Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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Capítulo I

Fenômenos de materialização

Insuficiência, no ponto de vista dos fatos, da
hipótese alucinatória emitida pelo Dr. Hartmann.


A semelhança entre a teoria de d’Assier e a do Sr. Hartmann salta aos olhos. A “personalidade mesmérica” do primeiro não é outra coisa mais do que a “consciência sonambúlica” do último: a hiperestesia (superexcitação) da memória, a transmissão do pensamento, a clarividência, tais são os pontos que lhes são comuns. Quanto ao que diz respeito ao conhecimento do assunto tratado e ao desenvolvimento sistemático da teoria, a obra de d’Assier não pode evidentemente ser comparada ao livro do Sr. Hartmann; em compensação, a hipótese de d’Assier leva uma vantagem indiscutível sobre a do Sr. Hartmann, a de admitir a realidade objetiva e independente, ainda que temporariamente, da personalidade mesmérica ou fluídica; isso lhe permite dar uma explicação bastante plausível de toda essa série de fenômenos, chamados místicos, para os quais a teoria do Sr. Hartmann não basta.

Era fácil encontrar uma resposta à opinião do Sr. d’Assier, de que “os fantasmas evocados pelo médium não são outra coisa mais do que alucinações, mesmo quando revestem uma forma óptica” (pág. 191). Não era mais do que um erro de lógica de sua parte, pois, desde o momento em que ele admitia a realidade do fantasma fluídico e o fato visível e tangível do seu “desdobramento”, logicamente não podia mais falar de alucinação. Sucede diversamente com a teoria do Sr. Hartmann, que nega a existência do ser humano fluídico, como lhe chama o Sr. d’Assier. Ele admite, com efeito, o fato da aparição, mas lhe recusa uma realidade objetiva. Essa realidade deve ser demonstrada de outra maneira que não seja pelo caminho das percepções dos sentidos do homem, os quais estão sempre sujeitos a ilusões.

É precisamente por esse lado que começarei o meu estudo crítico das opiniões do Sr. Hartmann, visto como divergimos completamente sobre esse ponto, e, além disso, porque de todos os problemas do Espiritismo, é o que se presta melhor à verificação por meio de experiências físicas, mesmo no estado atual da questão.

Ora, eu afirmo que os fenômenos que em Espiritismo se designam habitualmente sob o nome de “materializações” não são alucinações, “produtos da fantasia, privados de todo o elemento que os torne perceptíveis aos sentidos”, como os representa o Sr. Hartmann, baseando-se em fatos dos quais teve conhecimento; garanto que esses fenômenos são produções dotadas de uma certa materialidade passageira, ou antes, para empregar a expressão do Sr. Hartmann, possuindo elementos que os tornam perceptíveis aos sentidos. O Sr. Hartmann parece disposto a admitir essa realidade, com a condição de fornecerem em apoio provas suficientes, as quais, diz ele, podem ser fornecidas somente pela fotografia, e com a condição rigorosa de que o médium e a aparição sejam fotografados simultaneamente.

Em sua “conclusão”, o Sr. Hartmann é ainda mais explícito e entra em particularidades que julgo útil citar:

“Uma questão do mais alto interesse, do ponto de vista teórico, é saber se um médium tem a faculdade não somente de provocar a alucinação visual de uma forma em uma outra pessoa, porém, ainda de produzir essa forma como alguma coisa de real, posto que consistindo em uma matéria rarefeita, no lugar objetivamente real, onde se acham reunidos todos os experimentadores, e isto, desprendendo previamente do seu próprio organismo a matéria necessária para formar a imagem. Se os limites inacessíveis da esfera de ação de um médium fossem conhecidos, a realidade objetiva dos fenômenos de materialização teria podido ser estabelecida por meio de processos mecânicos de efeito duradouro, obtidos além da esfera de ação do médium. Mas desde o momento em que o caso não se realiza aqui e que as imagens materializadas nunca transpõem os limites da esfera de ação física do médium, só resta, parece, a demonstração fotográfica, para provar que a imagem materializada possui, no espaço objetivamente real, uma superfície capaz de refletir a luz.

A condição indispensável de uma igual prova fotográfica é, na minha opinião, que nem um fotógrafo de profissão nem o médium sejam admitidos a aproximar-se do aparelho, da câmara negra ou da placa, a fim de afastar toda suspeita, quer de uma preparação anterior da câmara negra ou da placa (ainda não coberta de colódio), quer de uma manipulação ulterior qualquer. Que me conste, essas medidas de prudência ainda não foram observadas; em todo o caso, não se faz menção disso nos relatórios, o que prova que os experimentadores ainda não reconheceram a sua importância. E, entretanto, sem a observância dessas medidas, os negativos sobre os quais aparecem ao mesmo tempo o médium e a imagem não fornecem a mínima prova; é ocioso dizer que as provas positivas tiradas sobre papel, e também as reproduções mecânicas feitas segundo essas placas, podem ainda menos servir de testemunho convincente. Um pesquisador, inspirando confiança absoluta, que trouxesse à sessão os seus próprios aparelhos e ingredientes e que operasse em pessoa, seria o único que poderia obter uma solução positiva e convincente desse experimentum crucis; também se deveria sempre, tanto quanto possível, procurar obter o concurso de semelhantes pessoas em toda a sessão de materialização.”

