Axé music e a produçÃo musical na bahia contemporânea



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Considerações Finais
O desempenho econômico do Estado - amplamente estruturado no setor de serviços -, reconhece a relevância da Axé Music e carnaval soteropolitano e, não raro, transforma seus principais artistas em estrelas de comerciais turísticos, numa missão de disseminar a marca Bahia, mas o fato é que ainda que agindo individualmente, parte relevante dos principais artistas da Axé Music, com o advento da independência artística, estimulou comportamentos isomórficos no mercado em diversos níveis de atuação, e, dentre elas, a gestão da obra musical, tendo como conseqüência, o surgimento destas organizações, oportunizando inserção e participação da Bahia num campo já institucionalizado internacionalmente.

O resultado coletivo, elemento fundamental nas questões envolvendo empreendedorismo institucional, é que tais artistas diversificaram as atividades das empresas, agiram com rapidez, criatividade e oportunismo nas festas e nas cidades – o Carnaval soteropolitano e as dezenas de carnavais fora de época espalhados pelo Brasil.

A mera e descontextualizada compreensão, neste sentido, da suposta “crise” da Axé Music, tendo como argumentação central os índices e estatísticas da indústria fonográfica é errônea, como já foi dito. Cabe reiterar, ainda, que os shows se configuram a fonte maior de renda destes artistas, não a vendagem de produtos fonográficos e os valores advindos da gestão da obra musical.

A indústria fonográfica é relevante no mercado de bens simbólicos, é bem verdade, mas sua participação não se configura determinante e exclusivo fator ao sucesso. Seus principais interlocutores parecem saber disso, e através de ações individuais ou coletivas vêm se articulando junto a outras formas de promoção dos seus artistas e repertórios. É inegável, entretanto, que o rápido sucesso deste gênero musical baiano contemporâneo estimulou comportamentos isomórficos envolvendo mercado e estética, que terminaram por estimular o surgimento de inúmeras produções com baixa qualidade técnica, inclusive.

Enquanto World Music, a musicalidade baiana denominada Axé Music conjuga, exemplarmente, dois aspectos fundamentais: referência rítmica original (percussão) e fusão de gêneros, estilos e células musicais. O constante diálogo entre tradição e modernidade, onde tambores e guitarras encontram-se devidamente ensaiados e dispostos para embates sonoros e/ou silenciosos, estéticos e/ou mercadológicos.

A Axé Music, em diversas unidades de análise, conseguiu estabelecer e manter relação com os principais organismos de comunicação e entretenimento do país, para muito além daquilo que se efetivava como seu período de festa e auge fonográfico. O preconceito estético relacionado à Axé Music não encontra lastro em seu campo real de shows, ensaios e estratégias competitivas visando sobrevivência no acirrado mundo dos negócios deste segmento da indústria cultural. Artistas e empresários deste gênero musical souberam estruturar estéticas, mas também a profissionalização e institucionalização de um campo relevante para a produção musical.



Pop e World Music, a Axé Music é dinâmica articulada e rizomática no mercado de bens simbólico-culturais, mas, desta vez, registrada a partir de um conjunto de empreendedores institucionais que, com criatividade e trabalho atestam a referencialidade de uma Bahia notabilizada por suas próprias canções, compositores, músicos e artistas. Artistas que se tornaram empresários, e aprenderam a fazer e exportar a música de um Estado com larga barra, agenda e repertório no assunto Brasil.



1 Telemática entendida enquanto conjunto resultante da articulação entre os recursos das telecomunicações (telefonia, satélite, fibras óticas, etc) e da informática (computadores, periféricos, softwares e sistemas de redes), que possibilitam o processamento, a compressão, o armazenamento e a comunicação de grandes quantidades de dados (texto, imagem e som), em curto prazo de tempo, entre usuários localizados em qualquer ponto do Planeta.

2 Gabriel Valois, gerente da unidade do ECAD na Bahia, em entrevista concedida no dia 16 de março de 2010.

3 No caso Bahia, percentuais de administração que variam de 20 a 30%.

4 Relação comercial entre editoras musicais via contrato de administração de catálogo, onde a editora musical local é administrada por outra.


Referências

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