Armazenagem de grãos com máquina silo-tubo



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ARMAZENAGEM DE GRÃOS COM MÁQUINA SILO-TUBO

(Em tubos de plástico flexível)

Os avanços tecnológicos dos últimos anos na produção de grãos, tem levado ao campo, níveis de produção nunca antes imaginados.

Sem dúvida, no que diz respeito a logística de comercialização, não ocorreram grandes mudanças, até a entrada no mercado sistemas de armazenagem de grãos em silos tubos.

Baseado em dados obtidos, a E.E.A. INTA Balcarce na Argentina, realizou um trabalho de pesquisa sobre este sistema de armazenagem, que constitui uma colaboração ao melhor conhecimento do mesmo. As empresas que atuam no segmento, consideram muito importante estas informações sobre grãos de trigo, e que irão se complementando com resultados obtidos com grãos de soja , milho e girassol.


MATERIAIS E MÉTODOS

Na estância San Lorenzo, de Zubiaurre S.A., situada em Tandil, Província de Buenos Aires, na safra 2000/2001, realizou-se uma ensaio armazenando grãos de trigo (ProINTA – Isla Verde) em silos tubos, com umidades de 12.5% e 16,5%. Nos dois tubos, a temperatura do grão no momento da operação, foi em média de 39º C.

A operação foi realizada com uma maquina silo tubo. Empregaram-se tubos comerciais de 200 pés de comprimento, 9 pés de diâmetro e 250 microns de espessura. São bolsas com três camadas, com a parte interna preta e exterior branca. Os ensaios tiveram a finalidade de estudar a evolução dos diferentes parâmetros de qualidade dos grãos e se iniciaram no momento da colheita, estendendo-se por aproximadamente 150 dias.
PARÂMETROS AVALIADOS

Com a finalidade de observar o efeito do embutimento sobre a qualidade comercial do produto e também para determinar a aplicação de uso desta técnica na armazenagem de sementes, em cada amostra extraída, mediram-se os seguintes parâmetros : peso hectolítrico, energia e poder germinativo. Também foram realizadas análises de qualidade industrial específicas para cada grão em particular. Para o caso do trigo, realizaram-se ensaios de panificação para observar o efeito desta técnica de armazenagem sobre a qualidade do trigo.



TEMPERATURA


A leitura da temperatura foi feita através de dataloggers que coletaram valores de temperaturas horárias durante todo o período do ensaio em três níveis de profundidade.
DIÓXIDO DE CARBONO

Foi feito um acompanhamento da concentração de CO 2 durante o período do ensaio, afim de determinar se alcançavam valores que permitissem um controle natural dos insetos.


ATIVIDADE DOS INSETOS

Para determinar o efeito da atmosfera modificada que se produz no interior do tubo, sobre a atividade dos insetos, colocou-se gorgulhos vivos em diferentes profundidades no interior dos tubos.


CONCLUSÕES
TEMPERATURA

A temperatura do grão acompanhou a evolução da temperatura ambiente conseguindo-se uma acentuada queda durante o tempo de armazenagem. Dita evolução foi influenciada pela posição do grão no interior do tubo. O grão da parte superior apresentou uma queda quase imediata pela dissipação do calor ao meio ambiente, mais frio que o grão. O grão localizado na parte inferior dissipou calor ao piso, porém a uma velocidade menor. O grão localizado no meio , é o que mais tempo demorou para baixar sua temperatura. As diferentes velocidades de dissipação de calor segundo a zona do tubo, apresentou diferenças equilibradas no regime térmico do grão segundo sua localização. A medida que transcorreu o tempo, as diferenças entre as zonas dos tubos foram menores.

Outro aspecto destacável foi que o tubo com grão de 12,5% de umidade, sempre apresentou temperaturas médias inferiores ao tubo contendo grão com 16.4% de umidade.
UMIDADE

Não se observou nenhuma variação no conteúdo de umidade, tanto nos grãos com 12,5%, como nos armazenados com 16,4% durante todo o período do ensaio. Tampouco se observou estratificação de umidade segundo a posição do grão no tubo.


PADRÃO DE QUALIDADE

Os parâmetros que compõem o padrão de qualidade do trigo não foram afetados pela armazenagem nos tubos. O peso hectolítrico não teve uma diminuição importante no período, nos grãos com as duas umidades já citadas. Tal redução, não causou mudanças no padrão do trigo. De todos os parâmetros que compõem o padrão do trigo, o peso hectolítrico é o mais susceptível podendo ser afetado pela armazenagem, e se considerarmos que não houve alteração, os demais parâmetros não deveriam ser afetados com esta modalidade de armazenamento.




QUALIDADE DA SEMENTE


Tanto o vigor como o poder germinativo não foram alterados durante os 150 dias de armazenamento do trigo a 12.5% de umidade em nenhuma posição do tubo.

No trigo com 16.4% de umidade, se observou uma diminuição acentuada dos ditos parâmetros nas camadas do meio e inferior do tubo, enquanto que na zona superior ditos parâmetros foram afetados depois de 80 dias.

Isto sugere que o prolongado tempo que as sementes estiveram expostas a elevadas temperaturas afetaram a viabilidade das mesmas, e que se tiver a precaução de armazenar as sementes úmidas com baixas temperaturas, podem-se melhorar as condições de armazenamento.
QUALIDADE INDUSTRIAL

O trigo a 12,5% de umidade não sofreu nenhuma perda significativa em qualidade (destinada ao panifício), no entanto o trigo armazenado a 16.4% de umidade foi afetado fundamentalmente na zona média e inferior do tubo.

O período de 150 dias, não parece ser crítico para a conservação de grãos com 12,5% de umidade, entretanto o grão que apresentava 16,4% de umidade, apresentou perda de alguns parâmetros de qualidade a partir dos 45 dias de armazenagem.

Quando o trigo é armazenado com 16,4% de umidade, a qualidade (com vistas ao panifício), é afetada pela armazenagem. Isto se deve fundamentalmente a um efeito combinado de elevadas temperaturas e alta umidade.


EVOLUÇÃO DA CONCENTRAÇÃO DE DIÓXIDO DE CARBONO

A respiração do grão produziu um aumento na concentração de CO 2 e diminuição de O2 no interior dos tubos. A variação da concentração de tais gases, foi influenciada pelo conteúdo inicial de umidade do grão, apresentando o tubo com grão a 16,4% de umidade, sempre concentrações mais altas de CO2 e mais baixas de O2 que o tubo com grão a 12,5% de umidade.



Com o transcorrer do tempo de armazenamento, observou-se um aumento na concentração de CO2 e diminuição de O2 , nos dois tubos. Não se observaram diferenças na concentração de gases em relação a posição do grão no interior do tubo, o que indica que não se produziu estratificação de gases.
INSETOS

Não se observou a presença de um só inseto vivo em nenhum momento das medições, nos dois tubos. Isto sugere, que a relação concentração de CO2 alcançada no interior dos tubos e tempo de exposição a tal concentração, foram suficientes para causar 100% de mortalidade dos insetos.

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