A esse respeito, não posso deixar de notar que será escusado observar estritamente essas precauções, pois nunca se há de chegar a desviar toda a espécie de dúvida, porque o valor da experiência dependerá sempre do ascendente moral do experimentador, que não se estende geralmente senão sobre o número limitado de pessoas que o conhecem bem. Não se podem traçar limites às conjecturas ou às suspeitas. Essas experiências só atingiriam toda a sua finalidade se os fenômenos mediúnicos fossem mais espalhados e por conseguinte melhor apreciados do que o são atualmente. O que se passa presentemente no domínio do hipnotismo pode servir-nos de exemplo.


1
Materialização de objetos escapando à
percepção pelos sentidos. Fotografia transcendente.


Há dois gêneros de materialização: há em primeiro lugar a materialização invisível ao olho, e não apresentando mais do que um atributo físico, acessível ao nosso confronto: consiste na emissão de raios luminosos, que não produzem ação alguma sobre a nossa retina, porém agem sobre a placa sensível de um aparelho fotográfico; para os resultados assim obtidos, proponho a expressão: fotografia transcendente.

Há de um outro lado a materialização visível, que é acompanhada dos efeitos físicos próprios ao corpo humano.

Acredito que se conseguíssemos estabelecer a realidade da primeira forma de materialização, teríamos adquirido argumentos sólidos para admitir a existência da materialização visível.

Efetivamente, se se estabelece o fato de uma formação mediúnica extracorpórea, isto é, da formação de alguma coisa, fora do corpo do médium, se bem que imperceptível ao olho humano, mas possuindo certos atributos de uma existência real, então o fato da materialização visível e palpável se reduzirá a uma questão de grau de materialidade.

Eis por que eu ligo uma importância tão grande às experiências fotográficas feitas pelo Sr. Beattie, em Bristol, em 1872 e 1873. Essas experiências foram continuadas em condições que correspondem amplamente às exigidas pelo Sr. Hartmann.

Conheci pessoalmente o Sr. Beattie, e é de suas mãos que possuo a coleção de fotografias de que vou falar mais adiante e uma parte das quais se acha representada nas dezesseis fototipias que possuo. Ele mesmo tinha sido fotógrafo de profissão, mas tinha deixado de o ser na época em que fez as experiências em questão.

Possuímos quatro documentos que se referem a essas experiências: uma primeira carta do Sr. Beattie, publicada no British Journal of Photography, número de 28 de junho de 1872, e no Photographic News, de Londres; ela foi reproduzida no Medium de 5 de julho de 1872; uma segunda carta de Beattie, a mais minuciosa, apareceu no Spiritualist, Londres, 15 de julho de 1872; uma terceira carta do Sr. Beattie, publicada no British Journal of Photography de 22 de agosto de 1873 e reproduzida no Spiritual Magazine de novembro de 1873, assim como no Medium de 29 de agosto de 1873; finalmente o testemunho de um terceiro, o Dr. Thompson, que tomou parte nessas experiências; esse testemunho, em forma de carta, foi publicado no jornal Human Nature, em Londres, 1874, pág. 390.

Para começar, façamos uma averiguação sobre o caráter do Sr. Beattie, a fim de verificar se ele pode corresponder à condição estipulada pelo Sr. Hartmann: “que o experimentador seja uma pessoa de reputação irrepreensível”.

Eis as informações dadas por sua conta pelo Sr. Taylor, editor do British Journal of Photography, em o número desse jornal de 12 de julho de 1873, informações que reproduzo conforme o Spiritual Magazine (1873, pág. 374):

“Todos aqueles que conhecem o Sr. Beattie atestarão espontaneamente que é um fotógrafo inteligente e instruído; é um dos homens mais difíceis de induzir em erro, pelo menos nas coisas referentes à fotografia, e um homem incapaz de enganar a outrem; é, entretanto, esse homem que nos vem afirmar, sob a fé de experiências feitas quer por ele mesmo, quer em sua presença, fatos que, a menos de se lhes recusar toda a significação, demonstram que, apesar de tudo, há alguma coisa na “espírito-fotografia”; que pelo menos figuras e objetos invisíveis para as pessoas presentes no aposento, e que não eram produzidos pelo operador, revelaram-se sobre a placa, com a mesma nitidez, às vezes mais nitidamente até do que as pessoas colocadas à frente do aparelho.”

O jornal tinha tal confiança no Sr. Beattie que não hesitou em publicar as duas cartas nas quais ele dá a descrição das suas admiráveis experiências.

