Amor com Hora Marcada Contract for marriage



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CAPÍTULO V

Dias depois, Christy acordou intrigada. Parecia ter sonhado a noite inteira com o número oito. Mas por que oito?

já completamente acordada entendeu o porquê do sonho. Dentro de oito dias ela e Mark teriam que arrumar as malas, casar e viajar quase mil quilômetros até San Felipe. Já tinha acertado todos os planos, mas até aquele momento ela não havia contado para a família que ia casar.

Covarde!, disse a si mesma. Por acaso deixando o tempo passar a decisão vai parecer menos repentina?

Felizmente, Mark era melhor ator do que ela. Tratava-a de um jeito tão carinhoso desde que resolveram casar, que todos acreditavam que estavam apaixonados.

Mas, mesmo assim, precisava arranjar muita coragem para anunciar o casamento para sua família naquele dia. Como Mark desejava sumir o escritório de San Felipe no primeiro dia do ano e queria estar lá uma semana antes, iam casar no dia vinte e quatro de dezembro ao meio-dia.

O Natal seria dali a uma semana. Um Natal sem Davy... Davy com os olhinhos brilhantes observando encantado a árvore toda enfeitada... Davy montado em seu cavalinho de pau num suave abandono... Davy! Se ela sentia tanta falta dele, o que não estariam sentindo Beth e Richard? A ausência de Davy seria mais dolorida quando viesse o Natal... Christy rezou para que seu casamento conseguisse minimizar um pouco a tristeza de Beth e de seu cunhado.

Ela e Beth iriam almoçar com tia Martha num pequeno restaurante naquele dia, e Christy ia aproveitar para falar do casamento com as duas.

Vestiu uma saia jeans e uma camisa azul. Olhando-se no espelho antes de sair, se achou tensa, nervosa.

Com certeza, elas dirão que estou nervosa como todas as noivas às vésperas do casamento, pensou. Mal sabem que eu absolutamente não sou uma noiva como as outras, pois meu casamento não será como os outros.

O restaurante era muito pequeno e acolhedor. Havia plantas por todo lugar e, em alguns cantos, esculturas antigas, que davam um ar romântico. As toalhas das mesas eram de renda.

É tudo romântico demais para o meu gosto, pensou Christy. Depois que fizeram os pedidos ao garçom, ela cruzou as mãos sobre a mesa e falou, nervosa:

— Tenho novidades. O que diriam se eu anunciasse neste momento que Mark e eu vamos casar daqui a uma semana?

Beth e tia Martha deram gritinhos e levantaram para abraçá-la.

— Oh, Chris! Estou tão feliz por você! — Beth exclamou com os olhos brilhando.

Tia Martha a olhava com um sorriso doce. Seus lábios começaram a tremer um pouco, mas conseguiu controlar. Não ia ficar bem em público.

— Querida, isso c simplesmente maravilhoso! Vocês vão casar na véspera do Natal! Fico tão feliz por ter apresentado os dois! Você será uma noiva lindíssima! Iremos até Leon para escolher seu vestido!

— Acho melhor a senhora se conter, titia. Mark e eu queremos tudo muito simples. — E Christy explicou a tia Martha e a Beth o plano dos dois para o casamento.

— Oh, não — protestou Beth. — No cartório, não. É um lugar frio, horrível!

— É que nós queremos tudo muito simples — insistiu Christy.

Gostaria de ver a cara que as duas fariam se soubessem que aquele casamento estava programado para durar apenas um ano. Precisava tomar cuidado para que tia Martha e Beth não resolvessem passar por cima de sua decisão e programar mil comemorações.

Não queria que tivessem trabalho, já que tudo aquilo não significaria nada nem para ela e nem para Mark.

— Acho bobagem esses planos que você e Mark fizeram — disse tia Martha, animada. — Você nem imagina que casamento interessante a gente pode preparar em apenas uma semana, minha filha!

