Apostila redaçÃo científica prof. Ivan carlo a redaçÃo científica



Baixar 142.33 Kb.
Encontro16.03.2018
Tamanho142.33 Kb.

APOSTILA REDAÇÃO CIENTÍFICA


PROF. IVAN CARLO

A REDAÇÃO CIENTÍFICA

“As pessoas tendem a colocar palavras onde faltam idéias”

Johann Wolfgang von Goethe
5.1 – CARACTERÍSTICAS

Uma das grandes dificuldades de quem vai produzir uma monografia é confundir texto científico com texto de divulgação científica. Ao pedir para alunos textos científicos, a maioria me traz revista como a Galileu, a Superinteressante ou a Revista dos Curiosos. Essas revistas são exemplos do que é chamado de comunicação científica secundária.

Na comunicação científica primária, o cientista fala para outro cientista. Exemplos de comunicação científica primária são as monografias, teses, dissertações de mestrado e papers. Na comunicação científica secundária, o cientista, ou um repórter, divulga conhecimentos científicos a um público leigo, formado na sua maioria por não cientistas.

Embora revistas como a Superinteressante tenham características de textos científicos (é importante lembrar que o texto jornalístico tem muitas semelhanças com o científico), elas não seguem normas de apresentação de trabalho exigidas em comunicações científicas.

Entre as características dos textos científicos, podemos citar os seguintes:

1.Linguagem unívoca;

2.linguagem impessoal;

3.uso de citações (argumento da autoridade – paradigma);

4.referências;

5.clareza.


5.1.1 - Linguagem unívoca

Em um texto científico, cada palavra-chave deve ter um sentido único e indistinto e, deve ser usada com esse sentido durante todo o trabalho. É por essa razão que quase todos os trabalhos na área de ciências sociais sempre iniciam com definição de termos. Se a sua monografia é sobre o uso da teoria das inteligências múltiplas na escola, na parte inicial do trabalho você deverá explicar o que significa “inteligências múltiplas”.

O contrário da linguagem unívoca é a linguagem plurívoca, típica da poesia, que permite várias interpretações. Às vezes, a linguagem plurívoca pode aparecer em uma frase mal construída. Veja o exemplo:

Os tetos que não são pintados freqüentemente oxidam. (FEITOSA, 1991, p. 135)

O que o autor quer dizer? Que os tetos que não são freqüentemente pintados oxidam ou que os tetos que não são pintados oxidam freqüentemente?

Embora pareça só um jogo de palavras, o significado muda, pois a primeira interpretação diz que os tetos devem ser pintados freqüentemente para não oxidarem. A segunda interpretação dá conta que basta pintar uma vez para que não haja oxidação.


5.1.2 - Linguagem impessoal

Em textos científicos evita-se expressões pessoais. Ao invés de dizer “Os resultados do trabalho realizado por mim”, diz-se: “Os resultados deste trabalho”.

Em monografias evita-se expressões como acho, penso, creio.

A linguagem impessoal também se expressa em oposição à linguagem subjetiva. Assim, ao invés de dizer “A sala estava suja”, o cientista dirá: “O entrevistado, enquanto falava, deixou cair cinzas de seu cigarro no chão. Viam-se restos de cigarros apagados e fragmentos de papel no chão”. Ao invés de dizer “A sala era grande e espaçosa, dirá “A sala media 12 m de comprimento por 8 m de largura”. (CERVO ; BERVIAN, 1983, p. 136)


5.1.3 - Uso de citações e referências

A citação ocorre quando se utiliza uma frase, uma idéia ou informação coletada por outro autor. Ela é a base do argumento da autoridade, em que o autor usa uma autoridade para reforçar seu pensamento.

Embora Karl Popper duvide da validade do argumento da autoridade, Kuhn demonstrou que os cientistas se baseiam no paradigma, que é uma autoridade. Assim, um autor marxista irá certamente citar Marx em seus trabalhos. Um físico não pode ignorar os trabalhos de Einstein, e, se puder, vai citá-lo para reforçar seu raciocínio.

Em todo caso, mesmo autores influenciados por Popper admitem que em algumas áreas, como o direito, o argumento da autoridade é inevitável. É impossível, por exemplo, escrever um texto jurídico sem citar leis.

Mas é bom ter cuidado com as citações. É necessário antes verificar se o autor citado é realmente uma autoridade na sua área. Além disso, deve-se verificar se a citação tem relação com seu argumento.

O direito de citação é garantido pela lei 9610, de 19.02.98:

Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:

®III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra.


As citações podem ser diretas ou indiretas.

Na citação indireta, usa-se a idéia do autor, mas não exatamente suas palavras. A citação não vem entre aspas, mas deve ser referenciada.

Exemplo de citação indireta:

Para Aristóteles (1996), a comédia é a imitação das pessoas inferiores. O filósofo ressalta, no entanto, que o cômico se refere a um tipo de feio específico, no qual não cabe a dor. Um exemplo disso é a máscara cômica usada no teatro grego que, apesar de feia, não expressa dor.

Na citação direta, a idéia é expressa exatamente como o autor citado a escreveu.

Exemplo de citação direta:

Para Aristóteles (1996, p. 35), a comédia é a imitação das pessoas inferiores e refere-se à feiúra. Entretanto, para ele, a comicidade “(...) é um defeito e uma feiúra sem dor nem destruição; um exemplo óbvio é a máscara cômica, feia e distorcida, mas sem expressão de dor.”.

As citações curtas (de até três linhas) devem vir dentro do texto, entre aspas. As citações longas devem vir em parágrafo próprio com um recuo de quatro centímetros.

Um detalhe importante sobre as citações é que elas não podem ser muito extensas. Citações maiores devem ter autorização por escrito do autor. Assim, pegar um capítulo inteiro de outro autor não é citação, é plágio.

Toda informação ou idéia colocada no texto que tenha sido criada ou coletada por outra pessoa, deve ser referenciada. Como vimos, as citações são um procedimento científico normal, mas citar sem dizer quem é o autor original é plágio.

A boa citação deve vir, obrigatoriamente, acompanhada de referência bibliográfica que indique o autor, a obra e a página da qual foi tirada a citação.

Há dois sistemas de referência: o autor-data e de notas de rodapé. Atualmente, em decorrência da internet, a maioria das instituições tem aconselhado o usa do sistema autor-data.

No sistema autor, data, coloca-se o sobrenome do autor, virgula, ano de publicação, vírgula, a abreviatura de página e o número da página.

Exemplo: (RUIZ, 1979, p. 86)

No caso de dois autores, coloca-se o sobrenome dos dois, separados por ponto e vírgula.

Exemplo: (CERVO; BERVIAN, 1983, p. 136).

Quando o nome do autor já aparece no texto, apenas o ano e a página aparecem entre parênteses e o nome do autor é grafado em caixa baixa.

Exemplo: Para Ruiz (1979, p. 86), “o conhecimento científico...”.

Quando se trata de uma citação que foi retirada de um livro de outro autor que não o autor original , deve-se colocar o sobrenome do autor da frase, seguida pela expressão apud e pelo sobrenome do autor do livro consultado. Quando o nome do autor vier fora do parênteses, admite-se a expressão “citado por”.

