Amor com Hora Marcada Contract for marriage



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CAPÍTULO VII

Christy sentiu o salão rodar em torno dela. Seria a deusa da morte? Tinha provocado primeiro o desastre de Davy e agora era Carol?

— Onde está Sam? — perguntou Mark em pânico. — Não vamos procurá-lo agora. A chave deve estar no carro, vamos embora! — disse Christy, tentando não demonstrar seu pânico.

Saíram para o estacionamento e de fato a chave estava dentro Cadillac. Tinha voltado a chover. O trânsito nas ruas estava péssimo, Christy não podia deixar de lembrar do acidente.

— O hospital fica muito longe? — perguntou.

— A pouco mais de um quilômetro daqui, mas esse maldito transito não anda!

Não deixe ela morrer!, rezou Christy silenciosamente. Eles deviam ter percebido que Carol realmente não estava passando bem. Deviam tê-la levado imediatamente a, algum médico. Como foram irresponsáveis!

Finalmente chegaram ao hospital. Desceram do carro apressados entraram no vestíbulo.

— Espere aqui — disse Mark. indicando-lhe uma poltrona e indo ate o balcão de informações.

Christy sentou olhando as paredes brancas, as enfermeiras que iam de lá para cá. Desde o acidente, detestava ficar ou mesmo por perto de hospitais. Viu Mark conversando com a mulher no balcão. De repente, Darcy apareceu. Parecia mais feia, estranhamente envelhecida, com o rosto pálido. Ela disse alguma coisa em voz baixa para Mark, colocou as mãos no rosto e deitou a cabeça nos ombros dele, chorando.

Ele a abraçou, solidário com a ex-mulher naquele momento de aflição. Era um instante íntimo e Christy não quis interferir, preferindo ficar onde estava. Sentia-se culpada por aquilo que estava acontecendo com Caro!... Não sabia direito o motivo, no entanto, mais uma vez, sentia seu coração pesado, responsável pela doença da menina.

Um médico entrou no vestíbulo e começou a conversar com Darcy e Mark. Christy só conseguiu ouvir algumas palavras do que falavam.

— Garganta fechada... dificuldade para respirar... adrenalina... intravenosa... — O médico se afastou e Mark e Darcy ficaram parados, como se estivessem congelados.

Christy não pôde suportar o silêncio por mais tempo. Levantou-se, atravessou a sala e tocou o braço de Mark.

— Como está ela?

Mark fitou-a como se tivesse esquecido que Christy tinha vindo com ele.

— Seu estado é muito grave — murmurou afinal, como se seus lábios estivessem adormecidos. — Carol teve uma reação alérgica muito forte. Meu Deus! Como tudo isso aconteceu tão depressa? Há poucas horas atrás estava conversando com ela e, agora, nossa pobre Carol está lutando contra a morte!

— Mas o que aconteceu? — ela insistiu.

Darcy começou a chorar novamente.

— Tudo o que sei é que quando chegamos da festa mandei-a até minha penteadeira pegar seus comprimidos para o estômago — ela tem sempre esses problemas. Carol sabe exatamente onde os guardo o conhece o vidro. Por isso não sei como ela pegou meus tranquilizantes. Os comprimidos parecem iguais, não percebi que ela tinha; aberto o vidro errado. Como poderia? Os vidros são completamente diferentes! — Darcy olhou para os dois, implorando compreensão.

Christy sentiu um nó na garganta, entendendo perfeitamente o drama que eles estavam vivendo. Mark e Darcy começaram a conversar outra vez. Christy observou os dois e se sentiu uma intrusa.

— Talvez fosse melhor eu esperar você em casa — ela sugeriu para Mark, imaginando como Richard e Beth ficariam surpresos ao vê-la chegar sozinha no meio da chuva.

Mark concordou distraído, mas depois, de repente, pareceu voltar a si.

— Casa! Meu Deus! Espere um minuto. Vou ver se consigo arranjar um hotel perto daqui. — Ele foi à cabine telefônica. Voltou depois de alguns minutos, pegou o braço de Christy e levou-a até a porta. — Fiz reserva no Hotel Mont Clair perto daqui e chamei um táxi. Descanse um pouco. Telefono para você assim que... — ele hesitou. — Logo que tivermos uma resposta definitiva sobre o estado de Carol.

