Alexandre Aksakof Animismo e Espiritismo



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As hipóteses espiríticas, segundo o Sr. Hartmann


Depois de tudo quanto acabo de dizer aqui, não tenho necessidade de submeter a uma crítica especial o capítulo do Sr. Hartmann sobre a “hipótese dos Espíritos”: porei em relevo somente alguns dos traços mais interessantes.

Na primeira parte desse capítulo, o Sr. Hartmann passa em revista o desenvolvimento progressivo das teorias do Espiritismo. Eis um curto resumo dessas teorias:

A primeira consiste na “crença ingênua do povo segundo a qual os mortos conservam a sua forma atual no outro mundo” e de que os “Espíritos” operam, servindo-se dos membros de seu corpo astral invisível (págs. 106 e 107).

A segunda também é grosseiramente sensorial: “Admite-se que o médium é igualmente um espírito e que assim ele deve poder fazer o que os Espíritos dos mortos fazem, isto é, servindo-se dos membros de seu corpo astral invisível. É o primeiro escolho da crença ingênua nos Espíritos.” (págs. 107 e 108).

A terceira teoria é uma opinião oposta da crença popular ingênua; apóia-se na existência da força nervosa mediúnica impropriamente chamada “força psíquica”. “A maior parte dos fenômenos é atribuída ao médium como causa única e exclusiva.” (págs. 108 e 109).

Quarta teoria – “A prática mais recente das materializações abalou ainda mais a hipótese espirítica.” (pág. 109). A materialização não é as mais das vezes senão uma “transfiguração” do próprio médium. Observando atentamente o fenômeno, verificou-se “que o fantasma inteiro emana do médium e funde-se de novo nele.” (pág. 110).

Quinta teoria – Desde então, o médium não é mais do que o instrumento e a fonte material dos fenômenos cuja causa transcendente é “o Espírito dirigente”. É “a hipótese da possessão”; ela constitui certamente um progresso.

Sexta teoria – Hipótese da inspiração. Não é o corpo do médium, porém a consciência sonambúlica que produz as frases e as formas “que o Espírito dirigente faz passar de sua consciência à consciência sonambúlica do médium” (pág. 114). “A contar desse momento, a hipótese espirítica entra em uma fase que permite à Psicologia e à Metafísica intervirem racionalmente para ocupar-se dela, no ponto de vista da crítica.” (idem).

A exposição histórica dessas teorias está longe de ser exata; mas isto é um fato de menor importância. O Sr. Hartmann expôs todas essas teorias no intuito de pôr em relevo a falta de “reflexão e de senso crítico” dos espiritualistas, e somente a última é que ele considera bastante “conveniente” para que a Ciência se ocupe dela. Quanto a mim, tomarei a liberdade de dizer que a exposição do desenvolvimento progressivo dessas teorias, por mais incompleta que seja, é o melhor elogio que foi feito dos “espiritualistas”, pois que todas essas teorias dão testemunho dos esforços que foram feitos pelos espíritas para chegarem a conhecer a verdade. Nem os filósofos, nem os sábios os auxiliaram a orientar-se nessa questão difícil; eles foram abandonados a si mesmos, não recebendo mais do que o desprezo ou a ironia da ciência e do público, e é só graças à perseverança e ao bom senso do espírito anglo-saxônio é que a questão sempre foi levada avante no terreno experimental e que o desenvolvimento dos fenômenos deu resultados que a Ciência, quer queira, quer não, será um dia chamada a reconhecer, como teve que fazê-lo, depois de cem anos, com os fenômenos do magnetismo animal. As teorias da transmissão dos pensamentos e da clarividência foram também muito freqüentemente debatidas pelos espíritas, mais do que por qualquer lado aliás, porque o Espiritismo tinha descoberto imediatamente as relações que existiam entre ele e o sonambulismo; este era, por assim dizer, seu mais próximo herdeiro, e essas duas faculdades maravilhosas do nosso espírito foram muito freqüentemente tomadas em consideração no exame crítico dos fatos do Espiritismo. E eis que o próprio Sr. Hartmann funda todo o edifício de sua crítica sobre estas duas teorias – levando-as ao extremo –: era a única saída. Mas essas duas teorias, no ponto de vista da ciência moderna, são completamente heréticas; a Ciência zomba delas, como do próprio Espiritismo.54

Assim, o Sr. Hartmann explica uma heresia por duas outras heresias. Se a Ciência provar um dia que essas duas teorias são destituídas de fundamento, a hipótese espirítica só terá que ganhar; se, pelo contrário, a Ciência acabar por sancioná-las, o tempo provará se elas são verdadeiramente suficientes para explicar o todo.

