Benjamin constant



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CONTRAPONTO


JORNAL ELETRÔNICO DA ASSOCIAÇÃO DOS EX-ALUNOS DO INSTITUTO

BENJAMIN CONSTANT

Criação: 25/Setembro DE 2006

( Dezembro/2016 - 107ª Edição)

Legenda:

"Enquanto houver uma pessoa discriminada, todos nós seremos discriminados."

Por que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito?!

Patrocinadores:


(ASSOCIAÇÃO DOS EX-ALUNOS DO IBC)
Editoração eletrônica: MARCIA DA SILVA BARRETO

Distribuição: gratuita


CONTATOS:

Telefone: (0XX21) 2551-2833

Correspondência: Rua Marquês de Abrantes 168 Apto. 203 - Bloco A

CEP: 22230-061 Rio de Janeiro - RJ

e-mail: contraponto.exaluibc@gmail.com

Site: jornalcontraponto.exaluibc.org.br/

EDITOR RESPONSÁVEL: VALDENITO DE SOUZA

e-mail: contraponto.exaluibc@gmail.com
EDITA E SOLICITA DIFUSÃO NA INTERNET.

SUMÁRIO:
1. EDITORIAL:

* 2016: escombros e fantasmas!
2. A DIRETORIA EM AÇÃO # DIRETORIA EXECUTIVA

* Relatório de Atividades Dezembro/2016


3 . O IBC EM FOCO # VITOR ALBERTO DA SILVA MARQUES:

* 2017: expectativas e Incertezas


4. ANTENA POLÍTICA # HERCEN HILDEBRANDT:

* Fidel Castro, um líder único


5. DE OLHO NA LEI #MÁRCIO LACERDA :

* Lei Estende Horário Especial a Servidor que Possui Cônjuge, Filho ou Dependente com Deficiência

* Lei Garante Acessibilidade a Mulheres com Deficiência para Tratamento de Câncer pelo SUS
6. DV EM DESTAQUE# JOSÉ WALTER FIGUEREDO:

* Cientistas russos afirmam estar próximos da cura da cegueira


7. TRIBUNA EDUCACIONAL # SALETE SEMITELA:

* Antes Que Nossos Filhos Cresçam


8. SAÚDE OCULAR #:

* Comunicado da Retina Internacional e da Retina Brasil: No Dia Mundial da Retina, 25 Setembro 2016*


9. DV-INFO # CLEVERSON CASARIN ULIANA:

* Como impedir que o seu computador fique lento


10. IMAGENS QUE FALAM # CIDA LEITE:

* Áudio-Descrição: Recurso de Acessibilidade Comunicacional


11. PAINEL ACESSIBILIDADE # DEBORAH PRATES:

* Acessibilidade no escuro


12. PERSONA # IVONETE SANTOS:

* Marcelo Rubens Paiva - "EU NÃO SEI PARA QUE SERVE A COMISSÃO DA VERDADE"


13. IMAGEM PESSOAL # TÂNIA ARAÚJO:

* Uma Boa Imagem Parte de Dentro


14. REENCONTRO # :

* Rubem Monteiro Bastos


15. OBSERVATÓRIO CONTRAPONTO # VALDENITO DE SOUZA:

* Ofélia Salta no Breu: Uma trapezista cega em ação


16. PANORAMA PARAOLÍMPICO # ROBERTO PAIXÃO:

1. Medalhistas paralímpicos abrilhantam GP INFRAERO de Judô para Cegos, em Belém

2. Considerações finais

3. Agradecimentos


17. TIRANDO DE LETRA # COLUNA LIVRE

* Verso Sem Alma

* Um Desabafo
18. BENGALA DE FOGO # COLUNA LIVRE

* Os cegos na praça


19. CONTRAPONTO NO AR # MARCOS RANGEL

* Programação da RC


20. CLASSIFICADOS CONTRAPONTO # ANÚNCIOS GRATUÍTOS

1. Paixão pelo sabor!

2. Alguns números de telefone de emergência no Brasil.
21. FALE COM O CONTRAPONTO#: CARTAS DOS LEITORES
--

ATENÇÃO:


"As opiniões expressas nesta publicação são de inteira responsabilidade de seus colunistas".

#1. EDITORIAL


NOSSA OPINIÃO:

* 2016: escombros e fantasmas!

Finda 2016, ano de pesadelo, tempo de incerteza, expresso e materializado no "golpe político", arquitetado pela camarilha de sempre, a mesma de antanho.
Camarilha esta, ícones de sempre da entreguista, torpe e egoísta direita, convicta, da quinta derrota no voto (eleições 2018) não perdeu tempo, e rapidamente reorganizou a quadrilha, que, espreitava o momento, desde as fileiras do partido e similares, partido este, que na época da ditadura, assumia ares de "guardião da democracia", agora, apoiado de forma deliberada pela grande mídia, incorporada pela rede Globo (outdor do E U A), com o aval do omisso e covarde STF (supremo tribunal federal), e atinge frontalmente nossa jovem democracia, consequentemente, o insipiente estado do bem-estar social tupiniquim.
Supressão de direitos, conquistas de lutas históricas dos trabalhadores, eliminação de postos de trabalhos, cortes de garantias trabalhistas, deparamos agora nestes dias sombrios, com a garganta capitalista escancarada no seu apetite insano e voraz.
Onde fica nosso segmento nesta terrível conjuntura?! Nossas entidades representativas, já tomou consciência desta nova realidade?
Companheiros e companheiras, a luta, além de continuar, clichê indelével, para aqueles que lutam de verdade em prol do segmento, vai precisar de eco e muito oxigênio, para encarar os novos desafios que nos serão apresentados.

#2. A DIRETORIA EM AÇÃO


ASSOCIAÇÃO DOS EX-ALUNOS DO INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT
Diretoria Executiva
* Relatórioo de Atividades Dezembro/2016
No dia 21.11 promovemos um encontro no Instituto Benjamin Constant onde se discutiu educação da pessoa com deficiência, depois Marcos Aurélio Carvalho apresentou um talk-show sobre rádio e por fim foi sorteada uma cesta de Natal entre os alunos do IBC.
No dia 03.12 foi realizado um churrasco de confraternização para finalizar o ano de 2016 e foi realizado um amigo-oculto entre os presentes.
Em 14.12 o presidente Gílson Josefino fez um discurso na formatura dos alunos do nono ano do Instituto Benjamin Constant e entregou um convite para que eles se associassem a entidade.

* Departamento de tecnologia


1. No dia 10.12.2016, a escola virtual José Álvares de Azevedo (escola.exaluibc.org.br), serviço da associação dos Ex-alunos do I B C, completou seis anos de existência.
Na condição de diretor deste projeto, em nome da minha equipe, agradeço as inúmeras manifestações carinhosas dos amigos.
O projeto está passando por reestruturações, no intuito de prestar melhores serviços a nossa comunidade.
Funcionamos a base dos voluntários, companheiros que com

altruísmo e solidariedade, passam seus conhecimentos e experiências para a comunidade.


Nosso Slogan "A CULTURA, A INFORMAÇÃO, O CONHECIMENTO", difundidos e

socializados em nome da cidadania! seguirá firme em prol do nosso segmento.


As oficinas Amigos Touch e Universo win, ambas comandadas por Aguinaldo Pestana e Wagner Lima, são grandes êxitos deste projeto. Verdadeiro intercâmbio de conhecimentos e experiências, estes eventos semanais, transmitido em tempo real pela rádio Contraponto, vem alcançando expressiva participação da comunidade.
Pretendemos continuar e ampliar os cursos e estimular o envolvimento de outros companheiros no projeto.
O número de assinantes da lista da escola virtual, atualmente, ultrapassa os 450 inscritos, são companheiros q, no mínimo, participaram de um evento( curso, palestras, oficinas, etc) na escola virtual.
A escola virtual, que tem atualmente o companheiro Aguinaldo Pestana na direção de projetos, ratifica seu convite:
neste ano que se anuncia, pretendemos continuar agregando novas ideias, para isto, convocamos os companheiros da comunidade a fazerem sugestões.
Ensinando também estamos aprendendo, venha juntar-se a nós, existe um espaço esperando por vc.
2. no dia 13 de dezembro a rádio Contraponto, realizou um segundo programa sobre o tratado de Marraquexe, procurando levar ao público uma visão jurídica deste documento. Assunto explosivo, parte expressiva do segmento, questiona a proposta do tratado.

3. No próximo ano, a escola virtual, pretende lançar o projeto "educadores na rede", onde pretendemos agregar educadores do segmento, com reuniões virtuais periódicas, debatendo os temas pertinentes a educação dos deficientes visuais.


#3. O IBC EM FOCO


Colunista: VITOR ALBERTO DA SILVA MARQUES ( vt.asm@oi.com.br)
* 2017: Expectativas e Incertezas
O ano de 2016 vai chegando ao fim, cheio de dúvidas e incertezas. O ano de 2017 surge inquietante, com muitas interrogações, mas alimentado por expectativas que podem ser favoráveis. Ao menos da nossa parte como servidores desta casa, faremos o que estiver em nossos limites, para remover as barreiras que impeçam a nossa caminhada em favor da causa de nossos alunos, bem como em defesa da dignidade de nossa categoria, enquanto profissionais que vão atuar diretamente com essas crianças, em face do quadro de instabilidade política e de consequentes privações econômicas.

Como eu havia dito no número anterior, a tentativa de incorporar o IBC à estrutura da SETEC somente seria viável se via congresso, fôssemos transformados em autarquia, a exemplo do Colégio Pedro II e outros Institutos Federais espalhados pelas diferentes unidades da federação.

O IBC está passando hoje por um período de transição, em face de uma nova ordenação pedagógica em construção que uma vez fique mais clara para nós, servidores, a detalharemos em próximo número.

Por agora, Este colunista deseja a todos, um natal sentido e pensado, como um ato de proximidade permanente, e um novo ano, com muita sabedoria e energia para ir ao encontro das lutas e consequentes vitórias do coletivo e do indivíduo, buscando uma melhor qualidade de vida!

Em seguida vou reproduzir na íntegra, as falas dos professores homenageados pelos alunos do nono ano, durante a solenidade de formatura. Por motivos alheios à minha vontade, deixarei desta vez, de reproduzir a fala do aluno.
Professor Robson Lopes

"Bom dia a todos e todas (diretores, funcionários, professores, pais, amigos, parentes e, claro, aos queridos formandos da turma 901). Confesso a todos que quando fui convidado a ser paraninfo da turma 901 fiquei muito surpreso, feliz e agradecido. E que mesmo sendo professor deles desde 2013 (meu primeiro ano de IBC) quando ainda estavam no sexto ano, estou sem palavras para descrever este momento.

Antes de tudo pessoal, gostaria de dizer que hoje não teremos uma aula de Geografia: não falarei sobre globalização, nem sobre a importância do Rio São Francisco para o sertão Nordestino e muito menos sobre as placas tectônicas. Hoje, falarei sobre a importância deste dia tão sonhado e aguardado.

Alguns de vocês sonham com esta data há muito tempo! A maioria de vocês está aqui há muitos anos e daqui a alguns anos vão conversar com outras pessoas ou entre vocês mesmos e irão relembrar de vários momentos e lugares: da sala de aula, dos professores, da quadra de esportes, do pátio, do horário do intervalo. Eu mesmo me lembro da evolução de vocês nestes últimos anos e posso lhes dizer que foram momentos maravilhosos, sejam eles conversando sobre Geografia ou não! Tenho certeza que vocês nunca mais esquecerão este dia. Este dia é de vocês!

A mim cabem as últimas palavras de professor do ensino fundamental II e sei que a partir de agora não serei mais professor de vocês. Tudo que fiz foi porque quero e sempre vou querer o melhor para vocês!

Saibam que vocês perderam um professor, mas ganharam um amigo que estará sempre disposto a ajudá-los no que for preciso.

Como não lembrar do Diego querendo ter informações do Japão, do Jean, único a procurar a oficina de Geografia e Meio Ambiente, do Jonathan “mais soltinho” no último ano. O que o amor não faz né! Da Priscila, sempre disposta a repetir as palavras dos exercícios, da Gabriela que sempre quis defender os professores com seu jeito mais meigo, do Victor Hugo não querendo escrever em Braille, pois afinal, segundo ele, cada resposta de Geografia era uma tese de doutorado. Do Igor, sempre dizendo que já estava “ligado” e que já sabia a matéria. De fato, ele já sabia mesmo!

E por fim, do Yuri, querendo dar sua opinião sobre os fatos!

Turma 901, nunca deixe de sonhar, de problematizar, de criticar, de formar opiniões, de amar, de abraçar seus entes queridos. Só não se esqueçam de que, a partir de agora, vocês irão trilhar novos caminhos e para isso é preciso ter coragem! Sejam corajosos, aproveitem as oportunidades e curtam seus momentos!

Lembrem-se de algumas palavras, pessoal:

“Sonhos não foram feitos para apenas para serem sonhados e sim para serem concretizados”.

“Se lutarmos todos os dias para realizarmos nossos sonhos, não sobrará tempo para a derrota”.

Como já disse a vocês várias vezes, a derrota é para os fracos, a persistência e a força de vontade sempre devem perdurar!

Desejo a cada um de vocês o maior sucesso no Ensino Médio, mas, em especial na vida. Que sejam mulheres e homens valorosos e bondosos para seus pais, suas esposas, maridos e que todos à sua volta possam estar sempre orgulhosos de vocês! Que vocês possam contribuir para este mundo em constante transformação!!!

Por fim, um fragmento do escritor estadunidense Napoleon Hill":
"Se você pensa que é um derrotado, você será derrotado.

Se não pensar, quero a qualquer custo, não conseguirá nada.

Mesmo que queria vencer, mas pensa que não vai conseguir,

A vitória não sorrirá para você.

Se você fizer as coisas pela metade, você será um fracassado.

Nós descobrimos neste mundo que o sucesso começa pela intenção da gente,

E tudo se determina pelo nosso espírito.

A luta pela vida nem sempre é vantajosa aos fortes, nem aos espertos.

Mais cedo ou mais tarde quem cativa a vitória é aquele que crê plenamente:

Eu conseguirei"!


Professora Márcia de Oliveira Gomes

"Senhores Diretores, caros colegas, pais, familiares, alunos, queridos formandos, bom dia! Primeiramente, quero agradecer à turma pela bela homenagem e dizer que fiquei muito honrada e feliz com esse gesto. Nós estivemos juntos no sexto, no oitavo e no nono ano e sempre tivemos uma relação de muito carinho, respeito e amizade.

E agora vocês partem, e na falta de bússola melhor para a jornada que os aguarda, quero ofertar-lhes algumas palavras, na esperança de ajudá-los nos próximos desafios. Há desafios que estão ao nosso alcance e outros que parecem (e às vezes são) maiores que nós, mas isso nós só descobrimos no caminho. Então, tentem, quando algo for importante para vocês. Não tenham medo de desperdiçarem seu tempo, o tempo não foi feito para ser poupado, porque não é coisa que se acumule. Usufruam dele com risadas, com amores, com trabalho, com horas e horas de estudos, com tudo, com nada, com vida. E a jornada por si só terá valido a pena.

Vocês vão se perder e se reencontrar muitas vezes, porque vocês não estão prontos, ninguém está, e diante do imprevisível, nós vamos crescendo, nos fortalecendo e nos reinventando pela vida. O caminho não será fácil, porque nunca é. Além disso, vivemos em uma sociedade que ainda insiste em julgar o outro pela aparência e pela adequação a padrões preestabelecidos, e sejamos justos, também nós, por vezes, perpetuamos esse comportamento, ainda que contra nós mesmos.

Por isso, levem na bagagem um kit de sobrevivência, que inclua seus sonhos, coragem, perseverança e, principalmente, inconformismo para que não se acomodem diante das negativas e do preconceito, que, eventualmente, venham a sofrer.

Existe um lugar no mundo para cada um de nós, mas se não o encontrarem, criem-no, porque somos feitos irremediavelmente de desejos, histórias e possibilidades.

Nesse sentido, eu me despeço com versos de Cecília Meireles, uma de minhas poetas preferidas": "Não faças de ti um sonho a realizar. Vai. Sem caminho marcado.

Tu és o de todos os caminhos". "Muito obrigada".


Coluna do Professor Vitor Marques

#4. ANTENA POLÍTICA


Colunista: HERCEN HILDEBRANDT (hercen@terra.com.br)
* Fidel Castro, um líder único
Em 25 de novembro passado, faleceu Fidel Castro, o mais importante líder

político latino-americano do século XX. Não era um mágico salvador de

seu povo, mas um ser humano, como cada um de nós. Seu exemplo mostra que

esforço e coragem podem levar alguém a realizar o que aos outros

parece impossível. É preciso sonhar, pensar e agir.
O texto abaixo foi extraído de:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/geral/34923/fidel+castro+um+lider+unnico.shtml
Opera Mundi - Fidel Castro, um líder único

Rui Ferreira

São Paulo, 26/11/2016
Para muitos, um herói e, para outros, um tirano. Será lembrado como um

dos mais fascinantes e controversos líderes do mundo


Cuba debate "Não nos apressemos em julgar nossa obra, pois já temos juízes de sobra", disse Fidel Castro em discurso em 1961
O homem que foi o centro da política cubana nos últimos 57 anos, que sobreviveu a 12 presidentes norte-americanos e enterrou quatro papas, nasceu em 13 de agosto de 1926 às duas horas da manhã, na fazenda Manacás, região de Birán, no município de Mayarí, norte do oriente de Cuba. O local fica a cerca de 100 quilômetros da célebre Sierra Maestra, de onde lançaria 30 anos depois a epopeia que ficou conhecida como a Revolução Cubana.
Fidel Alejandro Castro Ruz, falecido nesta sexta-feira (25/11), foi um dos homens mais influentes do século XX, marcando profundamente a história mundial ao criar uma sociedade comunista no mundo ocidental. Sem tolerar qualquer discórdia, no período da Guerra Fria o revolucionário se alinhou com a extinta União Soviética contra os Estados Unidos, resistindo a todas as tentativas de Washington de derrubá-lo, sendo pelas investidas para assassiná-lo, ou pela invasão direta de Cuba. De fato, Fidel esteve no centro do primeiro episódio que quase levou o mundo a beira de um Holocausto Nuclear - a crise dos mísseis de 1962.
Outros inúmeros momentos da vida do líder da Revolução Cubana, que são também os da história recente da ilha caribenha, antes de Fidel governada pela ditadura de Fulgencio Batista (1952-1958), serão lembrados neste momento em que esse personagem-chave do século XX deixa a vida para habitar a posteridade. Pouco se sabe, porém, sobre detalhes do início da trajetória.
Discurso de Fidel Castro na ONU, em 1979:

https://www.youtube.com/embed/9N1LGKNRzXs


Fidel teve uma educação católica. Aprendeu a ler e escrever aos cinco anos, nas terras produtoras de açúcar da família, onde cresceu com cinco irmãos e os pais, Angel Castro y Argiz, um fazendeiro galego que chegou a Cuba no final do século XIX no exército de ocupação espanhol, e Lina Ruz, cozinheira na casa dos Castro e originária da província ocidental de Pinar del Río. Eles o enviaram primeiro ao Colegio La Salle, dos Hermanos Maristas, e depois ao de Dolores, dos jesuítas, ambos em Santiago de Cuba, e, posteriormente, ao prestigioso "habanero" Colegio de Belén, também dos jesuítas e cuja disciplina marcou fortemente sua vida posterior.
Em Dolores, Castro teve ali, possivelmente, sua primeira decepção com os EUA. Ele escreveu uma carta ao então presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, o convidando a visitar as minas de ferro do oriente do país e lhe pediu uma passagem autografada norte-americana de US$ 10. Ele recebeu uma carta de cortesia do Departamento de Estado, mas não havia nenhuma passagem. "Fidel ficou muito incomodado, dizia que os norte-americanos eram muito tacanhos", lembrou seu colega de escola, o já falecido professor Luis Aguilar León.
Segundo o padre Armando Llorente, seu confidente e educador, durante sua

passagem por Belén, Fidel se distinguiu por ser "motivado, orgulhoso e

diferente dos demais", com "o desejo de se destacar primeiramente nos

esportes", já que "gostava de ganhar sem se importar com o esforço".


Segundo ele, o cubano "tinha muito pouco interesse em festas ou em se socializar e parecia alienado da sociedade cubana". Quando se formou, alguém escreveu: "tem jeito de líder".
Mas foi também, no mesmo colégio em Havana, onde o jovem Fidel teve seu primeiro contato com as ideias autoritárias. Em várias entrevistas concedidas nos últimos anos, admitiu que lá o fascismo da Falange espanhola havia provocado impacto.
Naquela época, também ia a atividades de "Hispanidad", um movimento crítico dos valores materiais anglo-saxões e promotor dos valores espirituais hispânicos.
Início da vida política
Fidel iniciou a vida política na Universidade de Havana, ingressando na Faculdade de Direito em 1945. A universidade era um estado dentro de outro estado, gozando de una autonomia que a protegia não apenas da entrada da polícia como da influência do governo. Tratava-se de um lugar excelente para discutir todo tipo de ideias políticas.
Sua natureza revolucionária o aproxima de grupos insurrecionais, ainda não desmobilizados, do Partido "Autêntico" que ainda mantinham certa imagem nacionalista revolucionária. É assim como se integra à União Insurrecional Revolucionária, de Emilio Tro, segundo afirmam alguns autores (Yves Guilbert, Pardo Liada) ainda que outros (K.S. Karol) sustentam que se vincula à UIR é como "independente" e mais que nada para evitar a pressão do Movimento Socialista Revolucionário, grupo também "autêntico" mais inimigo da UIR e sob a condução de Mario Salabarría.
Fidel pronunciou, em novembro de 1946, seu primeiro discurso de "líder político", segundo a versão oficial cubana, em uma manifestação de protesto pelo aumento das tarifas dos ônibus.
Os dois anos seguintes foram frutiferamente revolucionários para o líder

cubano. Em setembro de 1947, ele se uniu a uma expedição organizada por

opositores dominicanos visando à derrubada do ditador Rafael Leonidas

Trujillo, que ficou conhecida como a conspiração de Cayo Confites.

Descoberto pelas forças governamentais, mesmo em território cubano,

Castro se lançou na água e cruzou a nado a baía de Nippe, infestada de

tubarões. Dois meses depois, se afiliou ao Partido del Pueblo Cubano

(Ortodoxo), por meio do qual foi ao Congresso en 1952, mas as eleições



não se realizaram por conta do golpe de Estado dado por Batista.
Em março de 1948, Castro participa do "El Bogotazo", uma rebelião popular que estalou nas ruas da capital colombiana após o assassinato do líder populista Jorge Eliécer Gaitán. Ainda que estivesse previsto um encontro entre os dois, este nunca se realizou porque o colombiano morreu meia hora antes. Anos mais tarde, Castro lembrou que, "em um impulso juvenil", se uniu à revolta, chegando inclusive a se armar com um fuzil tomado de um posto policial.
O episódio terminou com um pedido de proteção à embaixada cubana, depois que a polícia o designou junto com os outros estudantes cubanos como "agitador". A viagem à Colômbia foi para participar de uma reunião estudantil, organizada para protestar contra a 9ª Conferência Interamericana, boicotada pelo líder argentino Juan Domingo Perón, por quem Fidel nunca ocultou sua admiração.
De volta a Cuba, o jovem retomou seus estudos universitários, aprofundando a militância no partido ortodoxo e o contato com seu líder, Eduardo Chibás. O suicídio de Chibás, em agosto de 1951, teve um impacto monumental em Fidel, que se radicalizou, se separando posteriormente da organização.
Em 11 de outubro de 1948, ele se casa com Mirta Díaz-Balart, estudante de Filosofia e membro de uma das famílias mais influentes politicamente do país, a ponto de conduzir dois membros a Câmara de Representantes da Cuba Republicana, e posteriormente outros dois ao Congresso de Estados Unidos. O matrimônio gera um filho, Fidelito.
Mirta era irmã de Rafael Díaz-Balart, congressista, senador e partidário de Batista, que inicialmente foi amigo de Castro, mas posteriormente se transformou em um de seus mais ferrenhos opositores, a ponto de pronunciar na Câmara de Representantes em Havana possivelmente o primeiro discurso anticastrista. Na fala, Díaz-Balart denunciou a personalidade do cunhado e se opôs à concessão de uma anistia por conta do ataque ao Quartel da Moncada, em julho de 1953.
Luta armada
Antes, em 1950, Fidel de formou em advocacia, abrindo um pequeno escritório na capital. No entanto, a política lhe tomava todas as energias. O golpe de Batista, em março daquele ano, terminou por convencê-lo de que a via armada e revolucionária era a solução para o país.
Assim foi. Em 26 de julho de 1953, Fidel comandou a invasão a Moncada, em Santiago e de Bayamo, liderando um grupo de jovens, aglomerados ao seu redor, a quem passou a chamar de "A Geração do Centenário" – uma homenagem ao aniversário da morte do libertador de Cuba, José Martí.
Porém, o ataque fracassa. Antes de perder, Fidel emprende uma jogada que o levaria à fuga em Sierra Maestra, onde é capturado por forças do exército. Graças à intervenção do Arcebispo de Santiago de Cuba, o jovem não é sumariamente executado, como aconteceu com alguns de seus seguidores. Fidel foi julgado e condenado a 15 anos de prisão. No julgamento, assumiu sua própria defesa e pronunciou um discurso que ficou, posteriormente, conhecido como "A História me absolverá'', no qual fez uma apresentação de suas ideias políticas e de planos para o país. Era um prenúncio do que seriam as próximas décadas da Revolução Cubana.
Enviado à prisão de Isla de Pinos, atual Ilha da Juventude, Fidel permaneceu ali até ser anistiado em maio de 1955. Um mês depois, anuncia a fundação do Movimento 26 de Julho, cria sua direção nacional e parte para o México, com a clara intenção de formar uma força expedicionária para derrubar Batista. Quando ainda estava na prisão, ele se separa de Mirta.
Durante sua estada mexicana, se dedica ao treinamento militar pessoal e de seus homens. Ele viaja aos EUA para arrecadar dinheiro para a expedição e assegurar, principalmente em Miami, uma retaguarda de apoio com abastecimento de armas a sua luta de guerrilha.
"Granma"
No amanhecer de 2 de dezembro de 1956, Castro, seu irmão Raúl e 80 seguidores, desembarcam na praia de Las Coloradas, no sul do país, perto de Sierra Maestra, a bordo do iate "Granma". Assim que desceram, se sucedeu um forte confronto com o exército que os esperava ali havia alguns dias. Apenas 12 homens sobreviveram.
Começam então quase dois anos de uma guerra de guerrilhas, que se transformou em um símbolo, adquiriu visibilidade e até hoje é vista em muitos países do mundo como um símbolo da luta política latino-americana.
O período da Sierra Maestra se caracterizou, segundo seus biógrafos, por luta armada contra o exército governamental, ciente das intensas negociações políticas com diversas facções revolucionárias, algumas delas com sérias suspeitas do líder cubano. Foram negociações em que apareceram inesperadamente diferenças entre "el llano" e "la sierra", uma referência às diferenças táticas nos métodos de luta guerrilheiros e urbanos, onde tinham grande participação as forças do Diretório Revolucionário, de José Antonio Echevarría, com quem Fidel firmou um acordo político, ainda quando estava no México. A ideia do líder guerrilhero era de que "el llano'' deveria se subordinar a "la sierra", uma antecipação do que seria depois a sociedade cubana.
Em 13 de março de 1957, o Diretório Revolucionário lança um ataque ao palácio presidencial de Batista, onde morre Echevarría. Fidel condena o ataque, apesar de o triunfo revolucionário ter se tornado uma das principais datas do regime. Em abril de 1958, Fidel faz um chamado a uma greve nacional, que fracassou por rivalidades entre as forças políticas.
Em Sierra Maestra, o líder cubano indica a revolta com as ações dos EUA.

Em junho de 1958, em uma carta escrita à amiga e revolucionária cubana Celia Sánchez Manduley, após presenciar um bombardeio à casa de campo de Batista com armas norte-americanas, Fidel escreve: "Quando esta guerra terminar, começará uma muito maior, uma guerra contra eles [os norte-americanos]. Acabo de chegar à conclusão de que esse é meu destino".


Naquela época, os EUA já estavam prestando atenção nas consequências de uma eventual tomada de poder por Fidel. Como ficou provado mais tarde, por parte da comissão de investigação de desembarque da Baía dos Porcos, a embaixada norte-americana em Havana já havia entrado em contato com políticos opositores a ele e estava tratando de convencer Batista a entregar o poder a uma Junta Militar.
Fidel se informou sobre o assunto por conta própria e por meio de seus contatos com oficiais do exército que combatia, começou a acelerar os planos para derrubar o ditador. Nesse momento, a guerra se tornava cada vez mais intensa. O governo enfrentava os revolucionários nas cidades provocando ainda mais terror, prendendo e torturando jovens do Movimento 26 de Julho. Uma política que tem um efeito contraproducente e termina por dar mais popularidade a Fidel, que sai da guerra como líder inquestionável da oposição a Batista e do país.
Vitória
Nas primeiras horas de 1 de janeiro de 1959, Batista e seus amigos mais próximos fogem para a República Dominicana, pois os EUA haviam se recusado a lhes oferecer asilo político. Neste mesmo dia, as primeiras tropas rebeldes entram em Havana e o Movimento 26 de julho assume o poder.
Se seguiram meses de confusão política, mas também de alegria popular.

Em meio às discussões pela divisão de sua cota de poder entre as organizações revolucionárias, a incipiente revolução sofreu o primeiro boicote dentro do exército rebelde.


Durante o verão, percebendo o que descreveu como penetração comunista no governo, o comandante Húber Matos, chefe militar da província central de Camaguey, se declara em rebeldia e denuncia a complacência castrista com os comunistas. Matos foi preso e condenado a 20 anos de prisão, tempo que cumpriu em sua totalidade.
Ao mesmo tempo, com a subida de Fidel ao poder, começam os julgamentos populares contra os principais agentes do regime de Batista, acusados de torturar e perseguir a população. O país assiste a uma série de fuzilamentos, que terminaram no início do ano seguinte, após provocarem indignação na América Latina e nos EUA - apesar de o país há anos executar prisioneiros. O número exato de mortos nunca foi determinado.
"Esses julgamentos não deveriam surpreender os cubanos e norte-americanos. Em fevereiro de 1958, as revistas Look e Bohemia publicaram uma reportagem fotográfica intitulada "Justiça em Sierra", que mostrava um Castro relaxado, sentado no chão, interrogando prisioneiros acusados de violações e assassinatos diante de um tribunal revolucionário, e Raúl Castro à frente de um pelotão de fuzilamento", escreveu em sua biografia sobre o líder cubano, o escritor

norte-americano Tad Szulc.


Nos primeiros meses da revolução, Fidel assume o cargo de primeiro-ministro e se mantém na liderança do Exército Rebelde, enquanto a presidência do país era do advogado Manuel Urrutia, considerado moderado sem conexões com o regime de Batista, e que foi seu juiz no processo de Moncada.
São meses nos quais o líder revolucionário se dedica a longos e profundos discursos, divulgando suas ideias sobre a reorganização do país, a decência no governo e contra a corrupção. Ele chega, inclusive, a prometer eleições livres, nega profusamente que seja comunista e em uma reunião com jornalistas norte-americanos em Nova York, afirma que sua revolução é essencialmente "humanista", disposta a conservar a propriedade privada.
No entanto, Fidel inicia ao mesmo tempo uma reforma escalonada da sociedade. Em maio de 1959, assina a lei da Reforma Agrária e cria o Instituto de Reforma Agrária, que funcionou na prática como um governo paralelo, alternativo ao dirigido por Urrutia. Posteriormente, ele acaba tendo um desentendimento político com o presidente, o que o leva a renunciar como primeiro-ministro, forçando Urrutia a fazer o mesmo. Fidel retorna como primeiro-ministro em 26 de julho desse ano, após a ascensão do advogado Osvaldo Dorticós como presidente, que nunca teve poderes executivos de fato, até que abandonou o cargo, abolido em 1975.
O líder cubano também decretou a Lei de Reforma Urbana, que confisca imóveis residenciais para alugar a pessoas sem casa, com pequena taxa de aluguel e cria as Milícias Nacionais Revolucionárias, onde enquadra militarmente grande parte da população. Também, lança uma campanha nacional de alfabetização, que se tornou um emblema de seu governo.
Discurso de Fidel Castro no Harlem, NY: HTTP://www.youtube.com/embed/eNW9ibGXhEk
Primeiros anos
Os primeiros anos da Revolução Cubana se caracterizam por um incremento nos desentendimentos com os EUA por conta da nacionalização das propriedades norte-americanas na ilha, e da aproximação de Havana com Moscou, marcada com a visita do então primeiro-ministro soviético Anastas Mikoyan à capital cubana em fevereiro de 1960. Ele volta a Moscou com o primeiro acordo comercial assinado entre os dois países, que marca o início de uma gigantesca subvenção que em 1991 deixou uma dívida pública de quase US$ 200.000.
Em 5 de março de 1960, Fidel consagra a frase que se transformou na base da liturgia política de seu regime: "Pátria ou morte". Uma expressão que ficou completa depois de três meses com o "Venceremos".
O confronto com os EUA atinge dois ápices: a aterrissagem da Baía dos Porcos (Playa Girón) e a Crise de Outubro. A primeira começa no amanhecer de 17 de abril de 1961, quando uma força expedicionária exilada desembarca ao sul da Ciénaga de Zapata. Em menos de 48 horas, os 1.500 exilados foram dizimados, em parte pela falta de um apoio militar norte-americano, desautorizado pelo então presidente John F. Kennedy. No dia 16, durante o enterro das vítimas de um bombardeio prévio ao desembarcar, Fidel proclama o ''caráter socialista'' de seu processo político. A revolução adota formalmente o socialismo.
Discurso prévio à invasão à Baía dos Porcos: HTTP://www.youtube.com/embed/IcFJ2UxMniM
Depois, em outubro de 1962, satélites norte-americanos descobriram que estavam sendo construídas na ilha as bases de lançamento de mísseis nucleares soviéticos. Cuba alega que são para sua defesa. Especialistas soviéticos disseram décadas mais tarde que a ideia era equilibrar a existência de mísseis similares norte-americanos na Turquia, mas Cuba submetida a uma quarentena e o mundo esteve, pela primeira vez, à beira de um Holocausto Nuclear. A crise durou 13 dias. Ao final, os soviéticos aceitaram se retirar, um gesto que enfureceu o líder cubano, pois jamais foi consultado a respeito, uma vez que as negociações foram feitas diretamente entre Kennedy e o líder soviético Nikita Krutchov.
Por conta do fracasso da aterrissagem, os EUA respondem com uma guerra de guerrilhas em Sierra del Escambray. Acontece um conflito irregular, que duraria quatro anos e envolveria centenas de camponeses, e que o historiador cubano exilado Enrique Encinosa qualificou como "a guerra esquecida".
Mas a revolução seguiu. Fidel nacionalizou a educação e a saúde pública, expulsou da ilha centenas de padres e milhares de cubanos fugiram da ilha, se mudando para o sul do Estado norte-americano da Flórida.
Após se declarar marxista-leninista em dezembro de 1961, em outubro de 1965Fidel cria o Partido Comunista de Cuba e assume a presidência, dando origem assim, a uma estrutura política que até hoje rege os destinos do país.
Com a realização da Conferência Tricontinental em janeiro de 1966, onde proclama que "o movimento revolucionário pode contar com combatentes cubanos em qualquer canto da Terra", Fidel lança um poderoso movimento "internacionalista'' que estende sua influência por toda América Latina, alguns países da África e tem seu ponto alto, com o envio em meados da década de 1970, de tropas até Angola e a Etiópia, assim como assessores em guerra irregular à Nicarágua, em apoio ao incipiente movimento sandinista.
Apoio soviético
Em 1970, o fracasso da promessa da "safra dos 10 milhões", uma tentativa em vão de conseguir a maior colheita açucareira jamais vista, representou um forte revés para o líder cubano. Naquele ano, Fidel depositou todo seu prestígio e apoio popular para concentrar o país durante quase seis meses no cultivo da cana-de-açúcar. O episódio o levou a abandonar uma planificação econômica local e a se abrir aos planos de economia centralizada do mundo socialista.
Em 1972, ele viaja à União Soviética pela terceira vez e volta com uma série de acordos de colaboração para os 20 anos seguintes. A partir daí, Cuba fica repleta de assessores soviéticos, que penetram em todos os aspectos da vida pública.
A colaboração dá origem à criação de um dos mais poderosos exércitos do mundo ocidental, que tem sua prova de fogo convencional a partir de 1975, quando Cuba participa da guerra civil de Angola. Uma presença que é vista pelos analistas, como parte dos planos de expansão soviética pelo mundo, mas que Fidel definiu como uma ajuda "desinteressada"' e "obrigatória'' para todo revolucionário. Depois de tudo, disse, Cuba tem um "componente de sangue africano que deve ser fiel às suas raízes". Assim, Angola e posteriormente Etiópia, foram cenários de intensos combates, que se prolongaram por mais de 15 anos.
A década de 1980 é de desafios. Ao mesmo tempo em que os laços com a URSS foram reforçados, com o recebimento de abundantes subsídios, como máquinas e alimentos, Fidel assume a presidência do Movimento de Países Não Alinhados. A população experimenta una pequena melhoria de sua qualidade de vida, com pequenos momentos de desenvolvimento da economia privada, como é o caso da abertura dos mercados livres campesinos.
No entanto, a experiência dura poco. Preocupado com as consequências do surgimento de novos-ricos, Fidel fecha os mercados, pondo um fim a qualquer ideia de propriedade privada e, em um gesto político, diante da perestroika soviética, desenvolvida em 1985, inicia em 1986 um processo "de retificação de erros e tendências negativas", durante o qual centenas de quadros e funcionários governamentais são publicamente criticados e alguns demitidos.
Dissidência e distanciamento da URSS
É também nessa etapa que o movimento dissidente cubano dá seus primeiros passos. A prisão das principais cabeças conhecidas nas cidades é acompanhado pela detenção de outros membros, menos conhecidos, no interior do país. Em termos gerais, Fidel enfrenta un movimento dissidente cujas origens estão nos quadros do "velho" Partido Socialista Popular, que ele mesmo havia destruído em 1968, durante um processo que ficou conhecido como "microfracionamento".
Nessa época, o líder cubano os acusou de inclinações pró-soviéticas e de conspirar para acabar com seu poder. Porém, nos anos 1980, à medida em que a "glasnost" e a "perestroika" se ampliaram na União Soviética, Fidel começa, pouco a pouco, a se distanciar de Moscou e os dissidentes vão adquirindo importância na vida do país.
A chegada ao poder de Mikhail Gorbachev, em 1985, marca o início de um paulatino distanciamento conforme avançavam as reformas políticas e econômicas na URSS. Desde o início, Fidel as viu com desconfiança e começou a cortar o conhecimento que a população tem delas. As primeiras vítimas são as publicações soviéticas que eram vendidas nas esquinas. Sua circulação foi proibida, depois que uma delas publica um artigo crítico sobre o ex-secretário geral do partido comunista soviético, Leonid Brejnev, amigo pessoal de Fidel. Seguiram as restrições aos contatos dos diplomatas de Moscou com os cubanos e a situação teve seu ponto mais baixo quando os soviéticos começaram a atrasar o envio de ajuda e colaboração.
A visita de Gorbachev a Havana em abril de 1989 aconteceu em um clima de grande frieza e distanciamento. Fidel afirmou depois que os quatro dias acontece "de maneira estranha e nada feliz", e confirmou seus piores medos: a URSS queria formar laços com os Estados Unidos e Cuba era um empecilho.
Fidel se preparou para o pior: seguir com uma economia sem subsídios soviéticos.
Seus temores se materializam com o definhamento do maior aliado no fim de 1991 e o desaparecimento do mundo socialista da Europa Oriental. Não restou alternativa senão decretar um "período especial", quando foram resgatadas as experiências anteriores de propriedade privada. O país foi aberto para o turismo capitalista e foi permitido - com forte regulação - o exercício de um conjunto de profissões por conta própria, principalmente na área de prestação de serviços.
Venezuela
Após anos de dificuldades, o país começou a sair da crise, feito que as autoridades qualificaram como um ato de "resistência''. Posteriormente, com o triunfo na Venezuela do presidente Hugo Chávez, no final dos anos 90, a ilha começou a receber uma série de financiamentos e ajuda, como petróleo, que permitiram manter o país em movimento. A Venezuela se transformou no maior aliado político de Cuba no exterior. Em troca, Fidel enviou milhares de médicos, professores, militares e seguranças ao país sul-americano.
À medida em que a Venezuela se tornou seu sócio pleno, político e comercial, Havana começou a investir em reformas, tímidas, de abertura, lançadas no início do período especial. Também foram renovados os contratos com a China, congelados desde a Guerra Fria, por conta do conflito sino-soviético no qual o líder cubano se alinhou com Moscou. Hoje, o país asiático é um dos maiores exportadores de produtos para Cuba. Essa cooperação se solidifica quando no início da primeira década deste século, a China substituiu os russos na operação da Base Eletrônica de Lourdes, órgão gigante de espionagem electrônico orientado pelos EUA.
Saúde debilitada
Fidel ficou seriamente doente em meados de 2006 e foi submetido a várias operações intestinais. Inicialmente, ele cedeu o poder provisoriamente ao irmão, Raúl, cumprindo o previsto na Constituição de 1976, reformada em 1992. Em fevereiro de 2008, Raúl assumiu o poder definitivamente, e a intervenção de Fidel nos assuntos do país se limitou a artigos opinativos publicados pela imprensa local.
No momento da morte, Fidel estava casado com Delia Soto del Valle, com quem teve sete filhos. O líder da Revolução Cubana Deixou também seu filho mais velho, Fidel Castro Díaz-Balart, filho de seu primeiro matrimônio, e Alina Fernández Revuelta, fruto de uma relação extramatrimonial, nos anos 1950, quando saiu da prisão pelo assalto ao Quartel da Moncada.
Fidel Castro foi um revolucionário firme em seus princípios. Para muitos, um herói, e para outros, um tirano. Manteve-se férreo no poder até o fim de seus dias e provavelmente será lembrado como um dos mais fascinantes e controversos líderes políticos do mundo.
"Não nos apressemos em julgar nossa obra, pois já temos juízes de sobra.

