Amostra do mobral



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Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Centro de Letras e Artes – CLA

Faculdade de Letras

Departamento de Lingüística e Filologia

Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - PEUL

Banco de Dados do PEUL/UFRJ


AMOSTRA DO MOBRAL


Falante: 05 Ild

Sexo: feminino

Idade: 43 anos

Escolaridade: MOBRAL

Bairro: Nova Iguaçu

Profissão: doméstica

Data de entrevista: 1976

LADO A


A entrevistada não sabe que sua fala está sendo gravada.

F:... e quando chega ma... mais ou menos ũa oito horas... ũa... ũa oi... ũas nove hora, começa a esfriá e como cai a temperatura, ũa coisa horrível.

I1: A senhora mora aonde?

F: Aqui em Copacabana, bom não moro aqui, trabalho, aqui em Copacabana.

I1: Ah, sim.

I2: Sei, mas ela mora lá, num mora?

F: Moro, moro lá, mesmo moro lá mesmo.

I2: E já está muito tempo lá?

F: Já, vinte e quatro anos. Já tá gravanu, já?

I2: Não.

F: Não?

I2: Eu vô esperá. A Nelize que quer gravar a senhora.

F: Ah, é?

I2: É

F: Ah.

I2: Eu tentei fazê gravação, mas não saiu legal. E o Mobral, ainda tem aula ou já entrou de férias?

F: Já, co... eu já entrei de férias e começo... comecei ontem outra vez.

I1: Outra vez? Mas que férias rápida.

F: É, é seis... seis mese, só que a gente estuda. Seis mese depois faz um... pa... para um pouco e depois começa outra vez.

I2: E a senhora gosta?

F: A...os... a gente num tá fazenu nada, fica estudanu, né? Pelo meno, vai aprendenu, já vai sabenu algũa coisa, né? Muito bom, a gente fica em casa à toa vai... né?

I1: Aqui mesmo em Copacabana?

F: É aqui no... no Barilan, aqui no... nessa rua que tem aí no... aquela rua do túnel, defronte o Disco, sã?

I1: Ali na Siqueira Campos.

F: Siqueira Campos.

E: Oi! cê tá boa? Sumida!

F: Oi! Como vai senhora, tá boa? Tô bem.

E: Com licença, queu estou acabando de lavar a cabeça.

F: Mas tá quente mesmo hoje. Nossa Senhora!

I2: Ia dá pra pegá ũa praiazinha, né?

F: É

E: Um minutinho queu já vou.

F: Tá.

I2: Eu quero ver... se eu ficá nas férias aqui, quero ver se vou à praia.

F: A praia aqui é muito boa, hum!

I1: E é bom pra saúde também né?

F: Então de manhã ce... de manhã cedo.

I2: Eu quero ir mais tarde pra ver se queimo, se pego ũa cozinha.

I1: Ah, depois de onze... o sol tá melhor.

F: Ah, mas aí também tá... tá demais.

I1: Ah, mas nessa época não está muito forte não.

F: Na parte da manhã, que dizem que a praia na parte da manhã que é melhor, né?

I2: É.

F: E... e...

I2: É melhor pra saúde.

F: É melhor pra saúde, é tanto que as criança quando... criança assim quando tá doente, eles mandam levá das das sete as nove, não é? É a hora que o sol tá melhó.

I2:... Eu não queimei!

F: Num queimô não?

I1:... num queima.

F: Eu num sei. Tem gente que tem facilidade de se queimá, eu também sô assim.

I1:... num horário que num queima.

F: Ah!

I1: Depois de dez.

F: Assim também...

I1: Aí fica moreninha.

F: Não, é bom assim o... o... um bocadinho, né? Porque também a pessoa, por exemplo, vai ficá o dia inteiro nũa praia. Que dizê, isso é... também é demais né? Que tem... Eu vejo gente que vez vai a praia, de manhã, chega de tarde, quando chega de tarde, tá com o rosto que tá assim, cheio é... inchado, de tanto sol. Eu também... isso num... não... eu também acho que...

I1: Aí já não é bom.

F: É, já é demais. Agora, todo dia um bocadim no horário do sol quente, aí, eu já acho que... já dá... bem todo dia um bocadim, que dizê que num dá pra projudicar a pessoa, sã?

I2: Quer sentar aqui Nelize?

F: Que dizê que a fi... qué dizê que a fita falho?

E: Inclusive, eu tinha gravado o comecinho, como sempre a gente grava, o nome... né?

F: Eu sei

E: Saiu, aí o resto...

F: Ah! Saiu nada?

E: Saiu perfeitamente branco.

F: Ah, meu Deus!

E: Eu te esperei até quatro e meia...

F: Pois é, dona Nelize, eu... atrasei um pouco, sabe? porque eu fui fazê um bolo, fui fazê um bolo... aí, fui fazê o bolo, cabo de fazê o bolo falei: “Meu De... meu Deus, às quatro hora tem que tá lá na dona Nelize”. Mas fui fazê o bolo, erãũ o quê? três e meia. Aí queu fui vê não tinha o... fermento. Aí, fui na rua correnu buscá o fermento, quando vim da rua, era quase quatro hora. Falei: “Ah, meu Deus, vô chegá atrasada na dona Nelize, mas de qualqué maneira eu vô”.

E: Eu estava precisando lavar a cabeça.

F: Tamém lavei o cabelo.

E: Como é que foi? Você terminou já o curso?

F: Ah, terminei e já comecei outra vez, no nesmo lugá.

E: Já, né?

F: Já, no mesmo lugá. Comecei ontem.

E: No mesmo lugar.

F: No mesmo lugar, agora a... professora é outra, né? A... a Dona Sam... essa que tá agora, sei lá, acho que é o primero dia qu’ela fui, né? Eu num... fui muito ca... ca cara dela não. Acho qué o primero dia. Primero dia assim é fogo, sã?

E: É, depois a gente vai...

F: Porque lá, agora, tá... o negócio da... a professora vai fazê todo... fazê nova inscrição, né? E... tem tamém que leva registro tem que levá... tem que levá retrato pra fazê ũa... carterinha, pra pudê entrá.

E: Sei.

F: Sã? Pra sabê justamente as (inint.) de lá.

E: Sei.

F: Então, tem ũa nova lei lá.

E: E as provas, você fez?

F: Não, em desde aquele dia, num fui mais.

E: Não? Correu da prova.

F: Qué dizê que ninguém passô, quase ninguém passô, foi bem raras. Eu acho que a... só quem passô foi uma... uma branca alta que tava... que tava na frente, a... ũa outra também, quase ninguém passô.

E: Sei.

F: Porque a prova num... as que fez a prova lá no....... acho queles estão estudando outra vez, pra vê... pra fazê nova prova, pra vê se passa, se não passá, vai continuá, outra vez. Eu num... eu nem a... eu nem fui fazê prova nem anda. Desde aquele dia, eu num fui mais (inint.). Segunda-feira, eu fui fazê nova inscrição lá.

E: Com a dona Regina?

F: Ah... é a dona Regina... falei: “Tomara queu não veja dona Regina lá não, porque senão vai sê fogo”. Ela vai dizê: “Ilda, mas você...” Sorte queu cheguei lá só encontrei a dona esqueci o nome dela, meu Deus do céu, é... é... é ũa dona lá que toma conta, né? De vez em quando, dá ũa mão pra ela. Aí, cheguei... aí cheguei lá, ela falô: “Não agora tem que fazê nova inscrição”. Fiz, mandô tirá retrato eu tirei, aí ela fez o cartãozim, ontem eu comecei. Agora vão vê (inint.) vão vê se cê agora passa, porque num é possíve.

E: É só você ir fazer as provas que você passa...

F: Eu falei: “Vô estudanu, viu (risos). Ah, é bom, porque a pessoa tem facilidade, né? De... de... da pessoa continuá e tudo, né? de estudá, qué dizê, se a pessoa num... qué dizê, a gente vai fazenu froça, vai fazenu força, até... até vê se... se entra mermo na cabeça, porque na hora eu... conforme eu disse a senhora, eu... eu faço a prova, na hora da... eu... eu sei as coisa muito bem, sei ali tudo muito bem, quando chega na hora eu vô... vô escrevê num sai na hora da prova, num entra nada na minha cabeça.

E: Fica nervosa na hora.

F: É nervoso, é ũa coisa mermo engraçada mermo, senhora acha que tem mermo a pessoa mermo, porque vez a pessoa mermo sabenu já nervoso, já... né? Se atrapalha toda, porque vez muita gente quando fica nervoso e... é... nervosa se atrapalha todo, então muito menos os que num sabe, né? Eles exige, tem que sê ligero, ninguém espera por ninguém então... deixa até entrá bem, quando entrá bem aqui na minha cabeça, aí eu vô faço direitinho.

E: E a Elvira? Você acha que ela passau?

F: Ah, eu acho que não. A... a... a... de lá daquela sala só tem, acho que tem a... só tem quatro. Tem eu, ũa outra, ũa escura alta e uma outra, de conhecida da sala, pode sê queinda entra, agora que tá começanu, só tem ũa sala por enquanto só tem ũa sala.

E: Sei.

F: (inint.) encontrei com ũa colega e ela disse que num passô, bem pouquinhas passanu. Eu acho que num podia mermo, tava todo mundo fraco ali, só era mesmo ũas duas que sabia, proque (inint.) que a gente passa no Mobral, depois as prova. Que vai fazê lá no posto seis, se num soubé mesmo num passa. Ah, eu quero passá, mas quero passá sabenu mesmo. Porque num adianta dizê... eu fazê aquela coisa dizê: “Seio” Aquela hora, quando chegá na hora num sei nada, eu não num vô fazê isso não. Na hora queu aprendê mesmo... certo.

E: É

F: Vô fazê, porque aí já sei, sei tudo, sei tudo, pronto (inint.) nada difícil. Agora, num sei, pego vô fazê prova na hora cadê? Não.

E: Vocês fazenu uma prova aí e outra depois?

F: É, faz. Eu acho qu’essa turma agora, a... vai fazê... faz...acho que estuda, acho que mais... num sei se mais quinze dia, pra depois fazê a prova no posto seis.

E: Sei.

F: Pra vê se passa. Aí, quem num passá, faz de novo, quem passô, vez passa pro... supletivo, né?

