As circulares



Baixar 301.92 Kb.
Página1/4
Encontro24.01.2018
Tamanho301.92 Kb.
  1   2   3   4



As Circulares



Testemunhas da tradição espiritual Marista.
Desde os tempos do Pe Champagnat estabeleceu-se o costume de duas circulares por ano: a primeira, em janeiro ou fevereiro, com a finalidade de responder aos votos de Boas Festas dos Irmãos e a segunda, no verão, anunciando os retiros e os frutos que deles se esperavam. A parte espiritual da circular vem acrescida, naturalmente, de toda espécie de avisos referentes às escolas, às finanças, encaminhamentos administrativos e outros assuntos. As circulares visam também anunciar os falecimentos, propor notícias necrológicas e a lista dos defuntos de cada ano. Com o passar dos anos, os superiores acrescentam: as notícias da Santa Sé, os relatos das viagens dos missionários, os relatórios das visitas dos superiores, a situação das causas de beatificação... Evidentemente, as circulares anunciam também os Capítulos Gerais e a prestação de contas dos mesmos.
Resumo histórico da conservação e da difusão das circulares
Quanto ao histórico mais técnico da difusão e da conservação das circulares, o Irmão Avit nos traz (Sumário dos Anais 1848,t.2, p 178) elementos preciosos: primeiro manuscritas, até 1838, são litografadas até 1842 pelo Irmão Marie-Jubin. Em janeiro de 1841 (Circular t.1,p 46) o Irmão Francisco convida cada comunidade a providenciar um registro no qual serão copiadas as circulares recebidas. De 1842 a 1848 são impressas, sem que se pense em conservar exemplares sobressalentes, o que se verificará a partir de 1848.

A conservação destes folhetos deve ter sido feita de maneira muito diferente, de acordo com as comunidades. Desta forma, as coleções das circulares anteriores à edição de 1916-1917, são hoje muito raras e incompletas porque um certo número de folhetos foram perdidos antes de serem encadernados, e as circulares anteriores à impressão, isto é, as do Pe Champagnat e as primeiras do Irmão Francisco não foram conservadas (Circulares,t.12.p 163). Provavelmente, foi por esta razão que o Irmão Teofânio faz reimprimir as circulares do Irmão Luiz Maria a respeito da simplicidade, da oração, da escola de Pontmain, da formação dos Irmãos, da caridade fraterna (Circulares, t. 9, p 133, t 10,419,420, t.11p.137,315).

A casa de Varennes-sur-Allier, conserva espécimes importantes destas primeiras obras, e de modo particular, uma coleção de circulares que vai do dia 15 de dezembro de 1848 a 17 de janeiro de 1878, em três volumes. O primeiro volume (1848 a 1865), embora apresente numerosas lacunas que denunciam a dificuldade que as comunidades tinham em conservar corretamente as circulares, recebidas sob o formato de folhetos, começa apresentando, encadernada, uma circular do Irmão Francisco, datada de novembro de 1846 cujo formato é diferente do das outras circulares.

Os volumes conservados em Varennes parecem confirmar as afirmações do Irmão Avit: a normalização do formato das circulares não aparece antes de 1848.

A encadernação em volumes, deve ser mais tardia: o primeiro índice impresso presente em Varennes, traz as circulares dos anos 1860-1869 mas não dá o número do volume. Pelo contrário, os índices das circulares de 1887 a 1892 declaram que este é o sétimo volume.

A casa de Varennes possui ainda duas coleções das circulares reeditadas pelo Irmão Teofânio: a primeira de 492 páginas, data de 1896, e a segunda de 1900, conta 628 páginas. Por si sós, estas duas obras apresentam excelente síntese do coração da espiritualidade marista na segunda metade do século XIX.


Necessidade de uma edição completa e oficial
Os acontecimentos de 1903, a internacionalização do Instituto, a dificuldade em dispor de um corpo completo dos textos fundamentais, sem mencionar a aproximação do centenário da Congregação: todos estes acontecimentos levaram os superiores a empreender a edição sistemática das circulares, incluindo as que vinham do tempo do Fundador.

A edição do Centenário do Instituto é anunciada na Circular de 22 de abril de 1912 (t. 12, p.163). A do dia 24 de maio de 1916 (t.13 p.242) indica que a reedição prossegue ativamente, e salvo imprevisto, estará completa em dezembro. Em realidade, a guerra atrasou o trabalho e a circular de 2 de fevereiro de 1917 assinala que o último volume está no prelo (t.14, p.85) A do dia 24 de maio de 1918 (t.14, p.219) acrescenta que devido a dificuldades de transporte e alto custo, ainda não é possível enviar um número suficiente de coleções para as províncias. É apenas imediatamente antes do Capítulo Geral de 1920, que a reedição das circulares se encontrará efetivamente à disposição das comunidades.

