Amor com Hora Marcada Contract for marriage



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CAPÍTULO XXIV

Colocou o fone no gancho e sentiu a cabeça girar. A princípio, achou que estava no fundo do poço: era uma mulher não-amada, carregando um filho que não tinha mais razão de ser. Mas afinal compreendeu o que significava a notícia que Beth havia lhe dado: agora poderia ficar com seu bebê.

Passou os braços em volta do corpo como se pudesse abraçar seu filho, depois saiu andando pela casa, deixando que a realidade penetrasse em todos os poros do seu corpo.

Seria capaz de agir como pai e mãe? Oh, Mark! Algum dia conseguiria superar a dor de amar um homem que não a amava? A melhor época de sua vida tinha sido no começo do casamento quando, deitada nos braços de Mark, fingia para si mesma que se amariam para sempre. Agora, sentia-se desamparada. Meu Deus, o que faria?

Christy caminhou pela sala. Parou na frente do piano e dedilhou algumas canções, mas ficou ainda mais triste. Horas depois, cansada demais para subir as escadas para o quarto, deitou no sofá, mas seu corpo todo continuou tenso. Dormiu quando já estava amanhecendo, vencida pelo cansaço.

Christy acordou quase nove e meia da manhã, morrendo de frio. A sala estava escura e lá fora havia um intenso nevoeiro. Respirou fundo várias vezes como se o ar frio fosse capaz de cicatrizar sua alma. Depois esticou o corpo e levantou. O espelho mostrou as olheiras profundas e o rosto cansado.

Tomou banho e vestiu uma jardineira de lã, bem larga, e um suéter. Tinha que empacotar suas coisas. Foi ate a garagem, pegou algumas caixas de papelão e guardou seus livros e partituras, depois fechou-as e marcou seu nome.

Precisava telefonar para alguma empresa de transportes, mas faria isso depois. Agora tinha que ir embora daquela casa. Ali não conseguia raciocinar. Passaria alguns dias na casa de praia de Ryan, depois voltaria para acabar de guardar tudo. Mark ficaria em San Diego no mínimo uma semana, talvez duas. A convenção ainda nem tinha começado.

Talvez a imensidão do oceano a ajudasse a pensar numa solução para seus problemas. Meu Deus, em que confusão tinha se metido. Havia planejado tudo com tanto cuidado, achava que estava completa-mente segura de si e que tinha absoluto controle sobre seus sentimentos! Mas agora, no final de tudo, sentia-se fraca, indefesa e aterrorizada.

Já era quase meio-dia quando acabou de arrumar uma mala e pegou a bolsa e as chaves do carro. O tanque de gasolina estava quase vazio. Quando encostou no posto, saía fumaça do radiador. O rapaz que a atendeu informou que tinha quebrado uma peça e que levaria mais ou menos duas horas para trocá-la.

Christy resolveu ver vitrines para passar o tempo. Finalmente, três horas depois o carro ficou pronto, e ela partiu. Olhou seu relógio desanimada. Se aquele nevoeiro não se dissipasse, levaria uma eternidade para chegar ao litoral. Queria chegar a tempo de dar um longo passeio pela praia.

Finalmente, depois de fazer uma longa curva, o nevoeiro sumiu de repente, revelando o oceano azul-turquesa sob um céu cinzento. Ondas imensas o revolviam e as águas batiam nas pedras, lá embaixo.

Christy parou o carro, desceu e caminhou para ver mais de perto. Um vento forte despenteava seus cabelos e queimava seu rosto pálido, secando as lágrimas que corriam. Foi chegando perigosamente perto do penhasco.

De repente parou. O que estava fazendo? Para onde ia? Era a morte que procurava? Não tinha esse direito! Levava um filho na barriga, o filho do homem que amava, um filho que tinha o direito de nascer e ser feliz! Precisava voltar. Precisava continuar vivendo!

Ligou o carro e dirigiu devagar pelas praias até encontrar a casa de Ryan.

Saia fumaça da chaminé. Na certa a vizinha deixou tudo arrumado para a sua chegada, como Ryan pediu, ela pensou. Entrou na sala espaçosa. O fogo ardia na lareira, iluminando um sofá de couro, muito confortável. Perto dele havia uma estante cheia de partituras ao lado de um violoncelo.

De repente ouviu um barulho estranho.

— Por que demorou tanto? — perguntou uma voz masculina.

Uma cabeça ruiva surgiu de uma poltrona de couro que estava virada para a lareira. Era Mark! Mas como ele poderia estar ali? Não devia estar em San Diego numa hora daquelas?

— Mark, é você mesmo?

— Cheguei esta manhã — ele esclareceu, numa voz calma.

— Veio por causa do contrato com os alemães? — ela perguntou, ainda meio atônita.

— Não. Vim por sua causa, Christy. — Ele se levantou e foi para perto dela.

— Oh, Mark, me abrace! Por favor, simplesmente me abrace!

Mark a abraçou de leve.

— Você imagina há quanto tempo espero que me peça isso? — ele confessou, beijando os cabelos dela.

— Por que você veio? — Christy insistiu. Mas sabia a resposta. Ele tinha voltado por causa do contrato. Mark era honesto demais para abandoná-la antes do prazo. — Não precisa responder, Mark. Voltou por causa do nosso contrato que ainda não acabou, não é mesmo?

— Oh, Christy, você e esse seu contrato! — Ele a segurou pelos ombros, forçando-a a olhá-lo nos olhos. — Oh, minha querida, será que ainda não deu para você perceber? Eu a amo! Casei com você porque estava terrivelmente apaixonado! Foi por isso que inventei aquela história de Sam Douglas, de que precisava de uma mulher. Na realidade, eu queria era você, Christy.

Ela não sabia o que pensar. Se aquilo que Mark tinha acabado de dizer fosse verdade, havia encontrado o paraíso! Ele a abraçou novamente.

— Pensei que você amava Darcy, e que tinha planejado voltar para ela!

— Mas por que foi pensar uma coisa dessas, querida?

— A mim parecia óbvio. Ela é muito mais elegante e bonita do que eu. Quando fazíamos amor, pensava que você queria que ela estivesse no meu lugar!

— Ora, querida, deixei de amar Darcy quando ela ficou grávida. Darcy não queria a criança, e fui eu quem não permitiu que fizesse o aborto. Mesmo quando Carol nasceu, eu não conseguia mais sentir nada por aquela mulher. Quando Darcy se envolveu com outro homem, eu nem me importei... Darcy é bonita e elegante, sei disso. Mas ela usa a beleza só para conseguir o que quer. E só existe uma coisa na vida dela: o palco. Ela quer aparecer, brilhar!

— Você devia ter me contado isso antes, Mark!

— E como poderia? Você estava alucinada por aquele contrato maluco!

Mark a beijou apaixonadamente.

Aquele beijo tinha o estranho poder de acabar com toda a mágoa, todo o sofrimento e desespero que Christy estava sentindo até encontrá-lo.

Ele a levou para o sofá e a beijou novamente atrás da orelha.

— Adoro quando você me beija aí, Mark querido!

— Verdade? Bem, você tem uma forma estranha de mostrar isso, menina. Nunca falou que gostava dos meus carinhos. Hoje é a primeira vez!

Christy concordou.

— Tinha vergonha. Tinha medo, Mark. Devido ao contrato, achava que só podia conversar com você a respeito do jantar ou do preço das coisas que comprava no supermercado. Era tão terrível levar a vida assim!

— Esses últimos tempos, quando nós nem nos tocávamos, você não pode imaginar o quanto morria de desejo por você, minha querida.

Uma sombra de tristeza passou pelos olhos de Christy.

— Não sei se isso é verdade, Mark. Afinal, você deve ter extravasado todos os seus desejos nos encontros que tinha com Darcy...

— Imaginei que pensasse isso, e deixei. Não é uma coisa muito bonita de se fazer, mas queria que sentisse ciúme, pois eu morria de ciúme de você ser tão ligada a Ryan.

— Ah! Muito bonito, não é. sr. Brandon? — disse ela sorrindo, mas bastante aliviada.

— Darcy e eu nos encontramos para conversar sobre certos problemas legais. Ela assinou contrato com uma grande companhia teatral e vai me dar a custódia de Carol.

— Oh, Mark, que maravilha! — Ela o beijou, alegre, finalmente entendendo a que contrato Darcy se referia, quando falou com ela no telefone. De repente, se lembrou: — Mas uma coisa você ainda não me contou. Como veio parar aqui, na casa de Ryan?

— Isso é fácil de responder, querida. Sam me telefonou ontem à noite para contar sobre os alemães e dizer que tinha achado você muito pálida. Ele estava preocupado. Fiquei desesperado em San Diego, mas como tinha uma reunião ontem às nove da noite, só pude voltar esta manhã. Quando cheguei em casa por volta do meio-dia e não a encontrei, fiquei quase louco. Aqueles montes de caixas me assustaram muito. Sam não sabia para onde você tinha ido. Foi naquele momento que achei que talvez Ryan soubesse do seu paradeiro.

— Você falou com ele?

— Sim, e Ryan além de me dar a chave, disse que eu devia me preocupar mais com você, pois ele tinha certeza que você me amava... Mas eu só vou acreditar nisso se me disser pessoalmente, olhando bem nos meus olhos...

Christy o encarou.

— Amo você, Mark Brandon. Acho que o amo desde quando o vi. Não sei como você não percebeu. — Ela pegou a mão dele e colocou sobre a barriga, para que Mark sentisse o bebê se movimentando. Tomando coragem, ela falou: — Beth vai adotar duas crianças, e o nosso bebê ficará conosco. Você nem pode imaginar o quanto me atormentava a ideia de dar o nosso filhinho...

— É verdade, Christy, você queria mesmo ficar com ele? Que maravilha! Sofri tanto por causa disso...

— Será que vai ser fácil você me perdoar?

— Sim, querida, será muito fácil pois o amor que nos une é mais forte do que qualquer outra coisa.

Sorriram e se abraçaram forte. Agora Christy sabia que tinha deixado para sempre as atitudes calculistas, aquela sua mania de planejar tudo com antecedência, como se a vida fosse só razão, e não sobrasse nem um lugarzinho para os sentimentos... A tragédia com o pequeno Davy era coisa do passado, uma lembrança amarga, mas que não a impediria mais de continuar sua vida. Uma nova vida!. Iriam morar na Alemanha? Continuaria a tocar piano? Christy não sabia o que poderia acontecer no futuro. Só de uma coisa estava certa: amava Mark apaixonadamente. E junto com ele, com Carol e com o filhinho que esperava, formaria uma verdadeira família. Agora tudo daria certo!



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