E: Como chama aquela moça?

F: Qual a...

E: Aquela última que nós fizemos

F: A última? Eu esqueci o nome dela.

E: Eunice, parece.

F: Ah, Eunice, isso mesmo, Eunice.

E:... mas está ruim pra transcrever.

F: Ah, meu Deus do céu! Ah, nós podemos fazer isso hoje. Eu vim na segunda... Na segunda num vai podê por causa da aula.

E: Bom, a gente faz hoje...

F: Ah... um dia..... um dia.... eu mato, depois venho aqui faço então...

E:... eu vô ver se eu pego, então, a parte, assim, só de sua fala mesmo....

F: Tá.

E: Né?

F: Agora, qualqué coisa, a senhora pode me chamá queu venho, eu venho pra gente consertá.

E: A sua menina arrumô o emprego?

F: Qual?

E: A sua menina?

F: Ah, ela... ah, já tá até fazenu conta cõo dinheiro.

E: Já?

F: Já, entrô, já... já recebeu, recebeu... dez... dez dias e um mês. Já recebeu (inint.) já foi pra rua, já fez compra, já fez sucesso. Tá toda feliz.

E: O primero dinhero.

F: É o primero dinhero... Ela nunca viu esse dinhero todo na mão. Um milhão e duzento, opa!

E: Ela está ganhando um milhão e duzentos?

F: Não, é que... é que ela trabalhô, ela trabalhô dez di... dez dia.

E: Sei.

F: Antes do... entrô do mês, né?

E: Sei

F: Então juntô, né? Ela juntô, esse... pagarũ tudo junto, esses dez dia quela trabalhô, sabe? Porque on... Foi ontẽ ou onteontẽ que foi vinte e cinco?

F: Ontem, né? Foi vinte e cinco. Então... então deixanu os dez dia qu’ela tinha trabalhado, pra justamente pagá quando vencesse...

E: Um mês?

F: Um mês. Aí, ontẽ, ela recebeu, ela fez misera, está... tá se arrumanu pra i a ũa festa de... caipira, né? Caipira... de... ũa festinha de São João, sã? Lá na Tijuca.

I2: Vou começar a aprontá agora.

F: A minha vai sai a... ela vai sai às seis horas.

I2: Sei.

F: É cõa outra colega aqui da Raimundo Correia, lá do secenta e oito, vão lá vão pra lá da Tijuca nũa festinha, convite dez conto.

E: É?

F: É.

E: É festa assim de...

F: É fé... festa familiar.

E: de... de São João?

F: É, de São João.

E:... problema de quintal, pra tê fogueira, essas coisas assim.

F: É, mas pr’aquele lado de lá tem, né?

E: Tem?

F: Tem, pra lá... pro lado da Tijuca tem, nessas casas.

E: Tinha comida de tudo quanto é tipo.

F: Ah... eu adoro, eu adoro, eu adoro festa de São João, Nossa Senhora! A... e... e este ano, eu só... pra dizer a verdade à senhora, eu só vi um balão no céu, mas nada.

I1: Tá proibido (inint.).

F: Num vi, só vi... assim mermo, ainda caiu ali no dia que o balão queu... (riso) É num vi mais nada. Nada, nada. Eu falei: “Mas que coisa, menina”. E num vi ninguém fala em São João, num vi nada não.

E: Eles proibiram balão e alguns fogos, não é Cristina?

I1: Foi.

F: Diz que estrelinha, esses foguim de... justamente (inint.) de criança...

I1: Trague, nada disso.

F: Estrelinha, esses troço assim, eu acho qu’inda tá, ainda.

I1: É estrelinha pode.

F: Agora. foguete mesmo, eu acho que não.

E: E o bom do festa são os fogos...

F: É são os fogos, na raça... pessoa... pessoal tá todo... se divertinu... se diverti...

E: Aquele pau de sebo, né? Que a gente chama, bota as coisas lá em cima.

F: Eu acho... eu acho mais bonito é o casamento de São João e tem a festa coipira... hum! Como eu adoro, adoro mesmo essas festas assim.

E: Na roça...

F: Se bem que agora num tem mais nada, né?

E: Na cidade, geralmente, num tem mesmo.

F: É

I1: I, no interior, a gente vê isso.

F: Mas na raça, assim, tamém, tamém já tá merma... acho que tamém já tá um pouco meia fracassado, né?

E: Cê acho que na raça também...

F: Eu acho que tá um pouco meio fracassado, a gente de primero sempre tinha convite pra festa de São João, na roça... Agora... a gente num vê falá mais em nada, quentão... batata docê...

E: É

F: (inint.) Vão lá pra casa, porque num sei o que, que... então, porque lá vai tê festa de São João (inint.). Hoje em dia, a gente num vê nem ninguém fala em anda, nem festa de São João, nem quentão, nem nada Baile mesmo, vez tinha... tinha baile caipira, hoje em dia, a gente num vê quase nem caipira, muito mal a gente vê as criança.

I1: Só criança.

F: É só as criança, assim mesmo, porque do colégio, porque faz a festinha deles no colégio, então vai a criança toda fantasiada de caipira.

E: É, ensaia a quadrilha, né?

F: Ensaio a quadrilha.

E: Eu gostava muito de São João, mas agora quase que num tem mais.

F: Num tem mais, acabou-se a animação tudo, é São João, é Carnaval, é tudo, acabou-se a animação.

E: É.

F: Num tem mais nada. Então, Copacabana, isso aqui nem perece que tem... que tem Carnaval, se num fô lá pro lado da cidade num tem nada. Coisa horrível.

E: Eu estou transcrevendo hoje aquela fita que a gente gravou lá na Marta.

F: Qual?

E: Aquela que você fez lá na Marta, lá em Botafogo.

F: Ah, eu sei. Ficou boa a fita?

E: Ficou boa.

F: Ah, menina!

E: Você nunca escutou não, né?

F: Não, não.

E: Ás vezes, só um pedacinho.

F: Só um pedacim assim quando... vai dizer a... a gravação.

E: É, você escuta.

F: Mas (gaguejando)... no... foi no... Domingo, Meu Deus do céu, domin... Domingo já... Domingo ou foi sexta, mas que dia bonito, como que dias lindo que tem andado, né dona Nelize?

E: É.

F: Poxa, nem parece assim sê...

I2: Inverno.

F: Inverno. dia lindo, mas lindo mesmo.

E: Hoje, está dando praia.

F: É... e tá calor tamém.

I2: Ainda bem, né?

E: Tempo frio, a gente não tem pra onde ir, né?

F: Ah, não eu vô dizê tempo de frio eu durmo é muito.

E: É.

F: Ah, dona Nelize, como eu tenho dormido, eu vô dizê a senhora, nem saí quase eu tenho saído. Eu saio dia sim, dia não.

I2: E o namorado concorda?

F: Ah, mas num saio sozinha não, saio com ele.

I2: Mas ele num quer sair todo dia?

F: Não, num qué sair assim todo dia não, porque tá já... faz muito frio.

I2: Ahãm...

F: Tem feito muito...

I2: Seu namorado é daqui, Ilda?

F: Não é la de... daí de... cumé meu Deus? de São Cristovão.

I2: Mas ele é carioca?

F: É cari... não ele é baiano.

I1: Ah, é baiano?

F: Baiano tem...

I2: Você sabe que Neliza é baiana?

F: Senhora é baiana?

E: Sou.

F: É hem? Ãh...

E: Nasci lá.

F: Engra... engraçado, senhora tem a pronúncia de.....minera.

E: Queu moro em Minas, né?

F: É tem a pronúncia de mineira.

I2: Ela tem uns... contadinho.

F: Nada, eu acho que todo mundo tem os seus cantadozinho. O... o... minero é... é... Eu já peguei bem o sutaco de... mesmo de quase dos carioca, né?

E: É.

F: Que... que os mine... mine... o... como se diz, diz que o... diz que o minero mesmo só diz: - Uai!

E: É.

F: Uai!

I2: Aí, a gente começa a cantar feito eles.

F: A...no... pessoal do norte também, só fala cantanu, né? Só cantanu.

E: Eu acho que cada um canta num ritmo diferente, mas todo mundo canta.

F: Todo mundo. Agora o baiano acho que... é... a... sei lá, pelo menos assim que com... que fala assim... fala mesmo compretamente diferente, compretamente diferente. Ele tava... Tá fazenu quinze dia qu’ele veio da Bahia, hoje.

E: É

F: É

E: O que que ele foi fazer?

F: Foi lá tratá dũns negócio lá, vendê lá ũa ũas terra dele, cõuns irmão, vei de lá... ficô lá um mês.

I1: Senhora morreu de saudade?

F: Eu? Ah... demais! Num dá...

I2: Num ficô com saudades, não?

F: Nada.

I2: Um mês dá pra tê saudade, é muito tempo.

F: Ele telefona de lá. Engraçado, que coisa engraçada, cumé que de um lugar, longe, comé que pode, a pessoa tá falanu dũa lonjura daquela e parece que tá aqui, né?

I2: Ahãm.

F: Eu falei: “Mas né possíve, será quele tá na Bahia, mermo?”

I1: Vai vê que tá aqui, mentinu.

F: Vai vê que tá aqui. Vai vê quele tá mentinu, vai quele tá é mentinu, pra dizê que tá na Bahia e num tá na Bahia, porque... pra mim justamente acre... (riso) pra em querê pegá no flagante. Falei: “Não”.

E: Você dá umas tapeadas boas nele também, né?

F: Senhora?

E: Você dá umas tapeadas boa nele também, né?

F: Uai, tem.

I2: E ele num desconfia, não?

F: Ah, ele é desconfiado, é desconfiado que Nossa Senhora! Coisa queu num faço ele fica dizenu: “Que num sei que!” Você as... ocê... se... sele num vem aqui, ele pega no outro dia per... telefona pra mim, diss’assim: “Ilda, você... saiu... saiu ontem?” “Não. Saí não”. Senhora sabe que tem vez ele diz assim: “Ah não, pode sai dá ũa voltinha, depois... já sabe cê... direitim, hem”! É... eu digo: “Nã rapaz, num vô saí não. Eu num vô sai não, eu num gosto de sai não”.

E: Sei.

F: A, ãh! E ele...

I2: E ele num desconfia não?

F: Ah, mas homẽ é... eles vão dizê que fa... quele... eles vão dizê queles fazem? Num diz, né? Então a gente... então a gente tem que fazê o mesmo, tem que sê a mesma coisa.

I2: Ele é ciumento?

F: Ah?

I2: Ele é ciumento?

F: Ih, demais! Diz que pessoal da Bahia diz que tem um ciúme louco. Num deve sê assim... sê todos, né? Ah. mas diz que... mas Nossa Senhora, ele é triste! Falo: “Ah, coitado! Vai morrê caduco”.

E: ... ficô os dias de Carnaval aí.

F: Fiquei...

I1: Brigô de propósito?

F: Ah! No pri... logo no primero dia de Carnaval...

I2: Você brigou, porque você quis de pro...

F: Não, foi assim, ele mar... marcô comigo as seis horas, chegô erãũ quase oito horas. Eu falei: “Ah não, esperei muito”. Dia do Carnaval, vai ficá esperanu assim? Num dá não. Aí ele chegô ĩantes... ele já vei já de... de cara feia pro meu lado...

I2: Ele?

F: É.

I2: Chegô atrasado e chegô de cara feia?

F: Já che... chegô de cara feia porque ele já sabia, quando ele olhô pra minha cara queu tava com a cara feia, ele já vei já ca cara feia. Mas, então, quando ele chegô, logo o meu bico logo encontrô com ele e pronto. “Ah, então você vai embora... então você vai embora pra casa, eu também vô embora pra casa”. Falei: “Tá, tá bom... Eu num venho esses dia não”. Falei: “Tá, tá bõ... tá ótimo. Então, pronto”. Sai, fui pra cidade, brinquei, a mĩa garota bricô, toda a minha... a minha colega cõas.... cõas sobrinha brincô também. Pronto. Brinquei os três dia, quando chegô noutro dia: “Que que você fez?” “Nada, fiz nada, nada”.

I2: E, no outro dia, ele te procurou, quando terminou o Carnaval?

F: Não, só... só na quinta-feira qu’ele telefonô sabemu se eu... Agora a senhora vê seu ia ficá os dia de Carnaval dentro de casa, esperanu por ele. Ah... essa... eu falei: “Acho que tá ficanu meio bobo, sã?”

E: Ainda mais Carnaval, né?

F: Ainda mais Carnaval, porque aí a pessoa mesmo que não brinque, mas vai o... vê as escola de samba, o... os broco todos passá, né? Agora, por causa dele vô ficá dentro de ca (sa)? Não. Toda as veze... a... a... eu achei tanta graça que (ou)tro dia que... lá pouco tempo aí ele... ele disse pra mim que num vinha, né? “Ilda, eu num... num vô aí hoje não”. Falei: “Tá, tá bom, conformo”. “Mas você num vai sai não”. Falei: “Não, num võ sai não”. Aí fiquei, né? Fiquei, fiquei, mas deixa está que tinha um aniversário pra mim i, mas aí eu falei pra minha... a minha colega e o namorado dela pra mim esperá queu ia... queu ia a festa, mas aí a... (inint.). Falei: “Mas eu tenho que esperá... depois de dez hora, comé queu vô podê sai, eu sei quele vai telefoná”. Aí, dona Diná virô pra mim e disse assim: “Ilda, você num sai, seu Osvaldo vai tocá aí”. Dito e feito, dez e vinte, eu prontinha pra saí, dez e vinte ele... ele telefonô, telefonô: “Já tá dorminu?” “Poxa, rapaz, tô acordanu agora” (risos).

I2: Aí ele ficô feliz!

F: Aí falô: “Ah! Isso mesmo, vai dormi, vai dormi então mĩa fi(lha), fui te acordá”. Todo feliz mesmo pensanu... tava dorminu nada, dormi dia de sábado!? Mas eu aproveito mesmo quando cho... quando chove, quando chove, mĩa filha, num precisa esperá não quele não vem.

I2: Aí você pode ficá na rua.

F: Ach... não, tenha dó, num fico lá em ca(sa)... cinema, saio cõas colega... Ah não, fico, não fico dentro de casa não, imagine!

E: Às vezes, também ele está sainu, né?

F: Não, porque, a vez, eles telefonãũ assim mas pra justamente só pra... pra... dizenu: -“Ah! Vô lá hoje nada! Vô falá com ela... falá com ela hoje nada, eu vô... vô falá cõ outra”. Né? E eu... As vez, tá pesseanu, as vez tá nũa festa, telefonâ pra mim, ficá dentro de casa... ficá dentro de casa feito boba nada, eu não, saio bem fresca quero nem sabê.

I2: Eu não, eu sô boba, adoro ficá em casa.

F: Ah, não, (riso) Ah não, eu num gosto de ficá em casa. Não porque se... s’eles fizesse a mesma coisa, mas num faz eu vô ficá dentro de casa esperanu e ele lá bem... a... se... pesseanu, se divertinu cum outra.

I2: Quantos anos ele tem Ilda?

F: Ele?

I2: É.

F: Cinquenta e... vai fazê cinqüenta e três.

I2: E ele está no Rio há muito tempo?

F: Tá, tá no Rio uma porção de tempo. Faz muito tempo... é fogo!