Quanto à acolhida que lhes foi feita, seria necessária uma análise mais profunda, visto que chegam, numa congregação internacional, 13 volumes em francês, que, mesmo para os franceses, evocam situação totalmente diferente da que é vivida na conclusão de uma guerra que sacudiu o mundo. Os treze volumes da edição 1914-1917 tornam-se assim uma espécie de memorial de uma sociedade religiosa de educação, essencialmente ligada a um tempo e a um local já ultrapassados: o século XIX e a França. A partir do volume 14, as circulares mudam o conteúdo: tornam-se essencialmente o lugar do ensino doutrinal dos superiores, tanto mais que a partir de 1908, o Boletim do Instituto se encarrega das informações sobre a Congregação e seu sistema educativo. Esta mudança foi se aprofundando, com o passar do tempo.
Interesse atual das circulares
Como se aproxima um segundo centenário do Instituto pode-se pensar na possibilidade de uma nova edição que certamente, não teria muito a ver com a primeira, pois uma grande parte do conteúdo das circulares anteriores a 1917, e mesmo as que foram escritas nos tempos do Concílio Vaticano II, apenas têm um interesse histórico. As circulares de cunho doutrinal, pelo contrário, oferecem-nos perspectivas insubstituíveis no que respeita nossa espiritualidade, ao estabelecerem um elo de união entre as origens e os nossos dias, operação que muitas vezes, esquecemos de fazer, quando tratamos o tema da espiritualidade.

As circulares, com efeito, nos fazem evitar o perigo de oferecermos sacrifícios ao mito das origens pois nos mostram que a espiritualidade cresce e decresce sem cessar, constituindo um processo histórico complexo, que merece ser acompanhado atentamente. Com efeito, não podemos compreender as origens sem a tradição que nelas se alimenta, do mesmo modo que o presente não pode ser ligado, diretamente, às origens, menosprezando o peso da história que o trouxe até nós.

Nossa espiritualidade é como a escada de Jacó pela qual os anjos subiam e desciam : para conhecê-la bem é preciso fazer como eles, não esquecendo que as circulares são degraus importantes do itinerário espiritual de ida e volta entre as origens e nós.

Esboço de história do ensino espiritual dos superiores.
Passarei rapidamente pelas circulares do Pe Champagnat porque foram novamente publicadas no livro Cartas do Fundador e também, porque já as comentei em outros escritos. Sublinho apenas que elas contêm o que na época se chamava “máximas ou sentenças”, material de grande alcance espiritual.

Tratarei também, de modo sucinto, do Irmão Francisco, cuja circular sobre o espírito de fé me parece uma primeira síntese da espiritualidade marista1. Penso, no entanto, que os dezenove textos escolhidos contêm três preocupações complementares: conservar a memória dos atos e escritos do Fundador falecido; pensar uma espiritualidade marista, emancipada dele mas, ao mesmo tempo, fiel a seu espírito; fazer interiorizar as regras e as virtudes mais significativas do espírito marista.
O Irmão Luiz Maria, à primeira vista me parece mais ambicioso e menos profundo que o Irmão Francisco. Pretende em primeiro lugar, efetuar uma obra de restauração do espírito da Congregação que atravessa uma crise de crescimento, pela renovação da regularidade, piedade e caridade (circular do dia 27.12.1860).

Contrariamente ao Irmão Francisco que na circular sobre o Espírito de Fé, nunca cita o Pe Champagnat, recorre abundantemente a sua doutrina e a seus exemplos como também aos exemplos dos Irmãos modelares: Boaventura, e João Batista. Insiste menos sobre a caridade do que sobre a piedade e a regularidade.

No decorrer dos anos 1860-70, parece-me que domina uma concepção ascética e um pouco militar da Congregação em oposição parcial com a visão do Irmão Francisco, e em notória conivência com a do Irmão João Batista. A circular de 1867 sobre a formação, parece-me típica a este respeito, pois hierarquiza fortemente o Instituto, devendo os diretores fazer funcionar as escolas e formar seus auxiliares à vida religiosa, sob o olhar vigilante dos superiores maiores.

Longe de considerar, com senso crítico, uma concepção um tanto populista da congregação, visão que tem suas raízes no Pe Champagnat2, e que sobrecarrega o Instituto diante da massa dos jovens a formar, tarefa quase impossível que recai de modo particular, sobre os Diretores. Esta estratégia não deixará de ter sua parte, na fraca perseverança dos Irmãos: os jovens, porque pouco formados por Diretores impossibilitados de assumir tarefas múltiplas; os diretores desgostosos, diante de uma tarefa muito exigente. Com o Irmão Luiz Maria assistimos pois, ao agravamento do efeito perverso de uma intuição forte de Champagnat: l´Hermitage cidade mística destinada a acolher todos os que desejam combater sob o estandarte de Jesus e de Maria.

