Aula Prática nº 4



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Encontro16.03.2018
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Pedologia e Geoquímica


2º Ano Licenciatura em Engª do Ambiente
Docente: Orquídia Neves

Aula prática nº 4




Objectivo: Determinar e classificar a reacção (pH) do solo
O pH traduz a actividade hidrogeniónica de uma dada solução. A determinação do pH do solo (reacção) só é possível em solução, pelo que a sua obtenção exige que se junte uma porção de água e solo e se agite energicamente. O pH do solo é normalmente determinado numa suspensão solo/água , obtendo-se o chamado pH (H2O) ou numa suspensão solo/solução salina normal*, mais frequentemente o cloreto de potássio, obtendo-se, neste último caso, o chamado pH (KCl).

Como outro meio qualquer, o solo pode apresentar reacção (pH) ácida, neutra ou básica. Uma das causas mais comuns de acidez do solo é a perda de bases (Na, K, Ca, Mg) por arrastamento nas águas de infiltração. A alcalinidade do solo, pelo contrário, verifica-se, regra geral, quando não há arrastamento das bases.


PROCEDIMENTO:
Material:

- pipetas de 25 ml

- copos de 100 ml

- varetas de vidro

- água destilada/desionizada

- solução KCl N

- soluções padrão pH 4 e 7

- potenciómetro

- amostras de terra fina (< 2 mm)
- Pesar 10g de terra fina seca para um copo de 100 ml.

- Adicionar 25 ml de água destilada/desionizada ou de solução KCl N (proporção solo/solução = 1:2,5).

- Deixar em contacto 1 hora, agitando várias vezes com uma vareta de vidro.

- Calibrar o potenciómetro com soluções tampão pH 4 e pH 7.

- Emergir o eléctrodo na suspensão de solo, depois de agitada, e fazer a leitura passados 60 s ou depois do valor estabilizar.
Exercício:


  1. Determine o pH de diferentes amostras de solo recorrendo aos dois métodos.

2- Comente os resultados obtidos.
Objectivo: Determinar a capacidade de campo do solo
A capacidade de campo é um parâmetro do solo que mede a sua capacidade para reter água a qual pode ser influenciada pela textura e quantidade de matéria orgânica entre outros parâmetros. Um forma de estimar no laboratório a capacidade de campo de um solo consiste em saturar uma quantidade de solo seco conhecida e deixar drenar livremente o excesso de água durante um período de 24-48 horas, ao abrigo da evaporação natural. A percentagem de humidade retida pelo solo nessas condições corresponderá à sua capacidade de campo.
Exercício:
Determine a capacidade de campo de diferentes amostras de solo e comente os resultados obtidos.
Objectivo: Caracterização dos solos com base em parâmetros físico-químicos e mineralógicos
Exercício:
Na tabela 1 apresentam-se características físico-químicas e mineralógicas de alguns solos. Com base nesses dados:


  1. Classifique-os em relação á textura.

  2. Classifique-os em relação ao teor de matéria orgânica (tab. 2 e 3).

  3. Recorrendo à escala de Pratolongo (tab.4) classifique os solos em relação à sua reacção.

  1. Comente a influência da reacção destes solos, no desenvolvimento de culturas, que poderão entrar na nossa dieta alimentar.

  2. Calcule o valor de S ( soma das bases de troca) e de V (grau de saturação).

  3. Comente a possibilidade de estes solos apresentarem “acidez trocável”.

  4. Identifique o principal catião de troca e apresente possíveis razões que o justifiquem.

  5. Explique as diferenças de CTC detectadas nos vários solos.

Tabela 2- Designação da "textura de campo"



Designação da

"textura de campo"

Classes de textura

Ligeira

Arenosa

Franco-arenosa

Média

Franca

Franco-limosa

Pesada

Franco-argilosa

Argilo-arenosa

Argilo-limosa

Tabela 3 - Classificação do solo em relação ao teor de matéria orgânica



Percentagem de matéria orgânica


Designação indicativa do nível de matéria orgânica

Textura ligeira

Textura média a pesada

20-10

30-15

Muito alto

10-5

15-7

Alto

5-3

7-5

Medianamente alto

3-2

5-2

Médio

2-0,5

2-1

Baixo

< 0,5

< 1

Muito baixo

 - o termo húmífero ou húmico antecede a designação da textura

 - acrescenta-se o termo húmifero ou húmico à designação da textura


Tabela 4 - Escala de Pratolongo



Tabela 5 – Valores de pH preferidos por algumas culturas.


Tabela 6 - Capacidade de troca iónica de alguns constituintes do solo




Constituintes do solo

CTC

cmolc/kg

Materia orgânica humificada

100-300

Vermiculite

100-150

Montmorilonite

80-150

Alófana

80

Ilite

10-40

Caulinite

3-15

Óxidos-hidróxidos Fe, Al

2-5

Tabela 1- Características físico-químicas dos solos.



Amostra de solo

Análise granulométrica

g/kg

Textura

pH

(H2O)

MO

%

CTC

me/100g

Catiões de troca


me/100g

Minerais

Secundários


S


me/ 100g

V

%


"acidez trocável"

Areia

Limo

Argila

Ca

Mg

k

K

Na

SO

855

110

35




7,95

0,75




7,5

2,00

0,3

0,85

3,0

I













SM

413

207

380




5,70

3,70




51,5

17,5

24,5

0,30

0,60

E e A













SV

600

40

360




4,40

2,00




5,75

0,4

0,1

0,55

-

C>I













SA

473

276

251




7,07

3,96




22,41

15,55

4,97

0,06

0,12

I>C













SB

683

160

157




6,20

1,00




42,50

16,8

18,75

0,06

0,96

E> C













E – grupo das esmectites; C – caulinite; I – ilite; V – vermiculite; A - alófana
SO- solo aluvial

SM –solo de Mafra, derivado de basaltos

SV – solo de Viseu

SA – solo do Alentejo



SB – solo do Bombarral (derivado de doleritos)


* Designa-se solução salina normal aquela que contém 1 equivalente-grama (eq g) de um sal por litro de solução. O equivalente-grama dos sais obtém-se dividindo a massa molar (numericamente igual ao peso molecular expresso em gramas) pelo número de oxidação do seu catião ou catiões. Uma solução normal (N) de KCl é uma solução que contém 74,5 g KCl/l (74,5 = 39 + 35,5 / 1).



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