Amor com Hora Marcada Contract for marriage



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CAPÍTULO XIII

Uma tarde, depois do ensaio com Karen, Christy foi até o escritório de Ryan saber se tinha notícias da universidade, mas ele não estava. Harriet disse que tinha ido a uma conferência na prefeitura. Por que aquela mulher parecia não ir com sua cara?

— Você sabe se Ryan recebeu resposta sobre o projeto Rockledge? — perguntou Christy, com um sorriso, tentando ser simpática.

— O sr. O'Rourke não recebeu nenhuma resposta — disse Harriet. — E todos ficaremos felizes se ele nunca for para lá. O sr. O'Rourke tem um futuro brilhante aqui, pois foi até indicado para ser o inspetor educacional da região. Seria uma loucura ele querer cortar sua carreira por causa de um projeto meio maluco como esse

— Ryan gosta de desafios — contestou Christy. — E você sabe que esse projeto não é maluco. Será uma grande instituição para artistas e pertence a uma das universidades mais importantes da Califórnia.

— Bem, mas você tem que entender o sr. O'Rourke. De vez em quando ele começa a falar em sair daqui, mas acaba sempre ficando. Seria loucura nos abandonar.

— Todos nós sentiremos muita falta dele aqui, mas acho que isso não é o mais importante. Ele sonhou muito com esse projeto e não temos o direito de frustrar os sonhos dos outros, não é mesmo?

Mas para mim, esse centro de artes é uma loucura! Quem irá até o litoral para assistir a uma peça ou um concerto?

— Muitos centros de arte estão localizados em regiões isoladas, no campo ou perto do mar, por causa da tranquilidade e da beleza da natureza. Pense nisso. Por que você não liga para a universidade e pergunta se eles receberam a carta de Ryan? Garanto que o sr. O´Rourke vai lhe agradecer por isso.

Desculpe, mas só recebo ordens dele, minha cara,

— É claro, entendo. Você se importaria de colocar um bilhete meu na mesa dele, então? — Christy ligou para informações e pediu o número da universidade. Depois escreveu no bilhete: "Ryan, ligue para a universidade agora e veja como estão indo as coisas. Talvez eles não tenham recebido sua carta." Assinou o nome embaixo e entregou o bilhete a Harriet. — é apenas um lembrete para ele — disse.

— Será que você não está com muita pressa? Uma universidade tão grande como a Southern Sierra demora para processar a correspondência.

E, para mim, você demora muito mais, pensou Christy. Mas não disse nada.

Caminhou para casa devagar, pensando. Talvez até Harriet tivesse razão: estava com muita pressa. Afinal, uma entrevista para escolher administradores não se resolve do dia para noite.

Mas na manhã seguinte, continuava louca para saber das novidades e foi para a escola à procura de Ryan. Nos jardins da escola, trabalhava uma grande máquina escavadora, que, aliás, pertencia à companhia de aluguel de equipamentos onde Mark trabalhava. Em todo lugar por onde andava em San Felipe, Christy via aquela marca nas máquinas que trabalhavam pela cidade. Aquilo significava que Mark estava tendo sucesso nos negócios.

Ryan estava parado no jardim, diante da porta, com dois homens que tiravam fotografias e falavam num gravador. Christy nunca tinha visto Ryan tão sério. Depois de alguns minutos os homens foram embora e Ryan foi com ela até o escritório dele.

— Problemas? — perguntou Christy.

— Acho que sim. Aqueles homens são da firma de seguros que tem contrato com a escola. Uma de nossas crianças caiu da escavadeira e quebrou a perna esta manhã. Seus pais estão querendo processar a escola.

— Só por causa da perna da criança?

— Sim, e tenho quase certeza que vão conseguir ganhar a parada. Todas as crianças foram avisadas inúmeras vezes para ficar do lado de fora da barreira, mas o garoto não respeitou o aviso. A princípio ele negou, disse que foi empurrado por alguém, mas eu próprio, o vi subindo na máquina. Corri para tirá-lo de lá, mas ele caiu na vala antes que eu pudesse lazer qualquer coisa.

Mas se a culpa foi dele, o que os pais estão alegando para processar a escola?

— Acusam a escola de deixar uma máquina atraente, mas perigosa dentro de seus limites. Pode?

— Meu Deus! Mas qualquer coisa pode ser atraente e perigosa para uma criança.