Na circular sobre Pontmain, julgo notar uma evolução: a guerra de 1870 e a Comuna revelaram tal perversidade do mundo moderno que o único meio de o salvar, é a oração. Talvez, seja o recurso a estas certezas o que suscita no Irmão Luiz Maria uma volta ao que a tradição marista tem de mais profundo: o tema da “vida mística de Cristo” em nossas almas. (circular de 16 de junho de 1877) para lutar contra os “poderes das trevas” (t.5,p.404). Esta circular, lastimavelmente diminuída em seu valor, por uma conclusão muito longa, e bastante insossa, parece-me um dos cumes da espiritualidade marista. Apresenta uma certa ligação com as circulares que seguem: sobre o inferno, a eternidade e a santidade, porque nestes textos, muito calcados nos exercícios de Santo Inácio3, reencontramos a mesma inspiração: lutar contra o reino do mal a exemplo de Jesus Cristo para a própria salvação e a do próximo.

A doutrina do Irmão Luiz Maria parece ser o reflexo de duas épocas opostas: na primeira é o superior seguro de si mesmo e que reorganiza totalmente uma congregação que tem realmente necessidade de um chefe; na segunda parte, nota-se uma volta a uma tradição original que situa a Congregação na grande luta cósmica entre o bem e o mal, num momento em que a França tende, irresistivelmente, para a República. Pode-se também pensar que o Irmão Luiz Maria, ao envelhecer, medite sobre os novíssimos de sua própria vida.

O Irmão Nestor apenas tomou a direção do Instituto mas suas circulares parecem situar-se em direção diametralmente oposta às opções do Irmão Luiz Maria para tentar resolver em profundidade, problemas que este tinha encarado de forma mais administrativa que espiritual. Se se mantém clássico no que se refere à instrução cristã das crianças (19.03.1881) a introdução do seu ambicioso plano de estudos (1º de março de 1882) esboça uma espiritualidade do trabalho e começa a corrigir uma concepção negativa e utilitarista da cultura. No plano mais propriamente espiritual, sua circular sobre a devoção ao Sagrado Coração oferece uma definição teocêntrica e cristológica da humildade (p.337-338) que acrescenta alguma coisa à espiritualidade marista. A mesma circular, sobretudo, é uma crítica implícita de toda uma tradição marista sobre o inferno e cuja última manifestação se encontra na recente circular do Irmão Luiz Maria. Eis a passagem chave desta instrução (p 340):

“Há, com efeito, duas maneiras de entender o cristianismo: há almas que habitualmente, consideram Deus, mais como um patrão, vivem atentas a seus direitos, andam sob a asa da justiça, vivem penetradas de seu temor. Em suas resoluções íntimas estas almas não ultrapassam a idéia severa do dever. Todas as suas preocupações, todas as ambições espirituais se resumem e se encerram por assim dizer numa palavra: a salvação”. Se, no entanto, damos a Cristo o lugar que lhe pertence..., tudo permanece e tudo muda (...) tudo ri, tudo se esclarece, tudo se aquece sob o raio do céu. Por que, então? É que o amor fez sua aparição no mundo (...) . A grande pergunta se apresenta sempre: Que fazer para me salvar? mas outra a completa, a domina e a transforma: Que darei ao Senhor por todos os bens com que me cumulou? (Sl 115,5).


Com o Irmão Teofânio volta-se à tradição do Irmão Luiz Maria, mas de maneira um tanto singular. Este superior faz muito poucas instruções doutrinais, mas remete às do Irmão Luiz Maria. De certo modo, considera que após a morte do Irmão Luiz Maria, último superior que conheceu intimamente o Fundador. encerrou-se uma espécie de Sagrada Escritura marista. Tendo entrado em L´Hermitage, em 1845, o Irmão Teofânio, não se julga uma autoridade espiritual comparável à de seus antecessores. Em compensação, tendo conhecido muito bem o Irmão Luiz Maria, ele se refere preferencialmente a este portador da tradição.

Com ele o Instituto entra pois, numa espiritualidade baseada na recordação e na repetição antes do que na interpretação e no enriquecimento. Aliás, o Irmão Teofânio reproduz a atividade desbordante do Irmão Luiz Maria, pensando na internacionalização rápida da Congregação. Não se sabe que rumos tomou em seu generalato o ambicioso programa de estudos do Irmão Nestor, mas em todo caso o Irmão Teofânio se aplica mais do que o Irmão Luiz Maria a revisar a função educativa da Congregação., não se preocupando ele mesmo com as questões educativas, mas tomando em consideração os trabalhos contemporâneos. Suas circulares mais importantes se referem à piedade nas escolas e as obras pós-escolares, muito inspiradas na pedagogia salesiana. Os textos pontifícios são publicados A causa de beatificação do Pe Champagnat e suas narrações de viagens ao redor da terra, preenchem numerosas páginas.

A época do Irmão Teofânio parece pois muito pobre pelo menos no que se refere a suas circulares. O Irmão Estratônico, ao definir seu predecessor como uma “regra viva”, (t.11, p. 204-208) não contribui em nada, para modificar esta impressão.

Entretanto, há uma exceção importante a este julgamento. É a curta instrução sobre o espírito de oração (10 de maio de 1902, t. 10, p.143-152) que nos apresenta uma visão notoriamente profunda da oração, muito longe do peso insistente das instruções do Irmão Luiz Maria:

“Que é o espírito de oração? (...) é como um óleo aromático, composto com o que há de mais puro, de mais ardente, de mais divino nas relações da alma com o céu e que vindo a emergir em nossas almas, ali queima perpetuamente para a honra de Deus” ( p.143).

Este espírito de oração não estorva em nada, os movimentos da alma. Não cria no coração o constrangimento e a servidão. Começa por graus sucessivos e assim acaba-se vivendo de Deus, com Deus e em Deus, como respiramos, tão livremente, com tanta facilidade e quase sem que nos apercebamos.”( p 149).

Mesmo a conclusão que, de acordo com o gênero literário das instruções, deveria propor alguma aplicação prática, de cunho ascético, permanece no mesmo tom:

Se, por nossos generosos esforços e pela graça de Deus, chegamos a alcançar o espírito de oração e o desejo perpétuo de Deus, no coração, toda a nossa vida se transformará num hino à glória de Deus, um hino cujas estrofes continuarão no céu”.

Sua última instrução , sobre a fidelidade à vocação, se situa numa data significativa: 19 de março de 1904. Inaugura um problema que o Instituto não será capaz de resolver em termos espirituais: a secularização. Condena-a em termo velados mas firmes.(t 10, p. 414):

Comportemo-nos pois de acordo com a consideração segundo a qual o bem que temos que fazer, se quisermos agradar a Deus, não se limita a tal país, a tais crianças, para cá ou para lá dos Alpes, ou dos Pirineus, mas deve espraiar-se para lá dos oceanos para todos os lugares onde há crianças a instruir e almas a salvar.

(...) Irmão, você declararia em vão a Deus que permaneceria fiel a Ele, que continuaria a segui-lo. Infelizmente, você o seguiria, primeiro de longe e depois a uma distância tal, que certamente o perderia de vista... As seduções do mundo são tão temíveis, o abuso das graças tão funesto, a decida tão escorregadias para uma alma que está na via da decadência”.

O Irmão Teofânio não percebeu que seu argumento em favor das crianças do mundo inteiro poderia ser facilmente retrucado pelos secularizados: na França também havia almas de crianças a salvar e a tarefa era tanto mais urgente quanto a salvação delas estava por demais ameaçada. Sua teoria da vocação marcada pelo cuidado em se preservar do mundo, apesar de clássica não parece menos fria como se a fidelidade a certas formas de vida religiosa e a preocupação por sua própria segurança fossem a coisa mais importante. Finalmente, apegado a uma internacionalidade cuja fonte se encontra no universalismo do Pe. Champagnat (nossa visão abarca todas as dioceses do mundo) não compreende mais o apostolado enraizado num local, num país.



O percurso percorrido pelo Irmão Teofânio me parece pois como o tempo de uma transição com muitas vertentes. Com ele abandonamos o período dos grandes intérpretes para entrar no dos releitores; o tempo da França, para entrar no internacional; o tempo da Congregação como entidade semi-monástica para entrar no tempo da secularização: o tempo da paz para entrar no da perseguição. Em suma, o Irmão Teofânio, como o Irmão Luiz Maria conheceu um extraordinário sucesso institucional e um relativo fracasso doutrinal.

O Irmão Estratônico teve que gerenciar problemas herdados da gestão anterior: a secularização e a interiorização das novas Constituições que dão origem a um governo descentralizado. A estas duas tarefas juntam-se duas outras: o centenário do Instituto e a guerra. Por isso se entende que durante seu generalato (1907 a 1920), multiplicou as instruções sobre as Constituições e a necessidade de voltar ao espírito das origens. No que se refere a adaptações, (t. 11, p. 486-487) é inflexível, pois, dizia: “Deus não muda”. Na falta de pensamento profundo, possui um estilo simples e bonachão que corta com a grandiloqüência do Irmão Luiz Maria ou a frieza do Irmão Teofânio.

Sua preocupação em descobrir o espírito primitivo do Instituto, (t.11, p.314) reduz sua interpretação da espiritualidade a um mero exercício de memorização. A reedição das circulares era justamente um das peças mestras desta vontade de perpetuar a tradição. Aliás, tem da tradição, uma visão larga pois nela inclui ao lado do Pe Champagnat, o Irmão Francisco “e todos os santos predecessores de La Valla (t.11, p.485, 2/2/1911). No dia 18 de maio de 1911 (t.,11, p 559) uma fórmula equivalente: ao evocar nossos antepassados: Irmãos: Francisco, Luiz, Lourenço, João Batista, Estanislau, Luiz Maria, Jerônimo, Boaventura. No dia 24 der maio de 1913, insiste na idéia de imitar Champagnat e “nossos pioneiros” (p 260) e além do V. Pe Champagnat, temos os três mil Irmãos que nos precederam na outra vida.” (p. 263) Evoca os exemplos dos Irmãos: Luiz, Estanislau, Damião, Crisóstomo, Boaventura, Leão, Cassiano, Ribier, Pascal, Timótio, João Cláudio, Filigônio (p.266-270)4. Assim, o Irmão Estratônico, sem muito conceitualizá-lo, concebe o Instituto como um Corpo Místico do qual Champagnat é apenas o iniciador. Esta maneira de ver é suficientemente original para merecer nossa atenção. É possível que exista uma explicação para esta visão fraterna do Instituto: é que desde 1860, o Irmão Estratônico, exceção feita do Irmão Nestor, com um mandato muito curto, é o primeiro superior que não passou pelo seminário. Nota-se também uma originalidade relativa do Irmão Estratônico com relação à dedicação. Desde o dia 6 de junho de 1908 tenciona escrever um livro sobre a prática da dedicação no Instituto, durante um século e pede testemunhos (t.11, pág.324) Mesmo estando quase no fim seu mandato, não abandonou seu projeto. A circular de 24 de maio de 1919 (t 14, p. 293 – 300)., preconiza como frutos do retiro perfeita regularidade, sólida piedade, união que são as três virtudes cardeais preconizadas pelo Irmão Luiz Maria em 1860 e acrescenta a dedicação. Nesta mesma circular,(p. 298) projeta um livro de ouro da dedicação e uma vez mais pede colaborações.

