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1945 - Início da terceira geração do Modernismo.


A CARTA DE CAMINHA

Narração da viagem, por mar, do descobrimento, primeiros contatos com os índios, sua aparência, nudez, atitudes e comportamento, presentes trocados, feita por PERO VAZ DE CAMINHA a Dom Manuel, rei de Portugal. A terra‚ descrita com entusiasmo, elogiada. Afirma não terem visto ouro, prata ou ferro e recomenda levar a fé cristã àquele povo. Datada de 1° de maio de 1500, ficou mais de 300 anos sem ser divulgada. A publicação esclareceu dúvidas: data exata, intencionalidade ou causalidade e outras. Caminha foi iniciador da literatura informativa sobre o Brasil.


TRECHOS
"A feição deles é serem pardos maneira d'avermelhados, de bons rostos e narizes bem feitos. Andam nus sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma coisa a cobrir (...) O capitão, quando eles vieram estava assentado em uma cadeira, uma alcatifa aos pés por estrado, e bem vestido, com um colar de ouro muito grande (...) porém um deles pôs olho no colar do Capitão, e começou a acenar com a mão para terra e depois para o colar. Como que nos dizia que havia em terra ouro. E também viu um castiçal de prata, e assim mesmo acenava para a terra e então para o castiçal, como que havia também prata (...) Ali andavam entre eles três ou quatro moças e bem gentis, com cabelos muito pretos compridos pelas espáduas e suas vergonhas iam tão altas e saradinhas e tão limpas das cabeleiras que de as nós muito bem olharmos não tínhamos nenhuma vergonha (...) De ponta a ponta ‚ toda praia (...) muito chã e fremosa. Nela até‚ agora não pudemos saber que haja ouro nem prata (...) porém a terra em si é de muitos bons ares assim frios e temperados (...) As  águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que querendo-a aproveitar dar-se-á  nela tudo pôr bem das  águas que tem, porém o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será  salvar esta gente e esta deve ser a principal semente que vossa alteza em ela deve lançar (...)"


ERA COLONIAL
QUINHENTISMO (segunda metade do séc. XVI)
NOTA INTRODUTÓRIA: No mundo, grandes navegações, Renascimento, Mercantilismo, Reforma Protestante, Companhia de Jesus e Contra-Reforma. No Brasil, conquista e colonização, primeira cidade: Salvador, exploração do pau-brasil, Governo Geral, chegada dos jesuítas. Necessidade de informação sobre o Brasil, catequese dos índios (relato de viajantes, jesuítas e cronistas portugueses), descrição de hábitos e costumes indígenas; exuberância da nova terra (fauna e flora, em visão superlativa). Alguma poesia lírica e prosa moralizadora da oratória sacra e do teatro jesuítico. Valor histórico-documental.

PADRE ANCHIETA: Auto de pregação universal; Auto representado na festa de São Lourenço (teatro). Sobre a bem aventurada Virgem Maria, mãe de Deus; Sobre os feitos de Mem de Sá (poema). A arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil; Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões. Criador do teatro brasileiro, pesquisador do folclore e da língua indígena. Valor em ter sido o primeiro a fazer literatura para brasileiros e ter deixado escritos de grande crédito como fontes de estudo da história brasileira.
NA FESTA DE SÃO LOURENÇO
Teatro. O santo padroeiro de Niterói junta-se a São Sebastião e ao Anjo da Guarda, para dar combate a Guaixará, o rei dos demônios, e seus companheiros. Vitória do Bem (anjinhos e santos) contra o Mal (diabo e deuses da cultura indígena).
PADRE NÓBREGA: Informações da terra do Brasil; Diálogo sobre a conversão do gentio; Cartas. Informações simplesmente, contidas em Obras completas. Importante fonte de estudo do Brasil colônia.


BARROCO (séc. XVII e primeira metade do séc. XVIII)
NOTA INTRODUTÓRIA: No mundo, Portugal sob domínio espanhol, atuação da Companhia de Jesus, católicos versus protestantes, Absolutismo. No Brasil, ciclo da cana-de-açúcar, invasões holandesas, revolta dos irmãos Beckman, Guerra dos Mascates. Estilo marcado sob a inspiração da Contra-Reforma. Arte do esplendor. Crescimento relacionado com as riquezas recém-descobertas nas colônias: descobrimento das minas e aflorar da consciência nacional, no Brasil. Primeira manifestação artística do país. Três fases: pré-barroco (quinhentismo), barroco propriamente dito, e rococó (transição para o arcadismo).
CARACTERÍSTICAS: Culto do contraste (dualismo, oposição, pólos antagônicos), cultismo (supervalorização da forma, figuras de estilo, fertilidade vocabular, linguagem rebuscada), conceptismo (supervalorização do conteúdo, jogos com os conceitos, argumentações, raciocínios), nativismo (amor e entusiasmo pelas coisas brasileiras)

BENTO TEIXEIRA: Prosopopéia. Tentativa de poema épico baseado em Camões. Laudatório e insosso.
PROSOPOPÉIA
Poema heróico em oitavas rimas, com 94 estrofes, exaltando a obra de Jorge Albuquerque Coelho, terceiro donatário da Capitania de Pernambuco.
GREGÓRIO DE MATOS: Lírica; Sacra; Graciosa; Satírica; Última.

A sátira lhe valeu o apelido de Boca do Inferno. Lírico, com temas moralizantes (efemeridade da beleza e da vida, fragilidade da matéria), beleza física das mulheres, indo ao erótico e pornográfico. Religioso, perto da morte, mostra arrependimento e esperança na misericórdia divina.


POESIA SACRA/ LÍRICA/GRACIOSA/ SATÍRICA/ÚLTIMAS
Na poesia satírica há uma procura de satirizar o brasileiro, o administrador português, El-rei, o clero e, moralisticamente, a sociedade baiana do século XVII. Já aparece o sentimento nativista a opor-se à exploração portuguesa, no traçado de um Brasil colônia. Incorporação de características da linguagem popular.. Na poesia lírica, amorosa, delineação do ideal de mulher amada. E, na sacra, nota-se um idealismo renascentista, pelo conflito entre o pecado e o perdão, a pureza da fé e a vida mundana em que era obrigado a viver.
PADRE VIEIRA: Sermões; Cartas; Obras escolhidas.
Maior escritor do século XVII. Obra com elementos barrocos, místicos, nacionalistas, linguagem trabalhada, luxuosos recursos de estilo, vocabulário e sintaxe. Principalmente conceptista.
PROFECIAS/CARTAS/SERMÕES
Em Profecias, principalmente, nota-se o sebastianismo e as esperanças de Portugal em se tornar o Quinto Império do Mundo, o que estaria na Bíblia. Cartas, em quase quinhentas, mostra o relacionamento entre Portugal e Holanda, a Inquisição, os cristãos-novos e a situação da colônia. Sermões, cerca de 200, tem seu ponto alto em Sermão da Sexagésima, resumindo a arte de pregar e analisando "porque não frutificava a Palavra de Deus na terra": três causas possíveis - o próprio pregador, o ouvinte ou Deus. O Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda é uma incitação ao povo para combater os holandeses, com traços dos horrores e depredações que os protestantes fariam. Sempre manteve e demonstrou grandes preocupações com assuntos de fundo social, político e econômico do seu tempo.
AMBRÓSIO FERNANDES BRANDÃO: Diálogos da grandeza do Brasil. Seis diálogos: descrição da natureza, censurando o imediatismo e a predação portuguesa.
DIÁLOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL
Por meio de uma conversa entre duas personagens, Brandônio (radicado na Colônia) e Alviano (recém-chegado do reino), em seis diálogos, é evidenciada a forte atração pelo Brasil, com descrição da natureza brasileira, recursos vegetais, minerais, animais, instituições, costumes. Forte censura ao imediatismo e ao espírito predatório do colono português.
ACADEMIAS
O academicismo europeu chegou ao Brasil na primeira metade do séc XVIII. Muito pouco deixaram as academias Brasílica, dos Esquecidos, dos Felizes, dos Seletos, dos Renascidos, Científica do Rio de Janeiro, e a Sociedade Literária do Rio de Janeiro.

ARCADISMO (segunda metade do séc. XVIII e início do séc. XIX)
NOTA INTRODUTÓRIA: No mundo, Iluminismo, despotismo esclarecido, revolução industrial, Revolução Francesa, Independência dos Estados Unidos. No Brasil, ciclo da mineração, Vila Rica: centro econômico e cultural; Rio de Janeiro: capital política, Inconfidência Mineira, Revolta dos Alfaiates. Ilusionismo, ênfase ao uso da razão (Idade da Razão ou Século das Luzes). Base no método científico (experiência e observação). Períodos de grandes descobertas, organização de enciclopédias, direito, filosofia e política, controvérsia na educação; ataques à tirania, à injustiça social, superstição e ignorância. Contribuição para as revoluções norte-americana e francesa. Poder político e econômico da burguesia. Visão da Contra-Reforma substituída pelo poder da ciência. Surgimento na Itália: Arcádia, legendária região grega, habitada por pastores. Descoberta do ouro no planalto central do Brasil, revitalização na economia portuguesa. Mudança do núcleo sócio-econômico e cultural para Vila Rica (com participação na Inconfidência Mineira) e Rio de Janeiro. Conhecidas: arcádias Romana e Lusitana; discutida a existência da Ultramarina. Uso de pseudônimos latinos pelos adeptos e intitulação de pastores.
CARACTERÍSTICAS: Restabelecimento da simplicidade, equilíbrio da poesia clássica (neoclassicismo), racionalismo, obediência às leis da natureza, estilo e linguagem simples, superioridade da razão, (integração à natureza), bucolismo, nativismo, independência formal e subjetivismo.

BASÍLIO DA GAMA: O Uraguai; Quitúbia (poema épicos). Pseudônimo: Termindo Sipílio. Linguagem natural, despida de artifícios. Capacidade de expressão, adjetivação e imaginística de grande efeito. Fidelidade arcádica, mas abandono da mitologia pagã.
URAGUAI
Pelo Tratado de Madri, as terras ocupadas pelos jesuítas no Uruguai deveriam passar da Espanha a Portugal. Sete Povos era habitada por índios e dirigida por jesuítas, que organizaram resistência aos portugueses. O poema narra a luta pela posse da terra, pelo exército luso-espanhol, em cinco cantos. É dedicado a Francisco de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, e tem, como principais personagens, o general Gomes Freire de Andrade (chefe das tropas portuguesas), Catâneo (chefe das tropas espanholas), Cacambo (chefe indígena), Lindóia (sua esposa, que se deixa picar por uma cobra venenosa e morre, para ser fiel ao marido), Balda (jesuíta), Cepé (guerreiro e líder indígena), Tanajura (feiticeira indígena). Tem como início o momento em que as tropas portuguesas vão se unir às espanholas. Em seguida, acontece a derrota dos índios, a prisão de Cacambo pelo jesuíta Balda, e sua morte por envenenamento. Lindóia, mulher de Cacambo, é obrigada a se casar com outro índio, de nome Baldeta, mas antes do casamento, ela se deixa picar por uma cobra, suicidando-se. Então, acontece a fuga em massa dos índios, em vista do ataque contra a missão. A obra valoriza o índio e sua cultura, com caráter pré-romântico, apresentando antijesuitismo arraigado - descrição dos crimes praticados por eles - e defesa da linha política do marquês de Pombal.
CLÁUDIO MANUEL DA COSTA: Obras (sonetos, romances líricos e cantatas). Vila Rica (poema épico). Pseudônimo: Glauceste (ou Alceste) Satúrnio. Apelidado o poeta das lágrimas. Melancolia presente em toda a sua obra. Não um poeta arcádico típico; mas clássico, influenciado por Camões. Os sonetos são seu ponto alto.

VILA RICA
Poema épico sobre a descoberta das minas e fundação da cidade de Vila Rica, atual Ouro Preto. Exaltação ao governador Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, herói da ação épica. Ação lírica e alegórica a Garcia Rodrigues Pais e à índia Aurora. Apresentação de cenas de mineração, material indianista e nativista, em dez cantos, versos decassílabos.
TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA: Marília de Dirceu (poema de amor). Cartas chilenas (poema satíricos). Pseudônimo: Dirceu. Representante máximo do arcadismo. Poesia típica de concretização dos ideais familiares e burgueses do séc. XVIII e dos conflitos sentimentais menores. Com a Inconfidência, abandono, em parte, do limite da escola e passagem à reflexão da vida, sua poesia mais importante. A primeira são falas do autor à amada, Marília, pseudônimo de Maria Dorotéia Joaquina de Seixas.
MARÍLIA DE DIRCEU
Poema dividido em liras com duas partes e uma terceira de autoria discutida. Encantos de Marília - nome arcádico (pseudônimo) de sua noiva - Maria Dorotéia Joaquina de Seixas -, amores de Dirceu, visão de vida futura (existência calma, altamente intelectualizada, em ambiente poético). Tudo profundamente sentimental, na primeira parte. Sofrimentos morais e físicos do cárcere, reflexões sobre a justiça, sorte, glória, desalentos, na segunda parte.
CARTAS CHILENAS
Obra de autoria discutida. Comprovação de autoria pelo método histórico e estilístico. Escrito em versos decassílabos e com estrutura de cartas, num total de 13. São assinadas por Critilo e endereçadas a Doroteu, residente em Madri. Critilo, residente na cidade de Santiago do Chile (Vila Rica, na verdade), narra os desmandos de Minésio Fanfarrão ou Fanfarrão Minésio (governador Luís da Cunha Menezes), sua prepotência, arbitrariedades, narcisismo, empáfia, luxúria e avidez de riquezas. Enfim, um político sem moral, despótico.
SANTA RITA DURÃO: Caramuru (poema épico). Camoniano na forma. Linguagem correta, um dos clássicos da língua. Substituição do maravilhoso pagão pelo maravilhoso cristão. Conteúdo todo brasileiro (índio, lendas e costumes), sentimentos nativistas, freqüentes descrições de paisagens.
CARAMURU
Naufrágio de Diogo Álvares Correia e sua chegada à Bahia sua existência lendária, suas aventuras entre os índios da terra e seus amores com as índias, notadamente Paraguaçu. Sua chegada já se reveste de curiosa importância, uma vez que um tiro de espingarda lhe proporciona características sobrenaturais na imaginação dos silvícolas, que passam a chamá-lo de Caramuru. Paraguaçu, então, é-lhe destinada como esposa. Fatos de nossa história, temperamento dos indígenas (usos e costumes, lendas). Descrições do solo, flora e fauna brasileiras. Lenda do dilúvio entre os silvícolas. Lutas contra Jararaca, visão das futuras lutas contra franceses e holandeses. Entre as principais personagens, Taparica (cacique), Gupava e Sergipe (chefes indígenas), Moema (amante de Diogo) que, preterida pelo amado, morre afogada ao tentar nadar atrás do navio que o levava à França com sua mulher indígena, Paraguaçu, a qual pretendia batizar e receber em casamento junto a Henrique II e Catarina de Médicis. De volta, já casados, Paraguaçu tem as visões e o poema termina com a chegada de Tomé de Sousa, primeiro governador-geral.
SILVA ALVARENGA: Glaura (poemas eróticos). O desertor das letras (poema herói-cômico). Pseudônimo: Alcindo Palmireno. A primeira é coletânea de rondós e madrigais à amada. Estilo simples e ingênuo. Elementos sentimentais, bucólicos e exóticos, e convencionalismos formais. "O mais arcádicos dos poetas mineiros da época".
ALVARENGA PEIXOTO: Obras poéticas. Pseudônimo: Eureste Fenício. Maior parte da obra desaparecida no confisco de seus bens, na Inconfidência. Poesia presa aos cânones da escola, com imagens, tropos, mitos e lugares comuns. Destaque para idéias nacionalistas, falando dos sonhos do Império Americano e cantando o indianismo. Obras escritas na prisão mostram conformação e coragem frente ao destino.


ERA NACIONAL
ROMANTISMO
PERÍODO DE TRANSIÇÃO
NOTA INTRODUTÓRIA: No mundo, guerras napoleônicas, Santa Aliança, independências na América Espanhola. No Brasil, corte portuguesa no país, período joanino (abertura dos portos, imprensa), independência, abdicação de Pedro I, regências. Predominância nas artes ocidentais: rebeldia ao racionalismo categorizante da arte clássica. Sentimento sobre a razão; imaginação e inspiração sobre pensamento lógico. Plena expressão das emoções, da ação livre e espontânea sobre a moderação e a ordem. Desprezo ao mundo real e interesses voltados para lugares distantes (passado medieval, folclore, lenda, natureza, homem comum). Europa, palco de movimentos políticos e sociais). Literatura abandona toda e qualquer tradição; afirma sua personalidade. Vitória do individualismo, consagração do Eu. Brasil, antecedentes: vinda da família real, reformas culturais, políticas e econômicas; abertura dos portos, criação e liberação da imprensa, publicação de autores brasileiros, portugueses e estrangeiros, inauguração do Real Teatro de São João, Biblioteca Real, abertura de livrarias, vinda de missões artísticas e científicas, criação da Escola de Belas-Artes, fundação de cursos superiores. A proclamação da Independência e o aumento das atividades antilusitanas. Continuação por Pedro I do trabalho de João VI. Efervescência da cultura, manifestações literárias modestas.

ROMANTISMO (segunda metade do séc. XIX)
NOTA INTRODUTÓRIA: No mundo, duas classes sociais: burguesia e proletariado, liberalismo burguês e socialismo utópico. No Brasil, regências, Segundo Império (maioridade, Guerra do Paraguai, lutas abolicionistas), organização do Exército. Atitudes de reivindicação e saudosismo, em três fases: nacionalista e popular (passado mítico, coragem do sertanejo, grosseria da burguesia, vilania do homem urbano e outras), individualista (influência de Byron: mal do século, subjetivismo exagerado, melancolia perene, tédio, dúvida, pessimismo, vontade de sofrer, obsessão da morte, fuga da realidade), liberal (intenção social, inspirada por Victor Hugo, cheia de metáforas grandiosas, exclamações retumbantes, vocabulário inflamado, pregação da abolição da escravatura, liberdade, progresso).
CARACTERÍSTICAS: Subjetivismo (valorização do indivíduo, mundo interior, culto do Eu), sentimentalismo (exploração do sentimento), nacionalismo (história, tradição, natureza, folclore, índio, heroísmo pátrio, sociedade, culto da natureza (mar, montanhas, florestas, ruínas, noite, lua, paisagens exuberantes), idealização da mulher (a ideal, soma de todas as qualidades, amadas perfeitas e inatingíveis, nebulosas), idealização do herói (fora dos limites e do bom senso), idealização do mundo (perfeito), liberdade de forma (simplificação dos gêneros, renovação e criação de formas, liberdade para as rimas, surgimento do romance histórico, introdução de palavras novas - galicismos, tupinismos).

POESIA

PRIMEIRA GERAÇÃO
GONÇALVES DE MAGALHÃES: Poesias; Suspiros poéticos e saudades; Os mistérios; Urânia; Cânticos fúnebres (poesias). A confederação dos tamoios (poema épico}. Antônio José ou O poeta e a Inquisição; Olgiato (teatro). Amância (novela). Introdutor do romantismo no Brasil. Temas prediletos: religião, pátria e natureza. Inspiração na tristeza e na saudade. Liberdade expressional, preocupação crítica de reforma e de revolução da literatura brasileira.
GONÇALVES DIAS: Primeiros cantos; Segundos cantos; Sextilhas de Frei Antão; Últimos cantos; Os timbiras; Cantos (poesias). Patkull; Beatriz Cenci; Leonor Mendonça; Boabdil (teatro). Meditação (poema em prosa). Memórias de Agapito Goiaba (romance autobiográfico). Devido à mistura no sangue, grande sensibilidade artística, realmente brasileira. O mais importante da corrente indianista, na poesia, dos mais populares e dos mais estudados e influentes na área intelectual. O primeiro a utilizar sugestões da natureza e tradições indígenas em nível artístico. Sensível à temática brasileira, não ficou apenas pela contribuição indianista. Linguagem contida, elegante, despida de adjetivos. Poesia lírica vigorosa, equilibrada.
I-JUCA-PIRAMA
Com o título significando "coisa que é digna de ser morta", o poemeto épico encontra-se no livro "Últimos cantos". Um jovem tupi cai prisioneiro dos timbiras. Na hora da morte por sacrifício, chora. Entretanto, o choro não é de covardia. É pelo pai velho e cego que, sem seu auxílio, estaria no desamparo. Os timbiras, então, recusam-se a matá-lo, desonrando-o e amaldiçoando-o. O pai também o amaldiçoa. Ao final, surpreendentemente, ele luta sozinho contra todos os inimigos, caindo com recuperação da honra.
SEGUNDA GERAÇÃO
ÁLVARES DE AZEVEDO: Lira dos vinte anos; Poesias diversas; O conde Lopo; O poema do frade (poemas narrativos). Macário (drama). A noite na taverna. Conhecido como o poeta da dúvida ou lacrimoso perene. O melhor representante de Byron. Obra irregular, rebuscada, arroubos de adolescente. Destaque para dois temas: amor e morte. Mistura de fantasia e realidade, espiritualidade e erotismo, depressão e ironia, fúria da solidão, prazer solitário.
NOITE NA TAVERNA
Um grupo de jovens embriagados (Solfieri, Bertran, Johann, Genaro, Claudius Hermann e Arnold) estão numa taverna. A noite é de tormenta com relâmpagos. As mulheres dormem ébrias pelos cantos. Após discussão sobre vida, amor, vinho, resolvem contar casos verídicos, quando vem à tona o mundo revelado pela embriaguês: sexo (incluindo incesto e bacanais), assassinatos, canibalismo entre pessoas civilizadas, envenenamentos, traições, mistérios, necrofilia, duelo.
CASIMIRO DE ABREU: Camões e o Jaú (drama camoniano). As primaveras (poesia); Camila; Carolina (contos). Conhecido como o poeta da saudade. Poemas simples e ingênuos: amores de adolescentes, paisagem brasileira, saudade da pátria (terra natal, mãe, irmã, lar, infância, inocência). Linguagem límpida, clara, espontânea, viva, essencialmente comunicativa.
FAGUNDES VARELA: Noturnos; O estandarte auriverde; Vozes da América; Cantos e fantasias; Cantos meridionais; Cantos do ermo e da cidade; Cantos religiosos. Anchieta, ou O evangelho nas selvas (poema). Diário de Lázaro (poemeto). Poesia cheia de musicalidade. Transição entre românticos e Castro Alves. Precursor da poesia social e abolicionista. Contribuição na poesia da natureza (o dilema entre cidade e campo), do convencional (mar, serras) ao mais rústico (mata, brejo), através dos mais delicados (sabiá , vaga-lume). O poeta do sofrimento e do amor.
JUNQUEIRA FREIRE: Inspiração do claustro; Contradições Poéticas. Temática: sentido da vida e a luta moral entre a educação religiosa tradicional e as grandes idéias científicas e filosóficas da época. Estilo tenso, instigante. Espírito atormentado por sensualidade e dúvidas religiosas; vacilação entre o sagrado e o profano, filosofia e crença, racional e romântico; incerteza entre o monge e a morte.

LAURINDO RABELO: Trovas; Poesias. Conhecido como poeta lagartixa. Obra de valor relativo dentro do movimento. Poesia satírica (lembra Gregório de Matos) e lírica: um triste, dores profundas, angústias, dificuldades, sofrimentos.
BERNARDO GUIMARÃES: Cantos da Solidão; Poesias; Novas poesias; A voz do pajé. Poeta romântico, mais estudado como romancista. Tema central, o amor. Caracterizado pelo naturalismo e acento ligeiramente humorístico.
TERCEIRA GERAÇÃO
CASTRO ALVES: Espumas flutuantes; A cachoeira de Paulo Afonso; Vozes d'África; Navio negreiro; Os escravos. Gonzaga ou A revolução de Minas (drama histórico). Obra repleta de lirismo e ideais humanitários. Linguagem pomposa, prenhe de hipérboles e antíteses, efeitos altissonantes, grande expressividade. Poeta social, destemido ao defender a liberdade, justiça social e progresso. Versos ardentes, audaciosas figuras. Realista no amor, inspiração nas mulheres (poesia erótica, sensualidade forte, madura: a comunhão da poesia com realização do amor). Pintura da natureza (paisagem) com belíssimas cores.


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