AvaliaçÃo do potencial de produçÃo de forragem de gramíneas anuais semeadas no verãO



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ENSAIO NACIONAL DE AVEIAS FORRAGEIRAS (ENAF), TRÊS DE MAIO – 2011
MARCOS CARAFFA1, MARCELO RIGO2, ALCIONE JOSÉ SCHUH3, TIAGO BIGOLIN3

INTRODUÇÃO


A aveia tem várias utilizações em uma propriedade rural. Além de possibilitarem geração de recursos com a produção de grãos para alimentação humana e animal e servirem de cobertura ao solo, gerando palhaça e melhoria nas condições físicas, químicas e biológicas do solo, as aveias são muito utilizadas para alimentação dos animais através de inserção em sistema de pastoreio ou ofertadas aos animais, no cocho, em condição de matéria verde, silagem ou feno (COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, 2006).

As aveias devem ser cortadas, tanto em condições de pastejo quanto verde para serem ofertadas no cocho, quando atingirem aproximadamente 30 centímetros de altura, deixando-se de 7 a 10 centímetros de colmo remanescente, a fim de que ocorra proteção do meristema apical, necessário à manutenção dos rebrotes subsequentes (COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA, 2003).

A aveia preta, com vigoroso crescimento, é a forragem de inverno de maior cultivo no Sul do Brasil, sendo mais rústica que a aveia branca, embora essa última apresente maior tolerância ao frio (FONTANELI; SANTOS; FONTANELI, 2009).

Conhecer o desempenho de cultivares de aveia em termos de produção de massa verde e de massa seca a partir de vários cortes, além de seus hábitos de crescimento e formas de interação com o ambiente se torna importante, sobretudo se for considerado o fato da diversidade de ambientes edafoclimáticos encontrados no país.

Esse é o propósito do presente estudo, considerando as condições edafoclimáticas do município de Três de Maio, RS, componente de uma das principais bacias leiteiras do Brasil, portanto, com altíssima necessidade de geração de alimento ao rebanho bovino.
MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa, conduzida na Área de Pesquisa SETREM, no município de Três de Maio, RS, teve caráter quantitativo, com procedimento laboratorial, estatístico e comparativo (LIMA, 2004). A coleta de dados foi efetuada por observação direta intensiva e testes de aferição de pesos (LAKATOS; MARCONI, 2006), sendo que o tratamento dos mesmos foi articulado utilizando médias, desvio padrão e teste de Tukey (LIMA, 2004). No ano em epígrafe foram avaliados nove cultivares, sendo cinco de aveia branca (FAPA 2, IPR 126, SI 0501-23M, SI 0501-30M e SI 0502-56M) e quatro de aveia preta (IAPAR 61, UPFA 21 Moreninha, Preta Comum e SI 031AP09), utilizando delineamento experimental de blocos ao acaso, com quatro repetições. Foram utilizados como testemunhas os cultivares Preta Comum e IPR 126. Cada parcela foi instalada em cinco linhas de cinco metros de comprimento, espaçadas de 0,20 metros. A semeadura foi efetuada manualmente, em sistema convencional de cultivo, em 04 e 05 de maio, utilizando 300 sementes viáveis por metro quadrado. A adubação de manutenção foi realizada conforme interpretação de análise de solo, sendo aplicados 150 kg ha-1 da fórmula 10-25-25, depositados na linha de semeadura. A emergência plena ocorreu em 14 de maio e a adubação de cobertura foi realizada sempre após os cortes, utilizando 20 kg ha-1 de nitrogênio na forma de uréia. O primeiro corte em cada parcela foi efetuado sempre que atingida a altura de 20 a 25 centímetros, deixando resíduo de 6 a 8 centímetros. Os cortes posteriores ocorreram sempre que as parcelas atingiram 30 a 35 centímetros, deixando resíduo de 8 centímetros aproximadamente, à exceção do último corte, efetuado quando 50 % das plantas estavam em estádio de emborrachamento.

Para fins de avaliação foram considerados quatro metros das três linhas centrais das parcelas, gerando área útil de 2,4 m2. A partir do material colhido calculou-se a quantidade total de massa verde, sendo que uma amostra de cada parcela, a cada corte, foi levada à estufa a uma temperatura de 60 °C para a determinação da percentagem de massa seca. Os resultados relativos à produção de massa verde e de massa seca foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de significância (Tabela 1). No ensaio também foi avaliado o hábito de crescimento dos genótipos (escala de 1 a 9, representando, respectivamente, hábito vertical e prostrado).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Quanto ao hábito de crescimento, o mais prostrado foi o apresentado pelo genótipo IPR 126, enquanto o mais ereto ocorreu nos cultivares UPFA 21 Moreninha, SI 031AP09 e SI 0502-56M.

O maior número de cortes ocorreu nos genótipos SI 0502-56M (seis) e FAPA 2 (cinco), sendo que os demais materiais propiciaram quatro cortes cada.

Quanto à massa verde (média 28.824 kg ha-1) se destacou a aveia branca SI 0502-56M (33.880 kg ha-1), sem, no entanto, diferenciar-se significativamente dos cultivares FAPA 2, SI 00501-23M, IAPAR 61 e SI 00501-30M.

Segundo Santos, Fontaneli, Baier e Tomm (2002), em condições de pastejo a aveia preta pode produzir até 6,0 toneladas de massa seca por hectare enquanto a aveia branca pode atingir até 7,0 toneladas. Referente à massa seca (média 4.061 kg ha-1), destacou-se o genótipo FAPA 2 (4.552 kg ha-1), sem se diferenciar estatisticamente dos cultivares 0501-23M, SI 0501-30M, IAPAR 61, IPR 126 e SI 0502-56M. Nesse quesito o rendimento mais baixo foi apresentado pelo cultivar Preta Comum (3.482 kg ha-1), material de maior cultivo na região alvo do estudo, sem se diferenciar significativamente dos genótipos SI 031AP09, UPFA 21 Moreninha, IPR 126 e SI 00501-30M.

CONCLUSÕES


A análise da Tabela 1 indica que a aveia mais cultivada na região, a Preta Comum, apresentou, comparativamente aos demais materiais estudados, massa verde e massa seca muito aquém do esperado. Cabe analisar o resultado comparativo da aveia Preta Comum, uma vez que entre as testemunhas é a que apresenta significativa área cultivada na região alvo do estudo, além de ciclo compatível às condições climáticas consideradas. Assim, no quesito massa verde, o genótipo com melhor resultado, o SI 0502-56M, apresentou peso 36,7 % superior ao da Preta Comum. Já, no que diz respeito a massa seca, o cultivar de melhor desempenho, FAPA 2, atingiu resultado 30,7 % maior que a Preta Comum. Esse é um forte indicativo da importância de estudos que avaliem melhor os materiais forrageiros em uso na alimentação do gado leiteiro da região em foco, uma vez ser possível de estarem gerando prejuízos aos produtores devidos aos baixos índices de matéria seca apresentados.


REFERÊNCIAS





  1. ADDINSOFT. 2004. XLStat your data analysis solution. Lausanne: Addinsoft.




  1. COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE AVEIA. 2003. Indicações técnicas para cultura da aveia: grãos e forrageira. Passo Fundo: UPF.



  1. ________ 2006. Indicações técnicas para cultura da aveia. Guarapuava: Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária.



  1. FONTANELI, R. S.; SANTOS, H. P.; FONTANELI, R. S. 2009. Forrageiras para integração lavoura-pecuária-floresta na região sul-brasileira. Passo Fundo: Embrapa Trigo.




  1. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. 2006. Fundamentos de metodologia científica. 6.ed. São Paulo: Atlas.




  1. LIMA, M. 2001. Monografia da produção acadêmica. São Paulo: Saraiva.




  1. SANTOS, H. P.; FONTANELI, R. S.; BAIER, A. C.; TOMM. G. O. 2002. Principais forrageiras para integração lavoura-pecuária, sob plantio direto, nas regiões planalto e missões do Rio Grande do Sul. Passo Fundo: Embrapa Trigo.

Tabela 1 - Hábito de crescimento, número de cortes, rendimento de massa verde, percentagem de matéria seca e rendimento

de massa seca do Ensaio Nacional de Aveias Forrageiras (ENAF), Três de Maio, RS, 2011.





 

Hábito

Número

Massa

Matéria

Massa

Genótipos

crescimento

de cortes

Verde

Seca

Seca

 

(1-9)1

efetuados

(kg.ha-1)

(%)

(kg.ha-1)

IAPAR 61

2

4

30123 a b

14,7

4422

a b

UPFA 21 Moreninha

1

4

27453 b c d

13,5

3699

b c

Preta Comum (T)

2

4

24794 c d

14,0

3482

c

SI 031AP09

1

4

23880 d

14,6

3498

c

FAPA 2

3

5

31934 a b

14,2

4552

a

IPR 126 (T)

7

4

26693 b c d

15,2

4051

a b c

SI 00501-23M

6

4

30949 a b

14,4

4466

a b

SI 00501-30M

7

4

29707 a b c

15,0

4458

a b

SI 0502-56M

1

6

33880 a

11,6

3945

a b c

Média

 

 

28824

 

4061

 

C.V. (%)

 

 

7,69

 

9,00

 

1 "1" vertical e "9" prostrado. Médias seguidas de mesma letra não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade.




1 Eng. Agrônomo, M.Sc., Professor da Faculdade de Agronomia – SETREM - garrafa@setrem.com.br

2 Zootecnista, M. Sc., Professor da Faculdade de Agronomia – SETREM – rigo@setrem.com.br

3 Acadêmicos da Faculdade de Agronomia da Sociedade Educacional Três de Maio – SETREM.


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