A primeira carta do Sr. Beattie foi ainda reproduzida em outro jornal especial, o Photographic News, com essa nota da redação:

“O Sr. Beattie, assim como o sabem numerosos leitores nossos, é um fotógrafo-retratista extremamente experimentado e, além disso, um cavalheiro cuja sinceridade, probidade e talento ninguém pensaria pôr em dúvida. Interessando-se pela questão do Espiritismo e aborrecido com a fraude evidente das fotografias espíritas que tinha tido a oportunidade de ver, resolvera fazer pessoalmente pesquisas sobre essa questão.

A sua narração dá o resultado dessas experiências. É preciso notar que no caso presente as experiências eram conduzidas por operadores sinceros, peritos em tudo o que diz respeito à fotografia, e que as tinham empreendido com o objetivo único de obter delas um conhecimento pessoal; por conseguinte, toda a causa de erro estava cuidadosamente afastada. Eles obtiveram um resultado absolutamente inesperado: as imagens obtidas em nada se assemelhavam aos fantasmas tão laboriosamente reproduzidos em fotografias fraudulentas. Quanto ao que diz respeito à fonte ou à origem dessas imagens, não podemos oferecer nenhuma explicação nem teoria.” (citação do “médium”, 1872, pág. 157).

Mas ouçamos o próprio Sr. Beattie. Eis a primeira metade da sua carta dirigida ao British Journal of Photography, com a descrição dos preparativos e do começo das experiências:

“Durante longos anos, tive ocasião de observar de perto os estranhos fenômenos que, com poucas exceções, não eram considerados no mundo dos sábios como dignos de ser objeto de investigação; atualmente a existência desses fatos impõe-se a uma imparcial e minuciosa verificação.

Há pouco tempo, o Sr. W. Crookes demonstrou que, sob certas condições, manifesta-se uma força mecânica, que esse sábio designa como “nova”, e à qual ele deu uma denominação à parte.

Se a teoria da “unidade das forças” é exata, obtendo-se uma força qualquer, deve-se obter também qualquer outra força; se é verdade ainda que o movimento, instantaneamente suspenso, transforma-se em calórico, em luz, em ação química, e vice-versa, então na força descoberta e demonstrada pelo Sr. W. Crookes encontramos ao mesmo tempo uma fonte de força elétrica e química.

Não sou da opinião dos que supõem que toda mudança não é senão o resultado de uma força, mas não de um fim. Sou, por conseguinte, forçado a acrescentar um elemento razoável à concepção da força – a força como tal não tem uma existência independente do princípio inteligente. As experiências que vou descrever não são talvez novas, mas os resultados obtidos (não acrescento “se são exatos” porque sei que eles o são) provam muitas coisas, principalmente que, em determinadas condições, produz-se uma força invisível, possuindo a faculdade de suscitar uma poderosa ação química; não é tudo: essa energia é regida por uma inteligência que não a das pessoas presentes, atendendo-se a que as imagens evocadas não podiam ser o resultado do pensamento dessas pessoas.

Sem mais preâmbulo, vou proceder à descrição dessas experiências.

Tenho um amigo, em Londres, que me mostrou, certo dia em que estava em minha casa, o que se chamava “fotografias espíritas”. Eu lhe disse imediatamente que elas não o eram e lhe expliquei de que maneira eram obtidas. Mas, vendo que muitas pessoas acreditavam na possibilidade dessas coisas, disse ao meu amigo que eu estava preparado para fazer algumas experiências com um bom “médium” que conhecia: o Sr. Butland. Depois de algumas razões, ele consentiu em consagrar um certo tempo a essas experiências. Combinei então com o Sr. Josty (fotógrafo em Bristol) para fazer as experiências em sua oficina, depois das seis horas da noite, e fiquei certo da participação do Dr. Thompson e do Sr. Tommy, na qualidade de testemunhas. Eu mesmo fazia todas as manipulações, à exceção de descobrir a objetiva, operação reservada ao Sr. Josty.

A câmara escura, munida de uma objetiva Ross, era construída de maneira a que se pudesse obter três provas negativas sobre a mesma placa. Amortecia-se a luz, para poder prolongar a exposição até quatro minutos. O fundo era semelhante ao que se emprega ordinariamente, de cor parda carregada, e encostava na parede. O médium lhe voltava as costas; estava sentado e tinha uma mesa pequena à sua frente. O Dr. Thompson e o Sr. Tommy estavam sentados de um lado, à mesma mesa, enquanto eu me conservava defronte, durante a exposição.”

A descrição das experiências é mesmo muito sumária nessa carta; citarei por isso a carta do Sr. Beattie, no jornal Spiritualist.

“Na primeira sessão, fizeram-se nove exposições sem resultado. Na segunda sessão, que se deu uma semana depois, obtivemos um resultado em a nona exposição. Se nada tivéssemos obtido, tínhamos decidido abandonar as experiências. Mas, ao revelarmos a última placa, vimos imediatamente aparecer uma imagem, semelhando-se vagamente a uma forma humana. Depois de muitas discussões, decidimos que o resultado obtido não podia ser atribuído a nenhum dos acidentes tão freqüentes em fotografia. Ficamos, pois, animados a prosseguir nas experiências. Farei observar que o Sr. Josty zombava até da própria idéia de fazer essas experiências; entretanto o resultado obtido na segunda sessão fê-lo refletir.

