Associação Brasileira de Cerâmica



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Anais do 43º Congresso Brasileiro de Cerâmica 0340

2 a 5 de junho de 1999 - Florianópolis – S.C.

E
STUDO COMPARATIVO ENTRE O COMPORTAMENTO MECÂNICO DAS ARGAMASSAS ADITIVADAS, EM PAINÉS COM E SEM CHAPISCO PARA USO EM REVESTIMENTO

Djane de Fatima Oliveira*, Gelmires de Araujo Neves**,

Solange Maria da Rocha Patricio ***, , Francisco Edmar Brasileiro***

Av. Aprígio Veloso, 882, Cidade Universitária - 58109-970, Campina Grande - Paraíba. Fone: (083) 310.1115 Fax: (083) 310.1114, e-mail: djane@deq.ufpb.br

UFPB/CCT - Dep. de Eng. Química* , Dep. de Materiais** e Dep. Engenharia Civil***


RESUMO



No estudo das argamassas devem ser considerados o conjunto de características relevantes do revestimento de base, merecendo destaque a relação de aderência existente entre a argamassa e o substrato.

Este trabalho tem como objetivo principal estudar a resistência da aderência à tração em painéis experimentais, visando caracterizar argamassas sobre substratos. Para a realização deste trabalho foram aplicadas argamassas em painéis de cimento e areia nos traços 1:8, 1:9, 1:11 (em volume) aditivada, conforme especificação do fabricante, sobre superfície com e sem chapisco em alvenaria de blocos de vedação. Os resultados obtidos aos 28 dias, indicam, de maneira geral, uma melhor resistência de aderência à tração nos traços 1:8 e 1:9 e como sugestão que sejam estudadas painéis com maiores tempo de aplicação.
Palavras-chaves:. argamassa, comportamento mecânico, plastificante
INTRODUÇÃO
Produzidas geralmente no próprio canteiro de obra, com base apenas no conhecimento prático, as argamassas passaram a necessitar de fundamentos técnicos e parâmetros de controle a partir da implantação de conceitos de qualidade, produtividade, racionalização do processo produtivo e desempenho da construção. Nos últimos dez anos, os estudos e pesquisas, tem contribuído para o desenvolvimento de uma tecnologia própria para as argamassas identificando e quantificando, quando possível as propriedades indispensáveis para o desempenho apropriado de suas funções durante a vida útil das edificações(1), (2).

Devido a grande variedade de problemas, as argamassas apresentam certas dificuldades para o seu uso correto, os quais são atribuídos a fatores como: deficiência de mão-de-obra, projetos inadequados, equipamentos incompatíveis, a não adoção de metodologias de controle e os materiais usados na produção de argamassas.

A aplicação de aditivos as argamassas deve seguir preferencialmente as orientações do catálogo dos fabricantes. Porém, com as dosagens experimentais e o uso de acordo com as condições propostas, pode conduzir à utilização racional do produto explorando ao máximo suas potencialidades. A utilização de aditivos cuja finalidade é alterar as propriedades das argamassas, busca reduzir o consumo de água; aumentar a plasticidade; aumentar a adesividade no estado úmido; retardar o tempo de pega do cimento; melhorar a aderência no estado endurecido; reduzir o módulo de deformação e melhorar a trabalhabilidade(3).

O presente trabalho tem como objetivo avaliar o comportamento mecânico das argamassas aditivadas, em painéis com e sem chapisco para uso em revestimento.

MATERIAIS E MÉTODOS

Cimento Portland

Foi empregado, cimento do tipo CP – II Z – 32, da marca ZEBÜ, adquirido no comércio local de Campina Grande – PB.

Areia

Foi utilizada areia proveniente do rio Paraíba, normalmente usada em construção civil, passada em peneira ABNT no 4 (4,8mm).
Aditivo

Foi empregado o plastificante Adit-cal composto de resinas, polímeros e copolímeros, adquirido da fábrica no Estado do Rio Grande do Norte – RN.



Água

Foi usada água potável fornecida pela CAGEPA (companhia responsável pelo abastecimento de água de Campina Grande – PB).