Exemplo: (POPPER apud HEGENBERG,1979, p.86).

Ou: Popper citado por Hegenberg (1979, p.86).

Quando a citação se refere a uma idéia do autor e não a uma informação ou frase específica, a página não é obrigatória na referência.

Exemplo: Num estudo recente (BARBOSA, 1980) demonstrou-se que...

Quando houver dois autores com o mesmo sobrenome, coloca-se o prenome abreviado.

Exemplo:

(BARBOSA, C., 1956)

(BARBOSA, O., 1956)

Quando forem citados vários documentos do mesmo autor publicados no mesmo ano, acrescenta-se, após a data, letras minúsculas, sem espacejamento (essas letras também devem aparecer na bibliográfica, sempre após o ano).

Exemplo:

(OLIVEIRA, 1999a)

(OLIVEIRA, 1999b)

Quando se tratar de informação oral (palestras, debates, comunicações pessoais), utiliza-se, entre parênteses, a expressão informação verbal.

Exemplo:

Franco de Rosa afirma que a Grafipar começou a contratar desenhistas de outros estados no ano de 1980 (informação verbal).

Quando o texto não tiver autor, a entrada é feita pelo título ou pela instituição. Quando o título for extenso, pode-se abreviá-lo, colocando a primeira palavra seguida de reticências.

Exemplos:

(UNESCO, 2001)

(CROSSGEN..., 2003)

Quando a citação direta tiver até três linhas, deve vir entre aspas, no corpo do próprio texto.

Exemplo:

Mais recentemente, os estudos sobre buracos negros terminaram de enterrar o demônio laplaciano. Stephen Hawking descobriu que os buracos negros não são completamente negros: “O que pensamos como espaço vazio não é realmente vazio, mas é preenchido com pares de partículas e antipartículas. Estas aparecem juntas em algum ponto do espaço e tempo, movem-se separadamente e então, juntam-se e aniquilam-se” (HAWKING, 2004).

Quando a citação direta tiver mais de três linhas, deve vir em parágrafo à parte, com recuo de quatro centímetros, fonte em tamanho menor, espaçamento simples e sem aspas, itálico ou negrito.

Exemplo:

A noção do universo como relógio deu origem à idéia ao determinismo científico, expresso publicamente pela primeira vez pelo cientista francês Laplace. Acreditava-se que a natureza seguia regras fixas que podiam ser descobertas com o uso da razão, como no caso de um relógio. Para Laplace,

U
4 cm.
ma inteligência que conhecesse em determinado momento todas as forças da natureza e posição de todos os seres que a compõem, que fosse suficientemente vasta para submeter estes dados à análise matemática, poderia exprimir numa só fórmula os movimentos dos maiores astros e dos menores átomos. Nada seria incerto para ela, e tanto o futuro como o passado estariam diante de seu olhar. (LAPLACE apud EPSTEIN, 1986, p. 30)
5.1.4 - Clareza

Um texto científico deve ser claro. Ao contrário do que muitos acham, escrever cientificamente não é escrever de maneira difícil. Claro que há um certo grau de dificuldade para o público, mas essa dificuldade está na linguagem técnica, não na formatação das frases.

Para garantir a clareza do texto, deve-se evitar o excesso de períodos compostos, que dificultam a compreensão e podem dar margem a dupla interpretação, como no exemplo abaixo:

Carlos, que foi preso pelo policial, que é pessoa violenta, que roubou a casa de uma pessoa que mora no bairro do Congós e é caixa em um supermercado muito conhecido nesta cidade.

As mesmas informações ficam muito mais claras com a melhor organização da frase:



Carlos, pessoa violenta, foi preso pelo policial. Ele é acusado de roubar a casa de uma pessoa no bairro do Congós. A vítima trabalha em um supermercado muito conhecido na cidade.
5.2 TIPOS DE TEXTOS CIENTÍFICOS

5.2.1- Fichamento

O Fichamento é, na verdade, um instrumento de pesquisa, mas é comum professores pedirem fichamentos como forma de testar a capacidade de leitura e compreensão do aluno.

Originalmente, como instrumento de pesquisa, as fichas se dividem em bibliográfica, de citações e de leitura.
FICHA BIBLIOGRÁFICA

A ficha bibliográfica é a primeira a ser feita e constitui a primeira parte de uma pesquisa. Nela anotamos todos os documentos (sites, artigos em revistas, livros, textos em jornais) que possam ter qualquer tipo de interesse para nosso trabalho.

Ela serve para que, depois, possamos ter uma boa idéia do tipo de bibliografia com o qual podemos contar e onde se encontram esses documentos.

A estrutura da ficha bibliográfica é a seguinte:

-Tema da pesquisa

- Indicação bibliográfica das obras pesquisadas.


EXEMPLO DE FICHA BIBLIOGRÁFICA


Cibernética

 

EPSTEIN, Isaac. Teoria da informação. São Paulo: Ática,1986.

EPSTEIN, Isaac (Org.). Cibernética e comunicação. São Paulo: Cutrix,1973.

PIGNATARI, Décio. Informação. Linguagem. Comunicação. São Paulo:Perspectiva, 1976.



FICHA DE CITAÇÃO

A ficha de citações serve para anotarmos trechos das obras que pretendemos citar no trabalho. Ela é muito útil, por exemplo, quando estamos lendo um livro da biblioteca, ou emprestado por um amigo.

A estrutura da ficha de citação é a seguinte: tema, bibliografia, citações entre aspas seguidas da página onde estas se encontram.

EXEMPLO DE FICHA DE CITAÇÃO


Megalópolis de informação
MCLUHAN, M.; FIORE, Q. Os meios são as massa-gens.

Rio de Janeiro:Record, 1969.
A cidade do futuro, de circuitos elétricos, não será esse fenomenal aglomerado de propriedade imobiliária concentrada pela ferrovia. Ela adquirirá um significado inteiramente novo sob condições de movimentação extremamente rápida. Será uma megalópolis de informação. O que resta da configuração das cidades ´anteriores´se parecerá muito com as Feiras Mundiais –lugares onde se exibem novas tecnologias, não Lugares de trabalho ou de moradia”. (p. 100)


FICHA DE LEITURA
A maioria dos professores, quando pede o fichamento do um livro, está se referindo a uma ficha de leitura, ou ficha de resumo. A estrutura dessa ficha é muito mais completa e pode mudar de autor para autor. Aqui é usada uma estrutura básica, que inclui: Tema, referência bibliográfica da obra, informações sobre o autor, resumo, comentários e citações.

O exemplo abaixo foi feito como instrumento de pesquisa para uma dissertação de mestrado e inclui comentários sobre a possibilidade de utilização do livro no trabalho. No caso de um trabalho pedido aos alunos como exercício de leitura, esse tipo de comentário é dispensável. Aliás, quanto ao comentário, é melhor não tê-lo do que ter comentários pessoais, do tipo “Não gostei desse livro” ou “Acho esse livro muito importante”.



Exemplo de ficha de leitura


Determinismo na ciência
EPSTEIN, I. Teoria da Informação. São Paulo: Ática, 1986.
Epstein é uma autoridade na área de cibernética e teoria da informação. Foi autor de um dos primeiros livros sobre o assunto publicados no Brasil: Cibernética e Comunicação, de 1971. Doutor em filosofia, é professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo.

Esse, embora seja um livro de introdução ao assunto, acabou se tornando uma referência obrigatória para a Teoria da Informação. Epstein fala de códigos, mensagens, decifração de mensagens codificadas, redundância e sintaxe. Outros temas: entropia, redundância, fontes ergódicas e quantificação da informação.

De fundamental importância é o terceiro capítulo: “O que é informação”. Nesse, Epstein trabalha o conceito de entropia e explora os conceitos de Demônio de Maxwell e Demônio Laplaciano. O Demônio Laplaciano é uma entidade imaginada por Laplace para explicar o determinismo da natureza. De posse de informações sobre todas as partículas do universo, seria capaz de prever o futuro. O Demônio de Maxwell, ao contrário, trabalha com a indeterminação e opera utilizando a entropia a seu favor.

“A inteligência suposta por Laplace seria onisciente, mas impotente para provocar qualquer modificação no curso dos eventos. Restaria a ela um olhar entediado sobre o porvir, pois nada poderia ocorrer que não tivesse já previsto” (p. 30-31).



5.2.2 - Resenha

Uma resenha, ao contrário do que imagina a maioria das pessoas, não é um resumo de uma obra. A resenha exige uma leitura atenta e conhecimento sobre o assunto a ser resenhado.

Historicamente, a resenha surgiu da necessidade de escolha entre diversos livros que estavam sendo publicados. Como escolher entre tantas obras? O resenhista era a pessoa que lia, fazia o comentário e dava ao leitor informações que permitiriam saber se interessava ou não ler a obra original. Essa função ainda é cumprida atualmente pelos cadernos de cultura dos jornais, que apresentam resenhas sobre livros, filmes e até CDs. Um interessante site de resenhas é o Digestivo Cultural (www.digestivocultural.com.br)

Normalmente, também revistas científicas apresentam resenhas. Nesse caso, o resenhista deve ser um pouco mais cuidadoso, pois ele estará falando para pessoas especialistas em determinada área de conhecimento.

Muitos autores têm classificado a resenha, mas a que parece mais adequada é a divisão entre resenha literária e resenha científica. A literária se destina ao público leigo e tem menos elementos obrigatórios. O objetivo é apenas apresentar informações sobre uma determinada obra, dando ao leitor condições de escolher se quer ou não comprá-la.

A resenha científica deve, além disso, apresentar a importância científica da obra, o paradigma do autor, entre outras informações.

Abaixo, alguns elementos necessários a uma resenha:

Referência bibliográfica completa

O resenhista deve colocar, no início da resenha, todos os elementos bibliográficos, de acordo com as regras da ABNT. No caso de uma resenha literária, bastam o título do livro, o nome do autor e a editora.



Credenciais do autor

Informações sobre o autor, em especial sua formação universitária, títulos e livros publicados.



Resumo da obra (digesto)

Aqui se resume as idéias principais do autor. É aconselhável que dê uma visão geral da obra, e haja um aprofundamento de um capítulo ou mais.



Conclusões da autoria

Qual é a tese do autor? O que ele quer provar com seu livro? A que conclusões ele chega?



Metodologia

Qual foi a metodologia utilizada pelo autor? O texto é apenas um ensaio, ou é resultado de uma pesquisa de campo? Sua pesquisa é qualitativa ou quantitativa?



Quadro de referências do autor (paradigma)

Qual é o paradigma no qual o autor sustenta suas idéias? Cada área de conhecimento tem seus paradigmas específicos. Nas ciências sociais, por exemplo, há o paradigma marxista, o positivista/funcionalista, o estruturalista...



Crítica do resenhista

Esse é o momento em que o resenhista faz sua análise da obra. Qual a sua importância? Que contribuição ela traz para o seu campo de estudo. Como é a linguagem do autor? Simples, clara, complexa, rebuscada? O livro aprofunda os assunto estudados?



Indicações do resenhista

A quem se destina a obra? Quem poderia se interessar por ela? O leitor precisa ter algum tipo de conhecimento prévio para compreender o livro? É um dos itens mais importantes da resenha.

Nem sempre é possível fazer uma resenha com todos esses elementos e já li ótimas resenhas que não de fato não tinham um ou mais elementos apresentados acima.

Também é importante dizer que esses elementos foram divididos por questões didáticas, mas a maioria dos autores faz um texto corrido no qual aparecem as informações necessárias de uma resenha.



A resenha científica deve evitar expressões pessoais.

EXEMPLO DE RESENHA


BERLINSKI, David. O advento do algoritmo: a idéia que governa o mundo. São Paulo: Globo, 2002.

Gottfried von Leibniz foi um dos maiores gênios do século XVII. Ele se movia com facilidade pela matemática, filosofia e direito. Além disso, ele se envolveu em projetos de prensa hidráulica, horticultura e construção de moinhos de vento. Mas Leibniz acalentava um projeto especial: criar uma enciclopédia que contivesse todos os conceitos humanos. Ele acreditava que, por mais que pudesse haver muitos conceitos complexos, a quantidade de conceitos simples deveria ser pequena. E, se existe um número finito de conceitos simples, deve haver no pensamento um princípio de organização, que orquestre o modo como são combinados. No final, o filósofo concluiu que existem apenas dois conceitos simples: Deus e o Nada. A partir desses dois, todos os outros poderiam ser construídos.

A idéia, que parece absurda e sem nenhuma utilidade prática, é, na verdade, um dos mais úteis instrumentos da atualidade. Sem ela os computadores não seriam possíveis. Os conceitos de Deus e Nada de Leibniz são a base do 0 e 1, a linguagem binária usada pelos computadores digitais. Toda informação que adentra um computador, por mais complexa que seja, é transformada em uma série de 0 e 1, ou Deus e Nada.

Leibniz foi, portanto, o avô do algoritmo, um sistema lógico que tornou possível os computadores. É a história da criação do algoritmos que David Berlinsk, professor norte-americano de lógica matemática, conta em O Advento do Algoritmo.

Berlinski é doutor pela universidade de Princenton e contribui regularmente com a revista Comentary. Seus ensaios sobre o darwinismo e o big bang ficaram famosos. É autor de três romances e cinco obras de não-ficção, entre elas O Legado de Newton, que será lançado em breve no Brasil pela editora Globo.

O autor faz um ensaio histórico, demonstrando a evolução da lógica matemática que levaria à criação do algoritmo.

O livro pode parecer um volume hermético, de interesse único dos viciados em matemática, lógica e computadores, mas não é. Berlinski tem uma linguagem simples e um jeito muito agradável de falar de coisas complicadas. Além disso, ele é um tanto poético, às vezes exageradamente poético. Ao falar da lógica aristotélica, ele se refere à decadência do Império romano da seguinte forma: “A cultura brilhante e única dos gregos antigos se exauriu quando o sol ainda brilhava. Os bárbaros começaram a vagar pelas margens rotas e esfarrapadas do Império Romano”.

O volume tem momentos exclusivamente literários, como aquele sobre um homem que vendia sonhos, colocado ali para nos fazer ver que sonhar com a verdade pode ter um preço muito caro.

Um preço muito caro pagou o lógico inglês Alan Turing, que se suicidou comendo uma maçã envenenada.

Turing percebeu que muitas vezes seres humanos faziam trabalhos mecânicos, que podiam perfeitamente ser feitos por um computador e imaginou uma máquina capaz de realizá-los. Ele partiu da idéia de Leibniz, de que conceitos complexos podem ser expressos através de conceitos simples. Ou seja, todas as coisas poderiam ser expressas através de dois símbolos, 0 e 1. Ou melhor, um, pois o 0 é a ausência de símbolo.

O computador de Turing teria uma fita infinitamente longa dividida em quadrados. Teria também um mecanismo de leitura que poderia realizar três operações: 1) ler os símbolos nos quadrados; 2) mover-se pelos quadrados, de acordo com uma programação; 3) imprimir símbolos nos quadrados.

Um exemplo simples e, ao mesmo tempo, maravilhoso de utilização da máquina de Turing é a soma 1 + 1. O número 1 é expresso através de dois símbolos, 11. O espaço em branco representa o sinal de somatória. Assim, 1+1 seria expresso da seguinte maneira: 11 espaço11. A seguir, basta dar uma programação à máquina.

A programação é a seguinte:

A leitura se move para a direita até encontrar um espaço vazio e, então, imprime 1.

Os sinais, que eram 11 11, ficam 11111.

A seguir ela se move novamente para a direita até encontra um espaço em branco, sinal de que agora ela deve se mover para a esquerda e, ao invés de imprimir, deve apagar os dois primeiros da esquerda e, então, parar. O símbolo resultante é 111, justamente o símbolo do número dois.

Simples e extremamente eficiente.

O método proposto por Turing permite que computadores possam processar qualquer informação usando apenas o Deus e o Nada.

Só por nos mostrar que idéias aparentemente sem nenhuma utilidade prática podem se tornar extremamente importantes (e, de certa forma, governar o mundo), o livro de Berlinski já valeria a pena. Como se isso não bastasse, a editora Globo fez um belo trabalho gráfico, com uma capa belíssima e uma encadernação de primeira. Uma leitura obrigatória para os interessados em lógica matemática ou em computadores.
5.2.3 - Paper

O paper é um texto feito para ser apresentado em congresso científico. O objetivo dos congressos é permitir a troca de informações entre cientistas que certamente trará um melhor desenvolvimento do conhecimento em uma área específica. Cada congresso tem sua regra de apresentação de trabalhos, mas a maioria pede um texto entre 10 e 15 páginas, incluindo bibliografia. Ou seja, é um texto curto, que muitas vezes apresenta resultados parciais de pesquisas maiores. Aconselha-se procurar no site do congresso as normas de apresentação de trabalhos antes de iniciar a produção de um paper.



5.2.4 - Artigo

Da mesma forma que o paper, o artigo científico deve seguir as regras ditadas pela publicação. Normalmente os artigos têm menos de 15 páginas. É muito comum que papers sejam transformados em artigos. Os artigos devem ter uma estrutura de introdução, desenvolvimento e conclusão.


EXEMPLO DE ARTIGO

CIÊNCIAS DA NATUREZA E CIÊNCIAS HUMANAS: DIFERENÇAS

EPISTEMOLÓGICAS

Ivan Carlo Andrade de Oliveira

Mestre em comunicação científica e tecnológica pela Universidade Metodista de São Paulo
O artigo trata da diferença entre as ciências humanas e naturais, utilizando a metáfora do Demônio Maniqueu e Demônio Agostiniano, proveniente da cibernética. Tal metáfora demonstra que na pesquisa com seres humanos é impossível falar em exatidão, mesmo no caso das metodologias quantitativas.
Palavras-chave: Epistemologia, ciências humanas, ciências naturais
Os autores cibernéticos encontraram nos demônios Agostiniano e Maniqueu metáforas apropriadas para compreensão das diferenças entre os fenômenos naturais e sociais.

O maniqueismo, religião babilônica, acreditava que o universo era governado por duas forças antagônicas, uma boa e outra má.

O termo sobreviveu como sinônimo de uma separação rígida entre dois pólos antagônicos. Diz-se, por exemplo, que os gibis de super-heróis são maniqueístas, pois os heróis são totalmente bons e bem intencionados. Os vilões, ao contrário, são totalmente maus. Não há meios-tons.

Mas o que é esta análise e como os maniqueístas viam essa força negativa? Para eles, o demônio era astuto o bastante para mudar de estratégia, caso sua vítima lhe percebesse o ardil

Imagine-se que o demônio maniqueu colocasse uma casca de banana à porta de um homem. Este, assim que saísse de casa, escorregaria, e soltaria uma série de palavras impublicáveis, para regozijo do demônio.

Isso acontece por dias seguidos, até que o homem, cansado da brincadeira, resolve sair pela janela.

O demônio, percebendo a mudança, passaria a deixar a casca de banana abaixo da janela, até que surgissem novos fatos que o forçassem a mudar novamente de estratégia.

Santo Agostinho, ao contrário, achava que o demônio seguia leis divinas, das quais não podia escapar. O demônio não poderia blefar ou mudar de estratégia.

Foi esse tipo de pensamento que permitiu a Henrick Kramer e Jacobus Sprenger escreverem o livro “Malleus Maleficarum”, verdadeiro manual dos inquisidores.

O objetivo era descobrir como agia o demônio e seus agentes temporais, as bruxas, indicando a melhor forma de combater a ação destes.

Os títulos de alguns capítulos falam por si: “Métodos Diabólicos de Atração e Sedução”; “Como as bruxas podem infringir enfermidades graves”; “Métodos para destruir e curar a bruxaria”. Jamais ocorreria a tais autores que o demônio, percebendo que seu modo de ação fora descoberto e dissecado, pudesse mudar de estratégia.

Os demônios agostinianos são os fenômenos naturais. Eles seguem leis rígidas, das quais não podem escapar. “O que caracteriza, portanto, o demônio agostiniano é o mesmo atributo que indentifica o pressuposto implícito do pensamento científico: a ausência de intenções ou a indiferença da natureza em relação ao cientista. Ela não prepara ardis ou mudanças de estratégias, quando julga oportuno para evitar a dominação”. (EPSTEIN, 1986, p. 62)

Se uma pessoa solta uma pedra, ela, incapaz de desobedecer à lei de gravitação universal, cairá, atraída pela Terra. A pedra não cogita flutuar no ar apenas para contrariar as expectativas de quem a jogou. Este poderá dizer “A pedra irá cair” sem medo de ser desmentido pela pedra.

O mesmo já não ocorre com fenômenos sociais. Imagine-se um aluno relapso sobre o qual o professor faz a seguinte previsão: “Você não será aprovado, pois não estuda”.

Ele pode se deixar abater pela previsão e desistir plenamente de ser aprovado. Mas, por outro lado, poderá estudar com mais afinco, para provar que o professor estava errado.

Quando se trata de seres humanos, as previsões podem ser auto-destrutivas e auto-realizadoras.

Um jornal que estampe uma previsão de inflação fará com que os consumidores corram para estocar produtos antes do anunciado aumento de preços. O aumento da demanda fará com que os vendedores aumentem o preço das mercadorias. Talvez a inflação não tivesse ocorrido se o jornal não a tivesse anunciado.

É fato sabido que nenhum banco tem em caixa dinheiro o bastante para cobrir a retirada de todos os seus correntistas. Se corre o boato de que o banco irá falir, haverá uma corrida ao mesmo. O excesso de saques deixará a instituição sem capital e, portanto, falida. Mais de uma empresa bancária já fechou suas portas em decorrência de previsões desse tipo.

Os fenômenos naturais são demônios agostinianos: jogam um jogo difícil, mas, uma vez decobertas suas leis, eles não a mudarão apenas para nos contradizer ou agradar. Os fenômenos sociais, ao contrário, são demônios maniqueus, pois o fluxo de informações pode fazer a sociedade ou grupos mudarem de comportamento. Como um jogador de pôquer, a sociedade muda seu comportamento e suas estratégias. Segundo Epstein (1986a, p. 61), as leis que o cientista social descobre sobre o desenvolvimento dos indivíduos ou dos grupos podem ser traduzidas, em certos casos, em poder e dominação. “Os ‘objetos’ deste conhecimento, se conscientes deste fato, podem, numa certa medida e também em algumas circunstâncias, engendrar uma mudança de seus comportamentos e conseqüentemente uma alteração das ‘leis’que os regem”.

As investigações de Karl Marx sobre a sociedade capitalista foram muito acuradas, mas não servem para nossos dias, pois o capitalismo se utilizou dessas mesmas análises para se transformar e, portanto, sobreviver.Segundo Norbert Wiener (1968, p. 34), comparado ao demônio maniqueu, dono de refinada malícia, o demônio agostiniano é estúpido. Joga um jogo difícil, mas pode ser derrotado completamente pela inteligência e pela observação.

A metáfora dos demônios maniqueu e agostiniano faz cair por terra a falácia de pesquisadores do início do século XX que pretendiam investigar os fenômenos sociais com as mesmas ferramentas e a mesma lógica com que se investiga a natureza.

Para pesquisar tais fenômenos, surge uma nova teoria, parte da cibernética, chamada teoria dos jogos.

O jogo praticado pela sociedade constantemente é do tipo soma-zero, em que os ganhos de uma parte revertem em perdas para o outro lado.

É o que ocorre, por exemplo, nos casos de dominação política: uma vitória do dominador transforma-se em perda para o dominado.

Sabe-se que a dominação política e econômica é baseada no conhecimento do homem sobre o homem. Em especial o conhecimento sobre como a sociedade dominada age. Nesse caso, interessa aos dominados agirem como demônios maniqueus, o que torna inútil esse conhecimento. (EPSTEIN, 1986, p. 62)

O melhor exemplo desse tipo de comportamento é a guerrilha. A guerrilha não respeita as regras dos conflitos armados: ataca de surpresa, em pequenos grupos que escapam rapidamente de uma posterior perseguição.

Os terroristas também agem como demônios maniqueus. O ataque às torres gêmeas do Word Trade Center é um exemplo perfeito de demônio maniqueu. Os EUA estavam muito preocupados com a criação de um escudo anti-mísseis, que tornasse inviável qualquer ataque aéreo às cidades americanas. Os terroristas atacaram justamente de onde os militares norte-americanos não esperavam nenhum ataque. Eles seqüestraram aviões comerciais, de transporte de passageiros, e os jogaram sobre os alvos. Para sequestarem os aviões, os terroristas usaram facas. Um comportamento absolutamente imprevisível e, portanto, maniqueu: atacar a maior potência militar do planeta utilizando apenas facas!

O inusitado da ofensiva foi justamente a característica que tornou o ataque possível

.

REFERÊNCIAS

ASHBY, W. R. Introdução à cibernética. São Paulo: Perspectiva, 1970.

EDWARDS. E. Introdução à Teoria da Informação. São Paulo: Cultrix, 1971.

EPSTEIN, I. (org.). Cibernética e Comunicação. São Paulo: Cultrix & Edusp, 1973.

_______. Cibernética. São Paulo: Ática, 1986.

_______. Teoria da Informação. São Paulo: Ática, 1986a.

KRAMER, H. , SPRENGER, J. Manual de caça às bruxas. São Paulo: Três, 1973.

WIENER, N. Cibernética e Sociedade. São Paulo: Cultrix, 1968.
5.2.5 -Monografia

É o tipo mais completo de texto científico. Como o nome sugere, a monografia deve ser um trabalho profundo sobre um assunto específico. Segundo Eva Maria Lakatos e Marina de Andrade Marconi (1991, p. 151), a monografia é “um estudo sobre um tema específico ou particular, com suficiente valor representativo e que obedeça a rigorosa metodologia. Investiga um assunto não só em profundidade, mas em todos os seus ângulos e aspectos”.

Uma monografia não é:

-Uma mera manifestação de opiniões pessoais sobre um determinado assunto. As conclusões apresentadas na monografia são resultado de uma pesquisa, de observação, e não podem ser apenas “imaginadas” pelo autor.

-Uma repetição do que já foi escrito por outro autor. A monografia pressupõe uma pesquisa bibliográfica em diversos autores.

-Uma exposição de idéias puramente abstratas. O trabalho científico se apóia em dados empíricos.

-Um questionário. Fazer uma monografia não é apenas responder a uma série de perguntas.
5.3 APRESENTAÇÃO GRÁFICA DE UMA MONOGRAFIA

5.3.1 - Margem

Hoje, com o advento da informática e o uso dos editores de texto, como o Microsoft Word, a margem se tornou uma preocupação a menos. A maioria dos programas já vêm com uma formatação correta para uma monografia, mas caso isso não ocorra, as medidas são as seguintes:

Superior: 3 cm

Esquerda: 3 cm

Direita 2 cm

Inferior: 2 cm



5.3.2 - Texto

O texto deve vir em fonte 12, Times New Roman, com espaçamento de 1.5 ou duplo (a ABNT aconselha espaço duplo, mas muitas instituições pedem o espaçamento 1,5). Para parágrafos, use a tecla TAB.


5.3.3 - Capa

Segundo a ABNT (NBR 14724), o elemento opcional da capa é o nome da instituição. O nome do aluno, o título do trabalho, o local e a data são itens obrigatórios e devem ser apresentados nessa ordem. Se houver uma opção por colocar o nome da instituição, este deve vir na parte superior da capa.

Atenção: é aconselhável colocar o nome completo, ou pelo menos o primeiro e último nome e, se for o caso, o número de matrícula. Há pessoas que colocam apenas o primeiro nome, o que é um erro gravíssimo. Nome como Maria, João, Paulo e Alan são muito comuns e é bastante provável que haja mais de uma pessoa com esse nome na turma.

Outro erro comum é colocar apenas o nome do meio, ou um apelido. Assim, alguém chamado José Aparecido Santos da Silva, acaba assinando apenas como Cido, ou Aparecido, ou Santos. As três formas estão erradas.


5.3.4 - Folha de rosto

Deve conter o nome do aluno, o título do trabalho e um texto explicativo sobre o trabalho.


5.3.5 - Resumo

Normalmente, a maior parte das instituições exige que as monografias ou papers apresentados tenham um resumo. No caso dos congressos, o resumo costuma ser publicado em um catálogo com todos os trabalhos apresentados. Mesmo quando o trabalho acaba não sendo publicado, o resumo é importante. Existem empresas especializadas em recuperação de informação para as quais os resumos são muito úteis. Digamos que você esteja fazendo uma tese sobre os duplos em Edgar Allan Poe. Essas empresas podem conseguir para você todo o material inédito (monografias, dissertações e teses) escritas sobre o assunto. E elas se guiam pelos resumos.

Algumas universidades exigem que os trabalhos tenham, além do resumo, um abstract, que é o resumo em inglês. O objetivo é justamente facilitar a recuperação da informação. O resumo deve conter no máximo 500 palavras em um único parágrafo.

EXEMPLO 1:

O artigo demonstra a importância e a significação do tema “o duplo” na poética de Edgar Allan Poe. O tema dos duplos, além de suas significações psicológicas, demonstra a influência de Poe sobre autores contemporâneos, em especial Rubem Fonseca, Umberto Eco e Jorge Luís Borges.

EXEMPLO 2

A relação história em quadrinhos/ciência passou por várias fases distintas. Em um primeiro momento, as HQs ignoram a ciência. Depois, com o surgimento da ficção científica nos quadrinhos, escritores e desenhistas se esforçaram em usar a ciência e a tecnologia em suas histórias, tentando prever suas realizações. Esse é um período marcado por muitas antecipações.. Finalmente, em nossos dias, os quadrinistas estão divulgando uma visão crítica da ciência. Isso representa o amadurecimento da linguagem da HQ: os quadrinistas estão tomando partido de uma ciência ética e de paradigmas emergentes, representados pela teoria do caos. Watchmen é, provavelmente, o melhor exemplo desse processo.
5.3.6 - Abstract

É a versão em inglês do resumo. Normalmente pedido em dissertações de mestrado e teses de doutorado.


5.3.7 - Dedicatória (opcional)

Na dedicatória o autor homenageia alguém, dedicando-lhe o trabalho. A dedicatória é livre, podendo ser feita para pessoas conhecidas (filho, mãe, amigo) ou para personalidades.

EXEMPLO DE DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a todos os cientistas que foram incompreendidos em seu tempo, de Galileu a Darwin.


5.3.8 -Agradecimentos (opcional)

Em geral o agradecimento deve se restringir às pessoas que tiveram alguma relação com o trabalho. Há pessoas que agradecem a toda a família, do tataravô ao netinho.

EXEMPLO

Ao Professor Isaac Epstein, pela paciência e sabedoria.

A Flávio Calazans, pelos valiosos conselhos.

A Antonio Eder, pela biblioteca de Babel e pelos desenhos.


5.3.9 - Epígrafe (opcional)

A epígrafe é uma citação livre que se refere ao trabalho. São comuns citações mais literárias ou poéticas.

EXEMPLO

“O que os perturba? São os robôs dos sonhos que esvoaçam por seus berços alimentando-os com o néctar fresco da inteligência, a estrutura química de cada gota codificada com um oceano de conhecimentos? Seus bicos estreitos gotejam álgebra, ciberbotânica e uma cascata de linguagens excelentes. Não seriam eles que os impedem de dormir?” Alan Moore


5.3.10 - Sumário

O sumário é o índice do trabalho. Deve conter o número e o título dos capítulos, assim como a página de início dos mesmos. A formatação dos títulos no sumário deve estar como no interior do trabalho.


5.4 PLANO DE OBRA

O plano de obra é um roteiro de como vai ser o trabalho final. Ele serve para organizar as idéias e mostrar ao orientador como o aluno pensa desenvolver o texto. O plano de obra também é utilizado por editoras, inclusive editoras de quadrinhos, para aprovação de um projeto de livro ou de revista. Nesse caso, o plano de obra serve para demonstrar como será o livro, sua viabilidade econômica e público. Através do plano de obra, o editor pode sugerir modificações no livro antes mesmo do autor escrevê-lo.

No plano de obra se coloca quantos capítulos vai haver no trabalho e o que cada um irá conter. Atenção: plano de obra não é o trabalho, não é o texto, é apenas o esqueleto, a organização dele, é um sumário com uma breve descrição do que cada capítulo conterá.

É óbvio que haverá diferenças entre o plano de obra e o trabalho final. É possível que o autor decida colocar um capítulo a mais, ou o orientador sugira retirar um capítulo. Mas é melhor ter um planejamento que vai ser modificado do que não ter nenhum. Ao sair de casa, o motorista de um carro tem idéia de onde pretende chegar e traçará o trajeto em sua mente. É possível que, na hora em que estiver de fato dirigindo, ocorram problemas que o levem a mudar o caminho (uma rua pode estar interditada, por exemplo), mas ainda assim é melhor ter um planejamento. Imagine um motorista que sai de casa sem saber para onde vai e como vai chegar lá. Quem começa a fazer uma monografia sem fazer o plano de obra é como esse desastrado motorista.

O plano de obra muda de acordo com o tipo de trabalho ou sua finalidade, mas uma outra simples estrutura poderia ser assim distribuída:
Tema do trabalho

1 – INTRODUÇÃO – apresentação do problema, hipótese, metodologia, delimitação do tema, objetivo, determinação dos termos principais a serem utilizados no trabalho.

2 - histórico do assunto e revisão de literatura.

3 – CAPÍTULO II - apresentação do que foi observado, dos dados coletados

4 – CAPÍTULO III - Analise dos dados e do que foi observado

5 – CONCLUSÃO – resultado da pesquisa. (Preferencialmente explicar se a hipótese foi falseada ou corroborada)

Imaginemos que vamos pesquisar a validade de um projeto que pretende diminuir a evasão escolar. A projeto é nacional, mas iremos analisar apenas os dados da cidade de Macapá.


EXEMPLO 1

1 – TEMA: Análise do projeto Criança

2 – INTRODUÇÃO – apresentar o tema e explicar que serão analisados apenas os dados de Macapá. Demonstrar a metodologia (pesquisa bibliográfica, inclusive de documentos como diários de classe, entrevistas com professores, alunos e pais). Explicar o que é evasão escolar e qual a importância desse fator. Demonstrar o problema: o projeto está funcionando?

3 – CAPÍTULO I - O PROJETO CRIANÇA - Apresentar um apanhado do que já foi escrito sobre evasão escolar e mais especificamente sobre o Projeto Criança. Citar os documentos oficiais, além de matérias de jornais e outros pesquisadores que já tenham analisado o projeto, caso haja.

4 – CAPÍTULO II - O PROJETO CRIANÇA EM MACAPÁ - Apresentar o resultado das entrevistas e análises de diários de diário de classe.

5 – CAPÍTULO III – ANÁLISE DE CASO – Analisar os casos de pessoas que estão sendo beneficiadas pelo projeto e verificar o grau de satisfação.

6 – CAPÍTULO IV - O PROJETO FUNCIONA? – Análise crítica do projeto. Ele funciona? Realmente diminuiu a evasão? Crianças e pais estão satisfeitos?

7 – CONCLUSÃO – Se a observação demonstrar que o projeto funciona, explicitar isso na conclusão e tentar explicar porque é um projeto vitorioso. É possível aqui fazer uma projeção do futuro do projeto.
Claro que essa é uma estrutura imaginária, que deve ser adequada a cada caso. Seria possível, por exemplo, dividir o item 4 em dois capítulos, um com as entrevistas e outro com os dados coletados em diários de classe e outros documentos.

Vejamos agora um plano de obra de uma monografia sobre literatura, mais especificamente sobre livros virtuais.



EXEMPLO 2

TEMA: LIVROS VIRTUAIS – a literatura na Internet

INTRODUÇÃO – Definição dos principais termos do trabalho, em especial do conceito de virtual. Falar da metodologia (pesquisa bibliográfica e entrevistas por e-mail).

CAPÍTULO I – HISTÓRICO – Quando surgiram os livros virtuais? Quais foram os principais autores? Como foi a aceitação?

CAPÍTULO II - AS LIVRARIAS VIRTUAIS – Histórico das livraria virtuais no Brasil. Quais são as principais livrarias? Como funcionam? O que cada uma oferece?

CAPÍTULO III – UM CASO DE SUCESSO – Falar sobre o caso do Livro Riding The Bullett, de Stephen King. Como foi o lançamento? Quantas pessoas leram? Qual foi a repercussão na mídia?

CAPÍTULO IV – CARACTERÍSTICAS DOS LIVROS VIRTUAIS – O que é um livro virtual? Quais as suas características? Os livros virtuais disponibilizados atualmente exploram toda a potencialidade da linguagem?

CONCLUSÃO – Falar sobre o futuro dos livros virtuais. A experiência até o momento tem sido positiva? Os livros virtuais vão substituir os livros convencionais?

O QUE NÃO SE DEVE FAZER NO PLANO DE OBRA

NÃO COMECE A ESCREVER O TEXTO - O plano de obra é um sumário detalhado, não o trabalho em si, assim não comece a escrever a monografia no plano de obra. Veja o exemplo:

CAPÍTULO I – HISTÓRICO DO PROJETO CRIANÇA – O projeto criança foi criado em 1984 e implementado em 1985. Na época seu diretor era o senhor Abrósio da Silva Teixeira. Desde esse início o projeto já passou por várias fases.

Como se vê pelo exemplo acima, o autor começou a produzir o texto. Ele ainda não tem dados para fazer um bom histórico e esse não é o momento. O correto seria o seguinte:

CAPÍTULO I – HISTÓRICO DO PROJETO CRIANÇA – Quando foi criado o projeto? Quem era responsável por ele? Desde que surgiu, o projeto já sofreu transformações? Quem é o atual diretor?

NÃO COPIE O PROJETO

Quando a monografia for a análise de um projeto social, por exemplo, existe uma tendência de, no plano de obra, copiar o projeto original.

O monstrengo, resultado disso, acaba ficando mais ou menos assim:

INTRODUÇÃO – Justificativa e objetivos do Projeto Criança.

CAPÍTULO I – METODOLOGIA – Como o projeto será implantado.

CAPÍTULO II – CAPACITAÇÃO DE TÉCNICOS – Como serão capacitados os técnicos que irão trabalhar no projeto criança.

CAPÍTULO III – RECURSOS – de onde virão os recursos do projeto.

CONCLUSÃO – Quando será concluído o projeto.

É importante lembrar que nosso objetivo é analisar o Projeto Criança, e não implementá-lo. Vejam que até mesmo o verbo está no futuro, o que não faz nenhum sentido, pois o projeto já existe e está implementado.
INTRODUÇÃO

NÃO FAÇA: Elogios, comentários óbvios, comentários sobre a importância do trabalho para o autor.

FAÇA: Apresentação do problema, da hipótese, delimitação do tema, objetivo, descrição da metodologia (quando foi feita a pesquisa, como, quem foi entrevistado), definição dos termos principais utilizados no trabalho.
EXEMPLO DE INTRODUÇÃO ERRADA:

Este nosso trabalho foi pedido pelo magnífico professor Ivan Carlo e ele vai servir para que nós tenhamos um pouco mais de conhecimento sobre esse assunto tão importante.


EXEMPLO DE INTRODUÇÃO CORRETA:

Este trabalho tem como objetivo descobrir e analisar as leis internas do Copen. Ele parte da idéia de que os apenados, para melhor convivência, criam regras que devem ser seguidas por todos. A pesquisa foi realizada no mês de outubro de 2002 e consistiu em pesquisa bibliográfica em documentos (...) e entrevistas. Foram entrevistados o Diretor do Copen, senhor..., os guarda-penitenciários... e os detentos... Leis são...


CONCLUSÃO


NÃO FAÇA: Elogios, comentários sobre a importância do trabalho para o grupo, comentários óbvios.

FAÇA: Comentário sobre o resultado do trabalho e defesa da tese.
EXEMPLO DE CONCLUSÃO ERRADA:
Concluímos que este trabalho foi muito gratificante para todos nós, pois através dele pudemos descobrir mais informações sobre um assunto tão importante e que tanta influência tem na sociedade atual.

EXEMPLO DE CONCLUSÃO CORRETA:

A pesquisa revelou que as leis criadas pelo internos do Copen, embora não sejam escritas, são mais respeitadas que as regras da penitenciária, pois quem não as respeita paga com a vida...


7 EXERCÍCIOS
EXERCÍCIO 1

Transforme as referências abaixo para o sistema autor-data.

SINGH, Simon. O livro dos códigos. Rio de Janeiro: Record, 2001.


SHIMP, Terence A. Propaganda e promoção: aspectos complementares da comunicação integrada de marketing. Porto Alegre: Bookman, 2002, p. 17.
MARQUES, Amadeu. English: segundo grau. São Paulo: Ática, 1995. 3 v.
BERTOLIN, Rafael; SILVA, Antonio de Siqueira. Apostila língua inglesa: novo ensino médio. São Paulo: IBEP, 1998.
ROBINSON, William A. Marketing promocional: a promoção de vendas integradas como ferramenta estratégica para o sucesso do marketing dos anos 90. São Paulo: Makron, 1993.

FIGUEIREDO, Luciane Cassela; SILVEIRA, Marília de Figueiredo. Improve your English. São Paulo: Ática, 1991. 3 v.


PRESCHER, Elisabeth; PASQUALIN, Ernesto; AMOS, Eduardo. Inglês: graded English. São Paulo: Moderna, 2000.
FERRARI, Mariza; RUBIN, Sarah G. Inglês para o ensino médio. São Paulo: Scipione, 2002, p. 27.

BEKENSTEIN, Jacob. Informação no universo holográfico. Scientifc American, São Paulo, n. 16, p. 42, set. 2003.


LAGE, Nilson. Teoria da informação e da mídia. Disponível em: www.jornalismo.ufsc.br/nildis.4.html . Acesso em: 20 abr. 2001.
CURSO de promoção de vendas. Aula fácil. Disponível em: www.aulafacilorg/cursomarketing/cursopromocion.htm. Acesso em: 02 set. 2003.
EXERCÍCIO 2

No texto abaixo, faltam as referências (sistema autor-data). Faça as referências, baseando-se na bibliografia ao final ( a bibliografia está em ordem de aparição das citaçoes no texto).

No livro Apocalípticos e Integrados, Umberto Eco sugere uma metodologia de análise de programas que incluiria, como categoria de análise, diversos subcódigos. Um deles seria o subcódigo iconológico: “Certas imagens conotam alguma coisa a mais, por tradição. Um velhinho curvado e sorridente, que corre ao encontro de um garotinho alegre, de braços abertos, conota ‘vovô’”.( )1.

De acordo com esse subcódigo, a figura da terceira vinheta conota vovô e neto. O texto não precisa dizer isso e não o dirá, pois o leitor acostumado ao código quadrinístico, certamente decodificará a imagem de maneira correta, em seu sentido denotativo e conotativo.

O texto deste terceiro quadro diz: “Os cestos indígenas já não despertam mais a curiosidade dos turistas”. Nesse mesmo quadro há dois balões. Um deles indica o velho e diz: “Ibá conhece um bom lugar. Lá, todos param na fonte. Aí José aparece com os cestos”. O outro aponta para o menino menino e diz: “Eu queria comprar uma alpargata. Mãe Jussara disse que no Armazén do Seo Tenório são mais baratas...” ( ) 2.

Essa primeira página é chamada de página de ambientação. Ela tem o objetivo de mostrar ao leitor o ambiente em que se passará a história. Ainda que não houvesse texto, o leitor identificaria a paisagem e saberia que a história se passa nos pampas gaúchos, e não no sertão nordestino.

Nessa primeira página, Flávio Colin usa um recurso metalinguístico: as figuras saem de seu requadro e invadem o quadrinho anterior e posterior.

Algumas pessoas, desacostumadas ao código quadrinístico, têm atacado os quadrinhos por desestimularem a criatividade do leitor, uma vez que é dado a este tudo pronto. Entretanto, a imaginação do leitor atua entre um quadro e outro, entre a elipse de ação efetuada pelo desenhista. Segundo Eco ( )3,

A relação entre os sucessivos enquadramentos mostra a existência de uma sintaxe específica, melhor ainda de uma série de leis de montagem. Dissemos ‘leis de montagem”, mas o apelo ao cinema não nos pode fazer esquecer de que a estória em quadrinhos “monta” de um modo original, quando não mais seja porque a montagem da estória em quadrinhos não tende a resolver uma série de enquadramentos imóveis num fluxo contínuo, como no filme, mas realiza uma espécie de continuidade ideal através de uma fatual descontinuidade. A estória em quadrinhos quebra o continuum em poucos elementos essenciais. O leitor, a seguir solda esses elementos na imaginação e os vê como continuum.

Moacy Cirne, no livro Para ler os quadrinhos explica essa relação, denominando-a de elipse, por sua semelhança com a elipse literária:

Nos quadrinhos, cada hiato (em Enric Sió, o espaço branco é substituído por uma tênue linha dividindo os planos) que separa as cercaduras dos quadros – quando existem – praticamente representam uma elipse. O corte, em si, já indica uma particular situação elíptica, impondo ao consumidor uma leitura de imagens ocultas ou subentendidas pela narrativa.

( )4


Flávio Colin não mostra toda a caminhada do avô e seu neto, e sim instantâneos de tempo. Em um primeiro instantâneo, os dois estão tão longe que não se pode vê-los. Em um segundo, é possível vê-los, mas à distância. Em um terceiro, estão tão próximos que o leitor se sente íntimo deles. É a imaginação do leitor que preenche o vácuo entre uma ação e outra.

Segundo Isaac Epstein ( ) 5, “A função metalingüística está centrada no código, isto é, a linguagem fala de si mesma”.



As referências dos textos citados no trabalho (em ordem de citação):

1 -ECO, Umberto. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 2000, p. 376.

2 - RETTAMOZO, Luiz; COLIN, Flávio. Sepé Tiarajú. Sertão e pampas. Curitiba: Grafipar, 1979, p. 3.

3 - ECO, Umberto. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 2000, p. 147.

4 - CIRNE, Moacy. A explosão criativa dos quadrinhos. Petrópolis: Vozes, 1972, p. 41.

5 - EPSTEIN, Issac. Gramática do poder. São Paulo: Ática, 1993, p. 44.


EXERCÍCIO 3

A partir dos dados abaixo, faça a referência bibliográfica completa (bibliografia) e no sistema autor-data:


AUTOR: Athos Eischler Cardoso

TÍTULO: O que é aventura

CIDADE: São Paulo

EDITORA: Brasiliense

ANO: 1987
AUTOR: Marisa Ferrari. Sarah Rubin

TÍTULO: Inglês

SUBTÍTULO: ensino médio

CIDADE: São Paulo

EDITORA: Scipione

ANO: 2000

AUTOR: Pedro Coimbra, Maria Arruda

TÍTULO: Cidades e vilas do Pará

CIDADE: Belém

EDITORA: Verbo

ANO:2001

AUTOR: José Silva, Maria Coimbra, Fernando Sobral

TÍTULO: Voar é bom

CIDADE: Macapá

EDITORA: Gaivota

ANO:2000


AUTOR: Carlos Oliveira, José Silva, Maria Coimbra, Fernando Sobral

TÍTULO: Voar, voar

CIDADE: Macapá

EDITORA:Gaivota

ANO: 1989

AUTOR: Fernando Sobral, Carlos Oliveira, José Silva, Maria Coimbra, Márcia Correa

TÍTULO: Voar em grupo

CIDADE: Macapá

EDITORA: Gaivota

ANO: 1978

TÍTULO: Michaelis: novo dicionário da língua portuguesa

CIDADE: São Paulo

EDITORA: Melhoramentos

ANO: 1998


AUTOR: Paulo Figueiredo

TÍTULO DO ARTIGO: Liberdade para as borboletas

TÍTULO DA REVISTA: Liberty

LOCAL DE PUBLICAÇÃO: São Paulo

NÚMERO: 6

PÁGINAS: 22-29

DATA DA REVISTA: 16.12.03

TÍTULO DO SITE: Omelete

LINK: www.omelete.com.br

Data do acesso: 12.12.2003


TÍTULO: Nova enciclopédia Barsa

CIDADE: São Paulo

EDITORA: Britannica

ANO: 1997

QUANTIDADE DE VOLUMES: 16
ORGANIZADOR: Ivan Carlo Andrade de Oliveira

TÍTULO: Agulha hipodérmica: o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa.

CIDADE: Macapá

EDITORA: Seama

ANO: 2002
ORGANIZADOR: Ivan Carlo Andrade de Oliveira

AUTOR DO ARTIGO: Flávio M. A. Calazans

TÍTULO DO ARTIGO: A midiologia subliminar explica o pânico Pokémon

TÍTULO: Agulha hipodérmica: o poder e os efeitos dos meios de comunicação de massa.

CIDADE: Macapá

EDITORA: Seama



ANO: 2002

PÁGINAS: 13-19

Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal