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Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Centro de Letras e Artes – CLA

Faculdade de Letras

Departamento de Lingüística e Filologia

Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - PEUL

Banco de Dados do PEUL/UFRJ


AMOSTRA CENSO/2000


Falante: 19 Jor

Sexo: masculino

Idade: 37

Escolaridade: Fundamental 2

Bairro: Vila Isabel

Profissão: -

Ano da entrevista: -

E: Jorge, eu queria que cê me falasse um pouco da sua família.

F: Olha, a minha família é uma família que... é: ... eu tive, eu gostaria de tê porque a minha família é muito doce, foi muito carinhoso comigo. (est) Tudo bem que existe uma diferença entre o passado e o presente, né? Antigamente, a minha mãe num era muito assim de se aproximá na mesa pra conversá, né? A minha avó também muito pouco pelo : pelo lado da cultura dela, né? Existe uma diferença entre o passado e o presente, né? Hoje em dia, uma mãe pega um filho e senta na mesa, conversa, conta os seus problemas, num sei o quê. (est) Eu nunca tive isso, mas graças a Deus eu nunca tive problema nenhum com a minha família, né? (est) E... qué dizê, eu num tive toda aquela educação que o filho merece, né? Mas em compensação eu tive uma ajuda de Deus, né? Hoje eu me considero um homem, feito na vida, sabe, com todo o caráter, com todo o comportamento, né? E minha família me deu muito amor, muito carinho, (est), né? Eu perdi minha mãe, perdi meu pai, meu avô, minha avó (est), né? Mas eu amo eles, mesmo que eles num tiveram é: essa cultura de conversá, né? de sentá na mesa: “que foi, meu filho, tudo bem? Que que tá passando?”, eu tive muito amor. Amor, amor, amor, amor, amor... é:... pelo fato que eu sou hoje (est), entendeu? E minha :e... e minha família, sabe, é muito assim simples, né? batalhadora. A minha avó então nem se fala. (est) Minha avó, num existe minha avó! Minha avó é dez! (est) Né? E eu tenho um pouquinho dela também, né? graças a Deus que eu tenho um pouquinho dela (est), né? E... uma mora em Friburgo, outra mora em Belo Horizonte, né? Tá tudo espalhado, outra mora aqui no Rio, em Campo Grande (est), né? Então minha família tá toda espalhada, né? Mas somos uma família unida, somos uma família muito bonita, né? E:... Eu gostaria que se fosse voltá atrás, eu queria ficá nessa mesma família (est), né? E essa é a minha paixão, a minha família, né?

E: Vocês se reúnem sempre?

F: Olha, a gente reunia muito quando a minha avó era viva, (est), né? Depois que ela faleceu, aí acabou tudo isso, que tinha Natal, Ano Novo (est), né? Carnaval, era todo mundo ali junto. Aí, depois que a minha avó se foi, aí acabou tudo, cada um foi pra suas casas, cada um casá, tê os seus filhos, sua família, né? Qué dizê, uma vez ou outra se encontra um com outro com outro (est), né? Eu já tentei um dia reuni essa família, entendeu? Sendo que eu tenho essa capacidade porque além de sê o caçula, sê o sobrinho, eu tenho essa capacidade porque eu sou muito querido pela minha família (est), né? Porque eu adquiri isso desde criança, né? Então me respeita muito, né? Porque hoje eu sou um homem (est), né? Eu sou muito respeitado pela minha família como eles também é:... eu respeito eles, eles me respeita, né? (est) Então, eu já tentei um dia fazê isso. Um dia ainda vou fazê isso, reuni a família toda, sabe, pra sabê como é que tá, como num tá, quê que tá precisando (est). Sabe, eu acho que a união faz a força (est), né? Eu penso assim.

E: Cê dá muito valor. Por que que cê num teve filho, Jorge?

F: Ah... sei lá, é coisa de família, sabe? (est) Porque... eu tenho um tio: um não, né? Um, dois, três tios que num têm filho e que também num casou (est), né? E eu sou o sobrinho. Também casei, mas num tenho filho. O meu irmão casou, mas também num tem filho. Só um tio só que casou e que tem filho. (est) Em compensação, ele disparou, teve nove! [E: Nossa!] Agora, já minhas tias, todas elas casaram, todas elas tiveram filhos, né? Então já é coisa do homem mesmo da família (est), né? E... qué dizê, pelo fato que eu sou novo, tenho trinta e sete anos, minha mulher tem vinte e nove ano, [E: Ah, então...] então ainda tem muito campo ainda, né? (est), ainda falta muita coisa ainda pra mim (est), né? Eu também num tô pensando muito em tê filho não porque tá tudo feio, tá esquisito, num tô gostando (est), sabe? Tudo bem que eu num vou criá meu filho conforme determinados: (apito) determinadas crianças – não culpa dos pais, né? – as criança tá aí se metendo em droga, cocaína, maconha, matando, né? (est) Qué dizê, como meu filho pode sê igual a mim, como de repente num pode sê (est), né? Eu acho que é questão de loteria.

E: Sei, então num é uma diferença da educação?

F: Não, não. A educação – eu acredito que muitas crianças aí têm educação, têm conforto, têm carinho, né? E passa pro outro lado, (carro passando) porque existe o outro lado da moeda, né? que é o: que é o vizinho, né? Ele ensina totalmente diferente. Por quê? Porque ele já caiu [na... na] na tentação (est) da droga. Então... e pra num í sozinho, ele acaba levando o próximo, (est) entendeu? Então a gente num pode dizê se nosso filho vai ou num vai sê, né? (est) Então é questão de sorte, é questão de... é:, eu acho que é mais sorte (est), né? Porque você vê aí hoje em dia, com toda a educação, né? todo o carinho e a criança passa pro outro lado. (est) Eu acho que num é por aí (est), entendeu? É assim que eu penso.

E: E você é casado há muito tempo?

F: Quatro anos.

E: Quatro anos. E a sua mulher é daqui da UERJ também?

F: É, trabalha na UERJ. E ela mora em Benfica. [E: Ah, sei] Mora em Benfica, ela.

E: E você: como é que é seu trabalho aqui?

F: Meu trabalho do dia-a-dia? (est) Olha, você sabe que o trabalho tem dia que é maravilha como tem dia que não é maravilha (est), né? É tudo é questão de momento, né? Tem dia que você chega de manhã você tem uma boa notícia (est) Como você chega de manhã e num tem uma notícia boa, né? De repente, pelo comportamento da pessoa que são cabeças diferentes, né? (telefone) Cada um pensa (“de uma maneira”) diferente. Tem gente que é mal-humorado, tem gente que sorri, tem gente que é alegre, né? Então tem dia que é dez. Tu chegou de manhã, deu bom dia pra todo mundo, né? os paciente deu bom dia, mas tem dia que complica a situação. (est) Paciente vem mal-humorado, o colega de trabalho tá mal-humorado, aconteceu alguma coisa. Aí descarrega naquele que num tem nada a vê com isso, né? Então já aconteceu de estarem aborrecido (est), como já aconteceu também de ficá alegre, né? (est) Então isso depende muito da lua de cada um. Tem dia que é maravilha, mas tem dia também que é brincadeira! (est) Só Deus sabe. Qué dizê, aí se aborrecem, né? Fica inimigo [da... da... da] do colega de trabalho, né? Que num é nada bom, né? Vai pra casa... Como você pode tê um carinho da mulher como não pode também. Vai dependê dela, como ela (hes) como ela é:... como ela ficou dentro do trabalho (est), né? De repente também ela tá zangada também. Aí pega o zangado com o zangado, já viu o quê que vai acontecê (est). Aí um vai tê que cedê pro outro (est), né? Eu acho que é assim que eu penso também.

