Anais II congresso internacional sobre as festas do divino espírito santo



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ANAIS

II CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE AS FESTAS DO

DIVINO ESPÍRITO SANTO
PORTO ALEGRE, OUTUBRO DE 2006
ANAIS DO II CONGRESSO INTERNACIONAL

SOBRE AS FESTAS DO DIVINO
Porto Alegre, outubro de 2006
Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul
Ficha de leitura
III Congresso Internacional Sobre as Festas

do Divino Espírito Santo
PROMOÇÃO
Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul

Direcção Regional das Comunidades
Apoio Institucional

NEA – Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade

Federal de Santa Catarina

Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre

Arquidiocese de Porto Alegre

RTP Açores
COMISSÃO ORGANIZADORA

Célia Silva Jachemet

Getúlio Xavier Osório

Jói Clétison Alves

Lézia Cardoso de Figueiredo

Régis Albino Marques Gomes

Véra Lucia Maciel Barroso
COORDENAÇÃO

Célia Silva Jachemet
OBJETIVOS
Ao propormos o levantamento e discussões acerca de temas relacionados ao culto e festa do Divino Espírito Santo pretendemos, além de buscar informações sobre a identidade açoriana, dar um contributo no âmbito espacial e temporal, bem como elucidar teorias e práticas relativas ao tema em questão.



O foco predominante no eixo dos assuntos tratados será a reflexão sobre o Divino como expressão religiosa-cultural, identificatória do povo açoriano e de seus descendentes.



JUSTIFICATIVA
A Festa do Divino é uma das manifestações religiosa, cultural, teológica e social mais expressivas do povo açoriano e de seus descendentes, onde quer que esse povo se tenha fixado. Sua permanência tem suscitado diversos estudos, pesquisas, informações e também dúvidas que surgem, à medida em que mais se busca conhecer sobre o tema.
Neste II Congresso pretende-se renovar, apresentando temáticas com novas abordagens e quiçá novas dúvidas, nas fronteiras e além-fronteiras onde se estendam as festas do Divino Espírito Santo.
Assim, envolvendo Portugal Continental, Açores, Brasil, Uruguai, Estados Unidos e Canadá, terras chamadas por Teresa Tomé1 de terras do Espírito, justifica-se a realização deste evento a somar-se à bagagem já existente, especialmente ao que tratou o I Congresso realizado em Santa Catarina no ano de 1999.
CERIMÔNIA DE ABERTURA
Audição do Hino Nacional Brasileiro

Audição do Hino Nacional Português

Relação e falas das autoridades presentes

Régis Albino Marques Gomes – Presidente da Casa dos

Açores do estado do Rio Grande do Sul

Deputado Vieira da Cunha

Coordenador do I Congresso Jói Clétison Alves

Representante do Secretário estadual de Cultura Sra. Maria Helena Nunes Diretora do Museu Antropológico do Rio Grande do Sul

José Sperb Sanseverino – Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre

Apresentação do Coral da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre


PROGRAMA
Dia 24-10-2006 – Terça-feira
18 horas – Abertura Oficial

18h30min – Apresentação do Coro da Santa Casa de Misericórdia

19 horas – Relato sobre o I Congresso realizado em Santa Catarina – João Lupi – NEA – Núcleo de Estados Açorianos
Bloco 1

ORIGENS E EXTENSÃO
19h15min – Origens e Temporalidade do Culto e Festa ao Divino – Célia Silva Jachemet – CAERGS
Dia 25-10-2006 – Quarta-feira
9 horas – O Culto ao Divino Espírito Santo nos Açores e na Diáspora

Jói Cletison Alves – NEA

Vitor Manuel da Silva Alves – RTP Açores

10 horas – Idéias e Filosofias Adjacentes ao Culto do Divino – Teresa Tomé – RTP Açores

11 horas – Mapa da Festa do Divino Espírito Santo no Rio Grande do Sul – Vera Lucia Maciel Barroso – Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras

11h30min – COMUNICAÇÕES
A Festa do Divino Espírito Santo em Viamão – RS – Pe. Luciano Massulo
As Festas do Divino Espírito Santo em Osório – RS – Maria Regina Santos de Oliveira
Festa do Divino em Santo Antônio de Lisboa – Florianópolis – SC – Espaço de Resistência e Valorização da Cultura Açoriana – Sérgio Luís Ferreira
Resgate da Festa do Divino em Gravataí – RS – José Carlos Ourique
Singrando Memórias – O Espírito Santo numa Comunidade Baleeira do Século XX de Santa Catarina – Lélia Pereira da Silva Nunes
14 horas – A Restauração Católica e a Festa do Divino espírito Santo no RS – Martin Dreher – Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS
BLOCO 2:
QUEM É O ESPÍRITO SANTO E COMO SE MANIFESTA
15 horas – A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade – O Espírito Santo no Evangelho – Inês Bini – PUC – SP

15h30min – O Espírito Santo na Literatura Portuguesa – Dulce Matos – Universidade Nova de Lisboa

16 horas – COMUNICAÇÕES
A Louvação na festa do divino de Vila Seca e Criúva – Darvi Lorandi e Lindomar Alves Mendes
Festa do Divino: Herança portuguesa em São Lourenço do Sul – RS – Roselaine..., Maria da Braga Ney e Clarissa do Nascimento Peixoto
Traços dos Cristãos Novos e a Culturalidade nas Festas Populares – Márcio Darlan Rosa Knobeloch Glorinha – RS
O Divino e o Profano: A inserção de novos discursos na Festa do Divino Espírito Santo em Barra Velha – SC – Júlio Bernardes
Arquitetura dos Impérios do Espírito Santo no Brasil Meridional: Herança Cultural Açoriana – Fabiano Teixeira dos Santos
Folias e Cantorias do Divino Entrelaçando Versos e Tecendo Memórias – Lélia Pereira da Silva Nunes
17horas – Missa em Ação de Graças celebrada pelo Arcebispo de porto Alegre Dom Dadeus Grings e concelebrada pelos sacerdotes presentes no Congresso.
(Após a Missa será realizada a entrega do bodo do Espírito Santo à instituição carente, pelas comunidades participantes – Visita à enfermaria da Santa Casa de Misericórdia.
Dia 26-10-2006 – Quinta-feira
9 horas – O Sagrado e o Profano na Festa do Divino
Álamo de Oliveira – Direcção Regional das Comunidades

Pe. Luciano Massulo – Paróquia Sagrada Família – Tapes – RS

João Lupi – Cônsul Honorário de Portugal em Florianópolis
10 horas – O Pentecostalism0o e o Culto ao Divino na Atualidade – Frei Rovílio Costa – EST Edições
Bloco 3

SIMBOLOGIA E LÚDICA NA FESTA DO DIVINO
11horas – A Simbologia do Divino Espírito Santo
Célia Silva Jachemet – CAERGS

Eloísa Capovilla da Luz Ramos – Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS
14 horas – COMUNICAÇÕES
Rituais e Festas Agregadas:A Festa Dentro da Festa

Cavalhadas – Ana Zenaide Ourique e Rosa Maria Gil Massulo

Quadros de Mordomos e Imperatriz Coroadeira – Maria Helena Gil Peixoto – HIG de Santo Antônio da Patrulha

O Boi de Mamão e a Farra do Boi – Gelcy José Coelho – NEA/UFSC

Baile de Masquê – Luciano Gomes Peixoto

Tourada à Corda – Álamo de Oliveira

Folias e Bandeiras – Lézia Cardoso e Getúlio Xavier Osório – Inst. Gaúcho de Tradição e Folclore
16h30min – O Bodo e suas Funções – Álamo de Oliveira

17 horas – O Período Festivo – Corpos Hierárquicos na Organização da Festa

Nereu do Vale Pereira – Fundação Açorianista e IHG de Florianópolis
Victor Alves – RTP – Açores

18 horas – As Irmandades do divino espírito Santo

Miguel Frederico do espírito Santo – IHG do Rs

Miguel A. de O. Duarte – Irmandade do Divino de porto Alegre

Nereu do Vale Pereira
19 horas – Encontro das Folias do Divino e cantorias

Grupo de foliões e Louvaçãi de Vila Seca e Criúva e Cantadores do Litoral
20 horas – Encerramento

MANIFESTAÇÃO OFICIAL DO SECRETÁRIO ESTADUAL DE CULTURA
Ofício n374/06/gabsedac
Porto Alegre, 23 de 0utubro de 2006
Prezado Presidente:
De ordem do Senhor Secretário de Cultura, vimos agradecer o convite para a a abertura do II Congresso Internacional sobre as Festas do Divino Espírito Santo.
O Senhor Secretário lamenta não poder comparecer em virtude de compromissos anteriores agendados e nomeia a Sra. Maria Helena Nunes, diretora do Museu Antropológico, para que o represente no evento.
Cordiais saudações,
André Karkow

Chefe de Gabinete
Ao Senhor

Régis Albino Marques Gomes

Presidente da Casa dos Açores do Estado
BLOCO 1
ORIGENS E EXTENSÃO
ORIGEM E TEMPORALIDADE DAS FESTAS

DO DIVINO ESPÍRITO SANTO
Célia Silva Jachemet
ORIGEM:
Para falar de origem, sempre corremos o risco de errar. Busca-se retroceder no tempo e encontrar novos dados, pois quanto mais antigos os fatos, mais novos para a História. Por isto, em certos casos, preferimos falar de começos, principalmente quando se trata de espaços físicos, lugares.
Ao falar de origens ou começos, os historiadores não estão de acordo quanto à Festa e culto do Divino, embora para a maioria dos devotos do Espírito Santo, a lenda da Rainha Isabel seja a principal versão da origem da festa e culto ao Divino em Portugal.
Há estudiosos que defendem a origem desta festa à questão chamada de profana das folias, no druidismo, religião professada pelos povos celtas das gálias e ilhas britânicas, até a época da conquista romana (1 a.C.– 1d.C.), culto este que foi se extinguindo à medida que avançava o cristianismo.
Uns historiadores baseiam-se nas folias do Bispo Inocente, São Martinho de Tours, cuja festa é comemorada a 11 de novembro, dia abençoado para quem colhia uvas, dia do pagamento.Dia de festa e folias. Conta-se que Martinho encontrou um pobre tremendo de frio e ele, a cavalo, desceu e deu sua capa ao pobre. Mais tarde apareceu-lhe Cristo e disse que Martinho o havia agasalhado.
As folias, embora condenadas no século XIII ainda no século XVII são praticadas na catedral de Lisboa, na segunda oitava do Espírito Santo.
Outros estudiosos atribuem o surgimento do culto à Ordem dos Hospitalários que tinha a finalidade de albergar a idosos e enfermos. Essa ordem espalha-se pela Itália. Há ainda os que afirmam terem sido as Festas do Espírito Santo constituídas na Alemanha, provavelmente nos séculos XII – XIII, pelo imperador Otão, o primeiro a lançar os fundamentos de uma instituição, sob a invocação do Espírito Santo, como banco de caridade para o socorro dos pobres. Daí o culto se teria propagado para a Europa cristã.
A historiografia portuguesa apresenta uma vasta produção sobre o tema. Em quase toda a sua totalidade essa produção atribui os começos das manifestações do culto ao Divino em Portugal, ao século XIII, com a lenda da rainha santa. A Rainha Isabel de Aragão – casada com o Rei Dom Dinis, teria edificado uma igreja do Espírito Santo em Alenquer e erigido nela uma confraria em louvor do Espírito Santo, tendo feito no 1° ano a coroação do Imperador, surgindo daí a primeira irmandade com a denominação de Império, cuja finalidade era chamar a nobreza para socorrer com esmolas a missão.
Consta ainda que no primeiro ato devocional ao Espírito Santo, no dia de Pentecostes, procurava-se na capela real o indivíduo mais pobre para que tomasse lugar no trono real onde era servido de pajens e cavaleiros da corte. O mendigo, cercado, assistia à Missa e após, levava a coroa para o palácio onde lhe era oferecido um laudo banquete, servindo a mesa a própria rainha de Portugal. Isto acabou tornando-se moda entre os nobres. O rei aceitou a manifestação e permitiu que se fizesse uma coroa semelhante à sua que passou a chamar-se Coroa do Espírito Santo.
Ler citação página 31 – Tempo de festa.
Manuel Baptista Lima argumenta que segundo a orientação franciscana, as épocas da história da humanidade eram três: a época do Pai e da Lei de Moisés, a época do Filho e do Novo Testamento e a época do Espírito Santo que correspondia à pregação do abade Joaquim de Fiori, que já no século XII profetizava que a Nova Idade, que os franciscanos denominavam de Espírito Santo, deveria substituir a Igreja decadente que se afastara dos princípios do Salvador.
Segundo Lima, o não reconhecimento por parte do Império germânico, na Idade Média, do Papa como entidade a quem competia a investidura de Imperador, ocasionou conflitos que favoreceram o desenvolvimento de um culto laico ao Espírito Santo, com a participação das classes populares, de nobres e até da realeza.
A ordem franciscana ter-se-ia estabelecido em Portugal em meados do século XIII, com o apoio do Rei Dom Dinis, cuja corte se encontrava sob a influência dos espiritualistas e, com a cultura portuguesa à época, caracterizada por uma tendência laica em que a soberania real e o poder civil procuravam libertar-se do poder papal, o culto a Paráclito encontrou franco desenvolvimento.
Do culto às festas foi rápido. Num país de regime imperial, poder espiritual e poder temporal confundem-se. Resgata-se e cria-se a coroação do Imperador da festa, os cortejos, bodos de pão e carne distribuídos aos pobres. A festa passou do continente aos Açores e à Madeira e daí para o Brasil. África Portuguesa, índia e, mais tarde para a América do Norte, acompanhando os açorianos onde quer que estes se estabelecem.
Tem a festa do Espírito Santo em sua origem o laicisismo e as ações temporais como forma de ilustrar, de elucidar a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, uma vez que ela, ao contrário dos santos católicos não tem imagem definida, mas sinais visíveis.
Segundo Moisés do Espírito Santo, que dedica uma consistente obra ao assunto, o culto português do Espírito Santo não tem equivalente no mundo cristão. Este autor aponta em sua análise uma origem judaica. Salienta que o culto ao Divino em Portugal não está ligado a templos e imagens, mas a ramadas e cabanas e atribui-lhe uma relação com a festa das cabanas e ramadas do calendário hebraico. Considera que afirmação de que foi a Rainha Santa quem instituiu o culto ao Divino é uma idéia absurda, pois, segundo ele, um culto nunca teria sido instituído por decreto e afirma que algumas capelas beirãs já cultivavam o Divino mesmo antes de a rainha haver nascido.
Conceituando ainda festa e culto, para podermos estabelecer relações entre origens e temporalidade, lembramos que o culto é o relacionamento do fiel com a divindade ou com quem a representa, como por exemplo os santos. A fé é pessoal, não pode ser transferida nem decretada.
A festa é também um culto. Um culto que assume mais a temporalidade que a espiritualidade. Festa é a alegria do povo que se sente abençoado, protegido, guiado por Deus ou pelos santos e há a necessidade de que essa alegria seja expressa de forma visível, comunitária. Assim cultuar é uma forma de venerar os santos e de adorar a Deus. Ora, o Espírito Santo é Deus, portanto é adorado. Sempre se manifestou através de coisas admiráveis, extraordinárias, maravilhosas. Sua ação é visivelmente transformadora.
Na Trindade o poder é o mesmo. As manifestações são do mesmo Deus, sendo a ação do Espírito Santo a promessa de Cristo na modificação.
Se existe ou existiu em algum momento um paralelismo entre o poder espiritual e o poder temporal, associaram-se elementos visíveis destes poderes nas representações da festa do Divino Espírito Santo. Estes poderes refletidos na festa, não são nada mais que imitação em nível imaginário, dos poderes superiores.
Para Focault os poderes são relacionados e exercidos em níveis variados nos diferentes pontos da rede social e as hierarquias estão numa relação de apoio e de condicionamentos recíprocos que se ‘sustentam’. Assim, a relações de poder na festa também atendem hierarquias em nível relacional. Cada pessoa é única na sua fé e na participação com os outros. A festa é uma soma de mentalidades do cotidiano de cada povo que a faz, vive e interpreta de acordo com a cor local.
O poder, seja qual for a escala em que ele se manifeste, sempre será relacional. Para se ter um poder é necessário que alguém esteja submetido a este poder. Assim é que também na festa, desde os pés descalços dos pobres na procissão, ao luxo dos ricos, todos se fazem parecer importantes. A festa religiosa é uma rara oportunidade em que pobres e ricos, sábios e ignorantes atuam no mesmo palco.
É difícil para o povo que também não está preocupado em entender conceitos e significados, pois a principal força que o move é particular: a sua fé e a suas necessidades. O humano e o divino se completam.
Diz a Igreja que a Santíssima Trindade é um mistério e, assim sendo nunca será cabalmente explicado pelo entendimento humano.
O CULTO AO DIVINO NOS AÇORES E NA DIÁSPORA
Victor Manuel Alves
Nunca mais esqueci uma resposta que me deu o artista plástico catarinense Jone Araújo, quando a propósito do documentário que gravei aqui no Brasil intitulado “Terras do Espírito”, me disse – textualmente que “o Espírito Santo era o ultimo pedaço de Deus que está no planeta terra” e que como ser humano isso o comovia profundamente. Achei a frase muito bela, poética, mas talvez não muito correcta do ponto de vista teológico ou mesmo filosófico.



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