Sr. H. duvidava do fato; o próprio Dr. S. fez todas as manipulações e, quando a fotografia de seu amigo foi tirada, encontrou-se na prova negativa uma outra figura colocada defronte do Sr. H. Ninguém reconheceu esta figura, e como o Sr. H. só desejasse a prova da possibilidade do fato, guardou a fotografia em uma gaveta e esqueceu-a. Era em 1874. Ora, eis o que aconteceu oito anos depois, em 1882 – deixemos falar a senhora que, por um acaso extraordinário, reconheceu nesse retrato os traços inegáveis de seu marido:

“Em 1878, fiz conhecimento com o Sr. H. e tornei-me amiga de sua irmã. Ambos tiveram para comigo uma grande benevolência em uma época em que me achava, com meus filhos, em situação muito precária. Quando ele resolveu ir passar alguns meses em K., eu procurei um aposento para ele e ajudei sua irmã a desencaixotar seus objetos e arrumá-los. Ao abrir um caixão que continha diversos objetos, para colocá-los em um gabinete, encontrei muitas fotografias do Sr. H. Examinando-as, notei imediatamente uma delas que apresentava duas figuras:

– Oh! eis aqui uma que é extraordinária – digo.

Porém, de repente, quando olhei mais de perto a segunda figura, senti todo o meu sangue gelar-se nas veias.

– Que há de extraordinário? – perguntou-me a Srta. H.

– Oh! – continuou ela olhando por cima de meu ombro –, onde encontraste esta fotografia? Eu a julgava perdida há muito tempo...

Porém, acrescentou, ao notar meu silêncio e minha palidez:

– Que há de particular? Estás indisposta?

– Dize-me – repliquei – de quem recebeste esta fotografia e de que maneira foi ela obtida.

Enquanto eu ali estava como se tivesse sido petrificada, contemplando o cartão que tinha na mão, a Srta. H. referiu-me toda a história narrada mais acima. Perguntei-lhe:

– Nunca soubeste nem empregaste os meios para saber de quem esta segunda figura é o retrato?

– Não, nunca soubemos isso – foi a resposta.

Eu lhe disse, então, que era meu marido, falecido em 1872. Levei o cartão e, sem dizer coisa alguma, mostrei-o à minha irmã, que tinha vivido durante muitos anos em nossa companhia; ela reconheceu imediatamente meu marido. Ele foi reconhecido, com a mesma espontaneidade e imediatamente, por meus três filhos, por minha sogra, por minha cunhada e por diversos amigos antigos; uma amiga, que nos tinha conhecido antes do nosso casamento, disse-me que esse retrato tinha despertado suas recordações com a rapidez do relâmpago, mais do que o fizera qualquer outro retrato. Como traços particularmente característicos de meu marido, posso indicar: o maço de cabelos brancos que caía sobre sua larga fronte, as sobrancelhas muito escuras e o cabelo grisalho; posto que ele tivesse morrido aos trinta e três anos, parecia ter quarenta. Todas essas particularidades são reproduzidas na fotografia, com rigorosa exatidão.”

Finalmente temos casos em que fotografias reconhecidas foram obtidas na ausência de qualquer pessoa defronte da máquina fotográfica, e em que a pessoa era substituída simplesmente por um cartão fotográfico. Eis aqui dois casos interessantes, referidos pelo Sr. J. F. Snipe, que cito conforme Light de 1884, página 396:

“Depois de uma conversa que eu tivera com um vizinho céptico a respeito de um fotógrafo espírita muito conhecido, ele resolveu, para tentar uma prova, enviar-lhe sua fotografia em cartão. Assim se fez, e em recompensa obteve uma cópia de seu retrato; porém o retrato de sua irmã falecida achava-se ali com o seu, e a semelhança foi verificada por comparação com um retrato que tinha sido tirado antes de sua morte. Eu o conduzi a um médium de transe não profissional. Sem a mínima indicação de nossa parte, a irmã comunicou-se pelo médium e falou do retrato obtido, dando-o como seu. Em seguida enviei ao mesmo fotógrafo meu próprio retrato em cartão, determinando o dia e a hora da experiência. Naquele mesmo instante exprimi mentalmente o desejo de que um amigo de minha mãe condescendesse em aparecer comigo na chapa para dar a esta uma prova convincente. Recebi pelo correio uma prova de minha fotografia com uma outra forma, vestida de branco, sobre o meu retrato. O Espírito de meu pai me informou, pela intervenção de um médium que não o tinha conhecido e não me conhecia, que a segunda figura era a do irmão de minha mãe; esta o reconhece, e sua filha o reconheceu igualmente com uma surpresa repleta de ternura.”

Nos Anais de Fotografias de Mumler, muitos outros casos desse gênero são ainda mencionados.


H3 – Aparição da forma terrestre de um morto por via de materialização, apoiada por provas intelectuais


Nesta última categoria podemos admitir três gêneros de materialização:

1º – a materialização do duplo do médium tomando o nome de diversas personalidades;

2º – a materialização artificial de figuras que não se assemelham ao médium ou de membros humanos construídos ou formados com maior ou menor arte e assemelhando-se mais ou menos a formas vivas;

3º – a materialização espontânea ou original, a aparição de figuras materializadas, com todos os traços de uma personalidade completa, diferentes do médium e dotadas de uma vitalidade tão pronunciada quão independente.

As materializações da 2ª categoria foram algumas vezes empregadas como provas de identidade; umas vezes era uma certa mão com falta de dois dedos (Spiritual Magazine, 1873, pág. 122), outras vezes uma mão com dois dedos recurvados para a palma, em conseqüência de uma queimadura (Light, 1884, pág. 71), ou antes com o indicador dobrado sobre a segunda falange (idem), etc.

Possuímos moldagens de mãos reconhecidas graças a deformidades; eu as descrevi mais acima e em lugar oportuno; no caso referido pelo professor Wagner, no Psychische Studien de 1879, página 249 (do qual já falei também), tem-se a impressão, entre duas ardósias, de uma certa mão, reconhecida: “Ela era extraordinariamente grande e longa, com o dedo mínimo recurvado.” A este caso referem-se particularidades de ordem intelectual que lhe comunicam um valor excepcional.

As materializações do terceiro gênero, referindo-se a figuras perfeitamente reconhecidas, são muito raras, posto que hoje esse fato se observe mais freqüentemente do que há dez anos.

No ponto de vista da análise crítica, pode-se objetar que em todos os casos de materialização nos quais só podemos verificar a semelhança da forma, esta semelhança não é uma prova de identidade. Pois que, ordinariamente, é uma das pessoas presentes que verifica a semelhança; por conseguinte, essa pessoa pode ser a portadora da imagem do tipo segundo o qual a atividade inconsciente do médium organiza a forma que se materializa.

No ponto de vista do animismo, a materialização do duplo do médium é um fato incontestável; passando-se as coisas assim, variações do grau de semelhança são logicamente admissíveis e a experiência nos prova que tal é o caso: assim, no caso de Katie King, cuja semelhança com a médium era notável, houve, entretanto, divergência quanto à estatura, cabelos, orelhas, unhas, etc. Sabemos também que Katie King podia instantaneamente modificar o colorido do rosto e das mãos, fazê-lo passar do negro ao branco e vice-versa (veja-se Spiritualist, 1873, págs. 87, 120). Algumas vezes ela se assemelhava a um “manequim articulado”... ou a uma “boneca de cautchu”... “sem esqueleto ósseo nas mãos”... e, “um instante depois, mostrava-se com o seu esqueleto completamente formado” (Spiritualist, 1876, t. II, pág. 257); ou antes, ela aparecia “com uma cabeça óssea de forma obtusa, duas vezes menor que a da médium, não deixando de conservar certa semelhança com a desta última” (Spiritualist, 1874, t. I, pág. 206); muitas vezes, como única explicação, ela dava esta resposta significativa: “Formei-me como pude” (Spiritualist, 1876, t. II, pág. 257).

Por conseguinte, a mesma causa operante pode levar esta divergência a tal grau que a semelhança com o médium desapareça completamente. Desta maneira, a forma materializada, assemelhando-se a um morto, não seria, segundo o Sr. Hartmann, senão a obra da consciência sonambúlica do médium, dispondo das emanações fluídicas de seu corpo.

No ponto de vista espirítico, a dificuldade é maior ainda; pois que, se admitimos que o Espírito do médium pode ser a causa eficiente e inconsciente da materialização de uma figura reconhecida, com mais razão um Espírito desprendido do corpo pode também ser a causa eficiente da materialização, e assim a forma materializada não seria de maneira alguma identificada com o Espírito que esta figura representa. Pois que é evidente que, se o Espírito de um médium é dotado da faculdade de ver as imagens mentais dos assistentes e de produzir imagens, com mais razão um Espírito desprendido do corpo disporá dessas mesmas faculdades em um grau do qual não podemos formar uma idéia adequada, e por conseguinte poderá personificar pela materialização todas as formas desejadas. Eis por que a semelhança não é uma prova de identidade! Tal é o sentido da conclusão à qual eu tinha chegado em 1878 e que citei mais acima.

Sinto-me satisfeito em poder reproduzir aqui as palavras seguintes do Sr. E. A. Brackett, que se pode considerar como um perito nos fenômenos de materialização:

“Como eu sei que há fantasmas que podem tomar quase todas as formas que desejam, a semelhança exterior desses seres não tem valor algum a meus olhos, desde que faltem os caracteres intelectuais.” (Materialised Aparitions, Boston, 1886, pág. 76).

Assim, pois, a semelhança de uma forma materializada com a de um morto não poderia ser considerada como uma prova, mas apenas como um acessório que pode quando muito representar o papel de um fator em apoio, quando se trata de concluir pela identidade da figura. Desde então, para que uma figura materializada possa ser considerada como manifestação original, é preciso que se distinga por um conteúdo intelectual que corresponda às exigências que formulamos para as provas intelectuais da identidade da personalidade – provas que não possam ser, além disso, explicadas nem pela transmissão de pensamento nem pela clarividência.

Não é coisa fácil, pois que é de toda a necessidade que uma pessoa presente seja juiz da semelhança e do conteúdo intelectual, condição que invalida ipso facto a importância da manifestação. Felizmente, porém, a personalidade possui certos atributos que mesmo esta presença não pode afetar e que nem a transmissão de pensamento nem a clarividência podem pôr à disposição de uma força operante diversa da força da pessoa a quem ela pertence; esses atributos são: a escrita própria da pessoa que se manifesta, o uso de uma língua que o médium não conhece, mas que a testemunha compreende; as particularidades da vida íntima, desconhecidas das testemunhas, etc.

Há casos deste gênero. Citarei aqui um exemplo muito curioso, oferecendo particularidades que raramente se encontram nas sessões de materialização e que foi comunicado ao jornal Facts pelo Sr. James M. N. Sherman, de Rumford, Rhode Island, e reproduzido em Light de 1885, pág. 235, do qual eu o tiro em parte:

“Em minha mocidade, entre 1835 e 1839, minhas ocupações profissionais coagiram-me a dirigir-me às ilhas do Oceano Pacífico. Havia a bordo de nosso navio indígenas contratados para o serviço, e por intermédio deles aprendi muito bem a sua língua. Há quarenta anos que sou adepto de uma igreja. Tenho 68 anos. Na esperança de chegar à verdade, assisti a grande número de sessões de Espiritismo, e há dois anos tomo notas.