E: E qual é sua atividade aqui no ambulatório? (apito)

F: Aqui? Qué dizê, aqui na Fisioterapia, né? que é o setor de Fisiatria, ali tem sala de massagem, né? Exercício passivo, gelo e tem os aparelhos: ondas curtas, ultra-som, (“corrente parado”), galvane, infravermelho. São tipos de tratamento que a gente dá pro paciente, né? Vem paciente de tudo quanto é lado. Nova Iguaçu, Caxias, é:... Grajaú, Vila Isabel, né? Copacabana, Botafogo, né? Vem paciente de tudo quanto é canto. (est) Campo Grande, né? E cada paciente tem o seu problema de doença, né (est)? Um é um AVC, o outro é quebrou a perna (est), outros problemas que acontecem da patologia, né (est)? Cada sala tem um aparelho que faz um tipo de é:... de patologia (est), entendeu?

E: E como que faz pra sê atendido no ambulatório?

F: O paciente chega com o: é:... com uma : com, com o parecer dado no ambulatório (est), né? com o cartão do hospital, chega aqui numa quarta-feira, né? Que é o dia [da... da] da marcação de consulta (est), né? Aí – tem que chegá cedo aqui – aí marca, pra doutora, aí é atendida pela doutora, aí a doutora vai dizê qual o problema do paciente (est), que tipo de exercício que o paciente vai fazê. (est) Entendeu? Aí a partir daí ele começa a fazê o tratamento. (est) São dez seções, né. É Segunda e Quarta e Sexta ou Terça e Quinta (est), né? São os dias que o paciente freqüenta o setor de Fisiatria.

E: E funciona bem?

F: Funciona muito bem. Poderia sê melhor, tá, aquela casa que nós temos ali poderia sê mil vezes melhor do que é. Por quê? Tá faltando reforma, tá faltando muita coisa ali, sabe? Num é só reforma não. É mais funcionário, né? que se aposentou um bocado de funcionário. Ali era trinta agora deve tê uns doze. Entendeu? (est) E daqui a dois anos vai se aposentá mais dois. (est) Qué dizê, a tendência é só diminuí. (est) Qué dizê, num contrata ninguém pra trabalhá, entendeu, então fica difícil ali pra gente, né? Tem mais sala ali que poderia tê funcionário. Que é o (tosse) que é o (hes) turbilhão, né? (est), é uma sala que poderia tá funcionando, não está funcionando porque tá estragado. E também se botá pra funcioná não tem funcionário. Eu acho que a casa merecia um tratamento melhor do que está. (est) Entendeu? E também não é só também é:... pintá, arrumá não. A cabeça dos funcionário também deveria muda, (est) sabe? E ali quase num tem reunião, deveria tê reunião, que eu dou muito valor a uma reunião, sabe, porque acabada a reunião tudo se arranja (est), né? Um apoio de um, um apoio de outro, [uma] uma idéia, entendeu? Botá o setor pra funcioná (est), né? Então a gente tem um astral muito bom ali, né? Tem outros que não, tem outros que sim. Diante dos pacientes, a gente trata muito bem os paciente, entendeu, num tem como os paciente reclamá. Agora, só que a hora ali é muito rígida, entendeu? É a hora é a hora, depois da hora num é hora, (est) né? Tanto pros paciente como com o funcionário (est). Ele chega ali sete hora da manhã (est), entendeu, e sete hora é atendido (est), entendeu? A gente atende os paciente é das sete a meio-dia, a gente pára pra almoçá, retorna uma hora, vai de uma às quatro.

E: E você trabalha todo dia?

F: De Segunda a Sexta.

E: E você me disse que também atende pacientes fora?

F: Atendo particular também. Normalmente são mais idoso. (est) Eu gosto de trabalhá com : paciente idoso, né? Com todo o carinho que o paciente tem, (tosse) [ele] ele tá sempre precisando de carinho, né? (est) Ele tem todo o conforto, né? A família, o esposo, os filhos, né? Todo o conforto, mas tá sempre carente, né (est), então eu gosto muito de cuidá deles justamente por causa disso. (est) Eu tive a minha avó, quando teve o AVC, na época eu num podia fazê nada, né? De repente é por isso que eu dou muito valor a eles (est). Eu amo mesmo essa profissão. (est) Amo, eu gosto da minha profissão, eu jamais trocaria pra outra profissão sem sê essa. (est) Eu acho que no momento que Deus me botou nesse caminho, eu acho que é esse caminho que eu cumpro. Até o final. Até me aposentá.

E: E você sempre trabalhou com isso?

F: Não. Nunca trabalhei com isso. Eu vim a trabalhá com isso com vinte e três anos. (est) Quando eu entrei aqui foi em oitenta e cinco, né? (est) Domingo agora eu fiz quinze ano, foi dia treze de fevereiro (est). Eu fiz quinze ano de hospital Pedro Ernesto, mas antes de entrá nessa área de fisioterapia, eu comecei de baixo, eu fui da limpeza (est), né? Batalhei bastante.

E: Mas sempre aqui no Pedro Ernesto?

F: Não, eu trabalhei em outros lugares também, né? Eu trabalhei em segurança de loja de roupa (est), trabalhei como gesseiro (est), entendeu? Aí, nunca deu certo. Eu queria sê é:... ajudante de caminhoneiro (est), nunca poderia imaginá que o hospital seria [minha] minha fonte (est), né? O meu dia-a-dia, né? meu, meu... lado bom, né? que Deus me deu. (est) Deus abriu a porta de uma maneira que eu nem eu imagino aonde que eu cheguei.

E: E como é que cê se tornou assim um técnico de fisioterapia?

F: Olha, eu quando entrei pro hospital, antes de botá o pé aqui dentro do hospital, eu já me imaginando o quÊ que
: o quê que eu poderia aproveitá dentro do hospital, né? Então quando eu cheguei ali na rua Jorge Rudy, que dá de frente pro hospital, eu tava mais ou menos o quê? Uns dez, vinte metro, eu olhei assim, meu primeiro dia de trabalho, eu pensei tudo que eu pensei e hoje eu tenho tudo que eu pensei, entendeu? Eu olhei assim, falei assim: “Poxa, eu vou trabalhá aqui no hospital Pedro Ernesto, qué dizê, uma coisa que eu nunca poderia imaginá e hoje” – aí eu comecei a fazê uma colocação, pensei: “ó, um ano um ano e meio, eu quero arrumá bastante amigo; um ano um ano e meio, tê uma profissão; um ano um ano e meio, me formá como homem, sê respeitado como profissional. Então tudo isso eu pensei. E tudo isso se abriu pra mim. Aí eu tava na limpeza, né? Aí conheci uma menina aqui da Fisiatria, não é, e namorei ela, aí ela chegou: “Poxa, por que você num faz um curso de massagista?” Eu falei: “Poxa, legal. Onde é que faz?” “Ah, lá na Santa Luzia, ali na Cinelândia.”(est) “Ah, tá legal.” Aí eu fui lá, me inscrevi, aí fiz o curso lá, depois fiz estágio aqui (est). Aí depois meu chefe chegou, falou assim: “Olha, pra você ficá como aqui como funcionário, você tem que fazê um técnico de reabilitação.”(est) Aí eu fui lá no Albano Reis, me inscrevi, aí fiz o técnico de reabilitação. E nessa brincadeira já tô há quinze anos (est) no hospital Pedro Ernesto. Então tudo aquilo que eu pensei antes de botá o pé aqui dentro, tudo foi realizado, (est) né? Tudo meu – qué dizê, num vou dizê que foi fácil, mas também nada foi difícil, né? Tudo meu assim, sabe? É como se Deus falasse: “Olha, você tem: tudo isso aqui vai sê seu. Se cê num aproveitá é porque você num qué.”(est) Entendeu? Aí eu fui aproveitando tudo isso, né? Porque normalmente quando você vai arrumá um trabalho, você chega, vai chegando, né? e pronto, vai trabalhando e pronto. Eu não. Antes de botá o pé, tudo aquilo que eu pensei, tudo isso (bate palmas) eu realizei. (est)Então acho que pra mim isso foi fantástico pra mim, foi bonito a beça, né? é uma coisa que eu jamais vou esquecê (est) Posso tá com cem anos, eu nunca mais vou esquecê essa história.