— Exatamente. E eu detesto esses pais que não ensinam os filhos desde o começo a assumirem a responsabilidade de seus atos.

— Sinto muito por tudo isso que está acontecendo, mas eu vim até aqui nesse horário para saber se você fez o que lhe pedi no bilhete que deixei para você.

— Bilhete?

— Ora, deixei um bilhete com sua secretária ontem, pedindo para que você telefonasse imediatamente para a universidade, pois estava com o palpite de que sua carta não tinha chegado lá.

— Mas eu não recebi bilhete algum. Não estou entendendo. Harriet é a eficiência personificada e é completamente leal.

— Talvez leal demais, Ryan — replicou Christy, depois de hesitar um pouco. — Ela acha que você estaria jogando sua carreira fora, se saísse daqui. E, por outro lado, tenho a intuição que ela particularmente não quer perder você de jeito nenhum.

— Ora, Christy, você está insinuando que Harriet está apaixonada por mim, e que por isso está sabotando minha correspondência com a universidade? Imagine!

— Desculpe, Ryan, mas é urna impressão que tenho. E uma coisa você não pode negar: ela não lhe entregou meu bilhete e você ainda não recebeu nenhuma resposta da universidade.

— É, talvez você tenha razão — disse Ryan.

Entraram no escritório e o sorriso de Harriet sumiu quando viu Christy.

— Estou saindo para o almoço — disse ela a Ryan. — Quer que eu faça alguma coisa antes de sair?

— Não, obrigado, Harriet. Ah, você se lembra da data em que colocou minha carta no correio para o projeto Rockledge?

Harriet correu o dedo pelo calendário antes de dizer:

— Eu a datilografei duas semanas atrás.

— Estranho, eu ainda não ter recebido nenhuma resposta, não é, Harriet? E por coincidência eu também não recebi o bilhete da sra. Brandon. Você teria alguma explicação para isso?

— O senhor está me acusando de não estar cumprindo minhas obrigações como se deve?

— Não, não a estou acusando de nada. Você sempre foi a secretária mais eficiente desta escola. Só estou achando estranho esses dois fatos terem ocorrido quase juntos.

— Deixei o bilhete na sua mesa. Talvez tenha caído e a faxineira varreu. Não posso cuidar de tudo, não é?

— Vá almoçar, Harriet. Está tudo bem. — Ela suspirou profundamente e saiu da sala.

— Telefone para lá agora, Ryan.

— Está bem, vou telefonar.

— Enquanto isso, vou até o auditório ver se encontro Karen para lhe dar um recado. Daqui a pouco estou de volta.

Karen tinha dito que ficaria estudando seu papel no auditório, mas não estava lá e Christy voltou para o escritório de Ryan. Quando entrou na sala, ele estava acabando de desligar o telefone.

— Eles receberam a carta? —- perguntou esperançosa.

— Não.


— E ainda estão entrevistando os possíveis candidatos?

— Já tinham terminado as entrevistas, mas quando eu lhes falei sobre a minha experiência, resolveram abrir uma exceção. Terei que ir para lá na última sexta-feira do mês.

— Que maravilha!

— Eles querem meu currículo imediatamente. Vou pedir a Harriet que o bata para mim. Tenho uma reunião à tarde e à noite o ensaio, pois senão eu mesmo o datilografaria.

— Deixe comigo. Eu vou datilografá-lo e depois coloco o envelope no correio.

— Continua suspeitando de Harriet?

— Vamos dizer que eu só estou tentando ser cuidadosa.

— Está bem, então. Olhe, vou lhe dar meu currículo do ano passado e mais alguns documentos das atividades que realizei este ano. Além de datilografar, você terá o trabalho de acrescentar este pedaço. Não se esqueça de colocar nada. Lembre que a modéstia não é uma das minhas virtudes.

— Pode contar comigo — disse Christy.

— É claro que eu conto — murmurou Ryan, sorrindo.

Naquela noite, depois do jantar, Christy levou sua máquina de escrever para a mesa de jantar. Não era uma exímia datilógrafa, mas sabia bater um pouco e um currículo não era tão difícil assim. Terminou por volta das nove e foi de carro levá-lo até uma caixa de correio.

Quando voltou, encontrou Mark ainda no escritório, mas ele não estava trabalhando. Tinha recostado na poltrona e colocado as mãos na nuca.

— Cansado?

— Com um pouco de dor de cabeça.

