Aprendizagem centrada em evento (ace) e role play: propostas para a abordagem cts (CIÊncia, tecnologia e sociedade) nos anos iniciais do ensino fundamental camila Juraszeck Machado1,



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APRENDIZAGEM CENTRADA EM EVENTO (ACE) E ROLE PLAY: PROPOSTAS PARA A ABORDAGEM CTS (CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE) NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Camila Juraszeck Machado1, Josi Mariano Borille2, Fabila Kubiak3, Rosemari Monteiro Castilho Foggiatto Silveira4, Marilda Aparecida Behrens5

1Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Ponta Grossa (UTFPR-PG), PPGECT, kmila_j@hotmail.com

2Pontifícia Universidade Católica do Paraná, (PUC-PR), PPGE,

jmborille@yahoo.com.br

3Universidade Estadual do Paraná, Campus de União da Vitória (UNESPAR-UV), kubiakfabila@outlook.com

4Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Ponta Grossa (UTFPR-PG), PPGECT,castilho@utfpr.edu.br

5Pontifícia Universidade Católica do Paraná, (PUC-PR), PPGE

marildaab@gmail.com



RESUMO
Este estudo objetivou empregar a ACE e Role Play, para introduzir a abordagem CTS no 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Padre João Piamarta, União da Vitória, Paraná. O tema selecionado foi Transposição do Rio São Francisco, sendo utilizada para a coleta de dados a Moldura de Associações e gravações em áudio. As informações da avaliação inicial foram categorizadas em Satisfatórias, Aceitáveis e Não satisfatórias e as informações da avaliação final, foram categorizadas com base na análise de conteúdo. Na avaliação inicial, 68,6% dos alunos expressaram informações Não Satisfatórias. Na avaliação final os alunos demonstraram maior assimilação em aspectos tais como Abrangência (24,5%) e Benefícios da Transposição do Rio São Francisco (27,5%). Os resultados demonstraram que a ACE e o Role Play foram metodologias eficazes, auxiliando na promoção do ensino crítico e reflexivo e colocando o aluno como sujeito corresponsável do processo de ensino-aprendizagem.
Palavras Chaves: CTS, ACE, Role Play.

1 INTRODUÇÃO

Existe hoje uma necessidade cada vez maior da compreensão dos conhecimentos científicos e das aplicações tecnológicas, de modo que ignorar estas informações impossibilitaria o exercício da cidadania (CUNHA, 2006). Neste contexto emerge o movimento CTS, que vem recebendo cada vez mais adeptos, principalmente na área educacional (PINHEIRO; SILVEIRA; BAZZO, 2007).

Berk, Matta e Chrispino (2015) ressaltam que com o avanço da Ciência e Tecnologia na Sociedade tornam-se relevantes os debates sobre estes temas, fazendo do ambiente escolar a base científica de formação do indivíduo. Dessa forma, é necessário que sejamos alfabetizados cientificamente (LONARDONI; CARVALHO, 2007). Para Maia et al. (2009), a alfabetização científica e tecnológica (ACT) é uma importante ferramenta para a aquisição de conhecimentos específicos bem estruturados e para uma visão ampla dos processos relacionados à produção da ciência e da tecnologia.

O ensino de ciências necessita proporcionar aos estudantes situações teóricas e também práticas que possibilitem observar, analisar, refletir, questionar e explicar os fenômenos naturais, a fim de que construam os conhecimentos necessários à interpretação, entendimento e criticidade a respeito do desenvolvimento científico e tecnológico (REBELO, MARTINS, PEDROSA, 2008).

Existem diversas estratégias de ensino que podem ser aplicadas para introduzir a abordagem CTS em sala de aula e contribuir para a ACT, estas vão além das práticas metodológicas usuais aplicadas no ensino tradicional, pois inclui jogos de simulação e desempenho de papéis, fóruns e debates, projetos individuais e de grupo, pesquisa no campo de trabalho e ação comunitária. A mudança nas estratégias altera o papel do professor, que passa de transmissor do conhecimento para o mediador da classe (HOFSTEIN et al., 1988 apud SANTOS; SCHNETZLER, 1997).

A ACE utiliza fatos de ampla veiculação na mídia e de importância socioeconômica, explorando-os a partir da ciência e da tecnologia. O evento encontra-se no centro da experiência de aprendizagem, dele derivando os demais elementos, este deve ter a potencialidade de capturar a atenção dos alunos. O objetivo desta estratégia não é a exploração sensacionalista do evento escolhido, ao contrário, procura-se trabalhar com conhecimentos científicos e tecnológicos que possam contribuir para sua compreensão, assim, o evento pode funcionar como um polo de integração para a tríade CTS (CRUZ, 2001).

O Role Play trata-se de um método de natureza performática, no qual os alunos assumem papéis relevantes para a solução de um problema real ou fictício em um ambiente simulado de debate. Este método vai além da prática pedagógica tradicional, na medida em que não é apenas informativa, mas também formativa. Enquanto os métodos tradicionais tendem a apresentar o estudo de maneira segmentada, o Role play favorece a interdisciplinaridade e o desenvolvimento de habilidades e competências como interpretação, pesquisa, argumentação, persuasão e senso crítico (FREITAS FILHO, MUSSE, PRODI, 2013; GHIRARDI, 2009). A escolha da situação-problema deve se pautar por um grau de complexidade que permita ao aluno a associação de diferentes conteúdos, que enseje um conflito cujas repostas não possam ser classificadas como certas ou erradas, que permita ao aluno identificar diferentes pontos de vistas, que o estimule a pesquisa em diferentes fontes (FREITAS FILHO, MUSSE, PRODI, 2013; GHIRARDI, 2009).

Apesar de se concentrar na atuação do aluno, ambos os métodos não diminuem a importância da participação do professor, o qual assume papel relevante na construção do cenário, na escolha da situação problema e no acompanhamento e desenvolvimento das atividades (FREITAS FILHO, MUSSE, PRODI, 2013; GHIRARDI, 2009).

Nesse sentido, este trabalho teve como objetivo empregar as estratégias de ensino ACE e Role Play para introduzir a abordagem CTS no 5º ano do Ensino Fundamental. O evento escolhido foi à Transposição do Rio São Francisco, por se tratar de um tema controverso e de relevância social, no qual identificamos a possibilidade de integrar vários conteúdos curriculares de forma interdisciplinar, assim como refletir sobre as inter-relações entre ciência, tecnologia e sociedade.

2 METODOLOGIA
A abordagem metodológica caracteriza-se por ser do tipo qualitativo e quantitativo (GIL, 2002).

As estratégias didáticas que pautaram o desenvolvimento do trabalho foram a ACE e o Role Play, as quais foram aplicadas com estudantes do 5º ano da Escola Pe. João Piamarta, de União da Vitória, Paraná. O evento escolhido foi a Transposição do Rio São Francisco.

Para avaliar os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema Transposição do Rio São Francisco, realizou-se uma avaliação diagnóstica, utilizando-se da metodologia de Moldura de Associações (SCHAEFER, 1979 apud KRASILCHIK, 2008), um instrumento também denominado de Atividade de Livre Associação (ALA) (ALVES; OLIVEIRA, 2008). Para tal, foi distribuído aos alunos o esquema apresentado na Figura 1A, sendo os mesmos orientados a preenchê-lo com palavras e possíveis frases relacionados ao tema. A mesma metodologia foi reaplicada ao final dos trabalhos.

Para o Role play os alunos foram organizados em dois grandes grupos denominados de Favoráveis e não Favoráveis a Transposição do Rio São Francisco. Dentro dos grandes grupos, os integrantes foram divididos em dois subgrupos sendo estes denominados de Ambientalistas e População. Foram realizadas gravações em áudio durante a aplicação do método (Figura 1B).



Figura 1: A- Metodologia de Moldura de Associações. Fonte: Adaptado pelas autoras (2017) de SCHAEFER, (1979) apud KRASILCHIK (2008); B - Organização dos grupos do Role play. Fonte: As autoras, 2017.
A análise dos dados ocorreu por meio da avaliação dos conhecimentos prévios e posteriores dos alunos demonstrados na Metodologia de Moldura de Associações e análise do desempenho dos alunos no Role play.

As respostas dos alunos na avaliação diagnóstica inicial foram categorizadas em Satisfatórias (S), Aceitáveis (A) e Não satisfatórias (NS), sendo estas denominações baseadas em um trabalho de Canavarro (2000), adaptado pelas autoras (Quadro 1).

Quadro 1 - Categorias de análise para a avaliação inicial da Metodologia de Moldura de Associações.


Categoria

Considerações

Satisfatórias (S)

Quando a informação expressa pelo aluno está totalmente relacionada ao tema.

Aceitáveis (A)

Quando a informação expressa pelo aluno está minimamente relacionada, mas não satisfatória.

Não satisfatórias (NS)

Quando a informação expressa pelo aluno não tem relação alguma com o tema.

Fonte: As autoras, 2017.
As respostas dos alunos na avaliação diagnóstica final foram analisadas e categorizadas conforme análise de conteúdo de Bardin (2009).
3 RESULTADOS E ANÁLISE
3.1 RESULTADOS REFERENTES À MOLDURA DE ASSOCIAÇÕES
As produções escritas e falas dos alunos foram transcritas literalmente, sem correções ortográficas ou gramaticais. Alguns dos termos relacionados ao tema Transposição do Rio São Francisco na avaliação diagnóstica inicial estão apresentados no Quadro 2.
Quadro 2 – Informações categorizadas na avaliação inicial da Metodologia de Moldura de Associações.

Categorias

Exemplos de informações

%

Satisfatórias

Rio que fica no certão”

1,0

Aceitáveis

Rio extenso e grande”

Fonte de água e alimentos”



15,7

Não satisfatórias

Transposição é uma maneira de aprender mais...”

Transmite algo”

Fica na cidade de São Francisco”


68,6

Não preenchida

------------------------------------------------------

14,7

Total (4)




100%

Fonte: As autoras, 2017.
Em sua maioria, as respostas foram Não Satisfatórias (68,6%), consideramos que esse resultado pode estar relacionado à questão geográfica, pois o tema trabalhado está distante da realidade dos alunos, embora seja um tema de interesse nacional. Em relação às respostas Aceitáveis (15,7%), percebemos que os alunos conseguem estabelecer relações de termos e frases com o tema central, porém ainda sem um nível de conhecimento mais elevado. Assim, embora os alunos não conheçam profundamente o tema, conseguem estabelecer relações com seus conhecimentos prévios, visto que não são desprovidos de conhecimentos’ (GILBERT; WATTS, 1983). Destacamos também que provavelmente os alunos não assistem a mídias informativas e esse fator pode estar relacionado ao desconhecimento do tema em questão.

Na reaplicação da metodologia de Moldura de Associações ao final do trabalho, os resultados foram agrupados em 5 categorias, conforme demonstra o Quadro 3.


Quadro 3 - Categorias de análise da avaliação final da Metodologia de Moldura de Associações

Categorias

Considerações

Conceitos

Quando a informação expressa pelo aluno relacionava-se ao conceito de Transposição do Rio São Francisco (desvio d’água, construção de canais...).

Abrangência

Quando a informação expressa pelo aluno relacionava-se a área de abrangência do projeto de Transposição do Rio São Francisco ou do Rio São Francisco (Nordeste, Sertão Nordestino, Estados ...).

Benefícios

Quando a informação expressa pelo aluno relacionava-se aos benefícios da Transposição do Rio São Francisco.

Prejuízos

Quando a informação expressa pelo aluno relacionava-se aos prejuízos da Transposição do Rio São Francisco.

Outras informações -Relevantes

Quando a informação expressa pelo aluno relacionava-se ao tema e era relevante.

Outras informações -Irrelevantes

Quando a informação expressa pelo aluno relacionava-se ao tema, mas era irrelevante.

Fonte: As autoras, 2017.
As informações expressas pelos alunos foram em sua maioria relacionadas a aspectos de Abrangência do projeto de Transposição (24,5%), Benefícios (27,5%) e Outras Informações Irrelevantes (26,5%). No Quadro 4 são apresentadas alguns exemplos de informações expressas pelos alunos para cada categoria e suas respectivas porcentagens.
Quadro 4 - Resultados em porcentagem das Categorias de análise para a avaliação final da Metodologia de Moldura de Associações.

Categorias

Exemplos de informações

%

Conceitos

Transposição vem de transpor que significa transportar água do velho chico para outros rios e estados (...).

Transposição quer dizer que eles farão canais..”



10,7

Abrangência

A água irá escorrer para a Paraíba, Sergipe, Alagoas...”

O rio nasce em Minas Gerais”

O rio fica no sertão do nordeste”


24,5

Benefícios


A transposição pode ajudar muitos animais e plantas”

A seca vai acabar e vai ter bastante água”



A transposição vai dar emprego as pessoas, comida e água”

27,5

Prejuízos


Trará maus benefícios”

Com a transposição o rio pode secar”

Os pescadores vão ser prejudicados por que os peixes vão morrer”


8,8

Outras informações –Relevantes

Nós não sabemos ainda se uma coisa boa ou ruim”

Muitas pessoas querem e outras não”



2,0

Outras informações –Irrelevantes

O rio é um rio muito cheio”

Um rio bonito”

Um rio que molha pedras”


26,5

Total (6)




100%

Fonte: As autoras, 2017.

Com esses resultados percebemos que os alunos demonstraram considerável assimilação no que diz respeito a aspectos de Abrangência do projeto de Transposição. Tal resultado é interessante, pois na avaliação inicial nenhum dos alunos apresentou tais conhecimentos sobre a abrangência do projeto e localização do Rio São Francisco.

Destacamos também que as informações expressas pelos alunos em relação aos Benefícios do projeto de transposição foram expressivas (27,5%). Muito embora durante toda a condução dos trabalhos, abordaram-se os benefícios e os prejuízos relacionados ao projeto de transposição, os aspectos relacionados aos Benefícios foram maiores em detrimento aos aspectos de Prejuízo (8,8%).

A porcentagem de alunos que expressou informações consideradas como Outras Informações Irrelevantes também foi expressiva (26,5%), o que demonstra que muitos não conseguiram compreender o tema ou expressar suas ideias. Em contrapartida, alguns expressaram Informações Relevantes que refletem que ao vivenciar a aprendizagem no ensino formal esses conhecimentos passam por ressignificações e contribuem para a efetiva aprendizagem (SANTOS, OLIVEIRA, 2013).


3.2 RESULTADOS REFERENTES AO ROLE PLAY E DA REDAÇÃO FINAL
O Role Play foi organizado em dois momentos, no primeiro cada grupo de alunos defendeu seu posicionamento (favorável ou desfavorável) em relação à Transposição do Rio São Francisco. No segundo momento ocorreu o debate, onde foram realizados os questionamentos do grupo favorável para o grupo desfavorável e vice-versa.

Notamos que no primeiro momento os alunos conseguiram interpretar o seu papel e defender suas ideias, como fica explícito nas falas literais dos alunos (denominados de A1, A2 e assim sucessivamente) (Quadro 5).


Quadro 5 - Falas dos alunos referentes aos seus posicionamentos no Role Play.

A1

População Desfavorável

Eu apoio a não acontecer à transposição porque as pessoas que moram longe do rio querem a transposição, já as pessoas que moram perto do rio não querem, porque o rio pode secar”.

A2

Ambientalista Favorável

Eu sou a favor do projeto da transposição do Rio São Francisco porque é um projeto muito importante para a população nordestina. Com esse projeto causa muito pouco impactos ambientais, porém levará muito benefício às pessoas necessitadas”.

A3

População Favorável


Eu sou a favor porque vai ser melhor para as pessoas que moram no nordeste porque os animais não vão ficar morrendo e as pessoas vão ser mais felizes com a água lá”.

Fonte: As autoras, 2017.
No entanto, alguns alunos apresentaram uma postura tímida e dificuldade de se expressar em público. Isso pode ser resultado do método tradicional de ensino centrado em aulas expositivas a que costumeiramente são submetidos. Pesquisas com a observação de salas de aula revelam que o professor ocupa cerca de 85% do tempo falando e os 15% restantes são preenchidos por períodos de confusão e silêncio. Assim, os jovens não têm grandes oportunidades de melhorar sua capacidade de expressão, pois como os professores não os ouvem, não ficam sabendo o que falam e o que pensam (KRASILCHIK, 2008).

No segundo momento, os alunos conseguiram defender com mais afinco seus posicionamentos, como demonstrado do debate transcrito no Quadro 6.


Quadro 6 - Debate entre os subgrupos do Role Play

Pergunta:

A4

População Favorável

Eu queria saber por que vocês acham melhor não fazer a transposição sendo que seria mais melhor fazer porque iria ajudar todo mundo do nordeste né, iria melhorar as condições de vida lá”.

Respostas:

A5

Ambientalista

Desfavorável

Mesmo melhorando as condições de vida, pode prejudicar os animais, causar danos ambientais, causar seca de rios”.

A6

Ambientalista

Desfavorável

Pense para construir 700 km de canais, a vegetação vai ser danificada, os animais vão morrer bastante”.

A7

População Desfavorável

Com todo esse dinheiro que vai gastar na transposição daria para construir muitos e muitos poços artesianos”.

Fonte: As autoras, 2017.
Notamos a capacidade de argumentação dos alunos A5, A6 e A7, que mesmo com a sua linguagem informal e sua expressão oral ainda imatura, conseguiram apresentar pontos negativos da Transposição do Rio e em suas falas abordaram assuntos que vão além dos conteúdos curriculares.

Destacamos que o aluno A7 demonstrou uma preocupação com o investimento do dinheiro público em grandes obras estruturais realizadas pelo governo e apresentou uma alternativa que também solucionaria o problema da seca e é menos custosa. Este posicionamento se confirma no comentário que ele fez em seguida: “Eu acho que o dinheiro que vai ser gastado na transposição vem do nosso bolso porque se a gente compra alguma coisa tem impostos, vai vim do nosso dinheiro para fazer tudo aquilo, vai sair muito caro”.

Dessa forma, percebemos o desenvolvimento do senso crítico e a participação em questões importantes na sociedade, visto que existe a compreensão de que o dinheiro pago nos impostos é oriundo da população e deve ser bem investido. Para Santos e Mortimer (2002), dentre os conhecimentos e habilidades a serem desenvolvidos com a educação CTS estão: a autoestima, comunicação escrita e oral, pensamento lógico e racional, aprendizado colaborativo e cooperativo, responsabilidade social, a flexibilidade cognitiva e o interesse em participar de questões sociais.

Ao final do trabalho foi solicitado que os alunos elaborassem uma redação sobre a Transposição do Rio São Francisco, onde os mesmos deveriam escrever a sua opinião a respeito do assunto, agora não mais interpretando um papel. Alguns alunos se posicionaram a favor, outros contra, mas todos conseguiram expressar os prós e os contras da Transposição do Rio São Francisco (Quadro 7).


Quadro 7- Relatos dos alunos do trabalho final.

A7

Na transposição os biomas vão mudar, a fauna vai desparecer. Mas a população vai ter água para se banhar, beber, cozinhar”

A8

Eles querem fazer a transposição porque tem lugares que não tem água, mas vai ser muito caro vai ser de bilhões, em volta do rio tem animais, arvores e flores e isso pode desbarrancar”.

A9

A transposição pode causar danos e os peixes vam morrer e as águas vam diminuir e eles estam gastando muito dinheiro para comprar bomba para as aguas subirem mais rápido e como la e muito quente as aguas podem diminuir cada ves mais e de novo vai causar a seca e vai ter gente de outros lugares que vai ficar sem agua e vam ficar sem comida e com fome”.

Fonte: As autoras, 2017.
Para Santos (2007), diferentes concepções e perspectivas são propostas sobre a alfabetização científica, as quais possibilitam identificar diferentes significados em relação a essa educação, entre estes significados estão o conhecimento do conteúdo científico e a habilidade em distinguir ciência e não ciência, habilidade de pensar cientificamente, habilidade de usar o conhecimento científico para solucionar problemas, habilidade para pensar criticamente sobre ciência conhecendo seus riscos e benefícios, além de um conhecimento necessário para a participação inteligente em questões sociais relativas à ciência.

4 CONCLUSÕES

Os métodos aplicados nesta pesquisa oportunizaram de forma exitosa a introdução da abordagem CTS com os alunos do 5º no do ensino fundamental. A ACE mostrou-se eficaz para motivar os alunos a buscar informações sobre um tema de relevância social. Da mesma forma, o Role Play instigou-os à investigação, ao senso crítico e preparou-os para defenderem seus posicionamentos em questões polêmicas na sociedade.

Apesar de estar geograficamente distante dos alunos, consideramos que obtivemos sucesso na escolha da temática Transposição do Rio São Francisco, por se tratar de um tema de interesse nacional que envolve questões políticas, sociais e ambientais. Além disso, o presente tema estava sendo abordado pela mídia através de uma telenovela durante o período de aplicação das aulas, o que aproximou e despertou o interesse dos alunos em relação ao assunto.

Assim, acreditamos ser essencial a seleção de temas que motivem os alunos a pesquisarem e a participarem ativamente das discussões. Ressaltamos ainda que tal seleção pode ser feita conjuntamente por alunos e professores.


5 AGRADECIMENTO

CNPq, Bolsa de Produtividade em Pesquisa 2.




6 REFERÊNCIAS

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URI, 09-11 de Outubro de 2017 Santo Ângelo – RS – Brasil.



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