O generalato do Irmão Estratônico, se não renova as perspectivas espirituais do Instituto, marca-as de duas maneiras: por um lado levanta um memorial de sua história e de sua espiritualidade; por outro lado, este trabalho se realiza num espírito de modéstia e fraternidade que não se encontra na mesma intensidade, nos predecessores. Quanto ao estilo e ao fundo o Irmão Estratônico se aproximaria do Irmão João Batista e do espírito da maioria dos Irmãos.


Com o Irmão Diógenes (1920 a 1942) tem-se a impressão de aproximação com o Irmão Teofânio: poucas verdadeiras circulares, mas muitos documentos pontifícios. Poucas circulares que apresentem pensamento pessoal, o Irmão Diógenes confessando sem cerimônia, que retomou tal ou tal livro ou conferência que lhe agradou. Evidentemente, pode-se pensar que o Irmão Diógenes não é dono de uma doutrina suficientemente profunda para transmitir uma mensagem pessoal. Mas pode acontecer que a problemática, como no caso do Irmão Teofânio, seja mais complexa. Ambos, com efeito, governam após superiores prolixos e deve-se levar em consideração um certo cansaço do público que os lê. Por outro lado, podem parecer pouco à vontade com uma concepção fixista da espiritualidade marista: como as origens são estabelecidas definitivamente pelos livros oficiais do Instituto e pelas regras, para que estar repetindo indefinidamente? Consagram-se pois ao que parece estar apresentando alguma novidade: os documentos pontifícios e as obras de seu tempo que abordam o tema da espiritualidade.

Quando, entretanto, apresenta textos pessoais, o Irmão Diógenes parece antes tradicionalista. No dia 25 de dezembro de 1921 (t.14 p.515-536) a circular sobre a vocação, considera-a como uma verdadeira predestinação (p.518) à qual quem foi chamado não pode se subtrair. Mesmo se não pronunciou votos. Evidentemente, atrás deste texto pode-se ler todo o problema da perseverança dos Irmãos mobilizados, tentados a não voltar à Congregação. Mas parece que há mais coisa: a contestação de uma concepção muito rígida da vocação à qual responde sem nenhuma concessão.



A circular de 25/12/1923 a respeito do essencial da vida religiosa, talvez seja o texto mais subtil do Irmão Diógenes que tenta formular uma doutrina nova sobre a secularização evocada diretamente (p.84) pela primeira vez numa circular5. Como no Capítulo de 1920, os secularizados foram reconhecidos como religiosos com todos os direitos, se questiona: o que é que constitui a essência da vida religiosa? O Irmão Diógenes responde que o religioso não é fruto do tempo e que “neste segundo século de nossa existência devemos ser tais e quais foram os pioneiros” mas um pouco mais longe, acrescenta: “O essencial é o ser interior, entendamo-nos bem, é a santidade ou ao menos, a virtude pessoal. O restante não é que seja sem importância, mas é acidental (...) O essencial do religiosos (em itálico) é para nós uma salvaguarda infalível se o possuirmos num grau suficiente; (...) a prova disto foi feita experimentalmente sobretudo, no país no qual nossos Irmãos atravessaram tanto a perseguição quanto a revolução. (...) Para uma Congregação espalhada pelos cinco continentes, é muito raro que a perseguição ou a revolução não esteja presente num ou noutro lugar. É pois sábio manter-nos preparados para a luta e pedir a Deus de nos poupar em todas as circunstâncias nas quais possamos nos encontrar, as graças necessárias para nos mantermos fiéis”.

Como está formulada, a idéia do Irmão Diógenes parece confusa. Penso poder interpretá-la da seguinte forma: “Em tese, a vida religiosa é intemporal, mas em hipótese está evidentemente sujeita a se confrontar com as perseguições e revoluções. Para consegui-lo, precisa recorrer ao que constitui seu fundamento: a consciência, sacrificando o acidental (a batina...). E a experiência demonstrou que isto é possível”.