E: E você pensa assim em estudá Fisioterapia, ou continuá, ou você tá realizado assim?

F: Olha, eu acredito que eu já tô realizado, (est) sabe, mesmo que eu num faça faculdade, que seria o nível superior (est), mas eu já tô realizado (est) Eu já sei muita coisa, continuo sabendo, porque eu trabalho com as doutoras, (est) né? com os estagiários que são fisioterapeutas (est), né? E a gente tá sempre se pedindo uma informação ou outra. Eles pedem informação a mim, eu dou [pela... pela] pelos anos de trabalho (est), eu também peço alguma informação a eles também que eles também que eles tão fazendo faculdade. (est) Então um pedindo ao outro. No final, eu já sei já muita coisa já. (apito) Eu acho que agora é trabalhá bastante com paciente e ganhá um dinheiro, né? (est) pro dia-a-dia, entendeu, porque hoje em dia o estudo é importante, claro, a sabedoria. Mas o dinheiro também é uma coisa que faz muita falta para qualquer uma pessoa. (est) Entendeu?

E: E você mora aqui em Vila Isabel, né?

F: Eu moro em Vila Isabel.

E: E sempre morou aqui?

F: Não, eu morava em Anchieta. (est) De : eu fiz uma... eu fiz uma bola de neve, né? (riso e) Eu saí de Anchieta, eu fui pra Leblon, né? Do Leblon fui pra Jacarepaguá e depois voltei pra Vila Isabel. (est) Né? E... qué dizê, existe outros bairro muito bom, mas ainda não encontrei melhor do que Vila Isabel. Eu me apaixonei por Vila Isabel.

E: E por que que cê gosta tanto?

F: Porque aqui diz tudo pra mim. Sabe, fica perto de tudo. Fica perto do meu trabalho, fica perto [da] da faculdade, aonde que eu jogo bola, (est) fica perto do Aterro do Flamengo, aonde que eu jogo bola, né? Então aqui pra mim está a fonte (est), entendeu, aqui é meu crescimento, entendeu? O bairro em Anchieta é um bairro bom, sabe, muito bom. Mas, sabe quando as pessoas parece que num cresce (est), né? Parece que eu tava me sentindo assim quando eu morava lá. (est) Parece que num anda, pessoal num cresce, entendeu? Então, no momento em que eu saí [do] de Anchieta, vim pra Vila Isabel, parece que eu cresci e a tendência é crescer mais ainda, né? Eu pretendo. Vou entrá de férias agora em março e eu tenho umas colega que trabalha lá na UERJ que tem algum conhecimento lá nos clube do Flamengo. Aí eu pretendo fazê um estágio lá, do lado esportivo (est), entendeu? O meu sonho mesmo é sê massagista da seleção brasileira (est), entendeu, até questão de sê assim é:... voluntário (est), né? De repente uma Copa do Mundo, né? Se tem um massagista, sempre é bom tê mais um (est), né? Mas pra conquistá isso, eu vou dependê muito de mim, né? De mim como? O meu trabalho, meu conhecimento (est), né? o respeito, o caráter, confiança, (est) tudo isso pede dentro do profissional. Entendeu? E sê querido. Eu acho que o profissional sendo querido, tendo confiança, eu acho que ele diz tudo (est) pra qualquer tipo de pessoas (est), né? de trabalho no ramo. Então, pessoa indicou “Ah, o Jorge, o massagista.” “poxa, legal, ele é gente boa, num sei o quê. Tá.” Aí vai lá e faz o estágio, né? (est) Eu pretendo fazê o estágio num desses clube aí (est) e tê uma felicidade, né? Uma seleção, enfim, qualquer coisa que, né? que eu ganhe essa fantasia (est) [essa...essa] essa miragem, né? Qué dizê, nunca poderia imaginá trabalhá num clube (est), né? Nem fazê um estágio, e de repente possa surgi essa oportunidade? Não. É claro que num vou saí daqui do hospital nunca. Eu num troco o hospital Pedro Ernesto para o futebol, né? massagista. Não, num vou trocá. Aqui eu vou me aposentá aqui mesmo. Só se me oferecerem muito dinheiro – muito dinheiro que eu digo assim: acima do que eu ganho e que seja funcionário (est). Aí tudo bem. Mas não sendo funcionário eu tô fora. Que esse negócio de contrato, isso dura pouco, né? Cê vê com os técnico, né? Tem dia que tá aqui, tem dia que tá ali, que num é... Qué dizê, num dá certo e todos os técnico levam a equipe dele (est), entendeu? Então como funcionário eu aceitaria, mas fora disso tô fora. (est). E pra mim saí daí também tem que sê uma coisa muito boa. (riso e) Porque eu amo o hospital Pedro Ernesto, sabe, eu adoro o Pedro Ernesto, eu num quero sabê se funciona e:...: gente boa ou não, eu quero sabê de mim, quero sabê do meu crescimento, quero sabê quem gosta de mim e quem num gosta, né? Então eu tenho que sabê o quê eu quero, (est) né? Então o meu crescimento foi aqui, então é aqui eu fico (est), né?

E: Mas se você pudesse trabalhá num clube, em qual que você iria trabalhá, se pudesse escolhê?

F: Olha, eu sou flamenguista (est), mas eu num tenho “preferença”, entendeu? Pra mim tanto faz um como outro. O importante é... é meu trabalho, né? meu conhecimento e meu dinheiro, entendeu? Se eu ganho aqui, por exemplo, mil, eu quero ganhá lá dois mil, três mil. (est) Né? Mas aí é o que eu tô te falando, como funcionário (est), nada de contrato. Importa é fazê estágio, isso aí é de menos, faço estágio, pra tê um conhecimento, o lado esportivo, que eu gosto, né? Mas fora disso não.

E: Mas você é flamenguista?

F: Sou flamenguista.

E: E vai muito a jogo?

F: Olha, [eu] eu num gosto muito do Maracanã não justamente por causa da violência. (est) Eu odeio a violência, sabe? Se eu pudesse acabá com a violência eu acabaria. Mas como eu num sou Deus, sou filho de Deus, então eu num posso fazê isso. Mas se eu fui duas ou três vezes no Maracanã foi muito. Uma foi a seleção brasileira contra a Argentina, se não me engano, outro foi o Botafogo e... Botafogo e outro time aí, também tava vazio, mas final, Botafogo, Vasco, final, tô fora, justamente por causa da violência. (est) Agora, com essas cadeira agora, que eles botaram no Maracanã, de repente melhorou bastante (est), entendeu? Mas, eu num suporto a violência. Porque eu num tenho culpa porque o governo (hes) tá colocando assim, por exemplo, é:... o desemprego, entendeu, eu num tenho culpa nenhuma. (est) Qué dizê, através do desemprego vem a violência (est), que ninguém qué morrê de fome, ninguém qué deixá de levá o leite pro filho, né? pra família. Então eu acho que gera violência (est), né? Então que que a gente tem a vê com isso? Né? Então a gente tá aqui pra quê? Pra trabalhá, né? pra tê o conforto, tem que tê uma vida assim confortável, né? (est) Agora de repente vem um sujeito, sem mais sem menos, saindo do nada, aí de repente te assalta, né? de repente você num fez nada, de repente você num tinha o dinheiro que ele queria, ele te deu um tiro.

E: Cê já foi assaltado?

F: Graças a Deus não. (est) Que eu rezo trezentas e sessenta hora por dia (riso e) justamente pra Deus tá sempre do meu lado. (est) Eu saio de casa, a primeira coisa eu rezo, que Deus me leva que Deus me traga. (est) Eu rezo muito, muito, eu tô sempre falando em Deus. Deus, Deus, Deus. Ele deve tá falando assim: “Pô, esse cara é chato pra caramba (riso e), esse cara, pô!” Mas Ele pode me chamá de chato, Ele pode mas hora alguma vou deixá de falá no nome d’Ele. (est) Que o Brasil, o Rio de Janeiro tá muito violento.

E: Cê já viu alguém sendo assaltado ou já viveu alguma situação assim de violência?

F: Única violência que eu assisti – isso foi, num me lembro a data, (telefone), mas foi: eu acho que eu tinha mais ou menos treze, treze ano mais ou menos, isso foi lá em Nilópolis, num sei se você conhece Nilópolis ali [Só de:] tinha uma cancela ali antiga e... eu tava – foi até na época de comprá bexiga de boi, negócio do bate-bola (est), né? Foi eu e mais dois colega. Quando a gente tava voltando, aí tinha um jipe perto da cancela ali. Aí tem aquele... aquela madeira que arreia (est), (“perfeito”)... Só que o motorista tava um pouquinho mais à frente. Mas aonde que ele tava, se passá trem num tinha problema nenhum, mas num sei quê que deu nele, ele achou que daria tempo de atravessá com o carro. Foi fração de segundo. No momento que ele atravessando o trem aí veio um trem e (bate uma mão na outra para reproduzir o impacto). [Nossa!] Foi a única cena que eu vi ao vivo assim, de frente. Eu e mais dois colega. Foi um tal de corre-corre pra aqui, pra coisa. Eu sei que eu saí de lá, outro saiu pra cá, no final a gente foi se encontrá lá na esquina. A gente nervoso (est), num sei o quê, qué dizê, acabou o rapaz morrendo (est), né? explodindo o carro. [Nossa.] Aí tive que bebê uma coca cola, num sei o quê. Mas foi a única violência que eu vi assim de frente. (est) O resto eu vejo pelo: televisão, né? Os comentário, leio em jornal, né? mas eu odeio a violência, (est) odeio a violência. Se eu pudesse acabava: acabaria com a violência, eu num gosto de violência.

E: E o quê que você faria pra acabá com ela?

F: Olha, eu acho que o problema todo da violência (telefone) eu acho que é o desemprego (est) Eu acho que num existe outra coisa sem ser isso, entendeu?

E: E o culpado do desemprego é o governo só ou são as pessoas que num tão procurando...?

F: Olha, emprego – eu acho que existe uma diferença entre emprego e trabalho (est), tem essa diferença. Qué dizê, o trabalho tem, mas aí aquele trabalho num tá correspondendo o que a pessoa estudou (est) É outra coisa que eu acho desaforo. Cê faz uma faculdade, trabalhou, cê identificou ali tudo, né? Comprou livro, aquela dificuldade, e no final você vai trabalhá na padaria? Entendeu? Tudo bem, eu acho que eh... a gente tem que mais que trabalhá mesmo, pra ganhá um dinheiro, mas eu sou contra isso, né? Se você estudou, é porque você qué um bom emprego, né? qué ganhá um bom dinheiro desde que você fez uma faculdade (est), né? Então é questão de lá do estudo, entendeu, eu num sou contra aquela pessoa que num tem estudo e qué um [bom] bom emprego não (est), entendeu? Então o desemprego é o que acontece. Você vê os camelô – se os camelô tivesse trabalhando teria camelô? Não teria. Então é exatamente isso que eu acho. Eu acho que o desemprego que é o : é o problema todinho desse país. É o desemprego. (est) Que se num tivesse desemprego num teria violência (est). Por exemplo: Friburgo. Tudo bem que é uma cidade pequenininha, entendeu, mas todo mundo ali trabalha. Dificilmente tu escuta alguma coisa de Friburgo. (est) Entendeu? “Ah, num sei quê.” É mais fácil saí alguém aqui da cidade í pra lá assaltá, fazê qualquer coisa. (est) Então aonde todo mundo trabalha, tá ocupado a mente, vai roubá pra quê? Fica difícil, né? (est) Agora, a pessoa foi mandada embora, num tem como sustentá a família, quê que ele faz? Vai botá uma barraquinha ali – ele pegou o dinheiro [da...da...da] do tempo de trabalho. (carro passando) Aí vem um fiscal, né? do governo, vai, tira aquele rapaz e ele vai pulá pra outro lugar, vai, tira o rapaz. Ele vai falá assim: “Não, eu vou tê que parti pra outro lado.” (est) Então é isso. Pode chegá na prisão, pergunta a eles se eles qué isso. Num qué. A única coisa que ele qué é o quê? “Queria trabalhá, estudá e cuidá da minha família (est) Ele só entrou nessa vida [de... de... de] de crime porque num tem um dinheiro (est) Ninguém consegue vivê sem dinheiro. Num existe essa pessoa. (est) Entendeu? Até pra quem ganha bem, os político. Eles roubam (est). Entendeu? (inint) eles roubam, mas eles num consegue mantê o salário dele. (est) E os salário dele são alto. É oito mil, é doze mil, é nove mil, qué dizê, muito mais do que cento e trinta e seis, o salário (est). Ele num consegue sustentá isso, (est), então imagina quem ganha cento e trinta e seis. Com quatro filho. Fica difícil, né? E se você fô vê os político, o máximo que têm de filho é três. No máximo. Normalmente é um, dois ou três, né? Então eu acho que o desemprego é o : é o causador desse problema todinho de violência. (est) Entendeu? E eu acho também eh... a televisão deveria mais apresentá mais coisa boas, (est) entendeu? Mostrá que que é cocaína, mas isso aí num interessa pro governo. Tudo [que...que...que...que] que vié dinheiro para o governo, aí interessa a ele. Mas coisa que num, num vem pra ele, num interessa. (est) Se você fô fazê um levantamento sobre isso, isso é a pura verdade. Ele só se mete naquilo que vai beneficiá ele. Dinheiro. Aquilo que num beneficiou, ele num tá nem aí. (est) Faz ali um arroz com feijão só e pronto. Tudo pronto, entendeu? Então pra mim desemprego [é... é...] é a violência (est), entendeu?

E: E na televisão tem muita violência, né?

F: Muita violência.

F: Muita violência, né? E: agora, eu acredito que nunca vai acabá. (est) Eu acredito, né? Mesmo se o mundo – só se o mundo acabá, né? E voltá tudo de novo (est). Mas eu acredito que se o mundo nunca mais acabá – eu acredito que o mundo vai acabá assim quando morre, tanto é que surgiu a Primeira Guerra e a Segunda Guerra e continua a vida (est), não é isso? Então eu acho que pra mim nunca vai acabá. Por que que eu digo isso? Teve gente aí que tem oitenta, noventa ano de repente falando a mesma coisa que eu estou falando (est) e até agora não mudou nada, entendeu? Então desde quando eu nasci até agora, num mudou nada. Qué dizê: vamos vê daqui pra frente. Num vai mudá nunca, por quê? Porque é por causa do desemprego. Eu acho que o desemprego é o: é o fundamental (est), entendeu? Você pode repará. Vai na cidade, aí você vê camelô (inint) ali. Aí você pergunta: “você trabalhava aonde?” “Ah, eu trabalhava em tal lugar assim- assim.” “Trabalhava aonde?” “Assim-assim.” “É por isso que você tá aqui? E se fosse se você fosse querê voltá, você voltaria?” “Ah, voltaria.” (est) Por quê? Porque aí tem o: você tem o salário fixo, né? carteira assinada, plano de saúde, tem tudo. Ali, ele num tem nada. Ali é só o trabalho do dia-a-dia dele (est). Entendeu, então acho que fica difícil assim.