Sentindo-se culpada, Christy correu para pegar um comprimido. Tinha passado parte da noite datilografando o currículo de Ryan, quando Mark devia estar precisando bastante de sua ajuda.

— Continua cheio de trabalho?

— Sim, Estou fazendo uma série de pesquisas para preparar um bom relatório para os australianos, mas hoje perdi muito tempo com alguns problemas que surgiram na companhia. E como se tudo isso não bastasse, o presidente do Rotary Club me telefonou hoje para me lembrar de que eu tinha prometido arranjar uma excursão para um grupo de rotarianos japoneses. Eu tinha me esquecido completamente desse compromisso. Já estamos chegando no fim do mês e preciso pensar como resolverei esse problema.

Depois daquele desabafo. Christy sentiu-se mais culpada ainda por não estar ajudando Mark nem um pouco.

— Não sou muito boa datilógrafa, Mark, e tenho até medo de me oferecer para bater relatórios, que precisam ser perfeitos. Mas posso ajudar você na excursão, se quiser.

— Para falar a verdade, minha secretária anda tão ocupada que nem pensei em pedir para ela cuidar dessa excursão para mim... Mas você... E seus ensaios?

— Darei um jeito. Quero fazer alguma coisa para ajudar você, Mark. Alguma coisa concreta.

— Concreta, como? — perguntou ele sorrindo.

— Ora, não é nada muito difícil de entender. É que, às vezes, parece que nós dois estamos nos tornando dois estranhos. Quero que nós dois sejamos amigos e que nos ajudemos mutuamente. Vai me deixar ajudar você?

— Vou. Talvez você ate se arrependa de ter se oferecido, mas vou querer que datilografe algumas coisas para mim, mesmo não sendo uma excelente datilógrafa. E quanto à excursão, sei que você pode fazer um grande trabalho. Invente a excursão que quiser. Leve-os para uma excursão nos vinhedos, ou então leve-os de ônibus até o delta do Sacramento para um passeio de barco pelo rio.

— Quer dizer que existe um serviço de barcos em Sacramento?

— Claro. E o passeio é muito interessante. Vou passar o telefone do presidente do Rotary para você.

Christy sabia que teria que datilografar o que Mark precisasse somente no dia seguinte. Teria muitos ensaios pelo resto da semana. Depois da estreia teria bastante tempo para pensar na excursão.

— Você disse que teve problemas na companhia, hoje. Será que tem a ver com o acidente que aconteceu na escola de Ryan?

— Sim. Esse problema só será resolvido no mês que vem, mas já está nos dando muito trabalho. Teremos que apresentar um relatório completo sobre nosso sistema de segurança para as máquinas que alugamos.

— Mas, por que a companhia está sendo envolvida no caso? Pensei que o processo era contra a escola.

— Acho que eles devem estar pensando que poderão tirar mais dinheiro da gente. Se eles conseguirem provar que nós não utilizamos todos os nossos critérios de segurança com a máquina que estava na escola, talvez consigam fechar nosso escritório aqui em San Felipe.

Christy ficou chocada. Não fazia ideia que aquele problema pudesse ser tão sério.

— Mas o escritório não tem dinheiro para pagar uma indenização, se for o caso?

— Temos dinheiro, mas não o suficiente para pagar a indenização que a família do menino, os Bogg, está pedindo.

— E quanto estão pedindo? Afinal ele só quebrou a perna!

— Mas os advogados da família estão alegando danos psicológicos. Dizem que o garoto foi atraído pela máquina, que não estava com seus dispositivos de segurança acionados, essas coisas. O inspetor de segurança e o operador da máquina podem provar que nós está vamos observando todas as leis de segurança, mas O'Rourke é a única testemunha cio acidente. Só espero que ele seja honesto o suficiente para depor a nosso favor.

— Acho que você pode confiar em Ryan. Ele é uma ótima pessoa.

— Gostaria de confiar nele como você confia — disse Mark, seco.

Christy não quis discutir mais. Por que ele ficava tão irritado quando falavam sobre Ryan?

CAPÍTULO XIV

Christy tomou um gole de café, colocou a xícara na escrivaninha e se espreguiçou. Estava datilografando desde as oito horas da manhã e já eram quase seis da tarde. Mark estava com o trabalho muito atrasado, mas agora tinha terminado tudo.