Na terceira sessão, a primeira placa não deu resultado. Sobre a segunda placa, cada uma das três exposições produziu um resultado; depois das duas primeiras, um busto luminoso, conservando os braços levantados e cruzados; na terceira exposição apareceu a mesma imagem, porém alongada. Diante dessa figura e acima dela se achava uma estranha forma recurvada, cuja posição e dimensão mudaram a cada nova exposição para a mesma placa. Depois de cada exposição sucessiva, a imagem aproximava-se cada vez mais da forma humana, enquanto que a forma que se achava acima dela se transformava em estrela. Essa evolução continuou durante as exposições seguintes, depois do que a estrela tomou a forma de uma cabeça humana.

Presenciávamos uma das exposições dessa série, e o Sr. Josty estava sentado em uma cadeira perto do aparelho para abrir a objetiva, quando, de repente, sentimos que o obturador caía das suas mãos; apercebemo-nos de que ele estava mergulhado em profundo transe.

No momento de voltar a si, ele manifestava grande emoção. Acalmando-se um pouco, disse que só se recordava de ter visto diante de nós uma forma humana branca, que lhe parecia ser a sua mulher. Pediu-nos que mandássemos imediatamente colher informações a seu respeito. Depois desse incidente, o Sr. Josty parecia dominado por um terror supersticioso e hesitava em tocar na câmara escura ou no caixilho; não ria mais.

Na quarta sessão, os resultados obtidos foram mais admiráveis ainda. Obtivemos em primeiro lugar a imagem de um cone, de uma extensão de cerca de 2 milímetros, e acima um outro cone mais curto; na segunda exposição, esses cones projetam uma irradiação para os lados; na terceira, o grande cone toma a forma de uma garrafa florentina, e o pequeno cone a de uma estrela; na quarta exposição, aparecem as mesmas imagens e, demais, um duplo da estrela. Na quinta exposição, cada uma dessas imagens parece atravessada por um fio de magnésio aceso, a estrela assemelhando-se a uma ave luminosa voando, e a garrafa estava como se tivesse sido reduzida a estilhaços; é como uma explosão de luz.

Na quinta sessão, tivemos dezoito exposições, sem o menor resultado. O dia estava muito úmido.

Na sexta sessão, sábado 15 de junho, obtivemos resultados muito estranhos, quer de natureza física, quer de natureza espírita. Descrevê-los-ei tão exatamente quanto possível. Doze exposições não deram resultado algum. Em seguida os Srs. Butland e Josty caíram em transe (sono letárgico). O Sr. Josty não pôde sair completamente desse estado letárgico durante todo o resto da noite; ele repetia de si para si: “Que significa isso?... Não me acho bem... Parece-me que estou atado.” Ele estava evidentemente no estado de semitranse. Na exposição seguinte, foi incumbido de abrir a objetiva; feito isto, aproximou-se rapidamente e colocou-se atrás de nós, o que nos admirou. Quando se passou o tempo necessário, correu para o aparelho e fechou a objetiva; sobre essa placa uma imagem branca tinha aparecido diante dele. Da pessoa do Sr. Josty não se via senão a cabeça.

Até o presente, ele se recusa a acreditar que se levantou e se colocou diante do aparelho; evidentemente tinha agido em estado de transe.

Na experiência seguinte, o Sr. Josty estava conosco e era o Dr. Thompson quem estava na objetiva. Durante a exposição, o Sr. Josty disse: “Vejo uma nuvem, igual a um nevoeiro de Londres.” Ao se revelar a chapa, para a segunda exposição, ele disse ainda: “Presentemente nada vejo, tudo é branco.” E abriu os braços para assegurar-se de que estávamos ali. No momento da retirada da placa para a terceira exposição, declarou que via de novo o nevoeiro.

O Sr. Butland, por sua vez, disse que via uma imagem. Farei notar que essas observações eram feitas durante a exposição. Desde que mergulhei a placa no revelador, obtive um resultado excessivamente estranho, direi inconcebível.

A primeira parte da placa representava um nevoeiro, diáfano, contínuo; as figuras sobre essa placa eram quer invisíveis, quer neutralizadas; por conseguinte, simultaneamente, um efeito era anulado, um outro era reproduzido. Sobre a parte seguinte da placa, a nebulosidade tinha-se tornado completamente opaca; sobre a terceira via-se um ligeiro véu e uma figura como a tinha visto o Sr. Butland.

A sétima sessão, compreendendo dezesseis exposições, só deu um resultado: uma espécie de imagem, lembrando a forma de um dragão; não compreendi o que ela representava.

Essa sessão foi seguida de uma série de sessões interessantes, no decurso das quais obtiveram-se placas marcadas por estranhas manchas luminosas, que foram, de cada vez, descritas minuciosamente pelos dois médiuns, durante a exposição, quanto ao seu número, sua disposição e sua intensidade.

Houve ainda uma última sessão a 22 de junho, à qual assistia o Sr. John Jones, de Londres.

O Sr. Josty sofria de uma dor de cabeça violenta e o Sr. Butland estava fatigado pelos seus trabalhos quotidianos. Fizeram-se vinte e uma exposições, que não deram senão três resultados: em uma vez uma mancha luminosa, e em duas outras uma espécie de feixe ou de molho, regularmente reunido, com uma linha nitidamente traçada na frente e raios luminosos atrás.

Nesse relatório, dei, tanto quanto me era possível, um esboço das nossas experiências; enquanto elas duravam, produziram-se muitas coisas que era preciso ver e ouvir. Essas experiências foram feitas para o nosso prazer pessoal. Todas as precauções tinham sido tomadas para evitar uma intervenção estranha. Operávamos atenta e conscienciosamente. Os resultados obtidos nos teriam satisfeito, ainda que nada mais tivéssemos conseguido.

Junto uma série dessas fotografias. Estou persuadido de que reconhecereis imediatamente a sua grande importância sob o ponto de vista científico. Suponhamos que em lugar dessas imagens tivéssemos recebido retratos; nesse caso, por maior que fosse a nossa satisfação própria, as pessoas estranhas teriam acolhido de maneira diferente as nossas experiências e teríamos tido maiores probabilidades de ser acreditados?

Assim como as fotografias do mesmo gênero, que vimos até o presente, denotavam claramente de que maneira tinham sido feitas, assim também, espero-o, percebereis imediatamente, depois de minucioso exame, que essas imagens, no seu conjunto, trazem em si as provas da sua estranha e singular origem. No decurso de todas essas experiências, recebíamos, por intermédio da mesa, indicações exatas, que diziam respeito à luz, à abertura e fechamento da objetiva. Eu mesmo fazia o trabalho fotográfico. As imagens sobressaíam imediatamente, muito antes das imagens normais, e isso demonstra a energia particular da força que se produzia.”

Os testemunhos breves do Sr. Tommy, que assistia às experiências, e do Sr. Jones, que tinha tomado parte em uma das sessões, estão publicadas no Médium de 5 de julho de 1872.

Na sua terceira carta, reproduzida pelo jornal fotográfico, em 1873, o Sr. Beattie, depois de uma notícia interessante e preliminar, conta uma nova série de experiências que fez naquele ano com o auxílio das mesmas pessoas. Os resultados foram, em geral, semelhantes aos obtidos precedentemente; quanto aos que apresentavam particularidades notáveis, falarei deles mais adiante, em lugar oportuno.

Vou citar aqui a carta do Dr. Thompson, da qual se falou mais acima, carta que ele tinha escrito a pedido de um colaborador do jornal Human Nature, em 1874, numa época, por conseguinte, em que ele estava ainda sob a impressão recente dos fenômenos observados.

Além do fato de ser a comunicação do Sr. Thompson muito minuciosa, e porque completa a descrição do Sr. Beattie por diversas particularidades interessantes, tem um valor particular, nesse caso especial, porque é o testemunho de uma pessoa estranha que assistiu a todas essas notáveis experiências, tanto mais porque o Sr. Thompson é um distinto fotógrafo amador; é por essa razão que cito essa comunicação in extenso:

“Quando, há dois anos, o público começou a interessar-se pela fotografia espírita, meu amigo, o Sr. Beattie, pediu-me que o auxiliasse em algumas experiências, cujo objetivo era estabelecer a realidade desse fato, visto que todos os casos observados por ele até aquele dia traíam fraudes com maior ou menor evidência.

Empreendemos essas experiências unicamente para a nossa própria instrução; ambos nos interessávamos pelo Espiritismo, em geral, e mais particularmente por essa questão especial; cada um de nós se tinha ocupado de fotografia durante perto de trinta anos – o Sr. Beattie, quando era o primeiro dos fotógrafos de Bristol, e eu como amador.

Um amigo comum, graças ao mediunismo do qual tínhamos freqüentemente sido testemunhas de diferentes fenômenos de transes e com a probidade do qual podíamos contar plenamente, ficou de boa vontade à nossa disposição. Começamos as nossas experiências no meado de junho de 1872, reunindo-nos uma vez por semana, às 6 horas da tarde (hora que nos era imposta pelas ocupações pessoais do médium). Servimo-nos de uma objetiva Ross, com foco de seis polegadas; a câmara negra era das que se empregam ordinariamente para a fotografia de formato de cartão de visita, com caixilho construído de maneira a se poderem obter três provas sobre a mesma placa. O banho de prata era preparado em um vaso de porcelana. O fundo era igual aos que se empregam ordinariamente, de ferro, montado sobre um caixilho e de uma cor tirando ao pardo. Começávamos cada sessão colocando-nos em torno de uma mesa pequena, a qual nos indicava, por movimentos, de que maneira devíamos operar. Seguindo essas instruções, o Sr. Beattie ocupava-se com a preparação e desenvolvimento da maior parte das placas, enquanto eu dirigia a exposição, cuja duração era igualmente indicada pelos movimentos da mesa, em torno da qual estavam sentados todos os experimentadores, à exceção de mim.

