Amor com Hora Marcada Contract for marriage



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CAPÍTULO XXII

Christy saiu da cama assustada. Meu Deus! Eram quase dez horas. O que tia Martha iria pensar? Lembrava-se vagamente que Mark tinha saído algumas horas atrás.

— Não se levante — ele lhe disse. — Vou viajar. Tomarei o café da manhã na estrada. Provavelmente só volto amanhã à tarde. Se alguém precisar de mim, aqui está o telefone do hotel.

Falou aquilo rapidamente, enquanto se trocava. Deixou o bilhete com o número e foi embora. Christy tinha certeza que ele tinha ido se encontrar com Darcy.

Vestiu-se automaticamente. Gostaria de voltar para a cama e dormir para sempre, para não pensar em Mark e na vida, mas, ao invés disso, desceu para representar o papel da jovem esposa grávida e feliz, que não se preocupava nem um pouco em ficar em casa, enquanto seu marido saía para fazer uma viagem inesperada em pleno domingo.

Pegou o papel que ele havia deixado e estudou o número do telefone. Não tinha a menor ideia da área a que pertencia aquele prefixo. Logicamente poderia descobrir, olhando a lista telefônica. Sim, poderia, se fosse uma bisbilhoteira. Sem conseguir se conter procurou na lista.

O prefixo 916 cobria uma grande área, onde, inclusive, se encontrava Mitchelburg, onde a Douglas Enterprises estava montando um negócio que necessitava da supervisão de Mark. Mas cobria Tahoe também, onde Darcy estava trabalhando. Discou o número. Em seguida uma voz atendeu:

— Hotel Tahoe. Em que posso servi-la?

Desligou o telefone, sentindo uma tristeza profunda nascendo em seu coração. Ouviu vozes que vinham da cozinha e desceu rapidamente.

— Bom dia. Acho que dormi demais hoje. Me desculpem.

— Você devia ter ficado na cama até o meio-dia — disse tia Martha servindo-lhe uma xícara de café. — Está muito abatida, menina. Deve estar trabalhando muito. E está grávida! Conversei com Mark ontem à noite. Acho que ele devia arrumar uma empregada, pelo menos até você dar à luz.

— Não se preocupe, tia. Eu não me importo de fazer o trabalho doméstico e até que não estou me dando mal na cozinha.

Tia Martha olhou bem nos olhos de Christy.

— Não, senhora, alguma coisa não anda bem com você. Tem olheiras assustadoras e está muito magra!

— Ora, vamos, tia Martha! Como é que estou magra se estou grávida?

— Escute aqui, Christy, você não está gorda o suficiente, e sabe por quê? Porque está trabalhando muito, está se desgastando e isso não é bom durante a gravidez. Já falei com Mark e Carol e vou levar Carol para passar um mês comigo no lago. Agora quero que você converse seriamente com seu médico na próxima consulta. Para mim está precisando de um pouco de cálcio ou alguma outra coisa!

Alguma outra coisa talvez, pensou Christy. Alguma outra coisa como carinho, por exemplo.

— O que é gravidez? — perguntou Carol de repente.

Aquela pergunta deixou Christy irritada. Como poderia responder? Estaria certo dizer que ela estava para ser mãe? Era mentira? Sua garganta ficou seca e ela não conseguiu responder. Pegou uma torrada e colocou-a na boca. Tia Martha olhou para ela rapidamente e depois se virou para Carol.

— Significa, minha pequena, que você vai ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha daqui há alguns dias.

— Eu vou poder tomar conta dela, não vou, Christy?

Christy concordou com a cabeça e começou a limpar a mesa.

— Você já contou a novidade a Beth? Ela já sabe sobre o bebê? — perguntou tia Martha.

— Tenho medo que ela fique triste, sabendo que eu posso ter um filho e ela não. Gostaria de esperar mais um pouco, antes de contar.

— Bobagem. Ela ficaria encantada. Essa notícia lhe daria mais forças para continuar vivendo.

— Espero — murmurou Christy.

Mark chegou de muito bom humor no dia seguinte. Deu um presente para Carol, conversou bastante com tia Martha e deu parabéns à Christy pelo jantar que ela havia preparado. Uma noite nos braços da linda Darcy conseguia revigorar intensamente as forças de Mark! Para aumentar ainda mais o bom humor dele, os australianos chegariam no dia seguinte para a conferência tão esperada.

Mas Christy não estava com o mesmo humor de Mark. Sentia-se como um robô programado para fazer o serviço doméstico e sorrir nas horas certas.

Mark levantou bem cedo para ir buscar os australianos no aeroporto.

— Espero que tudo dê certo — disse ela, com um sorriso forçado, sabendo que ele não precisava de seus desejos de boa sorte.

Mais tarde, Christy e tia Martha foram se vestir para comprar algumas roupas para Carol levar de viagem. Estavam no andar de cima quando a ouviram gritar:

— Ele chegou! Ele chegou!

Desceram apressadas e ouviram Ryan dizendo:

— Olá. princesa! Está feliz em me ver? Onde está a nossa grávida?

— Eu sei o que quer dizer grávida — disse Carol levantando a cabeça.

— Você é muito inteligente!

Christy e tia Martha apareceram e Christy então fez as apresentações.

— Meu Deus! Finalmente conheci o Super-homem. Fique sabendo que sei tudo sobre você — comentou tia Martha.

— Ótimo. Então, é claro, a senhora já está a meu favor — respondeu Ryan.

Christy observou, divertida, como Ryan falava com tia Martha, tentando conquistá-la imediatamente.

— Ryan, estávamos com saudade de você — Christy falou assim que teve oportunidade.

— Estávamos, não. Não minta para mim, boneca — pediu Ryan sorrindo. — Diga apenas que você estava com saudade de mim.

— Você não muda mesmo, não é, Ryan? — ela replicou rindo.

— Claro que não!

— Onde ficou durante esse tempo todo em que sumiu? Na sua casa de praia?

— Sim. Fiquei lá duas semanas, depois que começaram as férias. Tomei sol, nadei, vi uma porção de biquinis maravilhosos. Agora estou doido para começar no meu novo emprego.

Christy olhou para ele, sem entender direito o que Ryan tinha acabado de dizer.

— Sim, é verdade — continuou Ryan. — Acabei de receber um telefonema ainda não faz uma hora. Vocês estão olhando para o mais novo administrador de Rockledge!

— Oh, Ryan, que bom! — exclamou Christy bastante emocionada. — Você nem pode imaginar o quanto estou feliz por você! Tenho certeza que ainda será o diretor daquele centro de artes!

— Trabalharei bastante para que isso aconteça, fique certa! Você me dá sorte, boneca!

— Ryan vai ser diretor, Ryan vai ser diretor — cantava Carol, batendo palmas.

Ryan olhou para elas por um instante e depois disse:

— Vocês estão muito elegantes. Iam sair, por acaso?

Christy explicou-lhe que estavam saindo para fazer compras para Carol.

— Bom, então tenho uma ótima ideia, minhas queridas. Estou com vontade de comemorar. Que tal eu levá-la para almoçar? Poderíamos ir a Hamilton House, e vocês depois fariam compras.

— Ele é um homem cheio de boas ideias! — exclamou tia Martha sorrindo e dando o braço a Ryan.

A Hamilton House era um antiga mansão do século passado que ficava perto do centro da cidade. Tinha sido reformada por uma empresa que transformou o térreo em um restaurante e abriu uma porção de pequenas lojas no andar de cima. O convite de Ryan não podia ter chegado em melhor hora. Christy pensava que fora uma pena não ter conhecido Ryan antes de Mark, pois teria se apaixonado por ele...

Como o restaurante estava cheio, os quatro resolveram fazer as compras antes de almoçar. Ryan visitou a primeira loja, comprou um cofre em forma de porquinho para Carol, mas antes de entrarem na segunda loja ele falou:

— Definitivamente não gosto de fazer compras. Martha, você e Carol podiam terminar de comprar as coisas e nós nos encontraríamos no barzinho do restaurante daqui a meia hora. Christy e eu vamos tomar um aperitivo.

Com dificuldade conseguiram encontrar um canto vago no balcão do bar. Sentaram-se no banquinho e Ryan pediu dois aperitivos.

— Então você conseguiu realizar um dos seus maiores sonhos! Espero que consiga realizar os outros também! — disse Christy, sorrindo.

— Obrigado, boneca. Na próxima semana encontrarei os diretores do projeto.

— E Alicia?

— Trabalharemos juntos o resto do verão.

— Gostei muito dela aquela vez que a conheci, Ryan.

— Ela é uma pessoa maravilhosa. Em muitas coisas se parece bastante com você, Christy, mas...

— Mas?

Ryan sorriu, mas não o suficiente para esconder a tristeza que transparecia em seus olhos.



— Como você sabe, na minha vida inteira nunca fui feliz no amor — disse ele. — Alicia ainda não se recuperou do divórcio, eu... Bem, deixa para lá... — Fez uma pausa e mudou de assunto: — E você, boneca, como vai? — Ele pôs a mão sobre a de Christy.

— Vou bem. Até que vou bem... — Naquele momento Christy ouviu uma risada familiar.

Olhou para o lado e viu Sam Douglas de costas para ela. Ao lado dele, Mark a olhava fixamente. Ela não tinha reparado naquela mesa distante, onde Mark, Sam e os australianos estavam almoçando!

Retirou a mão debaixo da de Ryan rapidamente. Sentia-se culpada, como se tivesse feito algo errado. O que Mark iria pensar? Ora, que pensasse o que quisesse!

Mas foi com certa dificuldade que perguntou a Ryan como tinha sido na praia, torcendo para ele não ver Mark. E se Martha e Carol chegassem naquele exato instante e se encontrassem com Mark?

Felizmente, depois de alguns minutos, viu ele, Sam e os australianos saírem do restaurante. Talvez tivesse sido melhor eles encontrarem Martha e Carol, pois assim Mark ficaria sabendo que ela não tinha saído sozinha com Ryan...

— Estou com fome — disse ela de repente, mentindo. — Talvez fosse melhor irmos encontrar tia Martha e Carol.

Para alívio de Christy, Carol e tia Martha estavam tão envolvidas com a viagem que fariam, que nem perceberam que ela quase nem tocou na comida. De vez em quando, percebia que Ryan a olhava com olhos inquiridores, mas fingia não perceber. Mais tarde ele as deixou em casa e prometeu levá-las para a praia, assim que tia Martha e Carol voltassem da viagem.

Mark não apareceu para jantar e nem telefonou. Tia Martha e Carol fizeram as malas e foram dormir cedo.

Christy arrumou a cozinha, depois foi para a sala ler uma revista. Estava muito ansiosa. Pegou a agulha de crochê e começou a trabalhar na manta que estava fazendo. O bebê, aquela noite, estava se mexendo muito, como se percebesse a ansiedade da mãe.

Mark chegou depois da meia-noite. Ele mal a cumprimentou. Foi para o barzinho, colocou um pouco de licor num cálice e bebeu em silêncio. Parecia tenso, nervoso. Será que alguma coisa tinha dado errada com os australianos?

— Quer que eu lhe prepare alguma coisa para comer? — perguntou ela. — Um sanduíche, talvez?

Mark olhou-a e não disse nada. Colocou mais licor no cálice e continuou bebendo.

— Espero que você não esteja tomando licor com o estômago vazio.

— Ora, não me amole, Christy. Comi no aeroporto!

Mark nunca tinha falado com ela naquele tom.

— Alguma coisa deve ter acontecido com você, Mark. Não quer me contar?

— Bom, se você quer mesmo saber, o negócio com os australianos não deu certo!

— Oh, meu Deus! Espero que não tenha sido por causa de eu ter comentado as negociações... com alguém...

Ele a olhou fixamente nos olhos e depois explodiu:

— Não, senhora. Pode ficar sossegada que você e seu queridinho Ryan não têm nada a ver com isso. Os australianos simplesmente resolveram dar o lugar que eles pretendiam dar a mim para aquele cara que esteve aqui algumas semanas atrás, lembra? Aquele que eu falei que não tinha experiência nenhuma.

— Oh, Mark, que coisa mais horrível! Tanto trabalho por nada!

— Ora, Christy, não precisa vir com compaixão para cima de mim!

— Este ano foi cheio de frustrações, não é mesmo?

— Bem, minha cara, mas ele já está para terminar e, pelo jeito, você deve estar adorando isso. Pelo menos, foi o que percebi quando vi aquela cena carinhosa hoje na Hamilton House.

Christy sentiu uma pontada no coração.

— Escute aqui, Mark, Ryan levou-nos para almoçar. Carol, tia Martha e eu! Ryan e eu estávamos tomando um aperitivo enquanto Carol e tia Martha terminavam as compras. Acho que esse passeio foi até muito inocente comparado com seu fim de semana com Darcy!

— Você não tem nada que se meter na minha relação com Darcy.

— Claro que não, mas só não consigo entender por que você não aprova minha amizade com Ryan. E olhe que eu estou dizendo amizade. Além disso, nós não incluímos no nosso contrato que não podíamos ter relações com outras pessoas, fossem elas quais fossem.

— E você não acha que o nosso contrato foi um desastre?

— Sim, desde o começo.

— Oh, mas a culpa foi minha.

— Pena eu não ter percebido há mais tempo!

— Senão você teria saído da minha cama antes, não é?

— Exatamente.

— Interessante. Nunca imaginei que fosse capaz de usar de uma fraude.

— Fraude? Mas do que diabo você está falando agora?

— Você conseguiu o que queria, não é?

Ele ficou em silêncio por um longo momento e depois respondeu:

— Não, minha cara, não consegui o que queria.

— Não estou me referindo ao seu negócio com os australianos. Mark. Você terá outras oportunidades. Estou querendo lhe dizer que você me usou!

Mark a agarrou e obrigou-a a encará-lo.

— Não! Isso não é verdade!

— Você está me machucando!

— Dane-se, você tem que me ouvir...

— Você me usou sexualmente você se aproveitou de mim!

— Escute! Eu sou o maior culpado por tudo isso, porque concordei com seu plano louco. E também sou culpado por você ter ficado grávida. Nunca deveria ter acontecido isso! Nenhum de nós dois parou para pensar o que significa isso, Christy! Quando fiquei consciente que, se você ficasse grávida, seria um erro, vi que não podíamos ir adiante com o nosso plano! Deus é testemunha do quanto me arrependi de ter concordado com seu plano, e então cheguei à conclusão de que devíamos acabar com tudo de uma vez! Eu ia lhe falar isso.

— Ah, você ia. Quando?

— Talvez você não acredite, mas ia conversar com você na noite em que me disse que estava grávida.

Mark a largou, com se de repente tivesse ficado sem forças. Depois de um momento em silêncio, continuou:

— Acho que demorei muito para chegar à conclusão de que não gostaria de dar meu filho para ninguém.

— Então, se você tivesse chegado antes a essa conclusão, teria desmanchado o casamento? — perguntou ela, quase chorando.

— Você não concorda que teria sido melhor, Christy?

Ela sentou. Mark estava certo, é claro. Se estivessem separados nenhum dos dois estariam sofrendo agora e o bebê que não parava de se mexer na sua barriga não existiria.

— E então? — perguntou Mark.

— Estou atormentada. Não sei mais no que acreditar.

— E você acha que eu não estou atormentado?

— Então, o que quer de mim? Quer que eu me arrependa publicamente? Está certo. Nosso acordo foi um erro, eu nunca deveria ter proposto aquilo a você!

— Concordo, e para ser honesto, acho que nós dois nunca deveríamos ter nos conhecido.

Finalmente ele tinha desabafado o que sentia. Christy sabia que Mark pensava aquilo, mas ouvi-lo dizer foi terrível. Fechou os olhos, amargurada. Não viu quando ele saiu da sala.



CAPÍTULO XXIII

Ela se levantou antes de Mark. Vestiu-se rapidamente e desceu, com medo que ele acordasse e tivessem que conversar. Quando todos apareceram para tomar o café da manhã, procurou manter a calma.

Carol e tia Martha não paravam de falar na viagem que iam fazer. Carol nunca tinha andado de avião e estava empolgadíssima.

— Eu também vou viajar — disse Mark, de repente.

— Ah, vai? — perguntou Christy, tentando não se mostrar muito surpresa.

— Pois é, tenho que ir a San Diego promover uma convenção de clientes. Já devia ter ido, mas com a vinda dos australianos, tive que adiar.

— A que horas sai seu avião, Mark? Será que podemos ir juntos para o aeroporto? — perguntou tia Martha.

— Oh, sim, papai, vamos! — exclamou Carol.

— Sinto muito, mas não vai dar. Terei que passar antes na firma para resolver alguns problemas.

Christy sentiu que aquela explicação era mais para ela do que para Carol ou tia Martha. Será que eles dois nunca mais conversariam abertamente? Será que dali por diante se comunicariam através das outras pessoas? Como seria a vida deles naqueles poucos meses que restavam para terminar o contrato? Talvez Mark passasse o resto do tempo viajando, quem sabe.

Poucos minutos mais tarde, ele parou na porta e colocou a maleta no chão.

— Você está sendo maravilhosa em levar Carol para passear, Martha — disse ele, beijando-a. — Estou certo que Christy vai aproveitar esses dias para descansar bastante.

Tia Martha subiu discretamente, para deixar a família mais à vontade para se despedir. Mark abraçou Carol.

— Adeus, queridinha. Vou sentir saudades.

Ele levantou-se e olhou para Christy.

— Boa viagem — disse ela.

Parecia que ele ia falar algo, mas de repente virou e saiu.

Christy subiu para terminar de arrumar a bagagem de Carol, Tentava não pensar em nada. Aquele não era o momento para chorar.

Um pouco mais tarde, enquanto levava tia Martha e Carol para o aeroporto, pensava como tinha sido louca se envolvendo e envolvendo Mark num plano absurdo! Como tinha sido irresponsável!

Finalmente chegaram ao aeroporto. Depois de pegarem as fichas de embarque, Christy ouviu Carol conversando baixinho com tia Martha:

— Agora, tia Martha, agora?

— Não, meu bem. Temos ainda cinco minutos até chegar ao avião.

— Não, tia Martha. Não estou falando disso. A senhora sabe!

— Ah, claro. Meu Deus, quase ia me esquecendo! — Martha abriu a bolsa.

— Mas eu não esqueci — disse Carol impaciente, enquanto Martha procurava algo na bolsa até tirar uma caixinha. Carol pegou e entregou a Christy. — Comprei um presente ontem quando fomos às compras.

Christy, surpresa, ficou parada e muda.

— Como é? — disse Carol. — Não vai abrir?

Christy desamarrou o laço, tirou o papel e quando abriu a caixa viu um chocalho.

— É para o meu irmãozinho! — exclamou Carol.

— Oh, Carol! — Os olhos de Christy ficaram cheios de lágrimas.

— Você não gostou? — perguntou a menina.

— É claro, meu bem, adorei o presente — disse, dando um beijo em Carol.

Carol não retribuiu, mas Christy não se espantou. Já tinha sido um grande passo ela permitir que Christy a beijasse.

Sentiu-se oprimida pelo silêncio quando voltou para casa. Mark não estava mais lá, mas havia um pouco dele no ar, no jornal sobre a mesa, no toco de cigarro no cinzeiro. Sentindo que a solidão poderia levá-la ao desespero a qualquer momento, correu para a cozinha, ligou o radinho e começou a limpar a geladeira, o fogão, como se assim afastasse os pensamentos.

Quando a cozinha ficou brilhando, Christy desligou o rádio e foi para a sala à procura de um livro que a distraísse. Mas não era de livros que precisava naquele dia. Queria conversar, queria conversar com.Mark... Dizer-lhe que o amava e que era uma pessoa que errara, sim, mas que tinha sentimentos e que queria ficar com ele para sempre naquela casa. Com ele e com o bebê...

A casa parecia silenciosa demais, vazia demais para ela. Tinha que fugir dali; ir para outro lugar... Para a casa de praia de Ryan!

Ryan devia estar na escola ainda. Pegou a bolsa e foi quase correndo para lá. Encontrou-o no escritório, arrumando uns papéis.

— Christy, boneca! Bem-vinda ao caos!

— Que confusão é esta, Ryan?

— Estou tentando arrumar as coisas para o novo diretor. Posso convidá-la para tomar um refrigerante, um café, ou quem sabe comer um sanduíche?

— Ate que um sanduíche não seria nada mal. Esqueci de almoçar, hoje.

— Está com algum problema, Christy?

— Nada de muito sério, Ryan. Queria saber se você vai usar sua casa de praia esta semana. Todo mundo viajou e pensei que talvez fosse bom eu sair de casa para descansar um pouco.

— Para onde Mark foi? — quis saber Ryan. — Para a Austrália?

— Não, ele não foi para a Austrália — respondeu Christy, com cuidado para não prolongar aquele assunto. — Foi para San Diego preparar uma convenção. Então, como é? Está disposto a me alugar sua casa de praia ou não?

— Pode ir para lá a hora que quiser e eu não cobrarei nada por isso. Christy, acho que você está precisando descansar, mesmo. Quando pretende ir?

— Por mim, iria neste instante, mas tenho que arrumar algumas coisas em casa antes. Provavelmente vou amanhã logo cedo.

— Pretende ir dirigindo?

— Sim.

— Então telefonarei para a sra. Baxter. Ela mora encostado na minha casa e toma conta de tudo para mim. O marido dela apanha madeira para a lareira sempre que esfria. — Ele tirou uma chave do chaveiro. — Tome cuidado, boneca.



— Obrigado, amigão — disse ela, beijando o rosto bonito dele.

Ryan a abraçou com carinho e Christy achou melhor ir embora naquele minuto, antes que se deixasse dominar pelo calor do corpo dele.

Mal tinha aberto a porta da casa quando o telefone tocou.

— Christy? Mark está? — Era Darcy.

Christy explicou que Mark tinha viajado.

— Bem, então peça para ele me ligar assim que chegar. É muito importante. Acho que ele já lhe contou das nossas novidades — continuou Darcy. — Espero que não seja muito duro para você, agora que está grávida. Bom, mas quem teve a ideia foi você, não é? E, afinal, já conseguiu tudo o que queria.

Darcy desligou o telefone e Christy não saberia dizer se haviam se despedido. Então ela sabia de tudo. Mark devia ter contado a Darcy sobre o contrato dos dois. Darcy estava certa. Não poderia estar ofendida nem humilhada por saber que os dois estavam pensando em voltar. Mas esperava que Mark fosse elegante o suficiente para deixar o prazo do contrato deles terminar, antes de voltar para a antiga mulher...

Ela não iria deixar que aquilo acontecesse. Não daria o gostinho de ver Mark lhe dizendo que queria terminar tudo antes do prazo. Não! Ela terminaria antes. Ia se encontrar com Beth e Richard e diria tudo a eles. Quando o bebê nascesse, ela o deixaria com Beth e voltaria para Nova York!

Tinha que sair daquela casa antes que Mark voltasse, assim teria ainda uma semana para arrumar todas as suas coisas e deixar a casa em ordem. Deixaria para ele um bilhete rompendo o contrato. Não escreveria muito. Nem usaria palavras sentimentais.

Ligou para a casa de Beth, para saber se podia ficar lá com eles, uns dias. O telefone tocou muitas vezes, mas ninguém respondeu. Telefonaria mais tarde. Enquanto isso, tinha muita coisa a fazer. De repente, a campainha tocou. Era Sam Douglas.

— Felizmente encontrei-a em casa! — disse ele abraçando-a com o mesmo carinho de sempre.

— Ora, Sam, pensei que estivesse em San Diego com Mark — falou Christy, dando sinal para que ele entrasse.

— Não, senhora, não fui para lá. — Ele a fitou um instante em silêncio e depois disse: — Prepare-se para ouvir uma grande notícia!

— Conte logo, Sam. Você parece prestes a explodir de contentamento. Quer um licor?

— Não, obrigado. Pode ir fazendo as malas, garota! Daqui a dois meses vocês irão para a Alemanha!

— Alemanha, Sam? — perguntou Christy. — Mas do que você está falando?

— Aqueles investidores alemães que estiveram aqui a semana passada resolveram investir em nossos negócios na Alemanha e querem que Mark vá para lá ser o diretor geral. O salário que eles ofereceram é mil vezes melhor do que o da Austrália. E os alemães também vão comprar todo o maquinário de que precisarem na Douglas Enterprises!

— Quando você ficou sabendo disso? — perguntou Christy, completamente confusa com aquela novidade.

— Strauss me telefonou não faz ainda uma hora e quer que Mark e eu estejamos nos escritórios de Frankfurt a semana que vem para assinarmos o contrato definitivo. Isso merece uma comemoração, você não acha? Depois daquele fiasco com os australianos, eu não poderia esperar uma coisa dessas!

— É mesmo, ninguém poderia!

— Os alemães ficaram muito impressionados com você e Mark. Strauss me falou por telefone que vocês dois formam um par maravilhoso. E, querida, ele disse também que você é uma anfitriã perfeita. Provavelmente você pesou muito na balança quando eles decidiram escolher Mark!

