Avaliação da atividade antimicrobiana do óleo essencial de Zanthoxylum caribaeum L. correlacionada à toxicidade sobre Artemia salina



Baixar 20.68 Kb.
Encontro20.04.2018
Tamanho20.68 Kb.



Avaliação da atividade antimicrobiana do óleo essencial de Zanthoxylum caribaeum L. correlacionada à toxicidade sobre Artemia salina
Adrieli Gorlin Toledo (PICV/Unioeste/PRPPG), Juliete Gomes de Lara de Souza, Camila Beatriz Santana, Kelly Mayara Poersch, Fabiana Gisele da Silva Pinto (Orientador), e-mail: fabiana.pinto@unioeste.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR.
Área e subárea: Ciências Biológicas, Microbiologia
Palavras-chave: potencial antimicrobiano, atividade citotóxica, plantas nativas
Resumo
Diante do aumento da resistência bacteriana e devido à importância de ampliar o conhecimento a respeito das propriedades biológicas de espécies nativas, o presente estudo buscou avaliar o potencial antimicrobiano da espécie Zanthoxylum caribaeum (Rutaceae) bem como determinar sua atividade citotóxica. Para isso, realizou-se a extração do óleo essencial das folhas frescas através do equipamento do tipo Clevenger. Em seguida, realizou-se com o óleo essencial os testes de Concentração Inibitória Mínima (CIM) e Concentração Bactericida Mínima (CBM) a partir da metodologia de microdiluição em caldo. Além desses testes, determinou-se a atividade citotóxica utilizando-se o microcrustáceo Artemia salina. A avaliação da atividade antimicrobiana do óleo essencial frente a diversas cepas patogênicas, demonstrou atividade significativa para S. aureus, apresentando CIM de 109 µg/mL e CBM de 7000 µg/mL. Quanto a atividade citotóxica observou-se que o óleo de Z. caribaeum apresentou toxicidade quando em contato com o microcrustáceo A. salina. Assim sendo, a descoberta de importantes atividades biológicas referentes à espécie Z. caribaeum, possibilitam uma perspectiva frente sua utilização como potencial antimicrobiano.
Introdução
O Brasil é um país com vasta diversidade de espécies vegetais consideradas medicinais, que podem ser utilizadas para o controle de diversos tratamentos de saúde. Nesse sentido, o estudo da atividade antimicrobiana, bem como dos agentes antimicrobianos tem se intensificado muito atualmente, tendo seu ápice devido o surgimento de micro-organismos resistentes. Por esse motivo, a busca de produtos alternativos, tais como os óleos essenciais, tem se intensificado nos últimos anos.

Além disso, faz-se necessário testes de toxicidade, com o objetivo de avaliar ou prever os efeitos de substâncias tóxicas nos sistemas biológicos, possibilitando averiguar a toxicidade relativa das substâncias que são preponderantes para a eficácia e a segurança a fim de uma possível utilização da planta (Barosa et al., 2003).

A espécie Zanthoxylum caribaeum L. é conhecida como espinho-de-barrão, espinho-cheiroso, espinheiro-preto, pertencente à família Rutaceae, tem ocorrência na floresta atlântica e na floresta da encosta meridional da Serra Geral (Sobral et al., 2006). O óleo essencial desse gênero, bem como sua atividade antimicrobiana foi observada em: Z. xanthoxyloides (Ngassoum et al., 2003) e Z. rhoifolium (Gonzaga et al., 2003).

Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a atividade antimicrobiana do óleo essencial da folha de Z. caribaeum bem como determinar sua toxicidade frente ao microcrustáceo Artemia salina.


Materiais e Métodos
A coleta das folhas de Z. caribaeum foi realizada no parque ecológico Paulo Gorski, localizado no município de Cascavel, região oeste do estado do Paraná. Para obtenção do óleo essencial a partir das folhas frescas, utilizou-se o equipamento tipo Clevenger através da metodologia padrão de arraste por vapor d’água.

A determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) e Concentração Bactericida Mínima (CBM) foi realizada segundo a metodologia de microdiluição em caldo, descrita por Bona (2012) e utilizou-se os micro-organismos padrões comprados da American Type Culture Collection (ATCC): Salmonella Typhimurium (ATCC 14028), Salmonella Enteritidis (ATCC 13076) e Salmonella Gallinarum (ATCC 1138), Staphylococcus aureus (ATCC 25923), Pseudomonas aeruginosa (ATCC 27853) e uma cepa de levedura Candida albicans (ATCC 10231). As concentrações testadas do óleo essencial variaram de 7.000µg/mL a 1,68 µg/mL. Os ensaios foram realizados em triplicata.

Para determinar a atividade citotóxica do óleo essencial foi utilizado o teste de letalidade frente à Artemia salina. O óleo essencial foi solubilizado em dimetilsulfóxido (DMSO), com concentrações variando entre 1000, 100, 10 e 1µg/mL. Os testes foram realizados com as larvas náuplios, em triplicata (Grupo A, B e C). As larvas foram consideradas mortas quando não exibiram nenhum movimento durante vários segundos de observação (Meyer et al., 1982).
Resultados e Discussão
Os resultados do estudo com o óleo essencial de Z. caribauem L. revelaram a presença de atividade antimicrobiana para a cepa Gram positiva S. aureus com CIM de 109 µg/mL e CBM de 7000 µg/mL. O potencial antimicrobiano encontrado em relação a S. aureus corrobora com o estudo feito por Detoni et al. (2009) em relação à atividade antimicrobiana do óleo essencial das folhas de Z. tingoassuiba, frente às bactérias Gram positivas, S. aureus, Streptococcus mutans e Micrococcus luteus.

As bactérias Gram negativas como P. aeruginosa e os sorovares de Salmonella ao contrário das bactérias Gram positivas utilizadas neste estudo, foram resistentes às concentrações do óleo testado. Estes resultados concordam com os existentes na literatura, os quais relatam uma maior suscetibilidade das bactérias Gram positivas frente a produtos vegetais (Burt, 2004).

A sensibilidade maior de cepas Gram positivas ao óleo testado como foi observado, pode ser atribuída a diferenças estruturais em relação às Gram negativas, sobretudo na parede bacteriana, uma vez que a parede celular das Gram negativas são mais complexas podendo assim dificultar a penetração do óleo essencial testado. Segundo Holley & Patel (2005) a membrana dupla apresentada pelas bactérias Gram negativas forma um envelope complexo, protegendo-as contra a ação de agentes antimicrobianos, diferentemente das Gram positivas.

Apesar da atividade antifúngica já relatada para várias plantas da família Rutaceae, bem como o gênero Zanthoxylum, não foi detectado esta atividade com o óleo de Z. caribaeum na presente pesquisa. A influência dos valores ecológicos e o ambiente químico de cada espécie, afeta o presença e abundância de metabólitos secundários, justificando a falta de atividade do óleo em relação a C. albicans (Gobbo-Neto & Lopes, 2007).

Os resultados obtidos referentes ao teste citotóxico com A. salina frente ao óleo essencial Z. caribaeum, indicam toxicidade apresentando a morte de todas as larvas na concentração de 1000 μg/mL de óleo.

Diante disso, esse estudo possibilita a valorização da flora nativa, bem como a descoberta de importantes atividades biológicas referentes à espécie Z. caribaeum, possibilitando assim uma perspectiva frente sua utilização como potencial antimicrobiano.


Conclusões
O óleo essencial de Z. caribaeum apresentou atividade antimicrobiana para a bactéria Gram positiva S. aureus e com CIM e CBM dentro dos limites de detecção do teste realizado e toxicidade frente ao microcrustáceo A. salina. Por fim, destaca-se que é necessário aprofundar as investigações sobre a atividade antimicrobiana e citotóxica com o objetivo de justificar e validar o uso dos óleos essenciais.
Agradecimentos
Unioeste, CNPq e Fundação Araucária.

Referências
Barosa, J., Ferreira, A., Fonseca, B. & Sousa, I. (2003). Teste de toxicidade do íon cobre para Artemia salina. Dissertação de Biologia Marinha e Pesca, Universidade do Algarve.
Bona, E.A.M. (2012). Comparação de métodos de avaliação e atividade antimicrobiana de extratos vegetais sobre sorovares de Salmonella spp. de origem avícola. Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-Graduação em Conservação e Manejo de Recursos Naturais, Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
Burt, S. (2004). Essential oils: their antibacterial properties and potencial applications in foods – a review. International Journal of Food Microbiology 94, 223- 253.
Detoni, C.B., Cabral-Albuquerque, E.C., Hohlemweger, S.V., Sampaio, C., Barros, T.F. & Velozo, E.S. (2009). Essential oil from Zanthoxylum tingoassuiba loaded into multilamellar liposomes useful as antimicrobial agentes. Journal of Microencapsulation 26, 684-691.
Gobbo-Neto, L. & Lopes, N.P. (2007). Plantas medicinais fatores de influência no conteúdo de metabólitos secundários. Química Nova 30, 374-381.
Gonzaga, W.A., Weber, A.D., Giacomelli, S.R., Simionatto, E., Dalcol, I.I., Dessoy, E.C. & Morel, A.F. (2003). Composition and antibacterial activity of the essential oils from Zanthoxylum rhoifolium. Revista Brasileira de Plantas Medicinais 69, 773-775.

    


Holley, R.A. & Patel, D. (2005). Improvement in shelf-life and safety of perishable foods by plant essential oils and smoke antimicrobials. Food Microbiology 22, 273-292.
Meyer, B.N., Ferrigni, N.R., Putnam, J.E., Jacobsen, L.B., Nichols, D.E. & McLaughlin, J.L. (1982). Brine shrimp: a convenient general bioassay for active plant constituents. Journal of Medicinal Plant Research 45, 31-34.
Ngassoum, M.B., Essia-Ngang, J.J., Tatsadjieu, L.N., Jirovetz, L., Buchbauer, G. & Adjoudji, O. (2003). Antimicrobial study of essential oils of Ocimum gratissimum leaves and Zanthoxylum xanthoxyloides fruits from Cameroon. Fitoterapia 74, 284- 287.
Sobral, M., Jarenkow, J.A., Brack, P., Irgang, B.E., Larocca, J. & Rodrigues, R.S. (2006) Flora arbórea e arborescente do Rio Grande do Sul, Brasil. São Carlos: RiMa/Novo ambiente.





Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal