Aspectos discursivos da governança corporativa nas evidenciaçÕes de sustentabilidade da hydro-québec (canadá) e itaipu binacional (brasil e paraguai) resumo



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ASPECTOS DISCURSIVOS DA GOVERNANÇA CORPORATIVA NAS EVIDENCIAÇÕES DE SUSTENTABILIDADE DA HYDRO-QUÉBEC (CANADÁ) E ITAIPU BINACIONAL (BRASIL E PARAGUAI)
RESUMO

A governança corporativa vem sendo evidenciada detalhadamente nos relatórios de sustentabilidade das organizações. Este trabalho procura demonstrar como se manifesta a governança corporativa nos discursos de sustentabilidade da Hydro-Québec (Canadá) e Itaipu Binacional (Brasil e Paraguai). O objetivo é analisar como são abordadas as políticas de governança das duas hidrelétricas por meio das informações divulgadas em seus relatórios de sustentabilidade. Quanto ao método, trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, por meio de estudo teórico e documental. O trabalho demonstra que o entendimento do discurso é apropriado para entender o processo de legitimação que envolve práticas sociais e envolvimento dos atores, na medida em que enfatiza uma conexão entre as práticas sociais e a forma como são comunicadas. O estudo demonstra, também, que a adoção de instrumentos de divulgação como o GRI – Global Reporting Initiative, leva organizações a buscarem estruturações que tendem a torná-las semelhantes nos discursos de busca por legitimidade.


Palavras-chave: Governança Corporativa. Sustentabilidade. Legitimidade.

1 INTRODUÇÃO

Comportamentos auto-centrados e voltados para a maximização do lucro constituem os princípios centrais do capitalismo e filosofias de livre mercado (Lo & Sheu, 2007). Porém, cada vez mais, o axioma da maximização do lucro é posto em xeque (Jamali, Safieddine, & Rabbath, 2008). Muitos esforços da sociedade e científicos vêm tentando compreender o fenômeno da crescente procura das organizações por alternativas de gestão dos problemas ambientais, sociais e econômicos (Capra, 2005; Sachs, 2009; Elkington, 2012). Por conta disso, esta proposta de estudo está direcionada às preocupações inerentes aos modelos de governança que envolvem a sustentabilidade e utiliza como embasamento a temática da legitimidade sob a perspectiva da teoria institucional.

As bases conceituais da moderna institucionalidade foram estabelecidas nas obras de Meyer e Rowan (1977), Hannah e Freeman (1977), Zucker (1977), DiMaggio e Powell (1983), Tolbert e Zucker (1983) e Scott (1983) e destacam-se nas discussões desses teóricos o papel dos significados compartilhados e dos processos institucionais, como prescrições culturais e conformidades institucionais, no sentido da busca de legitimidade (Scott, 2013). Um dos métodos mais efetivos de fazer com que as coisas sejam aceitas e largamente conhecidas nas organizações e sociedade é a legitimação através da linguagem. Com isso as estratégias de legitimação discursiva são métodos de ativação de discursos específicos para criar um senso de legitimidade (Fairclough, 2003).

Nesse sentido, um número cada vez maior de organizações deseja tornar suas operações sustentáveis e um dos aspectos que pesam nessa conscientização no sentido de uma economia sustentável é a pressão de financiadores, clientes e outros stakeholders, que têm a expectativa que sejam consideradas, de forma sistêmica, as dimensões econômica, social e ambiental (Elkington, 2012). Como forma de prestação de contas, as organizações vêm enfrentando o desafio de evidenciar informações que vão além da contabilidade e informações como capital humano, capital social, capital intelectual e governança corporativa também passaram a fazer parte dos relatórios divulgados.

Os relatórios sobre a sustentabilidade divulgam informações sobre os impactos de uma organização – sejam positivos ou negativos – sobre o meio ambiente, a sociedade e a economia e tangibilizam algumas questões aparentemente abstratas, ajudando as organizações a compreender e gerir melhor os efeitos do desenvolvimento da sustentabilidade sobre suas atividades e estratégias. Com isso, surge a questão desta pesquisa: Como se manifesta a governança corporativa no discurso da sustentabilidade na Hydro-Québec (Canadá) e Itaipu (Brasil)? O objetivo do trabalho é analisar como são abordadas as políticas de governança corporativa das duas hidrelétricas por meio das informações divulgados em seus relatórios de sustentabilidade.

A escolha por hidrelétricas brasileiras e canadenses se deve ao impacto dessas organizações na matriz energética desses dois países, seus impactos em termos de externalidades e mostra-se relevante por ter como pano de fundo o elemento água, uma das poucas fontes para produção de energia que não contribui para o aquecimento global.


2 APORTES TEÓRICOS

Michelon e Parbonetti (2012) discorrem que a boa governança corporativa e a divulgação das ações em prol da sustentabilidade podem ser vistas como mecanismos complementares de legitimidade. A partir deste momento, a revisão de literatura envolve essas temáticas.

2.1 Governança corporativa e sustentabilidade

No final da década de 70 e durante a década de 80, como proposto pelos teóricos Jensen e Meckling (1976), Fama (1980) e Eisenhardt (1989) as ações voltadas à governança corporativa se concentraram nos mecanismos e as regras concebidas para alinhar os interesses dos donos do capital e os gestores das corporações. Estas regras abrangem os procedimentos para elevar a importância da transparência e da informação. Nesse sentido, a governanca corporativa é uma ferramenta que vem ganhando espaço na busca pela legitimidade das organizações (Demsetz & Villalonga, 2001; Coles, McWilliams, & Sen, 2001; Kolk, 2005, 2008; Black, Jang, & Kim, 2006; Aras & Crowther, 2008), e os estudos convergem no reconhecimento de que se trata de um instrumento fundamental para a credibilidade de uma empresa.

Para que esse ganho de credibilidade ocorra, as empresas precisam implementar os princípios de governança, mantendo-os alinhados com suas práticas. Geralmente a literatura aponta quatro princípios a serem observados: transparência, prestação de contas, responsabilidade e justiça (Aras & Crowther, 2008). A intenção principal é no sentido de criar um ambiente transparente, onde cada uma das partes - acionistas, gestores, empregados, fornecedores, sociedade em geral - seja capaz de assumir as suas responsabilidades e contribuir para o crescimento e criação de valor da empresa (Jamali, Safieddine, & Rabbath, 2008).

Com isso, numa primeira aproximação, pode-se dizer que dois aspectos marcantes da governança corporativa são a redução da assimetria das informações, que vai bem ao encontro de uma preocupação levantada pela teoria da agência (Jensen & Meckling, 1976) e também a geração de legitimidade (Aras & Crowther, 2008). Com a divulgação de informações a organização pode mitigar as vantagens e desvantagens de acesso privilegiado a informações (Lambert, 2001) e também propiciar ganhos em termos de legitimidade organizacional através do uso de ações simbólicas, que fazem parte da imagem pública da organização e são pautadas em valores compartilhados pela população em geral (Neu, Warsame, & Pedwell, 1998; Searcy & Elkhawas, 2012).

Governança corporativa, portanto, está intimamente relacionada com honestidade e transparência, tanto nas relações sociais quanto na divulgação (Page, 2005). A confiança dos investidores e da eficiência do mercado depende da divulgação de informações precisas sobre a empresa. Para ser de valor nos mercados de capitais globais, a informação divulgada deve ser clara, consistente e comparável (OECD, 1999). Além disso, a transparência e a divulgação de informações entre gestores e colaboradores são essenciais para ganhar a confiança dos funcionários e comprometimento. Esses fatores buscam garantir uma informação precisa e oportuna de atividades, proporcionando assim a base necessária que facilite a aplicação de mecanismos de governança (Cadbury, 2000).

Em síntese, governança corporativa geralmente gira em torno de um conjunto de atributos universais, e um valor que vem ganhando destaque nas expectativas dos stakeholders é a atenção dada à sustentabilidade na governança corporativa (Elkington, 2012). Leo e Robles (2006) consideram que a sociedade passou a demandar das empresas informações sobre a sustentabilidade, induzindo à incorporação de aspectos econômicos, sociais e ambientais nos relatórios do meio empresarial.