E: Jorge, cê me falou que gosta muito de futebol, né? Cê costuma jogá bola assim com os amigos?

F: Ah, jogo muito. Hoje mesmo eu vou jogá bola.

E: Tem um grupo certo?

F: É, tem um grupo certo, né? Então jogo Terça lá na UERJ (est), futebol de salão, quinta-feira eu jogo lá na UERJ, mas é society (est), e jogo aos domingos lá no Aterro do Flamengo também que é society (est), né? Então é:... já tem um grupo já formado já (est), entendeu? Agora, às vezes surge outros grupo – como eu sou uma pessoa assim fominha de bola, né? E muito querido, então as pessoas me chamam: “Tem jogo em tal lugar assim assim, tal lugar assim assim.” Às vezes é uma Segunda, às vezes é um: é num Sábado (est) e eu vou e participo (est), entendeu? Mas num é aquele grupo certo, né? (est) é questão de convite. Eles me convida, eu vou e (est) participo a brincadeira, né? Porque eu tô em todas (riso e), então fica difícil a pessoa não me chamá porque eu vou. (est) Então a pessoa chega: “Ah, não, vou chamá o Jorge porque é certo de ele í.” (est) Qué dizê, é mais um que conta (est), né? É muito difícil eu falá não. Só se eu tivé algum problema (est), entendeu, problema assim de “Ah, tô com o joelho ruim, o tornozelo, tá, tô passando mal”, aí não. Mas no momento (inint) normal, nada impede.

E: E sua mulher num implica não, de você gostá tanto?

F: Não, sabe por quê? Porque [quando eu] quando eu casei com ela, ela já sabia (est), né? Eu já fiz essa colocação pra ela, falei assim: “Olha, eu adoro futebol pelo fato que eu trabalho de segunda a sexta, é meu lazer, entendeu, então por favor só espero que você não interrompe o meu futebol.” (est) Então, vai... Nos primeiros dias, complicou, né? mas vai levando, o tempo vai passando, vai levando. Vendo que não adianta nada, que a gente: ninguém muda ninguém, (est) não é isso? Então eu dei continuação ao futebol (est), né? É o único meu lazer, qué dizê, eu prefiro tá jogando bola do que tá no botequim bebendo, não é isso? Passando aí a madrugada em pagode, essas coisa toda. Já gostei de pagode (est), né? mas agora eu tô segurando mais a onda, a idade também, né? qué dizê, eu tô mais o meu trabalho. (est) Trabalho e família (est), né? Num é o pagode, num é o que existe o divertimento, mas também num vamos exagerá também, né?

E: Mas cê costuma saí à noite pra dançá?

F: Olha, [eu... eu] eu eu num saio muito porque ela também num sabe dançá também, entendeu? (est) Isso também influi, né? Quando a pessoa num sabe dançá – qué dizê, sabê ela sabe, mas assim, num tem aquele pique (est) “Ah, vamos dançá, num sei o quê.” Já sai de casa diretamente pra í pro clube, no clube já vai dançá. Não. Então o que acontece? Eu que gosto de dançá vou ficá nervoso, entendeu? Meu pé começa a ficá comichando, num sei o quê. Qué dizê, ela vai dançá uma, vai dançá duas, mas vai dependê da música. (est) Mas que gosta de dançá mesmo, dança qualquer música, qualquer coisa (est), né? Então, aí fica ali sentada ali, conversando, e a música tocando, aí é melhor num í (est). Aí eu vou pro cinema com ela, aí (hes) vou pro Mc Donald’s, como alguma coisa, a gente dá uma saída assim, né? Simples, entendeu?

E: E que tipo de filme cê gosta de vê?

F: Olha, engraçado que eu num gosto de violência não, mas eu só gosto de filme de violência (risos). Entendeu? Tipo assim é:... Van Dame, é: Stalone, estilo assim, sabe, de matança e tal, filme de guerra. Eu adoro filme de guerra, mas isso num qué dizê que eu venha a gostá de violência. (est) Né? você vê um filme é uma coisa, você vê a vida real é outra coisa (est), né? Qué dizê, eu sou um cara muito crescidinho pra... pra num tê essa comparação. (est) Tem uma comparação, porque ali é um filme, ali é uma montagem, né? num é uma vida real. (est) Entendeu? Agora, às vezes, dependendo do filme, filme romântico assim eu gosto, mas depende muito, né? eu ainda num sou fanático (est). Passou filme romântico eu aí fico de lado, tal, entendeu? Que eu num tenho muita paciência pra isso não, entendeu, porque acabo (finge cochilar) dando meus cochilo. Agora, filme de guerra, filme de ação, me amarro.

E: Qual foi o filme assim que cê viu que cê mais gostou?

F: Que eu gostei muito, muito, muito dessa última remessa foi Titanic. (est) Entendeu? Titanic. E... e tem um filme também dessa : da Madonna, que é Evita. Eu só num gostei porque o filme foi baseado cantando (est), né? É como se eu tivesse falando com você cantando. Entendeu, aí eu num gostei por causa disso. Que eles nunca falavam conforme a gente tá falando, entendeu? Mas tudo era cantado, né? Qué dizê, eu só gostei mesmo por causa da música do final, né? Que ela ficou doente, né? E antes de ela morrê ela apareceu na janela, entendeu, aí aquele povo, né? lá esperando ela aparecê e ela cantando a música (est), entendeu? Foi lindo, a música foi bonita, mas eu só num gostei porque a música era : (carro passando) a (hes) conversa era cantada. Por isso que eu num gostei muito (est). Agora, Titanic não, Titanic foi dez. (est) Assisti duas vezes no cinema e depois ainda fui na locadora peguei o filme assisti de novo (est), entendeu? Muito bom, é ótimo. E teve gente de repente que num gostou (est), entendeu? Mas aí gosto... num discute, né?

E: E cê vê muito filme na televisão, cê acha que passam bons filmes?

F: Olha, a Globo tem uma mania – se eu pudesse ligá pra lá – eu num sei quem é que manda repeti sempre filme. [Não é] não é possível, porque eu acho que noventa por cento dos carioca que eu acredito, eles gosta de cinema (est), entendeu, gosta de vê um filme. Não é possível que neguinho fica repetindo, entendeu? Agora, Domingo agora, repetiu de novo outro filme, esqueci até o nome do filme. Repetiu, num dá, só vive repetindo. Aí, eu sou obrigado a quê? Ou a desligá a televisão e í dormi [pela] pela hora, né? ou então assisti [outro] outro programa, um debate, (est) entendeu? Mas vira e mexe tá repetindo. (est) Eu num agüento mais vê esse : porque tem tanto filme, num sei quantos trilhões de filme deve tê, né? Qué dizê, eles tá sempre repetindo! Eu acredito que aquele filme ali fica repetindo sempre, num dá, todo Domingo repete quase o mesmo filme. Duas, três vezes. Pô, já vi esse filme, já vi esse filme! Se eu pudesse ligá pra Globo, falá assim: “Pô, vê se muda um pouco, bota uma comédia aí, bota uma coisa aí, né.” Então é.

E: E novela, cê gosta de vê?

F: Novela eu gosto de vê. (est) Por incrível que pareça, esse marmanjão aqui, [E: eu gosto de vê] eu gosto de vê novela.