23 de fevereiro de 1883 – Assisti a uma sessão em casa de Mrs. Allens, em Providência, Rhode Island, durante a qual um indígena das ilhas do Pacífico materializou-se e eu o reconheci pela descrição que ele fez da queda que deu do filerete, no qual se feriu no joelho, que ficou volumoso daí em diante; nesta sessão ele colocou minha mão em cima de seu joelho, que se verificou estar materializado com aquela mesma tumefação endurecida que ele tinha durante a vida. A bordo chamavam-no Billy Marr.

6 de abril – Nesta ocasião trouxe um fragmento de tecido fabricado pelos indígenas com a casca do tapper (árvore indígena) e que eu tinha guardado havia 45 anos. Ele o segurou na mão e deu-lhe o nome que tinha em sua língua materna.

de setembro – Fui chamado com minha mulher para perto do gabinete e, enquanto me conservava defronte, vi aparecer no soalho uma mancha branca que se transformou insensivelmente em uma forma materializada, na qual reconheci minha irmã e que me atirou beijos. Depois, apresentou-se a forma de minha primeira mulher. Logo que as duas metades da cortina se abriram, na abertura achava-se uma forma feminina com a vestimenta dos insulares do Pacífico, tal qual se usava 45 anos antes, e de que eu me lembrei muito bem. Ela me falou em sua língua materna.

18 de setembro – A mesma mulher se materializou de novo; apertou-me as mãos e disse-me que era originária do New Hever, ilha do arquipélago das Marquesas. Ela me recordou quanto ficara aterrada com as salvas dos canhões, quando foi a bordo com sua mãe, a rainha da ilha.

29 de setembro – Ela se apresentou de novo. Desta vez, Billy Marr também se materializou. Foi ele, como o disse, quem resolvera que ela se apresentasse ali. Ele a chamava Yeney.

17 de outubro – Na sessão da Sra. Allens chegou a rainha; anunciou-se sob o nome de Perfeney. Deu, em minha companhia, uma volta em torno dos assistentes e autorizou-me a cortar um retalho do seu vestido, que se assemelhava exatamente ao tecido que eu tinha trazido das ilhas, 40 anos antes.

5 de novembro – Com o mesmo médium, Perfeney autorizou-me a cortar quatro retalhos de seu vestido, a título de prova. Eles eram exatamente semelhantes ao que eu tinha cortado na primeira sessão dada pela Sra. Allens. Ela me lembrou, então, pela palavra powey, uma particularidade da alimentação dos indígenas; sentou-se no chão e mostrou-me como se toma o tal powey em um vaso, com os dedos.”

Poder-se-iam citar ainda alguns exemplos desse gênero, mas suponho que seria impossível encontrar um caso mais concludente, mais perfeito, como prova de identidade da aparição de uma forma materializada, do que o que nos apresenta a aparição de “Estela”, falecida em 1860, a seu marido o Sr. C. Livermore. Este caso reúne todas as condições necessárias para tornar-se clássico; corresponde a todas as exigências da crítica. Pode-se encontrar a narração circunstanciada deste caso no Spiritual Magazine de 1861, nos artigos do Sr. B. Coleman, que sabia de todos os pormenores, diretamente do Sr. Livermore (eles foram em seguida publicados sob a forma de brochura intitulada Spiritualism in America, por Benjamim Coleman, Londres, 1861), e finalmente na obra de Dale Owen, The Debatable Land, que copiou os pormenores respectivos, do próprio manuscrito do Sr. Livermore.51

Só mencionarei aqui os principais. A materialização da mesma figura continuou durante cinco anos, de 1861 a 1866, durante os quais o Sr. Livermore realizou 388 sessões com a médium Kate Fox e cujos pormenores foram imediatamente registrados pelo Sr. Livermore no seu canhenho. As sessões realizaram-se em completa escuridão. O Sr. Livermore estava as mais das vezes só com a médium, a quem ele segurava durante todo o tempo da sessão pelas mãos; a médium estava sempre no estado normal e era testemunha consciente de tudo quanto se passava. A materialização visível da figura de Estela foi gradual; foi somente na 43ª sessão que Livermore pôde reconhecê-la, por meio de uma iluminação intensa, de origem misteriosa, dependente do fenômeno e geralmente sob a direção especial de uma outra figura que acompanhava Estela e ajudava-a em suas manifestações, e que se apresentava com o nome de Franklin.52

Desde então a aparição de Estela se tornou cada vez mais perfeita e ela pôde suportar até a luz de uma lanterna levada pelo Sr. Livermore. Felizmente, para a apreciação do fato, a figura não pôde falar, à exceção de poucas palavras que pronunciou, e todo o lado intelectual da manifestação revestiu uma forma que deixou vestígios para sempre persistentes. Falo das comunicações por escrito, que o Sr. Livermore recebeu de Estela em folhas de papel que ele próprio levava e que foram escritas, não pelo punho de um médium, mas diretamente pelo de Estela e algumas vezes mesmo sob os olhos do Sr. Livermore, à luz criada ad hoc. A escrita dessas comunicações é um perfeito fac-símile da escrita de Estela quando viva. O conteúdo, o estilo, as expressões, tudo nessas comunicações dava testemunho da identidade da personalidade que se manifestava; e, além dessas provas intelectuais, muitas dessas comunicações foram escritas em francês, língua que Estela conhecia com perfeição e que o médium desconhecia completamente.

A cessação das manifestações de Estela, por via da materialização, apresenta notável aproximação com o termo da aparição de Katie King. Lemos em Owen:

“Foi na sessão nº 388, a 2 de abril de 1866, que a forma de Estela apareceu pela última vez. Desde aquele dia, o Sr. Livermore não mais tornou a ver a figura tão sua conhecida, posto que tenha recebido, até à data em que estou escrevendo (1871), numerosas comunicações cheias de simpatia e de afeição.” (The Debatable Land, pág. 398).

Assim também, Katie King, depois de decorrido um certo tempo, não mais pôde manifestar-se de maneira material, revestir a forma corpórea, porém continuou a testemunhar sua simpatia por meios mais aperfeiçoados.

É assim que Estela, não mais podendo manifestar-se por uma materialização visível, manifestou-se ainda por uma materialização invisível, a única de suas manifestações de um gênero mais aperfeiçoado que chegou ao conhecimento do público e que completa para nós a preciosa experiência do Sr. Livermore. Quero falar das fotografias transcendentes de Estela, que foram obtidas pelo Sr. Livermore em 1869 e a respeito das quais já falei ligeiramente no capítulo I.

Na época em que se realizaram estas sessões, ainda não estava em moda recorrer às impressões, moldes e fotografias para verificar a objetividade das materializações; quando o Sr. Livermore ouviu falar das fotografias espíritas de Mumler, não lhes deu crédito e tomou todas as cautelas possíveis para confundi-lo. Possuímos a esse respeito o seu próprio depoimento perante o tribunal, por ocasião do processo de Mumler reproduzido no Spiritual Magazine (1869, págs. 252, 254). Ele fez dois ensaios com Mumler: no primeiro apareceu na prova negativa uma figura ao lado de Livermore, figura que foi em seguida reconhecida pelo Dr. Gray como um de seus parentes; no segundo, houve cinco exposições sucessivas, e para cada uma delas o Sr. Livermore tinha tomado posição diversa. Nas duas primeiras chapas só havia nevoeiros no fundo; nas três últimas apareceu Estela, cada vez mais reconhecível e em três posições diversas. “Ela foi reconhecida perfeitamente bem – diz o Sr. Livermore –, não só por mim, como por todos os meus amigos.” A uma pergunta do juiz, ele declarou que possuía em sua casa muitos retratos de sua mulher, “porém não sob aquela forma”.

Temos um novo testemunho deste fato nas palavras seguintes pronunciadas pelo Sr. Coleman em uma das conferências dos espíritas de Londres acerca das fotografias espíritas:

“O Sr. Livermore enviou-me o retrato de sua mulher; ele desejava dar um desmentido ao fato da fotografia espírita e dirigiu-se a Mumler nesse intuito; tomou a outra posição imediatamente antes que o obturador da câmara escura fosse retirado, para prevenir qualquer preparativo fraudulento por parte de Mumler com o fim de fazer aparecer na prova negativa uma figura de Espírito em relação com a sua posição primitiva. O Sr. Livermore não manifestou entusiasmo algum em fazer conhecer esses fatos e só compareceu ao tribunal para dar o seu testemunho, e isso pelos reiterados pedidos do juiz Edmonds.” (Spiritualist, 1877, tomo I, pág. 77).

Só me falta formular o último desideratum relativamente à prova de identidade pela materialização; é que esta prova – assim como o exigimos para as comunicações intelectuais e fotografia transcendente – seja dada na ausência de qualquer pessoa que pudesse reconhecer a figura materializada. Creio que poder-se-iam encontrar muitos exemplos desse gênero nos anais das materializações. Porém a questão essencial é esta: produzindo-se o fato, poderia servir de prova absoluta? Evidentemente, não, porquanto, admitindo-se que um “Espírito” pode manifestar-se de tal maneira, eo ipso lhe é possível sempre prevalecer-se de todos os atributos de personalidade de outro Espírito e personificá-lo na ausência de quem quer que pudesse reconhecê-lo. Tal mascarada seria perfeitamente insípida, visto que não teria absolutamente nenhuma razão de ser; porém, no ponto de vista da crítica, sua possibilidade não poderia ser ilógica.



É evidente que esta possibilidade de imitação ou de personificação (de substituição da personalidade) é igualmente admissível para os fenômenos de ordem intelectual.

O conteúdo intelectual da existência terrestre de um “Espírito”, a que chamaremos A, deve ser ainda mais acessível a outro “Espírito”, que designaremos por B, do que os atributos exteriores desta existência. Tomemos mesmo o caso do falar em uma língua desconhecida pelo médium, mas que era a do morto; é muito possível que “o Espírito” mistificador também conheça com precisão essa língua. Só ficaria, por conseguinte, a prova de identidade pela escrita, a qual não poderia ser imitada; mas seria preciso que essa prova fosse dada com abundância e perfeição excepcionais, como no caso do Sr. Livermore, pois que bem sabemos que a escrita e principalmente as assinaturas também estão sujeitas a falsificação e imitação.

Assim, pois, após a substituição da personalidade no plano terrestre – pela atividade inconsciente do médium –, sucede que ainda temos que contar com uma substituição da personalidade em um plano supraterrestre por uma atividade inteligente fora do médium. E tal substituição, logicamente falando, não teria limites. O qüiproquó seria sempre possível e admissível. O que a lógica nos faz aqui admitir como princípio, a prática espirítica o prova. O elemento mistificação, no Espiritismo, é um fato incontestável. Ele foi conhecido desde o seu começo. É claro que, além de certos limites, a mistificação não pode mais ser lançada à conta do inconsciente e torna-se um argumento em favor do fator extramediúnico, supraterrestre (como exemplo de mistificação, tão perfeita em todos os pormenores quão edificante para a hipótese espirítica, indicarei o que é relatado em Light, 1882, pág. 216; vejam-se também as págs. 238, 275 e 333).

Qual será, pois, a conclusão de todo o nosso trabalho sobre a hipótese espirítica? Ei-la:



Adquiri, por meios laboriosos, a convicção de que o princípio individual sobrevive à dissolução do corpo e pode, sob certas condições, manifestar-se de novo por um corpo humano acessível a influências desse gênero, mas a prova absoluta da identidade da individualidade que se manifesta importa em uma impossibilidade. Devemos contentar-nos com uma prova relativa, com a possibilidade de admitir o fato. Eis uma verdade da qual nos devemos compenetrar bem.

Assim, pois, a prova incontestável da identidade da personalidade dos Espíritos, por qualquer manifestação que seja, é impossível, justamente pela razão de sermos coagidos a admitir a existência desses “Espíritos”, e é isso o essencial, o que era preciso demonstrar.




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