E quem deve ter temido não é esse juiz autoritário, verdugo da cultura, imaginário, que elaboramos aqui. Temam outros juízes muito mais temíveis: temam os juízes da posteridade, temam as gerações futuras que serão, no final, as encarregadas de dizer a última palavra!", disse Fidel Castro, em uma data tão cedo, ou distante, como 1961.


hercen@terra.com.br

#5. DE OLHO NA LEI


Colunista: MÁRCIO LACERDA ( marcio.o.lacerda@gmail.com)
* Lei Estende Horário Especial a Servidor que Possui Cônjuge, Filho ou Dependente com Deficiência
No último dia 13 de dezembro, foi publicada a Lei nº 13.370, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2016. O diploma alterou o § 3o do art. 98 da Lei número 8.112, de 11 de dezembro de 1990, para estender o direito a horário especial ao servidor público federal que tenha cônjuge, filho ou dependente com deficiência de qualquer natureza e para revogar a exigência de compensação de horário.
Vale lembrar que a Lei 8.112/1990 disciplina o regime jurídico único dos servidores públicos da União. Por isso, o novo direito só é aplicável aos servidores que tenham vínculo de caráter estatutário com a Administração Pública federal.
a medida garante aos servidores públicos federais que têm cônjuge, filho ou dependente com qualquer tipo de deficiência o direito ao horário especial, sem que seja necessário, mais, compensar as horas despendidas com o cuidado, com a manutenção do recebimento da remuneração integralmente.

***
* Lei Garante Acessibilidade a Mulheres com Deficiência para Tratamento de Câncer pelo SUS


Mulheres com deficiência têm direito a tratamento de câncer do colo do útero e de mama pelo SUS. A acessibilidade está garantida pela lei 13.362/16, promulgada pelo presidente Michel Temer e publicada nesta quinta-feira, 24, no Diário Oficial da União.
O texto altera a lei (11.664/08) que dispõe sobre a efetivação de ações de saúdepara prevenir e detectar a doença, acrescentando à norma garantia de acessibilidade às mulheres deficientes, com equipamentos e condições adequados para o tratamento.
Disponível em: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI249465,101048-Lei+garante+acessibilidade+a+mulheres+com+deficiencia+para+tratamento; acessado em: 24 de novembro de 2016.
De Olho na Lei

Márcio Lacerda

E-mail: marcio.o.lacerda@gmail.com

Twitter: @MarcioLacerda29


#6. DV EM DESTAQUE


Colunista: JOSÉ WALTER FIGUEREDO (jowfig@gmail.com)
* Cientistas russos afirmam estar próximos da cura da cegueira
Temos visto a tecnologia a desenvolver recursos importantes no campo da saúde, auxiliando a medicina em vários aspectos. Desde a construção em 3D de partes do corpo que por acidente foram danificadas, à reabilitação de pessoas com paralisia tetraplégica, a tecnologia é um aliado importantíssimo da ciência e medicina.
Cientistas do Centro de Análises Clínicas de Medicina Físico-Química da Rússia (CAC MFQ), cultivam retina através da reprogramação de células. Estes avanços poderão ajudar a curar a cegueira, referiu esta quinta-feira o jornal Izvestia.
De acordo com a notícia veiculada pelo jornal russo Izvestia, o primeiro transplante de teste será realizado em 2017. Esta incursão num processo tão delicado irá ter a participação de novas tecnologias celulares. Assim, os cientistas planeiam, posteriormente, realizar estudos no tratamento da doença de Parkinson.
Reprogramação de células é um fenómeno bastante novo na ciência. A descoberta é de autoria do professor da Universidade de Quioto, Signa Yamanaka, o qual descobriu a capacidade única de células humanas de determinados tecidos, como, por exemplo, fibroblastos ou epitélio da pele, de mudarem sua estrutura para o estado embrionário. As células-tronco podem dar origem a quase todo tecido. Por exemplo, a partir dos fibroblastos da pele pode-se criar a retina. Esta operação permitirá tratar, por exemplo, pacientes que estão perdendo a visão por causa de degeneração macular — doença esta causadora da cegueira em pessoas com mais de 55 anos.
Descreveu jornal, citando o director geral do CAC MFQ, Vadim Govorun.

O Laboratório de biologia celular disse ao jornal que o tecido mais fácil de ser trabalhado no método de reprogramação celular é a pele, pois a realização da biopsia não causa danos graves ao paciente e as células multiplicam-se significativamente.


Segundo o chefe do Laboratório de Tecnologias Biomédicas do CAC MFQ, Sergei Kiselev, testes clínicos de transplante de retina estão a ser executados actualmente nos EUA e na Europa. Estes testes também foram realizados no Japão, contudo, foram temporariamente suspensos devido à mudanças na legislação, mas o país pretende seguir com o desenvolvimento da técnica em 2017.
Na Rússia, os cientistas “estão à espera da aplicação da lei ‘Sobre trabalhos na área da biomedicina celular’ (1 de Janeiro de 2017) e aprovação das actas normativas conforme a mesma, como está explicado no jornal.
Os primeiros pacientes que se submeterão ao transplante de retina serão pessoas que sofrem de degeneração macular hereditária, diz o Izvestia. Mesmo havendo alguns tratamentos que retardam o progresso da cegueira, os pacientes com degeneração macular genética começam a cegar entre os 20 e os 30 anos, pois não há, até hoje, um tratamento para travar problema.
O director geral do CAC MFQ informou ao jornal que a instituição cresceu significativamente, chegando a realizar testes em animais com neurónios humanos.
Fonte: http://kids.pplware.sapo.pt/curiosidades/cientistas-russos-afirmam-estar...

#7. TRIBUNA EDUCACIONAL


Colunista: SALETE SEMITELA (saletesemitela@gmail.com)
* Antes Que Nossos Filhos Cresçam

(Affonso Romano de Sant'Anna)


Há um período em que os pais vão ficando órfãos de seus próprios filhos.

É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados.

Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias, de maneira igual, crescem de repente.
Um dia, sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade, que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?

Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversários com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil.

E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça!

Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos.

Entre hambúrgueres e refrigerantes, nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incomôdas mochilas da moda nos ombros.


Ali estamos nós com os cabelos esbranquiçados. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar,

apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das noticias e da ditadura das horas.

E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros, principalmente com os erros que esperamos que não repitam.
Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos.

Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.

Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.

Saíram do banco de trás e passaram para os volantes de suas próprias vidas.


Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer, para ouvirmos suas almas respirando conversas e confidencias entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores.

Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter

comprado.

Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.

No princípio, subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos.

Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim.

Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.

Os pais ficaram exilados dos filhos.

Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes".
Chega o momento em que nos resta ficar de longe, torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade, e que a conquistem do modo mais completo possível.
O jeito é esperar: qualquer hora, podem nos dar netos.

O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.

Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho.

Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.


# 8.SAÚDE OCULAR


* A Saúde Ocular em Foco (coluna livre):

* Comunicado da Retina Internacional e da Retina Brasil: No Dia Mundial da Retina, 25 Setembro 2016*


Neste Dia Mundial da Retina, nossas entidades chamam a atenção para a importância de se ter acesso a serviços de genotipagem para pessoas com doenças hereditárias. A genotipagem contribui para a aceleração das descobertas de terapias para doenças que ainda não têm tratamento.
As doenças da retina estão entre as causas mais comuns da perda de visão na população ativa em todo o mundo. São elas a Retinose Pigmentar, a Doença de Stargardt, a Degeneração Macular Relacionada à Idade, a Coroideremia, as doenças sindrômicas que envolvem a Retinose Pigmentar (como a Síndrome de Usher, Sindrome de Bardet Biedl, etc) e muitas outras. O impacto destas

doenças na qualidade de vida é enorme.


No entanto, *devemos ter esperança.* Existem tratamentos que estão na iminência de serem aprovados pelas autoridades de saúde nos Estados Unidos e na Europa, e que chegaram a este estágio após anos de testes clínicos em laboratórios, com animais e com pacientes que se submeteram a experimentos, com vistas a ajudar outros pacientes a se tratarem. Hoje é essencial fazer a identificação dos fatores genéticos que levam à doença de cada paciente para que os testes clínicos sejam eficazes e para que os futuros tratamentos sejam bem sucedidos.
A Retina Internacional busca fornecer aos pacientes afetados por doenças da retina as informações que irão ajudá-los nas opções por tratamentos que estão por vir (na terapia genética, na terapia celular, no olho eletrônico, na terapia por eletroestimulação entre outras). Busca informá-los sobre a participação em testes clínicos.
Se você tem uma doença hereditária da retina, você e sua família devem ter acesso à informação de qual o gene que levou à sua doença. Para isto é preciso ter acesso a testes genéticos. Contudo, este não é um teste acessível a todos os pacientes e são poucos os países em que o governo se responsabiliza por fornecer ao paciente seu diagnóstico genético gratuito.

A dificuldade de acesso ao diagnóstico genético é um grande obstáculo ao desenvolvimento de novas terapias e contribui para a perda de visão de muitas pessoas.


A Presidente da Retina Internacional, Christina Fasser, destacou a importância da genotipagem nas doenças da retina. “Um bom diagnóstico genético é um pré-requisito para que o paciente seja incluído nos testes clínicos para sua doença. A Retina Internacional está desenvolvendo um

material para ser usado por seus membros nos 33 países que fazem parte da associação. Este material visa informar sobre as novas possibilidades de diagnóstico genético. As entidades nacionais, como a Retina Brasil serão incentivadas a promover e defender o acesso a um diagnóstico genético gratuito ou acessível ao paciente”.


Para milhões de pessoas, a perda da visão decorrente de doenças hereditárias da retina leva à dificuldade em desempenhar tarefas rotineiras em casa, ansiedade sobre o trabalho atual ou futuro, incerteza sobre relacionamentos pessoais, dificuldades de mobilidade e isolamento.
Se de um lado surgem novas terapias que trazem grande esperança, e que têm o potencial de mudar a vida das pessoas com doenças da retina, de outro lado estas pessoas dependem de diagnóstico genético para terem acesso a esta nova fronteira.
Avril Daly, Diretora Executiva da Retina Internacional, chama a atenção dos responsáveis pelas políticas de saúde em sistemas como o SUS brasileiro, para que se conscientizem de que as terapias genéticas estão prestes a se tornar uma realidade e que os profissionais e seus serviços precisam se

preparar urgentemente para oferecer ao público serviços de diagnóstico genético, de aconselhamento genético e muito brevemente, terapia genética.

Ela afirma: “a genotipagem pode ter um impacto positivo sobre pessoas afetadas por doenças hereditárias da retina e suas famílias de diversas maneiras. Quando realizados corretamente e bem interpretados, os testes genéticos podem melhorar a precisão do diagnóstico clínico e podem

auxiliar no prognóstico da doença e no aconselhamento genético. Os sistemas públicos de saúde, os profissionais da visão e as associações de oftalmologistas e geneticistas devem se conscientizar de que os testes clínicos para as doenças hereditárias da retina são uma realidade e que as terapias genéticas estão chegando. Sem um diagnóstico genético preciso os pacientes se arriscam a perder a visão, já que não terão condições de acessar os testes clínicos em andamento ou os tratamentos que surgirem para suas doenças. E a perda de visão devida a esta omissão é inaceitável para os membros de qualquer sociedade.”


Nenhum dos avanços notáveis que estão ocorrendo no campo das Doenças da Retina seriam viáveis sem o envolvimento de grupos especiais de pacientes, selecionados para testes clínicos a partir de seu perfil genético. Mesmo as decisões de alocar recursos para pesquisa em trabalhos pré-clínicos dependem do impacto positivo do teste clínico na população estudada. A transição bem sucedida da pesquisa no campo da ciência básica para a pesquisa voltada para a aplicação clínica é um dos objetivos mais importantes da Retina Internacional e de suas associações afiliadas. E o acesso ao

diagnóstico genético é fundamental para este objetivo.


No dia Mundial da Retina, 25 de setembro de 2016, a comunidade global formada por pacientes, pesquisadores, clínicos e demais profissionais da saúde, envolvidos com as Doenças Hereditárias da Retina, une-se para chamar a atenção para a importância do acesso *de todos os pacientes* ao teste

genético para as doenças hereditárias da retina em todos os recantos do mundo, na esperança de mudar a perspectiva dos profissionais, do governo e da sociedade frente à questão do DIAGNÓSTICO GENÉTICO. Esta mudança de perspectiva irá contribuir para a aceleração do ritmo dos avanços na medicina, na cirurgia e na tecnologia. Só assim poderemos caminhar em

direção a um futuro que todos poderemos compartilhar.


Retina Internacional - é uma associação sem fins lucrativos, que reúne associações representativas de 33 países, formadas por pessoas com Retinose Pigmentar, Síndrome de Usher, Degeneração Macular e outras distrofias retinianas hereditárias, seus familiares e amigos. Nossa missão é agilizar

o desenvolvimento dos tratamentos comprovados para as distrofias da retina e lutar pelo acesso de todos ao diagnostico genético e aos tratamentos.


Para maiores informações contatar www.retina-international.org
Retina Brasil - é uma associação sem fins lucrativos, sediada em São Paulo, que reúne associações regionais de pacientes com distrofias hereditárias da retina e que tem como missão informar estes pacientes, seus familiares e amigos, sobre os aspectos clínicos destas distrofias e sobre os avanços científicos que apontam para um futuro de esperanças para tratamentos. A Retina Brasil está ligada à Retina Internacional.
Para maiores informações contatar www.retinabrasil.org.br

Como você pode ajudar o RETINA RIO?


Em sua atuação de apoiar e informar aos afetados por doenças degenerativas da retina, o RETINA RIO necessita de voluntários para suas atividades, bem como tem dispêndio financeiro. A entidade agradece toda a ajuda que você puder dar. Veja Contatos abaixo. *
Bem como conta para doação: *Grupo de Retinose Pigmentar do Rio de Janeiro

CNPJ n°. 86969953/0001-88, Banco BRADESCO SA: 237, Agência Nº. 0448-0, Conta corrente Nº. 163.080-6


* O leitor pode colaborar com a coluna, enviando material pertinente, para nossa redação (contraponto.exaluibc@gmail.com).

# 9. DV-INFO


Colunista: CLEVERSON CASARIN ULIANA (clcaul@gmail.com)
* Como impedir que o seu computador fique lento

Por: David Nield, para o portal Gizmodo Brasil


Conforme os meses e os anos passam, mesmo o mais potente dos computadores pode ficar lento e mostrar sinais da idade, como acontece também com carros. Mas como no caso de um automóvel, você pode fazer algumas coisas para minimizar esses problemas e manter seu notebook rodando mais rápido enquanto for possível. Eis alguns passos simples que você pode tomar para evitar que seu computador fique lento:
Mantenha poucos programas e extensões:

Aplicativos de desktop e extensões de navegadores são normalmente os principais culpados pela lentidão do seu computador. Quanto mais deles seu sistema operacional tiver que lidar, mais trabalho ele precisa fazer e mais recursos de sistema são usados. Pense duas vezes antes de instalar qualquer coisa nova e se pergunte se você realmente precisa daquilo no seu sistema. Talvez exista uma versão web que você possa usar no lugar, ou talvez até seja possível executar uma versão portátil a partir de uma pen.


Para esses aplicativos e plug-ins de navegadores que você realmente não consegue viver sem, tire um tempo regularmente para limpá-las. Qualquer coisa que ficar juntando poeira no seu sistema operacional deve ser desinstalado, pelos motivos que já citei – significa que nem sempre seu sistema operacional precisa deles.
Existem vários utilitários de terceiros que ajudam a manter o mínimo possível de aplicativos e extensões para garantir que você não encha seu computador com besteira. O CCleaner é um dos melhores multiplataforma e gratuito disponíveis. Outra razão para isso ser bom é que também ajuda a manter a maior quantidade possível de armazenamento local. Comece a encher demais seu disco rígido e a lentidão aparece em pouco tempo.
Não deixe programas iniciarem automaticamente:

Vários programas são configurados para abrir ao mesmo tempo que o Windows ou o macOS, e por mais que isso permita que eles se carreguem mais fácil para quando você precisar deles, também significa que seu computador vai demorar mais e mais para iniciar e ficar pronto para ser usado.


Para conferir o que é aberto com o sistema, entre na aba Inicializar no Gerenciador de Tarefas no Windows (clique com o botão direito na barra de tarefas para encontrar esse recurso), ou Usuários & Grupos nas Preferências de Sistema no Mac (veja na aba Itens de Início), que você pode acessar pelo menu da maçã no lado esquerdo superior.
É justo dizer que a auto-inicialização funciona bem para alguns aplicativos, especialmente aqueles que você quer usar assim que liga o computador, mas é bom manter essa lista com a menor quantidade possível de itens para ter um desempenho melhor. Algumas tentativas e erros são necessários para definir qual é o maior devorador de recursos do sistema do seu computador.
Priorize a segurança:

Outro problema comum que causa lentidão em sistemas é a presença de malwares que se instalam no seu computador. Não apenas vírus poderosos, mas também extensões de navegadores que coletam dados de publicidade e utilitários questionáveis que são instalados com programas genuinamente úteis. Isso nos leva de volta a um ponto comentado anteriormente: ser bastante seletivo em relação ao que você instala no seu computador vai beneficiá-lo a longo prazo.


Claro que malwares e adwares indesejados podem se instalar sem você perceber e é por isso que um pacote competente de segurança pode mantê-los longe da sua máquina.
Atualize tudo regularmente:

Atualizar os programas e firmwares às vezes é meio chato, mas é uma das coisas que mais ajuda a manter o sistema saudável por diversos motivos. As atualizações corrigem falhas de segurança, otimizam códigos, adicionam novos recursos e também melhoram a compatibilidade com todos os outros periféricos e programas que você tem em seu sistema.


Particularmente com versões modernas do Windows, macOS e todos os aplicativos que rodam neles, manter programas atualizados é crucial para evitar lentidões e falhas e é por isso que muitos apps atualmente se atualizam automaticamente. No Windows, você pode encontrar as configurações de atualização na área Atualização & Segurança na área de Configurações (acessível pelo menu Iniciar); no macOS, vá até a App Store e abra a aba Atualizações para ver o que há disponível.
Atualize, restaure, repita:

Outro ponto relacionado ao anterior: é bom de vez em quando restaurar todo o seu computador para as configurações de fábrica, já que você sempre ganha melhorias de desempenho significativas fazendo isso. Num passado não muito distante os benefícios de fazer isso eram superados pela dificuldade em ter tudo reformatado e reinstalado, mas as versões mais recentes do Windows 10 e do macOS Sierra tornam o processo inteiro muito mais simples: você pode até restaurar o sistema sem perder nenhum tipo de dado pessoal.


No Windows, vá até Atualização & Segurança para fazer isso; no Mac, entre na ferramenta Disk Utility ao reiniciar sua máquina e segurar Cmd+ R enquanto ele inicia novamente. É preciso ter certeza que você fez cópia de todas as coisas importantes e você pode baixar e instalar facilmente todos os programas que achar necessário, mas deixando de lado essas pequenas inconveniências, é como uma grande faxina no seu sistema e deve parar as sempre crescentes lentidões.

10. IMAGENS QUE FALAM


Colunista: CIDA LEITE (cidaleite21@gmail.com)
* Áudio-Descrição: Recurso de Acessibilidade Comunicacional
Inicio a minha coluna com a indagação: Devo grafar o termo ÁUDIO-DESCRIÇÃO com ou sem o traço de união? Localizei um artigo que aborda o tema de forma bem didática e apresenta

os fundamentos para a utilização do hífen, como traço de união das palavras áudio e descrição. O estudo foi desenvolvido pelos professores Paulo Augusto Almeida Seemann, Rosângela

A. Ferreira Lima e Francisco José de Lima. Através de conceitos e exemplos, os autores apontam as controvérsias em relação à grafia da expressão áudio-descrição de acordo com o novo acordo ortográfico, levando-se em consideração a morfologia do termo em comento.

Os pesquisadores esclarecem que a áudio-descrição não é uma descrição em áudio, descrição falada ou narrada, mas uma composição a partir da união dos termos áudio e descrição.

Trata-se de um gênero tradutório nutrido pela semiótica, em que se traduz eventos visuais em palavras, sejam oralizadas, sinalizadas (no caso de língua de sinais) ou por escrito (em braille, por meio eletrônico, etc), confira em Lima et all (2009).

A áudio-descrição, inicialmente pensada para descrever imagens para pessoa com deficiência visual, mostrou-se um recurso semiótico de grande potencial também para uso de pessoas com deficiência intelectual, e hoje é reconhecidamente um recurso de tecnologia assistiva, na área da comunicação (Decreto Federal 5296/2004).

Diferente de uma descrição, a áudio-descrição, enquanto tradução visual, tem como objetivo primordial eliciar, na mente de quem ouve ou lê, as imagens eliciadas na mente de quem as pode ver. Neste sentido, a áudio-descrição serve a todos aqueles que, em algum momento, esteja privado da visão, ou por alguma razão não tenha acesso visual ao evento imagético, estático ou dinâmico.

Considerando que a tradução visual tem como objetivo o empoderamento do cliente deste serviço, não se a pode confundir com uma descrição falada, locucionada, descrição esta feita desde sempre na história humana, quando se quer comunicar algo que se viu ou vivenciou a alguém que não tomou parte do que foi visto ou vivenciado.

O ato tradutório da áudio-descrição, para além de seguir diretrizes específicas, técnicas consagradas ao empoderamento do cliente, encerra o entendimento de que na tradução visual o foco não é explicar ao cliente o que se está vendo, mas permitir a este ver aquilo que ele não pode enxergar.

Na áudio-descrição fílmica, por exemplo, não se descreverá tudo o que é mostrado, mas se traduzirá tudo o que é necessário para a compreensão do evento visual, dentro dos intervalos entre as falas, sem sobreposição da áudio-descrição sobre os diálogos e nem mesmo sobre certos sons (uma música, por exemplo) necessários à apreciação e/ou compreensão da obra.

Portanto, ao tratar de áudio-descrição, não se está falando de uma descrição despreocupada, linear ou genérica do que se vê, mas de uma tradução visual esteada na observação, no empoderamento do cliente, na pesquisa e no estudo semiótico da obra observada, no conhecimento a respeito do cliente da áudio-descrição, e sobretudo numa áudio-descrição isenta de barreiras atitudinais sobre o potencial da pessoa com deficiência, sua capacidade para compreender eventos visuais e, principalmente, com o espírito de que a pessoa com deficiência visual tem potencial cognitivo assim para construir as imagens a partir do que ouve, como compreendê-las no contexto em que forem empregadas (Lima e Lima, 2012).

É relevante esclarecer que as dúvidas quanto à escrita adequada de áudio-descrição surgem em razão da interpretação das regras que orientam a ortografia de vocábulos como audiovisual, audiofone, audiograma, audiometria etc as quais, de acordo com o Scarton e Smith (2002) e Rios (2009), são constituídas pelo prefixo latino áudio (lat audio), sendo nestes casos desnecessários o uso do hífen, pois este prefixo é um morfema que se coloca antes dos radicais (parte fixa, invariável da palavra)

basicamente a fim de modificar-lhes o sentido e raramente produz mudanças na classe gramatical da palavra primitiva. (p.4)

Como se vê, para que o termo áudio fosse um prefixo em áudio-descrição, ter-se-ia de pensar que áudio-descrição seria uma mera descrição sonorizada, ou quem sabe uma descrição do som.

Ora áudio-descrição não é nem uma coisa, nem outra. Áudio-descrição é um gênero tradutório, não lingual, cujas diretrizes principais são:
* descreva o que você vê;

* descreva de modo claro, conciso, correto, específico e vívido;

* descreva com o registro linguístico e locução, quando aplicável, condizentes/determinados pela obra;

* e, acima de tudo, descreva com o fim de empoderar a pessoa com deficiência na tomada de decisão, na apreciação, autônoma ou mesmo assistida, de uma dada obra.

(Lima e Lima, 2012)
Por outro lado, embora não seja objetivo deste trabalho falar sobre barreiras atitudinais, é relevante dizer que constitui barreira atitudinal crassa pretender que as pessoas com deficiência visual são incapazes de explicar qual o recurso de que faz uso (Lima, Guedes e Guedes, 2010).

De qualquer modo, o fato de não se saber a morfologia de uma palavra, a grafia dela, ou mesmo o conceito exato que ela detém, não significa que um sujeito não possa usar dessa palavra e/ou do serviço que ela encerra.

Afinal será que todas as pessoas que usam guarda-chuva sabem que este substantivo composto se grafa com hífen? O fato é que tanto guarda-chuva quanto áudio-descrição obedecem à mesma regra ortográfica prescrita, assim no acordo ortográfico anterior como no atual.

Com a atual ausência do termo áudio-descrição nos dicionários, muitos brasileiros buscam outra fonte de referência de igual (ou até, maior) prestígio: a Academia Brasileira de Letras (ABL). Na internet, a instituição oferece a possibilidade de se sanar dúvidas referentes à língua por meio de perguntas ("ABL Responde", disponível em:



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