Tiravam-se as placas dos banhos preparados de antemão, sem observar ordem alguma particular. Julgo importante mencionar esse fato, porque ele permite recusar grande parte das objeções, senão todas, tendentes a pôr em dúvida a autenticidade dessas fotografias. Além das precauções tomadas para a escolha das placas, tínhamos recorrido a outras, o médium não deixava a mesa, salvo se convidado para assistir à revelação; dessa maneira – admitindo-se mesmo que as chapas tivessem sido preparadas previamente – tornava-se absolutamente impossível saber qual seria a imagem que se obteria sobre a placa; entretanto, o médium nos descrevia essas imagens até em suas particularidades mínimas.

As nossas sessões não duravam habitualmente além de duas horas. Na primeira sessão, fizemos nove exposições sem obter nada de insólito.

Reunimo-nos na semana seguinte e, depois de oito exposições, igualmente infrutíferas, decidimos parar com as experiências se a nona não desse resultado favorável. Mas, desde que procedemos à revelação da nona placa, vimos instantaneamente aparecer uma forma estranha, muito semelhante a uma figura inclinada. Quando nos reunimos pela terceira vez, a primeira placa nada apresentou de particular (em geral em quase todas as sessões ulteriores as primeiras exposições não deram resultado algum). Na segunda placa apareceu uma figura notável que se assemelhava à parte superior de um corpo feminino. A mesma imagem, porém mais alongada, apareceu igualmente na terceira placa. Daí em diante, em lugar da forma da cabeça, obtivemos imagens que se aproximavam mais ou menos da forma de uma estrela. No começo da nossa sessão seguinte, tivemos a princípio doze insucessos, mas, quando as manifestações começaram, verificamos que as imagens tinham mudado e tomado a forma de cones ou de garrafa, que eram cada vez mais luminosas para o centro. Esses cones luminosos apareciam invariavelmente sobre a fronte ou sobre a face do médium, e eram geralmente acompanhados de uma mancha luminosa que se achava acima da sua cabeça. Em um caso havia duas estrelas desse gênero, uma das quais era menos brilhante e estava parcialmente encoberta pela outra. Essas imagens, por sua vez, cediam o lugar a outras: os cones e as estrelas transformavam-se em imagens, lembrando aves de asas abertas, enquanto os bordos primitivamente luminosos das figuras se confundiam gradualmente com o fundo.

Na sessão seguinte, 21 exposições não deram resultado algum; foi durante essa noite que o médium, pela primeira vez, começou a falar em transe e a nos descrever o que tinha visto, quando as placas estavam ainda no gabinete; verificou-se que as suas descrições eram exatamente conformes às imagens recebidas ulteriormente. Uma vez ele exclamou: “Estou rodeado por um nevoeiro espesso e nada posso ver.” Após a revelação da chapa utilizada nesse momento, nada se viu; toda a superfície estava velada. Em seguida, ele descreveu uma figura humana rodeada por uma nuvem; revelada a placa, pudemos distinguir uma imagem fraca, porém muito nítida, lembrando uma forma feminina. Em outra ocasião, no ano precedente, quando eu estava sentado à mesa, o médium fez a descrição de uma figura de mulher que deveria ter-se conservado perto de mim e cujo esboço sumário apareceu mui nitidamente após a revelação da chapa. Desde então as aparições foram quase todas descritas pelo médium durante a exposição e, em cada caso, com a mesma precisão. No ano passado essas manifestações se tornaram mais variadas na forma do que as precedentes; uma das mais curiosas manifestações foi uma estrela luminosa do tamanho de uma moeda de 3 pence de prata, no meio da qual se achava um busto moldurado em uma espécie de medalhão, cujos bordos eram nitidamente traçados em negro, como o médium o tinha descrito.

No decurso dessa sessão ele atraiu, repentinamente, a nossa atenção para uma luz viva e no-la mostrou; estava admirado de que nenhum de nós a visse. Quando a placa foi revelada, notava-se ali uma mancha luminosa e o dedo do médium que a indicava. Todos aqueles que estudaram a série inteira dessas fotografias notaram que a maior parte das imagens obtidas apresentavam, por assim dizer, um desenvolvimento sucessivo, começando por pequena superfície luminosa, que aumentava gradualmente, mudam de contornos, e a última fase de mudança consiste na fusão de duas imagens primitivamente independentes.

O Sr. Beattie nos fazia freqüentemente observar a rapidez com a qual essas imagens apareciam à revelação, enquanto que as imagens normais só apareciam muito mais tarde. A mesma particularidade foi notada por outras pessoas que se ocupavam com semelhantes experiências e nos assinalaram esse fato.