Enquanto esperamos, paremos no ponto mais interessante e vejamos um pouco porque a “hipótese da inspiração”, a que o Sr. Hartmann considera como a mais racional das hipóteses espiríticas, e a mais “conveniente” – aquela na qual a intervenção “intelectual” dos Espíritos é reconduzida à sua significação mais verdadeira e mais elevada (pág. 114) – deve ser rejeitada apesar de tudo. Eis o resumo de suas razões:

Dificuldades formais – “Se há Espíritos, poder-se-ia admitir a possibilidade da transmissão das imagens mentais de um Espírito ao homem, pois que ela é possível entre dois homens. Mas esta hipótese vai de encontro a certas dificuldades cuja importância não poderia ser desprezada. O Espírito de um morto não possui um cérebro cujas vibrações pudessem determinar por indução, em um cérebro humano vizinho, vibrações semelhantes; a transmissão mecânica pelas vibrações do éter, tal qual podemos admiti-la entre dois homens pouco afastados ou em contato, não pode, pois, ser tomada em consideração, quando se trata de um Espírito transmissor, e só pode apelar para um outro modo de transmissão, o que se fizesse sem intermediário material e não parecesse dependente da distância. Efetivamente os espíritas modernos admitem, sob a fé de comunicações mediúnicas, que o Espírito que exerce a influência pode achar-se a uma distância qualquer do médium pelo qual se manifesta, sem que isso afete a intimidade de suas relações. Só há um obstáculo: é que, segundo a experiência adquirida, nem os pensamentos, nem as palavras, porém somente as alucinações sensoriais, e tão vivas quanto possível, podem ser transmitidas a grandes distâncias.” (pág. 115).

Vimos suficientemente que tal não é o caso. No que diz respeito à ausência do cérebro, não há dificuldade para a teoria, que admite a existência do indivíduo transcendente, como o veremos mais adiante.

2º) Dificuldades relativas ao conteúdo das comunicações – “Este conteúdo está geralmente abaixo do nível intelectual do médium e dos assistentes. Quando muito, ele atinge este nível, mas nunca vai além.” (pág. 116).

Vimos também que não é assim.

A passagem seguinte, que vem imediatamente depois da citação que precede, merece notada:

“Se os Espíritos nada de melhor têm para nos revelar, do que aquilo que já sabemos, ou estão na impossibilidade de fazê-lo, como parece, vemos desaparecer o único motivo que pode ser invocado em favor de sua tendência a manifestar-se, isto é, o desejo de tornar-nos mais adiantados e melhores do que somos.”

Por conseguinte, o “único motivo” admissível seria “o desejo de tornar-nos mais adiantados e melhores”. Esse motivo existe realmente; mas, para justificá-lo, é preciso que os Espíritos nos digam alguma coisa de novo, que não conheçamos já?

O tema do amor de Deus e do próximo será sempre velho e sempre novo, enquanto se tratar do progresso moral do homem. E, além disso, o Sr. Hartmann admitiu sem dificuldade, para a clarividência, a força mágica dos interesses do coração! Por que motivo não quer admiti-la, aqui também, como um motivo suficiente? Efetivamente, se se pode admitir que alguma coisa sobrevive à morte, é sem dúvida o amor, a compaixão, o interesse por aqueles que são nossos parentes, o desejo de lhes dizer que existimos ainda; e são justamente esses sentimentos que servem as mais das vezes de “motivo” para uma intervenção espiritual. A linguagem do coração é a mesma em toda parte; porém, ser-nos-á sempre tão impossível formar uma idéia de um mundo transcendente, quanto imaginar um espaço de quatro dimensões. Não é, pois, de admirar que as noções que se lhe referem não nos sejam transmitidas e é inútil e ilógico exigir que elas o sejam.

