As mães são todas iguais e os filhos tambéM



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AS MÃES SÃO TODAS IGUAIS...

... E OS FILHOS TAMBÉM.

Lucineia Grugiki

APRESENTAÇÃO
Este não é um livro de receitas. Trata-se da materialização de um desejo enorme de compartilhar com inúmeras mulheres, mães como eu, que vivem o desalento de verem seus amados filhos enveredarem por caminhos jamais desejados para eles, assim como me aconteceu.

Nós mulheres, em sua maioria ou unanimidade, sonhamos com a prerrogativa de gerarmos filhos e, quando isso acontece, continuamos a sonhar com seu nascimento e futuro.

Algumas de nós, mais afortunadas que outras trazemos conosco o conhecimento do poder da oração e das palavras proferidas para o bem e desde logo fazemos uso desse abençoado recurso. As outras sofrem a desesperança da falta de conhecimento das maravilhosas promessas de Deus para a vida de seus fiéis, acreditando estar tudo perdido, conformando-se com filosofias humanas, produzidas pela falta de visão espiritual.

Estes escritos são o testemunho de uma mulher, mãe, que abençoadamente foi agraciada com esse conhecimento e essa visão espiritual e, conforme está escrito no evangelho segundo Mateus, 10, versículo 8, parte b, “De graça recebeste, de graça daí”, farei como o apóstolo Paulo diz em sua primeira carta aos coríntios, capítulo 11, versículo 23 “ Porque eu recebi do Senhor, o que também vos ensinei...”

Assim, na orientação do Espírito Santo de Deus e no meu mais íntimo querer bem, desejo que este livro seja um canal de bênção e restauração às mães que procuram um milagre para a vida de seus tão amados filhos. Ele existe, já foi liberado e está à espera de sua fé. Amém!

ORAÇÃO

Pai, esta é a Tua Palavra. Quero te pedir que neste momento, de forma tão gloriosa, Tu venhas vivificá-la no meu coração, alcançando a minha vida. Alcança pais, mães e filhos de um modo muito especial.

Senhor, por amor do Teu nome quero pedir que a Tua Palavra, que é viva e eficaz, realize obras maravilhosas em cada coração que tiver contato com este instrumento de evangelização.

Em nome de Jesus e para a glória d”Ele é que faço esta oração e este trabalho. Amém.



Capítulo I

Para início de conversa...


“Saindo daquele lugar, Jesus retirou-se para a região de Tiro e de Sidom. Uma mulher Cananéia, natural dali, veio a ele, gritando:

‘Senhor, filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está endemoninhada e está sofrendo muito’.

Mas Jesus não lhe respondeu palavra. Então seus discípulos se aproximaram dele e pediram: “manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós”.

Ele respondeu: “Eu fui enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel”.

A mulher veio, adorou-o de joelhos e disse: “senhor, ajuda-me!”

Ele respondeu: “Não é certo tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”.

Disse ela, porém: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos”.

Jesus respondeu: “Mulher, grande é a sua fé! Seja feito conforme você deseja”. E naquele mesmo instante sua filha foi curada.

Mateus: 15: 21-28.
Amada, não poderia começar nossa conversa sem apresentar-lhes uma das cenas mais belas, que produziu um dos mais espirituais diálogos entre Jesus e um mortal. Só poderia mesmo ser provocado por uma mulher, de predicativo mãe.

Os versículos citados me foram apresentados num período em que todas as coisas em minha vida seguiam seu curso normal: estava empregada, saudável, bem casada, três filhos lindos, também saudáveis e puros, como toda criança é. Ouvi a mensagem, achei-a espetacular, usei-a em pregação uma vez, num culto de senhoras, mas ainda não sabia o quanto ela significaria para minha vida. Assim lhe dou a primeira informação direta, discernida pelo Espírito Santo: todas as palavras de Deus que chegam até você são suprimentos espirituais para serem usados cotidianamente ou armazenados para dias de recessão. Como disse o profeta Isaías “Assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei”. Is. 55: 11

Então aprendi mais um pouco do Deus soberano que professo, fiquei maravilhada com aquele conhecimento e, mesmo sem saber, armazenei-o no coração, pois o Pai sabia que eu precisaria desse conhecimento um dia. Louvado seja Deus em sua Onisciência!


Capítulo II
Casei-me em 1984 e neste mesmo ano tive minha primeira filha. Em 1986 nasceu meu segundo filho e em 1987, a terceira e caçula. Para cada um deles uma gravidez e um enxoval diferentes. E mais: muitos sonhos! Cada um mais bonito e mais material que outro. Seriam doutores, teriam vidas prósperas e, é claro, seriam adultos lindos que fariam excelentes casamentos e viveríamos assim, sem grandes preocupações. Também seriam bons cristãos, assim como seus pais e demais membros de sua família. Cristãos de irem de vez em quando à igreja e não cometer as proibições contidas nos dez mandamentos. Pronto!

Meu segundo filho, logo após o nascimento, apresentou uma inflamação no olhinho esquerdo que certamente o incomodava muito mais que a mim. Levei-o a alguns pediatras que diziam tratar-se de uma conjuntivite pós parto. Prescreviam um colírio que eu usava até acabar e o efeito esperado não acontecia. Foram três meses de pediatra a pediatra até que decidi levá-lo a um oftalmologista que diagnosticou uma inflamação da via lacrimal, muito comum em bebês, descartando a conjuntivite antes diagnosticada, uma vez que ele havia nascido de cesariana. No alvo!

Este mesmo filho, por longos dois anos, estava sempre choramingando, como se estivesse sempre insatisfeito sem que ele e nós soubéssemos o motivo de tanta insatisfação.

A partir de seus três anos, tornou-se uma criança agradável, bem-humorada e muito companheiro das irmãs. Tinha sempre um sorriso cativante e um espírito prestativo e solidário.

Na escola, a parir da segunda série, começou a ter problemas com sua escrita, tanto era desorganizada quanto apresentava evidências de dislexia. Fato que me deixava muito aborrecida e frustrada, sendo eu uma professora de Língua Portuguesa e alfabetizadora. Todas as noites ele e eu passávamos por horas desagradáveis de correção da escrita do dia, com muita repreensão sem a sabedoria necessária de minha parte. No meu nervoso, agredia-o com palavras duras, puxões de orelha e algumas tapas também. Não logrei êxito com essas atitudes. Ao contrário, produzi em meu filho aversão ao estudo, especialmente ao estudo da Língua Portuguesa. Durante o Ensino fundamental se manteve regular na aprendizagem e um ótimo filho. Sempre de bom-humor e solícito. Muito caseiro e companheiro do pai. Não reprovou em nenhuma série, mas também não valorizou os anos de escola.

Chegou a adolescência e as coisas pioraram para nós. No Ensino médio foram só aborrecimentos e desafios às normas de convivência da escola e de casa. Isso era motivo para que houvesse uma lacuna entre nós dois. Acrescenta-se ainda o fato de eu trabalhar na mesma escola em que ele estudava. Era uma tremenda saia justa.

Estava instalado o caos!

Fiz esse breve relato de uma experiência familiar para que você saiba querida, que há um pouco de verdade naquele dito popular de que “todas as mães são iguais, só o que muda é o endereço”.

Os problemas que você enfrenta com seus filhos são recorrentes. Outras tantas mães vivem ou viveram também esses dias difíceis. O que muda além do endereço do problema é o endereço onde você tratará o problema. É sobre esse endereçamento de problemas que vamos conversar.

O período de Ensino médio de meu filho foi de 2001 a 2003. Neste último ano, mudei meu horário de trabalho na escola, o que nos afastou ainda mais. Passei a ficar todo o dia e a noite no trabalho. Via meus filhos somente nos intervalos e finais de semana. Nesse período a mais velha estava estudando em outro estado e nossa única companheira era a filha caçula.

Em 2004, ao completar 18 anos, meu filho já estava completamente outra pessoa. Definitivamente não era aquele o meu filho! Não falava mais conosco, saía de casa sem dizer aonde ia, não quis mais trabalhar nem estudar. Oferecíamos a ele a oportunidade de fazer faculdade ou um curso técnico e sempre nos vinha negativas. Apelamos para a psicologia do diálogo, depois para o discussólogo e, como atitude extremista, o isolamento. E nada! Meu filho continuava imune às nossas ações e reações. Ele se bastava. Melhor. Ele e seus amigos se bastavam.

Todos os dias eu tinha uma confusão com ele. Começava a conversar com ele em tom de conciliação, mas diante da indiferença que demonstrava, me alterava e lhe dizia que preferia as amizades à família, que valorizava o que recebia deles, desprezando os conselhos de pai e mãe e todo aquele descortinar de frustração que você conhece muito bem.

Em 2005 veio o golpe de misericórdia. Ele se tornou membro de banda de música regue. Eram uns dez cuja fama não era das melhores. O ritmo, a aparência e o histórico de alguns certificavam a característica do grupo.

Quase não via mais meu filho. Durante os dias úteis eram os ensaios. Finais de semana, as apresentações. Alguns outros dias, outros motivos para estar fora de casa.

Alguns acontecimentos desagradáveis e graves envolvendo seus companheiros de banda iam acontecendo. Meu coração se apertava mais e mais. Suas atitudes em casa o afastava sempre mais de nós. Era como se não fizesse mais parte de nossa família.

Num domingo pela manhã, antes de sair para a escola bíblica dominical, pedi-lhe um favor importante ao que ele respondeu de forma malcriada, recusando-se a fazer.

Foi o limite da tolerância! Numa explosão de nervos e frustração, falei-lhe que se não podia ser solidário com sua família era porque não fazia parte dela, sendo assim, não havia mais lugar na casa para ele e que deveria preparar suas coisas e ir embora. Dito isso, saí com a caçula e meu marido para a igreja. Nessa época eu ministrava para os juniores ( classe de crianças de 7 a 12 anos).

Foi uma manhã angustiante. Trabalhava com os pequenos, mas meu coração e pensamentos estavam em meu filho. Ao retornarmos, ele realmente havia saído de casa. O guarda-roupa estava vazio e suas coisas guardadas em sacolas na parte inferior da casa. Meu mundo ruiu. O sofrimento me preencheu. Não acreditava que fosse embora. Quis fazer apenas um tratamento de choque nele e acabei vítima de minha terapia.

Aguardei todo o dia que aparecesse e desistisse da idéia, mas não deu as caras. Nada de notícias dele naquele dia. Ele deve voltar amanhã, pensei.

Segunda-feira chegou e se foi e meu filho não deu notícias.

No dia seguinte procurei um de seus amigos e músico da tal banda e ele me informou o paradeiro do meu menino. Foi um choque para mim. Ele estava vivendo na casa de um ex- aluno meu, viciado em maconha e que também era da banda. Não imaginara coisa assim. Tinha esperança de que todo aquele desvio de comportamento fosse uma rebeldia da idade ou mesmo sem causa. Tive medo do que descobriria, mesmo assim perguntei ao outro se meu filho também usava drogas. Precisava ouvir. Só deduzir nunca é o suficiente para as mães. O amigo de meu filho confirmou a suspeita e descobri o significado mais literal da expressão “fora do ar”. Fiquei assim. Como se estivesse fora do meu corpo e dentro de furacão de desespero. Meu Filho! Meu menino. Aquele meigo e bem-humorado garoto de sorriso tão cativante! A dor era inexplicável. Não era de parto, pois praticamente não a tive. Não tinha semelhança com dor de dente, nem de ouvido, nem de cólica, nem de ferimento algum. Todas essas dores são anestesiadas com analgésico e tem tempo de duração. A dor de ter um filho com problema crônico, como são os vícios é indescritível. Ore sempre a Deus para que não a tenha.

Era o dia vinte e seis de junho. O vigésimo primeiro aniversário de meu casamento. Claro que não foi um dia de festa. Era luto. Minha mente desenhava diante dos meus olhos as cenas de horror que poderiam ser produzidas por aquela descoberta. Saí dali e fui trabalhar. Fiquei fora à tarde e a noite e, ao voltar para casa, desabei.

No dia seguinte, o pai e eu fomos procurá-lo, mas não o encontramos na casa. Havia saído com o amigo para o trabalho. Fomos até o local do trabalho e lá não nos atendeu. Exigiu que fôssemos embora, pois não tinha nada mais conosco. A voz estava embargada de dor e revolta. Os olhos, antes tão meigos, estavam duros e apáticos.

Saímos dilacerados e sem esperança.

Durante trinta dias vivemos a agonia de termos um filho e um irmão fora de casa, susceptível a todo tipo de risco. Foram trinta dias de choro e desconsolo, mas também de oração diária em seu quarto, com profissão da vitória. Orava na certeza de que ele voltaria, pois fora Deus quem o deu para mim. Após esse período, ele retornou a casa e passou a ter uma postura mais amigável, porém continuou com o vício, nos causando muitas preocupações, chegando a ser preso, ficando detido por 11 dias.

Nessa mesma época em que ele esteve detido, descobrimos minha filha caçula grávida. Outra vez o mundo ruiu.

Bem, você deve estar se perguntando o que esse relato de infortúnios tem a ver com o texto bíblico que abre nossa conversa. Já lhe respondo.

Capítulo III


Há muito tempo venho sendo tocada por Deus para falar às mães a minha experiência com filho que tem um problema. Os filhos não são problemáticos. Eles têm problemas que podem durar mais ou menos tempo. Deus nos ensina que filhos são herança dele para nós e que, portanto, depende de nós, seus pais, cuidar dessa herança para que não perca seu valor. Deus nos confia seu maior orgulho da criação. A obra que fez à sua imagem e semelhança. Nossa responsabilidade como pais é maior que nossa vida.

Certa vez ouvi a pregação de um pastor sobre Davi e seus filhos. Ele falava sobre a negligência de Davi em perceber o interesse de Amnom por Tamar, seu definhar, até que cometesse incesto, incentivado por uma terceira personagem desta história de sofrimento e conseqüências desastrosas (II Samuel, capítulos 13 a 18). Só para ratificar, Amnom e Tamar eram irmãos, ambos filhos de Davi.

Evidentemente o rei Davi, conhecido como “o homem segundo o coração de Deus” é um exemplo de vida dedicada à obra de Deus, porém é inegável, também, que pela sua posição políticossocial e seu comprometimento com o bem estar de seu povo, sua relação familiar com seus tantos filhos e esposas ficava em segundo plano. O mesmo vem acontecendo conosco. Vivemos tempos de extrema exigência consumista, precisando de intensa dedicação ao trabalho, quando o temos ou à imensa frustração do desemprego que quase sempre a atenção à nossa família é relegada ao pouco tempo de que dispomos. Não vemos as urgências e necessidades de nossos filhos, cônjuges, irmãos e outros membros familiares, apenas lamentando tardiamente seus pecados.

Não se trata de uma página das lamentações. É uma página para reflexão. Deus nos confia vidas: a nossa e as das pessoas que caminham conosco. É preciso que estejamos atentos a elas. Mesmo que nos pareça impossível “tomar conta delas” devido ao livre arbítrio que cada um possui, Deus é “aquele poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera”. (Efésios, 3: 20).

Conhecendo esses versículos de ouvir falar e de lê-los como citação de alguns livros que li, passei a vivê-los como únicas certezas de minha vida.

Agradeço a Deus por haver me munido de suas palavras por tanto tempo, através das pregações de seus servos, pois no tempo exato em que precisei desesperadamente desse conhecimento, ele não me faltou.

Voltemos à mulher Cananéia. Passemos a analisar cada informação do texto.
Primeira: Jesus está sempre onde precisamos Dele.

Veja que a bíblia nos diz que Ele se deslocou do lugar em que estava para a região em que estava aquela mulher. Nesse tempo Jesus era limitado em sua onipresença pela condição humana que havia assumido. Em nosso tempo, se crermos e o buscarmos, estará conosco até o fim dos tempos, como nos prometeu, pois é espírito. É Deus triuno: sabedoria, presença e poder. É isto que Ele nos oferece.

Todo o tempo Jesus está se dirigindo para você e para mim.
Segunda: A mulher, ao saber da presença de Jesus em sua região, veio a Ele.

Esta primeira alusão à mulher não nos dá detalhes a seu respeito. Se parássemos a leitura neste ponto, poderíamos pensar que ela havia se aproximado de Jesus apenas por saber quem Ele era. Despretensiosamente. Apenas para adorá-lo. Reconhecera sua majestade, ficou emocionada em saber que Ele estava perto dela, correu ao seu encontro.

Alguns diriam: “Para esta mulher se aproximar de Jesus, só pode estar precisando de socorro!”

Criou-se entre os homens a verdade de que Jesus é nossa derradeira esperança. Há quem diga “só Jesus!” ou ainda “Nem Jesus!”.

A verdade é que Jesus é a única esperança que temos para todos os momentos e eventos de nossas vidas. Ele é o Alfa e o Ômega. O Salvador.

Devemos tatuar em nossas mentes e corações que somente pelas misericórdias do Senhor é que temos amanhecer e anoitecer, chuva e sol, companhia e solidão, vida e morte. Que fiquem muito claras para nós as palavras que encontramos no livro de Jó, capítulo 14, 1-6, especialmente nos dois primeiros versículos: “O homem nascido de mulher vive pouco tempo e passa por muitas dificuldades. Brota como a flor e murcha. Vai-se como a sombra passageira; não dura muito.”

Assim somos sem a presença de Jesus em nossas vidas. É pena que muitas pessoas só gritem por Jesus quando já estão perdendo a esperança.

A mulher foi até Jesus e lhe contou o sofrimento que estava vivendo.

Conte a Jesus todas as coisas de sua vida. O sofrimento, mas também as alegrias. Vá até Jesus em todo o tempo. Seja na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza.

Em Salmos 34, versículos 1 a 3, o salmista diz: “ Bendirei o Senhor o tempo todo! Os meus lábios sempre o louvarão. Minha alma se gloriará no Senhor; ouçam os oprimidos e se alegrem. Proclamem a grandeza do Senhor comigo; juntos exaltemos seu nome”.

Vá sempre até Jesus!

Terceira: O silêncio de Jesus é preparação do milagre.

Jesus não lhe respondeu palavra, mas em seu coração estava preparando o milagre. Ele ouviu a súplica, avaliou a gravidade e imaginou a estratégia de ação. Saiba de uma coisa, querida: as nossas vitórias são fabricadas no coração de Deus. As lutas são diversas. As vitórias também. São pares. São o côncavo e o convexo. A vitória se sobrepõe à luta e fecha o círculo.

Há aqueles que não entendem o silêncio de Jesus.

A mulher ficou ali aguardando a reação de Cristo. Talvez tenha pensado: “Estou aqui desesperada pedindo-lhe socorro e Ele fica assim, calado, como se não tivesse me ouvido? Será que não gritei o suficiente? Ou não falo a sua língua?

Todos falam desse Jesus que ensina multidões com seu discurso e parábolas, que venceu a tentação de Satanás no deserto, que foi batizado por João Batista e o espírito de Deus se manifestou sobre Ele, que opera maravilhas, que cura cego, endemoninhado, leproso, paralítico, mudo, acalma tempestade, tem poder sobre a vida e a morte e agora que venho até Ele, pedindo-lhe que me faça o que fez a outros, fica assim, calado? Não há impossíveis para Ele! Por que não me responde?”

Aprenda uma coisa com a palavra de Deus: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido agravado, para não poder ouvir”. (Is. 59.1). Quando apresentamos ao senhor nossas alegrias ou nossas dores, Ele não fica impassível. Alegra-se ou se entristece conosco. Jamais fica indiferente à voz de uma ovelha.

Quando Lázaro morreu e Maria, em sua dor da perda, foi até Jesus e lançou-se aos seus pés, chorando, a bíblia descreve uma comovente cena: “Jesus, pois quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se.” (João, 11:33). Continuando a leitura do capítulo, tomamos conhecimento da reação da multidão ao testemunhar o grande amor de Cristo por aquela família e a expectativa deles em saber o que Ele faria em benefício dos irmãos.

O cristo diante do qual Maria se prostrou e chorou é o mesmo que conhecemos. Tem os mesmos sentimentos e os mesmos sentidos: vê a nossa dor, ouve o nosso clamor e se comove diante do nosso sofrimento. E mais! Não nos deixa desamparados nem envergonhados ante as expectativas daqueles que põe nossa fé em questão.

A multidão que acompanhava Maria e sabia de seu amor, respeito e confiança em Jesus, logo quiseram ver o agir d’Ele naquela circunstância da vida daquela família.

Aquelas duas irmãs haviam esperado por pelo menos quatro dias para ver a glória de Deus manifesta sobre a morte do irmão. Não sei quanto tempo você está esperando para ver a glória do Senhor se manifestando para operar o milagre que pede. Eu esperei quatro anos pelo milagre de ver meu querido filho liberto do vício. Espero há mais de vinte anos para ver a conversão do meu esposo e de quase todos os meus familiares, mas tenho ecoando em meus ouvidos as palavras de Jesus à Marta: “Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?”

Jesus ressuscitou Lázaro! Aleluia! O que Ele não fará por você e por mim? Por que não ouviria seu lamento e o meu?

Seja qual for a situação que esteja lhe entristecendo, Deus agirá favoravelmente a você. Creia e ore sempre. Não haverá distância nem tempo que impedirá Deus de lhe abençoar. Tem sido assim comigo e será também com você. Glória Deus!
Quarta: Não desanime com a demora do milagre

Os discípulos provavelmente entenderam o silêncio de Jesus como enfado. Talvez pensaram: “Puxa vida! Acabamos de ter um embate com os fariseus que testaram de todas as formas a sabedoria do Mestre, fizemos a jornada de Cafarnaum até aqui, atravessando toda a Galileia e esta senhora vem nos incomodar também?!”

Diante do silêncio de Jesus e da insistência da mulher, acreditando tomar a melhor decisão para o momento foram logo falando: “Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós”.

É muito comum quando temos uma tarefa importante, difícil ou urgente nos concentrarmos nela de tal maneira que parece que ficamos “isolados” do restante das pessoas enquanto dura nossa ocupação. É assim que entendo o silêncio de Deus enquanto oro por uma causa. Não duvido do seu poder nem desanimo de esperar o seu agir. Sei que virá. Muitos poderão ser os agentes que nos desanimam: uma fala de incredulidade, nossa ansiedade em receber a graça,

nossa natureza pecaminosa se sobrepondo à nossa fé... Muita coisa poderá nos impedir de continuar nossa busca pelo milagre que precisamos.

Aquela mulher Cananéia teve como obstáculo a irritação dos discípulos que logo decidiram que ela deveria ser mandada embora da presença de Jesus. E mais! Quando Jesus resolveu falar, foi ainda pior para ela. Foi uma fala que poderia tê-la feito voltar ou desencantada e revoltada com Jesus, afinal fora até Ele crendo que se importaria com seu problema e curaria sua filha ou deprimida, sentindo-se rejeitada, inferiorizada, dando a batalha que vinha empreitando pela restauração de sua filha como derrota certa. Tudo estava perdido! Antes pensara “Só Jesus!”. Após as palavras de Jesus, poderia ter pensado: “Nem Jesus!”

Muitos foram os obstáculos que os fiéis de Deus encontraram para testar sua fé. Moisés teve como obstáculo o mar vermelho. Josué teve o rio Jordão, Jericó e outras fortalezas em seu caminho para a terra prometida. Davi teve Saul e outros reis e reinos para derrubar e, assim construir sua história. José foi incomodado, primeiro por seus irmãos, depois por uma mulher falsa, mas manteve em seu coração a presença do Deus de seu pai. Deus justo, fiel e de maravilhas. Sabia que os infortúnios que vivia eram contemplados por aquele que não dorme nem toscaneja, o guarda de Israel. Daniel enfrentou leões. Ester desafiou a majestade do rei Assuero para garantir a segurança dos judeus, livrando-os do ódio de Hamã. Paulo era constantemente perseguido e por várias vezes tentaram contra sua vida. Leia a bíblia e verá que todos os nossos irmãos que tiveram vitórias, antes tiveram lutas e muitos obstáculos para superá-las, porque a luta é para o homem. O vencer vem de Deus. Em II Crônicas, capítulo 20, versículo 17 a, Deus mesmo nos diz: “Nesta peleja não tereis que pelejar; parai, estai em pé, e vede a salvação do Senhor para convosco...”
Quinta: Manter-se firme na presença de Jesus

Minha amada, louvado seja Deus pela vida dessa mulher e pelo o que ela pôde nos ensinar!

Deus é supremo. O grande Eu Sou. Imutável. Assim como era no princípio, é hoje e sempre será, porém não resiste a um coração quebrantado, especialmente coração de mãe.

Quando Jesus diz àquela mulher que veio apenas para as ovelhas perdidas de Israel, imagino que coração dela gelou. Em seu peito veio-lhe aquela sensação de desalento que conhecemos muito bem quando somos assaltadas pelo medo de termos fracassado em uma empreitada. Ela, no entanto se manteve firme na presença de Jesus. Firme, porém humilde. A palavra de Deus diz “A mulher veio e adorou-o de joelhos e disse: ‘Senhor, ajuda-me! ’

Não pense que Jesus lhe falou assim somente para dispensá-la ou humilhá-la. O Senhor não tem prazer em nos ver humilhados. Seu prazer está em nos ver demonstrar nossa fé incondicional n’Ele.

O profeta Habacuque, no capítulo 3, versículos 17 e 18, nos ensina o que é ter fé incondicionalmente no poder do Senhor. Ele disse: “Porquanto, ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas; todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação.”

Vemos a mesma fé revelada no livro de Daniel, capítulo 3, pelos jovens Sadraque, Mesaque e Abednego, quando ameaçados de serem lançados dentro do fogo ardente por se recusarem a adorar a estátua de ouro que Nabucodonosor fez. Mantiveram-se firmes ao que aprenderam sobre o Deus de seus pais e disseram ao rei “Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará do forno de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. E, Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste.”

Oh, glória! Que exemplo de fé, minha querida! Isto é o que agrada a Deus. Aquela mulher ao se prostrar diante de Jesus estava declarando “Eu creio que podes curar minha filha, e, mesmo que tenhas vindo somente para curar e livrar os israelitas, mesmo sendo de outra tribo, prostro-me diante de Ti porque sei o poder que tens para realizar o impossível.

Como fez Jacó no vale de Jaboque, aquela mãe decidiu não deixar que Jesus dissesse a palavra final sem a abençoar e retrucou humildemente: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos”.

Podemos entender a insistência daquela mãe que mesmo quando aos nossos olhos e aos dos que nos contemplam uma situação de derrota parece nos ter sido decretada, se nos mantivermos na presença de Jesus, insistindo em nossa oração, especialmente buscando o bem de outros em intercessão, não seremos dispensados da presença divina sem o que buscamos.

Abraão no livro de Gênesis, capítulo 18, dos versículos 23 ao 33, insiste com Deus em intercessão pelos seres de Sodoma e Gomorra. Deus anunciou a destruição daquelas duas cidades a Abraão. Deus deixou claro que Abraão era justo e instruiria sua casa para guardar a sua vontade. Entende-se que Abraão e sua casa seriam salvos. Estava decidido. A bíblia diz que “... mas Abraão ficou ainda em pé diante da face do Senhor.” (v.22, b).

Os versículos de 23 a 33 relatam a insistente intercessão de Abraão pelo povo e o pacto que Deus faz com Abraão em vista de seus argumentos de intercessão.

Não desistamos de nossas intercessões! O Senhor mesmo nos exorta a apresentarmos a Ele as nossas razões para que nos justifique. (Is. 43, 26). Aprendamos, querida, a achegarmo-nos a Deus conforme Ele mesmo nos tem orientado.

Sexta: A recompensa da fé em Jesus

Ainda aos pés de Jesus, sob os protestos dos discípulos e a aparente negativa do Messias, certamente em desespero de causa e pranto, aquela mãe, que deixara sua filha mal em casa, seus todos os afazeres parados e pusera a buscar o Salvador com toda a fé que possuía, sem se importar com os obstáculos que poderiam limitar seu encontro com Ele, apenas antecipando o milagre que receberia daquele poderoso Ser, ouviu, como se flutuasse:

“Ó, mulher! Grande é a tua fé: seja isso feito para contigo como tu desejas...”

Ah, minha irmã! O que tem desejado em suas orações? Qual nível de fé tem investido nas orações? Como tem se colocado na presença de Jesus? Quais os seus argumentos? Como os tem apresentado a Deus?

O senhor Jesus nos tem ensinado: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”. (João, 14:13) Amém!

O maravilhoso desse final de diálogo entre Jesus e a mãe Cananéia que tinha uma filha com graves problemas é que Jesus lhe diz: “... seja isso feito para contigo como tu desejas.” A bíblia nos diz que “desde àquela hora a sua filha ficou sã.”

A mãe aos pés de Jesus e a filha em casa sendo curada. Não temos conhecimento da idade daquela filha nem de quanto tempo sua mãe buscara sua cura, mas ao final da leitura dos versículos tomamos conhecimento do milagre.

Milagre é assim. Feito por completo. A nós não se revela o tempo que o antecede. Apenas seu resultado final. Não nos interessa conhecer o processo de construção do milagre. Não somos nós que o fazemos. É Deus, em seu poder e infinita misericórdia por nós que se encarrega de realizar o impossível. A nós está destinada a firmeza da fé e a alegria de testemunhar a glória do Senhor em nossas vidas e na vida de todo aquele que crer. Aleluia!

Toda a minha vida tem sido de realizações de milagres de Deus. Meu nascimento, a harmonia em meu casamento, a vida de meu esposo e salvação de nossas vidas.

Há mais de vinte anos conheci o Deus de Abraão, de Isaque, de Jacó, da mãe Cananéia, do pastor Gerson e sua esposa Maria e de tantos outros servos fiéis que o glorificam com o testemunho de suas vidas. Há mais de vinte anos venho aprendendo, a cada dia, conhecê-lo mais.

Por quatro anos estive, como a mãe Cananéia, aguardando o milagre de Jesus na vida do meu filho e, por todo esse tempo, proferia minhas orações lembrando ao Senhor suas promessas para comigo. Não porque eu as merecesse, mas porque Ele as prometeu a todos quanto crêem n’Ele.



CONSIDERAÇÕES FINAIS
É, minha querida, a maternidade é uma bênção e também uma grande e eterna responsabilidade.

Quando o Todo Poderoso nos concede a graça de gerarmos uma nova vida é porque Ele conta conosco para cumprir o propósito d’Ele nessa vida.

Quando Deus criou todas as maravilhas do universo e viu que eram boas, criou também o Homem e o colocou como responsável por todas as coisas. Ele poderia ter entregado essa missão aos anjos, mas preferiu escolher o ser humano. Ele escolheu a você e a mim para cuidarmos dos filhos que vai permitindo à luz do mundo. É por este motivo que você e eu precisamos conhecer a perfeita e agradável vontade de Deus para a vida de nossos filhos. E como adquirir tal conhecimento? Conhecendo a palavra d’Ele. Lendo a bíblia, ouvindo palestras sobre ela e comungando com pessoas com os mesmos interesses em conhecer a Deus.

Se Ele nos deu é porque acredita que poderemos fazer o melhor.

A você que, assim como Ana de Elcana ( I Samuel 20) aspira por um filho, dedique momentos de oração por ele. Busque a intimidade com Deus e profira orações de bênçãos acerca dele. Determine que sua criança seja uma pessoa da qual Deus se comprazerá. Vislumbre o Espírito Santo sobre ela e o Pai Celestial a dizer: “Este é meu filho amado ou minha filha amada na qual me comprazo”.

A você que já tem seus pequenos, faça como aquelas mães citadas nos evangelhos, que levaram suas crianças até Jesus para que fossem tocadas por Ele. Não apenas para serem tocadas por Ele, mas também, para tocá-Lo e receberem virtude, ouvindo-O dizer: Deixem vir a mim as criancinhas, não as impeçam; pois pertencem ao Reino de Deus”. Para em seguida tomá-las no braço e abençoá-las.

A você que tem seu bebê crescido, fazendo uso de seu livre arbítrio, muitas vezes se afastando de Deus, faça como a mãe Cananéia, ou como o próprio Jesus no evangelho de João 17. Ore para que onde quer que estejam sejam guardados pelo Pai, em nome de Jesus, confessando que, enquanto você pode influenciar em suas vidas, você deu a eles a palavra da salvação. Agora que já fazem suas escolhas, que não sejam ceifados pelo mundo, mas livres de todos os perigos e pecados que o mundo lhes oferece.

Nossos filhos não são para o mundo. Eles vieram de Deus. Eles são de Deus.

Aleluia!

Lucineia da Penha Alves Grugiki é colatinense de nascimento e aracruzense por determinação do Todo Poderoso.

Mãe de duas filhas e um filho e avó de um lindo garotinho de olhos meigos.

Compartilha suas alegrias e provações com seu esposo, seu pastor e irmãos na fé.



Professora na EEEFM “PRIMO BITTI”, em Coqueiral, Aracruz – ES, convive diariamente com adolescentes e jovens, suas mães e as dificuldades de convivência que se agigantam a cada dia em seus relacionamentos, pessoas e fatos que lhe impulsionaram a fazer os relatos contidos neste livro.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES À VIDA CRISTÃ

ONDE ENCONTRAR NA BÍBLIA SOBRE:

Família:

Js 24:15

Escolha servir a Deus como família

Sl 128

Uma bênção sobre família

Sl 133:1

Vivam em união

Pv 31:10-31

O caráter da mulher exemplar é elogiado

Rm 12:10

Dediquem-se uns aos outros; honrem uns aos outros

Gl 6:10

Façam o bem a todos,principalmente aos da família de Deus

Ef 5:21

“Sujeitem-se uns aos outros”

Ef 5:31

Instituição da família

Ef 6:23

“Honra teu pai e tua mãe”


Filhos:




Dt 4:9

Ensine seus filhos e netos

Sl 115:14-15

Uma bênção que expressa o desejo de multiplicação de sua família

Sl 127: 3-5

“Os filhos são herança do Senhor”

Mt 19: 14

Jesus chama as crianças para perto d’Ele

2Jo 4

Os filhos que andam na verdade trazem alegria


Proteção:




Sl 23:4

A vara e o cajado de Deus nos protegem

Sl 40:11

O amor e a verdade de Deus nos protegem

Sl 91:1

Deus é o nosso abrigo

Sl 121: 7-8

Deus nos vigia para nos proteger de todo o mal

Is 41:10

Deus nos fortalecerá e nos ajudará

Is 43:1-3

Deus promete nos proteger


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