Antônio joaquim severino



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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTIFICO

Antonio Joaquim Severino

21 Edição Revista e Ampliada

1 Reimpressão

CE-CORTEZ

EDITORA

Impresso no Brasil - abril de 2000 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFIGO



Antonio Joaquim Severino METODOLOGIA DO TRABALH0 CIENTÍFICO Antonio

Joaquim Severino Capa: Cesar Landucei Preparação de originais: Agnaldo

A. Oliveira Revisão: Carmem Teresa da Costa Composição. Dany Editora

Ltda. Coordenação Editorial: Danilo A. Q. Morales Nenhuma parte desta

obra pode ser reproduzida ou duplicada sem autorização expressa do autor

e do editor. O Antonio Joaquim Severino Direitos para esta edição CORTEZ

EDITORA Rua Bartira, 317 - Perdizes Tel.: (0--11) 864-0111 Fax: (0--11)

864-4290 05009-000 - São Paulo-SP - E-mail: cortez@cortezeditora.com.br


SUMARIO
Prefácio à 21' edição ....................................... 11

Prefácio ................................................... 15

Introdução
Capítulo I. A ORGANIZAÇÃO DA VIDA DE ESTUDOS NA UNIVERSIDADE

1. Os instrumentos de trabalho

2. A exploração dos instrumentos de trabalho

3. A disciplina do estudo

Conclusão
Capítulo II. A DOCUMENTAÇÃO COMO MÉTODO DE, ESTUDO PESSOAL

1. A prática da documentação

2. A documentação temática

3. A documentação bibliográfica

4. A documentação geral

5. Documentação em folhas de diversos tamanhos

6. Vocabulário

técnico-língüístico


Capítulo III DIRETRIZES PARA A LEITURA, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE

TEXTOS
1. Delimitação da unidade de leitura

2. A análise textual 3. A análise temática

4. A análise interpretativa

5. A problematização

6. A síntese pessoal

Conclusão

Capítulo IV DIrETRIZES PARA A REALIZAÇÃO DE UM SEMINÁRIO 63

1. Objetivos

2. O texto-roteiro didático

2.1. Material a ser apresentado previamente pelo coordenador

2.2. Material a ser apresentado no dia da realização do seminário

3. O texto-roteiro interpretativo

4. O texto-roteiro de questões

5. Orientação para a preparação do seminário

6. Esquema geral de desenvolvimento do seminário

Conclusão
Capítulo V DIRETRIZES PARA A ELABORAÇÃO DE UMA MONOGRAFIA CIENTÍFICA........................... 73