METODOLOGIA




Confecção das Argamassas

Os traços utilizados para a preparação das argamassas em “volume” foram 1:8, 1:9, 1:10, e 1:11 aditivadas conforme especificação do fabricante e aplicadas sobre superfície com e sem chapisco em alvenaria de blocos de vedação, cujos fatores água/aglomerante variavam de acordo com a experiência do mestre de obra quanto a consistência da argamassa para uso em revestimento. Nos painéis que foram previamente chapiscados, utilizou-se um traço 1:3 em volume de cimento e areia. Para fins comparativos, foram preparadas argamassas convencionais, com os mesmos traços solicitados pelo fabricante do aditivo.

Na confecção das argamassas foi utilizado uma betoneira, com duas velocidades de rotação, onde velocidade era gradualmente elevada à medida que os componentes iam sendo homogeneizados.

Confecção dos Painéis

Foram confeccionados 8(oito) painéis, 4(quatro) em alvenaria com chapisco e 4 (quatro) sem chapisco, utilizando argamassas convencionais (AC) e argamassas utilizando aditivos - adit-cal (AA), somando um total de 16 painéis, que foram posteriormente aplicadas em paredes com dimensões de 1,0 m2, na parte externa do laboratório de Solos III/DEC/CCT/UFPB. Após 28 dias de aplicação foram feitos seis furos para cada traço e tempo fixado, resultando um total de 96 furos. Logo após fixadas as pastilhas com cola, as argamassas foram submetidas ao ensaio de resistência de aderência à tração - RAT (arrancamento), segundo Norma NBR 13528(4), da ABNT.



RESULTADOS E DISCUSSÃO

Serão apresentados e discutidos os resultados obtidos nos ensaios de resistência de aderência à tração (arrancamento), para as argamassas AC e AA, com e sem chapisco, para uso em revestimento, confeccionadas em painéis para os traços 1:8, 1:9, 1:10 e 1:11, para idades de 28 dias.

As Tabelas (I e II) e as Figuras (1 e 2) , apresentam ensaios de resistência de aderência à tração, das argamassas em estudo, com e sem chapisco, para uso em revestimentos.
TABELA I - Ensaios de Resistência de Aderência à Tração das Argamassas Com Chapisco, aos 28 Dias de Aplicação.


Traços

Espessura do revestimento (mm)

AC

Tensão (MPa)



AA

Tensão (MPa)



Forma de Ruptura

1:8

2,0

0,40

0,30

Interface revestimento/cola

1:9

2,0

0,39

0,28

Interface revestimento/cola

1:10

2,0

0,38

0,22

Interface revestimento/cola

1:11

2,0

0,36

0,22

Interface revestimento/cola



Observando os resultados obtidos na Tabela I e explícitos na Figura 1, para os painéis estudados em alvenaria com chapisco, podemos verificar que a resistência de aderência à tração aos 28 dias de aplicação, para ambas as argamassas, os valores de forma geral decrescem de 0,40 MPa(traços 1:8) para 0,36 MPa(traço 1:10) para as argamassas convencionais e 0,30 MPa(traços 1:8) para 0,22 MPa (traços 1:10, 1:11) para as argamassas aditivadas.

Comparando os valores com a Norma NBR 13749(5), da ABNT o limite de resistência de aderência à tração para emboço e camada única (parte externa) deverá ser igual ou superior a 0,30 MPa, referente a idade de 28 dias, portanto verificamos que todos os traços aplicados às argamassas convencionais atendem as especificações, enquanto que, para as argamassas utilizando o aditivo apenas o traço 1:8 encontra-se dentro da Norma. Logo, o uso do plastificante adit-cal, para o traço 1:8. melhora as características mecânicas das argamassas para uso em revestimento, desde que sejam aplicadas em alvenaria com chapisco.

TABELA II - Ensaios de Resistência de Aderência à Tração das Argamassas Sem Chapisco, aos 28 Dias de Aplicação.



Traços

Espessura do revestimento (mm)

AC

Tensão (MPa)



AA

Tensão (MPa)



Forma de ruptura

1:8

2,0

0,29

0,28

Interface revestimento/cola

1:9

2,0

0,22

0,21

Interface revestimento/cola

1:10

2,0

0,25

0,18

Interface revestimento/cola

1:11

2,0

0,14

0,13

Interface revestimento/cola



Observando os resultados obtidos na Tabela II e representados na Figura 2, para os painéis estudados em alvenaria sem chapisco, podemos verificar que o mesmo comportamento da resistência de aderência à tração para ambas as argamassas, ou seja, os valores decrescem de 0,28 MPa(traços 1:8) para 0,13 MPa(traço 1:10) para as argamassas convencionais e 0,29 MPa(traços 1:8) para 0,14 MPa(traços 1:11). Portanto, verificamos que os traços estudados para as argamassa convencionais e para as argamassas com aditivos em alvenaria sem chapisco, não atendem as especificações. da Norma NBR 13749(5), da ABNT.



CONCLUSÕES

Dos estudos realizados com as argamassas convencionais e as argamassas aditivadas com plastificante (adit-cal), para uso em revestimento de paredes e tetos, podemos concluir que:



  • A resistência de aderência à tração máxima é obtida (valores lidos), aos primeiros dias de aplicação ao substrato, tanto para alvenarias com chapisco como para as sem chapisco;

  • uso do plastificante adit-cal, utilizando o traço 1:8 com chapisco é o único que apresenta resistência obtida no limite mínimo especificado, pela Norma da ABNT;

  • independente do traço utilizado, em estudo, para alvenarias com chapisco, as argamassas convencionais atendem as especificações da ABNT;

  • Em se tratando dos traços estudados, para argamassas utilizadas em revestimento, o uso ou não do plastificante adit-cal, aplicadas às alvenarias sem chapisco não apresentaram desempenho mecânico satisfatório.

  • tanto as argamassas convencionais como as compostas com aditivo, aplicadas às alvenarias sem chapisco, não apresentam comportamento mecânico satisfatório.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




  1. KOPSCHITZ, P. FRANCINETE J. P. CINCOTTO. M. A. JOHN V. M. Estudo da retração e do desenvolvimento de propriedades mecânicas de argamassas mistas para revestimento. Anais do II Simpósio Brasileiro de Tecnologia das Argamassas.

  2. CARASEK, H. Fatores que exercem influência na resistência de aderência de argamassas. Anais do II Simpósio Brasileiro de Tecnologia das Argamassas.

  3. SILVA. A.; SILVA S. R. AZEVEDO M. T. GARCIA L. V. MATTOS E. G. Avaliação de desempenho de argamassa de revestimento – Estudo comparativo. Anais do II Simpósio Brasileiro de Tecnologia das Argamassas.

  4. ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, Revestimento de Paredes e Tetos de Argamassas inorgânicas – Determinação da resistência de aderência à Tração, NBR 13528, (1995).

  5. ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, Revestimento de Paredes e Tetos de Argamassas inorgânicas – Especificação, NBR 13749, (1996).

  6. ALMEIDA Jr., Horácio; LOPEZ, Ivanir José; MARTINS, Joaniel Munhoz; SABBATINI, Fernando Henrique Avaliação das Características de Revestimentos Produzidos com Argamassas Industrializadas

  7. TRISTÃO, Fernando Avancini; ROMAN, Humberto Ramos Influência da Composição Granulométrica da Areia nas Propriedades Mecânicas das Argamassas de Revestimento das Edificações.

  8. CARNEIRO, Arnaldo Manoel Pereira; CINCOTTO, Maria Alba Requesitos e Critérios de Desempenho para Revestimento de Camada Única em Argamassa de cimento e Cal

COMPARATIVE STUDY AMONG MECHANICAL BEHAVIOURS OF ACTIVATED MORTAR FOR COATING PANELS WITH AND WITHOUT FINISHING

ABSTRACT

In the study of the mortars IT should be considered the group of important characteristics of the base coating. In this context, it is the relationship of existent adherence between the mortar and the substratum.

The main objective of this research is to study the adherence strength to traction in experimental panels in order to characterize the mortars on substrata. In the present research, it was applied activated mortars to cement-sand panels in the ratios of 1:8, 1:9, 1:11 (in volume) according to specifications. The activated mortars were applied on surface with and without finishing in masonry blocks.

The results obtained for application period of 28 days, indicated that, in general way, a better adherence strength to traction is obtained in ratios of 1:8 and 1:9. This indicated that large panels should be studied along with longer application times.


Key words: Mortar, mechanical Behaviours, Plastic.



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