Amar é sempre certo



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Amar É Sempre Certo



AMAR É SEMPRE CERTO
Josh McDowell e Norman L. Geisler
Título do original em inglês:

LOVE IS ALWAYS RIGHT

Uma Defesa do Único Absoluto Moral

A Resposta para:

Dilemas Éticos/Situações Desafiadoras/Decisões Difíceis

© 1996 de Josh McDowell e Norman Geisler

Tradução: Neyd Siqueira

1ª Edição: janeiro 1998 - 3.000 exemplares

EDITORA E DISTRIBUIDORA CANDEIA

Rua Belarmino Cardoso de Andrade, 108

Interlagos - São Paulo, SP CEP.: 04809-270
[CONTRACAPA:]
Qual o segredo de fazer sempre escolhas morais certas? Você tem de enfrentar centenas de escolhas morais, algumas importantes e outras aparentemente inconseqüentes; todavia, todas com algum tipo de efeito. Existe uma verdade secreta que virtualmente garanta que você possa fazer as escolhas morais certas sempre? No livro Amar É Sempre Certo, Josh McDowell e Norman L. Geisler apresentam um princípio abrangente que pode guiar você em suas decisões ao fazer as escolhas morais certas na vida. Através de cenários da vida real e ilustrações práticas, os autores tratam de dilemas éticos complexos em relação às decisões morais diárias. Em cada caso, você descobrirá como avaliar cada escolha em relação ao absoluto moral de Deus – o amor. Amar É Sempre Certo se alicerça neste fundamento do amor para desenvolver um processo de tomada de decisões passo-a-passo. A aplicação desse processo à vida pode dar-lhe uma diretriz firme para fazer a escolha moral certa em todas as situações.

Josh McDowell, patrocinador da Campanha Certo e Errado em todo o território americano, é um orador internacionalmente conhecido e representante itinerante da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo. Escreveu mais de quarenta livros, inclusive Certo ou Errado e o Handbook on Counseling Young (Manual para Aconselhamento de Jovens). Josh e sua esposa Dottie têm quatro filhos. Dr. Norman L. Geisler é reitor da Graduate School do Southern Evangelical Seminary de Charlotte, Carolina do Norte. Ele serviu integralmente no ministério por mais de quarenta deles, muitos anos como pastor e trinta e sete anos como professor de faculdade e do seminário. O Dr. Geisler é autor de mais de quarenta e três livros. Ele e sua esposa Barbara têm seis filhos e sete netos.



ÍNDICE
Prefácio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

Agradecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

  1. Fabricando Histórias de Amor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

  2. O que Há de Errado – ou Certo – com esta Cena? . . . . . . . . . . 15

  3. É sempre a Coisa Certa a Fazer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

  4. Você não Ama se não Conhece a Deus . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45

  5. O Amor na Linguagem Diária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

  6. O Amor em Contraste . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70

  7. O Imperativo do Amor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81

  8. Amando a Pessoa diante do Espelho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94

  9. Amando o Próximo de Longe e de Perto . . . . . . . . . . . . . . . . . 102

  10. A Lei do Amor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114

  11. Amor Encarnado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126

  12. Amor em Conflito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135

  13. Princípios de Valor para Resolver os Conflitos de Amor . . . . . 148

  14. Questões de Vida e Morte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163

  15. Quando o Amor não Acontece . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180

Notas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188

Prefácio



A ética, especialmente a ética do dilema, pode ser uma questão controversa sobre a qual os bons cristãos discordam sinceramente. Meu co-autor e eu desejamos, porém, tratar dessas questões às vezes controversas a respeito do certo e do errado de um ponto de vista genuinamente bíblico. Nosso alvo principal é resolver alguns desses assuntos difíceis e usar princípios bíblicos como uma estrutura para responder a muitas perguntas complexas.

Gostaria de pedir que, ao ler este livro, você ponha de lado qualquer idéia preconcebida do que possa ser a sua resposta certa ou errada nas várias situações examinadas. Peço-lhe também que aborde cada item numa nova perspectiva fornecida pelos princípios colhidos na Palavra de Deus.

Apesar de pretendermos ser sinceros com respeito à interpretação bíblica, você talvez discorde de nossas suposições ou conclusões. Agradecemos a sua resposta. Sinta-se livre para escrever-nos e compartilhar suas preocupações ou comentários bíblicos. Embora não possamos prometer resposta a todas as cartas, asseguro que vamos considerar cuidadosamente cada preocupação que venha a expressar.