Tomou mais um gole de café e imaginou que Mark ficaria feliz quando visse que ela tinha conseguido fazer todo o trabalho. De repente a campainha tocou forte. Christy levou um susto e bateu a mão na xícara, derrubando o café nas folhas datilografadas.

— Ai, meu Deus! — gritou, vendo as folhas manchadas. Correu para a cozinha para pegar uma toalha, mas a campainha tocou de novo. Christy ficou sem saber o que fazer. Com vontade de chorar por ter arruinado todo o trabalho, correu e abriu a porta.

Sua irmã e uma garota surgiram à sua frente, cada uma com uma mala na mão.

— Beth! Que surpresa! — exclamou Christy fazendo sinal para que entrassem, depois de abraçar a irmã. Ela notou imediatamente que Beth não estava com a aparência muito boa.

— Esta é Alexi Miller — disse Beth, apresentando sua acompanhante. — Está indo visitar a avó em Sacramento. Daqui a pouco vou levá-la até a rodoviária.

Alexi era uma bela garota de dezesseis anos, mais ou menos. Christy estava preocupada com Beth.

Logo depois, Alexi subiu para trocar de roupa, e Christy foi fazer mais café.

— Beth, nem posso acreditar que você está aqui! — disse Christy.

— Sei que devia ter telefonado antes de vir, mas decidi hoje cedo, de um momento para outro. Quando Alexi me disse que queria visitar sua avó, me ofereci para trazê-la.

— Que surpresa maravilhosa, Beth! E Richard, como vai?

— Não sei — murmurou Beth depois de hesitar um pouco.

— Ora, como não sabe?

— Bem, é isso aí. Na semana passada ele viajou numa excursão, na outra foi para o Colorado participar de um simpósio e nesta semana só ficou em casa depois de jantar um dia. Você acha que isso pode significar alguma coisa?

Christy ficou gelada. Ela nunca pensou que o casamento de Beth podia vir a correr perigo um dia.

— Beth, o que está acontecendo com vocês dois?

— Oh, nada acontece mais comigo e com Richard, este é o problema. Richard simplesmente está me colocando para fora da vida dele, só isso.

Christy sempre achou Richard um homem apaixonado. Quando Beth sofreu a operação e quando perdeu Davy, ele ficou do lado dela o tempo todo. Não podia acreditar que ele tivesse mudado agora.

— Você ainda o ama, não é?

— Claro, eu o amo muito.

— Bem, então por que não fala com ele? Por que não lhe diz como está se sentindo?

— E como? Eu nunca ao vejo — explicou Beth nervosa.

— Ora, vamos, Beth. Você agora está exagerando.

— Você fala como tia Martha. Pensei que pudesse contar com você, Christy.

— Você deve estar dando uma importância muito grande para um momento especial e passageiro da vida de Richard — ela falou.

— Você não está entendendo nada, Christy.

— O que eu entendo. Beth, é que Richard está vivendo sob pressão atualmente, se preparando ao máximo para conseguir o cargo de chefe de departamento onde trabalha. Ele precisa do seu apoio, e não de mais problemas.

— Como você se sentiria caso Mark simplesmente a ignorasse? — perguntou Beth.

Christy olhou para o lado e viu que Alexi estava sentada nos degraus da escada, totalmente absorvida na conversa. Há quanto tempo ela estaria lá?

— Esta é uma conversa particular — disse Beth. — Talvez você deva subir e pegar algum livro para ler.

— Num minuto. Eu li o bilhete que você deixou para Richard em cima da mesa da cozinha. Pelo que escreveu, pensei que você o tivesse abandonado.

— Alexi! — gritou Beth, transtornada.

— Tudo bem, já estou indo. Vai ler algum problema se eu ligar para minha avó daqui?

— Não, imagine. Pode usar o telefone do andar de cima — disse Christy. Quando Alexi voltou para cima, ela virou para Beth e perguntou: — O que você escreveu no bilhete, afinal?

— Escrevi que ia passar uns dias fora, viajando.

— Beth, como foi capaz de fazer uma coisa dessa? Não percebe que está colocando em risco seu casamento?

— Eu não o abandonei, Christy. Só estou querendo mostrar para Richard o que sou capaz de fazer.

— Isso é imaturo e infantil, Beth. Estou surpresa com você!

— Pelo jeito você está do lado dele. Se soubesse não teria vindo.

— Suba e descanse um pouco. Conversaremos mais tarde.

Beth subiu a escada com cara de criança que levou bronca.

A cabeça de Christy doía. Queria começar o jantar, mas precisava refazer o trabalho de datilografia. O que mais a preocupava era o que Mark diria se soubesse que o casamento de Beth estava fracassado. Provavelmente, diria que Christy devia ficar feliz por ele ter pedido que evitasse a gravidez. Oh, por que já não tinha dito tudo a ele, antes? Quanto mais demorasse, mais difícil seria.

Acabara de sentar à mesa para começar a datilografar quando Alexi desceu, requebrando como uma manequim numa passarela. Usava um calção bem curto e uma miniblusa que revelava seu corpo ainda não totalmente desenvolvido. Viu a vitrola, colocou um disco e sentou no sofá sem cerimônia, como se fosse uma velha amiga da casa.

— Você se incomoda? — perguntou para Christy.

— Não — respondeu Christy. Começou a datilografar, mas teve que refazer a primeira página três vezes. A música a atrapalhava. Tinha que terminar o trabalho ainda naquele dia, mas não conseguia se concentrar. De qualquer forma, já estava na hora de preparar a janta. Faria tostadas, rápidas e fáceis, pois Mark adorava comida mexicana. Queria que ele ficasse de bom humor.

Alexi levantou e começou a dançar. Quando Mark chegou, ela diminuiu o som da vitrola e ficou olhando para ele, sem dizer nada. Christy tentou fazer as apresentações.

— Beth chegou para ficar conosco alguns dias e trouxe sua amiga, Alexi Miller.

— Alexandra Miller, não é? — perguntou Mark, cumprimentando Alexi. — Como você mudou! Há quanto tempo não nos vemos?

— Há séculos. Três anos, mais ou menos. Acho que tinha uns treze para quatorze anos quando tomei conta de Carol para você e Darcy poderem sair. Cresci um pouco desde aquela época.

— Se cresceu! Você era apenas uma garotinha!

Alexi colocou as mãos na nuca, olhou sensualmente para Mark e depois deu uma volta sobre si mesma. Queria mostrar a ele que não era mais uma garotinha .

— O que acha? Estou bem?

Meu Deus, ela está tentando flertá-lo!, pensou Christy.

— Muito bem, garota! — exclamou Mark, com um meio sorriso travesso.

Bem demais, talvez!, pensou Christy já irritada.

— Alexi está a caminho de Sacramento, onde vai ver a avó — disse ela, já que Alexi parecia ter esquecido que só estava ali de passagem. Christy estava decidida a levá-la até a rodoviária logo após o jantar, pois senão aquela garotinha insolente era capaz de querer tentar roubar Mark dela.

— É verdade, mas eu não estou com muita pressa — disse Alexi. — Adoro ficar ao lado de pessoas interessantes. Falei para minha avó que não tinha dia certo para chegar. Passarei a noite aqui. Não se preocupem, pois eu trouxe meu slleping bag e posso me deitar em qualquer lugar.

— Mas é claro, Alexandra. Teremos o maior prazer que você passe a noite aqui com a gente — disse Mark alegre.

— Prefiro que você me chame de Alexi, certo?

Beth desceu naquele momento e Mark cumprimentou-a com carinho. Ela acendeu um cigarro e começou a fumar rapidamente. |

— E Richard, como vai? — perguntou Mark. |

— Vai bem, eu acho — respondeu Beth, cortando o assunto por ali.

O jantar foi tranquilo, apesar de Alexi não ter parado de falar de seu curso para manequim. Na hora da sobremesa, ela foi buscar um álbum de fotografias e fez questão de mostrar a Mark algumas fotos suas que aparecia de biquini.

— Estão ótimas, Alexi. Muito boas mesmo.

Depois de tomarem o café, Beth pediu licença para se retirar e Christy preparou o sofá do escritório para ela.

— O que está acontecendo com Beth? — Mark perguntou a Christy, no quarto deles. — Eu nunca a vi desse jeito.

— Ela está cansada da viagem. .

— Não, não deve ser só isso. Ela e Richard estão com algum problema, por acaso?

— Nada de grave, tenho certeza. Mas Beth não avisou Richard para onde ia. Ele anda muito ocupado atualmente e acho que Beth está querendo chamar um pouco de atenção.

— Bem, acho melhor a gente não se envolver em problemas de marido e mulher.