Esse movimento pode estar ocorrendo porque questões amplas, como a ética nos negócios por meio de cadeias inteiras de valores, direitos humanos, suborno e corrupção, e os impactos ambientais estão entre as grandes questões deste século (Elkington, 2012). Os clientes esperam cada vez mais que as empresas considerem os direitos humanos em suas práticas de trabalho e que demonstrem zelo para com os recursos naturais (Bronn & Vidaver-Cohen, 2009). Além disso, os funcionários estão mostrando maior lealdade para com as empresas que trabalham para a melhoria da sociedade (Aguilera, Rupp, Williams, & Ganapathi, 2007).

Por isso, as práticas de governança corporativa e sustentabilidade têm sido abordadas conjuntamente, e têm como principal origem, o trabalho de Bowen (1957), que discorreu sobre uma visão de responsabilidade social alinhada com as políticas da empresa, em contraponto com a abordagem filantrópica que o tema carregava nos primórdios. Nesse sentido, há evidências que sugerem que as organizações estão mais inclinadas para alargar a base de sua avaliação de desempenho a partir de um foco financeiro de curto prazo para incluir uma análise de longo prazo dos impactos, sociais, ambientais e econômicos (Hardjono; Van Marrewijk, 2001).

O delineamento do triple bottom line foi um dos principais geradores de convergência da agenda de governança corporativa com as preocupações sociais mais amplas.Segundo Elkington (2006. p. 523), “quanto melhor o sistema de governança corporativa, maior a chance de que podemos construir o capitalismo verdadeiramente sustentável¨. O autor defende, ainda, que a proporção crescente de questões de sustentabilidade corporativa giram em torno do projeto das empresas e suas cadeias de valor, de ecossistemas de negócios e, finalmente, dos mercados. Tudo isso levando em consideranção, de forma sistêmica, as dimensões econômica, social e ambiental.

Cartwrigh e Craig (2006) abordam que as perspectivas dominantes sobre governança corporativa compreendem: (1) proteger os direitos dos acionistas; (2) assegurar o tratamento equitativo de todos os acionistas, inclusive minoritários e estrangeiros; (3) reconhecer os direitos de todos os stakeholders, (4) garantir a orientação estratégica da empresa, o controle eficaz da gestão pelo conselho e a prestação de contas da diretoria para a empresa e acionistas; (5) certificar-se de que a divulgação deve ser feita englobando todas as questões relevantes relacionadas à empresa.

Desta maneira, através da divulgalção de suas práticas e políticas as organizações procuram estabelecer uma congruência entre os valores sociais associados às suas atividades e às normas de comportamento aceitáveis no sistema social maior do qual fazem parte. Parece evidente, portanto, que deve ser destacada atenção especial à governança corporativa dentro das estratégias de sustentabilidade da organização (Gray, Kouhy, & Lavers, 1995).

2.1 A legitimidade por meio do discurso

Organizações necessitam mais do que recursos materiais e informações técnicas para que possam sobreviver e prosperar em seus ambientes sociais. As organizações precisam de aceitabilidade social e credibilidade (Scott, 2008), em suma, de legitimidade. A legitimidade organizacional, além de garantir o fluxo de capital, trabalho e clientes necessários para a viabilidade da empresa (Pfeffer & Salancik, 2003; Neu, Warsame, & Pedwell, 1998), também é capaz de reduzir possíveis boicotes de produtos e ações de ruptura causados por abalos na reputação (Elsbach, 1994).

Max Weber foi o primeiro grande teórico social a salientar a importância da legitimidade. Em sua formulação de tipos de ação social, deu especial atenção às ações orientadas por uma crença na existência de uma ordem legítima: um conjunto de máximas determináveis, um modelo considerado pelo ator como, de alguma forma, obrigatória ou exemplar para ele (Weber, 1968, 1978).

Em seu ponto de vista cultural institucional, Parsons (1956) ressalta a importância da legitimação para que as organizações se mostrem congruentes com os valores existentes na sociedade. Berger e Luckmann (1967) descrevem legitimidade evocando uma segunda ordem de significado, deixando um estado inicial que envolve padrões repetidos de comportamento para chegar até o estabelecimento de significados compartilhados entre os participantes. Os autores acrescentam que a legitimação dessa ordem envolve a conexão com quadros mais amplos que inclui padrões culturais, normas, regras e procedimento.

Pelo ponto de vista institucional, legitimidade é considerada o estabelecimento de crenças constitutivas e sinônimo da institucionalização (Suchman, 1995), que no caso é uma construção social geradora de significado às interações na medida em que os atores passam a aceitar uma definição comum de realidade (Phillips, Lawrence, & Hardy, 2004). Nessa linha, legitimidade é um reconhecimento e aceitação social de algo que se tornou dado como certo. Essa busca por aceitação social tem conexão com a busca da sobrevivência pelas organizações.

Nesse contexto, o processo de legitimação ocorre em uma realidade socialmente construída com os elementos coletivos, tais como, normas, valores e crenças. Assim, a legitimidade é protagonista no processo de construção da realidade social, provendo uma explicação ou justificação onde “o que é” torna-se “o que é certo” (Johnson, Dowd, & Ridgeway, 2006, p. 57).

Quando corretamente aplicada, a legitimação gera aceitação social. Um dos métodos mais efetivos de fazer com que as coisas sejam aceitas e largamente conhecidas nas organizações e sociedade é a legitimação através da linguagem, pois através das estratégias discursivas cria-se um senso de legitimidade (Fairclough, 2003). Nesse sentido, a gestão da legitimidade é dependente de uma boa comunicação entre a organização e sua audiência e inclui vários mecanismos, que objetivam manter um desenvolvimento institucional (Lawrence, Winn, & Jennings, 2001).

Conforme Lavrusheva (2013), organizações, na tentativa de ganharem, manterem e repararem legitimidade, empregam ações, as quais resultam mais provavelmente na produção de textos que objetivem criar, validar ou modificar o significado de certas práticas. Além disso, o estabelecimento e reconstrução de instituições são feitas primariamente através da produção e disseminação de textos apropriados.

Para examinar o discurso, a formação dos textos deve ser explorada (Phillips, Lawrence, & Hardy, 2000). Isso porque os textos propõem discursos e as instituições são construções sociais constituídas através do discurso (Phillips, 2004). Textos são explicados como ¨formas simbólicas de representação (documentos, livros, entrevistas, discursos, relatórios) que são inscritos com sendo falados, escritos ou mesmo representado¨ (Maguire & Hardy, 2009, p. 150).

Nesse sentido, os textos funcionam como mediadores de legitimidade, criando e transferindo o estabelecimento de legitimidade implícita e explícita e configurando-se em uma ¨arena de construção de sentido¨ (Vaara, Tienari, & Laurila, 2006, p. 791). Somente os textos que foram inseridos com alguma forma simbólica de comunicação (relatórios escritos e verbais, por exemplo), que possa ser mapeada, podem ser usados como ferramentas persuasivas para prover legitimidade para a condução de atividades, e para isso precisa estar com fácil acesso, de distribuição ampla e que permita interpretação (Phillips, Lawrence, & Hardy, 2004).

O discurso ocupa uma importante função na construção social da realidade: ¨discursos não descrevem meramente coisas, eles fazem coisas¨ (Hardy, Palmer, & Phillips, 2000, p. 1231). A perspectiva discursiva enfatiza a conexão entre práticas sociais e discursos. Essa conexão estabelece-se pela produção e consumo de textos, que por sua vez, criam percepções e noções que convertem a instituição (Munir & Phillips, 2005).


3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS


A análise do discurso para o estudo do processo de legitimação permite investigações sobre práticas sociais e relações de poder entre os atores envolvidos, consequentemente explora como o discurso modela o senso de legitimidade para práticas institucionalizadas (Vaara & Tienari, 2008). Nesse sentido, este artigo aborda o processo de construção de legitimidade através de aspectos discursivos da prática da governança corporativa observada na divulgação dos relatórios de sustentabilidade.

Para atingir este objetivo, foi realizada uma pesquisa qualitativa, descritiva, por meio de estudo teórico e documental. Conforme Flick (2004), nos estudos qualitativos, a teoria deve ser entendida como uma possível versão do mundo, sujeita a revisão, avaliação, construção e reelaboração contínuas. A pesquisa descritiva tem como principal objetivo descrever características de determinada população ou fenômeno (Raupp & Beuren, 2006). Por conta disso, está enquadrada no nível de domínio cognitivo do conhecimento e no domínio da compreensão.

Com relação ao estudo teórico, com relação à busca da legitimidade, foram adotados os trabalhos que abordaram a força do discurso enquanto instrumento gerador de aceitação social (Vaara, Tienari, & Laurila, 2006; Phillips, 2004); no tocante à governança corporativa, enfocou-se as abordagens sobre a transparência e a mitigação da assimetria de informações, preferencialmente vinculando esta característica com a sustentabilidade (Kolk, 2008; Grun, 2003); e na abordagem sobre sustentabilidade, a pesquisa envolveu trabalhos norteados pelo conceito do triple botton line, que prevê a adoção conjunta das dimensões econômica, social e ambiental (Elkington, 1998, 2006, 2012).

Quanto à escolha das empresas pesquisadas, Itaipu Binacional (Brasil) e Hydro-Quebec (Canadá), se deve ao fato das hidrelétricas estarem situadas em países protagonistas na utilização dos recursos hídricos na sua matriz energética. Numa análise, global, o Brasil ocupa o primeiro lugar e o Canadá o segundo lugar na relação percentual de utilização de hidroelétricas em relação a outras matrizes energéticas (gás, óleo, nuclear, carvão).

A Hydro-Quebec foi fundada na década de 1940, tem como único acionista o governo do Québec e emprega mais de 20 mil pessoas. A organização fornece energia para o Québec utilizando somente fontes de energia renováveis. Desde 2001, a Hydro-Québec vem sendo considerada benchmarking de performance na área de sustentabilidade, tem como base a abordagem GRI, enquadrada no nível A+.

A Usina Hidrelétrica de Itaipu é uma usina hidrelétrica binacional, envolvendo o Brasil e o Paraguai, localizada no Rio Paraná, na fronteira entre esses dois países. Os dois países compartilham igualmente a posse, a administração da empresa e o direito de aquisição da energia produzida pela entidade, para consumo próprio.

Para permitir uma análise conjunta, foram utilizadas as versões dos Relatórios de Sustentabilidade em língua inglesa. Os relatórios foram então organizados em um arquivo específico, a fim de proceder a uma análise do seu conteúdo por meio do software Alceste (edição 2015). Este software permite analisar entrevistas, obras literárias, artigos, ensaios e outros textos, a fim de quantificar e extrair as suas estruturas mais importantes, isto é, as suas Unidades de Contexto Elementar (UCE) (Illia, Sonpar, & Bauer, 2014).

O método utilizado pelo Alceste é conhecido como classificação hierárquica decrescente. O corpus a ser analisado é sucessivamente dividido em pedaços; em seguida, o pesquisador observa a distribuição das palavras mais significativas dentro de cada segmento, extraindo as palavras mais representativas do texto. O software usa teste qui-quadrado para verificar a associação de unidades de contexto em classes (Vallbé, Marti, Fortuna, Jakulin, Mladenic, & Casanovas, 2005).

Uma vantagem importante do uso de Alceste é que o viés humano é controlado, como codificação humana: o pesquisador analisa as citações que foram identificadas como representativas de uma classe. Em outras palavras, o pesquisador analisa codificações com base em relatos de como a linguagem em cada citação é contrária ou semelhante à linguagem utilizada em outras citações (Illia, Sonpar, & Bauer, 2014).

