Amor com Hora Marcada Contract for marriage



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CAPÍTULO XVII

Sentada debaixo de uma árvore na praça, com um livro fechado no colo, Christy encostou no tronco e ficou observando Carol alguns metros adiante, alimentando os patos na beira do pequeno lago. Já devia ter ido embora, mas o perfume das folhagens, o brilho da água e a tranquilidade da paisagem a envolviam completamente. Ali podia fingir que era uma mulher casada e feliz, ansiosa pelo nascimento do seu primeiro filho.

As migalhas de pão que Carol tinha levado acabaram. Christy e ela voltaram para casa, e encontraram Mark e Ryan encostados no carro dele, conversando sobre o processo instaurado contra a companhia de Mark. Fazia tanto tempo que ele não tocava no assunto que Christy já tinha quase esquecido.

— Querem pegar um lenço e chorar conosco, meninas? — perguntou Ryan, alegre.

— A situação está tão ruim assim? — perguntou Christy.

— Está. — Mark parecia pessimista.

Carol acreditou na proposta, foi buscar um lenço e colocou-se alegremente entre os seus dois homens favoritos.

— O último boato é que eles vão contratar um dos advogados mais famosos de San Francisco por cinquenta mil — disse Mark.

Christy sentiu-se mal. Era certo que os negócios de Mark iriam à falência se ele perdesse.

— Não acredito que exista possibilidade de a família do garoto receber tudo o que está pedindo, Mark — explicou Ryan.

— Nossa seguradora não está otimista. Seu representante disse que quando uma criança está envolvida num processo, as chances de perder são imensas.

— Nós vamos ficar pobres, papai? — perguntou Carol.

— Vamos dar um jeito para que isso não acontece meu bem. — Mark forçou um sorriso.

— Não se preocupe. Carol querida. Seu pai pode pôr Christy para tocar piano em algum restaurante. Ela vai conseguir um montão de dinheiro, você vai ver — Ryan brincou.

Como sempre, Mark pareceu não gostar daquela brincadeira. Ryan percebeu e acrescentou:

— Talvez eu nem devesse dizer isso. Mark, mas acho que você está muito pessimista. Sua firma é muito respeitada na cidade, e a família do menino não. O pai dele, por exemplo, está com vários processos por dirigir embriagado.

— Não sei se o juiz vai se preocupar com isso, na hora de julgar.

— Ora, por que não, Mark?

— Não sei, não sei. Só vou respirar aliviado quando ver que a sentença foi a nosso favor. Você é a nossa única esperança, O'Rourke.

— E estarei lá para testemunhar a favor de vocês. — Ryan abriu a porta do carro e ligou o motor. — Bem, até logo. E cuidado para não perder o sono por causa disso, Mark.

— É, para você é fácil dizer isso.

Ryan foi embora e eles entraram em casa.

À noite, depois do jantar, Mark entregou um envelope a Christy. Era um convite para um almoço onde teria uma entrega de prêmios.

— Está a fim de ir? — perguntou ele.

— Para San Francisco? Claro que sim! Vai receber algum prêmio, Mark?

— Vou. Receberei o prêmio de "Negociante do Ano" da empresa.

— Mark, que maravilha!

— Se você quiser, poderemos ficar até a noite em San Francisco para ir ao teatro ou algum outro lugar. Li no jornal que Cliburn está dando um show lá. Se estiver a fim, posso mandar reservar os lugares.

— Van Cliburn! Oh, Mark, seria fabuloso! — Fazia muito tempo que não ia a um grande concerto Desde o tempo em que vivia em Nova York.

— Está certo, então. Vou arranjar as entradas. Tenho trabalhado muito ultimamente e você também, por causa da excursão dos japoneses. Acho que precisamos de um descanso.

Christy ficou louca de felicidade. Só em pensar que ia a um concerto depois de tanto tempo, ficava arrepiada. Foi a uma loja e comprou um vestido de flanela de lã rosa escuro. A roupa lhe caía tão bem, que ninguém seria capaz de dizer que ela estava grávida.

Na véspera da viagem foi ao cabeleireiro e fez um corte da moda.

— Você parece uma caipirinha que vai para a capital pela primeira vez. Está toda feliz, toda cheia de planos! — disse Mark, sorrindo.