Norman L. Geisler 471974 Charlotte, NC 28247

Josh McDowell P.O. Box 1000Q Dallas, TX 75221
Agradecimentos

Queremos agradecer às seguintes pessoas:

Ed Stewart, pela sua capacidade em reorganizar o manuscrito original e inserir as várias e novas idéias e materiais de ambos os autores.

Javier Elizondo e Edward Pauley, por sua crítica profissional e completa do manuscrito terminado. Seu discernimento e seus esclarecimentos foram extremamente úteis.

Dave Bellis, agente de Josh McDowell e associado há dezenove anos, por orientar o projeto desta obra desde o início até o seu término.

E, finalmente, Joey Paul e Word Publishing, nossos editores, pelo encorajamento e entusiasmo que mostraram na publicação deste trabalho.



FABRICANDO HISTÓRIAS DE AMOR
Sem lar e faminto. Rabiscadas num pedaço de papelão com lápis de cera, as palavras prendem sua atenção mesmo antes de parar ante semáforo de um cruzamento movimentado. Você não pode evitar ver o homem na esquina, bem perto da janela do carro, aparentemente voltando o cartaz e o olhar tristonho diretamente para você. A camisa dele, de flanela e em farrapos, é pequena demais. As calças estão rasgadas e sujas. O cabelo é oleoso e despenteado, e o rosto coriáceo está sombreado por uma barba de vários dias. Os olhos, que você tenta evitar, parecem vazios por causa das privações e da negligência. Ele certamente tem um ar de desabrigado e faminto.

Na mesma hora a sua mente transborda de uma ladainha de respostas, como se um comitê de conselheiros internos estivesse gritando sugestões todos ao mesmo tempo. A cada pensamento surge um protesto do outro lado do seu cérebro, insistindo em que você ignore os conselhos.



Tenha uma atitude amorosa. Dê ao pobre homem essa nota de cinco reais que está em sua carteira. Não, não lhe dê dinheiro. Ele provavelmente irá gastá-lo na mesma hora com bebidas. Esse homem não passa de um vigarista e beberrão tentando enganar as pessoas com sua farsa de desabrigado e faminto. Os seus cinco reais ajudarão mais os sem-lar e esfomeados se forem empregados na missão de resgate local.

Ofereça levá-lo a uma lanchonete para almoçar ou compre algum alimento no supermercado. Isso é perigoso demais. Ele pode estar justamente à espera de um motorista ingênuo como você para roubá-lo ou seqüestrá-lo. Além disso, o seu dia está cheio hoje – não há sequer uma brecha pala a caridade. De toda forma, ele iria manchar demais o estofamento do carro com suas roupas sujas.

Entregue um folheto e fale a ele de Cristo. Está brincando? A última coisa na mente desse sujeito é religião. Se estiver realmente sem casa e com fome, precisa de algo para comer, e você não pode ajudar nisso. Se foi um mentiroso pedindo dinheiro para beber ou drogar-se, você não deve ajudá-lo. De qualquer modo, ele não está interessado num sermão na esquina sobre céu e inferno.

A atitude amorosa a tomar é confrontá-lo em relação à preguiça. Diga a ele que arranje um emprego e se alimente. Mas talvez ele não seja preguiçoso; quem sabe é um homem trabalhador que está passando por um período difícil... Ao confrontá-lo injustamente, você pode piorar ainda mais a situação já negativa desse homem, e que amor há nisso?

Depois de menos de um minuto – que pareceu meia hora – a luz fica verde e você passa. Antes de dois quarteirões, os seus pensamentos já voltaram à sua agenda repleta, como se você nunca tivesse visto o homem miserável de roupas esfarrapadas.
***********************************************
Você acabou de sair e está a caminho do hospital, minutos depois de ter desligado o telefone. Kathy, sua vizinha do lado, acabou de telefonar contando que Jarrod, o filho de 10 anos de outra vizinha, Alise, levou um tombo da árvore e caiu de cabeça. "Ele corre risco de vida", disse Kathy, "e Alise está sozinha. Ela é mãe solteira e não tem família na cidade. Alguém deve fazer-lhe companhia". Seu coração volta-se para Alise, e você percebe que tem uma oportunidade para compartilhar o amor de Cristo nesta súbita e triste emergência. Decide ir.

A caminho do hospital, seus pensamentos dão uma volta curiosa. Isto não teria acontecido, Alise, se você controlasse Jarrod melhor. Ele está sempre fazendo loucuras, movimentos perigosos na casinha da árvore, andando descuidadamente de bicicleta ou brincando com ferramentas elétricas. Mas você não se importa. É por isso que não deixo meu filho Michael brincar na sua casa. Talvez você estivesse com os sentidos amortecidos demais pela bebida. A vizinhança inteira sabe que você bebe. As garrafas na lixeira da esquina todas as semanas denunciam a triste história. Essa é outra razão pela qual não deixo Michael visitá-la. Se não acordar é possível que também perca sua filha de seis anos.