E: E que novela que você vê?

F: Agora eu tô vendo é Terra Nostra, né? Eu vejo, gosto, acompanho, né? Porque a novela, a novela não é o fato de sê a novela, não é isso. Ali você pode tirá muita coisa, entendeu? Sendo que ali também é uma montagem, nada ali é verdade, né? (est) É um tapa no rosto, é um beijo, é uma agressão, é um amor, né? Tudo aquilo dali é uma montagem. Então você pode tirá muito “aproveito” daquilo dali, entendeu? Você pode se espelhá em alguém. Poxa, fulano é assim, é assim, é assim, é assim. Por que não sê igual a ele e sê assim também? (est) É muito bom sê assim, assim, assim. Então assim vai (est), entendeu? Então num é só: “Ah, você é noveleiro, você:“ não, num é isso. Você tem que tirá um “aproveito” do que você vê, mesmo que seja uma montagem. Então você tem que tirá um bom “aproveito”. Eu acho que tudo na vida cê tem que aproveita, né? Só num pode aproveitá coisa ruim. Entendeu? Agora, você pode sê uma pessoa mau dependendo pra quem que você é mau. (est) Não é isso? Nem todas as vezes você dá uma flor pra uma pessoa, entendeu? Se uma pessoa te joga uma pedra, então você também joga uma pedra, entendeu? Porque tem gente que você: jogou uma pedra em você, mas você deu uma flor, a pessoa reconhece. (est) Entendeu? Mas tem gente que não. Tem gente que não reconhece, né? Jogou uma pedra, você dá uma flor, continua jogando a pedra (est), entendeu? Então aí você também joga uma pedra também. Aí fica empate. Pra pessoa conhecê o outro lado. Não adianta você tê só um lado só, você tem que tê um lado bom e o lado ruim. Mas esse ruim aí pra você usá depende muito do ser humano, como ele te : tá te tratando você (est), né? E como você vai tratá ele. (est) Eu acho que é por aí.

E: E jornal você costuma lê O Dia, né?

F: O Dia, O Dia.

E: Por que que cê gosta mais d’O Dia?

F: Eu gosto de lê O Dia porque [ele] ele é rápido de lê (est), né? rápido de lê, e traz algumas notícias boas, né? Às vezes... às vezes até um lance ali [de...de] de violência, né? “Ah, fulano matou e...” – aí você vai vê né? Porque que matou, você toma o conhecimento por que que matou. Ah, porque o fulano também era bandido, né (est), e pegou o dinheiro do outro bandido e num pagou. (est) Então ele tá pagando pelo erro dele, né? Aí o que você faz? Poxa, eu vou tirá proveito disso. Aonde que você tira proveito disso? Pô, de repente se eu pedi dinheiro pra num pagá, vai acontecê não isso, mas de repente pode acontecê outra coisa. (est) Então eu acho que tudo na vida você tem que tirá um “aproveito”. Entendeu? Nada pode jogá fora. “Ih, não! Ih, não, de crime, negócio disso.” Não, não é o lado do crime, é você tê um bom “aproveito”. (est) Cê tem que aproveitá tudo, tudo, tudo, tudo, tudo. O comportamento de uma criança, o comportamento do adulto, é:... o comportamento [do...do...do] do mais velho, entendeu, cê tem que aproveitá tudo, senão não adianta. Você num pode sê uma linha reta (est), né? Cê tem que tá sempre desviando um pouco porque cada uma pessoa pensa duma forma. Entendeu? Então dessa forma que a pessoa pensa você aprende alguma coisa pra você lidá com aquela pessoa. (est) Entendeu? Então aquela pessoa é boa, então você também é boa. A pessoa é ignorante você é ignorante. Então você tem que saber convivê com esse tipo de pessoa (est), né? Então tudo na face da Terra você tem que aproveitá. Entre aspa, entendeu, num é que você vai fumá uma maconha, uma cocaína. Mas você sabe o que que é maconha e o que que é cocaína (est), entendeu? Então você adquire pra você o conhecimento (est) Isso num qué dizê que você fuma (est), entendeu?

E: Jorge, você gosta de viajá?

F: Adoro viajá. É questão de oportunidade mas eu sou apaixonado por viajá. Eu viajava muito pra Friburgo (est), Teresópolis, mais pra Friburgo, mas já fui pra Teresópolis, eu já fui pra Curitiba, eu já fui (hes): pra onde? (hes): Paraguai (est), entendeu? Mas eu adoro viajá. Vou viajá. Toda vez que eu vejo meu horóscopo, tem sempre essa palavra: viagem. (est) Sempre viajo, eu sempre gostei de viajá. (est) Mas ultimamente eu num tô viajando porque falta de oportunidade mesmo. Por quê? Por causa que tem os paciente particular, num sei o quê (est), entendeu? Às vezes tem dia que num sobra dinheiro também (est), entendeu? Então fica difícil de repente eu viajá. Aí eu aproveito o quê? Quando tô de férias (est) e mesmo assim de férias eu procuro trabalhá do que viajá, entendeu, eu posso até viajá mas tipo assim, saí numa Sexta:feira, um lugar perto, né? Aí fica sexta, sábado, domingo, na segunda-feira de manhã retorna (est), entendeu? Pra trabalhá, né? pra dá continuação o trabalho.

E: Agora no Carnaval cê tá pensando em viajá ou vai ficá aqui?

F: Eu acredito que eu vou ficá aqui, eu podia até í pra Friburgo, pra casa da minha tia. Mas aí não. Meu irmão vai também aí... vai ficá muito tumulto, aí eu prefiro ficá quietinho por aqui, eu tô até perguntando um e os outros aí pra vê se tem alguma coisa pra trabalhá no Carnaval (est), né? Pra também ganhá um dinheiro, né?

E: Num pensa assim em saí numa escola de samba?

F: Olha, eu já pensei em saí, mas não agora. (est) Entendeu? Eu sou Beija-Flor, né? Lá em Nilópolis, e eu falei pra mim que eu quero quando eu fô desfilá na Beija-Flor quando eu tivé quarenta anos. Eu num sei “daonde” que eu tirei essa idéia. Podia desfilá agora, né? num sei o quê. Não. Eu quero completá meus quarenta anos e saí na Beija-Flor. (carro passando) Esse também seria um dos sonho também de... é:... desfilá também na Beija-Flor. Num é difícil não (est), não é difícil.

E: Você vai aos ensaios da Beija-Flor?

F: Eu já fui muito. (est) Já fui muito, quando eu morava em Anchieta, né? E eu já fui muito na Beija-Flor. Eu num saía da Beija-Flor. Entendeu? Todos os ensaio da Beija-Flor eu participei.. aí vim pra Vila Isabel aí comecei a freqüentá é:... Salgueiro, né? (est) Curti, curti, curti, curti bastante mesmo. Agora eu tô paradão (est) agora depois eu casei também (riso e) tal, aí, entendeu? Pra você í na escola de samba tem que levá a mulher e se tu fô sozinho também a mulher fica assim “Ah, num sei o quê.” Fica cismada. E em samba num deve levá mulher. Por quê porque muitos cara abusado, bebe, violência, briga. E você sozinho você sabe como pulá o muro, cê sabe corrê, e com a mulher? (riso e) Né? Que de repente ela num vai tê o pique que você tem (est), entendeu? Até se um cara é:... fô agredi, um cara: e eu tivé por perto, é óbvio que eu vou protegê ela, entendeu, então fica difícil, sabe? (est) Ou você sai sozinho ou você fica em casa. Entendeu? Tem gente que leva, mas é perigoso. (est) Eu acho que é perigoso. Não pro cara chegá lá e querê cantá a mulher do outro, não é nada disso. De repente, a violência também (est), entendeu? Na hora de corrê “Ah, uma briga ali, um tiroteio ali!” Tem como você corrê, tem como você se protegê (est). Agora, você já com a mulher não. Cê fica preocupado com ela, protegê ela, entendeu? “Ah, esconde aqui!” – fica na frente dela, faz isso, faz aquilo. “Bora, bora! Corre, corre, corre, corre!” Num sei o quê. Qué dizê, aí se ela tivé um pique mesmo legal ela corre, mas se num tivé também, um abraço, né? Que a briga quando começa é fogo. [E: Num tem jeito, né?] É, que são tudo jovem brigando. Então eles corre muito. Então se você num corrê mais do que ele ou se escondê, ele acabam te atropelando (est), entendeu?