Compreende-se porque o Irmão Diógenes se sente pouco a gosto, porque assim interina a tese da legitimidade da secularização e sobretudo, uma concepção da vida religiosa que faz dos sinais exteriores (a batina, a regra, a comunidade) meros acessórios. A vida religiosa, pois, não aparece mais fundamentada sobre a comunidade e sinais exteriores, mas sobre o indivíduo. Evidentemente, o Irmão Diógenes não tira as últimas conseqüências dos princípios que acaba de apresentar e fala do “espírito da vida religiosa” que, segundo afirma, leva à exata observância das regras e termina com uma carga contra as faltas à pobreza , o abuso das visitas, sem contar uma piada mais do que tradicional sobre o espírito do mundo.

Por mais ambígua e insustentável que seja a teoria do Irmão Diógenes, que abocanha com uma mão o que acaba de oferecer com a outra, nem por isso deixa de abrir uma brecha, na concepção clássica da vida religiosa. Evidentemente, ela terá pouca repercussão prática pois aparece não como doutrina, mas apenas adaptação às anomalias do tempo. Podemos hoje, lastimar que o Irmão Diógenes não tenha sido mais audaz, mas nos perguntamos se era possível adiantar mais o sinal! Nada de menos seguro. De qualquer forma este texto é uma das raras tentativas no sentido de repensar um pouco a vida religiosa marista, antes do Concílio.

A segunda circular do Irmão Diógenes que me parece merecer um comentário é a de 24 de maio de 1926, sobre o espírito do então Venerável Pe Champagnat. (t.15, p.432-465) na qual compara l´Hermitage ao mosteiro de Claravalainda, impregnado com a lembrança de São Bernardo. É neste lugar venerável que os Irmãos de todas as partes do mundo (p.433) onde se respira “como uma atmosfera de santidade” que o Irmão Diógenes intercede pelos Irmãos ameaçados de perseguição, em diversos lugares. Para que se preparem a qualquer eventualidade, convida-os a reproduzir as virtudes do Fundador seguindo a ordem dos capítulos da segunda parte de sua biografia: espírito de fé...

Esta retomada das virtudes fundacionais parece-me de interesse secundário. Em compensação, manifesta-se claramente, a um século de distância, o laço que une o sentimento do Fundador que vislumbrava L´Hermitage como a cidade mística de Maria destinada a se espalhar por toda a terra, e o pensamento do discípulo que vê a promessa ao mesmo tempo realizada e ameaçada.


O inter-reino de quatro anos (1942 a 1946) entre o Irmão Diógenes e o Irmão Leônidas é governado pelo Irmão Michaëlis e depois pelo Irmão Marie-Odulphe. As cinco circulares por eles escritas estão longe de não despertar nosso interesse. Mas, uma vez mais, as perturbações da ordem pública e as guerras suscitam logo o desejo de restauração. Assim, o Irmão Marie-Odulphe torna pública a intenção de restaurar tudo segundo o espírito do Venerável Fundador pelo culto da regra (t.19, p351). Entende que a secularização, a guerra de 1914-1918, as perseguições em diversos países e a segunda guerra mundial são causadas por uma diminuição do sentimento religioso a qual é preciso remediar, retemperando as energias espirituais.

Houve perturbações e o mundo não será mais como foi antes, mas o Irmão Marie-Odulphe não leva isto em consideração. Para ele, é preciso retornar à regra do Fundador. Entre a espiritualidade oficial e a realidade cria-se um hiato que parece total.



De 1946 a 1958, o Irmão Leônidas faz um grande esforço doutrinal. Se nele, a idéia de restauração permanece fundamental, nem por isto deixa de estar aberta à idéia de adaptação, particularmente no tocante à formação. A preocupação que parece percorrer todo seu mandato, diante da angústia suscitada pela fraca perseverança dos Irmãos, seria a de impregná-los com uma forte identidade marista feita de amor e estima pela vocação. A circular-chave sobre este tema me parece ser a do dia 8 de dezembro de 1952, intitulada: “Somos religiosos, somos Pequenos Irmãos de Maria”, na qual trata do espírito religioso e do espírito marista, temas eminentemente tradicionais. O assunto no qual prova sua originalidade é na indicação das causas de relaxamento do espírito religioso: a rápida extensão da Congregação, a perseguição, o serviço militar ou o trabalho obrigatório6, o grande favorecimento de que o Instituto gozou por parte das autoridades, em diversos países, e enfim, a falta de pessoal.

É a primeira vez que um superior reconhece que um déficit de espírito religioso pode advir de causas não somente exteriores, mas também internas e mesmo institucionais. Na segunda parte, sobre “as fontes do espírito religioso e marista” (t.21,p 113,) dá a relação do “corpus”7 que, de acordo com seu parecer, contém o espírito marista: a Vida do Fundador, as Regras, os “Avis, Leçons, Sentences”, as Notícias Biográficas, as circulares dos primeiros superiores, e o Boletim do Instituto. Mais longe acrescenta, mas manifestamente num segundo plano, o Guia das Escolas, o Bom Superior, a Perfeição Cristã, as Meditações do Irmão João Batista, o Catecismo sobre a Virgem Maria. Trata-se explicitamente de um esforço para discernir na tradição, o que permanece fundamental e o que é ultrapassado.