1. As etapas da elaboração

1.1. Determinação do tema-problema-tese do'trabalho

1.2. Levantamento da bibliografia

1.3. Leitura e documentação

1.3.1. O plano provisório do trabalho

1.3.2. A leitura de documentação

1.3.3. A documentação

1.4. A construção lógica do trabalho

1.5. A redação do texto

1.6. A construção do parágrafo

1.7. Conclusão

2. Aspectos técnicos da redação

2.1. A apresentação gráfica geral do trabalho

2.2. A forma gráfica do texto

2.2.1. Textos datilografados

2.2.2. Textos digitados

2.3. As citações

2.4. As notas de rodapé

2.5. Referências no corpo do texto

2.6. A técnica bibliográfica

2.6.1. Observações referentes à indicação do autor

2.6.2. Observações quanto ao título dos escritos

2.6.3. Observações quanto à edição do documento

2.6.4. Observações quanto ao local de publicação

2.6.5. Observações quanto à editora .................. 123

2.6.6. Observações quanto à data

2.6.7. Observações quanto à indicação do número de páginas

2.6.8. Observações gerais sobre alguns casos especiais

2.6.9. Referenciação bibliográfica de documentos registrados em fontes eletrônicas

3. Formas de trabalhos científicos

3.1. Trabalho científico e monografia

3.2. Os trabalhos didáticos

3.3. O resumo de textos

3.4. A resenha bibliográfica

Capítulo VI

A INTERNET COMO FONTE DE PESQUISA

1. A pesquisa científica na Internet

2. O correio eletrônico ...................................... 139

Capítulo VII

OBSERVAÇÕES METODOLÓGICAS REFERENTES AOS TRABALHOS DE PÓS-GRADUAÇÃO.................. 143

1. Qualidade e formas dos trabalhos exigidos nos cursos de pós-graduação

1.1. Características qualitativas 1.2. Ciência, pesquisa e pós-graduação

1.3. A tese de doutorado

1.4. A dissertação de mestrado

1.5. O ensaio teórico

1.6. Caráter monográfico e coerência do texto

2. O processo de orientação

3. O projeto de pesquisa

3.1. Quanto ao título do projeto

3.2. Determinação e delimitação do tema e do problema da pesquisa

3.3. A formulação das hipóteses

3.4. Explicitação do quadro teórico

3.5. Indicação dos procedimentos metodológicos e técnicos

3.6. Estabelecimento do cronograma de pesquisa

3.7. Indicação da bibliografia

4. Observações técnicas específicas

5. Outras exigências acadêmicas

5.1. Resumos técnicos de trabalhos científicos

5.2. Os relatórios técnicos de pesquisa

5.3. O memorial

6. Atividades científicas extra-acadêmicas .

7. As exigências éticas da pesquisa

Capítulo VIII

OS PRÉ-REQUISITOS LÓGICOS DO TRABALHO CIENTÍFICO

I. A demonstração

2. O raciocínio

2.1. A formação dos conceitos

2.2. A formação dos juízos

2.3. A elaboração dos raciocínios

3. Processos lógicos de estudo

CONCLUSÃO


8 ANEXO

Revistas, dicionários especializados, bibliografias e metodologia de pesquisa

1. As revistas científicas brasileiras ........................ 198

2. Dicionários especializados ............................... 245

3. As bibliografias especializadas .......................... 256

4. A metodologia da pesquisa nas diversas áreas científicas . 258

BIBLIOGRAFIA COMENTADA ............................ 262

ÍNDICE DE ASSUNTOS ....................... ........... 273

OBRAS DO AUTOR...................................... 279

9-
PREFÁCIO A 21 EDIÇAO


Vem a público, neste emblemático limiar de uma nova era, esta edição do

Metodologia do Trabalho Científico, livro já conhecido de tantos colegas

professores e estudantes universitários, em todo o território nacional.

Ao completar seus 25 anos, este manual vem recebendo uma crescente

acolhida por parte da comunidade acadêmica, o que, certamente, aumenta

minha responsabilidade como autor, no sentido de atender continuamente

às demandas do público que o prestigia, procedendo às necessárias

revisoes e atualizações de seu conteúdo. Para comemorar este

significativo aniversário, e por reconhecer a constante mudança de todos

os aspectos envolvidos nos processos de ensino e de aprendizagem, bem

como a historícidade do próprio conhecimento e buscando sempre aprimorar

a qualidade dos subsídios didáticos deste instrumento de trabalho, preo

cupo-me sempre, apesar das restrições de tempo, em mantê-lo o mais

atualizado possível. É por isso que estou procedendo a algumas

alterações no texto da presente edição, em decorrência de novas demandas

e de avaliações permanentes que faço desta minha proposta.