— Não venha me dizer que o fato de Mark ser casado influenciou muito na decisão deles!

— Não, talvez não. Mas eles consideraram você a perfeita mulher de um homem de negócios. Não é importante que um homem seja casado para saber negociar direito. Eu, por exemplo, nunca exijo isso dos meus empregados. Mas se for casado, deve ser com uma mulher que colabore com ele.

— Não exige? — Christy perguntou mais confusa do que nunca.

— Claro que não! Não me venha dizer que Mark usou dessa mentira para conseguir que você casasse com ele mais depressa!

Christy tremia. Durante todos aqueles meses pensava que pelo menos estava ajudando Mark a manter seu emprego e conseguir a promoção. Mas aquilo tudo não era verdade. Por que Mark tinha mentido para ela? Por que quis casar, se não precisava? Será que fora só para magoar Darcy?

Pegou um cálice de licor, mas tremia tanto que teve que segurá-lo com as duas mãos. Sam continuava a falar, mas ela não ouvia.

— Desculpe, Sam. O que você disse?

— Disse que deveríamos telefonar para Mark e contar-lhe as novidades. — Sam esperou que ela tomasse alguma atitude, mas Christy não se moveu. Será que Mark ficaria feliz com aquela notícia, quando soubesse que os alemães esperavam que ela o acompanhasse para a Alemanha?

— Como é? Vamos ou não vamos telefonar? — perguntou Sam.

— Sim. Não. Quer dizer, acho que você é que deve contar, Sam.

— Você está se sentindo bem, Christy, querida? — perguntou ele, percebendo pela primeira vez o quanto ela estava pálida e trêmula.

— Oh, sim. Você sabe como é uma mulher grávida, não? Só um mal-estar passageiro, só isso.

— Não, não sei como é uma mulher grávida. Fui louco em vir dar essa notícia para você, assim, de supetão. O certo teria sido Mark contar-lhe tudo com calma, mas, poxa vida, ela não sabe de nada ainda!

— Mark o considera como um pai, Sam. Acho que você deve contar a novidade a ele!

— Então está bem. Vou ligar para ele do hotel. Não, não, não se levante. Quero que deite aí no sofá e descanse um pouco. Você está muito pálida para o meu gosto. Quer que eu vá buscar uma aspirina?

— Não, Sam. Estou bem.

Assim que Sam fechou a porta, Christy levantou e começou a arrumar suas coisas. Tinha que ir embora imediatamente. Arrumaria tudo, deixaria um bilhete para Mark, levaria a chave da casa para Ryan e depois iria embora de uma vez por todas. Mas antes precisava telefonar para Beth.

Pegou o telefone e ligou para a irmã.

— Christy, querida! Eu ia mesmo ligar para você! — exclamou Beth. parecendo muito feliz. — Oh, Chris, você não sabe o que me aconteceu! Vou ter gêmeos!

— Gêmeos? O que foi que disse? — Christy estava atordoada.

Beth riu do outro lado da linha.

— Não eu, sua louca. Vamos adotá-los. Acabamos de assinar todos os papéis ainda não faz uma hora. Aconteceu tudo tão depressa que eu ainda estou até meio zonza.

— Conte-me tudo — ela pediu, sentindo que poderia desmaiar de um instante para o outro.

— Uma das alunas de Richard ficou grávida. Ela não queria a gravidez e nem contou para o pai da criança, pois ainda está no primeiro ano e quer continuar estudando. Ela foi até um centro de adoção, mas quando a examinaram e viram que teria gêmeos, acharam melhor não aceitar as crianças. A garota ficou desesperada e contou para Richard tudo o que estava acontecendo. Acho que você pode imaginar o resto. Oh, meu Deus, nem consigo acreditar na nossa sorte!

— E quando vai ser o nascimento, Beth?

Para daqui à dois meses, mas como gêmeos costumam nascer antes do prazo, pode ser que aconteça a qualquer momento. Estou tão feliz!

— Oh, Beth... — Christy não pôde continuar falando.

— Eu sei, querida, você também está feliz. Agora, imagine eu! Não vejo a hora que eles nasçam! Você virá passar alguns dias conosco, não é? Seria maravilhoso!

— É claro. Vou para sua casa assim que você precisar de mim.

Despediram-se com dificuldade. Christy estava muito mal



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