3º) Finalmente, “prescindindo das dificuldades levantadas no ponto de vista formal e no do conteúdo intelectual, a hipótese espirítica em seu grau superior de hipótese da inspiração é primeiro que tudo uma superfluidade, uma quinta roda ao carro...” “Neste ponto da hipótese, seria preciso poder concluir, antes de tudo, do conteúdo das comunicações, que a consciência sonambúlica do médium é incapaz de produzi-las. Enquanto se desconhecer a hiperestesia sonambúlica da memória, a leitura dos pensamentos e a clarividência, todas estas comunicações são consideradas como revelações de Espíritos inspirando o médium e lhe transmitindo idéias que são alheias à sua consciência em estado de vigília ou não lhe são acessíveis por meio da percepção sensorial. Porém, desde que se reconhece a legitimidade dessas três fontes de informação, ao lado da percepção sensorial, não há mais conteúdo intelectual que não pudesse ser haurido dali, conforme sua natureza.” (pág. 116 e 117).

Vimos suficientemente, no capítulo III desta obra, que tal não é o caso na maioria das vezes.

E o Sr. Hartmann conclui: “É assim que toda a hipótese espirítica ficou reduzida a nada, em primeiro lugar quando foi provado que as manifestações físicas atribuídas aos Espíritos emanam do médium, em segundo lugar porque os fenômenos de materialização e finalmente a produção do conteúdo intelectual das comunicações têm a mesma fonte.” (pág. 117).

Preferimos acreditar que, depois de tudo quanto ficou dito neste trabalho, talvez esta conclusão seja retificada pelo próprio Sr. Hartmann, por muito fiel que ele fique a seus princípios, pois que não pretendi convencê-lo, felizmente, da realidade dos fatos que expus. Nunca me esqueço de que o objetivo de sua crítica esclarecida não se dirige à autenticidade dos fatos”, mas “às conclusões que se tiraram deles”.

Chegando finalmente ao termo do meu trabalho, é-me grato poder verificar que as pretensões da hipótese espirítica não estão absolutamente em contradição com a filosofia do Sr. Hartmann, como se pensa muito freqüentemente. Temos em seguida seu próprio testemunho, assim expresso:

“É sem fundamento que se acredita que meu sistema filosófico é incompatível com a idéia da imortalidade. O espírito individual é, segundo a minha concepção, um grupo relativamente constante de funções inconscientes do Espírito absoluto, funções que encontram no organismo que governam o laço de sua unidade simultânea e sucessiva. Se se pudesse demonstrar que a parte essencial desse organismo – isto é, os elementos constitutivos de sua forma, que são portadores das particularidades que formam seu caráter, sua memória, sua consciência – pode persistir sob uma forma capaz de atividade funcional, mesmo depois da desagregação do corpo celular material, inevitavelmente eu tiraria daí a conclusão de que o espírito individual continua a viver com o seu substratum substancial, porquanto o Espírito absoluto continuaria a manter o organismo persistente sob o regímen das funções psíquicas inconscientes que lhe eram atribuídas.

Reciprocamente, se se pudesse demonstrar que o espírito individual persiste depois da morte, eu concluiria daí que, apesar da desagregação do corpo, a substância do organismo persistiria sob uma forma impalpável, pois que só com esta condição posso conceber a persistência do espírito individual. A prova da persistência provisória do espírito individual depois da morte não motivaria sequer uma modificação do meu sistema filosófico no ponto de vista dos princípios, porém ampliaria simplesmente o campo das aplicações em certa direção; em outros termos, ela não vibraria golpe algum na fenomenologia do inconsciente.” (Ed. von Hartmann – Suplemento ao livro O Espiritismo).55