— Mas Beth não está em condições emocionais para se preocupar com recepções de casamento, titia. E além do mais, agora é impossível mandar convites para a cerimônia. Só falta uma semana!

— Ora, Christy, a gente usa o telefone!

Christy olhou para Beth, pedindo com os olhos para que ela a tirasse daquela situação. Mas Beth parecia tão animada quanto tia Martha.

— Seria ótimo uma cerimônia mais completa, Chris. E, para falar a verdade, estou estranhando sua atitude. Você sempre foi tradicional e ninguém sabe melhor do que eu o quanto gosta de fazer tudo direito, nos mínimos detalhes. Estou achando difícil entender por que não quer uma festa, como qualquer noiva!

Christy ficou estarrecida com Beth. Até aquele dia sua irmã tinha vivido numa tristeza tão grande que era surpreendente que ficasse animada com a ideia do casamento.

— Mas, pessoal, hoje em dia temos que ser práticos! — disse, tentando convencer a irmã e a tia. — Acho que uma cerimônia mais complicada só daria trabalho para a gente!

— Práticos! E quem quer ser prático numa hora dessas, menina? — falou tia Martha.

— Oh, Christy, você nem imagina o que significa para mim saber que vai casar com alguém tão fino como Mark! Por favor, não estrague nosso entusiasmo! Deixe a gente fazer um casamento bem bonito para vocês dois! — Os olhos de Beth brilhavam.'

Enfim, foi Beth, e não tia Martha, quem conseguiu mudar a opinião de Christy. Faria tudo para ver sua irmã feliz.

Combinaram que a cerimônia seria na capela da universidade, apenas para os familiares e algumas pessoas amigas. Mais tarde, eles iriam a uma pequena recepção no apartamento de tia Martha.

Christy achou que não ia ser muito difícil fingir-se de noiva feliz para umas doze pessoas apenas. O único problema era que precisava contar para Mark a mudança de planos. O que ele diria? Será que concordaria em casar na igreja? Será que não se importaria de participar da pequena recepção na casa de tia Martha?

Mark acabou de sair de uma reunião com Sam Douglas e foi para a casa de Christy, naquela noite. Estava todo entusiasmado com seu novo trabalho, mas Christy não conseguia prestar atenção no que ele talava. Só pensava em como ia contar as novidades com calma, sem se afobar.

Bebeu um vinho branco, mas não desceu bem. Colocou o cálice sobre a mesa de café e com muito esforço contou indo o que havia conversado com Beth e tia Martha.

— Não consegui falar não para Beth. Ela parecia tão entusiasmada, Mark.

— Não se preocupe. Um pouco de festa não faz mal a ninguém. Além do mais, as estatísticas mostram que quem casa no religioso tem mais chances de permanecer casado.

Mark devia estar tentando brincar com ela. Christy bebeu mais um gole de vinho e, desta vez, adorou.

Depois daquela conversa, ficou mais calma. Nos dias seguintes, tratou de todos os preparativos sem ficar nervosa ou angustiada. Uma vez se pegou pronunciando seu nome com o sobrenome de Mark: Christy Brandon. Achou que soava bem, ficava mais coerente, mais doce, muito diferente de Christy Steele, que soava rígido, seco.

Chovia muito na manhã do casamento. Christy ficou na janela do quarto observando a torre do campanário da capela, onde dali a algumas horas sua vida tomaria outro rumo. O céu estava cinza e feio.

Começou a sentir um vago tremor. Desde o acidente, não conseguia se manter tranquila quando chovia...

Acalme-se, disse a si mesma. Você está fazendo o impossível para reparar o mal que causou a Beth e Richard. Por que está tensa desse jeito?

Ela sabia a resposta. Nunca deveria ter aceito a proposta de casar com, Mark. Aquilo não tinha sido honesto. O certo seria ter um caso com alguém e ter a criança sozinha. Mas, ao invés disso, ia casar no religioso e diria "sim" a um homem que mal conhecia.

No dia anterior, tinha dado o contrato para Mark. Havia datilografado o documento num papel de boa qualidade e assinado embaixo. Mark simplesmente deu uma olhada e guardou-o no bolso, como se fosse um contrato qualquer.

— Não era preciso ter me dado isso, você sabe — disse ele.

Christy pareceu um tanto embaraçada.

— Confio em você — concluiu Mark.

Ainda bem, pensou ela. Era preciso existir muita confiança entre os dois para que o acordo desse certo. Afinal de contas, só o acordo era real e não aquela comédia que representariam logo mais ao meio-dia.

Apesar de todo o esforço que fez para que tudo naquele dia seguisse segundo seus planos, Christy linha a impressão de que algo não corria bem. Estava passando seu vestido quando o ferro enguiçou e ela se viu obrigada a pedir um emprestado para o vizinho. O telefone não parava de tocar! Eram os alunos de Richard querendo confirmar quando seria a excursão que tinham programado.

Depois de atender vários telefonemas, Beth resolveu tirar o fone do gancho. Estava com uma porção de coisas para fazer e não podia perder tempo atendendo telefonemas de alunos.

Ficou surpresa com a atitude da irmã, quando lhe contou sobre o telefone. Nunca a tinha visto tão irritada.

— Quer um calmante, Beth? Você me parece irritada.

— Não é irritação, Chris. Estou muito excitada com o casamento, só isso. Não vejo a hora de irmos para a capela!

O tom de voz de Beth deixou Christy mais sossegada. Era bom que ela se envolvesse com o casamento, pois assim não pensaria na dor que sentia por ter perdido o filhinho.

Como ainda faltavam algumas horas para o meio-dia e Christy simplesmente não tinha nada para fazer, arrumou e desarrumou sua mala uma dúzia de vezes. Depois resolveu limpar o quarto que já estava limpo e lustrar os móveis que também estavam brilhando.

Tinha decidido usar um vestido longo bem simples para a cerimônia. Era creme e não tinha nenhum detalhe, só o tecido era muito bonito. Talvez fosse um pouco tradicional, mas servia perfeitamente para o casamento na capela. Ela mesma formou seu buquê no jardim da casa. Escolheu algumas flores silvestres brancas, que levaria junto com o livro de orações.

Quando Christy, Beth e Richard estavam prontos para sair, a chuva aumentou mais ainda. Colocaram as capas e Richard guiou até a capela, que ficava perto. Para alívio de Christy, o estacionamento estava completamente vazio, ninguém tinha chegado ainda. Aquilo era muito bom, pois teria mais alguns minutos para tentar se acalmar, Ela estava tensa, agitada.

Um vento cortante quase derrubou seus guarda-chuvas quando correram para a capela. Richard tentou abrir as portas, mas elas estavam trancadas. Ele saiu para procurar alguém e Christy e Beth se encostaram para se abrigar do vento e da chuva.

A tempestade, a porta fechada... Isso é um aviso, pensou Christy. Volte para casa que será melhor para você!

As duas já estavam cansadas de se esconder da chuva, segurando os vestidos longos, quando Richard apareceu com um outro homem que não parecia de muito bom humor.

— O vigia está doente e eu o estou substituindo. Ninguém me avisou que teríamos um casamento agora — disse o homem, que vestia uma capa preta de oleado. Ele pegou uma chave do bolso e abriu a porta. — Entrem. — Depois que os três entraram ele foi embora novamente, sem mais nenhuma palavra.

A capela parecia uma geladeira. Richard encontrou um aquecedor e tentou fazê-lo funcionar.

— Se isso aqui não funcionar, Mark vai casar com uma noiva de gelo — disse ele.

Christy e Beth forçaram uma risada e caminharam em direção a um pequeno espelho para arrumar os cabelos, depois foram até Richard, que já estava sentado no banco da frente.

A capela não tinha capacidade para mais de cem pessoas, mas sentados sozinhos ali, no meio do silêncio e do frio, pareciam estar numa imensa e antiga catedral gótica. Uma luz fraca entrava pelos vitrais coloridos da capela.

Christy desejou ter contratado um organista. Um pouco de música seria agradável e daria mais realidade àquela comédia. Mas afinal, que importância tinha aquilo tudo? O que adiantava torná-la mais ou menos irreal? Na verdade, a única coisa que realmente importava era o pacto que fizera com Mark de dar um filho para Beth.

— Onde será que os outros se meteram? — perguntou Beth a Richard.

— Não sei, mas não se preocupe. Christy não será a primeira noiva a ser abandonada na igreja. — Ele disse, rindo.

— Richard! — Beth exclamou assustada.

Christy riu. Bem no fundo do coração, sentiu que ate seria bom se aquilo acontecesse.

De repente, o homem de capa preta entrou na capela trazendo um papel meio respingado de chuva.

— Seu sobrenome é Steele, senhorita?

— Sim — respondeu Christy.

— Acabei de encontrar esse bilhete na escrivaninha do vigia — disse o homem entregando o papel e saindo novamente sem uma palavra.

Christy leu em voz alta:

— O capelão Bennet sofreu um pequeno acidente de carro, sem gravidade. A cerimônia de casamento atrasará uma hora.

E logo abaixo daquelas palavras vinha uma lista de nomes das pessoas que tinham sido avisadas sobre o atraso.

— É que deixamos o telefone fora do gancho — murmurou Richard. — Tentaram nos avisar, mas o telefone só devia dar sinal de ocupado.

— A recepção! Vai atrasar tudo! — Beth se alarmou, olhando para Richard com desespero.

Christy estava nervosa. Simplesmente detestava quando alguma coisa fugia ao seu controle. Era horrível não poder fazer nada para minimizar aqueles momentos de espera!

Richard levantou e foi tentar ligar novamente o aquecedor. Beth, por sua vez, caiu num silêncio preocupado e tenso. Aquele pesadelo já estava se tornando insuportável!

Se ansiedade matasse, Christy já estaria morta. Tudo parecia estar dando errado, tudo parecia estar contra ela e seus planos!

Mas de repente ouviu que alguém entrava: era o capelão. Em seguida entrou tia Martha, toda elegante de lilás. Atrás dela apareceram dois casais que deviam ser amigos de Mark: o homem alto. com uma barba muito elegante, só podia ser Sam Douglas, o patrão.

Um pouco depois, Mark entrou na capela com Carol e a levou para sentar ao lado de tia Martha.

Mark parecia muito sério e compenetrado. Talvez lembrasse do seu primeiro casamento, ou talvez simplesmente estivesse tão ansioso como Christy, sem saber direito como atuar naquela comédia onde os dois eram os atores principais. Seus olhos se encontraram brevemente e ele sorriu.

Carol fugiu de tia Martha c correu para Mark.

— Quero voltar para casa! — pediu a menina.

— Fique aqui comigo, querida — disse tia Martha indo atrás tela — Vou lhe dar uma bala.

Carol foi até tia Manha, mas fez com que Mark a acompanhasse e sentasse a seu lado.

Pegou a bala da mão de tia Manha, colocou-a na boca e se espremeu o mais que pôde ao lado de Mark. De repente, ela apertou o estômago e Christy, que a observava, percebeu que o rostinho de Carol ficou pálido, sem cor.

O que essa criança está tramando para sabotar meu casamento?, ela pensou.

Os olhos de Carol estavam cheios de lágrimas. Ela devia estar sentindo alguma dor. Imediatamente Christy levantou, foi até lá e levou-a ao banheiro, no vestíbulo da capela. Mark também levantou para acompanhá-las.

Oh, Deus, faça com que cheguemos a tempo, pensou Christy. Se Carol vomitar agora, meu vestido está arruinado.

Quando Beth e tia Martha entraram no banheiro, porém, Carol já havia colocado para fora todo o café da manhã, sem sujar ninguém.

Christy voltou para seu lugar mais tranquila, na esperança de que a cerimônia agora pudesse começar.

O capelão deu início ao ritual com as orações de sempre. Olhava para Christy com tanta intensidade, que ela ficou se perguntando se ele seria capaz de ler seus pensamentos e descobrir que aquilo tudo não passava de uma farsa.

Não me condene, pediu em silêncio. Estou fazendo isso por Davy. Só espero estar agindo acertadamente.

Naquele instante, imaginou como seria maravilhosa aquela cerimônia, se entre Richard e Beth estivesse Davy com seus olhinhos brilhantes e felizes. Lágrimas amargas escorriam pelo seu rosto.

Oh, Davy, eu não queria afastá-lo de seus pais, disse para si mesma; perdoe-me, querido!

A cerimônia seguiu seu curso normal sem incidentes. Mark e Christy trocaram alianças e ele a beijou. Estavam casados.

Receberam os cumprimentos dos convidados, e Carol imediatamente pegou na mão de Mark, não querendo largá-lo.

— Fique tranquila, meu bem. Tia Martha foi telefonar para sua mãe. Alguém levará você para casa, assim que chegarmos na recepção — Mark falava com calma.

Ficaram conversando mais um pouco até que tia Martha chegou.

— Vamos, queridos. Já estamos atrasados — disse, pegando Carol no colo.

A chuva tinha parado, e o sol começava a aparecer, tímido.

— O sol voltou a brilhar. Isso é sinal de sorte —- comentou Sam Douglas, caminhando com Mark e Christy. Ele os levaria em seu Cadillac branco. Os noivos sentaram-se no banco de couro traseiro esperaram um pouco, até que Sam recebesse as instruções de tia Martha. Christy inconscientemente não parava de mexer na aliança que agora usava na mão esquerda.

— Nervosa? — Mark quis saber.

— Um pouco. A cerimônia me cansou. E ainda teremos que aguentar a recepção na casa de tia Martha!

— Não se preocupe. Só ficaremos uma hora ou um pouco mais na festa.

Sam entrou no carro, ligou o motor e partiram pelas alamedas molhadas de chuva. Christy percebeu que o caminho que estavam fazendo não os levaria para o apartamento de tia Martha.

Quando o carro entrou no estacionamento do Oakview Country Club, Sam disse sorrindo:

— Surpresa! Quem disse para vocês que Martha e eu deixaríamos os dois partirem sem uma festa muito bonita? Este casamento vai ficar gravado na memória de vocês para sempre!

CAPÍTULO VI

— Não posso acreditar nisso — Christy sussurrou para Mark, quando entraram no vestíbulo do salão de festas. — Se soubesse dessa surpresa, teria impedido tudo.

Mark a olhou sem dizer nada e Christy achou que ele não acreditava.

Foi naquele instante que viu Darcy e Carol, juntas. Darcy caminhou na direção deles, com a filha pela mão.

Por um segundo Mark e sua ex-mulher se olharam atentamente e Christy notou que ainda devia existir algum sentimento entre eles.

— Acho que vocês duas já se conhecem dos tempos do colégio, não é mesmo? — disse ele.

— Claro — Christy respondeu, percebendo que Darcy a olhava de cima a baixo.

— Felicidades para vocês dois, meus queridos — Darcy falou com voz de quem estava representando.

— Obrigada — Christy murmurou, achando sua própria voz um tanto sem vida.

Darcy tinha os lábios sensuais, era muito bonita e elegante. Mark devia ter sofrido muito quando ela o abandonou.

— Não poderei ficar na recepção — Darcy avisou para Mark, tocando-o no braço. — Só vim apanhar Carol. Spence ainda está em Nova York e pode ser que ele me telefone.

Carol estava calada, agarrada na saia da mãe. Um tanto pálida, não tirava os olhos hostis de Christy. Parecia dizer: Vê se sai de perto do meu papai. Ele é meu. Não quero você com ele!

Minha querida, eu não vou roubar o seu papai, respondeu mentalmente Christy. Tudo o que está vendo, não passa de uma comédia.

Mark ajoelhou e conversou com Carol:

— Agora você vai para casa com a mamãe, lá tomará um comprimido e logo vai se sentir melhor. Ligo para você mais tarde, meu coração. Seja boazinha com a mamãe, certo?

— Certo, papai.

Depois de se despedir de Darcy. Mark pegou o braço de Christy.

Calma, disse Christy a si mesma. Finja mais um pouco que está feliz, pois logo vocês vão embora.

Mas acabaram ficando mais tempo do que esperavam. A festa estava muito agradável e animada. As pessoas dançavam na pista central ou então ficavam nas mesas, conversando e se divertindo. Os garçons serviam champanhe sem parar. Na mesa principal, forrada por uma toalha de cetim branco, havia um imenso bolo de casamento. Parecia gostoso.

— Mais uma das extravagâncias de Sam Douglas — disse Mark, quando viu o bolo enorme.

— Isso não é coisa só dele, não — replicou Christy. — Tenho certeza que tia Martha deu palpites em tudo nesta festa.

Sam chegou perto deles e os levou para a mesa do pessoal da empresa. Todos fizeram brindes ao casal. Mark agradeceu com muito charme.

Quando os músicos começaram uma valsa, Mark e Christy dançaram. Só os dois ocupavam o centro da pista. Todos os convidados ficaram em volta, admirando.

Enquanto dançavam, Mark falou para Christy:

— Acho que vou lhe prescrever alguns sorrisos. Você está com a cara de quem foi jogada aos leões.

— Como o senhor é observador, dr. Freud — zombou ela. — Mas a verdade é que não sou uma boa atriz.

— Ainda bem — murmurou Mark, colocando o queixo sobre a cabeça dela.

Christy se afastou um pouco para falar:

— Estou preocupada com os seus planos. Nunca chegaremos em San Francisco esta noite.

— Não tem importância. A gente sempre pode mudar os planos — Mark olhou para o rosto sério de Christy. — Vamos, anime-se! Finja que eu sou o Robert Redford!

— Está bem. Vou fingir que estou radiante de felicidade e você faz de conta que está me dizendo coisas maravilhosas ao, ouvido.

Mark dançava muito bem e Christy gostava de homens que sabiam dançar, pois ela era uma excelente parceira, se orgulhava de saber acompanhar qualquer bom dançarino. Estava adorando bailar aquela valsa com Mark.

— Você dança muito bem, sra. Brandon! — Mark comentou depois de alguns minutos.

Christy achou que sra. Brandon soava bem. Os dois riram com descontração enquanto dançavam, tomando toda a pista.

Ela se sentia bem nos braços dele. Leve e muito feminina. Quando a valsa terminou, Christy estava com alma nova.

— Se o fato de nos entendermos bem na dança significar que também nos entenderemos bem em nossas outras atividades, ficarei muito feliz — disse Mark, levando-a para sentar.

Naquele momento, Sam Douglas apareceu e pediu para dançar com Christy. Ela sorriu e aceitou o convite.

— Cuidado, Christy! — Mark avisou, sorrindo. — Sam dança tão bem como uma tábua.

A orquestra começou a tocar uma música de discoteca.

— Não sei se conseguirei dançar esse ritmo. Está disposta a tentar? — Sam perguntou em dúvida.

— Mas é claro!

Começaram a dançar desajeitadamente e, depois de alguns instantes, Sam pediu:

— Você se importa se sentarmos um pouco?

— Eu adoraria!

Acharam uma mesa um tanto afastada da pista. Imediatamente, dois garçons trouxeram champanhe. Christy olhou o salão bem decorado:

— Temos que agradecer muito a você e à tia Martha por essa festa tão perfeita, embora continue achando que não deviam ter se preocupado com isso.

— Ninguém conseguiria nos impedir de organizar esta festa — disse Sam. — Além do mais, se existe um casamento que eu quero que dê certo é o de vocês!

— Você é um romântico, Sam Douglas.

— Sim, sou mesmo — ele admitiu, sorrindo — Mas na verdade esse casamento tem que dar certo para que os negócios em San Felipe sejam um sucesso. — Ele fez uma pausa e depois completou: — Viu como sou interesseiro?

— Sei que você quer a nossa felicidade, Sam.

— E tenho certeza que você e Mark serão muito felizes. Você é uma boa moça. — Depois, cruzando as mãos enormes sobre a mesa, disse num tom confidencial: — Mark fará tudo para que vocês vivam juntos a vida inteira. Ele detesta casamentos fracassados. Quase morreu de desgosto quando Darcy o deixou para viver com aquele ator, levando Carol. Por isso é que ficamos tão contentes quando soubemos que ele tinha resolvido casar com você.

Christy não sabia o que dizer. Meu Deus, se o pobre Sam soubesse a verdade!

— Bem, acho que Darcy pensou que seria uma grande estrela, casada com um ator. Talvez consiga um ou outro pequeno papel, o suficiente para ter os refletores na frente dela, mas nunca será uma artista famosa — continuou Sam.

— Darcy é uma mulher muito bonita, e deve ter algum talento.

— Mas como sou bobo! — Sam exclamou de repente. — Não devia ficar falando sobre a primeira mulher de Mark com você! Quero saber da sua vida. O que faz? Mark me disse que é musicista.

— Toco piano. Me formei na Juilliard.

— Bem, não vejo razão para você não continuar com sua música. Pode tocar, ir com Mark a concertos em San Francisco e conseguir alguns alunos particulares também.

— Sei. Só que esses alunos não ultrapassarão o número de dois ou três, não é? — ela provocou.

— Ora, Christy, você não poderá perder tempo com outras coisas. Terá que cuidar de Mark. Vai ser um período difícil para ele e seu apoio e dedicação serão fundamentais.

— Por Deus, Sam! Você ainda não ouviu falar do movimento de libertação da mulher? — Sam ficou tão assustado com aquelas palavras que Christy resolveu acalmá-lo. — Mas não se preocupe. Meu piano está num depósito em Nova York, e portanto não poderei dar aulas. Ficarei cuidando da casa e do meu marido, não se preocupe. Eu assinei um contrato e cumprirei todas as cláusulas.

— Vocês dois serão muito felizes, Christy.

Agora a orquestra não estava tocando mais música pop. Ficaram observando deliciados Mark dançando com tia Martha e depois com Beth, muito bonita em seu vestido de chiffon azul. Momentos depois. Mark foi até onde estavam e abraçou Christy pelo ombro

— Acho que vocês dois já conversaram bastante — disse ele. — Gostaria de lhe apresentai alguns de meus colegas, Christy.

Não havia ninguém da família de Mark na festa. Seus dois irmãos, engenheiros no Colorado, não puderam vir por causa de compromissos inadiáveis. Christy foi apresentada a uma porção de pessoas que lhe desejaram felicidades e muita sorte no futuro.

De repente, a orquestra começou a tocar uma música especial e tia Martha disse que estava na hora de cortar o bolo. Imediatamente todos os convidados se reuniram. Christy e Mark tinham acabado de pegar seu pedaço de bolo, quando um garçom chegou perto deles e disse a Mark:

— Telefonaram para o senhor e eu anotei este recado.

— Mais cumprimento'' — Mark perguntou pegando um pedaço de papel das mãos do garçom. Seu rosto ficou pálido de repente. — Meu Deus! Carol está inconsciente! Foi levada para o hospital!



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