Sucedia freqüentemente no fim da sessão, quando a luz era consideravelmente amortecida, não notarmos sobre as placas submetidas à revelação nenhuma outra coisa além das impressões dessas formações luminosas que tinham sido invisíveis aos nossos olhos. Esse fato demonstra que a força luminosa que agia sobre a placa, se bem que sem ação sobre a nossa retina, era considerável; por isso trabalhávamos às escuras, porque a luz visível, refletida pelos objetos que estavam no quarto, não podia produzir ação alguma sobre a camada sensível.

Essa circunstância me sugeriu a idéia de experimentar se o raio ultravioleta do espectro tinha qualquer influência sobre essas formações; nesse intuito propus expor um pedaço de papel impregnado de uma substância fluorescente na direção em que o médium dizia ver as luzes. Para esse fim, tomei uma folha de papel mata-borrão, embebi uma metade dele em uma solução de quinina, deixando a outra metade não embebida, para melhor apreciar que efeito produziria a presença da quinina.

A meu pesar, fiquei privado de assistir à sessão em que se fez essa experiência. Foi a nossa última experiência, mas o Sr. Beattie expôs o papel, de acordo com as minhas indicações, sem obter, entretanto, resultado algum.”

Como se pode julgar pelos documentos precedentes, o Sr. Beattie tinha reunido, para essas experiências, um pequeno grupo de amigos, composto ao todo de cinco pessoas, entre as quais se achava um médium, o Sr. Butland; é essencial fazer notar que ele não era médium de efeitos físicos e de materialização, mas médium de transe (como vemos na carta mais minuciosa do Sr. Beattie, publicada pelo Spiritualist de 15 de julho de 1872); repito-o, trata-se, pois, de um médium com o qual iguais fenômenos não se produzem geralmente, e o Sr. Beattie não tinha, por conseguinte, convidando-o, probabilidade alguma de êxito; ele não podia formar suposição alguma sobre o gênero de fenômenos que se produziriam; os resultados obtidos foram, pois, relativamente fracos e muito vagos.

Mas o Sr. Beattie, vivendo em Bristol, não tinha grande escolha a fazer; e o Sr. Butland, por ser seu amigo íntimo, podia contar com a sua dedicação, o que não era para desprezar naquela circunstância, pois que foi só na décima oitava exposição que se obteve resultado.

Essas experiências não escaparam à atenção do Sr. Hartmann, e ele faz menção delas na página 46. Classifica-as sob a denominação de “aparições luminosas”, que ele atribui a “vibrações do éter de uma refrangibilidade superior”. Mas as palavras “aparições luminosas” são muito vagas; na página 49, o Sr. Hartmann fala ainda delas, nestes temos:

“As aparições luminosas mediúnicas apresentam também formas determinadas, mas são antes (??) formas cristalinas, ou melhor, inorgânicas, por exemplo, cruzes, estrelas, um campo luminoso com manchas mais brilhantes, que têm mais semelhança com as figuras elétricas formadas de finas poeiras ou com as figuras do som (figuras Chladni), do que com formas orgânicas.”

O Sr. Hartmann não viu as fotografias do Sr. Beattie, e não presta atenção alguma às palavras do Sr. Beattie, que não se harmonizam com a sua explicação, e nas quais se trata de figuras humanas. Mas, presentemente, quando os nossos leitores já podem formar uma idéia dessas fotografias, conforme as fototipias que foram publicadas, torna-se claro para cada um que nas fotografias em questão não nos achamos em presença de “formas cristalinas ou não orgânicas”, mas que vemos, pelo contrário, aparições que tendem a tomar uma forma orgânica, a forma humana.

O que é de notar é que nas primeiras estampas (estampas I e II) a formação das imagens tem dois centros de desenvolvimento; vemos dois corpos luminosos: um se formando na região da cabeça do médium, o outro na região do peito.

Na estampa I vê-se o médium sentado no meio, voltando-nos o rosto; à direita está o próprio Sr. Beattie; à esquerda os Srs. Thompson e Tommy. Na estampa II nota-se uma série de formações que se ficaria tentado a comparar a uma formação vertebral. Nas estampas III e IV a reunião das imagens está, por assim dizer, consumada, e vemos figuras que não podem ser comparadas a outras coisas senão a formas humanas.


Estampa I - Figuras 1 a 4


Estampa II - Figuras 5 a 8


Estampa III - Figuras 9 a 12


Estampa IV - Figuras 13 a 16

Além disso, o Sr. Beattie fala de uma sessão na qual “três exposições consecutivas deram bustos luminosos com os braços cruzados” (Ps. Stud., v. pág. 339). Do mesmo modo as suas outras expressões, tais como “desenvolvimento de uma figura humana completa” (ibidem), “imagem luminosa produzindo-se sobre um lado” (vide pág. 14), “figura sombreada com cabelos longos, estendendo a mão” (Ps. Stud., 1881, págs. 256-257), não deixam dúvida alguma sobre esse ponto. O Sr. Thompson fala também de figuras humanas que se produzem freqüentemente.