E: Mas cê gosta de ficá em casa com a sua mulher?

F: Gosto, eu gosto de ficá em casa, eu gosto.

E: E aí cês cozinham, cês gostam de...?

F: É:... ela faz comida, eu num gosto de fazê comida não porque eu num sei fazê. Eu sei fazê pra mim. Pra mim, entendeu? Que se saí uma porcaria, eu como assim mesmo. Agora, ela não. Ela é uma boa cozinheira, entendeu? Mas eu ajudo a ela, ajudo ela. Agora, quando eu num quero fazê também... num adianta que eu num vou fazê não (est), entendeu? Agora, tem dia que não precisa nem mandá. Entendeu, eu vou lá, lavo a louça, limpo o banheiro, faço isso, mas tem dia que eu num quero fazê nada. (est) Nem lavá [um... uma] uma colher. E se mandá é pior ainda. (riso e) Entendeu? Dependendo da maneira que pede, eu faço. (est) Agora se chegá e: com muito autoritário, aí eu já num faço, aí é pior ainda. Se chegá assim: “Puxa, meu amor, poxa, lava aqui que eu vou fazê isso.”, aí eu “Tá bom, tá, vou lá.” Eu vou, lavo e lavo bem (est), não é pra enganá não. Entendeu? Eu lavo com vontade mesmo. Mas dependendo a maneira que ela vai falá pra mim. Agora se ela chegá e “Pô, você num faz nada, você fica sentado aí, num sei o quê, sei o quê. Pô, lava essa louça aí.” Ih! Ali eu fico ali eu morri. (est) Pode chorá, pode gritá, pode esperneá, a louça pode ficá lá dez ano, entendeu? Eu jamais boto minha mão lá. Tudo a maneira de falá. (est) Né? eu acho que isso é em qualquer lugar, né? (est) Então se ela chegá ali – não precisa sê com carinho, com amor não, só basta a maneira de falá. (est) Né? “Poxa, amor, lava ali pra mim que eu vou fazê isso aqui assim.” Tá bom. Vou lá, lavo direitinho, num sei quê, numa boa. Mas se... se eu senti que mandou de uma maneira que eu num gostei... aí eu fico ali e pronto. (est) Entendeu? E também num saio assim pra rua, no caso ela queira discuti comigo, brigá comigo. Eu num saio pra rua. Normalmente os homem faz isso. Pra num escutá a mulher falando, vai pra rua é:... vai bebê no botequim, aí volta diferente. Aí qualquer palavrinha que a mulher falá “Pô, você tá bêbado!”. Aí já é questão de briga. (est) No momento que os dois (inint) a voz, aí vem a pancadaria, entendeu? Eu não. Eu prefiro escutá ali, escutá ali, escutá ali, escutá ali. Porque se eu fô fazê isso eu vou vim totalmente diferente (est). Então se eu num gosto da violência, por que que eu vou criá violência? Não é isso? Só quando o negócio num dá mesmo,(est) né? Aí no caso eu briguei com ela e ela começou a me batê, num sei o quê, aí eu vou dá uma sacudida nela (est). Tipo assim: “Pára que você está lidando com homem. Pára que você já tá me... me agredindo.” Entendeu? Aí dá tipo um sacode, aí a mulher pára (est), num é, pára, aí ela sossega. (est) Melhor do que saí e bebê no botequim e voltá bêbado e quebrá tudo e de repente começa a dá soco na mulher. (est) Entendeu? Com certeza vai ligá lá [pra] pra polícia feminina e vai mandá me prendê. (est) Então isso num é nada bom pra mim. E a minha imagem, né? meu trabalho, como é que eu ficaria? (est) Né? As pessoas falando: Pô, você bate em mulher, você é covarde (est), num sei o quê. Agora você tá aí.” Então você fica ó. (Fazendo uma careta) Então, sabendo que possa acontecê isso, então é melhor ficá quietinho. (est) Deixa ele falá, falá, falá, falá, falá, daqui a pouco dá um beijo nela, dá um abraço “Vamos pará com isso, antes que aqui termine em violência.” Eu acho que a gente num veio pro mundo pra sê violento, entendeu, a gente num nasceu pra isso. Então aí no final vai refrescando, fica. Aí vai lá fora comprá um sorvete, tá, (est). Eu acho que a melhor coisa é essa, entendeu? Então deixa a mulher pra lá. Falou, falou, falou, falou, fica ali, tatata ta. Não é mole não (est). Escutá aqui sem saí não é mole não, entendeu? E mesmo que se eu saí eu jamais entro num botequim e chego bêbado (est), entendeu? Porque justamente tudo isso eu penso. Eu sou uma pessoa muito pé no chão. (est) Sou muito seguro, entendeu? Então eu jamais iria num botequim, né? que eu peço muito a Deus pra nunca acontecê isso. Por isso que eu só falo em Deus (est). Justamente pra Ele impedi que eu entre em botequim e comece a bebê porque vem um colega, vem outro, vem outro colega “Vamos bebê, vamos bebê!” num sei o quê, vai bebendo, vai bebendo, daqui a pouco você num toma conhecimento nenhum. Aí tu começa a contá pro colega “Poxa, minha mulher num sei o quê, isso e discutimos ali, num sei quê.” Ïh, rapaz, deixa de sê bobo, aí, fica aturando essas mulher, num sei o quê. Ih! Pô, dá logo um gelo logo nela, num sei quê, dá logo um tapa logo que ela acorda logo, num sei quê.” Aí tu já volta agressivo. (est) Entendeu? Então, pra não acontecê isso, eu nem saio pra rua Se tivé que saí pra rua eu desci aqui sentei aqui. (est) Entendeu? Sento ali, fico analisando, pensando, se a culpa foi minha, se a culpa foi dela, entendeu? Aí depois volto, num sei o quê. Aí refresca.

E: E Jorge, agora tá tendo essa pesquisa da música do Rio, cê sabe em que musica que cê votaria? Cê viu no jornal?

F: Ah, sim Ah, olha... [tem... tem] tem três, né? Duas do Tom Jobim, que é do avião e “Ela é carioca” (est) e a – como é que é a outra, hein? – “Cidade maravilhosa”, entendeu? Olha, dum ponto, a cidade é maravilhosa realmente (est), tá? Mas se você fô prestá atenção nessa música, ela fala cidade maravilhosa e também num: tem um ponto também que fala que [ela é] ela é péssima. (est) Eu num sei qual é o trecho, né? [que] que a música é, mas tem um ponto que que realmente o Rio de Janeiro é maravilhoso (est), entendeu? Agora, tem os detalhes, não é? Que é a violência que eu já te falei. Tem o lance do mar (est), né? que esse petróleo é:... essa... Petrobrás, né? (est) caiu lá no mar, essa coisa. (carro passando) Então eh... eu acho isso muito desatento [do] dos grandes tubarões, né? [É.] Então eu acho que, tirando essa parte, o Rio de Janeiro é maravilhoso.

E: Cê não gostaria de morá em outro lugar?

F: É difícil. Infelizmente, com toda a violência, com todo esse, essas coisa que acontece, que é ruim, entendeu, é difícil eu saí daqui. (est) Olha que eu já morei em Friburgo, adoro Friburgo, num sei quê. Mas o Rio de Janeiro... eu acho que é aqui eu fico e aqui eu vou morá e aqui eu vou morrê (est), entendeu? Eu acho que num: eu posso í pra passeá, eu posso até ficá um ano fora (est), mas jamais deixaria aqui pra morá sempre, né? Posso passeá, í pra um sítio, uma fazenda, ficá ali é:... seis meses, um ano, mas saí do Rio de Janeiro fica difícil. Com toda a violência que é, entendeu? E infelizmente [eu... eu] eu adoro o Rio de Janeiro (est), entendeu, eu gosto do Rio de Janeiro.

E: E a sua família: a família da sua mãe é mineira, mas cê disse que num tinha assim: num sentia diferença de sotaque, né? Mas as pessoas dizem muito que o carioca fala muito diferente do mineiro, né?

F: É, porque a... por exemplo, aonde que o meu tio foi morá, que é em Anchieta, né? você quase num tinha muita informação de nada naquela época, né? Há trinta anos atrás, né? você quase num tinha muita informação de nada não (est), entendeu? Agora que veio essa diferença de qué dizê, é questão de cultura para cultura, né? Anchieta... as pessoa num eram bem... – existe uma maneira diferente entre Anchieta e Barra. (est) Vamos botá assim, né? Barra cê vê que é uma cultura bem superior do que Anchieta (est), entendeu? Então, os mineiro ali num fez muita diferença, né? Agora, se eu venho lá de Minas, né? Se eu fô lá pro Aterro jogá uma bola, se eu fô aqui pra UERJ jogá bola, vai vê a diferença, aí é aonde que vem com as brincadeira. (est) Entendeu? Por quê? Porque ele tá num território aonde é que a pessoa tem uma cultura totalmente diferente, entendeu como é que é? Mas eu com todo carioca que eu sou, né? da gema do ovo, eu prefiro mais a linguagem do mineiro do que o carioca. (est) Eu num gosto da malandragem do carioca. Entendeu? Eu prefiro mais o lado silencioso (est), o mais quietinho, o lado mineiro eu gosto. Eu num gosto de chegá, né... gingando o meu corpo pra um lado pro outro, falá “amalandrado”. Agora, é óbvio que se eu caí – se eu fô na favela eu vou tê que falá o mesmo idioma deles. Se eu fô na Barra, eu tenho que falá no mesmo idioma deles. Então eu num posso falá só um idioma só. Tenho que falá vários idiomas. Por quê? Porque cada lugar tem uma cultura. (est) Eu num posso chegá na favela e falá bonito, falá um inglês, falá um espanhol, num posso. Por quê? Porque os cara vão me chamá de mauricinho, os cara vão falá assim: “Ih, o cara aí é “mó”... “mó” otário”, né? – é a gíria dele – “pô, cara é ‘mó’ bobo, aí, veio lá de Zona Sul querendo tirá uma onda aqui com a gente.” (est) Entendeu? Ou se você fô na Barra e cê falá tudo errado. (est) Não é isso? Então, essa diferença. Então aonde que eu falo com você, sempre é bom sabê um pouquinho de cada. (est) Porque cada lugar tem uma cultura, cada lugar tem uma cabeça, entendeu?

E: E é diferente se você tá no trabalho ou se você tá com os amigos, né?

F: Exatamente, então você tem que saber lidá com certas pessoas (est), né? Então tem pessoas que – por que que eu gosto muito do silêncio? Que eu falo pouco (est), entendeu, e observo mais. Mas isso aí eu fui : eh... eu fui ensinado (est) – não pela minha família, né? Mas pelas colega que gostava de mim, (est) né? Então o silêncio, você só vai captando ali, ó, né? Quando tivé que falá você fala, quando num tivé de falá você num fala. (est) Quando você chega a falá muito é porque você tá preparado pra falá até certo ponto, mas cê também tem que ouvi também, não é só falá, falá, falá, falá. Tem que ouvi também, não é isso? Então no trabalho é exatamente é isso. Então, é trabalho, em qualquer lugar. Você tem que tê um dom pra alguma coisa. (est) Num adianta você sê inteligente num e burro no outro (est), né? Porque são culturas diferentes. Eu – por exemplo, eu graças a Deus pelo fato que eu observo muito, eu sou muito observador, entendeu? – então se eu tivé na favela, eu vou tê que tê um comportamento igual a eles. (est) Se ele vir dançando o ombro, também vou dançando o ombro também. Entendeu? Então se eu tô lá [na... na... na] na Barra, eu num sei falá inglês não, mas eu vou ouvi, né? eu chego “ah, sim.”, qué dizê, algumas coisa vai saí de mim (est). Então eu num sou uma pessoa tão burra assim. Eu tô por dentro do assunto, entendeu? E a pessoa também só vai falá inglês se tivé todo mundo que fala inglês no meio, não é isso? Aí você tem que sabê um pouco de política, um pouco de futebol, um pouco de religião, entendeu? Falá sobre bairro, o que tá acontecendo, por que isso, sobre mulher, sobre homem (est), não é isso? Sobre roupa, então você tem que tá por dentro de tudo (est) porque você convive com esse tudo, entendeu? Então eu acho que pra mim isso é importante.

E: É, Jorge, assim, se você ganhasse na loteria, o quê que cê faria?

F: Olha, se eu ganhasse na loteria, a primeira coisa que eu : que eu fazia: pegaria o dinheiro deixava na poupança. Tudo eu ia pensá que que eu ia fazê primeiro. Entendeu? Então a primeira coisa é resolvê minha vida, né? Comprá uma casa, entendeu? Montá tudo que tem dentro de casa, num comprá um carro de luxo (est), entendeu? Comprá um carro simples, né? simples. Aí depois que eu arrumasse bem minha vida, tivesse bem, aí eu passava pro lado da família, (est) né? Então eu procurava quem? Quem precisa mais dentro da família. Ah, o fulano precisa mais, então vamos ajudá ele. Fulano precisa mais. Então vamos aqui. Aos poucos í ajudando a minha família. Depois que eu botasse a minha família em dia, entendeu, e eu também tivesse em dia, aí sim, né? fazê um levantamento. Quanto sobrou disso tudo, né? se eu pudesse de repente – dependendo do dinheiro que eu ganhasse – eu podia até de repente assim escolhê um lugar que eu poderia ajudá. (est) Entendeu, um orfanato, alguma coisa que pudesse ajudá, né? (est) chega assim: “Ah, ali tá precisando de cobertor.” Ia lá fazê uma doação de cobertor (est). Entendeu? “Ah, tá precisando num sei o quê disso.” Aí eu ia lá. Que aos pouquinho – não é:... diminuindo [o meu] o meu: não diminuindo o meu assim (hes) o meu dinheiro na é:... no banco, entendeu? Porque eu ia mexê muito nos juros. Entendeu? Então pra mim resolvê tudo isso, ia demorá muito (est), eu deixaria mais um pouco, pra daqui três quatro meses, entendeu? Porque pra raciociná muito bem pra não voltá ao que eu sou hoje. (est) Entendeu? Então, vamos somá, vamos multiplicá, vamos daqui pra cá. (est) Essa vida aqui eu já conheço, essa aqui eu já num conheço. (est) Então como é que eu vou me comportá agora com esse dinheiro? Então fazê isso: primeiro arrumá minha vida, tá, minha vida, arrumá a minha família. Aí depois eu: fazê isso.

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