I1: E de novela, você gosta de novela?

F: Novela?

I1: Novela de televisão, você vê?

F: Ah eu gosto assim, mas num tenho assim... tempo não sabe? assim pra vê não. Muita eu gosto, mas num... aprecio muito não, sã? Agora... gosto muito de cinema.

I2: Também gosto.

F: Eu fui vê um na... no... o filme que tá passando no Metro, Copacabana.

I1: Qual, hem, que tá passanu?

F: Agora esqueci o nome do filme.

E: Deve ser Crime e Paixão, não?

F: Eu acho qué esse mesmo.

I1: É uma mulher lora?

F: Lora... é ũa mulhé lora....

I1: Um homem que é da polícia?

F: É isso mesmo,

E: Então é Crime e Paixão mesmo.

F: Fui vê domingo esse filme. Ah... mas... mas... ah... eu gostei daquele filme.

E: É foi muito bom.

F: Fui vê um também... fui vê esse filme aqui também do... do... Copacabana, o... domingo... domingo retrasado. Bom mesmo, bons filme queu tenho visto, sã?

E: "O Vento Levou" que passou aqui.

F: Ãh, é?

E:... num foi esse?

F: Mã...

I2: Aquele filme eu vejo uma vez só.

F: O... o Copa... o Copacabana num é esse aqui de... a... esse aqui?

E: É.

F: Ah, é isso mesmo.

E: Tem uma guerra, uma porção de gente ferido...

F: – Ah não esse é... esse filme queu vim vê em Copa... Copacabana. F oi Copacabana? Num tem certeza n(ão) Foi um filme que na hora o... o... ela...a...a moça é... cumé? é sobrestituta, sei lá! Aí acaba no filme o... aí ela corre, ela corre se... vai s’escondê, vai sescondê do... do... da polícia.Aí o... o cara que tá... o vigia, aí caba gostanu dũa lora, caba gostanu do... do... do... camarada e o camarada gostanu dela, o rapaz, gostanu dela e pergunta: “Escuta aí, você está nessa vida há muito tempo?” Ele diz: “Não”. Ela diz pra ele: “Não, num estô nessa vida há muito tempo não”. Aí ele fala: “Cê qué i pra minha casa?” Aí ele levô ela pra casa dele, chegô lá, mostrô a casa dele, sã? E... mas no fim e(la)... aí ela... ele sai, vai vê um novo emprego, um novo emprego pra ganhá mais e... ela ficô... ele ficô com pena de vê ela cõa meia furada, sã? Então ela dizia pra ele, dizia assim: “Não, eu... esse... Pra que que você foi vê novo trabalho, você vai se cansá e... num sei o que, esse dinheiro dá muito bem, que você me deu”. Aí ele vai, num as o que quele pensa, proque eu... no fim eu... vô te dizê a senhora, nesse fim é que eu num sei por que qu’ele cabô matanu a... a moça, porque a moça tava tanu senu tão direita pra ele, porque ele disse: “Eu num quero que você m’engane!” Eu num sei se foi algum conto de alguém, alguém que contô algũa coisa pra ele, mas no filme a gente tá vemu que a moça, coitada, tá se procedenu direito, pelo que ele encon... encon.... quando encontrô ela, encontrô na vida torta, né?

E: Sei.

F: Encontrô ela na vida torta e ela tava se procedenu direitim com ele. Ao contrá... e num queria que ele trabalhasse pra num... se cansá. O dinhero que ele ganhava no outro emprego dava muito bem pra ela, pra eles... pra eles dois. Aí, ele tirô o revolver e matô ela.

I1: Será que ele não encontrou ela com outro não?

F: Não, porque no... pelo meno, no filme ela tava se procedenu muito direito, né?

E: Não, não foi o filme que eu tava pensando não.

F: Foi s... foi as... foi o sábado retrasado, foi esse fi... esse filme... um filme que passô aqui em Copacabana. E esse foi aqui no... no Metrô.

E: No Metrô.

F: No Metrô Copacabana, queu vi do... filme... mas muito bom também, muito bom filme. Agora, ele num gostô muito não, porque diz que...

I2: Ah ele foi também?

F: Ah! Eu fui com ele.

I2: Ah!

F: Mas aí ele num gostô muito não, ele disse: “Olha, Ilda, num gostei muito desse filme não, porque a mulher... porque que a mulher que enganava o... enganava o marido.

I2: Homem tem um medo de chifre, né?

F: Ele diz: “Eu não (inint.) coisa não, porque num sei o que, porque num sei o que” – “Agora, escuta aqui, cê vai querê ficanu... me trocanu por... por... negócio de filme, é? Cê vê lá? Você fica venu... fica venu esse negócio desses filme pra depois ficá acham... metê isso na cabeça e acha queu vô fazê a merma coisa cê é bobo!” – Ah, mais... porque esse... nesse filme do... do Copaca... esse... desse... esse filme, né? Queu tava cantanu do homem, esse andão tinha ũa... ũa... ũa mulata, forte, né? Aí foi... aí passô mei de... de três rapaze e tinha um mendingo, ela passô a mão num dez conto, pediu dez conto pro... pro camarada, o rapaze quela passô perto dele, aí ele... ela... o cara deu dez conto a ela quele tinha pedido dez conto a ele, deu dez conto a é... a ela, aí ela passô a mão nos dez conto e deu pra mendingo.