O Espiritismo desde o seu começo proclamou e afirmou, como condição sine qua non, “a persistência do espírito individual”; ele partiu sempre deste princípio fundamental: “Os elementos do organismo que são portadores das particularidades que formam seu caráter, sua memória, sua consciência, persistem, mesmo depois da desagregação do corpo celular material, sob uma forma capaz de atividade funcional.” Se tal é a condição formal, imposta a priori pela Filosofia, o Espiritismo tem a pretensão de ter-lhe respondido a posteriori. O grande mérito do Espiritismo é justamente ter provado que as questões mais misteriosas que se referem ao problema de nossa existência podem ser estudados por via experimental. Desde seus primeiros passos, ele admitiu que o lado místico deste problema é não menos natural e que todos os fenômenos que se lhe referem são fenômenos naturais, submetidos a uma lei.

É, pois, completamente injusto por parte do Sr. Hartmann acusar o Espiritismo “de ter aceitado, ao lado de uma série de causas naturais, uma série de causas sobrenaturais, de maneira alguma justificadas pela experiência” (pág. 118), depois “ter admitido fora da esfera natural e conhecida das existências terrestres um mundo misterioso e oculto de indivíduos sobrenaturais” (pág. 82).

O Espiritismo fornece materiais não aperfeiçoados, como são os que colhemos na nossa experiência diária. Compete à Filosofia analisá-los, explicá-los. A observação dos fenômenos é fácil: sua compreensão exige séculos – isso se aplica mesmo aos de ordem física. O fato da nossa existência, da nossa consciência pessoal, fica sendo um mistério até o presente; é preciso que nos resignemos: o problema nunca será resolvido; pois que vivemos no “sobrenatural” mesmo aqui em baixo; mas podemos fazer que seus limites recuem, penetrar mais adiante em suas profundidades. Uma forma da consciência não significa que seja a única admissível; uma forma, a que conhecemos, não é menos maravilhosa do que uma outra, que não conhecemos.

Quando os fatos espiríticos forem aceitos e estabelecidos em sua totalidade, a Filosofia deverá concluir deles, não pela existência de um mundo sobrenatural de indivíduos sobrenaturais, mas pela existência de um mundo de percepções transcendentes, pertencentes a uma forma de consciência transcendente, e as manifestações “espiríticas” nada mais serão daí em diante do que uma manifestação desta forma de consciência nas condições de tempo e de espaço do mundo fenomênico.

No ponto de vista da filosofia monística, o Espiritismo, como fenômeno e teoria, é facilmente admissível; e mais do que isso, ele se apresenta mesmo como uma necessidade, pois que completa, coroa esta concepção filosófica do Universo, cujos progressos são incessantes e à qual só falta uma coisa, a essencial: a compreensão do fim da existência das coisas e da existência do homem em particular.



O resultado final da evolução – tão evidente quanto racional aos nossos olhos –, isto é, o desenvolvimento das mais elevadas formas da consciência – quer individual, quer coletiva –, não sofre uma parada brusca e insensata, justamente na ocasião em que o alvo supremo é atingido ou está perto de o ser.
0 –


Notas:

1Uma segunda edição acaba de aparecer com o retrato do autor.

2Acabo de encontrar no número de outubro de Sphinx, 1889, página 227, brevemente formulados em três pontos, e tais quais resultam de uma correspondência entre o editor e o Sr. Hartmann, “os sinais característicos da intervenção dos mortos nas comunicações feitas pelos videntes e médiuns”. É precisamente o critério que procurei em vão no Sr. Hartmann e que me vi obrigado a estabelecer por mim mesmo, tomando por base a argumentação negativa do Sr. Hartmann. Acredito ter exposto no meu trabalho numerosos casos de conformidade com os “sinais característicos” em questão.

3O Congresso de Psicologia Fisiológica reunido em Paris, em 1889, acabou por adotar esse título para os seus trabalhos futuros. Assinalarei aqui, a título de curiosidade, que a primeira revista francesa consagrada ao estudo científico “do sono, do sonambulismo, do hipnotismo e do espiritismo” apareceu por meus cuidados, e a expensas de um amigo russo, o finado Sr. Lvoff, sob o título seguinte: Revista de Psicologia Experimental, publicada pelo Dr. F. Puel, de Paris, em 1874-1876 (Boulevard Beaumarchais, 73). Apareceram ao todo seis folhetos em 1874, dois em 1875 e um em 1876; hoje essa revista é uma raridade bibliográfica.