Sem dúvida, a entrada em cena das novas tecnologias informáticas é um

dos fatos mais marcantes para a vida acadêmica e cultural dos últimos

anos, uma vez que a disponibilidade para professores e estudantes desses

poderosos recursos computacionais ganha cada vez mais uma abrangente

universalízação. Indiscutíveis são as implicações desse aporte

tecnológico para nossas tarefas do cotidiano universitário e para nossa

lide diuturna com os compromissos científicos e culturais. Tal situação

e as novas possibilidades para a vida acadêmica não poderiam estar

ausentes de um texto de orientação didático-científica como este. Assim

sendo, nesta edição estão sendo introduzidos elementos metodológicos e

11

técnicos para o melhor aproveitamento desses recursos, visando



assim fornecer, aos que ainda dela necessitarem, uma introdução bem

direta e prática ao manuseio da novaferramenta. Tais subsídios

estãoformulados sob uma incisiva preocupação didática, expressando a

maneira mais simples a ser adotada por um usuário comum: se, de um lado,

tal modo de proceder não explora a infinidade de recursos que os

microcomputadores pessoais podem nos fornecer, de outro, em

contrapartida, permite ao novo usuário aproveitar ao máximo essa

poderosa ferramenta para suas tarefas regulares. Após dominar as

capacidades rotineiras do trabalho pelo computador, o usuário pode ir

desenvolvendo, aos poucos, os demais recursos do seu micro, no sentido

de potencializar e aprimorar o seu desempenho. Não se pretende

apresentar aqui - pois nem seria o caso - uma introdução à informática,

mas apenas algumas diretrizes bem práticas para orientar o seu uso no

âmbito das atividades acadêmicas e científicas. Nesta primeira

abordagem, a contribuição básica do microcomputador será destacada em

duasfrentes: num primeiro momento, como ferramenta de digítação dos

textos, meio atualmente mais utilizado por professores e alunos, que tem

agilízado em muito sua produção escrita; num segundo momento, será

ressaltada a incomparável contribuição à pesquisa trazida pela Rede

Internet, víabilizando o acesso direto e rápido a um número incalculável

de fontes documentais, bem como possibilitando o contato dos estudiosos

entre si. Foram então introduzidas nesta edição diretrizes bem práticas

para se usar o computador como ferramenta de elaboração dos textos, de

intercâmbio entre pesquisadores e de busca de fontes. Por outro lado,

estou eliminando, a partir desta edição, a listagem das editoras, com as

respectivas informações, endereços e linhas de publicação. A avaliação

mostrou que tal tipo de informação não se revelou muito útil para

estudantes e professores. Também tem-se verificado uma impossibilidade

real acompanhar o intenso processo de surgimento e de desaparecimento

das editoras no país, o que impede manter bem atualizada e completa essa

relação. Isso vem sendo conseguido pela Câmara Brasileira do Livro, que

coloca à disposição do público catálogos continuamente atualízados e

muito mais completos das editoras brasileiras. Ademais, a própria

Internet viabiliza atalhos mais eficazes para a identificação e

localização de informações editoriais, permitindo a utilização direta de

variados bancos de dados. Foram feitas outras revisões no conjunto das

diretrizes apresentadas pelo livro, incluindo um maior cuidado em

aproximar minhas orientações

12

referentes às técnicas bibliográficas, daquelas fornecidas pela



ABNT, com vistas a reforçar uma saudável padronização das normas de

referenciação. Foram incluídas ainda diretrizes para a elaboração de

resumos técnicos. Estas alterações, destinadas a manter atualizadas as

diretrizes téc- nico-metodológicas do livro, não afetam, no entanto, a

sua preocupação central. Com efeito, a significação essencial deste

texto é a de ser um subsídio para o estudante tornar seu aprendizado num

criterioso processo de construção do conhecimento, o que só pode ocorrer

se ele conseguir aprender apoiando-se constantemente numa atividade de

pesquisa, pra- tícando uma postura investígativa. Só se aprende, ciência

praticando a ciência; só se pratica a ciência praticando a pesquisa, e

só se pratica a pesquisa trabalhando o conhecimento a partir das fontes

apropriadas a cada tipo de objeto. Construir o objeto do conhecimento é

apreendê-lo em suas próprias fontes, em sua particularidade: não é

contemplá-lo ou intuí-lo em sua essência, nem representá-lo

abstratamente; ou melhor, a sua representação abstrata não é um ponto de

partida, é um ponto de chegada, é o resultado de uma construção feita

com os dados e elementosfornecídos pelafonte na qual o objeto se realiza

concretamente. Todas as diretrizes aqui apresentadas, desde as mais

técnicas e operacíonais, visam apenas subsidiar o aluno a instaurar sua

postura de pesquisador, postura investigativa que o leve a buscar as

fontes para a construção do conhecimento e assim realizar sua

aprendizagem. Elas estão a serviço da função epistêmica, ou seja, só têm

sentido se forem boas ferramentas para o exercício do conhecimento bem

construido. Por outro lado, é preciso ver ainda que o conhecimento só se

legitima como mediação para o homem bem conduzir sua existência.

