AvaliaçÃo da resistência e absorçÃo de água de produtos cerâmicos de santa maria –RS



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Anais do 45º Congresso Brasileiro de Cerâmica 040280

30 de maio a 2 de junho de 2001 - Florianópolis – SC




AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA E ABSORÇÃO DE ÁGUA DE PRODUTOS CERÂMICOS DE SANTA MARIA – RS

C. C. Ferreira; J.M. Soares; N.M. Borges; L. Marchetti; M. R. Kaiser; J. B. Dorneles; G.D. Rossato ; M. Guerra ;, M. Nierotka



Rua Honório Magno, 441 – Santa Maria – RS – CEP 97070-450

e-mail: jmario@ct.ufsm.br – Fone 0**55-2230782

Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – CT – Santa Maria - RS

RESUMO



Este trabalho objetiva a avaliação de produtos de cerâmica vermelha de Santa Maria (RS) em relação à resistência à compressão e absorção de água. A produção total das 19 olarias do município compreende cerca de 4 milhões de peças/ mês. Desse universo foram coletadas amostras de 6 olarias. As amostras foram ensaiadas segundo procedimentos recomendados pela ABNT. A análise dos resultados mostra que para os blocos de vedação a resistência média à compressão varia de 1,4 MPa a 3,6 MPa e a absorção de água varia de 12,6% a 17%. Para os tijolos maciços a resistência a compressão varia de 8,3 MPa a 18,7 MPa com coeficiente de variação de 14% a 47%. A análise geral mostra que todas as amostras ensaiadas atendem às Normas Técnicas da ABNT, com relação à resistência e absorção de água.
Palavras-chaves: argila, cerâmica, ensaios.
INTRODUÇÃO
O setor de cerâmica vermelha, no Brasil, é constituído por pequenas e médias empresas que apresentam pequena escala de produção e baixa rentabilidade (1), (2). Em Santa Maria (RS) o setor de cerâmica é constituído de 19 olarias que produzem cerca de 4 milhões de peças/mês.

O controle tecnológico dos produtos é incipiente em função de que o mercado consumidor ainda é pouco exigente quanto à certificação da qualidade de materiais de construção.

Este trabalho objetiva analisar o comportamento dos produtos cerâmicos fabricados em Santa Maria, quanto à resistência à compressão (tijolos maciços e blocos) e absorção de água (blocos de vedação).
METODOLOGIA
A primeira etapa do trabalho compreendeu a definição de uma amostra constituída de 6 olarias do universo de 19 olarias, que fosse representativa dos diferentes níveis de tecnologia e de escalas de produção. As amostras dos produtos foram coletadas nas olarias pela própria equipe de pesquisa, utilizando um critério aleatório para coleta das unidades.

A segunda etapa correspondeu à realização dos ensaios de absorção de água das amostras de blocos de vedação, segundo as recomendações da NBR 8947(3) (fervura por 2 horas para obtenção da massa saturada).

Os ensaios mecânicos de ruptura à compressão foram realizados conforme procedimentos recomendados pela ABNT (NBR 6460 – para tijolos maciços(4) e NBR 6461 – para blocos cerâmicos(5)), sendo cada amostra constituída de 13 unidades que, após receberem capeamento com argamassa, ficaram imersas em água por 24 horas, antes da ruptura.

A Figura 1 mostra detalhes de ruptura dos produtos analisados.








(a) (b)

Figura 1 – Ensaio de ruptura dos produtos



  1. Bloco de vedação (furo misto)

  2. Tijolo maciço

RESULTADOS


A Tabela I apresenta os resultados de resistência à compressão (RC) e respectivos coeficientes de variação (CV), de blocos e tijolos maciços de 6 olarias de Santa Maria. Espaços não preenchidos indicam que a olaria não produz esse produto.
Tabela I – Resistência à compressão de blocos e tijolos maciços - Santa Maria (RS)


Olaria

1

2

3

4

5

6

Bloco de vedação de 8 furos


Redondo


RC (MPa)

-

-

-

-

-

-

CV (%)

-

-

-

-

-

-

Misto


RC (MPa)

-

-

-

2,94

-

-

CV (%)

-

-

-

18

-

-

Quadrado


RC (MPa)

1,88

-

-

-

-

-

CV (%)

22

-

-

-

-

-

Bloco de vedação de 6 furos


Redondo


RC (MPa)

-

-

2,86

-

-

1,75

CV (%)

-

-

14

-

-

42

Misto


RC (MPa)

-

2,99

-

3,35

-

-

CV (%)

-

10

-

18

-

-

Quadrado


RC (MPa)

2,47

-

-

-

2,48

-

CV (%)

20

-

-

-

21

-

Bloco de vedação de 4 furos


Redondo


RC (MPa)

-

-

3,61

3,42

-

1,36

CV (%)

-

-

18

24

-

40

Misto


RC (MPa)

-

2,95

-

-

-

-

CV (%)

-

11

-

-

-

-

Quadrado


RC (MPa)

-

-

-

-

3,09

-

CV (%)

-

-

-

-

39

-

Tijolo maciço



RC (MPa)

10,51

-

8,30

9,75

18,20

16,02

CV (%)

22

-

47

17

45

14

A Tabela II apresenta os resultados dos ensaio de absorção de água das amostras de blocos de vedação.


Tabela II – Resultados de ensaios de absorção - blocos de vedação

Olaria

1

2

3

4

5

6

Bloco de vedação de 8furos

Absorção

(%)


15,48

-

-

16,39

-

-

Bloco de vedação de 6furos

Absorção

(%)


12,64

13,01

14,36

14,35

15,03

12,17

Bloco de vedação de 4furos

Absorção

(%)


-

12,55

13,19

14,24

15,82

14,69

ANÁLISE DOS RESULTADOS



A Figura 2 mostra os resultados de resistência à compressão para tijolos maciços correspondente as olarias analisadas e seu desempenho frente as suas categorias definidas pela Norma NBR 7170/83 (Categoria (A) – 1,5MPa; Categoria (B) – 2,5 MPa; Categoria (C) – 4,5MPa)(6).
Figura 2 – Resistência à compressão de Tijolos Maciços de Santa Maria
Observa-se dessa figura que todas as olarias atendem às categorias de resistência à compressão e que a Olaria 5 obteve o melhor resultado médio entre as analisadas (18,2 MPa), porém observa-se da Tabela I que o respectivo coeficiente de variação da resistência apresentou um valor elevado (45%). Segundo Campagnolo e outros(7), valores desse coeficiente até 25% são considerados aceitáveis para cerâmica vermelha.

A
Figura 3 mostra os resultados médios de resistência à compressão de blocos cerâmicos de 4, 6 e 8 furos com formatos quadrado (Q), misto (M) e redondo (R). Observa-se que todas as amostras de blocos se enquadram em alguma das classes de resistência especificadas pela NBR 7171/92(8).


Figura 3 – Resistência à compressão de Blocos de Vedação de Santa Maria
Entre as 6 olarias analisadas apenas duas produzem blocos de 8 furos, sendo que, a Olaria 4 obteve o melhor resultado referente à resistência à compressão, ou seja, 2,94 MPa para o bloco de furo redondo, bem como, menor coeficiente de variação 18%.

Todas as olarias fabricam blocos de 6 furos, compreendendo os três formatos de furos, onde os blocos de furo misto apresentam os valores mais elevados para a resistência à compressão (3,35 MPa – Olaria 4) e valores mais baixos para o coeficiente de variação (10% - Olaria 2).

Blocos de 4 furos são produzidos em 5 das 6 olarias, apresentando também os três formatos de furos. O valor mais alto para resistência à compressão foi obtido na Olaria 3 com bloco de furo redondo 3,61 MPa e coeficiente de variação de 18%.

Observa-se da Tabela I que a Olaria 6 apresentou os piores valores de resistência à compressão e elevados coeficientes de variação para os blocos analisados. Por outro lado, constatou-se que as Olarias 3 e 4 apresentaram os melhores resultados.

N
a Figura 4 é apresentado um comparativo entre os resultados de absorção de água dos blocos analisados e o intervalo de aceitação, conforme NBR (7171/92). Todos os resultados estão no intervalo aceitável de 8% a 25%.
Figura 4 – Absorção de água de blocos de vedação de Santa Maria
CONCLUSÕES


  • A análise dos resultados mostra que, para os blocos de vedação de Santa Maria (RS), a resistência média à compressão varia de 1,36 MPa a 3,61 MPa e seus coeficientes de variação se encontram entre 10% e 42%.

  • Para os tijolos maciços a resistência à compressão varia de 8,30 MPa a 18,20 MPa, com coeficiente de variação de 14% a 47%.

  • A análise geral mostra que todas as amostras ensaiadas atendem às Normas Técnicas da ABNT, com relação a resistência à compressão;

  • A absorção de água para os blocos de vedação de Santa Maria (RS) varia de 12,6% a 17%;

  • Todas as amostras atendem às Normas Técnicas da ABNT, com relação a absorção de água;

REFERÊNCIAS




  1. MORENO Jr., A. L. M.; RAMOS, M. V.; KLAFKE, M. A. C. Controle de qualidade dos tijolos maciços de barro cozido fornecidos à região de Campinas, SP. IV Congresso Iberoamericano de Patologia das Construções – CONPAT 97, Porto Alegre, RS, 1997. p. 527-530.

  2. QUINTANA, L. M. H. Avaliação das Matérias-Primas e Produtos Cerâmicos da Região de Bagé – RS. Dissertação de Mestrado. CPGEC/UFSM. 2000. 116p.

  3. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMA TÉCNICAS – NBR 8947/85 – Telha cerâmica – Determinação da massa e da absorção de água.

4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 6460/83 – Tijolo maciço cerâmico para alvenaria – verificação da resistência à compressão.

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 6461/83 – Bloco cerâmico para alvenaria – verificação da resistência à compressão.

  2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 7170/83 – Tijolo maciço cerâmico para alvenaria.

  3. CAMPAGNOLO, J. L.; NANNI, L. F.; MASUERO, J. R. Determinação das características estruturais de alvenaria de tijolos cerâmicos furados. Anais COLLÓQUIO, Porto Alegre, 1987. p. 135-147.

  4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – NBR 7171/92 – Bloco cerâmico para alvenaria.

EVALUATION OF RESISTANCE AND WATER ABSORPTION OF CERAMIC PRODUCTS FROM SANTA MARIA – RS
ABSTRACT
This paper aims at evaluating red ceramic products from Santa Maria (RS) in regard to their resistance to compression and water absorption. The overall production of the 19 potteries in the town comprises about 4 million pieces/month. From this universe, samples from 6 potteries were selected. The samples were then essayed according to the procedures recommended by ABNT (Brazilian Association of Technical Measures). The analysis of the results reveals that for ceramics blocks the average resistance to compression ranges from 1.4 MPa to 3.6 MPa and water absorption ranges from 12.6% to 17%. For bricks the average resistance to compression ranges from 8.3 MPa to 18.2 MPa with a variation coefficient of 14% to 47%. The general analysis shows that all the essayed samples meet the regulations of ABNT concerning resistance and water absorption.
Key words: clay, ceramic, tests.



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