Artigos Críticos



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Siqueira

Crítica e Lírica

Apresentação

Profª Drª

Edição Particular




Artigos Críticos

Índice

A César o que é de César...

A Ministra Desambientada

A nossa Hiroshima

Alma em Flor

Ao Escritor Desconhecido

Apartai-vos, Ombros Amigos!

Aplausos Subliterários

A queda de um Império

Cem anos de Gabriel García Márquez

Clínica de Estética

Condor? Andorinha?



Da Crítica como Missão

Da Grandeza Artística

Da Necessária Crueldade

Da tão Frágil Formosura (faltava)

De Branco Azedo a Negro Legítimo

De James Joyce a Você

Deus, Dostoiévsky e as Vocações Perdidas

Do Trânsito Eterno

Dos Lenços Imaculados

Elogio a uma Escritora de Valor

Em Perpétua Luz

Escritores Adolescentes

Espantosa Felicidade (acrescido ‘minhas’)

Existe Ex-texto?

Fundamentos Teóricos da Literatura

Glória Sólida

Grandes Personagens: o Fim

Humanidade: sou contra!

Mãe, Milagre Maior

Mensagem aos Versonautas

Mensagem Única

Nenhum Milagre à Vista (cf. Lady)

O que Dizer de Ti, Alma Inocente?

Os Milhões de Fernandos Pessoas

Para Isto Servem os Homens



Portugal: Língua, Literatura e História

Qual a Cidade mais Feliz do Planeta?

Saudade Cristalizada

Selva Verbal

Sonhar e seus Riscos

Talvez se me Ouvisses...

Textos não Têm Honra

Tipos de Leitor e de Escritor na Internet

Ziraldo: Glória Aleatória (faltava)

A César o que é de César...

        Ora, o crítico não passa de um crítico; o escritor, de um escritor.  Já os leitores, esses sobrepairam...



       Nós somos simples passagem; eles, permanência e decisão.  Eles sim transitam incessantemente, revezando-se no tempo -- século a século --, e decidem do valor da obra.

      Invisível, impalpável e inalcançável é a glória.  O artista não a vê, pega ou alcança; essa alta missão cabe aos leitores, que não a podem sinalizar já, nem talvez este ano, nem daqui a quarenta, ou sessenta, com ele ainda em vida.

      E seu talento não o vê o literato, apenas o pressente.   Aos interessados em seus trabalhos compete a tarefa de descobri-lo, convencer-se e convencê-lo do seu valor. 

     Que o escritor  deixe o sofrimento, a angústia, a mais inconcebível solidão assentar no fundo de sua alma, e aí sim escreva. 

     Que deixe os amores acontecerem e desacontecerem.   E só então escreva.

     E reescreva, que as palavras são inúmeras e generosas...

A Ministra Desambientada
     Doce Ministra:

     Quantas árvores a senhora já plantou?  Uma, duas, dez?  Quantos milhões já viu morrer?  E o que fez para salvá-las?  Quantas ainda vai permitir que pereçam?  Tem algum plano para impedir essa arborificina nacional, ou permanecerá na habitual inércia, na apatia consentida, na complacência cômoda que o poder concede?

Sabe a sábia ministra como tiram a pele de certos animais silvestres? --- Ainda vivos, após resgatá-los das armadilhas, colunas quebradas, sem defesa.  Rindo ha ha ha.

     A senhora é feliz?  Dorme em paz?  Sonha com o futuro?  (Com qual futuro?)

     A senhora existe?


     Desempenhe melhor seu papel, Excelência. De que lado está, afinal?  A Terra não é só sua.  Nem só deles, que a devastam por prazer ou dinheiro.    

     Se o Poder a paralisou, desparalise o Poder!  Mexa-se!  Aja! Denuncie!  Exija mais verbas e homens!  Multidões imensas!  Concursos já, Excelência!  Cabeça erguida!  Punhos cerrados!  Revolta!  Atitude!  Grandeza!  Onde sua milenar capacidade de indignação diante das injustiças, do horror, da covardia impune, doutora em mundo?

     Dirija esse caminhão de dignidade, coerência e ética de sua admirável militância: derrube limites salientes, sufoque caçadas proibidas, esmague contrabandos indecentes, incendeie incendiários, destrua tratores assassinos de árvores-bebês --- zele pela família bichos/plantas/gente!  Proteger é preciso, viver não é preciso. Seja mãe do indefeso verde.

     Lembre-se, jovem e poética ministra: seus ideais agora convivem com onças, garças, jacarés, ipês e pantanais.

     Leia e cumpra a Constituição Federal.  Imprense o Presidente, sujeito sensível, sensato, bom.  Faça algo, criatura-ministra!  Não passe à História como uma ministra-nada, uma marina-vai-com-as-outras...

                                         - @ -


     Em breve não mais atravessarei rios amanhecendo, serras azuis e floridos campos delicados: serei os rios-música, as serras-paz e os campos petalados.

     Sim, estou morrendo.  (Um mês? Três meses?  Apenas um comovido ateu nas suaves mãos de Deus...)

     E eu tinha planos... um sonho...


     (Para Dionísio Júlio Ribeiro, Soldado PM, ambientalista apaixonado, que tombou em combate defendendo a Reserva do Tinguá – RJ, Brasil)



              Notas:

     
1 - Na Coluna do Ancelmo Góis, O Globo, 31/03/2006):

     “O passarinho bico-pimenta teve as asas quebradas de propósito, pelo caçador, para segurança comercial.  O pessoal (da Secretaria do Meio Ambiente - Rio) o alimenta no bico.   Após uma delicada operação, voltará a voar e ganhará a liberdade.  O caçador covarde fugiu.”




     2 -
Fui injusto com a nobre ex-ministra e atual senadora pelo PT, Marina Silva.  Basta ver o descaso nacional (e o mais grave: as atitudes contraditórias do atual ministro, o sr. Carlos Minc) com o Meio-Ambiente.  Estão vendendo e/ou doando todo o Brasil!

     Alguém já disse: não existe meio ambiente: só ambiente inteiro.  Assim como a Terra não tem lados: lados temos nós.  (20/07/2009)



Alma em Flor

          Escrito sem nenhum compromisso estético, por um literato despretensioso, ainda assim o poema nos magnifica, porque fala de paixão, partida, ausência e saudade.

         Trata-se talvez de uma alocução (discurso poético breve) dirigido à Mulher, a julgar pela terceira estrofe, que contém um lamento lírico, culminando com palavras de absoluta angústia e perplexidade.

         O vocabulário singelo contrasta com os requintes da sintaxe, ritmo e sonoridade.

       Há no trabalho um clima sublime, excelso, cósmico, graças à tua inspirada sinceridade, possuindo ele um afeto sem par, quase nenhuma pieguice...

       Texto ingênuo, primaveril, tenro, grácil, imenso, mas não pueril.  Sem melodramas. 

       Jovem  alma em flor: tua magia vocabular funciona.  As palavras prendem, chamam, puxam a si o narratário.  Há expressões de uma dignidade shakesperiana.

       Na verdade, não só os teus versos distraídos, mas toda a Poesia se põe sob a magia da fuga e o encanto da meta: há sempre um Oceano a atravessar.

Ao Escritor Desconhecido

Silencio respeitosamente ante a legião de autores que li,  pesquisei, analisei, comparei, repudiei e enfim deletei da minha escrivaninha.  Victis honos!

Como operador do fenômeno literário, admito que, dentre os excluídos, se acha algum grande talento - que só o futuro descobrirá.  Faz parte da História da Literatura.

Ocupei-me do Escritor Desconhecido por 320 horas até 06/08/2010.



Apartai-vos, Ombros Amigos!

        Vós, consoladores de plantão, solícitos louvadores, representais o desastre, a perdição da Literatura. 

     O escritor tem que sentir-se perdido, deslocado, banido, abandonado, desprezado, excluído do gênero humano.  Então, prisioneiro da mais absoluta solidão, ele construirá amplas, luminosas e comoventes pontes de letras que o conectem aos demais mortais, rumo à Beleza.
       Vede: Fiodor Dostoiévsky, Luís de Camões, Fernando Pessoa, William Shakespeare, Dante Alighieri e, menos, Miguel de Cervantes e Johann W. Goethe: quase todos "fora" do seu tempo, ou dele espantosamente expulsos pela intelectualidade.

       Exorto-vos, pois, à transformação em lanças inimigas, em dardos dolorosos, que o empurrem impiedosamente para o Abismo --- “conditio sine qua non” (1) à perfeição estética, marca infalível da completa grandeza.

        Porque deve o escritor dirigir seu discurso mágico, com a máxima humildade, não aos seus contemporâneos, mas às miríades de arcanjos do Futuro. 

     Deixai-o portanto, solidários amigos, cumprir em paz sua misteriosa missão! 

_________ 
     (1) Condição indispensável, necessária, essencial.  Provém do Latim e significa  "a condição sem a qual não se pode fazer algo". 

     Em Direito, trata-se de um recurso indispensável e fundamental, que condiciona o andamento da ação.

     Com o tempo, esta expressão migrou para outras ciências, como a Economia, a Filosofia e a Medicina. 

     Pronúncia: condício sine qua non. 



Fontes: www.direitonet.com.br e www.wikipedia.org.

Acessadas em 21/06/2008. 



Aplausos Subliterários

O bom poema contém metáforas que contêm símbolos que contêm mensagens obscuras. Daí o seu fascínio místico. Original, criativo, inexplicável.

Das 435 mil palavras da língua portuguesa, emprega às vezes o poeta vinte --- e mal! --- e ainda quer aplausos?!     

Pois creiam: acorrem admiradores a louvá-lo, unânimes, solícitos...     

Enfim, toda subliteratura tem a subcrítica que merece.

Ai de ti, Literatura!

Cem Anos de Gabriel García Márquez

           Sinopse

           O livro conta a história de Macondo, uma cidade mítica, e a dos descendentes de seu fundador, José Arcadio Buendía, durante um século.  Usando recursos do realismo mágico, estilo que ajudaria a difundir a partir de seu lançamento, em 1967, o livro mescla revoluções e fantasmas, incesto, corrupção e loucura, tudo tratado com naturalidade.  A história começa quando as coisas não tinham nome e vai até a chegada do telefone.

          Um comboio carregado de cadáveres.  Uma população inteira que perde a memória.  Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura.  Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas.

          São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romance, no qual se narra a história de Macondo e seus inesquecíveis habitantes. 

          Aqui o leitor acompanhará as vicissitudes da numerosa descendência da família Buendía ao longo de várias gerações.  Todos em luta contra uma realidade truculenta, excessiva, sempre à beira da destruição total. 

         Todos com as paixões à flor da pele.  E o "realismo mágico" de García Márquez não dilui a matéria de que trata --no caso, a história brutal e às vezes inacreditável dos países latino-americanos.  Pelo contrário: só a torna mais viva.

          Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é considerado uma das obras fundamentais da literatura latino-americana moderna.  O livro logo  o tornou uma celebridade mundial; quinze anos depois, em 1982, ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura.


 
     
Perfil   
     Gabriel José García Márquez nasceu em Aracataca (Colômbia), e foi criado na casa de seus avós maternos, que iriam influenciar o futuro literato com as histórias que contavam. O avô, coronel Nicolas Márquez, veterano da guerra civil colombiana (1899-1902), narrava-lhe suas aventuras militares, e a avó, Tranquilina Iguarán, relatava fábulas e lendas que transmitiam sua visão mágica e supersticiosa da realidade.

          Por insistência dos pais, Márquez chegou a iniciar o curso de direito na Universidade Nacional, em Bogotá, mas logo enveredou para o jornalismo, assumindo uma coluna diária no recém-fundado jornal "El Universal".  Nunca se graduou.

          Em 1966, García Márquez teve o momento de inspiração para escrever o romance que ruminava há mais de uma década.  Largou o emprego, deixando o sustento da casa e dos dois filhos a cargo da mulher, Mercedes Barcha.  Isolou-se pelos próximos 18 meses, trabalhando diariamente por mais de oito horas.  No ano seguinte, publicou Cem Anos de Solidão  - um marco de todas as literaturas.

          Com o sucesso, mudou-se para Barcelona, Espanha, onde permaneceu até 1975, passando temporadas em Bogotá, Cartagena (Colômbia) e Havana.  Em 1981, voltou para a Colômbia.  Acusado pelo governo de colaborar com a guerrilha, exilou-se no México.  



          Em 1982, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Segundo se soube posteriormente, a premiação foi disputada com o escritor inglês Graham Greene e o alemão Günther Grass.  Diante da Academia Sueca e de quatrocentos convidados, pronunciou o discurso "A Solidão da América Latina", questionando os estereótipos com que os latino-americanos eram vistos na Europa e a falta de atenção dos países ricos ao continente. 

          García Márquez é o autor de:

          Crônica de uma Morte Anunciada

          O Amor nos Tempos do Cólera

          O General em Seu Labirinto

          Notícia de um Sequestro

          Memórias de Minhas Putas Tristes

          Ninguém Escreve ao Coronel

          O Veneno da Madrugada

          Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada.


          Alguns de seus textos foram adaptados para o cinema, como Erêndira, de 1983, estrelado por Cláudia Ohana e dirigido por Ruy Guerra, e O Amor nos Tempos do Cólera, de 2007, dirigido pelo inglês Mike Newell, e com a participação de Fernanda Montenegro.  
      Humildemente revelo possuir um exemplar de Cien Años de Soledad autografado (malditos garranchos!) por ele:


          "En honor de mí compatriota, 

          Señor Jô Siqueira.

          Mucha salud y exitos para usted.

          Un grande abrazo,

          en nombre de la solidariedad!

                                  Gabo"



 

 
Fontes:
Banco de Dados da Folha de S. Paulo.

Edição comemorativa dos 40 anos de "Cien Años de Soledad", Madrid, 2007, Real  Academia Española.



Clínica de Estética

     Ex Pronto-Socorro do Verso

     Ex Oficina do Verso

     Atual Propaganda Enganosa

     Agora sob nova direção: Catástrofe Lírica 

 
     Consertos inéditos, reparos criativos, lugares comuns caprichados, pequenos ajustes gramaticais, acabamento lírico, polimento épico, penteados com efeito dramático, barba/cabelo/bigode comportados, maquiagem divina, beleza retocada, limpeza de verso discreta, elogios pomposos (a combinar), crítica comprada (a preço de banana)...
Negociamos tudo, até sua imortalidade.

Rasgamos seda a domicílio.

Faça um testedraive!

Disfarce sua mediocridade!

Inspiração garantida!

Fama imediata!

Resultados surpreendentes!

Aplausos constantes!

Glória! Glória! Glória!


Condor? Andorinha?

         O jovem poeta faz as coisas certas no tempo certo. Uma época sua, e só sua. Parabéns por vivê-la tão intensamente, flutuando nas esferas únicas da sua solidão e sua multidão. 

        Quando pede o poeta que lhe comentem os trabalhos, entendo que também aceite, além de aplausos, eventuais críticas. 

        Há poemas maduros, versáteis, profundos, como há aqueles a que faltou pensar muito e redigir mais: neles existe, às vezes, imensa profusão de banalidades, de sentimentos corriqueiros, de ingênuas declarações de amor, de penas de amor longamente enumeradas, que tumultuam a recepção do seu recado, a audição de seu sussurro. 

        (Isso se dá em todos os tempos, desde o início da Literatura. Daí a sabedoria da Natureza: já pensaram se todos os que escrevessem ficassem?) 

        Quando lemos tais trabalhos, tropeçamos amiúde em figuras e imagens que, de tão empregadas, não mais arrebatam. Míseros chavões. Nós leitores merecemos maior reverência: afinal selecionamos alguns escritos dentre milhares de outros para apreciar. 

        Por ser imaturo, em formação, às vezes faltam à poética do jovem desencanto, denúncia, amargura, revelação; vivência, amplidão, febre, obsessão; 'delirium tremens', contestação, temor cósmico, desequilíbrio, abismo, profundidade; desolação, passado, ancestralidade... (E faltam não por incompetência intelectual, mas porque ainda não é hora).

        Continua poeta.  Não te limites aos finitos "eus" e "tus" líricos: descobre o Infinito (com ou sem Deus), e expõe em versos o desespero da Vida, a emoção da Justiça, o enigma da Lei, a ânsia das fomes, a opressão sem fronteiras, o protesto soberano; o abandono calado, a epifania da ausência, a evocação mar aberto. 

       Aí sim tu te revestirás das asas do condor e do voo da andorinha. Que assim se completam. 

        Além (embora próximos) de teus poemas plenos de delicadas meiguices, esperam-te a Sociedade, o Tempo, a Realidade: párias famintos, analfabetos humildes, mártires convictos, democratas pacíficos, vencedores cruéis, vencidos idem, costumes inéditos, atos malditos, agressões imbecis, omissões dolorosas, 'meio' ambiente acuado... E então, criança escritora? 




Da Crítica como Missão

     O crítico literário, esse cavalo sensível, atravessa a brisa em flor dos campos e alcança, relinchando, a alvorada do texto.  Só então levanta voo rumo ao pluricastelo dos signos imortais.

     Ele sabe que tais signos o vencerão sempre, sempre, em combates de honra, irrecusáveis.

     E sol após sol, novamente vivo e restaurado, ei-lo esmagando o pasto metafórico, combatendo verbos e gestos, ais e emoções, exaltando somente graças líricas e prosas felizes, em nome da Voz.

     Ao longe o alto palácio o espera, cordial, majestoso, onde ele repousará sob um cobertor de silêncios consentidos, implícitos.

     Tentam alguns execrá-lo, exorcizá-lo, expurgá-lo, apedrejá-lo e expulsá-lo de cidadelas, fortalezas, feudos e reinos; às vezes, no entanto, ganha batalhas e aplausos sinceríssimos... 

     E prossegue em marcha, tropa em armas.  Mas para onde e para quê, afinal?  Valerá de fato a(s) pena(s)?!
     ...Talvez valha, posto que ele vê na crítica um fado, não um fardo.  E cumpre-o com fé e felicidade.

Da Grandeza Artística

Não se apresentam maus os seus textos; apenas poéticos demais, melífluos além da conta.  Falta neles algo, eu diria; mas, na verdade, sobra algo.  Talvez palavras.  Deveria a poetisa amadurecer a matéria lírica em seu coração e sua mente, antes de enunciá-la de um jato, como o faz.

Assim, seus poemas não convencem como arte, como voo lírico na plenitude do nosso azul.  São rude, toscos, mal acabados, quase sem ritmo, altamente mecânicos, formalmente mal construídos --- um semifracasso.

      Há alguns versos fenecidos, apagados em meio à multidão dos vivos e cintilantes.  Versos que se alicerçam em tijolos que mal foram ao forno, e pré-cozidos estão; em poucos anos tua mansão de palavras desmoronará, ruirá, sucumbirá: não suportará, a pobrezinha, as vozes e olhares dos tempos vindouros, moldada que foi numa simples, única e inicial escritura.

Ademais, algumas palavras apoéticas residem clandestinamente no edifício sério de certas estrofes.      

E a indissociável clareza da mensagem, que nos conduziria ao êxtase lírico, some.

      Textos prejudicados, portanto, pela ambiguidade, a obscuridade e a incoerência  léxica.  Possuem "respostas" demais e perfeição de menos.

        Onde a grandeza artística?  - Permanece ainda matéria-prima, promessa, botão.  Faltaram asas ao voo. 

Da necessária crueldade

       Acho-me numa singela encruzilhada: elogio ou critico?

       

       Arraso:


       Teu poema vem carregado de excelentes intenções, todas tão lindas; o tema 'mulher', realmente bem abordado, contém uma profusão de imagens criativas, de louvores sensatos, de conceitos justos.  

          A realização dele, porém, falha: falha no português (uso simultâneo de tu/você...), na banalidade dos versos, que deveriam transportar mais sentimento, mais profundidade, mais amplitude.

         Construíste o poema como se fizesses um favor --- não um delírio, um peso, uma altíssima novidade.   Não transpuseste sequer o Primeiro Portal.

        A linguagem, embora simples, não abre janelas à compreensão dos sentimentos.  E a pompa sintática não encobre a má qualidade desse poema vagabundo.

 
       Louvo:
       Escrito sem nenhum compromisso estético, por um literato despretensioso, ainda assim o poema nos encanta, porque fala de amor, de partida, de saudade.

       Trata-se talvez de uma alocução (discurso poético breve) dirigido à Mulher, a julgar pela terceira estrofe, que contém um lamento lírico, culminando com palavras de absoluta angústia e perplexidade. 

       O clima do poema apresenta-se, assim, visivelmente romântico, de paixão, separação e lembranças. 

O vocabulário singelo contrasta com os requintes da sintaxe, ritmo e sonoridade.

      Há um clima celestial, excelso, interestelar no poema, graças à tua inspirada sinceridade.

      Aplaudo-o sim, pois que jornada!   Um dia alcançarás a leveza lunar...



Da tão Frágil Formosura

          Não sou crítico, apenas um curioso da arte poética.  Não doutrino: aconselho, alerto.  Feiticeiro primitivo, sugiro às vezes uma reescritura salutar, saneadora, elevadora, tensional.

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