Ao chegar ao hospital, você reúne seus pensamentos perdidos e volta a atenção para Alise, a fim de cuidar dela da melhor forma possível. A voluntária na recepção informa que Jarrod está na sala de cirurgia, e você sabe como Alise deve estar sentindo-se. Mas, quando você entra na sala de espera, em lugar de cair em seus braços estendidos, a mãe aflita de Jarrod a encara friamente. "Que surpresa!", diz ela, enxugando os olhos com um lenço de papel. "Eu não sabia que vocês, os vizinhos 'mais santos', se importavam conosco. Você não deixou que seu filho brincasse com o Jarrod quando ele tinha saúde. Por que veio agora que ele está quase morrendo?"

Você fica atônita com as palavras de Alise. Tenta dizer a si mesma que ela, desesperada e aflita, não consegue pensar claramente. Mas o olhar frio e as palavras hostis dela parecem apagar a compaixão que você sentia. Não está vendo que tomei tempo do meu dia ocupado para ficar aqui com você, Alice? Você responde em silêncio. Estou aqui para ajudá-la e não para julgá-la. Parte de você quer olhar para além das palavras indelicadas dela, tocando o sofrimento que há por trás delas, e perguntar como pode ser útil. Outra parte quer virar-se e deixar para trás sua vizinha ingrata. Por que algumas pessoas são tão difíceis de amar?, você se pergunta.


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Você adivinhou o que a superintendente ia dizer antes que ela abrisse a boca. Era uma questão de tempo até que ela a colocasse contra a parede. "Você tem freqüentado a Igreja Comunitária há uns oito meses, não é? Soube que deu algumas aulas na outra igreja. Está disposta a ficar com a classe da terceira série neste outono? Estamos realmente precisando de professores experientes."

Você se encolhe por dentro. Os últimos oito meses na nova igreja foram celestiais – nada de responsabilidades ou reuniões, só aparecer nos cultos se e quando quiser. Você tentou permanecer anônima o maior tempo possível, enquanto se restabelecia de uma dolorosa experiência ministerial. Deus a restaurou, mas pareceu ótimo não se envolver e você evitou todos os pensamentos de apresentar-se como voluntária para o ministério. Alguém descobriu seu segredo e a superintendente da escola dominical está agora esperando sua resposta, sendo aparentemente impossível dizer um não.

Pior ainda, no seu coração você sabe que está na hora de retornar à obra. Você é uma cristã há longo tempo e sabe que os bastidores são apenas um lugar para descansar por certo período e não para aposentar-se. Você não pode negar o seu dom de ensino ou a satisfação que teve ao ajudar crianças a entender os preceitos da Bíblia e aplicá-los à vida diária. Também não pode esquecer o trabalho árduo e o comprometimento de tempo envolvidos no ministério de ensino bem feito; você nunca se conformou em fazer menos do que o seu melhor. Você sabe que dizer sim à superintendente trará de volta tanto a alegria como a tensão de ser professora.

Só mais alguns meses de folga, Senhor, você suplica silenciosamente. É tão gostoso dormir um pouco mais nas manhãs de domingo e não estou disposta a desistir de várias noites por mês para reuniões de professores, eventos sociais da classe e visita pessoal aos alunos. Será que posso dar aula somente aos domingos e deixar de lado tudo mais? Servir ao Senhor pode ser trabalhoso às vezes. Vai aliviar-me um pouco desta vez? Eu O amo, Senhor mas será que o amor tem sempre de custar tão caro?


CONVIVÊNCIA
É possível que nenhuma das cenas anteriores descreva exatamente a sua experiência pessoal, mas você pode identificar-se com alguns dos elementos em uma ou em todas elas. Até nas melhores fases, a vida parece ser uma série interminável de situações desafiadoras, pressões pessoais, pequenas crises e decisões difíceis. A maioria desses problemas envolve de alguma forma as pessoas. De fato, os relacionamentos estão no centro de muitas de nossas tensões e conflitos. Amamos nossa família, mas os cônjuges ocasionalmente não se entendem e deixam de cumprir as expectativas. Os filhos consomem a nossa energia e sobrecarregam a nossa paciência com suas exigências de tempo e atenção. Os filhos adultos se afastam e os pais envelhecidos se intrometem ou exigem cada vez mais atenção e cuidado.

O círculo de relacionamentos fora de casa também pode ser exigente. A atmosfera no trabalho pode ser tensa por causa da competição entre os colegas, das exigências dos superiores e decepções com os empregados. Os líderes de igreja parecem estar sempre insistindo conosco pala maior envolvimento pessoal no ministério. Vizinhos barulhentos nos incomodam. Os empregados das lojas nos ignoram ou confundem os nossos pedidos. Os professores não entendem as necessidades dos alunos. E de todos os lados alguém – grupo de desabrigados, associações de caridade, comitês da igreja, liga de futebol e outros – está sempre pedindo algo. Concordamos com um ministro que disse ironicamente a outro: "Estar no ministério seria ótimo se não fosse pelas pessoas". E simpatizamos com a dona-de-casa mal-humorada que se perguntou: "Em que momento a mãe pode pedir demissão? Algumas vezes pensamos que a vida seria muito mais fácil sem as pessoas e os desafios estressantes que elas apresentam.

Até mesmo o relacionamento pessoal com Deus tem seus momentos difíceis. Deus evidentemente não é ingrato, injusto ou superexigente como alguns indivíduos. Mas Ele também não se compraz em ficar afastado do Seu povo, pois deseja que tenhamos comunhão com Ele mediante a adoração e a oração. Ele nos encoraja a crescer à Sua semelhança, aprendendo a sua Palavra e abrindo espaço para o Seu Espírito que habita em nós. O Senhor ordena que contemos a outros a diferença que Ele faz em nossa vida. Na realidade, é a nossa associação com um Deus que nos ama que impede o nosso afastamento das Pessoas que mais criam problemas em nossa vida.

Algumas vezes nos consideramos inaptos para andar com Cristo e lidar com esses problemas. Gritamos para Deus quando as pressões aumentam. "Não agüento mais. Não sou à prova de pessoas." Todavia, Deus continua testando-nos, rodeando-nos de todos os tipos de gente. Deus não nos fez para sermos ilhas solitárias. Ele nos fez sob medida para nos relacionarmos com pessoas de toda espécie, até mesmo as que esgotam a nassa paciência. Nenhum de nós, nem mesmo os mais mal-humorados e introvertidos, pode demitir-se, fechando-se em sua concha. Conviver com as pessoas, ajudá-las, resolver suas dificuldades, consolá-las e guiá-las a Cristo, é para isso que fomos feitos. O amor requer um objeto. E Deus nos deu então uns aos outros.


UMA CHAVE MESTRA OFERECIDA PELO MANUAL
Devemos alegrar-nos com o fato de Deus não nos destinar a um ministério pessoa-a-pessoa sem nos dar instruções para isso. Na Sua Palavra – o "manual do fabricante" que nos ensina a viver segundo o propósito que nos foi designado neste mundo – Deus forneceu a chave mestra para nos relacionarmos com Ele e convivermos com pessoas de todos os tipos. De capa a capa, a Bíblia demonstra o amor de Deus pela criação humana; convida-nos a experimental pessoalmente o amor dEle por meio do Seu Filho amado, Jesus; ordena-nos a praticar o amor em todos os níveis de relacionamento – humano e divino; e providencia instrução e exemplo para o exercício diário da ética do amor cristão em nossos relacionamentos. Amar é colaborar com o objetivo ímpar de Deus para a criação humana e conhecer a satisfação resultante da vida segundo Deus. Não amar é perder de vista o propósito da nossa existência e conhecer pouco mais que frustração e sofrimento em nosso trato com as pessoas.

O livro Amar É Sempre Certo foi escrito para ajudá-lo a compreender melhor e a aplicar com mais sucesso esta chave especial na sua interação diária com Deus e com as pessoas. Os capítulos seguintes abordarão deste modo o assunto:


O amor é um absoluto moral e universal. Amar é sempre certo; não amar é sempre errado. Os Capítulos 2 e 3 estabelecem o fundamento para a discussão do amor, mostrando à realidade dos absolutos morais e do; valores objetivos num mundo inclinado ao relativismo e ao subjetivismo moral.

Amar é mais do que corações, flores e músicas sonhadoras. Amor é uma ação e uma reação consciente. Os Capítulos de 4 a 6 associam uma definição prática de amor à natureza de Deus e contrastam o verdadeiro amor com os conceitos errados e as caricaturas populares.

O amor não é uma opção para o cristão. O supremo mandamento da Escritura, como resumido por Jesus, é amar a Deus e amar os nossos semelhantes Os Capítulos 7 a 11 apresentam o imperativo do amor, esboçam os vários níveis e responsabilidades do amor e ancoram o amor na lei de Deus e na vida exemplar de Cristo.

Amar é muitas vezes difícil. As responsabilidades do amor chegam a sobrepor-se e provocar conflitos, dificultando uma atitude amorosa. Os Capítulos 12 a 14 tratam do amor em conflito e oferecem princípios para exercer o amor quando os dilemas morais escurecem a nossa visão.

O amor nunca falha, mas nós falhamos às vezes em amar a Deus e aos outros. Apesar de nossas melhores intenções, agimos ocasionalmente sem amor. O Capítulo 15 fornece diretrizes úteis para voltarmos ao ponto central quando não amamos como devíamos e quando outros deixam de amar-nos como deveriam.

O amor tem um número infinito de aplicações. É impossível prever todas as questões sobre como o amor reage nos vários relacionamentos, situações e conflitos. Tentamos, porém, prever várias dessas perguntas. Cada um dos capítulos termina com uma seção de "perguntas difíceis e respostas diretas", em que várias das aplicações mais complexas do amor são consideradas.
Que diferença o amar pode realmente fazei? Para Sid e Lani, o amor de estranhos significou a diferença entre a vida e a morte. A "história de amor" deles é verdadeira.

Certa manhã de sexta-feira, na primavera de 1970, um jovem casal hippie de uma cidade glande apareceu na porta de uma pequena igreja rural. Sid e Lani viviam juntos há dois anos, e Lani estava grávida de seis meses. "Queremos casar-nos o mais breve possível", disseram eles no escritório do ministro. O ministro ficou bastante indignado com a invasão daqueles "filhos das flores" esfarrapados, que consideravam sua bonita igreja como pouco mais que uma capela de beira de estrada para casamentos de emergência. Esperando que uma demora os desanimasse, ele disse: "Se vierem à igreja no domingo, eu os caso depois do culto". O ministro tinha certeza de que nunca mais os veria.

Mas, na manhã de domingo, o ministro viu o casal na congregação. Um verdadeiro espetáculo, com seus cabelos compridos e calças boca-de-sino rasgadas. Quando o santuário foi-se esvaziando, Sid e Lani aproximaram-se do altar para uma cerimônia simples. No momento em que os membros da congregação perceberam que iria haver um casamento, cerca de trinta pessoas se apressaram em voltar ao prédio, contentes por participar da festa dos estranhos. "Por que vieram?" perguntou Lani, espantada. O ministro respondeu: "Acho que se interessam por vocês".

Depois da rápida cerimônia, Mildred, uma das mulheres da congregação, perguntou ao casal: "Onde vão passar a lua-de-mel?". Mildred e Jack tinham celebrado suas bodas de prata alguns dias antes. "Não sei", respondeu Sid com um encolher de ombros. "Talvez acampar nas montanhas." "Olhem, vocês primeiro precisam de um almoço e de um bolo de casamento", ela anunciou com um sorriso cordial. "Irão almoçar conosco. De fato, todos estão convidados para almoçar em nossa casa." Enquanto o ministro ocupava o casal para assinar as certidões, Mildred organizou depressa uma refeição do tipo "contente-se com o que houver".

Quando o casal e o ministro chegaram à casa de Mildred vinte minutos mais tarde, a mesa estava coberta de sanduíches e saladas. No centro da mesa estava a parte de cima do bolo de aniversário de Mildred e Jack. A celebração durou seis horas. O almoço e o bolo foram consumidos, e os noivos foram aclamados e abraçados. Eles partiram à noite, felizes com a hospitalidade amiga da pequena congregação.

Duas décadas e meia depois, um casal de meia-idade chegou de carro à mesma pequena igreja rural. Eles explicaram ao ministro encarregado que se tinham casado naquele santuário 25 anos antes e haviam sido recebidos pela amorosa congregação no dia do seu casamento.

O ministro nunca ouvira a história, mas uma mulher que trabalhava no escritório escutou a conversa. "Lembro-me de vocês", disse ela ao casal. "Estava aqui naquele dia e assisti ao seu casamento." Mildred continua na cidade. Vocês precisam almoçar conosco.

Sentados à mesa com as duas mulheres idosas, Sid e Lani contaram sua história. Os onze primeiros anos de casados haviam sido desastrosos. Sid era viciado em drogas e Lani, alcoólatra. Certo dia, com a vida à beira de um colapso, Sid disse: "Só fomos à igreja uma vez em nossa vida: no dia em que nos casamos. Foi ama experiência boa para nós. Acho que devemos voltar". Eles começaram a freqüentar uma igreja perto de onde moravam, entregaram a vida a Cristo e foram transformados. "Este é o nosso vigésimo quinto aniversário de casamento", contou Sid às mulheres, "e tivemos de voltar para uma visita à igreja que significa tanto para nós".

Sid e Lani são hoje conselheiros no ministério que lida com os viciados da cidade. Eles admitem francamente que o amor e a aceitação de um casal de hippies sujos por parte de um grupo de cristãos da zona rural é que, em última análise, transformou a vida deles e salvou o seu casamento.

Ao nosso redor, há pessoas como Sid e Lani que necessitam de um amor genuíno, transformador. Cada um de nós tem a oportunidade de ser uma Mildred para pessoas assim todos os dias. Que as páginas seguintes possam inspirá-lo e prepará-lo para uma antologia de histórias de amor cada vez mais ampla entre as pessoas com quem você entra em contato.

O QUE HÁ DE ERRADO – OU CERTO – COM ESTA CENA?
Chad entrou no escritório de Denny às quatro da tarde, exatamente na hora que o supervisor marcara para a entrevista. Desenhista de ferragens da Comcraft Corporation, Chad suspeitava ter sido chamado para uma sessão de reforço positivo. Denny gostava de elogiar os empregados bem-sucedidos e, nos últimos quatro anos, o esforçado Chad dera ao chefe várias razões para elogios.

Denny estava ao telefone e fez um gesto para que Chad fechasse a porta e se sentasse. Escorregando na poltrona estofada perto da mesa, Chad olhou para o chefe com ar apreciativo. Denny não era só um bom patrão, mas estava tornando-se também um amigo. Os dois homens tinham ido juntos a alguns jogos de futebol, e Chad planejara convidar Denny e Barb para irem à igreja quando chegasse a ocasião oportuna. Chad não falara ainda sobre fé com ele, mas esperava fazê-lo em breve. A perspectiva de um dia trabalhar para um chefe cristão o entusiasmava.

Denny terminou a conversa e desligou o telefone. Ele pressionou os dedos sobre a testa, como se lutando com uma forte dor de cabeça. Não parecia feliz. Chad aguardou. Finalmente, Denny disse: "Recebi instruções do pessoal para nos matricular num curso".

Chad e seu chefe haviam assistido a várias conferências e seminários profissionais juntos, pagos pela Comcraft. Eles sempre se divertiam, geralmente encontrando tempo para uma rodada de golfe pelo menos. Mas Denny não parecia nada satisfeito com a idéia desta vez.

"Que curso? Onde?", sondou Chad.

Denny deu um longo suspiro e pressionou novamente a testa. "Bertelli disse que você tem de fazer um curso de treinamento da sensibilidade e eu tenho de acompanhá-lo", disse ele, evitando fitá-lo nos olhos.

Chad entortou a cabeça, repentinamente perplexo. "Treinamento da sensibilidade? Eu?"

Denny fez que sim com a cabeça.

"Não entendo, Denny. Esse treinamento é para os empregados que não se estão ajustando – os esquentados, os preconceituosos, os sujeitos que atormentam as secretárias. O que há?"

Denny continuava não encarando Chad. "Você se lembra de uma conversa que teve há cerca de duas semanas com Bob Romano do departamento de Peças de Precisão de Silicone?"

"Que conversa?", respondeu Chad com um sorriso. "Falo com Bob Romano duas ou três vezes por semana – no escritório dele, no meu, pelo telefone. O PPS é um dos meus melhores fornecedores. Como posso lembrar-me de uma conversa?"

"Estou falando de uma conversa específica", pressionou Denny, olhando finalmente para Chad, "aquela em que você e Romano discutiram o... estilo de vida alternativo dele."

Chad arregalou os olhos. "Como soube disso?"

Denny ignorou a pergunta. "Você disse a Romano que não aprovava o fato de ele ser homossexual?"

Chad piscou duro, chocado com a pergunta. "Do que está falando? O que é isto, afinal?"

Denny mostrou um maço de papéis, um longo memorando da seção de pessoal. Depois perguntou outra vez: "Preciso saber, Chad. Você disse ou não a Romano que reprovava a sua homossexualidade?"

Chad levantou as mãos num gesto de inocência. "Bob mencionou naquele dia que era gay, o que eu já suspeitava. Conversamos um pouco a respeito e depois eu disse mais ou menos isto: 'Eu o aceito como pessoa e gosto de trabalhar com você. Mas não concordo com o estilo de vida homossexual'. Não o chamei de bicha, maricas, ou qualquer outra coisa – jamais faria isso. Só dei minha opinião sobre o estilo de vida dele. Alguém tem algum problema com isso?"

Denny recostou-se na sua cadeira de executivo e olhou para o teto. "Sim, alguém tem um problema com isso. Romano fez uma denúncia ao seu chefe na PPS e..."



"Denúncia?", interrompeu Chad, elevando a voz. "Parece que você está falando sobre um crime. Nós só estávamos conversando e eu simplesmente expressei minha opinião. Bob não me pareceu nada perturbado."

Denny levantou a mão, fazendo um sinal para Chad deixar que continuasse. "O chefe do PPS chamou Evans, Evans telefonou para Bertelli na seção do pessoal, e eu recebi este memorando."

"E o memorando diz...?"

"O memorando diz que você deve fazer um curso de treinamento da sensibilidade. Como está na minha equipe e eu aparentemente não o ensinei suficientemente sobre a tolerância, devo acompanhá-lo.

Chad endireitou-se. "Tolerância?", retrucou, evidentemente irritado. "O que quer dizer com tolerância? Sou uma das pessoas mais tolerantes que já conheceu. Sou cristão. Aceito todas as pessoas do mesmo jeito, até mesmo as que são diferentes de mim, até Bob Romano."

"Mas você não aprova o estilo de vida dele", interrompeu Denny.

"Claro que não", disse Chad "A homossexualidade é um estilo de vida pervertido."

"Segundo quem?"

"A Bíblia diz que é errado, pura e simplesmente. E o senso comum afirma que é anormal. Você sabe, a anatomia masculina e feminina..."

Denny balançou vagarosamente a cabeça. "Isso é intolerância. Não pode dizer essas coisas, especialmente no lugar de trabalho. É por essa razão que terá de fazer esse curso, o qual, provavelmente, será ensinado por uma lésbica."

"Uma lésbica?", lamentou-se Chad, incrédulo. "Não posso acreditar!" A seguir ele ficou de pé e começou a andar pelo amplo escritório. "De onde você e o departamento pessoal tiraram a sua definição de tolerância?"

"Do novo manual de regulamentos da empresa. Você não leu ainda?"

Chad desviou os olhos. "Está num arquivo em minha sala."

"Bertelli cita uma seção no seu memorando", disse Denny. Depois leu em voz alta: "Os proprietários e a gerência da Comcraft afirmam que todos os valores, crenças e estilos de vida de seus empregados, vendedores ou clientes são iguais e não serão desafiados. Qualquer empregado da Comcraft que mostre atitudes de discriminação ou intolerância em relação a outros empregados, vendedores ou clientes ficará sujeito a uma ação disciplinar ou demissão".

Chad parou onde estava e disse: "Isso significa que posso ser demitido simplesmente por expressar minhas convicções?"

"Não, significa que poderia ser demitido por alegar ou inferir que suas crenças são mais dignas de crédito do que os de outrem."

Chad levantou novamente as mãos para defender-se. "Tudo o que eu disse é que não concordo com o estilo de vida de Bob Romano."

Denny inclinou-se para a frente na cadeira, pegou um lápis e apontou o lado da borracha para o colaborador. "Você não pode fazer isso, Chad", disse com uma firmeza que Chad raramente vira no chefe. "É politicamente incorreto, como dizem. É uma humilhação. Isso faz o indivíduo sentir-se diferente, inferior, oprimido. Precisamos prestigiar a diversidade, elogiar as peculiaridades dos outros."

"Não posso acreditar no que estou ouvindo", disse Chad, sacudindo a cabeça. "Não basta aceitar Bob Romano como pessoa; tenho de elogia-lo por ser gay, embora acredite que a homossexualidade é errada?"

Denny acenou com autoridade, confirmando.

Chad explodiu. "Isso é ridículo!"

"Não, isso é tolerância", disse Denny, apertando o lápis sobre o lado da borracha para dar ênfase.

"Olhe, acho que é loucura", argumentou Chad. "O que você chama de tolerância é apagai as linhas entre o certo e o errado."

"Espere aí", interrompeu Denny, parecendo também irritado. "Quem fez de vocês, cristãos, uma autoridade sobre o que é certo e errado para todos?"

"Não somos só nós, cristãos. Algumas coisas são certos e outras erradas. Sempre foi assim. O homossexualismo é errado. O aborto é errado. A eutanásia..."

Denny deu um pulo, ficando de pé, e interrompeu zangado. "Que direito você tem de dizer que o aborto de Bárbara foi errado? O feto tinha um problema no cérebro; o exame amniótico provou isso. Poupamos à criança uma vida curta, penosa, sem significado e poupamos a nós mesmos o prolongado sofrimento que essa vida traria. Ninguém pode dizer-me o que é certo para mim – nem você nem a sua cultura fundamentalista. Eu decido o que é certo ou errado para mim. Quanto a mim, estou contente por ver que a sociedade está acordando para a intolerância desumanizadora dos valores judaico-cristãos."

Chad ficou sem fala por alguns segundos, depois disse: "Você concorda então com os regulamentos e com a decisão do departamento pessoal sobre mim e Bob Romano?"

"Cem por cento. É assim que as coisas são, Chad. Se você não puder acompanhar isto, a sua carreira na Comcraft pode ser mais curta do que planejava."


OPTANDO QUANTO AO CERTO E ERRADO
A história precedente é fictícia. Mas, se o encontro de Chad com Denny parece estranho demais para ser verdade, você talvez vá ter uma surpresa. Se pensa que confrontos graves de valores como esse não estão acontecendo diariamente nos negócios, governo, educação e relacionamentos, você está vivendo fora da realidade. Se você supõe que o certo e o errado sejam perfeitamente discerníveis para todos, como são para você, não passa de um ingênuo. Se acredita que a consciência do mundo ocidental continua sendo guiada pela verdade objetiva, honestidade, pureza moral e pela Regra de Ouro* precisa examinar mais de perto como as pessoas ao seu redor estão vivendo. Se os seus valores cristãos não foram desafiados ou ridicularizados como sendo arcaicos ou irrelevantes por um vizinho, colega, professor ou aluno, ou a sua luz está escondida ou as pessoas com quem você se relaciona diariamente são cegas e surdas.

Os tempos mudaram. Até os anos 60, a América era predominantemente cristã. A freqüência à igreja era socialmente aceitável. A fé em Deus e na Bíblia era comum. Havia oração em público nos jogos de futebol, no início das aulas e nas reuniões da prefeitura. Os valores judaico-cristãos eram considerados certos e os valores opostos, errados. Cerca de três décadas atrás, passamos então para o que o falecido pensador cristão, Dr. Francis Schaeffer, chamou de "era pós-cristã". A população não-cristã tornou-se apática com relação à igreja, às afirmações da Bíblia e aos valores sociais derivados de ambas. A freqüência à igreja declinou, mas os cristãos continuaram a ser tolerados pelos que se desviaram. "A criação do Gênesis é um mito, a ressurreição de Cristo uma fábula e o estilo de vida cristão uma muleta para os que têm a mente fraca", declararam eles. "Vocês, cristãos, acreditem nessas bobagens se quiserem, mas não nos forcem a isso, porque não aceitamos mais."

A atitude "viva e deixe os outros viver" do mundo em relação aos cristãos e aos seus valores continuou através dos anos 70 e 80. Mas, na última década do século vinte, caímos a um nível ainda mais baixo. A sociedade americana entrou num período que pode ser chamado de "era anticristã". Como ilustrado pelo encontro de Chad e Denny, a apatia em relação aos cristãos e sua fé está-se transformando em antagonismo. O ponto de conflito está mudando do conteúdo para o estilo. Não é aquilo em que cremos que perturba os não-cristãos hoje. Estamos sendo atacados por considerarmos que nossas crenças e valores são universais e por não aceitar os valores e estilos de vida escolhidos por outros, mesmo quando estejam em conflito com a Escritura. O mundo pergunta, cheio de ira, como Denny perguntou ao seu subordinado: "Quem fez de vocês, cristãos, autoridade sobre o que é certo e errado para todos?"

No âmago do conflito estão os absolutos morais, porque os absolutos formam a base do que é certo ou errado. Todavia, nem todos aceitam a existência de absolutos hoje, e alguns que os aceitam não crêem que sejam universalmente aplicáveis, como Chad descobriu durante a sua troca acalorada de palavras com Denny.

Qual a sua experiência? Você tem dificuldade em aceitar a realidade dos absolutos morais na sua vida? Tudo depende do momento, da situação ou das pessoas envolvidas? Ou existem constantes eternas que governam a experiência humana e guiam as suas decisões? Pode um comportamento ser certo para uma pessoa e errado para outra? Pode um comportamento que era errado numa ocasião ou numa situação ser certo em outra? É apropriado usar palavras como nunca e sempre ao discutir certo e errado? Estas perguntas e as suas respostas são essenciais para a sobrevivência do cristão numa cultura cada vez mais anticristã. E elas são vitais para o estabelecimento das bases da ética do amor cristão apresentada nos capítulos seguintes.



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