— Mal tive tempo de conversar com ela, e não poderia mandá-la embora no minuto seguinte que chegou, não é?

— Acho que Richard vai ficar chateado com você.

— Meu Deus, mas por que ele ficaria? Eu não fiz nada!

— Bem, fique fora disso. Deixe as coisas acontecerem e não se meta. E se eles se separarem, dê graças aos céus por aquela conversa que tivemos, lembra-se?

— Você está se referindo ao que conversamos sobre o tempo que deveríamos dar até eu ficar grávida?

— Exatamente — murmurou ele, fazendo menção de sair do quarto.

— Mark, preciso falar com você.

— Mais tarde.

Por favor, agora. Tenho uma coisa para lhe dizer.

— Ora, vamos, Christy, tenho muito o que fazer ainda. E o trabalho que você fez para mim, ficou pronto?

Christy fez que não com a cabeça.

— Você esqueceu?

— Não, eu já tinha terminado de datilografar tudo quando, sem querer, derramei café nas folhas. Mas eu vou rebater tudo quando voltar do ensaio. — Eles desceram e Mark viu as folhas manchadas.

— Poxa vida! Estava pensando em mandar esse material amanhã cedo pelo correio. Você não vai conseguir datilografar tudo de novo. Volta muito tarde dos ensaios.

— Não se preocupe, Mark, eu vou bater tudo de novo — disse Christy, disposta a passar a noite datilografando se fosse preciso.

Alexi estava deitada no sofá, aparentemente sem perceber a presença dos dois. Mas, de repente, levantou-se e pegou uma das folhas manchadas que Christy havia datilografado.

— Não tem problema, Mark — disse ela, depois de examinar a folha com atenção. — Farei o trabalho para você. Sou uma ótima datilógrafa. Consegui até um prêmio de rapidez no colégio. — Ela apontou para o trabalho de Christy e continuou: — Isso aqui demonstra que Christy não tem muita prática. Está cheio de pequenos erros de datilografia.

Mark ficou entusiasmado e explicou o serviço para ela. Christy foi para o ensaio, sem saber se estava aliviada ou humilhada.

O ensaio daquela noite foi ótimo. Todos os atores estavam dando o máximo. Mas o tempo todo Christy não conseguiu parar de pensar em Richard. Devia telefonar para ele dizendo que Beth estava com ela? Não. Talvez fosse melhor não se meter, como disse Mark.

Quando voltou para casa, ouviu o barulho da máquina de escrever enquanto destrancava a porta. Era lógico que ninguém poderia fazer aquele trabalho muito mais rápido do que ela.

— Terminei! — exclamou Alexi, no momento em que Christy entrou na sala.

Mark colocou a mão no ombro dela.

— Essa menina é mesmo uma maravilha — disse para Christy.

— Não só datilografou tudo o que você havia feito, como também bateu mais algumas folhas que eu resolvi incluir no último momento.

Christy olhou o trabalho de Alexi. Tinha demorado quase o dia todo para datilografar aquele trabalho, e agora aquela assanhada fazia tudo de novo em pouquíssimas horas!

Alexi se espreguiçou como uma gata, dizendo:

— Até que não era muita coisa. Vou lá em cima apanhar minha jaqueta, Mark. Depois a gente pode ir. — Ela correu e subiu a escada.

— Você está pensando em levá-la para a rodoviária a essa hora? — perguntou Christy a Mark.

— Oh, não. Ela está louca para tomar um chocolate, e eu não posso negar isso a essa menina, depois de tudo o que fez por mim esta noite. — Ele colocou as folhas num envelope grande com satisfação.

Menina!, pensou Christy, furiosa. Essa "menina" deve adorar conquistar todos os homens do mundo!

Alexi desceu vestida com uma jaqueta vermelha. Pegou na mão de Mark com ar de proprietária e deu adeus para Christy antes de sair.

Se essa sirigaita não for embora amanhã bem cedo, eu acabo cometendo um assassinato, pensou Christy louca de raiva.

O telefone tocou e ela foi atender.

— Christy? Beth está aí? — Era óbvio que Richard estava preocupado. Dava para perceber só pelo seu tom de voz.

— Sim, ela chegou esta tarde.

— Então ela está aí mesmo? Deixe eu falar com ela.

— Beth está dormindo. Posso dar seu recado para ela amanhã.

— É verdade que ela está dormindo, ou você está mentindo para mim?

— É claro que é verdade.

— Estou perguntando isso porque sei que é natural duas irmãs se unirem em momentos como esse.

— Richard, eu não estou unida a ninguém. Mas só acho que ninguém age do jeito que Beth agiu se não tiver suas razões.

— Razões! Que motivo ela teria para agir dessa maneira? Você já deve saber que a vida de casado às vezes passa por uma crise ou outra, mas também não precisava ter agido dessa forma! — Ele fez uma pausa e depois continuou: — Acho melhor você ficar fora desse problema e, por favor, não ponha ideias malucas na cabeça de Beth.

— Ora, Richard, e por que eu faria isso? Acho que vocês dois têm mais é que conversar. Beth está meio confusa, mas ainda o uma e precisa de você. Por que não vem buscá-la?

Queria ir, mas tenho compromissos muito importantes amanhã o dia todo. Vou ligar amanhã cedo.

Os dois se despediram, quando Beth apareceu.

— Traidora! — ela disse.

— Como pode dizer isso, Beth? Foi Richard quem ligou, não eu. Ele queria falar com você.

— Deixe-o espetando, por enquanto. Muitas vezes eu esperei dias para ter uma chance de falar com ele. Não se espante comigo, Christy. Sei o que estou fazendo.

— O que está pretendendo com isso, Beth? O quê?

— O que estou pretendendo? Você não está agindo como minha irmã. Vim aqui para receber um pouco de simpatia e conforto, e olha o que está acontecendo!

— Acho melhor você voltar para a cama — disse Christy e caminhou também em direção à escada. Sua cabeça ainda estava doendo, tomou um comprimido c deitou. Era quase uma hora da manhã quando Mark e Alexi chegaram. Que chocolate demorado! Christy estava muito cansada para conversar, por isso fingiu que dormia, quando Mark entrou no quarto.

Christy, Mark e Alexi estavam tomando o café da manhã quando a campainha tocou. Era Richard.

— Estou feliz por você ter vindo — Christy o recebeu com um beijo.

— Estava muito ansioso Saí essa madrugada de casa. Onde está Beth?

— Está dormindo ainda.

— Você se importaria se eu subisse até lá? — Richard estava tenso e parecia bastante cansado.

— Claro que não, Richard. Ela está dormindo no escritório. É a primeira porta depois do corredor.

Ele subiu e Christy voltou para a mesa. Ficaram comendo em silêncio, até que Alexi disse:

— Vocês não acham que o clima está muito pesado por aqui? — Ela foi para o piano. — Mark, que música quer ouvir?

Ah, quer dizer que além de sexy, boa datilógrafa, a "menina" também era pianista?, pensou Christy começando a ficar irritada.

— O que você acha de eu pedir um jazz?

— Jazz! — exclamou Christy — Garotas como Alexi gostam de rock, não de jazz.

— Mas eu também sei tocar jazz. Querem ouvir? — Alexi começou a tocar.

Mark aplaudiu, entusiasmado. Richard e Beth desceram abraçadinhos.

Alexi tocou outra música e Mark foi para perto do piano. Richard e Beth também foram, estavam querendo mais namorar que ouvir musica, pois não paravam de falar baixinho no ouvido do outro.

Christy olhou para os quatro e sentiu-se sozinha. Foi para a cozinha preparar o café da manhã para Beth e Richard.

Ela conseguiu convencer Richard a deixar seu carro para que uma agência o levasse de volta para San Fernando e ele pudesse voltar no carro de Beth, deixando Alexi na rodoviária. Um pouco relutante, a garota trocou de roupa e depois de alguns minutos os três foram embora.

Christy deu uma outra xícara de café para Mark e sentou-se no sofá a seu lado. Estava muito cansada!

— Espero que você não sinta muita saudade de Alexi — disse ela, incapaz de se controlar.

— Ora, Christy, quem ouvir você falando, vai pensar que eu fiquei interessado nela.

— Você eu não sei, mas ela...

— Imagine, Alexi não passa de uma menina cheia de vitalidade. Para ser franco, até pensei em convidá-la para ficar mais algum tempo conosco.

— Ainda bem que não convidou. Só seria mais trabalho para mim, pois, nesse pouco tempo que ela ficou aqui, não me ajudou em nada. Não foi capaz de se oferecer nem para pôr a mesa do café.

— É, talvez você tenha razão. E eu não gostaria de causar nenhum transtorno para você, Christy.



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