4. RESULTADOS DA PESQUISA

A pesquisa descritiva foi realizada utilizando-se as informações disponíveis nos websites das organizações, tendo como principal enfoque o relatório de sustentabilidade e suas informações disponíveis sobre governança corporativa da Hydro-Québec e da Itaipu Binacional.

Dentro deste corpus, o Alceste classificou 378 UCE (68%) dos 556 que foram criados, e sugeriu seis categorias estáveis. As classes e as palavras principais em cada classe são apresentados em um dendrograma (árvore de distância) gerado por esse software (Figura 1). A partir desta classificação, os eixos e as classes foram nomeados. Os valores de qui-quadrado (χ²) associados a cada palavra representa sua importância semântica dentro da classe.

Figura 1 – Classes e Eixos do Dendograma com base nos Relatórios de Sustentabilidade da Hydro (Quebec) e da Itaipu (Brasil).

Fonte: software Alceste (versão 2015).

A análise do dendograma permite identificar a formação de seis classes, sendo três delas – classes 1, 5 e 6 – representantes do discurso da Itaipu e as outras três - classes 2, 3 e 4 – representando a Hydro-Quebec.

O dendograma representa visualmente a classificação hierárquica descendente e orienta a análise do pesquisador uma vez que a interpretação deve levar em consideração que as classes de discurso são muito diferentes (início da árvore) ou de alguma forma se sobrepõem (fim de árvore) em seu uso da linguagem (Illia, Sonpar, & Bauer, 2014).

A classe 1 representa 21% das unidades de contexto elementar e foi nomeada Dimensão Institucional da Governança da Itaipu. A classe 2 representa 12% das unidades de contexto elementar e foi nomeada Dimensão Ambiental da Governança da Hydro-Quebec. A classe 3 representa 23% das unidades de contexto elementar e foi nomeada Dimensão Institucional da Governança da Hydro-Quebec. A classe 4 representa 13% das unidades de contexto elementar e foi nomeada Dimensão Operacional da Governança da Hydro-Quebec. A classe 5 representa 15% das unidades de contexto elementar e foi nomeada Dimensão Ambiental da Governança da Itaipu. A classe 6 representa 16% das unidades de contexto elementar e foi nomeada Dimensão Operacional da Governança da Itaipu.

A análise fatorial mostrou os campos semânticos dispostos em dois eixos opostos. O total da variância explicada para a governança dos casos estudados é de 50%. Pela análise da figura 2, podemos perceber que as classes representativas do caso Itaipu estão próximas espacialmente (quadrante inferior direito) e representam 27% da variância explicada. Já as classes formadas pelo discurso da Hydro-Quebec apresentam-se mais dispersas – uma está bem no centro e as outras duas no lado esquerdo, opostas verticalmente (explicando 23% da variância).

Pela análise das figuras 1 e 2, é possível perceber que a classe 1 é a mais representativa do caso Itaipu, enquanto a classe 2, é a mais representativa do caso Hydro-Quebec, o que significa dizer que no caso Itaipu, a dimensão Institucional está mais presente, enquanto no caso da Hydro-Quebec, a dimensão mais significativa é a Ambiental.

A explicação para esse enquadramento pode estar relacionada com o fato de que a Itaipu é uma empresa que tem a composição de seus cargos diretivos e conselho de administração com forte impacto de indicações políticas, gerando forte presença na dimensão Institucional, o que vai ao encontro da abordagem de Desbiens (2013), que discorreu que o conceito de legitimidade passa por uma busca de conformidade da organização com as expectativas sociais e a pressão tende a aumentar no caso de empresas públicas. Além disso, por ser uma empresa de gestão binacional e de natureza jurídica diferenciada, a Itaipu submete-se a rigorosos controles. Atos de corrupção ou fraudes podem ser informados à alta administração ou identificados via Auditoria Interna, auditoria independente, Ouvidoria, Fale Conosco e Comitê de Ética. Dependendo do caso, as denúncias podem ser encaminhadas para providências internas, ao Ministério Público Federal ou à Polícia Federal.

No caso da Hydro-Quebec, por ser uma organização que trabalha com atividade que exige danos severos às condições naturais, o que ocorre na construção das hidrelétricas com a alteração de cursos de rios e alagamento de cidades ribeirinhas. No caso da Hydro-Quebec, as críticas também advêm de etnias indígenas que tiveram seus territórios afetados pela construção de usinas hidrelétricas. Teóricos como Dowling e Pfeffer (1975) e Salancik e Pfeffer (1978) discorrem que, na medida que as organizações usam recursos do ambiente, a sociedade constantemente avalia se suas ações são apropriadas e desejadas. As partes interessadas têm voz ativa neste processo.

Esses achados demonstram a importância com a criação de um equilíbrio entre os objetivos econômicos, sociais e ambientais de uma empresa, incluindo aspectos como o uso eficiente dos recursos, prestação de contas no uso de seu poder, e o comportamento da empresa em relação ao meio ambiente (Sethi, 2002).

Figura 2 – Análise Fatorial com base nos Relatórios de Sustentabilidade da Hydro (Quebec) e da Itaipu (Brasil).

Fonte: software Alceste (versão 2015).

A promoção da transparência e responsabilidade em todas as suas relações ganha destaque no conceito de governança, indo ao encontro da abordagem de Freeman, Carrol e Hannan (1983) que defendem que os interesses das organizações devem estar alinhados com os interesses dos diferentes players dentro e fora da empresa. Na sequência, detalharemos os principais aspectos das abordagens de governança divulgadas pelas duas organizações pesquisadas.

4.1 Grau de conformidade com os standarts de evidenciação do GRI


Considerando que a Hydro-Québec e Itaipu Binacional adotam o GRI – Global Reporting Initiative para evidenciar as suas práticas quanto à sustentabilidade, verificou-se o comportamento de ambas organizações quanto às práticas relacionadas à sustentabilidade:

HYDRO-QUEBEC ITAIPU



rutura de governança da organização, incluindo comitês sob o mais alto órgão de governança responsável por tarefas específicas, tais como estratégia de fixação ou supervisão da organização.

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Indicação caso o presidente do mais alto órgão de governança também seja um diretor executivo (e, nesse caso, seu / sua função dentro da administração da organização e as razões para tal composição).

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Para organizações com uma estrutura de administração unitária, declaração do número de membros do órgão de governança hierarquicamente mais elevado que são independentes e / ou membros não executivos.

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Mecanismos para que acionistas e empregados façam recomendações ou dêem orientações ao mais alto órgão de governança.

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Relação entre remuneração para membros do mais alto órgão de governança, gerentes e altos executivos (incluindo acordos rescisórios) e o desempenho da organização (incluindo desempenho social e ambiental).

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Processos em vigor no mais alto órgão de governança para assegurar que conflitos de interesse sejam evitados.

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Processo para determinação da composição, qualificações e conhecimento dos membros do mais alto órgão de governança e seus comitês, incluindo qualquer consideração de gênero e outros indicadores de diversidade.

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Declarações de missão e valores, códigos de conduta e princípios internos relevantes para o desempenho econômico, ambiental e social, e o status de sua implementação.

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Procedimentos do órgão de governança para supervisionar a identificação e gestão do desempenho económico, ambiental e social da organização, incluindo riscos e oportunidades relevantes, assim como a adesão ou conformidade com normas acordadas internacionalmente, códigos de conduta e princípios.

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Processos para a auto-avaliação do desempenho do mais alto órgão de governança, especialmente com respeito ao desempenho econômico, ambiental e social

Standart totalmente

atendido


Standart totalmente

atendido


Fonte: Relatórios de sustentabilidade da Hydro-Québec e Itaipu Binacional.
Este quadro demonstra o que é uma questão recorrente no estudo de organizações, a tendência se tornarem similares. As primeiras abordagens dos teóricos organizacionais abordaram que as organizações se modelam com os seus ambientes, com uma tendência de ade assumirem formas similares como busca de eficiência. Mais à frente a teoria institucional adicionou uma nova questão: organizações se adaptam não somente por conta de pressões técnicas, mas também pelo que acreditam ser esperado pela sociedade em relação às suas atuações, conduzindo a um isomorfismo institucional (Boxembaum & Johnson; 2008).

O isomorfismo institucional é facilitado por processos que levam à difusão de ideais, práticas e estruturas organizacionais prescritas entre organizações (Dimaggio & Powell, 1983). Estes autores propuseram que ideais institucionalizadas pressionam as organizações a adotarem estruturas e formas similares, e o resultado faz com que se tornem altamente similares.



5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A legitimidade tem sido estudada em várias pesquisas que geralmente exploram como as organizações respondem a pressões culturais que acabam exercendo um certo controle sobre elas, considerando que para sobreviver precisam ser socialmente aceitas (SUCHMAN, 1995). Neste trabalho procurou-se explorar aspectos discursivos adotados para gerar legitimidade através de políticas de governança evidenciadas nos relatórios de sustentabilidade.

Percebe-se que tanto a Hydro-Quebec (Canadá) quanto Itaipu Binacional (Brasil e Paraguai) elaboram evidenciações detalhadas sobre aspectos relacionado à governança corporativa, o que está alinhado com os preceitos da legitimidade, abarcada na teoria institucional, que sugere que organizações que têm a utilização de recursos naturais para a operação do seu negócio necessitam do endosso da sociedade para a sua sobrevivência. Mais do que recursos técnicos e informações do ambiente, elas precisam de aceitação e credibilidade (Scott, 2013).

Nesse sentido, o principal motivador da escolha da temática dos aspectos discursivos foi a busca pelo entendimento de como as organizações se organizam para construir um senso de adequação às expectativas que pairam sobre elas, e um dos mais efetivos métodos amplamente aceitos dentro da sociedade é a legitimação por meio da linguagem, mais precisamente o discurso (Phillips, Lawrence, & Hardy, 2004).

O trabalho demonstrou que a abordagem de Vaara e Tienari (2008), de que o uso do discurso é apropriado para entender o processo de legitimação que envolve práticas sociais e envolvimento dos atores, é adequado, pois os discursos adotados pelas duas empresas pesquisadas, Hydro-Québec e Itaipu Binacional, enfatizam uma conexão entre as práticas sociais e os discursos em direção à máxima ¨o que é torna-se o que é certo¨ (Johnson, Dowd, & Ridgeway, 2006).

Os esforços das organizações pesquisadas para detalhar suas políticas de governança corporativa sinalizam que uma eficaz comunicação pode ser determinante para o intento de se parecer apropriada e adequada aos olhos da sociedade e dos stakeholders em geral (Lavrusheva, 2013). Assim uma boa gestão do discurso pode significar impactos positivos na administração da legitimidade e sua difusão (Lawrence, Winn, & Jennings, 2001).

O estudo demonstrou, também, que a adoção de instrumentos de divulgação como o GRI – Global Reporting Initiative, leva organizações a buscarem estruturações que tendem a torná-las semelhantes nos discursos pela busca de legitimidade. Tal tendência é ainda mais potencializada na realidade das duas organizações pesquisadas, por se tratarem de instituições públicas, com um considerável impacto na natureza, em especial no momento de suas instalações, que envolvem externalidades negativas como mudanças de cursos de rios e retirada de povos habitantes de regiões a serem alagadas. Além do que, tratam-se de atividades que têm no seu principal insumo a água, que é um bem comum à sociedade.

Quanto às limitações da pesquisa, convém reconhecer que o trabalho é limitado a duas hidrelétricas, com foco nos seus contextos particulares, em dois países com realidades econômicas distintas. Isso faz com que não seja possível generalizar os achados para outros setores e outros países. Além disso o material de pesquisa consiste de fontes disponibilizadas pelas organizações estudadas, o que pode ensejar um viés mais benevolente na forma e conteúdo das divulgações. Como sugestão de continuidade da pesquisa, sugere-se uma triangulação de dados, com a inclusão de entrevistas com stakeholders, no Brasil e no Canadá, e acesso a documentos internos, como atas de reuniões, por exemplo.



REFERÊNCIAS

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