— Como ousa dizer isso a uma garota que já viveu em Nova York? Ora!

Em vez de voltar ao trabalho no escritório, Mark a seguiu até a cozinha. Conversaram sobre a viagem e. de repente, Mark segurou o rosto dela entre as mãos.

— A gravidez deixou você ainda mais bonita, Christy.

Ela quase começou a chorar. Era a primeira vez que Mark se referia a isso depois da discussão que tiveram...

Tinha contratado uma senhora viúva para tomar conta de Carol durante o dia que passariam fora. A sra. Baker era gorda, tranquila e com um rosto bondoso.

Mas na manhã de sexta-feira, antes de Mark é Christy saírem para o aeroporto, começaram os problemas.

— Por que não posso ir com vocês? — perguntou Carol a Christy. — Não quero ficar com aquela mulher. Ela não gosta de mim.

— É claro que ela gosta de você, meu bem. Vai levá-la ao parque esta tarde. — Carol não respondeu e foi para a cozinha.

A sra. Baker devia chegar às dez da manhã. Às nove e quarenta e cinco, Carol começou a gemer.

— O que aconteceu, meu amorzinho? — perguntou Mark para a filha. — Você não está bem?

Carol não respondeu. Gemia e se contorcia, como se algo de muito grave estivesse acontecendo com ela.

— Onde está doendo, meu bem?

— Meu estômago. Dói muito! — Carol olhou para Christy que também estava a seu lado e continuou: — Dói como daquela vez, no dia do casamento!

— Meu Deus! — Mark exclamou assustado. — Nós não temos aqueles remédios aqui em casa, temos? — perguntou, olhando para Christy.

— Não, não temos e Carol também não trouxe nenhum com ela — Christy respondeu, certa de que tudo aquilo era fingimento de Carol.

— Oh, papai, não vá embora. Não me deixe sozinha. Estou doente! — a garota resmungou entre soluços, encostando o rosto no ombro do pai.

Christy mal podia acreditar no que estava presenciando. Carol com certeza seria uma atriz. Como a mãe!

— Acho melhor a gente ficar — disse Mark para Christy. — Ela pode ter outra crise grave.

— Isso passa. Mark. Deve ser apenas uma leve dor de estômago. A sra. Baker poderá cuidar dela.

Carol começou a gemer muito mais forte e Mark meneou a cabeça.

— Não, senhora. Acho bom a gente não ir.

— Mas e o prêmio? Eles estão esperando por você!

— Não tem problema. Telefonarei e direi que não posso ir recebê-lo.

Mas e o almoço? E o concerto? Eu quero ir, Mark! Não vê que Carol está mentindo, só para manter você perto dela? Christy quis gritar, mas continuou calada.

Quando a sra. Baker chegou, Mark lhe explicou que infelizmente os planos tinham mudado devido ao mal-estar de Carol.

— Foi melhor assim, Christy — disse Mark, depois que a sra. Baker foi embora. — Talvez a dor de Carol não seja nada grave, mas ela precisa de nossa presença e do nosso carinho. A experiência que ela teve no hospital deve tê-la traumatizado muito e deve ser por isso que ela está tão assustada com uma simples dor de estômago.

Christy não respondeu. Sentia vergonha de si mesma. Mark estava certo, é claro. Carol devia estar traumatizada depois de tudo o que passou no hospital.

Aparentemente cansada. Carol dormiu no colo de Mark. Ele não se mexeu até que ela acordou vinte minutos depois. Despertou alegre e vivaz e em seguida desafiou o pai a brincar com ela.

Christy foi para o quarto, trocou de roupa e desceu para a cozinha. Sentia-se completamente banida daquele relacionamento carinhoso que existia entre Mark e a filha.

Ele nem parecia lembrar que ia ser pai novamente. Parecia não dar a menor atenção para aquele fato. E nem para a mãe do seu segundo filho. Ansiava para que Mark lhe dissesse que não queria que entregasse o filho deles para Beth e Richard, e que a queria para sempre junto com o filhinho. Mas Mark não tocava nunca naquele assunto...

CAPÍTULO XVIII

Christy não se deu mal em sua estreia como guia de turistas.

— Vocês acreditam que algumas dessas árvores são do tempo das pirâmides egípcias e outras já eram adultas quando Jimmu, o primeiro imperador do Japão, subiu ao trono em 660 antes de Cristo? — disse aos japoneses agrupados em tomo dela.

O lugar inspirava paz, o dia estava lindo e. até agora, tudo tinha dado certo na excursão. Só assim Christy esquecia do telefonema que tinha recebido naquela manhã...

Mark tinha lhe explicado que esta seria a última excursão que os japoneses fariam antes de voltar para o Japão. Provavelmente chegariam cansados, depois de uma semana inteira em San Francisco. Christy concluiu que lugares bonitos e repousantes, fora da cidade, eram a melhor diversão para um grupo de turistas exaustos.

Infelizmente, Mark teve que ir para Eureka naquela semana, mas prometeu voltar a tempo para jantar com o grupo, no último dia da excursão, no Sterling Winery.

Depois de planejar o itinerário Christy percorreu a rota inteira. Com Carol, que a ajudou a calcular o tempo que levariam. A segunda etapa do trabalho de Christy foi ler tudo que havia na biblioteca municipal sobre a região, sua história e suas características, pensando nas perguntas que os visitantes poderiam fazer.

Quando finalmente chegou o dia, Christy estava ansiosa para conhecer os dez casais de japoneses que formavam o grupo A sra. Baker tinha acabado de chegar para ficar com Carol quando o telefone tocou. Era o advogado de Mark.

— Por favor, diga ao seu marido que esta tudo marcado para sexta-feira. Os pais do menino já concordaram.

— Quer dizer que o julgamento será na sexta-feira? Depois de amanhã?

— Sim, já recebi a confirmação.

Christy agradeceu, depois lembrou: sexta-feira, vinte e sete, o dia da entrevista de Ryan! Oh, Deus! E agora? Teria coragem de dar a notícia a Mark àquela noite durante o jantar? Não queria ver a cara dele quando lhe contasse que sua testemunha mais importante tinha uma entrevista crucial na mesma hora em que deveria estar na corte. O relacionamento de Ryan e Mark já era precário, isso talvez fosse a gota d'água para um rompimento. O entusiasmo de Christy pela excursão desapareceu. Como poderia encarar os turistas com alegria agora que tinha recebido aquela notícia?

Christy encontrou o ônibus na frente do Fórum de San Felipe na hora combinada.

— São todos seus — disse o sr. Haley, o funcionário do hotel dos japoneses, apresentando-se. — Ficarei com eles o tempo todo até levá-los de volta. Você é guia profissional?

— Não. Sou mulher de um dos membros do Rotary daqui — respondeu Christy.

— Ah, então é daqui?

— Não, moro em San Felipe há pouco tempo mas...

— Mas como? Quer dizer que o Rotary de San Felipe não nos forneceu um guia profissional?

— Podemos falar sobre isso mais tarde, senhor. Mas garanto que estou bem preparada para esta excursão.

Christy subiu no ônibus, cumprimentou os visitantes japoneses e logo depois partiram.

Na visita aos primeiros pontos turísticos, o sr. Haley fez o possível para encontrar algum erro nas informações que Christy estava dando aos visitantes. No parque das sequóias, ele chegou a desmentir uma das informações que ela deu aos visitantes, mas Christy estava certa e o desarmou com apenas algumas palavras.

Passeavam pelo parque, quando a sra. Takahashi, uma velhinha, chegou perto de Christy e falou num inglês fluente:

— Ensinei botânica em Los Angeles antes de me mudar novamente para Osaka. Não ligue para o que aquele tal de sr. Haley fala, querida. Você é uma guia excelente.

— Muito obrigada, sra. Takahashi.

Continuaram o passeio até chegarem ao Vale da Lua, chamado assim pelo escritor norte-americano Jack London.

— Jack London encantou-se com este vale e comprou quarenta acres de terra... — Christy começou a contar.

O sr. Haley levantou o braço várias vezes, como se quisesse fazer alguma pergunta, mas Christy fingiu não ver.

Os japoneses tiraram centenas de fotos das ruínas da casa de Jack London e mais tarde ela propôs que tomassem um lanche por ali.

— Por que você perdeu tanto tempo mostrando essas coisas aos japoneses? — perguntou Haley a Christy, quando todos voltaram para o ônibus. — Garanto que nem sabem quem foi esse tal de Jack London.