Cabe-lhe o compromisso de evidenciar a intencionalidade de nossa exis-

tência, para orientá-la rumo a uma qualidade de vida que esteja à altura

de nossa dignidade de pessoas humanas. É por isso que se diz que seu

compromisso é com a construção da cidadania, entendida esta hoje como a

única forma decente de sermos plenamente humanos. São Paulo, 2000 d.C. O

Autor
13
PREFÁCIO
A grande aceitação que este livro teve por parte de professores e

estudantes universitários tem reforçado a expectativa, que alimentei

desde seu lançamento, de que ele desempenharia satisfatoriamente o papel

de ser um instrumento adequado de apoio ao trabalho dídátíco-científico

na universidade. Afunção que lhe atribuíra era a de introduzir os

estudantes a hábitos de estudo científico que lhes possibilitassem o

desenvolvimento de uma vida intelectual disciplinada e sistematizada.

Trata-se de fornecer aos estudantes, através destas diretrizes meto-

dológicas, instrumentos para que desenvolvam a contento, com eficiência

e competência, a sua aprendizagem. Estes instrumentos, no âmbito do

trabalho universitário, são de três ordens: técnicos, lógicos e

conceituaís. Os estudantes devem dominar certas técnicas de estudo que

lhes permitam disciplinar seu trabalho intelectual, garantindo-lhes

maior produtividade. Evidentemente, tais técnicas mecanicamente

aplicadas podem não levar a nada, mas, por outro lado, um pensamento sem

apoio em processos bem determinados pode não passar de uma superficial

ilusão; por isso, o domínio das técnicas deve ser conseguido e

vivenciado sob um rigoroso controle da lógica. De fato, a aprendizagem

universitária pode ser resumida num único objetivo: aprender a pensar.

E, mais do que nunca, essa tarefa continua príorítdria para a educação

escolar brasileira e aqui seu fracasso é um paradoxo inaceitável. Neste

livro o objetivo lógico tem prioridade sobre o objetivo técnico, pois é

ele que informa todas as técnicas apresentadas como modelos

instrumentais. Mas a aprendizagem necessita ainda de recursos

conceituaís, ou seja, o estudante,universitário deve adquirir, tanto na

área de sua especialidade como nas áreas afins, um acervo de conceitos

fundamentais e de informações precisas, tanto

15


do ponto de vista teórico como do ponto de vista histórico, que

sirvam de contexto para o desenvolvimento de seu pensamento e de suas

pesquisas. Esses conhecimentos contextuais, nas áreas específicas, nas

áreas afins e em termos de uma cultura geral bem ampla, são condições

imprescindíveis para o saber e devem ser adquiridos a qualquer preço,

mesmo através de um esforço suplementar na superação de carências

oriundas da formação acadêmica. Na oportunidade deste lançamento, faz-se

necessária uma retomada da discussão, com professores e estudantes, da

significação deste tipo de instrumental didático, no âmbito do processo

educacional brasileiro. Este conjunto de diretrizes metodológicas,

apresentadas assim de maneira intencionalmente prática, tem uma

finalidade propedêutica, visando sis- tematízar e organizar a vida de

estudos e do trabalho intelectual mediante uma preparação para a

adequada manipulação de instrumentos para esse trabalho. O meu empenho e

preocupação com estes aspectos didáticos do ensino superior brasileiro e

a tentativa de contribuir para a superação de suas deficiências não

traduzem a crença de que a inadequação dos procedimentos

didático-científicos seja o cerne da problemática educacional em nosso

país. A educação brasileira enfrenta problemas e desafios muito mais

relevantes.

Com efeito, surge inicialmente a própria questão da competência,

entendida como domínio dos conteúdos, dos métodos, das técnicas das

várias ciências, enfim, o domínio das habilidades específicas de cada

área de formação e de cada forma de saber e de cultura. Este é o

objetivo mais explicitado da aprendizagem universitária. E é uma

exigência plenamente justificável do ensino superior, não havendo como

compactuar com a mediocridade, com o superficialismo, em matéria de

ensino e aprendizagem. Continuam sendo metas a serem encaradas com

seriedade, no âmbito da tarefa educacional brasileira, a qualificação do

ensino, o rigor da aprendizagem, a iniciação à pesquisa e a superação de

todas as falhas decorrentes da falta de rigor científico no processo de

ensino superior. O esforço pedagógico da universidade não pode deixar de

lado, em nenhum momento, esta preocupação e as decorrentes tarefas. Por

isso, fica claro, deste ponto de vista, que o objetivo é aprender, é

obter conhecimentos, é dominar produtos da ciência e, até mesmo,

dominando seus métodos, criar ciência. A educação brasileira é ainda

muito falha na efetivação deste objetivo, concentrando-se nisso um

problema muito mais grave do que o representado pela inadequação dos

hábitos de estudo.

16
Além desta esfera de problemas, afigura-se uma outra, igualmente de



extrema gravidade. A educação universitária tem um outro objetivo, tão

relevante quanto o da formação científica: é o objetivo da formação

política da juventude. Com efeito cabe a ela desenvolver a formação

política, mediante uma conscíentização crítica dos aspectos políticos,

econômicos e sociais da realidade histórica em que ela se encontra

ínserida. A educação superior brasileira enfrenta esta

questãofundamental: formar politicamente uma juventude pela criação de

uma nova consciência social capaz de mobilizá-la não só para uma atuação

concreta e uma participação política no processo histórico real mas

também para um compromisso mais radical de se construir um novo modelo

de civilização humana para o Brasil. Por isso, à preocupação com as

questões didáticas precede a preocupação com o significado político da

educação e com o que se deve investir na formação política da juventude.

A conscientízação dos universitários brasileiros deste aspecto político

da educação é questão de grande monta e tarefa inadíável da vivência

universitária. E grave compromisso dos educadores atuais, por mais

desafiante que pareça ser tal objetivo. Cabe à educação brasileira, de

modo particular à educação universitária, denunciar as alianças espúrias

que ela tem feito com interesses duvidosos bem como tentar definir, para

a sociedade brasileira, novos caminhos e novas alianças, mais lúcidas e,

possivelmente, mais eficazes. É extremamente relevante que o estudante

universitário se torne capaz de entender-se como membro de uma sociedade

concreta e bem determinada, envolvida num processo histórico, e que ele

faz parte de uma coletividade que dá significado a sua existência

individual. Mas há ainda uma questão mais profunda, embora de mais

dificil apreensão, a se colocar com referência à educação universitária

brasileira: diz respeito ao próprio significado desta educação no âmbito

do projeto existencial que se deve dar à comunidade brasileira, na busca

de seu destino e de sua civilização. Trata-se de um equacionamento

propria- mente filosófico, ou seja, trata-se de explicitar qual o

sentido possível de existência do homem brasileiro como pessoa situada

na sua comunidade de tais contornos e em tal momento histórico. O

desafio mais radical que se impõe à educação brasileira é o

questionamento do próprio significado do projeto civilizatório do

Brasil. Afinal, este país vive uma crise total de civilização e todo

esforço para a articulação de um projeto político e social para a

população brasileira pressupõe a discussão de questões básicas

relacionadas com a dignidade humana, com a liberdade, com a igualdade,

com o valor da existência comunitária, com as pers- pectivas de um

destino comum. Não mais uma reflexão apriorística e

17

abstrata: embora

tendo como horizonte um projeto que possa até ser utópico, esta

discussão se dará com base na retomada das mediações histórico-sociais

nas quais se tece a nossa própria realidade humana. O projeto

educacional é assim, necessariamente, um projeto político e pressupõe

necessariamente um projeto antropológico. É por isso que não bastará à

universidade dar capacítação científica e formação política, se ela não

inserir estas dimensões numa dimensão mais ampla que é a da construção

do próprio sentido da existência histórica da nação. Em termos muito

mais concretos, isto significa que à educação cabe, em última análise, a

construção da identidade autêntica do homem brasileiro. Ora, diante de

questões desta monta, aspectos didáticos do ensino perdem muito da sua

relevância. Mas é neste contexto que se deve equacionar o lugar da

metodología como propedêutica didática. Além de não haver nenhuma

incompatibilidade entre estas tarefas, a metodologia é um instrumental

extremamente útil e seguro para a gestação de uma postura amadurecida

frente aos problemas científicos, políticos e filosóficos que nossa

educação universitária enfrenta. Entendo que não é possível aos

estudantes adquirirem sua competência científica, técnica ou profis-

sional, sem disciplinada vida de estudos; e sem esta competência, não se

concebe a compreensão do sentido político da própria formação nem a


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