Avaliação do efeito da clorexidina e do hipoclorito de sódio na cimentação adesiva de pinos – estudo in vitro



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Avaliação do efeito da clorexidina e do hipoclorito de sódio na cimentação adesiva de pinos – estudo in vitro
Guilherme Schmitt de Andrade, Larissa Pinceli Chaves, Vera Lúcia Schmitt, Fabiana Scarparo Naufel(Orientadora), e-mail: biberes@terra.com.br
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel-PR
Grande área e área: Ciências da Saúde – Odontologia
Palavras-chave: Cimentação, Pinos dentários, Cimentos de resina, Clorexidina, Hipoclorito de sódio.
Resumo
Pinos de fibra de vidro tem sido utilizado para restauração de dentes despolpados; sua fixação intrarradicuar é realizada por meio de processo adesivo, que é obtido pela infiltração do adesivo resinoso nos espaços abertos na rede da matriz colágena, exposta pela desmineralização da dentina, e sua polimerização in situ. Podem ocorrer falhas nessa adesão, por degradação hidrolítica da fase polimérica e das fibrilas de colágeno na camada híbrida; ou pela exposição da matriz orgânica da dentina, ocasionada pelo condicionamento ácido, que ativa as enzimas proteolíticas da dentina (MMPs e CTs). Para que isso não ocorra, diferentes estratégias têm sido propostas, como a desproteinização da dentina condicionada ou o uso de inibidores das MMPs. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da clorexidina, como inibidor das MMPs e CTs, e do Hipoclorito de sódio, pela desproteinização da dentina desmineralizada, na cimentação adesiva de pinos de fibra de vidro em condutos radiculares. Pode-se concluir que, no momento inicial, o uso de clorexidina ou hipoclorito de sódio não promove benefícios ou prejuízos na resistência de união adesiva de pinos de fibra de vidro à dentina. No entanto, há influência dos terços radiculares sendo a resistência de união maior no terço cervical, seguido pelo terço médio, e inferior no terço apical.
Introdução

A fixação de pinos de fibra de vidro é feita por meio da adesão à dentina; cujo bom desempenho depende de sistemas adesivos e de cimentos resinosos. Porém, a exposição da matriz orgânica da dentina, pelo condicionamento ácido, pode ativar enzimas proteolíticas da dentina, como as metaloproteinases (MMPs) e cisteíno-catepsinas (CTs) (Tjäderhane et al., 2013). Para evitar esta biodegradação, diferentes estratégias têm sido propostas, como a desproteinização, pela remoção do colágeno exposto pela desmineralização (Perdigão et al. 1999; Uceda-Gómez et al., 2007) e o uso de inibidores das MMPs (Osorio et al., 2011)

Há evidências de que a utilização de inibidores das MMPs, após o condicionamento ácido, permite inativá-las, favorecendo a manutenção da camada híbrida por mais tempo (Hebling et al., 2005; Carrilho et al., 2010). A clorexidina (CHX) é um antibacteriano que tem efeitos benéficos na preservação da união adesiva, tendo inibição significante da atividade de MMPs e CTs (Wang et al., 2013).

O Hipoclorito de sódio (NaOCl) é um agente proteolítico inespecífico, capaz de remover matérias orgânicas (Perdigão et al., 2000). A dentina tratada com NaOCl é rica em cristais expostos de hidroxiapatita (Erhard et al., 2008), e pode resultar em interface mais estável ao longo do tempo, porque passa a ser essencialmente mineral (Toledano et al., 2002).

O objetivo deste estudo é avaliar o efeito da CHX, como inibidor das MMPs e CTs, e do Hipoclorito de sódio, pela desproteinização da dentina desmineralizada, na cimentação adesiva de pinos de fibra de vidro em condutos radiculares.
Materiais e Métodos
O delineamento do estudo foi de experimental Fatorial 3 x 3, com parcelas subdivididas. Os fatores de estudo são: 1) Tratamentos, em 3 níveis: a- Controle; b- Clorexidina 2%; c- Hipoclorito de Sódio 5%. 2) Terço radicular, em 3 níveis: i) Cervical, ii) Médio, e iii) Apical. A variável resposta é a resistência da união adesiva, avaliada em ensaio mecânico por força de extrusão (push-out).

Os dentes bovinos foram mantidos em solução de Cloramina T 0,5%, por no máximo 1 mês, a 4oC. Após serem limpos, os dentes foram selecionados na região da junção amelo-cementária e as porções coronárias foram descartadas, de modo a obter raízes bovinas recém-extraídas. Por análise das dimensões mésio-distal e de comprimento original, foi feita a seleção de trinta raízes similares, que apresentassem comprimento radicular padronizado de 17 mm, condutos cilíndricos e de diâmetro compatível com o pino, sendo armazenadas em água deionizada, a 4oC.

O preparo das raízes foi realizado com lima K n°45, com distância de trabalho de 16 mm. Os condutos foram preparados utilizando brocas Gates Glidden de numeração 1,2 e 3 consecutivamente e em seguida brocas Largo 4, 5 e 6, mantendo 1 mm de distância do ápice da raíz. As raízes foram imersas em água deionizada, e submetidas à limpeza em cuba ultrassônica, durante 5 min; e secos com cones de papel absorvente (Tanari, Manacapuru, AM, Brasil).

Foi cimentado em cada raiz um pino nº 2, de formato cônico, liso, constituído de filamentos de fibras de vidro imersos em uma matriz de resina epóxica com uma haste metálica no centro de sua estrutura (Exacto, Ângelus, Londrina, PR, Brasil). Os pinos de fibra de vidro foram limpos com álcool etílico e posteriormente silanizados (Primer silano – Ângelus, Londrina, PR, Brasil), deixando secar por um minuto.

O preparo dos condutos foi feito o condicionamento por ácido fosfórico 37%, por 15s, lavagem com spray de água por 30s, secagem com papel absorvente. As raízes foram aleatoriamente distribuídas em 3 grupos (n=10), de acordo com os tratamentos: a- Controle – condicionamento ácido e sequencia adesiva; b- CHX 2% (Maquira Denta Products, Maringá, PR, Brasil) aplicado por 60s, após o condicionamento ácido, e secado com papel absorvente; c- NaOCl 5% aplicado por 2 minutos, após o condicionamento ácido, sob agitação; sendo lavado por 15s e seco com papel absorvente. Para todos os grupos, a aplicação do adesivo foi feita em duas camadas, cada uma seguida de leve jato de ar, por 30s.

A cimentação dos pinos foi realizada com cimento resinoso dual (RelyX ARC, 3M ESPE), manipulado durante 10s, levado em excesso ao conduto, utilizando-se ceringa Centrix®, o pino foi instalado, fotopolimerizado (VALO, Ultradent) por 60s.

Após a cimentação, os espécimes foram mantidos em água deionizada, a 37oC (Estufa 502, Fanem, São Paulo, SP, Brasil), por 48 horas. Então as raízes foram seccionadas perpendicularmente ao longo eixo, obtendo-se de 8 a 9 fatias (corpo-de-prova), de 1±0,2 mm de espessura, com disco diamantado (Extex) em máquina de corte (Labcut 1010 – Extec Corp., Londres, Inglaterra), sob irrigação constante. As fatias obtidas foram divididas e individualmente identificadas, de acordo com os três terços apicais, e armazenadas em água deionizada a 37°C, por 24 horas. Cada espécime forneceu corpos-de-prova dos três diferentes terços radiculares: i) Cervical, ii) Médio, e iii) Apical.

Após 24 horas, os corpo-de-prova foram submetidos ao ensaio mecânico push-out, sendo aplicada a carga no sentido apico-coronal, apenas sobre a superfície do pino por meio de uma ponta, com variação de 1,3mm a 0,8mm de diâmetro, acoplada a máquina de ensaio universal de ensaios (EMIC DL 10000, EMIC Equipamentos e Sistemas de Ensaio Ltda, São José dos Pinhais, Paraná, Brasil), com célula de carga de 500kg (50N), a velocidade de 1,0 mm/min.

Os diâmetros de cimentação de cada lado das fatias (coronal e apical) e sua espessura foram verificados com auxílio de paquímetro digital (Messen Sensor Technology Co, Guangdong China), e a área de interface adesiva, em mm2, calculada utilizando-se a seguinte fórmula: A = π (R2+R1) [h2 + (R2-R1)2]0,5; onde π= 3,14; R2= raio coronal da área de cimentação da fatia; R1= raio apical da área de cimentação da fatia; h= altura da fatia.

Os dados foram tabulados considerando os fatores: tratamento e terços radiculares. A normalidade dos dados foi verificada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov (p<0,05). Sendo observada a distribuição normal e homogênea dos dados, foi realizada a ANOVA Fatorial 3x3, para parcelas subdivididas (5%). Havendo diferenças estatisticamente significantes, foi realizado o teste complementar de Tukey (5%).


Resultados e Discussão

Os resultados apontaram significância estatística para o fator terços apicais, e então aplicado o teste complementar de Tukey (p< 0,0001). O fator tratamento não apresentou diferenças estatísticamente significantes (p= 0.0644) e nem tampouco a interação dos dois fatores (p= 0.1935).



Estes resultados evidenciam que o distanciamento da fonte de luz interfere negativamente na qualidade adesiva na cimentação de pinos, devido à menor conversão polimérica do cimento. Ainda, por serem valores obtidos no momento inicial (24h) da adesão, pode-se verificar que ambos os tratamentos não comprometem a adesão inicial significativamente. Estes tratamentos pretendem evitar ou minimizar a degradação da interface adesiva, ou pelo efeito inibidor de enzimas proteolíticas (CHX) ou pela eliminação das fibrilas colágenas que viriam a ser degradas pelas enzimas proteolíticas (NaOCl), que só pode ser verificado após períodos de armazenamento em água, o que será a continuidade deste estudo, uma vez que não houve sinais de prejuízo na adesão incial quando aplicados estes tratamentos.

Terço

Média (DP)

Cervical

14,45 (5,47)a

Médio

9,25(5,08)b

Apical

4,99(4,28)c

Conclusão
Pode-se concluir que, no momento inicial, o uso de clorexidina ou hipoclorito de sódio não promove benefícios ou prejuízos na resistência de união adesiva de pinos de fibra de vidro à dentina. No entanto, há influência dos terços radiculares sendo a resistência de união maior no terço cervical, seguido pelo terço médio, e inferior no terço apical.
Referências
Carrilho, M.R.; Carvalho, R.M.; Sousa, E.N.; Nicolau, J.; Breschi, L.; Mazzoni, A. Substantivity of chlorhexidine to human dentin. Dent Mater. 2010; 26(8):779-85.
Erhardt, M.C.; Osorio, E.; Aguilera, F.S.; Proença, J.P.; Osorio, R.; To­ledano, M. Influence of dentin acid-etching and NaOCl-treatment on bond strengths of self-etch adhesives. Am J Dent. 2008;21:44-8.
Hebling, J.; Pashley, D.H.; Tjäderhane, L.; Tay, F.R. Chlorhexidine arrests subclinical degradation of dentin hybrid layers in vivo. J Dent Res. 2005; 84(8):741-6.
Osorio, R.; Yamauti, M.; Osorio, E.; Ruiz-Requena, M.E.; Pashley, D.H.; Tay, F.R. Effect of dentin etching and chlorhexidine application in metalloproteinase-mediated collagen degradation. Eur J Oral Sci. 2011;119:79-85.





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