4O Automatismo psicológico. Ensaio de Psicologia experimental sobre as formas interiores da atividade humana, por Pedro Janet, professor de filosofia no liceu do Hâvre; Paris, 1889.

5Eu me explico: um médium de efeitos físicos ou de materialização deve ser hipnotizado; uma vez adormecido, as mãos devem ser ligadas; depois ordena-se-lhe que faça mover-se algum objeto ao alcance das suas mãos, como se elas estivesse livres, e então o seu órgão invisível – fluídico ou astral –, obedecendo à ordem dada, poria em movimento o objeto indicado (ver a minha carta do “Religio-Philosophical-Journal” de Chicago, de 27 de agosto de 1892).

6Carl du Prel, Die monistische Seelenlehre, Leipzig, 1888; C. G. Raue, Psychology as a natural science, applied to the solution of occult psychic phenomena, Filadélfia, 1889. O autor desse notável trabalho, fundado sobre as bases da psicologia de Beneke, chega à conclusão seguinte: “As forças psíquicas constituem uma substância real. A alma humana é um organismo composto dessas substâncias psíquicas, tão eternas e indestrutíveis quanto qualquer substância da ordem mais material.” (p. 529).

7O barão von Reichenbach designa sob o nome de força ódica (Od-Kraft) o fluido imponderável e penetrante de todos os corpos, por meio do qual ele explica diferentes fenômenos misteriosos.

8A força ectênica do professor Thury e a minha força psíquica são evidentemente termos equivalentes. Se eu tivesse conhecido essa expressão há três meses, tê-la-ia adotado. Ora, a idéia de semelhante hipótese de fluido nervoso nos veio depois de uma outra fonte, completamente diferente, exposta sob um ponto de vista particular e expressa na linguagem de uma das profissões mais importantes. Quero falar da Teoria de uma atmosfera nervosa, posta em vigor pelo Dr. Benjamim W. Richardson, M. D., F. R. S., no jornal Medical Times, nº 1088, de 6 de maio de 1871 (Obs. de W. Crookes, em sua obra Pesquisa sobre a força psíquica).

9Que produz pancadas.

10Extrato da carta do Sr. Beattie ao jornal Photographic News, de 2 de agosto de 1872, citada no Spiritual Magazine, 1872, pág. 407.

11Socialista mui conhecido, pai de Robert Dale Owen, este último autor do livro The Debatable Land. (*)

(*) Esta obra foi editada em português sob o título Região em Litígio, pela editora FEB. (Nota do Revisor.)

12É um espiritualista de Nova Iorque, muito conhecido, que não pertence à categoria das pessoas que crêem cegamente em tudo quanto lhes dizem ser fenômeno mediúnico; ele fez parte de muitas comissões que desmascararam as imposturas de pretendidos médiuns.

13Para compreender bem, o leitor deve saber que o Sr. Flint, do mesmo modo que o Sr. Mansfield, era um médium muito especial: mandavam-lhe cartas lacradas, dirigidas a pessoas mortas. Essas cartas eram reenviadas a seus autores, com as respostas dos destinatários, bem entendido: sem terem sido abertas.

14O professor Denton sucumbiu, em 1883, vitimado pela febre amarela, contraída durante uma viagem que tinha empreendido para fazer pesquisas geológicas em Nova Guiné (vide Psychische Studien, dezembro de 1883, pág. 595).

15O Sr. Hartmann faz distinção, de acordo com a Psicologia, entre “alucinação” e “ilusão”. O primeiro desses dois termos aplica-se aos casos em que as criações da fantasia não são baseadas em uma percepção qualquer de nossos sentidos; o segundo indica uma transformação que experimenta em nossa imaginação uma coisa realmente percebida por um de nossos sentidos. Por exemplo: se julgamos ver uma serpente enroscada em um prato, há alucinação, se se toma uma corda por uma serpente, é uma ilusão; acreditando ver uma figura nebulosa emanando do médium, estamos sujeitos a uma alucinação; se se toma o médium por uma aparição, experimenta-se uma ilusão (exemplo do Dr. H.). (N.T.).

