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AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES: A MESOPOTÂMIA E OS HITITAS

Avenída Elias García, 81

1000 LISBOA
edições 70 Tels. 762720-762792-762854
TÍTULO AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES II
AUTOR PIERRE LÉVÊQUE
COLECÇÃO LUGAR DA HISTÓRIA
CÓDIGO 004-042 PREÇO

Fabricador de instrumentos de trabalho, de habitações, de culturas e sociedades, o homem é também agente transformador da história. Mas qual será o lugar do homem na história e o da história na vida do homem?

LUGAR DA HISTÓRIA
1 'A NOVA HISTÓRIA, Jacques e Goff, Le Roy Ladurie, Georges Duby e outros

2. UMA HISTÓRIA ANTROPOLÓGICA, W. G. L. Randles, Nathan Wachtel e outros

3. A CONCEPÇÃO MARXISTA DA HISTÓRIA, HeImut Fleischer
4. SENHORIO E FEUDALIDADE NA IDADE MÉDIA, Guy Fourquin

5. EXPLICAR O FASCISMO, Renzo de Felice


6. A SOCIEDADE FEUDAL, Marc Bloch
7. O FIM DO MUNDO ANTIGO E O PRINCÍPIO DA IDADE MÉDIA, Ferdinand Lot
S. 0 ANO MIL, Georges Duby
9. ZAPATA E A REVOLUÇÃO MEXICANA, John Worriarck Jr.

10. HISTÓRIA DO CRISTIANISMO, Ambrogio Donini


11. A IGREJA E A EXPANSÃO IBÉRICA, C. R. Boxer
12. HISTÓRIA ECONÓMICA DO OCIDENTE MEDIEVAL, Guy Fourquin

13. GUIA DE HISTÓRIA UNIVERSAL, Jacques Herman


14. O IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS, C. R. Boxer

15. INTRODUÇÃO À ARQUEOLOGIA, Carl-Axel Moberg


16. A DECADÊNCIA DO IMPÉRIO DA PIMENTA, A. R. Disney

17. O FEUDALISMO, UM HORIZONTE TEÓRICO, Alain Guerreau


18. A ÍNDIA PORTUGUESA EM MEADOS DO SÉC. XVII, C. R. Boxer

19. REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA, Jacques Le Gof


20. COMO SE ESCREVE A HISTÓRIA, Paul Veyne
21. HISTÓRIA ECONÓMICA DA EUROPA PRE-INDUSTRIAL, Cario Cipolla

22. MONTAILLOU, CÁTAROS E CATÓLICOS NUMA ALDEIA FRANCESA (1294-1324), E. Le Roy Ladurie


23. OS GREGOS ANTIGOS, M. 1. Finley
24. O MARAVILHOSO E O QUOTIDIANO NO OCIDENTE MEDIEVAL, Jacques Le Goff
25. INSTITUIÇÕES GREGAS, Claude Mossé
26. A REFORMA DA IDADE MÉDIA, Brenda Bolton
27. ECONOMIA E SOCIEDADE NA GRÉCIA ANTIGA, Michei Austin e Pierre Vi, da] Naquet
28. O TEATRO ANTIGO, Pierre Grimal
29. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA EUROPA DO SÉCULO XIX, Tom Kemp

30. O MUNDO HELENÍSTICO, Pierre Lévéque


31. ACREDITARAM OS GREGOS NOS SEUS MITOS?, Paul Veyne
32. ECONOMIA RURAL E VIDA NO CAMPO NO OCIDENTE MEDIEVAL (Vol. 1), Georges Duby
33. OUTONO DA IDADE MÉDIA, OU PRIMAVERA DOS NOVOS TEMPOS?, Philippe WolIf_
34. A CIVILIZAÇÃO ROMANA, Pierre Grimal
35. ECONOMIA RURAL E VIDA NO CAMPO NO OCIDENTE MEDIEVAL (Vol. II), Georges Duby
36. PENSAR A REVOLUÇÃO FRANCESA, François Furet
37. A GRÉCIA ARCAICA DE HOMERO A ÉSQUILO (Séculos VIII-VI a.C.), Claude Mossé
38. ENSAIOS DE EGO-HISTÓRIA, Pierre Nora, Maurice Agulhon, Pierre Chaunu, George Duby, Raoul Girardet, Jacques Le Goff, Michelle Perrot, Renê Remond

39. ASPECTOS DA ANTIGUIDADE, Moses I. Finley


40. A CRISTANDADE NO OCIDENTE 1400-1700, John Bossy
41. AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES - I OS IMPÉRIOS DO BRONZE, Pierre Lévêque
42. AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES - II A MESOPOTÂMIA / OS HITITAS, Pierre Lévêque
AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES

Título original: Les Premières Civilisations, Tome I: Des Despotismes Orientaux a Ia Cité Grecque


Presses Universitaires de France, 1987
Tradução de Antônio José Pinto Ribeiro Revisão de Tradução de Artur Lopes Cardoso
Revisão Tipográfica de Maria Manuela L. Garcia da Cruz
Capa do Departamento Gráfico das Edições 70
Depósito legal n.9 36.891/90
Direitos reservados para todos os países de língua portuguesa por Edições 70, L.d.
EDIÇÕES 70, L.DA, Av. Elias Garcia, 81, r/c - 1000 LISBOA Telefs. 76 27 20 - 76 27 92 - 76 28 54
Fax: 76 17 36 Telex: 64489 TEXTOS P
DELEGAÇÃO NO NORTE:
EDIÇÕES 70, LDA. - Rua da Rasa, 173 - 4400 VILA NOVA DE GAIA Telef. 370 19 12/3
NO BRASIL:
EDIÇÕES 70, BRASIL, LTDA., Rua São Francisco Xavier, 224-A (TIJUCA) ,CEP 20550 RIO DE JANEIRO RJ
Telef. 284 29 42/Telex 40385 AMU B
Esta obra está protegida pela Lei. Não pode ser reproduzida, no todo ou em parte, qualquer que seja o modo utilizado, incluindo fotocópia e xerocópia, sem prévia autorização do Editor.
Qualquer transgressão à Lei dos Direitos de Autor será passível de procedimento judicial.
Pierre Lévêque

VOLUME II -A MESOPOTÂMIA/OS HITITAS


VCP - CRB
edições 70

NOTA DO EDITOR PORTUGUÊS


A obra Les Premières Civilisations, Tome L Des Despotismes Orientaux a la Cité Grecque onde, sob a direcção de Pierre Lévêque, colaboraram André Caquot, André Leroi-Gourhan e Jean Vercoutter, membros do Institut e Jenny Danmanville, Jean-Jacques Glassner, Jean-Pierre Grélois e Bemard Sergent foi dividido em três volumes na sua edição portuguesa, reunidos sob o título genérico As Primeiras Civilizações: o primeiro volume, com o subtítulo Os Impérios do Bronze, já publicado (n.' 41 na colecção Lugar da História), o presente volume, que ora damos à estampa, com o subtítulo A Mesopotâmia lOs Hititas e um terceiro volume, já no prelo, com o subtítulo Os Indo-Europeus e os Semitas.
LIVRO PRIMEIRO
CAPíTULO SEGUNDO
A MESOPOTÂMIA
ATÉ ÀS INVASõES ARAMAICAS DO FIM DO II MILÉNIO
INTRODUÇAO
A terra. - Na sequência dos historiadores gregos, considerou-
-se durante muito tempo a Mesopotâmia, a bacia do \ e do Eufrates, como uma unidade geográfica e histórica. Tal concepção, hoje caduca, não resiste à análise dos factos. A Mesopotâmia divide-se em quatro regiões de características muito diferentes, constituídas por oásis mais ou menos extensos, separados por estepes secas e pedregosas ou por pântanos.
A Norte, estende-se a Alta Mesopotâmia, suficientemente húmida para que a agricultura possa depender das chuvas de Inverno. Compreende a Assíria, rosário de oásis que se desfia ao longo do Tigre e dos seus afluentes, e a Djeziré, estepe desolada que serve de pastagem após os períodos de chuvas.
Vêm, em seguida, o vale do Eufrates e a planície aluvial, sujeitos às cheias caprichosas dos rios, as do Eufrates em Abril e as o Tigre em Maio. A paisagem é, pois, modulada pelas aluviões. É uma terra fértil; a raridade das chuvas toma, no entanto, necessário um sistema de irrigação complexo e altamente aperfeiçoado. Esta irrigação intensiva acabará entretanto por arruinar os solos fazendo que apareçam à superfície os elementos de sais que se encontram a alguma profundidade.

Mais a Sul, a região dos grandes pântanos é um autêntico mar de caniços rico em caça e em peixe. É o refúgio dos fugitivos e dos proscritos. Julgou-se durante muito tempo que, na Antiguidade, as costas do golfo Pérsico deviam encontrar-se mais a Norte do que se encontram nos nossos dias e que, consequentemente, as grandes cidades sumérias se situavam à beira do mar. Mas os trabalhos dos geólogos ingleses G. M. Lees e N. R. Falcon tendem a fazer admitir uma formação muito mais antiga da região baixa. As cidades ter-se-iam então erguido nas margens de uma laguna de água doce.


Por fim, a Sudeste, no prolongamento da planície, estende-se a Susiana, franja do Elão, banhada pelos cursos do Karum e do Kerkha cujos altos vales abrigam as rotas comerciais que conduzem ao planalto iraniano.
As várias partes da Mesopotâmia apenas têm em comum a ausênciaquase geral de minérios, de pedra e de madeira de construção. E à argila do solo que a Mesopotâmia vai buscar o tijolo, o seu único material de construção juntamente com a cana.
Importante encruzilhada de estradas, a planície não deixa de lembrar uma grande avenida comercial. Para além do golfo Pérsico, o tráfico marítimo estende-se até ao Indo. Na própria planície, as rotas fluviais são acompanhadas pelas rotas das caravanas que chegam até à Síria do Norte, às regiões de Kaffia, de Alepo ou de Karkemish. De lá partem as principais vias de comunicação para a Ásia Menor, Palestina e Egipto, e, ao longo das costas do Liffiano, para Chipre, Creta e ilhas do mar Egeu. Compreende-se então como o desejo de possuir um porto seguro no golfo Pérsico pôde suscitar conflitos. É óbvio que a vontade de controlar o conjunto das rotas comerciais da planície está na origem da formação dos grandes impérios.
Os habitantes. - A unidade de habitação, quadro habitual da vida na Mesopotâmia antiga, é a cidade. 0 florescimento urbano é marcado pelas fundações de cidades de que ostextos se fazem eco: Uruk, Acad, Shubat-enlíl, Kalá são exemplos ilustres entre tantos outros. Cada soberano faz questão em dar o seu nome a uma cidade: Dâr-Kurigalzu, Kâr-Tukulti-minurta, Dúr-Sharrukin.

0 Estado mesopotâmico é, primeiro que tudo, uma cidade, à qual o príncipe está ligado por estreitos laços; é igualmente uma dinastia, legitimação do seu poder. Ao longo dos séculos, desenha-se um esforço de urbanismo, cujo alcance nos escapa ainda dada


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a insuficiência das escavações arqueológicas. Só se conhecem relativamente bem as cidade de Assur e de Dúr-Sharrukin. Em Emar, na Síria do Norte, foi assinalado o plano em tabuleiro de xadrez da cidade do 11 milénio. As cidades estão divididas em bairros separados por grandes artérias: bairro dos templos, bairro dos palácios, bairro dos negociantes. Um grande espaço desabitado é reservado aos jardins e aos pomares. Se é verdade que a vida política, administrativa e religiosa tende a concentrar-se no centro da cidade, nos palácios e nos templos, as portas constituem o pólo de atracção da actividade comercial.
0 espaço camponês está igualmente estruturado. Podem assinalar-se três zonas por assim dizer concêntricas: pomares e hortas, terras cerealíferas, terrenos de pastagem. Sente-se nesta repartição o abrandamento do esforço humano, à medida que nos afastamos do centro urbano. Esta disposição das pastagens nas zonas marginais é significativa: com efeito, ao lado do citadino e do aldeão, o segundo elemento do povoamento da Mesopotâmia é o nómada criador de rebanhos.
Entre as duas comunidades as relações são constantes, quer de ordem económica quer militar. Os nómadas constituem, para os sedentários, recrutas de segunda ordem. A Mesopotâmia antiga não conhece os grandes nómadas cameleiros: estes só aparecem no último milénio antes da nossa era. São «pré-beduínos», que vivem na órbita do mundo sedentário, por vezes absorvidos por ele. São igualmente povos serranos que, passando o Verão nas montanhas da Arinénia e do Curdistão, são de lá escorraçados pelo frio e pela neve; refugiam-se então na Alta Mesopotâmia, de clima mais clemente. A penetração dos nómadas no meio sedentário segue um movimento lento, pacífico no seu conjunto. Entretanto, crises periódicas cujas razões, provavelmente de ordem demográfica, são difíceis de captar, provocam catástrofes. São as invasões. A Mesopotâmia conhece essencialmente duas: Amorreus e Arameus. Mas a dinastia nómada novamente instalada no trono urbaniza-se rapidamente e acaba por adquirir a mentalidade do citadino sedentarizado de longa data.
As descobertas. - Até ao séc. xviii ignorava-se tudo ou quase das civilizações que tinham florescido na Mesopotâmia, durante a Antiguidade. As ruínas dos palácios, dos tempos e das capitais dormiam pacificamente debaixo dos tells, montículos formados pela acumulação de diversos níveis de ocupação e areias

que estão hoje disseminados pela bacia dos dois rios. Só a Bíblia conservara a lembrança de alguns lugares célebres: Ur na Caldeia, pátria de Abraão; Nínive, a orgulhosa capital dos soberanos assírios; a torre de Babel, que os Judeus deportados para Babilónia haviam contemplado. Também os autores clássicos, Heródoto, Beroso, Estrabão, Eusébio, para só citar estes, traziam alguns pormenores muitas vezes pitorescos, sempre isolados, sobre esse mundo desaparecido. E os numerosos viajantes que, desde Benjamim de Tudela no séc. XII, haviam percorrido a Mesopotâmia, não tinham sabido despertar o interesse dos sábios e dos letrados.


Só no início do séc. XIX foram empreendidos trabalhos de envergadura. G. F. Grotefend, na sequência de uma aposta, interpreta com êxito um epitáfio real aqueinénida cuja cópia, trazida por um viajante holandês um século antes, possui. Foi assim dado o primeiro passo para a decifração das escrituras cuneiformes. Em 1802, publica um alfabeto persa antigo ao qual E. Burnouf e Chr. Lassen acrescentarão as últimas rectificações em 1836. Entretanto, em 1843, H. C. Rawlinson, cônsul geral britânico em Bagdade, recomeça tudo a partir do zero, decifrando a versão persa da inscrição aqueinénida de Behistun. Oito anos mais tarde, depois de tê-la identificado, publica a sua versão babilónica. Na mesma altura, E. Hincks descobre o carácter ao mesmo tempo silábico e ideográfico da escrita babilónica. Rawlinson por seu turno, em 185 1, mostra o seu carácter polifónico. Em 1.853,E. Norris publica a versão elamita da inscrição de Behistun, Em

1857, finalmente, H. Fox Talbot propõe a Rawlinson, Hincks e J. Oppert a tradução simultânea de um texto cuja aquisição acaba de fazer. Os resultados são probatórios: as quatro traduções concordam nos pontos essenciais. A escrita cuneiforme está decifrada.


Entrementes, as escavações começaram. Infelizmente, a ausência de técnicas, a preocupação de descobrir monumentos importantes e, sobretudo, tabuinhas inscritas prevalecem sobre toda a decapagem metódica. Sendo então a Assíria a unica região a fornecer relevos monumentais, acabou por ser saqueada, pilhada, por campanhas sucessivas. A partir de 1842 sucedem-se as missões: escavações em Nínive, começadas por P. E. Botta e continuadas por A. H. Layard, H. Rassam e W. K. Lofrus; escavações de Dúr-Sharrukin (Khorsabad), conduzidas por P. E. Botta e V. Place. A zona baixa, onde as escavações de Larsa, Ur e Eridu
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só forneciam ruínas de argila, foi poupada um pouco. Por falta de descobertas memoráveis a missão de F. Fresnel marca passo. Todavia, em 1877, E. de Sarzec descobre em Tello, a, antiga Girzu, novos monumentos que J. Oppert atribui fundamentadamente aos Sumérios. Será preciso esperar por 1887 para ver o alemão R. KoIdewey referenciar pela primeira vez níveis arqueológicos. Estavam dados os primeiros passos.
0 historiador dispõe, actualmente, de uma massa conslderável de documentos para assentar os seus conhecimentos. Após um século de pesquisas, os resultados adquiridos parecem notáveis, mas estão longe de ser completos. Em muitos pontos a nossa ignorância continua a ser total. A própria cronologia só está estabelecida com segurança a partir do séc. xiv da nossa era. Nenhuma nomenclatura, nenhuma periodização proposta é ainda satisfatória. E o que é mais importante, ignoramos tudo, ou quase, acerca dos principais actores da história mesopotâmica, os Sumérios. Eles são os artífices da civilização urbana. A sua origem é obscura, a sua língua não se liga a nenhum agrupamento linguístico conhecido. Quanto às estruturas sociais, ao modo de vida, ao pensamento religioso, os estudos não fizeram mais que abordá-los até este momento. Depara-se aqui com uma dupla dificuldade devida à natureza das nossas fontes: estas, obra da classe dos escribas e dos letrados, reflectem uma imagem parcial e já subjectiva da realidade; e, por outro lado, estão impregnadas de uma mentalidade muito afastada da nossa. 0 obstáculo é de importância. Ultrapassá-lo exige um método rigoroso, uma análise longa e paciente. A hora das grandes sínteses ainda não está próxima.
BIBLIOGRAFIA
Indicar-se-ão aqui apenas as obras de referência, que incluem, na sua maioria, abundantes bibliografias.
1. Arquelogia:
G. Contenau, Manuel d'árchéologie orientale, 1. 1-4, Paris, 1927-1947. R. W. Ehrich (ed.), Chronologies in old world archaeplogy, Chicago, 1965. W. S. Ellis, A bibliographY of Mesopotanzian archaeological sites, Wiesbaden, 1972.
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H. FrankfÓrt, Vie art and architecture of Ancient Orient, Harmondsworth, Penguin Books, 1958.


B. Hrouda, Vorderasien L Mesopotamien, Baby1onien, Iran und Anatolien, Munique, 197 1.
J.-CI. Margueron, Mésopotamie, Genebra, 1965.
A. Moortgat, Die Kunst des alten Mesopotamien, Colónia, 1967. A. Parrot, Archéologie mésopotamienne, 2 vol., Paris, 1946-1963. A. Parrot, Sumer, Paris, 1960.
A. Parrot, Assur, Paris, 1961.
J. B. Pritchard, 77te Ancient Near East in Pictures, Princeton, 1954.
E. Strommenger e R. Hirmer, Cinq milIénaires d'art mésopotamien, Paris,

1964.
2. Epigrafia. Colecções de textos:


A. Finet, Le code de Hammurapi, Paris, 1973.
R. Labat et al., Les religions du Proche-Orient, Paris, 1970.
J. B. Pritchard, lhe Ancient Near Eastern Texts relating to the Old Testament, Princeton, 1955, suplemento 1969.
M.-J. Seux, Hymnes et prières aux dieux de BabyIonie et dAssyrie, Paris,

1976.
E. Sollberger e J.-R. Kupper, Inscriptions royales sumériennes et akkadiennes, Paris, 1971.


3. Manuais gerais. História geral:
E. Ebeling, B. Meissner, E. Weidner et al., Reallexikon der Assyriologie, Berlim, 1928-(em, curso).
lhe Gambridge Ancient History, Cambridge, nova ed. 1964-(em. curso). Fischer Weltgeschichte, t. 2-4, Francoforte, 1965-1967.
D. Arnaud, Le Proche-Orient ancien, Paris, 1970.
J. Deshayes, Les civilisations, de I'Oiient ancien, Paris, 1969.
P. Garelli, Le Proche-Orient asiatique, col. «Nouvelle Clio», 2 vol., Paris,

1969-1974.


P. Garelli, LAssyriologie, col. «Que sais-je?», Paris, 1972.
G. Goossens, Asie occidentale ancienne, Histoire universelle (Encyclopédie de Ia Pléiade), t. I. Paris, 1955.
W. Hinz, Das Reich Elam, Estugarda, 1964. S. N. Kramer, lhe Sumerians, Chicago, 1963.
S. N. Kramer, Lhistoire commence à Sumer, Paris, 1975. A. L. Oppenheim, Ancient Mesopotamia, Chicago, 1964.
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4. História das religiões. História das mentalidades:
j. Bottéro, La religion babylonienne, Paris, 1952. E. Cassin, La splender divine, Paris, 1968.
E. Dhorme, Les religions de Baby1onie et dAssyrie, col. «Mana», Paris, 1949. D. 0. Edzard, em Wõrterbuch der Mythologie, Estugarda, 1965.
H. Frankfort, J . A. Wilson, T. Jacobsen, lhe Intellectual Adventure ofAncient Man, Chicago, 1946.
S. N. Kramer, Sumerian Mythology, Nova Iorque, 1961.
J. Nougayrol e L-M. Aynard, La Mésopotamie, Religions du Monde, Paris,

1965.
J. Nougayrol, La religion babylonienne Histoire des Religíons (Encyclopédie de Ia Pléiade), t. I, Paris, 1970.


J. Van Dijk, La sagesse suméro-~ienne, Leyde, 1953.
A PROTO-HISTóRIA MESOPOTÂMICA
1. As comunidades camponesas
A revolução neolítica está na origem de uma tranSfOrmaçao radical das condições de vida do homem pré-histórico. A descoberta, fundamental, da agricultura e da criação de gado tem como corolário imediato uma libertação: o homem deixa de estar sujeito às vicissitudes da recolecção e da caça. 0 habitat estabiliza-se no meio de uma paisagem já transformada. Comunidades aldeãs fazem, então, o seu aparecimento.
Na Mesopotâmia, a história destas comunidades é ainda demasiado pouco conhecida para que seja possível traçar um quadro de conjunto. Os nossos conhecimentos neste domínio totalmente dependentes das escavações arqueológicas que estão ainda nos seus inícios, no que se refere a estas épocas altas. Demasiado raras, reduzidas com frequência a simples sondagens, carecendo de meios, elas ainda só clarificam alguns momentos, importantes sem dúvida, da proto-história. A cronologia é imprecisa, a datação com carbono 14 dá resultados demasiado vagos; o método estratigráfico é mais satisfatório: parte do princípio segundo o qual as sucessivas camadas de ocupação do solo revelam uma ordem cronológica que vai do mais recente para o mais antigo, isto é, para o mais profundo. A comparação dos resultados obtidos em vários locais e o ponto de referência dos níveis contem-
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Mapa 1 A MESOPOTÂMIA DE MEADOS DO 7.' MILÉNIO A MEADOS DO 3.1 MILÉNIO


porâneos permitem estabelecer uma cronologia relativa. A par~ tir daí, podem distinguir-se vários períodos. Mas a ausência de terminologia precisa constitui um obstáculo suplementar., Com efeito, concordou-se em designar as grandes épocas de acordo com o nome do local onde foram identificadas pela primeira vez, o que pode dar origem a uma certa confusão.
As primeiras fundações. - Em Maio de 1948 descobriram-se, a leste de Kirkuk, os vestígios do mais antigo estabelecimento sedentário conhecido. Trata-se da aldeia de Kalaat Jarmo que remontaria a meados do VII milénio (cerca de 6750 segundo a datação com carbono 14). As escavações puseram à luz do dia umas vinte casas de paredes de lama - calcula-se em cerca de

150 pessoas a população da aldeia -, algumas sepulturas, vasos de pedra, fragmentos de obsidiana, figurinhas de animais e de «deusas-mães» em argila. A utensilagem desenterrada é exclusivamente lítica. Verifica-se a ausência total de cerân-úca. Numerosas ossadas de cabras, de carneiros, de bois, de porcos e de cães demonstram a dornesticação destes animais. A presença de grãos de trigo e de cevada documenta o desenvolvimento da agricultura.


No VI milénio, a civilização de Hassuna - do nome de uma aldeia do vale do Tigre, a sul de Mossul - conhece a cerâmica. Esta é feita à mão, raramente polida; é pintada ou incisa, por vezes ambas as coisas. A pintura é baça, de cor vermelha-escura ou preta. Os temas decorativos são simples, sempre de inspiração não figurativa. As construções são feitas de taipa. A utensilagem, que ilustra a importância crescente da agricultura e da criação de gado (foices, machados, raspadeiras, buris) é essencialmente de pedra e de osso.
Também do VI milénio, a civilização de Samarra, denominada de acordo com o local de Samarra a norte de Bagdade, foi conhecida desde 1912. Encontramo-la em Níníve, em Baghuz, no Eufrates médio, e até na planície de Antioquia. As construções são de tijolo cru em fon-nato grande. A cerâmica é monocromática, variando o tom do vermelho ao violáceo. Os motivos, de inspiração figurativa, mostram um gosto manifesto pela esqueniatização e pela abstracção; vê-se, por exemplo, uma dança de cabritos-monteses que se transforma em cruz de Malta. A cruz gamada, outro motivo frequentemente utilizado, tem talvez uma origem semelhante numa dança de quatro mulheres esguedelhadas.
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Tell Halaf. - A civilização de Tell Halaf, no V milénio, mostra-se já muito mais complexa. Desde os vales do Tigre (Arpatchiya, Niníve) e de Habur (Tell Brak, Chagar Bazar, Tell Halaf), estende-se ao longo do Eufrates (Karkemish) e exerce a sua influência até ao Mediterrâneo (Ras Shaníra) e Cilícia no Oeste, ao Sul do Iraque a Leste e à região do lago de Van no Norte. É bem conhecida desde as escavações do local de Arpatchiya, perto de Mossul. Fica-se impressionado pela frequência de edifícios circulares, alguns dos quais são precedidos de um vestíbulo rectangular. Desconhece-se ainda qual seria o destino destes tholoi. Foram já considerados fortalezas, celeiros, fornos, túmulos, santuários... É natural que não sejam simples casas de habitação. Constituem pelo menos uma componente caracterítica da civilização de Tell Halaf. A cerân-úca é de altíssima qualidade, ricamente decorada de temas naturalistas ou abstractos. Motivos novos, como os bucrânicos e os duplos machados gozam de grande favor, ao passo que a cruz gamada desaparece totalmente. 0 tema da «deusa mãe» está igualmente bem representado. Marcas de campânulas de argila e sinetes de pedras diversas testemunham o aprecimento da gliptica. A variedade das pedras utilizadas dá uma ideia da extensão das relações comerciais. A pedra, o osso e a argila continuam a ser os materiais preferidos para a utensilagem. Uma baixela de pedra foi encontrada em Arpatchiya. A grande novidade da época é a invenção de um processo para a fundição de certos metais, muito particularmente o cobre e o chumbo.


É sem dúvida na época de Tell Halaf que o sul do Iraque começa a ser habitado. Tal facto pode mesmo ter-se dado antes, se tivermos como ponto de referência alguns fragmentos de louça encontrados em Kish, Ur e Girsu, aparentados com a cerâmica de Hassuna. Os principais locais conhecidos nesta região são Kalaa Hadj Mohammed e Eridu. Kalaa Hadj Mohammed é um pequeno estabelecimento aldeão próximo de Uruk. Foi lá descoberta uma cerâmica feita à mão, de pintura geralmente brilhante, sempre monocromática (castanho-escuro, arroxeado, verde ou vermelho). Os temas decorativos são geométricos. Eridu, nas margens de uma laguna do Eufrates, é um local muito mais importante. Encontram-se aí nada menos que dezoito níveis de ocupação. No nível XVI pôde salientar-se o plano completo de um edifício. Trata-se de uma construção quadrangular dividida em duas por meio de pedras salientes.


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