Depois de tudo isso, podemos concluir que nos achamos em presença, não de simples “aparições luminosas”, mas de produções de uma matéria invisível ao nosso olho e que é ou luminosa por si mesma ou reflete sobre a placa fotográfica os raios de luz a cuja ação a nossa retina é insensível. Que se trata aqui de uma matéria está provado por esse fato: ela é às vezes tão pouco compacta que se vêem as formas das pessoas sentadas e a mesa, e que outras vezes ela é tão densa que encobre a imagem dos assistentes; o aparecimento das imagens humanas através da formação de matéria é visível na estampa IV, figuras 14 e 15; ela é mais visível ainda sobre as fotografias originais.

Ao mesmo tempo essa matéria é incontestavelmente dotada de tal energia fotoquímica que as suas impressões aparecem antes de todas as outras imagens, antes mesmo das figuras normais, cuja revelação é preciso esperar durante um tempo mais ou menos longo.

Dentre as experiências do Sr. Beattie, há uma que estabelece de maneira absoluta a impossibilidade de definir o resultado obtido pelas palavras “aparições luminosas”, porque a forma que apareceu é negra. Reproduzo aqui as próprias palavras do Sr. Beattie:

“Depois de diversos insucessos, preparei a última placa para aquela noite. Eram 7:45. Quando tudo ficou pronto, o médium nos declarou que via, sobre o fundo de trás, uma figura de velho que estendia a mão. Um outro médium, que também estava presente, disse que percebia uma figura clara. Cada um dos dois médiuns fez a descrição da posição na qual via o fantasma. Essas figuras apareceram efetivamente sobre a placa, porém fracamente, de sorte que a tiragem não deu resultado. Reproduzi-as em positivo transparente e depois em negativo muito forte, e então pude fazer a tiragem. Podeis ver que estranho resultado obtive. A figura mais negra parece representar uma personagem do século XVI: dir-se-ia que ela tem uma cota de malha e cabelos longos. A figura clara está apagada; não aparece, na realidade, senão como imagem negativa.” (Ps. Stud., 1881, pág. 257).

Mas não é tudo. Essas experiências deram um outro resultado, que é notável. As imagens de que falamos até o presente, e que foram reproduzidas sobre as nossas fototipias, podem ser consideradas como espontâneas artificiais. Assim, o Sr. Beattie as compara, ora a “uma coroa, ornada de pontas e tendo a forma de espadas”, ora a “um sol brilhante, no meio do qual se vê uma cabeça”. Na sua terceira carta, ele faz a descrição seguinte dessa última experiência:

“A experiência seguinte, a última, se bem que absolutamente única pelos seus resultados, pode ser descrita em algumas palavras: na primeira exposição dessa série obteve-se uma estrela; na segunda exposição essa mesma estrela, porém maior; e na terceira essa estrela era transformada em um sol de dimensões consideráveis, um pouco transparente; conforme a descrição feita pelo médium, a mão mergulhada nesse sol sente um calor igual ao do vapor subindo de uma caldeira. Na quarta exposição o médium vê um sol soberbo, cujo centro é transparente e mostra o perfil de uma cabeça “semelhante às que se vêem sobre os shillings.” Depois da revelação, verificou-se que todas as descrições eram exatas.” (Ps. Stud., 1881, pág. 257).

Tenho em meu poder a série completa dessas fotografias. Na primeira distingue-se, acima da cabeça do médium, um corpo luminoso do tamanho de uma ervilha pequena; na segunda prova ele triplicou de volume e apresenta o contorno de uma cruz esboçada, do tamanho de um centímetro e meio; vê-se a mão do médium dirigindo-se para esse corpo luminoso; na terceira fotografia, a imagem tomou uma forma oval, do mesmo volume, de fundo igual, guarnecida de protuberâncias no contorno; na quarta fotografia a figura oval é ainda mais regular e assemelha-se a uma moldura de forma oval formada de pequenos rendados luminosos e tendo meio centímetro de largura por 2 centímetros de comprimento; no interior da moldura desenha-se, em tom mais carregado, o perfil de uma cabeça, “como sobre um shilling, do tamanho de um centímetro”.

O Sr. Beattie chega às conclusões gerais seguintes:

“As minhas experiências demonstram que existe na Natureza um fluido ou éter, que se condensa em certas condições e que, nesse estado, se torna visível às pessoas sensitivas; que, tocando a superfície de uma placa sensível, a vibração desse fluindo ou desse éter é tão ativa que produz uma poderosa reação química, como só pode produzir o sol em plena força. As minhas experiências provam que há pessoas cujo sistema nervoso é de natureza a provocar (no sentido físico) essas manifestações; que, em presença dessas pessoas, formam-se imagens com uma realidade que denotam a existência de uma força inteligente invisível. Porém, nas páginas do seu jornal, essa questão deve ficar num terreno puramente físico. O fato é que, fotografando um grupo de pessoas, obtivemos sobre a placa manchas nebulosas apresentando um caráter determinado e permitindo julgar da extensão, da largura e da espessura das formas assim fotografadas; essas formas têm luz própria e não projetam sombra alguma; denotam a existência de um objetivo; podem facilmente ser imitadas, mas é duvidoso que alguém as tivesse imaginado.” 



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