— Pelo contrário, senhor — disse a sra. Takahashi, que estava por perto. — Os livros de Jack London foram todos traduzidos para o japonês. Aquele livro dele, Sea Wolf, é muito famoso no Japão. Com certeza o senhor já leu, não é?

Haley corou. Sentou-se na poltrona e ficou olhando pela janelinha, para disfarçar. Era evidente que nunca tinha lido um livro de Jack London!

Christy quase teve um ataque de riso. Graças à sra. Takahashi, aquele homem não ia ter coragem de abrir a boca para falar mais alguma besteira.

Chegaram em Sterling Winery no final da tarde. O ônibus parou no imenso pátio central do conjunto de edifícios e os visitantes saltaram, loucos para admirar a paisagem. Com certeza, ficariam passeando até a hora do jantar.

Christy foi para o edifício principal.

— Sra. Brandon, espere, por favor! — chamou a sra. Takahashi. — Hoje fizemos o passeio mais interessante de toda a viagem. Isto aqui é para a senhora. Obrigada por tudo. — Ela colocou uma caixinha na mão de Christy e voltou para o grupo.

Christy ficou vermelha com mais aquele elogio e abriu a caixinha, encontrando um lindo broche de ouro com uma pérola. Ela sabia que os japoneses eram gentis, mas não podia imaginar o quanto!

Foi para um terraço solitário do edifício e sentou-se para descansar um pouco. De repente, começou a ouvir som de música perto dela e reconheceu o Quarteto Schumann. Ryan e os outros músicos estavam ensaiando para a apresentação daquela noite. Quando Ryan foi chamado para tocar no jantar que o Rotary ia oferecer aos japoneses, convidou Christy para formar o grupo com ele. Ela adorou o convite e perguntou a Mark se ele se importava em tomar conta de Carol nas noites de ensaio. Mas ele foi taxativo:

Sinto muito, Christy, terei uma semana muito ocupada. É provável, inclusive, que viaje. E você não está preparando a excursão?

— Está tudo arrumado para a excursão, Mark, e os ensaios não serão demorados. Adoraria participar do grupo!

— Ora, Christy, você quer se envolver novamente com essas coisas?

— Mas Mark, só estou querendo ensaiar para uma apresentação. Não vai ser igual aos ensaios para uma peça musical!

— Eu sei, mas agora Carol está conosco e precisa de companhia.

— Mark, se você não puder ficar com ela, acho que não teria nada de mais que a sra. Baker cuidasse de Carol algumas noites. Eu passo o tempo todo com ela!

— Claro que não teria nada de mais, mas conhecendo O'Rourke, sei que ele não vai querer terminar com o grupo depois do jantar dos japoneses. Na certa, vai continuar ensaiando para outras apresentações. Não estranharia se ele de repente arrumasse um concerto na Europa, por exemplo!

— Ora, Mark, agora você está exagerando.

— Pode ser, mas não pode negar que O'Rourke gosta de inventar moda só para aparecer.

— E se eu prometesse tocar apenas no jantar?

— Isso significa muito para você, não e mesmo? Será que estaria assim tão entusiasmada se O'Rourke não fizesse parte do tal quarteto?

— Provavelmente não — respondeu Christy. — Não é fácil encontrar alguém com tanto talento como Ryan.

— Vá em frente, então, mas não diga depois que eu não a avisei.

Depois daquela conversa, a relação dos dois esfriou, mas mesmo assim Christy contratou a sra. Baker. No primeiro dia de ensaio, porém, a velha senhora mandou avisá-la que estava com um problema sério de doença na família. Infelizmente, não podia ir.

Sem conhecer mais ninguém que pudesse ficar com Carol nas quatro noites de ensaio, Christy telefonou para Ryan e explicou. Ele sugeriu várias alternativas, mas depois acabou aceitando a recusa dela.

— Fico muito triste, Christy. Posso convidar um outro pianista que conheci não faz muito tempo, mas ele não chega a seus pés, querida. Estava com muita esperança que você viesse trabalhar conosco. Pensei que, se o grupo fosse adiante, nós poderíamos nos especializar em música do século dezenove e nos apresentar em cidades vizinhas.

Christy riu em silêncio, Jamais contaria aqueles planos a Mark.

Os membros do Rotary local começavam a chegar. Christy foi até o banheiro retocar o batom e escovar os cabelos. De volta ao salão, viu Mark conversando com a sra. Takahashi. Perto dali, Ryan e seus companheiros arrumavam os instrumentos num pequeno palco.

Mark esperou Christy com dois cálices de vinho branco. Quando ela chegou perto dele, beijou-a e lhe entregou um cálice, fazendo um brinde. Depois comentou:

— Você parece cansada, Christy. Seu dia foi muito difícil?

— Não, tive um pouco de problema, mas acho que saiu tudo bem.

— Todos estão me dizendo que adoraram o passeio. Quais foram os problemas?

Christy explicou as dificuldades que teve com o sr. Haley.

— Acho que o Rotary devia tomar alguma providência. Nossos visitantes não têm obrigação de aturá-lo de volta até San Francisco.

— Pode ficar sossegada que ele não voltará com nossos amigos japoneses — garantiu Mark.

Dois casais japoneses sentaram-se com eles para jantar. A comida era típica da Califórnia e o vinho também era da região.

O conjunto de Ryan tocou muito bem e Christy lamentou não ser um dos músicos. Foram cumprimentá-los, no final da recepção.

— A corte ainda não marcou o dia do julgamento. Mark? — perguntou Ryan, fechando a partitura.

— Não, mas acho que só será no mês que vem.

Christy engoliu em seco e falou:

— Seu advogado telefonou hoje de manhã. Mark. A audiência foi marcada para sexta-feira.

— Ótimo! — exclamou Mark. — Estou louco para resolver isso de uma vez por todas.

Christy estava ansiosa para ouvir o que Ryan ia dizer. De repente, ele se lembrou:

— Se for sexta-feira, não posso comparecer.

— O que está dizendo?. — perguntou Mark bruscamente.

— Exatamente isso. Tenho uma entrevista em Los Angeles sexta-feira. .Não posso cancelar esse compromisso.

— Qualquer compromisso pode ser adiado quando se trata de participar de uma audiência com um juiz.

— Não este.

Meu Deus, homem, você é minha única testemunha!

— Bem, o juiz pode mudar a data da audiência, se quiser. Telefone para seu advogado. Mark. Peça para ele arrumar isso.

— É muito tarde agora. Você conhece os processos legais. Esqueceu que se não estiver lá, não terei nenhuma chance de ganhar o processo?

— Está se preocupando à toa.

— Para você é fácil dizer isso. Não tem nada a perder nesse caso.

— Se faltar à minha entrevista na sexta-feira vou perder muita coisa. Ou você adia a audiência, ou então terá que ir sem mim.

— Sabia que não devia confiar em você — Mark desabafou, nervoso.

— Não me provoque, Brandon.

Christy colocou a mão no braço de Mark.

— Por favor, fale com seu advogado. Não podemos pedir a Ryan que não vá à entrevista. É a única chance que ele tem para conseguir um emprego maravilhoso. Certamente você vai entender isso.

Mark olhou para ela como se perguntasse do lado de quem estava. Christy fechou os olhos para espantar as lágrimas. Ryan não disse nada.

Os três se despediram friamente. Ryan pegou o violoncelo e saiu. Mark e Christy também foram embora.

Mark não conversou com ela durante todo o trajeto, mas uma ideia começou a surgir na cabeça de Christy. Talvez ela conseguisse contornar aquela situação!



CAPÍTULO XIX

Chegaram em casa quase onze horas. Quando Mark saiu para levar a sra. Baker embora. Christy ligou para tia Martha.

— Querida, alguma coisa errada? — perguntou tia Martha preocupada.

— Nada de muito grave, tia. Estamos com um probleminha e só a senhora pode nos ajudar. — Christy contou tudo. — Eu queria que a senhora telefonasse para sua amiga, Ida Travener, para ver se ela consegue com o comitê universitário uma outra data para a entrevista de Ryan. Pode acreditar, tia Martha, que eu não pediria isso se não tivesse certeza que Ryan é o nome ideal talvez até para dirigir o projeto.

— Mas, afinal. Christy, quem é esse Ryan O'Rourke? Algum amigo seu? — perguntou tia Martha.

— Ele é o melhor amigo que já tive em toda a minha vida.

— Em toda a sua vida?

Tia Martha era esperta como ela só. Na certa devia estar desconfiando de alguma coisa!

— Tia Martha, não posso explicar nada para a senhora agora. Quero que veja isso para mim.

— Pode deixar, querida. Telefono para Ida amanhã bem cedo. Não entendo como o comitê universitário é tão inflexível desse jeito. Afinal, qual é o problema em se mudar a data de uma simples entrevista?

— Pois é, tia. Mas deve ser algum critério do processo de escolha. Mas tenho certeza que se eles conhecessem Ryan, não iriam querer nem fazer entrevista. Eles o escolheriam na hora!

— Puxa, Christy! Nunca vi você tão entusiasmada por alguém! Este rapaz deve ser ótimo mesmo. Gostaria muito de conhecê-lo.

— Não faltará oportunidade, tia Martha. Tenho certeza que vocês dois vão se adorar. E se isso que estou lhe pedindo der ou não der certo, não conte nada a ninguém sobre o que conversamos aqui, está bem? A senhora promete?

— Serei discreta, pode deixar, querida. Não lhe garanto que encontrarei Ida. Ela está sempre viajando pelo mundo. Mas se conseguir conversar com ela amanhã, pode deixar que farei o possível para ajudar esse seu amigo.

E Christy tinha certeza que tia Martha faria mesmo.

Mark falou pouco na manhã seguinte. Seu pensamento parecia longe dali.

Fale comigo, Mark, pedia Christy em silêncio. Meu coração arde por você. Deixe-me compartilhai de seus problemas, de seus pensamentos!

Minutos depois de terem terminado o café, Christy o ouviu falando ao telefone.

— Era Ryan. Tentamos conciliar o meu interesse e o dele.

Graças a Deus, pensou Christy, sentindo uma onda de afeição pelos dois.

— Qual é o plano?

— Fazer uma petição para a corte para Ryan ser chamado como a primeira testemunha da defesa amanhã de manhã. Se a corte permitir ele dará o testemunho, depois irá para Los Angeles num avião particular. Ryan já está combinando tudo hoje com um piloto amigo dele.

— Tem alguma possibilidade de vocês conseguirem? — ela perguntou afinal.

— Cerca de uma em um milhão, mas temos que tentar.

— Mas quem instaura o processo não aparece sempre primeiro?

— Sim, e não acredito muito que Ryan seja chamado muito antes do meio-dia, mas vamos torcer para que isso aconteça. Ele tem que sair por volta das onze horas para chegar a tempo para a entrevista.

— É característico de Ryan tentar o impossível, mas acho que desta vez ele foi longe demais. Oh. Mark, acho que devemos deixá-lo fazer isso? v

— A decisão foi dele. — Mark contraiu o maxilar. — É claro que ele está fazendo isso por você.

— Por você também, apesar de não acreditar nisso. Oh, por que ele não telefona para a universidade e tenta adiar a entrevista? Sei que eles estavam inflexíveis, mas Ryan sabe ser muito persuasivo quando quer.

— A secretária dele já telefonou.

— A secretária dele! — Meu Deus, só a voz aguda de Harriet Pitkin bastava para tornar uma pessoa mais inflexível ainda. — Oh, meu Deus, não entendo! Ryan vai ficar arrasado se perder aquela entrevista.

— Sabe, Christy, tenho a impressão de que você está muito mais preocupada com o emprego de O'Rourke do que com o meu. Se eu perder esse processo também vou ficar arrasado.

— Como pode achar que não estou preocupada com você, Mark? Toda esta situação é terrível, mas sinto empatia por vocês dois. Não posso evitar isso.

— Bem, e parece que você está infeliz porque as coisas estão caminhando levemente a meu favor.

Christy sentiu-se dominar pela frustração. Por que tentar explicar? Tudo o que podia fazer agora era torcer para que tia Martha conseguisse o que tinha lhe pedido, mas ficou em casa a tarde toda, nem levou Carol à praça, e até as três horas, tia Martha não tinha ligado.

Foi Mark quem telefonou às três.

— Vamos sair para jantar e ir ao cinema. Não quero ficar em casa a noite toda pensando na audiência.

Christy aceitou na hora. Também não queria pensar na audiência, nem ficar sofrendo a noite toda, esperando notícias que provavelmente, àquela hora da noite, não chegariam. Telefonou para a sra. Baker e combinou com ela para aquela noite e durante a audiência no dia- seguinte.

Quando chegou a hora da audiência, Christy e Mark subiram apressados os degraus do Palácio da Justiça. O sol da manhã brilhava, mas eles estavam com cara fechada.

A sala ainda não estava aberta. Algumas pessoas esperavam, paradas perto da entrada. Outras, reunidas em pequenos grupos, conversavam em voz abafada.

Mark foi conversar com uma de suas testemunhas, um inspetor de segurança, e Christy olhou em volta à procura de Ryan. Na verdade, estava com medo de encontrá-lo àquela manhã. Parecia que tia Martha não havia conseguido adiar a entrevista e Christy tinha certeza que o plano de Mark e Ryan também não daria certo. Pobre Ryan!

Christy olhou para Mark. Seu rosto estava tenso e um pouco pálido, enquanto falava com as pessoas que formavam um pequeno círculo à sua volta. Que tensão devia estar suportando durante aquelas últimas semanas! Teve vontade de tocar nele, de dizer alguma palavra que o confortasse e lhe mostrasse o seu apoio. Mas não tinha certeza de que era isso que Mark esperava dela. Ele se mostrava sempre tão auto-suficiente! Mark notou o seu olhar de preocupação e voltou para o lado dela. Christy colocou a mão no braço dele.

— Estou fazendo uma oração rápida.

— É melhor fazer duas.

— Tudo vai dar certo, você vai ver.

De repente, Mark viu que ela estava usando os brincos de pérolas. Christy os colocou naquela manhã para dar sorte. Seus olhares se cruzaram por um momento, e Christy sentiu que algo muito forte ainda existia entre eles.

O advogado de Mark chegou perto.

— Houve um atraso. Você pode me acompanhar, Mark? O pai do menino e o advogado dele querem conversar conosco. Sra. Brandon, pode sair para tomar uma xícara de café, se quiser. Não precisa voltar até as onze horas.

Onze horas! Não haveria jeito de Ryan testemunhar, a não ser que desistisse de vez da entrevista. Bom, não iria permitir que ele fizesse isso.

Christy ia descer as escadas, quando encontrou Ryan, que subia apressado.

— Não precisa ficar mais tão preocupada. A universidade telefonou e adiou a entrevista para sábado.

— Oh, Ryan! — exclamou Christy.

— Você viu a sorte que eu tenho?

— Espero que isso anime Mark.

— Não se preocupe, boneca. Estou em forma, hoje. Vou conseguir ganhar essa audiência para Mark.

— Conto com você, Ryan.

Saíram do edifício e foram para um barzinho, do outro lado da rua. Ryan estava muito contente e falava do projeto Rockledge como se já trabalhasse nele.

Poucos minutos depois Mark entrou no barzinho c foi para a mesa deles.

— Está tudo acabado — disse, puxando uma cadeira.

— Acabado? — perguntou Christy.

— Sim, O pai do menino e o advogado dele entraram em negociações com os advogados da minha companhia ontem, e só chegaram num acordo agora.

— E isso é bom? — quis saber Christy.

— É ótimo. O pai do menino só pediu para que pagássemos a conta do ortopedista e uma indenização irrisória. O representante da nossa seguradora está radiante.

— Ótimo! — Ryan se alegrou. — O que fez o cara mudar de ideia?

— Não estou bem certo. Parece que foi pego novamente dirigindo bêbado, e isso ia pesar muito contra ele.

— Ainda não consigo acreditar nisso tudo — Christy falou.

— Vou parar um táxi para você, O'Rourke — disse Mark levantando. — Ainda dá para pegar o avião para Los Angeles, não é?

— Não dá mais. Mas não preciso ir — Ryan explicou tudo a Mark.

— Acho que você pode imaginar o que o seu depoimento iria significar para nós — disse Mark. — Se esse processo fosse até o fim, acho que perderíamos se não pudéssemos contar com você.

— E eu ficaria feliz em ajudá-lo.

— Boa sorte em sua entrevista amanhã — Christy desejou a Ryan, antes que ela e Mark pegassem o carro para voltar para casa.

Mark guiava em silêncio. Seu rosto, apesar de mais tranquilo, parecia ainda muito cansado.




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