16O Sr. Varley é um distinto físico inglês, notável especialista no lançamento de cabos telegráficos; é membro da Sociedade Real de Londres.

17Uma libra equivale a 453 gramas.

18Magister Artium Oxonlensis, Mestre em Artes da Universidade de Oxford, pseudônimo de Rev. William Stainton Moses, falecido em 1892. (*)

(*) Sua obra Spirit Teachings, citada em seguida, foi editada em português pela editora da FEB, sob o título Ensinos Espiritualistas (N.T.)

19Ou em português, na tradução que recebeu o título Ensinos Espiritualistas. (N.T.)

20Publiquei, no Rebus de 1887 (nº 1), um artigo intitulado “Minha entrevista com o Sr. Charles Richet”.

21É menos uma atração do que um estado cataléptico, como observei freqüentemente com minha mulher depois de uma sessão de Escrita.

22Membro da Sociedade de Geologia.

23O Sr. Barkas não tinha noções, absolutamente, acerca de música, como diz em outro lugar. (Médium, 1887, pág. 645).

24O juiz Edmonds gozava em seu tempo de uma nomeada considerável nos Estados Unidos por causa das elevadas funções que desempenhava, a princípio como presidente do Senado, depois como membro do Supremo Tribunal de Apelação de Nova York. Quando sua atenção foi atraída para o espiritualismo como devendo exercer uma influência sobre o movimento intelectual, ele o olhou com todo cepticismo e experiência do magistrado habituado a julgar do valor dos testemunhos humanos. Depois de um estudo consciencioso, teve a coragem de reconhecer não só a existência dos fatos, como ainda sua origem espiritual.

A surpresa e a indignação foram tão fortes que ele se demitiu imediatamente de suas funções de magistrado para poder colocar-se do lado do que era, segundo ele, a verdade. Seu testemunho deu ao espiritualismo americano um impulso vigoroso, e sempre foi de grande autoridade.



25Obra traduzida em língua portuguesa sob o título Fatos Espíritas, pela editora FEB. (N.T.)

26Por não possuirmos o tipo, representamos por um “h” a letra russa, mais ou menos semelhante a um “h” invertido (Nota da editora).

27O professor Boutleroff não tinha assistido a essas últimas sessões; é, pois, evidente que a sua presença na primeira não teve influência alguma na produção da epígrafe hebraica.

28Irmão falecido da médium que se comunicava em suas sessões.

29Esta narração apareceu a princípio no Bristol Journal, a 10 de outubro de 1863, depois foi reimpressa no Spiritual Magazine, número de novembro do mesmo ano, e desta vez com o nome do Dr. James Davey, médico da casa de saúde de Norwoord, perto de Bristol, o qual na primeira publicação era designado apenas por Dr. ...

30O que se convencionou modernamente chamar transe.

31De acordo com esta apóstrofe, vê-se que o Sr. Cook era Quaker.

32Proprietária no distrito de Kirsanow, tia do Sr. Nartzeff, habitando em sua casa.

33Médico municipal.

34Despenseira da Sra. Sleptzoff.

35Proprietário no distrito de Kirsanow.

36Semelhança que não encontra e nunca poderá encontrar uma explicação qualquer na fantasia sonambúlica

37A palavra animismo foi a princípio empregada por Stahl, se não me engano; em seu sistema médico, ele considera a alma (anima) como o princípio vital; o corpo é não somente a criação da alma, como ainda todas as suas funções vitais são executadas por esta última. Em nossos dias esse termo foi empregado por Taylor, em seu livro Cultura Primitiva, em um sentido amplo, para designar não somente a ciência que trata da alma (como de uma coisa essencial independente) e de suas diversas manifestações terrestres ou póstumas, mas também a doutrina referente a qualquer espécie de seres espirituais ou espíritos. Quanto a mim, adotei o termo animismo em sentido mais restrito e mui determinado. Na verdade, a palavra psiquismo teria podido preencher o mesmo fim que a palavra animismo, mas, uma vez aceita a palavra espiritismo, parece-me que é preferível formar as duas expressões com radicais latinos e adotar esses dois termos para designar essas duas categorias de fenômenos, absolutamente distintos quanto à sua fonte, se bem que tenham grande afinidade em sua manifestação exterior. Demais, o adjetivo psíquico serve hoje para traduzir as mais variadas idéias, freqüentemente muito vagas.

38Eu não confiava então na homeopatia e era de opinião que, nos casos graves, cumpria transportar qualquer doente à casa do médico da povoação

39Farei observar que sensação análoga de leveza e de bem-estar nota-se geralmente durante o sono magnético.

40Esses dois últimos exemplos acham-se também no artigo do Sr. A. (Oxon): Ação extracorpórea do espírito, publicado no Human Nature de 1876, págs. 106, 107.

41Phantasms of the Living, obra publicada em francês sob o título Alucinações Telepáticas, Paris, 1892.

42É uma antiga expressão que o povo ainda hoje emprega.

43Essas condições dão grande valor à experiência, pois, em regra, essa operação é executada pelo médium em pessoa.

44Essa carta em alemão apresenta o mesmo valor que a de Estela, escrita em francês.

45Eu cito esta particularidade propositadamente, porque pode servir de prova de autenticidade para as comunicações anteriores.

46Na sessão de que fala a Srta. B., ela reconheceu perfeitamente a forma materializada de seu amigo, que tinha a cabeça descoberta; ela estava muito perto dele e chegou a segurá-lo pela mão; durante esse tempo a luz estava propositadamente aumentada.

47Reproduzo esta passagem da carta da Sra. B. a título de prova complementar da autenticidade da escrita direta, obtida pela mediunidade de Eglinton, em vista da persistência da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres em negá-lo.

48Não posso publicar o verdadeiro nome dessa senhora (nome pouco vulgar), mas posso dizer que é também o nome de uma flor favorita.

49Veja-se o caso extraordinário de “White-Chaple Murder” (Spiritualist, 1875, II, pág. 307).

50A esse propósito recordo-me de uma comunicação que recebi no decurso de minhas sessões íntimas; ela provinha de um amigo que me tinha sido caro e que se interessara muito pelo Espiritismo considerado como problema filosófico. Antes mesmo de dizer o seu nome, ditou esta frase em língua francesa: “Nascer é esquecer; morrer é saber.”

Quer seja uma citação ou um pensamento seu, estas poucas palavras encerram uma filosofia completa, tão bela quão profunda, e tenho toda a razão para acreditar que ela era completamente alheia aos cérebros dos dois médiuns presentes.



51Como todos os pormenores que se referem a este caso são preciosos, acrescentarei que se encontrarão ainda outros muito interessantes nos anos seguintes, do Spiritual Magazine; 1862, passim; 1864, pág. 328; 1865, pág. 456; 1866, pág. 34; 1867, pág. 54; e 1869, pág. 252. Falaremos destes últimos mais adiante.

52Benjamim Franklin, o célebre homem político e sábio físico americano, signatário do tratado da independência dos Estados Unidos e inventor do pára-raio; segundo as tradições espíritas, foi o iniciador do estabelecimento das comunicações regulares entre este mundo e o dos invisíveis e tomou parte ativa no desenvolvimento das diversas espécies de mediunidade, logo no começo do movimento espiritualista.

53A palavra “intuição” é tomada aqui no seu sentido filosófico, como tradução da palavra “anschauung” de Kant. (N.T.)

54Wundt chama a tudo isso “parvoíces”. Vede seu opúsculo Hipnotismo e sugestão.

55Compare-se o “Inconsciente” no ponto de vista da fisiologia e da teoria da descendência, 2ª edição, págs. 288-304, 356-358; Filosofia do Inconsciente, 9ª edição, t. II, pág. 362.



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