— Mark? — Christy estava angustiada.

— Reze, Christy, reze!

O quarto do hotel era bastante funcional. Tinha duas camas, duas cadeiras de encosto estreito, uma feia penteadeira com tampo revestido de plástico e um abajur que iluminava sua estampa de péssima qualidade. Não era exatamente um quarto nupcial, mas não havia mesmo lugar para romantismo no contrato que fez com Mark.

Christy tirou o vestido do casamento. A barra estava molhada e com alguns respingos de lama. Mesmo se o mandasse lavar e as manchas sumissem, sabia que não o usaria mais. Aquele dia tinha sido cheio de imprevistos e podia terminar em tragédia. Não queria nenhuma lembrança dele

Tomou um longo banho, vestiu a combinação. Não tinha camisola porque sua mala ainda estava no carro. Ficou tensa sob o cobertor, ouvindo a chuva cair. Imagens macabras lhe passavam pela cabeça: enfermeiras tirando um entrançado de tubos do lado da cama de Carol; um médico cobrindo o rosto pálido da garotinha, um grupo de atendentes do hospital cantando trechos desordenados do Réquiem de Mozart.

À meia-noite ainda estava acordada. Horas depois, ou talvez apenas alguns minutos depois, ouviu uma batida na porta,

— Christy! — chamou Mark.

Ela levantou-se da cama e destrancou a porta. Mark parecia muito cansado, mas seus olhos diziam a ela o que tinha rezado para ouvir.

— Ela está bem! — gritou Christy, dominada pelo alívio.

Ele concordou e sentou-se na cadeira mais próxima.

— Sim, ela está fora de perigo agora, mas quase a perdemos. Eu a vi. Ela me reconheceu. — Ele descansou a cabeça nas mãos.

Christy não conseguiu encontrar palavras de conforto e apoio.

Ao invés tentar falar alguma coisa, ficou atrás dele e massageou gentilmente seu pescoço e os ombros.

— Hummmm, maravilhoso — murmurou ele.

Depois de um momento ele foi até a cama, tirou o paletó e a camisa, deitou e pediu para Christy continuar. Em silêncio, ela massageou os músculos tensos com os dedos fortes de pianista.

De repente, Mark pegou a mão dela e segurou-a contra o rosto. Christy continuou com a massagem usando apenas a mão livre.

Afinal, um suspiro escapou dos lábios de Mark e sua respiração se tornou tranquila e regular. Christy retirou a mão cuidadosamente, cobriu-o e foi para sua cama.

A chuva tinha terminado, mas um vento insistente continuava a soprar lá fora.



CAPÍTULO VIII

Ela acordou tarde no dia seguinte. Abriu os olhos, olhou em volta e viu que a cama ao lado estava vazia. Sentiu cheirinho de café e, virando, encontrou uma bandeja na mesinha-de-cabeceira.

Mark estava guardando o barbeador numa maleta. Seu rosto parecia calmo e feliz.

— Feliz Natal, Chrís!

— Você parece tão feliz, Mark! Tem boas notícias? — ela perguntou passando a mão nos cabelos.

— Não podiam ser melhores. Acabei de ligar para o hospital e eles me disseram que Carol está reagindo muito bem. As crianças são muito resistentes. O médico disse que ela poderá ter alta esta tarde ou amanhã cedo.

— Esse é o melhor presente de Natal que ganhei!

— Sei disso. — já não havia mais marcas de cansaço e preocupação no rosto de Mark. Ele olhou o relógio. — Levante-se, mocinha. |J é quase meio-dia e precisamos começar nossa viagem para a terra dos vinhedos.

— É claro, vou me levantar agora. — Olhou para a bandeja a seu lado e deu um suspiro de contentamento. Além do café, havia suco de laranja, uma omelete, torradas e uma fatia de mamão. Christy estava morta de fome, pois não tinha comido quase nada na festa do casamento.

— Suas orelhas são lindas — disse Mark, observando-a atentamente.

— Obrigada pelo elogio — Christy respondeu, mais interessada na omelete.

— Enquanto você come e se arruma, vou até o hospital. Quero dar um abraço em Carol e pagar a conta dela

— Se esperar um pouquinho, fico pronta num segundo e vou com você.

— Darcy estará lá, mas se você não se incomodou de encontrá-la...

Christy na verdade não se importava, mas Mark parecia não se sentir muito à vontade com elas duas por perto. Por isso, falou:

— Acho melhor você ir sozinho, assim terei tempo de me arrumar com mais calma.

— Não vou demorar. — Ele ia saindo quando disse — Ah! vou levar o Cadillac de Sam e pegar meu carro, que ficou com o motorista dele, quando saímos da capela.

Depois que ele fechou a porta, Christy ficou pensando que na verdade as pessoas nunca se divorciam efetivamente. Sempre sobram os laços: lembranças do passado, os filhos.

O que um homem diria para sua ex-mulher numa manhã ensolarada de Natal, após passarem momentos de aflição e angústia? Ele a abraçaria e diria palavras gentis a ela? Se olhariam bem nos olhos e lembrariam os bons tempos passados juntos? Christy não sabia responder àquelas perguntas.

Passou meia hora e Mark ainda não tinha voltado. Uma hora, e nada. Christy começou a ficar preocupada e foi para a janela ver se via o carro dele chegando. Será que Carol piorou? Ou então Mark acabou não encontrando Sam em casa? Talvez Darcy e ele ainda estivessem conversando sobre a filha, ou sobre o passado...

Mark chegou duas horas depois.

— Desculpe, mas acabei demorando mais do que previa para fazer tudo o que precisava.

— Carol está bem?

— Está ótima. Darcy já deve estar levando-a para casa.

— Antes assim — murmurou Christy.

Minutos mais tarde já estavam na estrada. O céu parecia um mar azul, depois da chuva do dia anterior. Christy foi fechando os olhos suavemente, um torpor insistia em invadir-lhe o corpo.

Depois de algum tempo acordou com uma mão tocando-lhe o ombro.

— Vamo-nos — disse Mark e abriu a porta. — Vamos esticar um pouco o corpo e tomar uma xícara de café.

Ele tinha parado o carro numa lanchonete no meio de um jardim agradável, à beira da rodovia. Tomaram um café forte e gostoso e, em seguida, pegaram a estrada de novo. Mark guiava devagar agora, porque entraram num trecho de muito nevoeiro.

— Maldito, nevoeiro! — ele xingou.

— É muito sinistro. Parece que não existe mais ninguém sobre a face da terra além de nós dois. — Christy estremeceu.

— Tem certeza que é o nevoeiro que fez você estremecer? Ou será que está assustada com os contratempos que estão acontecendo em nosso casamento?

— Talvez. Também estou com um pouco de medo do futuro.

— Espero que Sam não tenha assustado você comas ideias malucas que ele tem sobre como tratar bem os clientes quando eles forem em casa.

— Quer saber de uma coisa? Eu nem sei cozinhar direito. Se bem que aprendo rápido e, por garantia, trouxe dois livros de receita maravilhosos comigo.

— Eu devia ter desconfiado que você não sabia cozinhar — respondeu Mark sorrindo.

— Está tão na cara assim?

— Não, claro que não. Mas uma pessoa como você não deve se preocupar com essas coisas. Na verdade, não quer ser uma dona-de-casa, para cuidar do maridinho. Sua intenção é outra.

Christy sabia do que ele estava falando. Ficaram em silêncio por um tempo e depois ela disse:

— Por mais que eu tente não me preocupar, fico sempre me perguntando se nosso pacto é moralmente válido.

— Bem, ele é legal.

— E o que é legal também é moralmente válido?

— Não sei exatamente o que você quer dizer com moral. Para mim, tudo o que acho que está certo é moral.

— Não deixa de ser uma maneira interessante de julgar as coisas.

— Para que julgar tudo o que se faz? Para mim, nosso casamento é como outro qualquer. Quero encará-lo como um relacionamento normal, sem me preocupar com pactos e combinações.

Mark parecia muito tranquilo, sem demonstrar preocupações maiores quanto ao futuro dos dois. Porém, Christy não conseguia deixar de se sentir insegura, e com medo de estar vivendo uma experiência imoral e negativa.

A viagem continuou sem maiores novidades. Se não fosse pela decoração nas ruas principais de uma ou outra cidadezinha por onde passavam, ninguém diria que era Natal. Christy sentiu uma grande angústia cada vez que lembrava de Beth e Richard. Eles deviam estar sentindo tanta falta de Davy!

Por que tive que sair naquela hora que chovia tanto?, ela se perguntava. Por que aconteceu o acidente? Davy ! Davy!... O velho sentimento de culpa continuava dono do coração dela. Será que poderia suportar tanta mágoa? Bem, Deus era testemunha que estava fazendo tudo para reparar seu erro...

Eram quase nove horas quando atravessando a ponte Golden Gate.

— Falta muito ainda? — perguntou Christy,

— Pouco mais de uma hora de viagem. San Felipe não fica no litoral, por isso teremos que tomar outra estrada quando chegarmos a Sonoma County.

— Nunca estive no norte de Los Angeles —- ela confessou, desejando imensamente conhecer aquela região.

— Aqui não tem nevoeiro, o céu está sempre azul, há lindas colinas verdes, além dos vinhedos e sequóias gigantescas. Você vai adorar a paisagem. — Mark olhou para Christy, tentando ver a expressão de seus olhos. — Estou torcendo para que goste do lugar.

— Tenho certeza que vou adorar, e querer fazer muitos passeios com você.

— Ótimo. Gostaria muito que gostasse também do nosso novo lar. Sam arrumou tudo do gosto dele. Pena que você não pôde ajudar na decoração também.

— Não tem importância, Mark. Passei a maior parte da minha vida em lugares onde não me sentia a dona. Acho que agora finalmente me sentirei dona de uma casa.

A cidade de San Felipe parecia adormecida num pequeno vale. Embora ainda fossem apenas dez horas da noite, não havia quase ninguém nas ruas. Passaram de carro pelo centro e depois seguiram por uma avenida arborizada. De repente, Mark parou num quarteirão residencial, em frente a uma casa.

— Maravilhosa! — exclamou Christy.

Seguiu Mark pela calçada, ajudando-o com a bagagem. No jardim, havia um grande carvalho cercado por camélias. Mark tirou uma chave do bolso e abriu a porta.

— Chegamos em casa, sra. Brandon.

Oh Deus, tomara que ele não queira entrar comigo nos braços, pensou Christy.

Entrou o mais depressa que pôde e foi seguida por Mark, que colocou as malas no chão e acendeu as luzes.

— Meu Deus, como está frio aqui dentro! — ele reparou.

Subiram a escada acarpetada e pararam em frente de um quartinho que certamente seria o escritório de Mark. Depois foram para um quarto maior, de casal. Mark abriu a cortina para ver as luzes da cidade.

— Que vista linda! — exclamou Christy.

— É verdade. O velho Sam sabe escolher direito as coisas.

Seus olhos se encontraram por um breve instante.

— Você parece cansado, Mark, depois de ter guiado tantas horas. Será que espera eu preparar um café antes de dormir?

— Claro. E eu vou colocar lenha na lareira, lá embaixo.

Desceram e Christy foi para a cozinha. Encontrou um vidro com café instantâneo e, enquanto a água fervia, ouviu Mark acendendo a lareira na sala ao lado.

Colocou as xícaras de café numa bandeja e foi para a sala. A casa toda tinha sido decorada com muito bom gosto. Mark estava sentado na frente da lareira. A luz do fogo deixava seus cabelos vermelhos ainda mais bonitos.

— Venha cá — ele chamou.

Mas Christy estava paralisada: do outro lado da sala, havia um piano Steinway, igualzinho àquele que tinha deixado em Nova York. Olhou para Mark, mas não conseguiu dizer nada.

— Ele é seu. Uma mistura de presente de Natal com presente de casamento.

— Oh, Mark!

Christy colocou a bandeja numa mesinha, abriu a tampa do piano e seus dedos ágeis correram pelo teclado. Durante toda a sua vida o piano tinha sido seu amigo mais íntimo, quase uma extensão de si mesma. Sentia-se tão feliz com aquela surpresa maravilhosa que seus olhos se encheram de lágrimas.

— Toque um pouco de Beethoven, Brahms, ou o que você quiser — ele pediu, encorajando-a. — Estou doido para ouvi-la.

Christy começou a tocar uma fuga de Bach.

Mark chegou mais perto do piano e ficou a admirá-la. A música era curta e Christy locou-a com brilhantismo

— Bravo! Estou impressionado!

— Gostou?

— Muito! Quando você toca dá para perceber sua autodisciplina, sua persistência, sua integridade. Dá para conhecê-la melhor.

Christy ficou muito embaraçada. Esperava ouvir os comentários de sempre, elogios, não uma declaração tão pessoal e tão perspicaz.

— Ora, ora! Você não deve ficar embaraçado, só porque sou um crítico musical mundialmente conhecido! — brincou ele

— Vou tocar Chopin para você ouvir — disse Christy, começando um noturno. Música era a única linguagem que ela sabia falar fluentemente. E sentiu-se inspirada. Nunca tinha tocado Chopin tão bem.

— Que beleza! — Mark comentou quando da terminou de tocar.

— Quer dizer que, além de tudo, me casei com uma pianista talentosa e sensível?

— Você gosta de brincar com os sentimentos dos outros, não é, Mark? — Com um soluço, Christy colocou a mão no rosto. Sentiu que ele a abraçava com carinho. — Ainda não posso acreditar neste presente! — ela disse, afinal. — Como posso lhe agradecer? Acho que num momento de desespero, cheguei a pensar que se abandonasse o piano ajudaria a pagar a dívida que tenho para com Beth.

— Você estava se castigando. É muito dura consigo mesma.

— Pode ser. Muito obrigada, Mark. Você tem sido muito bom para mim.

Ele pareceu não prestar atenção em suas últimas palavras. Beijou-a docemente na boca e depois descansou o queixo sobre a cabeça dela. Christy gostava da proximidade de Mark.

— Muito obrigada por tudo...

Os olhos dele brilhavam com uma intensidade que Christy nunca tinha visto antes.

— Oh, Christy — murmurou ele abraçando-a mais forte.

Ela adorou sentir o corpo másculo de Mark junto ao seu. De repente mais nada importava, apenas aquele delicioso contato.

Ele a conduziu até a lareira. Era bom ficar ali, junto ao calor e à luz das chamas. E junto dele. Mark deitou com ela sobre o tapete de pele, tirou calmamente a roupa dela e a sua. Em seguida ele a abraçou de novo e Christy, sentindo todo o vigor de Mark, ficou completamente tonta de prazer.

— Você está bem? — perguntou ele, beijando-a uma, duas, três, cinco vezes. Pouco a pouco ele a foi introduzindo num universo de prazer completamente novo para ela.

Mais tarde, deitada na cama de casal no andar de cima, Christy sentia a respiração quente de Mark a seu lado, e as batidas agora suaves de seu próprio coração. Minutos atrás, ele parecia um louco, batendo descompassadamente. Mark dormia tranquilo, enquanto ela, sem sono, tentava colocar em ordem suas emoções. De repente, se perguntou o que Mark teria achado do seu corpo, depois de ter convivido durante anos com uma mulher tão bonita e sensual quanto Darcy. Mark não pareceu nada desapontado com ela, tinha sido bem ardente e gentil... Talvez estivesse tão excitado que nem se preocupou com quem estava fazendo amor...

Christy sabia que o desejo sexual nos homens era algo urgente, incontrolável e devastador. Já tinha lido muito sobre aquilo e, portanto, todas as palavras de amor que ele lhe dissera, deviam ter sido motivadas pela excitação que o envolvia no momento. Talvez Mark nunca lhe dissesse aquelas coisas em outras circunstâncias.

Ele era tão carinhoso e ao mesmo tempo tão másculo... Uma semana antes, Christy nem pensava direito nele como homem, como amante... Mas naquela noite, para sua surpresa, percebeu que estava apaixonada por ele!



CAPÍTULO IX

Nas semanas que se seguiram, Christy pensou muito cm seus novos sentimentos em relação a Mark. Às vezes tentava negá-los completamente, pois achava terrível anuir uma pessoa, sabendo que nunca seria correspondida.

Bem, não precisava contar a Mark que o amava. Ele não tinha que ficar sabendo necessariamente.

Porém, uma dúvida horrível tomava conta dela. Como poderia entregar à outra pessoa o filho do homem que amava? Poderia esconder seus sentimentos de Mark, mas, quando a criança nascesse, aguentaria ficar calada? Um filho deles! Não, um filho para os pais do pequeno Davy. Será que era tão irresponsável para esquecer o verdadeiro motivo daquele casamento? Oh, Deus, o que iria fazer?

Era com prazer que Christy assumia o papel de esposa de Mark. Cuidar de um lar e receber os clientes do marido era uma experiência completamente nova para alguém que praticamente cresceu em internatos. Sua experiência de vida dentro de uma casa, de um lar, se resumiu aos anos de colégio quando morava com tia Martha e àqueles últimos meses passados com Beth e Richard.

Não era fácil como tinha imaginado. Mark, apesar de bastante objetivo e cuidadoso, deixava suas coisas espalhadas pelos quatro cantos da casa. Receber os clientes dele para comer era uma outra história. Perdia horas e horas só para compor os cardápios e comprar os ingredientes necessários para os pratos que resolvia fazer. No dia do jantar, mais horas na cozinha grudada com os livros de receita.

Embora se esforçasse ao máximo, sua falta de experiência pesava. Os suflês que fazia não cresciam e os assados sempre queimavam um pouco. Às vezes, passava horas preparando uma sobremesa sofisticada e no último instante ela passava do ponto.

Definitivamente Christy não era uma boa cozinheira e sua vontade de preparar refeições finas e deliciosas só contribuía para que tudo se tornasse um imenso fracasso.

— Por que você não serve apenas queijo com biscoitinhos? — perguntou-lhe Mark um domingo, quando entrou na cozinha e viu Christy quase louca tentando preparar quatro pratos de uma só vez.

— Escute, Mark. Faz parte do contrato eu receber bem seus clientes. É isso o que estou tentando fazer!

— Bobagem, Christy! Você não precisa passar a vida toda enterrada nesta cozinha! Pode muito bem comprar comida pronta para servir, ou simplesmente eu passarei a convidar os clientes para jantar fora.

— Imagine!

— É claro! Quero que tenha mais tempo para cuidar de você mesma, de seus interesses.

Mark fez uma pausa e depois continuou:

— Você nasceu para o piano, não para o fogão. Então, por que quer se tornar uma grande cozinheira da noite para o dia? Vá com calma, menina!

— Está bem, chefe, tentarei.

— Não estou brincando, Christy. Quero que você se divirta mais. — Ele pegou um cartão do bolso e continuou: — Encontrei esse rapaz no Rotary faz uma semana mais ou menos. O'Rourke, é o nome dele. Ele me disse que está precisando de interessados para montar um pequeno grupo de teatro. Anotei o telefone dele. Por que não liga para lá?

Homens! Para eles era tudo tão fácil!

Não, senhor! Tinha resolvido se tornar uma boa cozinheira e ia ser! Mas, com certeza, não era verdade que ela estava se dedicando tanto à cozinha apenas para aprender a fazer pratos deliciosos e se tornar uma boa cozinheira. Christy sentia que precisava preencher ao máximo seu tempo, para não pensar nos sentimentos que atormentavam seu coração.

Naquelas poucas semanas que passou com Mark, viu o quanto é bom estar ao lado da pessoa que se ama. Mark era um homem encantador, companheiro e um amante apaixonado.

Christy sabia o quanto tinha que se segurar para não dizer a ele que simplesmente adorava quando faziam amor, Achava que, para Mark, o ato sexual devia ser apenas uma questão de técnica, enquanto que para ela era mais uma experiência maravilhosa ,apaixonante. De repente ficou vermelha, quando se lembrou da ultima vez em que fizeram amor.

Estava cortando algumas camélias no jardim da frente quando Mark chegou em casa sem avisar, para apanhar alguns papeis,Era meio-dia. Ele a acompanhou até a cozinha e ficou observando-a enquanto arrumava as flores num vaso. Christy usava jeans, uma camiseta meio velha e tinha amarrado os cabelos logo acima da nuca. Foi com um arrepio que percebeu que Mark a olhava com desejo.

— Alguém devia pintar você — disse ele. — Seria uma linda pintura. A Moça e as Flores, seria o nome do quadro.

— Não sei que artista iria querei me pintar.

Mark a abraçou por trás.

— Humm... você está cheirando gostoso...

— Mark, se você continuar me abraçando, não vou poder continuar meu trabalho — disse Christy.

— E quem falou em trabalhar num dia lindo como este?

— Ora, Mark, eu tenho que preparar alguma coisa para comermos, não é? Você não está interessado, num almocinho gostoso?

— Não, senhora. Eu estou interessado em outra coisa...

Ele beijou a nuca de Christy sensualmente.

— Sr. Mark Brandon, por acaso está sugerindo o que estou pensando?

— Imagine! — murmurou ele sorrindo.

Pegou a mão dela e a levou para o andar de cima.

Riram e brincaram bastante enquanto se despiam e depois deitaram com as janelas abertas, de onde vinha o delicioso cheiro das flores do jardim. Christy se lembrava com exatidão de tudo o que fizeram: as mãos explorando cada milímetro do corpo do outro, os beijos sensuais, o contato íntimo...

Mark a chamou de querida não uma vez, mas várias. Só quando faziam amor é que ele a tratava assim e Christy, deitada em seus braços, rezava para que aqueles momentos de intimidade nunca acabassem.

Adorava fazer amor com Mark. Sentia-se envolvida numa atmosfera de mistério, prazer e felicidade. Esquecia-se de tudo o que ouviu sobre sexo em toda a sua vida. Christy o amava e achava que Mark gostava dela. Será que ele algum dia chegaria a amá-la?

Mais tarde, depois que Mark voltou para o trabalho, Christy tomou um banho, vestiu-se e chegou à terrível conclusão de que estava vivendo completamente fora da realidade. Mark não a amava. Tinha acabado de aprender o que significava corresponder. Durante anos tinha usado essa palavra sem conhecer sua força. Entretanto, amor correspondido era uma coisa que não constava do contrato deles. Dali em diante tinha que disciplinar suas emoções, se conter, exercitar todo o seu autocontrole.

Nas primeiras semanas em que colocou em prática o novo tipo de comportamento, Mark não fez comentário algum, mas Christy sabia que ele estava espantado.

Uma noite, depois de apagar a luz, Mark a abraçou e ficou mexendo no seu rosto carinhosamente. Christy prendeu a respiração, exigindo que cada músculo do seu corpo ficasse impassível.

— O que aconteceu? — perguntou ele.

— Nada.


— Não acredito. Já faz alguns dias que alguma coisa não anda bem. Não quero que se sinta obrigada a me aceitar, Christy.

— Ora, Mark, está tudo bem mesmo. — Christy ficou feliz por estarem no escuro. — Você já devia saber que nunca vou recusá-lo. Temos um contrato, lembra-se? — Parou de falar, horrorizada. Sua resposta tinha sido muito dura. Sentiu o rosto queimar. O que a tinha feito dizer palavras tão insensíveis?

— Tinha esquecido. — Mark largou-a abruptamente. — Você só tem o critério da obrigação, seja para medir o que faz na cozinha ou na cama! — Ele virou-se para o outro lado.

Christy ficou arrasada com o jeito como ele a largou. A distância que havia entre eles doía tanto quanto as palavras que tinham trocado. Queria que Mark a abraçasse novamente. Queria recostar a cabeça no ombro dele e contar tudo o que estava sentindo, mas não podia fazer isso. Ela era Christy Brandon e ia ter um filho para dar à irmã.

De repente, começou a ficar com raiva. Por que ficar tão chateada só porque Mark tinha se ofendido? Afinal de contas, não o recusara. Além disso. Mark não a queria de verdade. Só queria seu corpo.

Como Mark não levou nenhum cliente para casa na semana seguinte, Christy aproveitou para passar horas e horas no piano. A música era seu único refúgio, naquela vida que se lembrava cada dia mais difícil. Exercitou bastante a Rapsódia em Sol Menor de Brahms e certa manhã, depois de ter limpado toda a casa, resolveu memorizá-la inteira.

Continuou praticando nos dias que se seguiram. Num fim de tarde, estava esquecida do mundo ao piano, quando o vento derrubou uma árvore na rua, com um estrondo imenso. A árvore devia ter caído sobre os fios de eletricidade, pois a luz da sala apagou imediatamente. Na penumbra que se formou, Christy olhou as horas. Mark estaria em casa dali a poucos minutos e ela nem linha começado a fazer o jantar. Sentiu a casa começar a ficar fria. Mark chegou logo depois, acendeu a lareira e ficou olhando a chama por alguns segundos.

Christy sentou um pouco distante no chão com os braços em volta das pernas.

— Será que a luz vai demorar para voltar? — perguntou.

— Quem sabe? Talvez tenhamos tempo de escrever um livro sobre a história da guerra da Irlanda antes que consertem os fios.

— Então você se importa de comer comida fria?

— E por que não? Confio em você! Na certa aproveitará a oportunidade para inventar algum prato delicioso!

— Você pode se arrepender! — disse Christy rindo.

— Ei, sorria de novo! Você fica linda quando sorri.

Christy preferia que ele não a provocasse. As vezes, Mark falava de um jeito tão quente e acolhedor quanto o fogo que os aquecia.

Ela se levantou e foi para a cozinha. Tinha que fazer alguma coisa para fugir daquela sensação de vulnerabilidade. Quando conseguiria ficar calma com Mark por perto?

Pegou uma lanterna na gaveta e colocou-a na pia para iluminar seu cenário. Depois, cortou um salame em fatias, pegou um pão francês, um queijo suíço, uma garrafa de vinho. Colocou tudo numa bandeja e foi para a sala. A parte do canto inferior da lareira formava uma mesa e o brilho do fogo os envolvia numa atmosfera aconchegante.

— Perfeito! — exclamou Mark, depois que Christy depositou a bandeja na mesinha. — Um pouco de vinho, um pedaço de pão e você, minha amada!

Por que Mark sempre brinca em hora errada?, pensou Christy-

— Você está morrendo de fome? — perguntou Mark.

— Não muito. Acho que isso será o suficiente. E você?

— Também não estou com muita fome.

— Que tal se lêssemos um pouco de poesia? — perguntou Christy levantando e indo até a estante pegar um livro.

— Leia — disse Mark, quando ela sentou a seu lado.

— Você primeiro. — Christy ficou constrangida. De repente achou que ler poesias podia muito bem revelar o que sentia no íntimo.

Ele se arrumou um pouco antes de começar e encostou o ombro no dela. Escolheu as poesias mais agradáveis e iniciou a leitura com voz pausada. Christy ficou completamente encantada com o ritmo suave da voz de Mark e com aquele ombro encostado no seu.

De repente, notou que Mark havia feito um comentário! O que ele tinha dito? Mark a olhava divertido e depois lhe passou o livro. Christy virou as páginas, mas achou que aquelas poesias eram muito perigosas para serem lidas naquele momento. Preferia não ter sugerido aquele passatempo.

— Acho que está muito escuro para ler — disse ela, visivelmente . perturbada.

— Christy, Christy, quando é que vai parar de colocar barreiras à sua volta? — perguntou Mark, pousando uma das mãos sobre a dela.

A penumbra, o calor do fogo e a intimidade do momento, tudo parecia um sonho. A única coisa real era a mão de Mark sobre a sua.

— Antes que eu colocasse essa barreira de que está falando, procurei saber quem ficaria dentro e quem ficaria fora dela — disse Christy com a voz fria como aço, arrancando a mão da dele.

Mark ficou pálido de repente. Levantou sem uma palavra e levou a bandeja para a cozinha




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