E: Sei.

F: Mas o mendigo deixa está que o mendingo tinha mexido cum ela, sã?

E: Sei.

F: Aí, ele passô... ela passô a mão nos dez conto, pa... porque o rapaz tinha dado a ela, dado... deu pro mendingo. “Mendingo precisa de dinheiro. Toma”. Deu os dez conto pra ele. Aí, o cara disse assim. “ Puxa, eu pen... pensanu que o dinheiro é pra ela, ela passa a não dá pra ele, o ũco dinheiro queu tinha no bolso, ũco dinheiro”. Aí o mendingo começô a cumê pon. Aí, ele disse assim. Olá bem feito, tá começanu a tuas custa. Um bonito pedaço de põn cum as... cum... cum presunto. Ele ficó indignado. Aí o... o outro colega, doutro rapaz num se conteve não. “Mas ela é muito bonito bonita! Olha, quem não... quem não anda num engole sapo...” Um negócio assim, quem não anda num engole sapa. Foi ele atrás da outra... da... da mulata. Não, dá o que dé, vô atras dela... Aí, chegô lá, aí ela che... ele che... a mulata já ia, ele já foi atrás. “Vô já atrás dela”. Aí, ele foi atrás da moça, foi atrás da moça, aí: “Onde cê vai?” “Eu estô passanu” “Cê num qué encontrá comigo não, não por causa do meu marido” “Ah, dá um jeitim queu vô encontrá contigo”. Aí, ela disse: “Então, quatro hora. Olha... mas você tem que fazê isso, cê tem que me levá um sa...” Passô nũa sapataria, olhô um sapato de... de cento e trinta contos. “Cê tem que me levá esse sapato de fivelinha, cor de areia, de trinta e... de... de cento e trinta contos e essa loteria, essa loteria... essa loteria de cento e trinta”. O rapaz ficô doido, e procu... ó... olhava pra vê se alguém, pa vê se alguém emprestava dinhero: “Ih, cê tem algum aí pra memprestá? Poxa! Você num é meu amigo?! Você num é meu amigo, num é possivel isso!” Aí os cara disse assim: “Tá pensanu queu sô algum... a... algum bobo? Sô algum bobô? ficá... dá dinhero pra você dá pra mulé?”. Ele disse: “Não, eu tenho que... eu tem que ganhá essa... essa... essa mulata hoje. Eu tem questá na casa de la... tem questá na casa dela as quatro hora”. Aí, foi nun japonês, no botequim do japonês, chegô lá converso ele: “Olha, escuta, vão fazê ũa coisa, você... aquele cheque...” E... ó... olha que num tinha cheque nenhum não, aí: “aquele cheque que eu te... que... que... o... queu te dei, você... qué trocá comigo?” Golpe. Aí, o... o... e... ele disse: “Troco”. “Então, você faz isso, você... vos... eu vô... cê vai me dá... vai me da quatrocentos contos, você me dá duzentos, me dá trezentos agora”. Aí, ele ficou doido, panhô o dinhero, foi lá na sapataria, lá na... sapataria perto, do botequim do japonês. Foi lá, panhô o sapato, deu o cento e vin... cento e trinta conto e... e levô pra mulhé. Aí foi na loteria, sabe o que quele fez? Foi na loteria apanhô aquele pa... pediu aquele negócio de... panhô um... um cartão e o a... aquele pa... aquele... o volante que a moça tinha dado a ele escrito já, panhô o volante, fu... Hein, menina furo.

E: Sim.

F: Furo, escreveu ali e levô pra moça, mas num constranu nada... num constanu nada na... na... na loteria, né? Ele furô o cartão por conta dele, sem pagá sem nada. Aí levô; chegô e entregô a loteria pra moça e o sapato. Ih! Aí, pronto, começô, a bagunça. Aí, os... os outros... os outros três... os dois... os dois colega deles levô... aí trepô em cima dũm ônibus que já aí passanu, pra vê o colega que tava dentro do aparta... Não. Primero ele disse assim: “Eu tinha que arranjá um... um... ũa pessoa pra cortá o cabelo, pra enganá o marido”. O marido dessa... dessa moça era barbero. Então, ele tinha que arrumá um pra... cortá o cabelo pá dá tempo pra ele i na casa da... do... do... do... barbero pra pudê encontrá cõa mulhé dele. Aí ele fez, né? Fe... chegô perto dum disse assim: “Escuta aí... cê num qué ficá bonito não? Corta esse cabelo, ras... “Não”, ele disse: “num tô afim de cortá cabelo não”. Aí aquele num quis. Ele saiu fora. Aí, ele foi perto aí foi nesse mendigo quela tinha dado os dez conto.

E: (inint.)

F: “Cê num qué ganhá setenta conto não? setenta conto pra... pra fazê essa barba, cortá esse cabelo?” “Não, num quero não”. Aí, depois ele pensô, pensô bem, aí... foi. Ele falô: “Mas você tem que me dá a metade, tem que me dá a metade do dinhero”. Aí ele deu a metade, quatro hora o... o mendingo foi pará lá pra cortá o cabelo, pra fazê hora, né pra ele i lá no apartamento do... do... do...

E: Do barbero.

F: Do barbero. Aí, nisso que o cara tá lá fazenu a barba do... do mendingo, e ele de lá enxergava o apartamento dele, quele vé aqueles cara tudo em cima do ônibus, olhamu pra... olhamu lá pro apartamento dele, era os cara que tava olhanu o... o colega dele de bagunça lá cum a mulhé dele. Aí, quando eles virũ: “Ah, muito boa! porque num sei o que”. Aí o... o barbero, sã? fazenu a barba do mendingo, mas... de olho, né? De vez em quando... ele fazia assim, mas de vez em quando suspendia o olho assim. “Não, eu vô lá em casa”. Aí o... “Não” – o mendingo disse. “Não, é você mesmo que tem que fazê minha barba, num vô fazê minha barba cum mais ninguém , é cum você”. Mas fazenu hora ali, cum certeza pra empatá tempo. Aí ele... aí ele... ele tanto... tanto... tanto fez, aí deu um salavanco no mendingo e largô pra lá, sã? largô pra lá e foi na casa dele. Aí, quando ele chega lá e vem olhanu assim na esquina, vê a mulhé cum... cum ã... cum outro, o ca...

E: Sei.

F: O dito rapaz. Aí, ele vem ca espingarda, ca espingarda, atiranu, aí, pronto. Aí, foi um santo que se benzeu, benzeu. “ Me ajuda, me ajuda, São Benedito!”

E: Engana o outro.

F: É. “me ajuda São Benedito, me ajuda, me ajuda”. Mas aí a... a... a mulhé dele quando viu ele: “Não, fulano, você está nervoso, você está nervoso”. Vem agarra ele, aí o cara: “Não, rapaz, pera aí, calma, calma! calma, num é assim não, espera aí”. Mas deixa quele tava aproveitanu da mulhé dele o que quele queria?Eu achei mais engraçado tamém foi o... o camarada, é... é... foi... tinha estado o... foi... isso... foi outra, aí tinha estado cum a... cum a mo... cum a mulher dele, engananu o outro, sã? Que o... o marido dela num estava em casa, aí entrô um rapazinho novo, entrô um rapazinho novo e foi está lá cum a mulhé dele, né? Aí, nisso queles estãũ lá na... na... na... o... o bem estar deles, entra o marido, cantanu “Ô fulano! Coisa aí...” Nisso ela se veste, o...o rapaz s’esconde atrás dum vaso, aí, o marido dela chega, vai vê televisão, vai vê televião ca blusa dele fica assim em cima do... dũa cadera. Aí, ele vem por outra porta lá dentro e vem, tira a blusa e vai fica lá e caí ũa chuva que ninguém pode, aí o pessoal fica tudo olhanu, do lado de fora, fica olhanu pro lado de fora e... tudo que... dizemu: “Ladrão, ladrão!” Aí, quando o... o... quando vê que... ele num sai, porque... Ele falô: “É eu vô tentá um golpe. Aí, quando ele chega, quando ele che... chega assim, quele..... muita gritaria, a mulhé sesconde lá... vai lá “Fulano, vô dormi”. Isso cum o marido. “Eu vô dormi”, mas pro rapaz saí pra fora. Aí a mulhé vai dormi, aí ele (inint.), aí o cara falô, o marido da moça tá venu televisão, aí, o camarada sai lá da área, onde ele estava peganu chuva porque ele sescondeu na área, né? Ele s’escondeu. Aí, ele chega. Aí, quando o marido da... da... da moça, de... da cara quele estava com ela, aí ele disse assim: “Calma, calma, eu sô... dá licença, dá licença, dá licença, dá licença”. Aí, ele... ele: “O que o se(nhor) está fazenu aqui dentro da minha casa, hein? O que o senhor está fazenu dentro da minha casa? Pode se afastá se arristire daí”. Ele disse: “Não senhor, (gaguejando ) (inint.) calma, sabe que que é? É queu... eu estava cõa vizinha ali do lado, eu estava cõa vizinha ali do lado e num posso, o marido dela tala viajanu, chegô agora...” Mas deixa está quera ele mesmo. Qué dizê, depois, ele vem brigá comigo porqueu... Falei: “Rapaz, essa é muito boa! Foi eu que estava fazenu?” Eu falei: “Ah não, ciumada boba!” Falei: “Ora cê num... se é pra você vê filme pra depois cê ficá conversanu... ficá com bestera comigo, não num vamo”.

E: Você não pode levá ele nesses filmes não.

F: Ah, não falei... Parece criança.

E: Ilda, vamos vai se nós gravamos um pouquinho, né?

F: Vamos.

E: Mas a gente vê essas coisas no filme.

F: E a senhora sabe que é ve... e... a... e... é verdade mesmo.

E: Isso acontece mesmo.

F: É verdade, acontece mesmo, certas coisa que acontece mesmo.

E: É sim, a gente vê, pensa que...

F: Pensa que num é, não é só filma, mas né não, é verdade mesmo.

E: De vez em quando, a gente está sabendo dum casa.

F: É pre... não, é abri o olha (riso).

E: De vez em quando, a gente tá sabenu dum caso assim.

F: Ah, bobage?



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