Procede da mesma forma com a circular de 8 de dezembro de 1948 (t 20, p 91 a 118), ao tratar da direção espiritual. Sabe-se que em 1890, o decreto Quaemadmodum da Santa Sé, proibiu aos superiores leigos das Congregações de exigir a manifestação da consciência no foro interno e que a direção espiritual feita pelos assistentes foi então abandonada. O Irmão Leônidas (p.96), detalha os efeitos desta interdição e incentiva um retorno da direção. A respeito da perseverança (t.22, p.739), o Irmão Leônidas apresenta uma interessante síntese histórica do problema após ter sublinhado que a vocação é fundamentalmente um mistério e uma questão que depende da liberdade e da fé que expele uma revoltante doutrina da predestinação ainda formulada pelo Irmão Diógenes. Entretanto o exame que faz das causas das defecções e dos remédios a serem aplicados, apesar de inteligentemente formulados, nada trazem de novo mesmo se a quarta parte (p. 25) parece-me que oferece, pela primeira vez, uma síntese dos argumentos dos que abandonam o Instituto.No fundo, mas usando nuanças, o Irmão Leônidas segue a doutrina clássica : a saída de um Irmão é um problema para ele, mas não para a instituição.

O capítulo de 1958 (t. 22 p. 322-358) tendo como programa uma revivificação do espírito do Fundador por um fervor religioso mais intenso, um zelo mais eficaz e uma vida de família mais íntima situa-se na continuidade do Irmão Leônidas e as duas primeiras do Irmão Charles-Raphaël tratam do zelo e da vida de família. A verdadeira mudança de tom parece-me que intervém na circular de 8 de dezembro de 1960 sobre as Regras Comuns que acabavam de ser modificadas.

Com efeito na parte em que trata de “nossas tradições que devem ser conservadas”, (p. 501-504), o Irmão Charles reformula o espírito da Congregação, relembrando que houve nele ( Champagnat), em primeiro lugar, uma “preocupação apostólica” e que se “a idéia de fundar um instituto religioso seguiu quase imediatamente”, não foi a primeira. Deste modo é nestas duas direções que é necessário procurar o que é essencial na obra do Fundador”. Estas expressões me parecem francamente novas pois, desde o Irmão João Batista, era algo que não se discutia que a vivência religiosa ocupava o primeiro lugar e o zelo, o segundo. Ao fundar l´Hermitage, como um convento, o mesmo Pe Champagnat apoiou largamente esta tese.O Irmão Charles-Raphaël, sem muito insistir, recorda que historicamente o zelo vem primeiro e que o Instituto está a serviço do apostolado.

Esta mesma parte da circular traz outra novidade de grandeza, pelo título ”Espiritualidade que ele propõe aos Irmãos” que pelo que eu sei é a primeira vez que se emprega o termo espiritualidade, nas circulares. E a definição de espiritualidade que segue este título está longe de ser banal porque o Irmão Charles-Raphaël recorda que “a vida dos Irmãos deve ser impregnada pelo espírito mariano”, informado pelas virtudes de Nazaré humildade, simplicidade e modéstia que se relacionam com nosso estilo de vida e nosso apostolado. Acrescentada ao espírito de família que considera fundamental, esta definição da espiritualidade marista reunifica em torno do espírito de Nazaré, desenvolvido antes pelo Pe Colin que pelo Pe Champagnat, um espírito marista que muitas vezes isolava o apostolado da vida religiosa e da humildade de Maria Por este texto breve, o Irmão Charles-Raphaël revela-se profundo conhecedor da espiritualidade marista e provavelmente o primeiro a formulá-la em termos novos após um longo tempo de repetições mais ou menos felizes.

A abertura do Concílio, em 1962, dividiu em duas partes o generalato do Irmão Charles-Raphaël e em 1963-64, oferece uma grande circular em quatro partes com um título surpreendente: “Conservação e crescimento do Instituto”. Parece uma circular fora de tempo e para dizer tudo de uma vez, conservadora, num momento em que os acontecimentos conciliares chacoalham a paisagem religiosa. Pode ser que seja preciso vê-la como a vontade, num superior responsável,de opor-se a uma exaltação que ameaça levar tudo de roldão. A circular de 1° de maio de 1965, aborda o título: “a fidelidade ao espírito de nossa vocação e a lei de adaptação”, tem, em todo caso, esta preocupação pois seu título mesmo evoca a necessidade de conciliar fidelidade e mudança. A terceira parte desta circular (p 278), tenta dar para o capítulo geral que se aproxima, normas a respeito do que deve permanecer e do que deve ser modificado, num momento de ebulição que ameaça varrer a tradição.

A primeira circular do Irmão Basílio Rueda, datada de 2 de janeiro de 1968, está dividida em cinco partes que se escalonam até julho. Ocupa-se essencialmente do XVI Capítulo Geral cuja primeira sessão acaba de ser realizada. Por isso, a primeira parte (t.24 2/1/1968) é destinada a uma crítica deste evento. Constata que, pela primeira vez, desde muito tempo, o capítulo conheceu uma verdadeira confrontação que sintetiza assim: espiritualidade contra psicologismo e estrutura contra liberdade.

Parece-me ser inútil detalhar demais, mas esta circular revela abertamente uma divisão do Instituto, muito mais antiga e cujos traços encontramos sobretudo a partir do generalato do Irmão Estratonique.Para abreviar e caricaturando, diremos que um “partido conservador” da espiritualidade-estrutura, parece ter determinado, durante um século a caminhada do Instituto sem, no entanto ter reduzido um partido antes “progressista” o do psicologismo-liberdade.

De fato, o que se passou no Concílio, se passa na Congregação, que terá o privilégio de ter um superior de sangue frio e apto a resolver, pela primeira vez, teoricamente, um dilema antigo na Congregação: como se adaptar, sem se renegar, como guardar o espírito do Instituto, sem as tradições que o tornam pesado?

Uma primeira evolução conceitual aparece na 4a. parte da circular de 2 de janeiro de 1968 – de fato, de 2 de julho (Cf Cronologia) intitulada “Um capítulo para o mundo de hoje “que faz a Congregação abandonar a velha visão de mundo corrompido do qual é preciso se preservar, para oferecer a de um mundo que chama e no qual devemos ser “sacramento e fermento” (p 339).

Na quinta parte da circular, que aparece apenas no dia 1° de novembro de 1969, trata dos apelos da Igreja e do Fundador”. A conclusão (p 652) anuncia uma nova maneira de ser marista:

Os Irmãos podem estar seguros de que estamos nos deslocando em direção a formas de vida menos legalistas, apostolicamente mais ousadas, mais inseridas numa socialização profissional crescente: com formas exteriores mais livres e mais independentes”.

Acrescenta que tal mudança “terá como conseqüência crises vocacionais porque se trata não apenas de nível, mas de estilo e mesmo de sistema”.

Por estas palavras se opõe a toda a tradição das circulares que afirmavam que havia apenas um sistema legítimo e que era necessário mantê-lo a todo custo. Ao mesmo tempo, implicitamente, desliga a espiritualidade do sistema: mudar de sistema não é prejudicar a espiritualidade mas, pelo contrário, é criar uma nova interpretação da mesma.

Na circular de 1º de julho de 1971 que presta contas da Conferência Geral retoma explicitamente esta idéia, sobretudo na conferência de abertura dirigida aos Provinciais. (p. 344-399). Diz claramente que o Instituto deve proceder a uma mudança de mentalidade uma metanóia ou conversão institucional (p. 345). De qualquer forma, não como escolher: Assistimos a uma transformação da vida religiosa, não no essencial, mas no acidental; não no seu aspecto evangélico, mas no seu aspecto cultural.

Com relação à vida religiosa, assistimos a um despojamento das formas precedentes e a uma nova formulação das mesmas (p 346).

A circular de 25 de dezembro de 1975, sobre o “Espírito do Instituto”, é muito importante porque indica com precisão, o sentido de uma fórmula reivindicada sem cessar, desde os tempos do Fundador para definir o coração da espiritualidade marista. É uma tomada de posição clara a respeito do que é a espiritualidade marista pois distingue claramente entre espírito, carisma e espiritualidade. (p 174-176). Em seguida, insiste sobre o fato que a espiritualidade de Champagnat, sacerdote e Padre Marista, não é exatamente a nossa. Convida-nos também a relativizar nosso espírito, em face do evangelho e da história. Reconhece também que muitas vezes, “a passagem do plano espiritual para o psicológico, nem sempre deu bons resultados”. (p 189) Termina tentando apresentar o esquema de uma humildade, uma simplicidade e uma modéstia repensados para um novo contexto.

Em outras circulares o Irmão Basílio procurará reinterpretar outros aspectos fundamentais de nossa identidade. Por exemplo, nossa relação a Maria em “ Novo espaço para Maria”(t 26, 8 de setembro de 1976). Há também a estranha e gigantesca circular sobre a fidelidade (8 de setembro de 1984), meditação sobre a vocação do Irmão Marista não a partir do ideal, mas do testemunho dos Irmãos.

Assim, pela primeira vez e de forma sistemática, um superior se debruça sobre a vida marista, não tal qual deveria ser vivida, mas como o foi, com todas as grandezas e carências das pessoas e da Instituição.

O Irmão Basílio trabalhou magistralmente para que o Instituto pudesse se repensar inteiramente.

Pela circular sobre a espiritualidade marista apostólica, em 1992-93, o Irmão Charles Howard conclui esta etapa de tentativa de redefinição começada com o Irmão Charles-Raphaël. O apêndice da primeira parte da circular (pp. 525 a 532) em particular, é excelente síntese da história da passagem do espírito à espiritualidade marista.



Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal