As relaçÕes entre textos



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ALGUNS ASPECTOS SOBRE A HETEROGENEIDADE DE VOZES
Segundo Savioli e Fiorin1, “todo texto é produto de uma criação coletiva: a voz do seu produtor se manifesta ao lado de um coro de outras vozes que já trataram do mesmo tema e com as quais se põe em acordo ou desacordo.” Isso significa que um texto não surge do nada. “Os textos têm a propriedade intrínseca de se constituir a partir de outros textos. Por isso, todos eles são atravessados, ocupados, habitados pelo discurso do outro.” Ou seja, todo texto se constitui pelas vozes vindas de outros textos.

Isso pode ser observado, por exemplo, quando um professor cita um texto de algum autor, quando uma obra literária é adaptada para o cinema, quando um escritor ou compositor comete o plágio, quando um texto é traduzido, quando um autor faz uma paródia de um texto de outro autor, quando dizemos um provérbio durante uma conversa, quando reafirmamos ou negamos algo, quando ironizamos, etc.

Algumas vezes, a presença da voz do outro (um trecho de outro texto, por exemplo) é mostrada de tal forma que se pode perceber o limite entre a voz de quem fala ou escreve e a voz que é citada. Isso acontece, por exemplo, numa citação como esta, feita por um aluno:
Com a pesquisa, descobri que Faraco e Moura, em sua Gramática definem o artigo como “a palavra que se antepõe ao substantivo para definir ou indefinir o ser nomeado por este substantivo”, mas esta definição pode ser ampliada.
Como se pode perceber, neste pequeno texto, a voz do outro texto está demarcada pelas aspas. O que também poderia ter sido feito pelo uso de itálico ou negrito:
Com a pesquisa, descobri que Faraco e Moura, em sua Gramática definem o artigo como a palavra que se antepõe ao substantivo para definir ou indefinir o ser nomeado por este substantivo, mas esta definição pode ser ampliada.
Ou seja, neste tipo de citação (chamada literal), é clara a separação entre a voz dos autores citados e a voz do autor-aluno, o que pode ser representado num esquema assim:


Com a pesquisa, descobri que Faraco e Moura, em sua Gramática definem o artigo como
, mas esta definição pode ser ampliada.


a palavra que se antepõe ao substantivo para definir

ou indefinir o ser nomeado por este substantivo


Além disso, a fonte (autoria) do texto citado é apresentada, como se o autor dissesse: quem apresenta esta definição não sou eu, são eles: Faraco e Moura. A voz do outro é mostrada, demarcada e citada exatamente como foi dita, sem alterações.

Mas também pode acontecer a não-marcação do limite entre os espaços das duas vozes pelo uso de aspas e, mesmo assim, a multiplicidade de vozes ser percebida. É o caso das citações livres (também chamadas não-literais):
Faraco e Moura apresentam uma definição de artigo considerando a sua anteposição ao substantivo e a sua função definidora ou indefinidora do ser que este nomeia.
Neste caso, as palavras literais do texto fonte não podem ser recuperadas, mas é possível apreender um sentido global, ou, pelo menos, a interpretação que o aluno faz do texto fonte:


Faraco e Moura apresentam uma definição de artigo considerando a sua anteposição ao substantivo e a sua função definidora ou indefinidora do ser que este nomeia.






Artigo - anteposição ao substantivo

- função de definição ou indefinição do ser que o substantivo nomeia



Veja outros exemplos de heterogeneidade:


Caros Amigos: Como o senhor define a TV brasileira hoje?

Juca Ferreira, Ministro da Cultura: A TV é talvez o meio mais popular, um dos mais importantes. Mas a qualidade da televisão brasileira é muito baixa. 


O ministro da Cultura admite que a qualidade da televisão brasileira é baixa.

O ministro da Cultura denuncia que a qualidade da televisão brasileira é baixa.

Tarso desabafa: “Estou demitido e com uma missão cumprida”

(www.itelefonica.com.br. Acesso em 28/06/06)


Após demissão, ministro afirma estar com a missão cumprida.

Desapontado, o ministro Tarso Genro diz ter cumprido sua missão.



Negação
Não. Você está mentindo. Eu não colei na prova.
Neste caso, o que é negado é o que disse a outra voz:


Não. Você está mentindo. Eu não colei na prova.

Você colou na prova.

“Eu não estou gordo”. (Ronaldo Fenômeno – Folha On-line 16/06/2006, em resposta à exposição de caricaturas preparada em São Paulo, para homenagear os famosos jogadores de futebol do mundo.)


“Sou loira, mas não sou burra”. (Xuxa Meneghel, em 02/05/06, no TV Xuxa, da Rede Globo.- Fonte: Contigo on-line).

Contraposição:
Queria votar em A, pelo seu carisma, mas vou votar em B, por sua honestidade.
Ironia:

E uma forma menos visível ainda de delimitação dos espaços das vozes que constituem o texto é a ironia, que não deixa nenhuma marca e só pode ser percebida pelo ouvinte ou leitor quando este tem determinado conhecimento sobre o falante ou autor, sobre a situação de interlocução e sobre o mundo. Isso porque é preciso compreender que o falante está dizendo exatamente o contrário do que está falando. Veja o exemplo:


Meu filho, eu adoro quando você quebra meus vasos de cristal.


Meu filho, eu adoro quando você quebra meus vasos de cristal.

Eu odeio quando você quebra meus vasos de cristal.




Ronaldo fenômeno é o melhor artilheiro do mundo, agora só falta Parreira ensiná-lo como é que se fazem gols. (Bianca Santos, estudante, 19 anos, em resposta a uma entrevista à Folha, no Vale do Anhangabaú em São Paulo, em 14/06/06).
Adaptação:

Herrar é umano.



Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

O fígado faz muito mal à bebida.


Analise os textos a seguir:

Frustrado, goleiro Victor não se vê abaixo dos convocados


— Fiquei frustrado, muito chateado e desapontado. Mas estou concentrado aqui para o jogo com o Santos, muito motivado. Eu estava confiante nisso, mas é do futebol. Na hora que meu nome não saiu fiquei quieto, em silêncio. Falei com minha família e foi só.

Victor chegou a fazer uma análise de seu momento atual, eleito o melhor goleiro do país por dois anos seguidos:

— Não me vejo abaixo tecnicamente daqueles que foram convocados. Foi por questão pessoal, da preferência do técnico Dunga. Não estou falando em questão pessoal por não gostar de mim, foi de preferência. Se ele levou o Doni, mesmo não jogando, alguma coisa ele pensou com isso. 


A: Onde você estava semana passada?

B: Estava em São Paulo.






Ah! Eu sou um imbecil; muito bem, você não perde por esperar!




A: Eu não estou bem.

B: Eu não estou bem; não pense que você vai me convencer com isso.






A: Não preguei os olhos à noite

B: Pode ser que você não tenha dormido, mas, de qualquer forma, você roncou solenemente.






A: Pedro não parou de fumar.

B: É verdade, Pedro não parou de fumar, pois, de fato, ele nunca fumou na sua vida.






Não seja criança!




A: Vamos aproveitar o sol! Vamos à Redenção!

B: O sol está ótimo, mas tenho prova amanhã.




A internet e o fantasma de Margaret Thatcher

Marco Aurélio Weissheimer

O desenvolvimento da internet e de uma multiplicidade incessante de novas ferramentas abriram uma oportunidade inédita na história da humanidade: o ato de escrever foi massificado, ou a possibilidade dele ao menos. Por meio de correio eletrônico, blogs, Orkut, Facebook, Twitter e toda uma parafernália virtual, milhões de pessoas tornaram-se, senão escritores e jornalistas, autores diários de impressões, relatos, crônicas, ensaios, imagens e áudios. A explosão informacional é uma espécie de big bang em andamento, que ninguém sabe onde é mesmo que vai parar, se é que vai parar. Como costuma acontecer com todas as criações e invenções, essa novidade veio para o bem e para o mal. As vantagens já foram mais do que suficientemente cantadas em prosa e verso, portanto não seria ocioso nos determos um pouco em algumas das manifestações do lado escuro da força.

Uma crítica recorrente ao mundo “internético” consiste em afirmar que ele prejudica a vida social e coletiva, favorecendo o isolamento das pessoas na frente de seus computadores, de sua banda larga e suas ferramentas. Passados alguns anos da explosão das redes sociais, essa crítica parece improcedente. Se, no varejo, as pessoas permanecem mais tempo na frente do computador, no atacado as ferramentas virtuais vêm contribuindo para a articulação de grandes mobilizações e manifestações reais. O Facebook e o Twitter não fazem a revolução, mas dão uma mão significativa a ela, como foi demonstrado recentemente no Egito, na Espanha, nos Estados Unidos e em muitos outros países.


Essa coisa de sociedade não existe”

Mas há um outro tipo de isolamento, mais sutil, que não vem sendo suficientemente registrado. Trata-se do surgimento de um tipo de ativista individual, crítico das formas tradicionais de representação política, que aposta na sua capacidade de intervenção nas redes sociais e que acredita que pode mudar o mundo sem tomar o poder. Esses revolucionários virtuais carregam um paradoxo consigo: sua visão crítica do poder e da política tradicional acaba se aproximando perigosamente de uma máxima cultivada pela ex-premier britânica Margareth Thatcher, para quem “essa coisa de sociedade não existe”. O que existe, dizia Thatcher, são os indivíduos. A representação política, neste caso, no máximo, é uma formalidade a ser tolerada.

Nenhum ativista cibernético de esquerda admitirá que se filia a essa tradição, mas, na prática, ela vem ganhando espaço nas redes sociais de formas mais ou menos sutis. Uma das mais frequentes é acreditar que a militância individual e separada de um punhado de ativistas pode causar alguma transformação mais profunda. Já está provado que esse tipo de movimento pode ajudar a articular grandes mobilizações de rua. Daí a provocar mudanças na estrutura do poder político-econômico, há uma grande distância. As mobilizações do Egito e da Espanha mostraram isso de forma exemplar. Passado o período das multidões de jovens nas ruas e da queda do ditador (no caso do Egito), veio o período das eleições. E aí venceram as estruturas políticas centralizadas e tradicionais: na Espanha, a direita do Partido Popular; no Egito, a Irmandade Muçulmana, tradicional organização política e religiosa do país. Mais uma vez, a história se repete: não dá para “mudar o mundo sem tomar o poder”.
O risco de jogar fora o bebê com a água do banho

Há uma equação difícil aí. A decadência e a perda de vitalidade das organizações políticas tradicionais são inegáveis. Também é inegável que as mobilizações de jovens mundo afora injetam um muito bem-vindo sopro de vitalidade em sociedades estagnadas e castigadas pelo modelo neoliberal. No entanto, o risco de jogar fora o bebê com a água do banho acompanha de perto o renascido ativismo que se expressa nas redes sociais. A possibilidade de manifestar a sua própria opinião, o tempo todo, sobre qualquer assunto, desperta algumas patologias narcísicas e megalomaníacas. As impressões e convicções individuais adquirem ares de verdades e certezas indiscutíveis que prescindem de qualquer debate e/ou mediação. Os ânimos se alteram, o “tom de voz” fica elevado.

O texto individual torna-se, assim, em muitos casos, a expressão de uma postura autoritária e individualista que despreza a mediação necessária a “qualquer” debate público. As opiniões se “esquecem” que são opiniões e aspiram um status científico, ou religioso, dependendo do perfil do internauta. A internet, como lar de seres desencarnados, está se tornando um lugar bastante selvagem, onde a reflexão sobre o que se escreve e sobre o próprio ato de escrever é substituída pela intervenção rápida e carregada de convicção. O dever com o próprio texto está sendo atropelado pela sedução da opinião sobre tudo e sobre todos, a qualquer momento e lugar. As pessoas sempre fizeram isso, mais ou menos. A diferença, agora, é que elas têm o mundo inteiro como público potencial.
http://www.sinprors.org.br/extraclasse/abr12/marco.asp

Discussão, na Comunidade Virtual da Linguagem – CVL, sobre a cobrança por serviços de tradução

Algum professor ou professora de Língua Inglesa poderia por gentileza traduzir este resumo e enviá-lo novamente para mim. Desde já agradeço pela ajuda!



Elane*

RESUMO


A formação inicial do professor de português e a prática docente do ensino de Língua Portuguesa. Enfatiza a questão da formação inicial e continuada, a formação de professores, entre outros assuntos que estão inseridos nesse trabalho. Em um primeiro momento, apresenta-se reflexões sobre a formação do professor de língua portuguesa. Em segundo momento uma pesquisa de campo feita com os professores da rede estadual, o trabalho tem como principal objetivo saber as diferenças entre o trabalho pedagógico do professor com formação inicial e com a formação continuada.

[Os sobrenomes foram omitidos.]


Cara colega Elane e cevelistas,

Sei que minha mensagem não será vista com bons olhos por alguns e talvez me coloquem ao lado do filósofo cujas palavras me fizeram propor o silêncio como resposta há umas semanas (medida aceita e adotada por muitos). Mas preciso falar.

Tenho visto, vez por outra, como bem demonstra a mensagem copiada abaixo, colegas pedindo a tradução de pequenos textos a outros colegas desta e outras listas.

Gostaria de esclarecer que apesar de muitos tradutores serem ou terem sido professores de língua e/ou terem formação lingüística, não são todos os professores brasileiros de língua e lingüistas que saberiam fazer uma boa tradução para o português e, muito menos, do português para outra língua. E o inverso é também verdade, são poucos os tradutores que podem dar boas aulas de língua e um número muito menor de nós seria um bom lingüista sem a formação e/ou experiência específica.

Com isso, gostaria de pedir que se lembrem que a tradução não é simplesmente um texto passado de uma língua para outra. Implica muito mais do que conhecimento lingüístico e da estrutura da língua, exige entre outras coisas, o conhecimento e uso adequado de detalhes e nuances culturais e de reconhecimento e uso de terminologia nas duas línguas em questão.

Nós, tradutores brasileiros, já temos enfrentado uma batalha insana para conquistarmos o reconhecimento para uma das profissões mais desvalorizadas no Brasil. Em nosso país, todo adolescente que fez intercâmbio de 6 meses e aprendeu falar inglês, considera-se tradutor ao voltar para o Brasil. E muitas empresas os contratam sem pensar que saber formar frases corretas e ter um bom domínio do vocabulário, não faz de alguém um tradutor. No Brasil, quase todos acham que não precisam pagar por uma tradução de espanhol porque: "Pagar por isso? O espanhol é fácil demais para os brasileiros e são só umas poucas palavrinhas. Eu mesmo entendo tudo. Só queria que ficasse escrito direitinho em português." (Palavras de um cliente ao receber meu orçamento do pedido de tradução de um documento em espanhol com 150 palavras. Assim que ele se recusou a aceitar minha explicação, nosso relacionamento esfriou e agora o considero ex-cliente apesar de ainda receber às vezes seus pedidos de disponibilidade.)

Não vou me alongar mais. Só quero acrescentar uma informação à Elane. Para a tradução de seu resumo, um texto acadêmico, portanto, que exige conhecimento de termos de uma área específica (nas duas línguas), com 177 palavras*, do português para o inglês, um profissional cobraria R$ 61,00, no mínimo (meu preço seria R$ 75,00). Fique claro que não sou mercenária, faço traduções de favor para amigos e pessoas necessitadas e também sou tradutora voluntária e regular de instituições diversas tanto nos EUA quanto no Brasil. Mas não podemos esquecer que os tradutores ganham seu sustento traduzindo.

Um abraço a todos,



Heloisa

[* Em mensagem posterior, a autora corrigiu o número de palavras.]


Cara Heloisa,

Fico feliz ao ler tua manifestação, ponderada e sincera.

O problema existe e cada vez se torna maior. Sou revisora e atuo na formação de revisores. Nessa área a situação não é diferente, pois também enfrenta banalização e desvalorização.

Nós, profissionais da área linguística, devemos ser os primeiros a resgatar o valor dos profissionais da revisão e da tradução... do texto, enfim.

Está cada vez mais difícil fazer/encontrar uma citação direta em um texto acadêmico que não constranja o autor citado (ou o leitor) devido a incorreções/descuidos/inadequações de toda ordem.

Mikaela.

Heloisa e colegas, boa noite!

Isto também me acontece com certa frequência e sabe o que eu respondo quando me perguntam se eu poderia fazer o favorzinho de traduzir uma pagina inteira para eles? Esclareçam-me apenas um coisa: vocês pediriam a um médico ou a um advogado para fazer uma consulta ou uma petição "de graça"? Todos, claro, respondem um sonoro não!!! Fica extremamente fácil responder educadamente que não.

Um grande abraço a todos,



Adelma

Cara Heloisa,

Concordo com você que a tradução não se resume somente em passar um texto de uma língua para outra e que é preciso ter o conhecimento mais aprofundado das duas línguas, porém quando pedi a ajuda aos cevelistas é porque onde moro não existe ninguém que poderia traduzir este resumo para mim!

Sei que é muito difícil, e que a sua profissão não é valorizada aqui no Brasil, porém se você morasse aqui eu pagaria a você o seu valor, pois admiro muito estes profissionais que sabem falar fluentemente e que trabalham com tradução, mesmo assim tenho certeza que alguém poderá ajudar!



Elane

Bem, cara Heloisa, aparentemente, se alguém não viu com bons olhos, colocou-se ao lado do filósofo e adotou o silencio...

Os demais, parece que concordam com sua fala pra lá de sábia, seja pelo ângulo meramente técnico: ser tradutor é mais do que concluir o book two ou seis meses de intercâmbio; seja pelo do mais cristalino profissionalismo: há gente que estuda, se especializa, investe em livros, dicionários (em geral caríssimos), recursos de informática e conectividade (não é propriamente barato manter banda larga, manter um número telefônico na Inglaterra) para oferecer um trabalho digno ao cliente de tradução.

Lamentavelmente, voltamos a estar sós. Por algum tempo, o tradutor teve a companhia "daquele sobrinho que entende de informática", mas este vem sendo gradativamente substituído por profissionais...

Na qualidade de tradutor profissional, dublê de lingüista, só me resta, não sem tristeza, assinar embaixo, em cima, à direita e à esquerda de suas palavras.

Em tempo, dou parabéns à fleugma da Adelma... Faz tempo que, a esse tipo de pedido, não respondo com um "polido não". Mando logo um orçamento. Ponto.

Abçs.

Guilherme

Bem...


fiquei de catapora no começo de janeiro.e meu vizinho que é médico foi me atender em casa. nao cobrou 1 centavo e estava a disposição.

minha mae fez o cabelo ontem com uma conhecida de muitos anos. e a pessoa nao quis cobrar, embora minha mae quase batesse nela pra pagar.

tenho um primo músico, toca e canta de segunda a segunda. e ainda pedem pra ele tocar nas festinhas da familia e no final, ninguem coloca dinheiro na cestinha. e a musica foi a forma de ele ganhar dinheiro e sustentar a familia ha quase 30 anos.

um outro primo, sustenta a familia com venda de palmito desde q eu me entendo por gente (ja to indo pra 25 anos). fomos na casa dele semana passada, a mulher fez uma pizza de palmito deliciosa e nao nos cobrou um potinho de palmito por ser aquele o ganha pao dele.

particularmente, acho que nao nos custa, como professores/tradutores tirar 5minutos de duvida, traduzir 10linhas...

é obvio que isso nao pode virar exploração.

no mais, concordo com tudo o que foi dito acima. devemos cobrar uma maior valorização das empresas e escolas e da sociedade.

concordo que seja absurdo um adolescente de 16 anos fazer intercambio e se achar professor da lingua. vou até mais alem: pessoas que terminam um cursinho de ingles no CCAA e outras franquias dessas e se acham "professores". isso nao é exagero. é a realidade.

mas nao custa dar uma aula de graça para o filho do vizinho, nem traduzir

100 palavras para um amigo que precisa de um resumo.



Carlos

Não se trata, meramente, de "traduzir 10 linhas"...

Apenas para registro, a tradução de resumos de trabalhos científicos é das tarefas mais espinhosas de um tradutor. Não se faz em cima da perna... Justamente por ser um resumo, extremamente condensado, exige pesquisa e estudo. Além disso, para o leitor estrangeiro, o "abstract" é o único ponto de contato; é no "abstract" que irá formar sua opinião sobre obra e autor.

Acho, portanto, um tanto desfocada a sua metáfora da catapora... tradução de resumos é coisa de gente grande, procedimento cirúrgico de porte. Se não gostar do resumo o leitor pára de ler... o artigo não é publicado... a citação não é feita... se bobear, o autor fica até mal visto.

Melhor pagar a quem entende...

Abçs.


Guilherme

Caro Carlos,

Fiz a tradução para Elane, sem cobrar nada. Gostaria apenas de lembrá-lo que não são 5 os minutos gastos para se fazer um abstract. Passei mais de 1 hora pesquisando para conseguir terminá-lo. Por isso entendo os colegas que se queixam da pouca valorização desse tipo de trabalho.

Adriana.
IMPLÍCITOS
Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação de que ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo: além das informações explicitamente enunciadas, existem outras que ficam implícitas. Leitor perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas, onde há também significados importantes e decisivos.

Quando se diz “O tempo continua chuvoso”, comunica-se de maneira explícita que no momento da fala o tempo é de chuva, mas, ao mesmo tempo, o verbo “continuar” deixa perceber a informação implícita de que antes o tempo já estava chuvoso.

Mas os implícitos também podem ser insinuações. Se alguém lhe perguntasse na rua: “Sabe onde fica a loja X?”, acharia muito estranho se você dissesse “Sei.” e não indicasse o caminho. Na verdade, por trás da pergunta subentende-se “Indique-me a localização da loja X, por favor.”

Vejamos algumas marcas lingüísticas que servem de “pistas” para a interpretação dos implícitos:




Adjetivos:

Prefixos:

Numerais:

Pronomes:

Verbos:
Advérbios:

Orações adjetivas:

Conectores

e operadores:




As pessoas competentes conseguem trabalho.

Implícito:


Aquele profissional é despreparado para atuar na área de Informática.

Implícito:


Juliana foi a primeira filha de Rosa.

Implícito:


A outra festa promovida pela Odonto estava mais animada.

Implícito:


A taxa de juros permanece alta.

Implícito:


O caso do contrabando tornou-se público.

Implícito:


Os funcionários públicos estavam, naquele ano, com o salário defasado.

Implícito:


O desemprego, que é decorrente da globalização, afeta os países desenvolvidos.

Implícito:


O desemprego que é decorrente da globalização afeta os países desenvolvidos.

Implícito:


Em Porto Alegre, a água que não é bem tratada pode fazer mal à saúde.

Implícito:


Em Porto Alegre, a água, que não é bem tratada, pode fazer mal à saúde.

Implícito:


Se o chefe tivesse distribuído o trabalho pela manhã, teríamos terminado à tarde.

Implícito:


Apesar de velho, meu avô é muito legal.

Implícito:


Nem o Ronaldinho faria aquele gol.

Implícito:


Nossa escola é democrática: aceita até favelado.

Implícito:


Os assaltantes dirigiam atirando, como os heróis dos filmes de sessão da tarde.

Implícito:





Herbalife.

Sobra sabor, sobra saúde, sobra saia, sobra calça.

(Revista Saúde, nov. 2008)












Esclarecimentos sobre a campanha Criança Esperança 

Em virtude de mensagens que circulam na internet com falsas informações sobre o Criança Esperança, a UNESCO esclarece que:

1. As doações para o Criança Esperança são diretamente depositadas em conta administrada pela UNESCO, que destina esses recursos única e exclusivamente para projetos sociais implementados no Brasil. Nenhuma doação do Criança Esperança passa pela Rede Globo.

2. Por se tratar de uma agência das Nações Unidas, doações para a UNESCO não são dedutíveis no Imposto de Renda, que veta supressão de contribuições feitas a organismos internacionais. Dessa forma, é inverídica a suposição de que a Rede Globo obtém benefícios fiscais com a campanha Criança Esperança. A Rede Globo, assim como a UNESCO, não se beneficia de qualquer recurso de abatimento fiscal em função do Criança Esperança.

3. Todo ano, por meio do jornalismo e da grade de programação da emissora, a Rede Globo e a UNESCO divulgam para a sociedade o trabalho realizado pelos projetos sociais que recebem recursos da campanha Criança Esperança. A lista completa dessas iniciativas está neste site, bem como informações gerais a respeito do projeto.

A UNESCO lamenta que pessoas ou grupos propaguem informações falsas para prejudicar um projeto que se destina a beneficiar, com recursos e exposição de temas, um dos mais sensíveis e vulneráveis segmentos de nossa sociedade. Aproveitamos a oportunidade para agradecer aos milhares de brasileiros que há 21 anos contribuem com o Criança Esperança, permitindo que até hoje se tenham destinado recursos para apoiar mais de cinco mil projetos sociais.

UNESCO no Brasil:
SAS Quadra 5, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO 9o andar.
Brasília - DF
Brasil
http://www.unesco.org.br


http://criancaesperanca.globo.com/CEsperanca/upload/esclare.htm

Leia nas entrelinhas para encontrar sua alma gêmea

Por Umberto Eco


Aconselho aos jovens o estudo dos classificados para que eles aprendam a interpretar os artigos de jornal. É um exercício útil antes da iniciação nas dificuldades da política.

Quando eu era pequeno, vivia sob um regime (que então se chamava fascismo) e vi como os meus pais, parentes e amigos aprenderam a ler nas entrelinhas dos jornais. Uma vez que a imprensa estava sendo controlada pelo governo, sabia-se que ela não estava dizendo a verdade, e por isso tinha de ser interpretada.

Um caso típico: se os boletins falavam de uma "retirada estratégica", entendia-se que os italianos tinham sofrido uma terrível derrota e tinham recuado. Hoje, nós estamos nos aproximando cada vez mais do monopólio da informação e já ouvimos declarações ou notícias que induzem à interpretação.

O que quer dizer o anúncio de que a França e a Alemanha estão piores do que a Itália? Que já estamos no fundo do poço? O exercício de ler nas entrelinhas é útil também para os jovens e, para não ter de arrastá-los para uma política pungente, eu os convidarei para exercitar esta arte com alguns anúncios.

Tenho em minhas mãos uma série de anúncios de pessoas que procuram acompanhantes, que subscrevo aqui, obviamente mudando os nomes para manter a privacidade das pessoas.

"Olá, meu nome é Samantha, tenho 29 anos, sou diplomada, dona de casa, separada, não tenho filhos, estou à procura de um homem bonito mas sobretudo sociável e alegre". Interpretação: "Vou fazer 30 anos e depois que o meu marido me abandonou com aquele diploma de contadora que eu tinha conquistado com muito esforço, não encontrei emprego, e agora eu fico em casa o dia inteiro, triste e sem nada para fazer (não tenho nem filhos para brigar com eles); procuro um homem, mesmo que não seja bonito, desde que não seja violento como aquele desgraçado com quem eu me casei".

"Carolina, 33 anos, solteira, ensino superior completo, empreendedora. Muito fina, morena, esbelta, autoconfiante e sincera. Apaixonada por esportes, cinema, teatro, viagens, livros, dança, aberta a novas experiências, gostaria de conhecer um homem atraente e com personalidade, culto e estabelecido, profissional, executivo ou militar, com no máximo 60 anos e disposto a casar". Interpretação: "Aos 33 anos ainda não encontrei alguém, talvez porque sou magra como um palito e não posso ficar loira, mas procuro não pensar nisso. Com muito esforço eu me formei em Letras, mas nos concursos sempre fui reprovada, por isso abri uma oficina onde três albaneses trabalham ilegalmente para mim e produzimos meias para vender no interior. Não sei bem do que eu gosto, mas acompanho os feitos de Ronaldo na televisão porque ele tem um corpo bonito, vou ao cinema ou ao teatro da igreja com uma amiga, leio o jornal para ver os anúncios matrimoniais, gostaria de dançar mas ninguém me leva aos bailes, e em vez de encontrar um traste de marido, estou pronta para me apaixonar por qualquer outra coisa, desde que ele tenha dinheiro e faça com que eu me livre das meias e dos albaneses; estou aceitando até homens velhos, se possível um contador, mas de preferência que trabalhe para o governo ou seja marechal do Exército".

"Patrizia, 42 anos, solteira, comerciante. Morena, magra, doce e sensível, deseja conhecer um homem leal, bondoso e sincero, não importa o estado civil desde que esteja interessado". Interpretação: "Nossa, com 42 anos (e não venham me falar que se eu me chamo Patrizia eu devo ter 50 anos, como todas as mulheres que têm esse nome) não consegui me casar e vou tocando a vida com a mercearia que minha pobre mãe me deixou. Sou um pouco anoréxica e muito neurótica. Tem algum homem que me leve para a cama, mesmo que seja casado, desde que esteja com vontade?".

"Ainda quero pensar que existe uma mulher capaz de amar realmente. Sou um bancário solteiro de 29 anos, creio que tenho uma boa aparência e um caráter muito vivaz. Procuro uma bela garota séria e culta que saiba me envolver em uma maravilhosa história de amor". Interpretação: "Vou fazer 30 anos e não consigo me dar bem com as garotas, as poucas que encontrei eram horríveis e só queriam saber de casar. Sim, com os milhões que eu ganho também as sustento! E dizem que tenho um caráter vivaz porque as mando para aquele lugar! Então, acho que não sou muito feio: tem alguma varapau que pelo menos não me diga 'saia daqui', e que esteja disposta a fazer um pouco de sexo sem esperar algum compromisso?".

"Solteiro, 42 anos, trabalhador, tenho um sorriso cativante e estou com muita vontade de me apaixonar. Meu sonho é encontrar uma mulher serena, viver a dois com harmonia e simplicidade. Prefiro uma mulher da minha idade, mesmo que seja divorciada". Interpretação: "Lixeiro de 42 anos, não tem nada de bonito, mas quando ri mostra uns dentes tão parecidos com os de um cavalo que todos os amigos do bar me pagam bebidas só para que eu ria. Mas nada de mulheres. Procuro uma mulher que queira ir para a cama sem muitas delongas, e se formos a um restaurante dividiremos a conta".



Entre os anúncios que não procuravam acompanhantes, encontrei um fabuloso: "Associação teatral procura atores, figurantes, maquiadores, diretor e figurinista para a próxima temporada". Pelo menos vai ter uma platéia?
Fonte: Caderno i – http://ultimosegundo.ig.com.br/home/cadernoi/



1 SAVIOLI, Francisco Platão, FIORIN, José Luiz. Lições de texto: leitura e redação. 3.ed. São Paulo: Ática, 1998.


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