Biografia ney matogrosso



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BIOGRAFIA – NEY MATOGROSSO

Ney de Souza Pereira nasceu em 1º de agosto de 1941 na pequena cidade de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai. Desde cedo demonstrou vocação artística: cantava, pintava, interpretava.Ainda pequeno, escolheu o caminho do questionamento das reticências do mundo adulto, inconformando-se com seus preconceitos e incoerências.

vocação. incoerências. reticências.







Teve a infância e a adolescência marcadas pela solidão, em parte voluntária - gostava de passar horas seguidas no mato, acompanhado somente por seus cachorros - e por outra parte forçada, pelas constantes mudanças da família, decorrentes das transferências de seu pai militar.




infância. nômade. mato.

Até completar 17 anos, sua família morou, além de Bela Vista, no Recife, em Salvador, no Rio de Janeiro e em Campo Grande. Quando deixou a casa da família para entrar na Aeronáutica, Ney ainda não fazia idéia do que faria de sua vida. Gostava de teatro e cantava esporadicamente, mas acabou indo trabalhar no laboratório de anatomia patológica do Hospital de Base de Brasília, a convite do primo. Tempos depois, passou a fazer recreação com crianças.

família. trabalho. brasília.




Nessa época, foi convidado para participar de um festival universitário e chegou a formar um quarteto vocal, sob protestos da professora de canto e apesar do regente do coral do qual fazia parte elogiar sua voz especial.

Depois do festival, fez de tudo um pouco, até atuou em um programa de televisão. Também concentrou suas atenções no teatro, decidido a ser ator. Atrás deste sonho, ele desembarcou no Rio de Janeiro em 1966, onde passou a viver da confecção e venda de peças de artesanato em couro. Ney adotou completamente a filosofia de vida hippie.

coral. festival. Rio de Janeiro.




Neste período, viveu entre o Rio, São Paulo e Brasília, até conhecer João Ricardo, através da grande amiga Luli, que mais tarde tornou-se compositora de alguns de seus maiores sucessos. João procurava um cantor de voz aguda para um conjunto musical. e convidou Ney para ser o cantor do grupo. Ele mudou-se para São Paulo, de encontro a um ano de exaustivos ensaios, que entremeou com a participação em espetáculos teatrais e o artesanato. Começou a se revelar, então, Ney Matogrosso. O nome artístico, ele resgatou na própria família: seu pai tinha Matogrosso no sobrenome.

Luli. teatro. música.




Secos e Molhados tornou-se um fenômeno da música popular brasileira. Em apenas um ano e meio, o grupo saltou dos shows na apertada Casa de Badalação e Tédio, em São Paulo, para a fama nacional dos espetáculos em grandes ginásios, superando a marca de 1 milhão de discos vendidos. Ney virou destaque na banda, que ao final de um ano já vivenciava uma série de problemas internos. Na semana em que saiu o segundo LP, o Secos e Molhados acabou.

fenômeno. discos. atitude.




É bom lembrar que o Secos e Molhados, apesar de cantar letras de cunho literário, era essencialmente um conjunto de rock. Sem abandonar este traço básico, Ney resgatou tesouros escondidos da chamada MPB tradicional, como "Bambo de Bambu", do repertório de Carmem Miranda - provavelmente a artista, em toda a história da música brasileira que, sob determinado ponto de vista, que mais se aproxima do que seria uma definição de Ney Matogrosso. Mas, ao contrário dela, e apesar de não faltarem oportunidades, Ney jamais se interessou em desenvolver uma carreira internacional.

secos e molhados.

Uma viagem promocional o levou o Secos e Molhados ao México. Moracy do Val, na época empresário do grupo, recebeu diversas propostas para levar o Secos e Molhados para os Estados Unidos e a Europa. Não por acaso, ele garante, pouco tempo depois surgiu um grupo de heavy metal com os rostos pintados em estilo semelhante com o lançado por Ney Matogrosso. Era o Kiss, sucesso mundial na década de 70.



Com sua maquiagem marcante, roupas e requebros, Ney Matogrosso contrastava com aquela época de muita censura e preconceito - partiu para a carreira solo. Sua atitude, postura e a voz fina continuaram levantando polêmicas, através de músicas como o fado "Barco Negro" e "Homem com H".

expressão. solo. polêmica.




Em 1975, Ney estreou no Rio de Janeiro o show Homem de Neanderthal, uma ousada super-produção com ricos cenários, iluminação e na qual ele surgiu meio bicho/meio homem. Ney subia no palco coberto por peles, chifres e penas, fruto de sua própria e exclusiva criação. Sete meses depois do fim do fenômeno Secos e Molhados, Ney Matogrosso conquistou sucesso de público e crítica com seu primeiro show e o disco - Água do Céu-Pássaro - solos.










 




Novo show, novo disco. Em 1976, Ney ressurgiu mais simples e despojado, em Bandido. Foi com a música "Bandido Corazón", presente da amiga Rita Lee, que ele alcançou seu primeiro sucesso nacional como artista solo. No ano seguinte, uma enquete realizada na Penitenciária Lemos de Brito, no Rio de Janeiro, indicou o artista como predileto dos detentos, para fazer o show de encerramento do festival de música local. Para os presos, Ney era símbolo da liberdade, assim como para o público de maneira geral: Ney era a própria personificação de desejos reprimidos por uma época. Em 1977, lança o disco Pecado, com músicas do repertório do show Bandido que ainda não haviam sido gravadas.

Seus shows tornaram-se cada vez mais ousados, enquanto o reconhecimento de seu talento como intérprete cresceu, na mesma proporção. O show e o disco Feitiço, em 1978, trouxeram a consagração de uma fase luminosa.




No decorrer da carreira, Ney aperfeiçoou-se como intérprete, passando a acrescentar uma carga tão intensa de estilo pessoal a uma música, praticamente tornando-se co-autor. Ney transformou-se em um dos intérpretes mais precisos de Chico Buarque em músicas como "Deixa a Menina", "Tanto Amar", "Até o Fim" e "Las Muchachas de Copacabana"; foi veículo ideal para as divertidas composições de Eduardo Dusek, como "Folia no Matagal", "O Rei das Selvas", "Cobra Manaus" e "Destino de Aventureiro"; e injetou ainda em sua explosiva receita o sangue fresco da nova geração comprometida com o rock, como atestam as faixas "Por que a Gente é assim?", "Pro dia nascer Feliz", "Fogo e Risco" e "Tão Perto".




Já atuando solo, Ney gravou na Itália, ao lado de Astor Piazzola, um compacto duplo, a convite do compositor argentino. Cantou na Argentina, no Uruguai, participou de dois festivais em Montreux (Suíça), levou seus shows várias vezes a Portugal, chegou a fazer shows em Israel e recentemente esteve nos Estados Unidos. Em todos estes lugares, o sucesso foi absoluto. Ney Matogrosso encara, no entanto, o público brasileiro como o verdadeiro destinatário de sua arte.






No show Seu Tipo, de 1980, ele investiu em um visual mais simples. Ney Matogrosso escolheu o palco de um circo para estrelar o show Destino de Aventureiro, em 1984, no circo Tihany, do Rio de Janeiro, no qual revisitou 10 anos de carreira, travestindo-se de Homem de Neanderthal, bicho selvagem, bandido latino-americano e forrozeiro. Dois anos depois gravou Bugre, que acabou restrito ao vinil, pois show não chegou a ser feito, em nome da coerência profissional que sempre guiou o cantor.








 




aventureiro. circo. pérolas.

Em 1986, na temporada de A Luz do Solo, no Rio de Janeiro, pela primeira vez Ney Matogrosso subiu ao palco sem qualquer máscara ou fantasia. Iniciou-se ali a fase em que a valorização do cantor, acima de qualquer outro aspecto, atingiu a sua plenitude. O intérprete revisitou, com emoção à flor da pele, o chamado repertório clássico da MPB, em músicas como "Dora", "Nem Eu", "Retrato em Branco e Preto", "Último Desejo", "Três Apitos", "Da Cor do Pecado", "No Rancho Fundo", "Modinha", "Autonomia" e "Na Baixa do Sapateiro", revelando maturidade e frescor, soando sempre novo, original. Inúmeros músicos o acompanharam: Hélio Delmiro, Marcio Motarroyos, Caetano Veloso, Severino Araíjo, Dori Caymmi, Erich Bulling, Paulinho da Costa, Eugênia Melo e Castro, César Mariano, Robertinho Silva, Paulinho Braga, Antonio Adolfo, Gal Costa, Jaques Morelembaum, Wagner Tiso e Arrigo Barnabé, até chegar ao quarteto formado por Raphael Rabello, Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Chacal no disco e show Pescador de Pérolas, de 1987, no qual adquiriu um prestígio no Brasil que ele próprio não confiava que tivesse.












Ney Matogrosso sempre foi um artista. Não se considera um cantor, apenas. A voz é mais uma de suas habilidades artísticas. Ney foi ator de cinema - em "Sonho de Valsa", longa-metragem de Ana Carolina, e "Caramujo Flor", curta de Joel Pizzini -, fez iluminação de Nanna Caymmi, Nelson Gonçalves, Chico Buarque, da Fundação Oswaldo Cruz, peças de teatro como Mistério do Amor, dirigiu dois Prêmios Sharp com os temas "Ângela e Cauby"e "Gilberto Gil", os shows do RPM, Cazuza e Simone e, mais recentemente, a peça Somos Irmãs.

cena. palco. luz.




Ney sempre mergulhou em busca de um encontro profundo com a espiritualidade e consigo mesmo. Em 1990, Ney experimenta com show e disco intimistas, literalmente À Flor da Pele, com Rafael Rabello.

íntimo. instrumento. pequeno.






Em 1992, uniu-se ao grupo Aquarela Carioca para realizar "As Aparências Enganam", que teve músicas como "El Manisero", "A Tua Presença Morena" e "Sangue Latino". Dois anos depois, o disco e o show Estava Escrito, homenagearam Ângela Maria, dando ao seu samba-canção uma roupagem requintada, uma leitura luminosa.








 




pesquisa. influência. MPB.

O show "Um Brasileiro", de 1996, no qual exerce uma das melhores interpretações de Chico Buarque, também virou disco e se mantem até hoje na estrada, embora em 1997 Ney tenha gravado "Cair da Tarde", disco no qual entrelaça as obras de Tom Jobim e Villa Lobos.

No novo disco que começou a ser gravado no dia 1 de julho, com lançamento previsto ainda para este ano, o cantor quer mostrar quem considera estimulantes da nova geração de compositores. Procurou quem tivesse composto coisas que lhe interessem falar. Mais uma experimentação. Mais uma ousadia. Porque, afinal de contas, é neste território - o do imprevisível - que Ney Matogrosso se sente em casa.







 

 








Batuque é um alegre passeio de Ney Matogrosso por um dos mais criativos períodos da música brasileira: as décadas de 30 e 40. Num momento em que as rádios do país não cansam de abrir espaço para o que o cantor define como "malícia pesada", "Batuque" celebra o balanço contagiante e a ingenuidade matreira de sambas, choros e marchinhas que definiram uma época de ouro da MPB. "Eu conhecia essas canções sem saber porque as ouvia desde criança. Mas não faço um espetáculo de época de resgate, porque essas músicas não se perderam. Estão à disposição de quem as quiser cantar e gravar", Ney explicou em uma entrevista para o jornal "O Estado de S.Paulo".

Com a ajuda de quatro pesquisadores (Jairo Severiano, Zuza Homem de Melo, Paulinho Albuquerque e Fausto Nilo), Ney definiu o repertório desta viagem musical no tempo. As músicas do espetáculo incluem as faixas que constam do disco, reproduzingo os mesmos empolgantes arranjos acústicos, e algumas outras, como "Batuque na Cozinha" e "Barco Negro".

Ney promove no palco e na platéia uma festa dançante que oscila entre a vibração de uma roda de samba e o entusiasmo de uma gafieira, com músicas como "O Que É Que a Baiana Tem?", "Tico-Tico no Fubá" e "E o Mundo Não se Acabou", que foram sucesso na voz de Carmen Miranda. Apesar de seis das músicas terem sido gravadas pela Pequena Notável, Ney revela que não se trata de uma celebração à carreira da cantora, como contou à "Folha de S.Paulo": "Não estou prestando uma homenagem a Carmen, não quis me limitar a ela. Mas o melhor daquelas décadas passava por ela mesmo. Eu teria que passar, inevitavelmente".

Produtor de reconhecida competência, Ney mais uma vez também assumiu as luzes e os cenários, criando um ambiente que define como "de teatro de revista". Para os figurinos, contou com a ajuda do estilista Ocimar Versolato, buscando peças nos brechós de Paris: "É extravagante, embora sóbrio, mas erótico porque é todo preto", explicou ao "Estadão". O espetáculo, que depois do Rio segue para São Paulo, vai dar origem a um DVD.











Ney Matogrosso comemora 30 anos de carreira mergulhando no universo musical de um dos nossos maiores compositores: Agenor de Oliveira, o Cartola. A admiração pelo sambista carioca veio muito antes do inicio da sua carreira. Ney chegou a cantar composições de Cartola em discos anteriores como Pescador de Pérolas e À Flor da Pele, mas desta vez resolveu dedicar uma obra inteira ao mestre. O desejo de fazer uma antologia veio atrelado a outro projeto antigo: a publicação de um livro que compilasse em fotografias momentos da sua carreira. “Ousar Ser”, lançado em 2002 (272 páginas), do compositor e escritor Bené Fonteles, contém 135 fotos de autoria de Luiz Fernando Borges da Fonseca durante 20 anos da carreira de Ney, as quais retratam inúmeras perfomances em shows e revelam várias mudanças no visual do artista, traçando assim um perfil de sua atitude e ousadia, além de depoimentos do cantor. O disco, no qual Ney interpreta composições de Cartola, a princípio, seria apenas um complemento do livro, mas acabou ganhando vida própria. Teve registro ao vivo (com mais músicas que a versão em estúdio) e um DVD. No repertório há clássicos como “O Sol Nascerá”, “O Mundo é um Moinho”, “As Rosas não Falam”, “Basta de Clamares Inocência”, entre outras preciosidades.

Participam do projeto os músicos Zé Nogueira (Sax), Jorge Helder (baixo), Celsinho Silva e Zero (percussão), Ricardo Silveira (guitarra) e Marcelo Gonçalves (violão). Este show percorre todo o Brasil e Europa, completando um total de 100 apresentações em Portugal, sendo sucesso de publico e critica por onde passa.


Em 1997, Ney Matogrosso grava Caramujo Jah no CD “Astronauta Tupy” de Pedro Luís e A Parede, ano em que conhece o trabalho da banda e gosta muito. Em 1999, Ney inclui músicas de Pedro Luís no CD “Olhos de Farol” (Miséria no Japão e Fazê o Quê), e participa de vários shows da banda. Surge a idéia de trabalharem juntos num mesmo projeto um dia. O fruto desta idéia é “Vagabundo”, O CD com desdobramento em dois DVD´s: um da etapa de ensaios e gravações e outro do show registrado ao vivo no Olympia em junho de 2005 (ainda a ser lançado).

Com músicas variadas, “Vagabundo” é composto de 14 faixas, passeia desde a época do Secos&Molhados com “Assim Assado”, passando por “Disritmia” (Martinho da Vila), A Ordem é Samba (Jackson do Pandeiro e Severino Ramos), Napoleão (Luhli e Lucina), entre outras.

O cenário é baseado em desenhos do artista plástico Rodrigo Cabelo, que viram animação nas mãos do fotografo Cafi. A luz é de Ney Matogrosso e Juarez Farion. Ney veste figurinos de Ocimar Versolato enquanto a Parede e os músicos convidados são vestidos por Helena Gastal.

Depois da estréia no Rio de Janeiro, o show percorreu as principais capitais brasileiras e várias cidades do interior do Brasil, foi apresentando algumas vezes em Portugal, e a turnê se estende até o final do ano. Sucesso de público e critica, “Vagabundo” ganhou alguns prêmios: foi eleito pelos críticos da APCA como um dos melhores discos de 2004 e de melhor grupo em 2005.

Comportado ou transgressor, Ney mantém alta a qualidade de suas interpretações.

Seria apenas um especial de final de ano do Canal Brasil, mas passou a ser um show de carreira. “Tudo foi feito de forma descompromissada, porque não era para ser isso. Era só um especial de TV. Como me deram liberdade, assumi como único compromisso o prazer de cantar", conta Ney. A idéia era de que ele fosse acompanhado de um só violão, mas ele apresentou a contra-proposta de serem quatro, e foi atendido prontamente.

Lançado em CD e DVD ao vivo, gravados no SESC Pinheiros (SP – Capital) em dezembro de 2004, Canto em Qualquer Canto, conta com um quarteto de cordas: Pedro Jóia (violão e alaúde), Ricardo Silveira (guitarra e violão de aço), Marcelo Gonçalves (violão de sete cordas) e Zé Paulo Becker (violão e viola caipira). Neste projeto, Ney Matogrosso retoma o formato de recital, deixando um pouco de lado suas apresentações performáticas e se concentrando na sua interpretação. Um padrão parecido com o criado em 1987 com o Pescador de Pérolas só que dessa vez num formato inovador. O CD e é composto por 14 faixas, alguns clássicos de seu repertório que voltam recriados, com arranjos belíssimos e originais, dentre eles: “Dos Cruces” (Carmelo Larrea), “Ardente”(Joyce), “Tanto Amar” (Chico Buarque), e musicas inéditas como “Canto em Qualquer Canto” (Ná Ozzetti e Itamar Assumpção), “Uma Canção por Acaso” (Pedro Jóia e Tiago Torres da Silva), Oriente” (Gilberto Gil), ”Duas Nuvens” (Pedro Jóia e Tiago Torres da Silva) e “Já Te Falei” (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Davi Carvalho).

O show estreou no Bareto (Bar do Hotel Fasano em SP), em maio de 2005 para um público seleto, apenas 64 lugares, quando Ney, sempre inovador, cantou para o menor público da sua carreira. Houve mais apresentações em agosto, quando novas músicas que não constam do CD e DVD foram incluídas no show, dentre as quais “Ela e EU”, de Caetano Veloso.

A estréia de Canto Em Qualquer Canto ocorreu antes mesmo de terminada a turnê do show anterior (Vagabundo, com Pedro Luís e A Parede), outra inovação na carreira de Ney: oferecendo ao seu público dois shows completamente diferentes no mesmo ano.



Prêmio Bravo! Prime de Cultura.

Para milhares de pessoas ou para um publico pequeno o canto do Ney realmente cabe em qualquer canto. Canto em qualquer canto durou dois anos, viajou o Brasil de ponta a ponta, em junho de 2007 cruzou o Atlântico e encerrou a turnê na Itália.

O estilo mais comportado que esteve presente no show anterior foi deixado de lado, agora ele mostra novo visual, inspirado em seus modelos mais extravagantes, no seu novo show Inclassificáveis que teve a sua estréia em Juiz de Fora no início da primavera. 
“Gosto de mudar, de mexer para que a coisa fique atraente para que eu possa fazer. Não é uma preocupação com o público, mas com o meu prazer de estar fazendo. E me aproximo de novo do pop rock, que é uma coisa que gosto de fazer. Surgi assim, e de vez em quando eu gosto de fazer. Daí muda tudo, banda, tudo. Montei uma banda em São Paulo, ensaiamos durante um mês e meio lá. É isso, um show pop rock, portanto com bastante liberdade de figurinos e ação. Apesar de estar me sentindo muito à vontade ali, o Canto em Qualquer Canto era um recital pop, mas me restringia. Esse não, me dá uma maior liberdade.”

O espetáculo subverte a ordem natural da indústria fonográfica, que dita que um artista deve lançar um CD novo para depois sair em turnê. No caso de “Inclassificáveis”, Ney Matogrosso fará o contrário, talvez assinalando o que há anos já se discute: o fim da indústria fonográfica tal qual nós a conhecemos. “Para mim, o disco sempre foi um veículo para meus shows. Agora com a derrocada do CD sinto-me mais livre para exercitar minha verdadeira paixão, que é o palco”. 

A apresentação terá 22 canções, 12 delas releituras de sucessos de outros cantores. Só de Cazuza são quatro composições. Ney abre o show com 'O Tempo Não Pára' e termina com 'Pro Dia Nascer Feliz'. Ainda serão apresentadas 'Por que a Gente É Assim?' e 'Seda', letra inédita do compositor, que ganhou arranjos de Lobão. No repertório ainda há versões de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil e Jorge Drexler. Entre as inéditas, destaque para os novos compositores, que permeiam o repertório. Estarão no show canções de Pedro Luis, Iara Rennó, Alice Ruiz e Fred Martins, além de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, e de Arnaldo Antunes. 

Sobre o repertório, o intérprete conta que a idéia é trazer coisas novas, já que seu lema é:“sempre para frente, o que ficou pra trás é passado. Das antigas, vem ‘Mal Necessário’, que é dos anos 80, fez sucesso e nunca mais cantei”, 'Mente Mente' de Robinson Borba, 'Novamente' de Fred Martins. 

O figurino tem assinatura de Ocimar Versolato, sempre mostrando um cantor provante e ousado. Ney aparece coberto de brilhos, que no decorrer do show se transformam em outros, a partir de cada troca em cena de adereços e peças. Uma recuperação do Ney “exótico” dos anos de 1970 e 80, época que encarnava um pavão misterioso andrógino e espalhafatoso. “Não é uma tentativa de recuperar nada daquela época, apenas uma proposta visual que achei bonita. Do passado só guardo meu espírito sempre crítico.”

A direção musical é de Emílio Carrera, ex-integrante dos Secos e Molhados.


O cenário do novo show remete aos tempos de extravagâncias cênicas e leva a assinatura de Milton Cunha. No palco, uma nova banda renova o cantor: Carlinhos Noronha (baixo), Junior Meirelles (guitarra / violão), Sergio Machado (bateria), Emilio Carrera (piano, teclado e direção musical), DJ Tubarão (percussão e pick up) e Felipe Roseno (percussão).

Em março de 2008 lançou o CD/DVD Inclassificáveis.

Ney comemora seus 35 anos com projetos ambiciosos, dois deles realizados pelo cineasta Joel Pizzini, em parceria com o Canal Brasil: o filme “Olho Nu” e um documentário ainda sem titulo. Ambos relatam etapas importantes da vida e da trajetória do cantor, mostrando o resgate de imagens raríssimas.

No premiado “Depois de Tudo”, curta metragem de 12 minutos, o cantor interpreta um homem casado há 35 anos, que mantêm um relacionamento extraconjugal com outro homem (interpretado pelo ator Nildo Parente). Cenas do cotidiano como cozinhar, assistir filmes, dormir abraçado e beijos ternos preenchem a tela de forma sutil e sensível.“Me ver beijando na boca de outro homem, era tudo o que as pessoas queriam". A frase foi dita por Ney Matogrosso durante a coletiva de imprensa realizada antes da primeira exibição de "Depois de Tudo" (2008), curta de Rafael Saar, que teve sua estréia no II For Raibow - Festival de Cinema da Diversidade Sexual, realizado entre 05 e 09 de setembro na cidade de Ceará. 

Finalmente foram relançados os álbuns da fase inicial de Ney Matogrosso em CD, em edição luxuosa, numa caixa com 17 títulos, em edição conjunta das gravadoras Universal, Warner e Sony/BMG. Do presente para o passado, a caixa “Camaleão” abrange todo o período da carreira solo de Ney, logo após a sua saída dos Secos & Molhados, na década de 1970, atravessando os anos 80 e chegando ao início da década seguinte com encontro do cantor com o violão de Rafael Rabello, em "À Flor da Pele" (1991), além de dois CDs-Bônus: a coletânea "Pérolas Raras" e "Caetano Veloso, João Bosco e Ney Matogrosso - Brazil Night", registro de uma apresentação no Festival de Montreux, na Suíça, em 1983.

O cantor destaca "Pescador de Pérolas" (1987) como um trabalho de importância fundamental em sua trajetória. “Até Pescador de Pérolas, eu tinha certa insegurança em saber se era realmente um cantor ou se eu era um ator que cantava. Um ator pode até cantar bem, dominar a técnica, mas é diferente de um cantor. Um cantor tem que ser intuitivo. Naquele show, de ambiente camerístico e no qual eu não usava maquiagem nem fantasia para me comunicar com o público, entendi que eu era mesmo um cantor”. A caixa foi organizada pelo jornalista e pesquisador Rodrigo Faour.

Em dezembro de 2008, estreiaem Santos seu novo show: Beijo Bandido.

Em fevereiro de 2009 começaram as filmagens do longa “Luz Nas Trevas – A Revolta de Luz Vermelha”, continuação do clássico de 1968 “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, baseado na história do criminoso João Acácio (1942-1998). No remake, Ney interpretará o próprio bandido, vivido por Paulo Villaça (1946-1992) no primeiro filme. “Assim como o personagem, Ney tem personalidade fortíssima”, afirma a diretora e viúvade Sganzerla, Helena Ignez. “É um artista extraordinário”“Gosto de desafios. Acho a vida interessante com desafios. Nesse, tem o que me assusta e o que me atrai, que é fazer a continuação disso, principalmente por ser um roteiro de Sganzerla”, disse Ney à Folha, após acompanhar, no 41º Festival de Brasília, a exibição do curta “Depois de Tudo”, de Rafael Saar, em que atua. O elenco do longa ainda conta com nomes como Maria Luisa Mendonça, Djin Sganzerla e Simone Spoladore. Selton Mello e Daniel Filho também devem fazer participações. Enquanto isso, Inclassificáveis, com algumas alterações, continuou na estrada, paralelo a todos esses projetos.



Beijo Bandido

O CD, lançado em outubro, apresenta uma necessidade de Ney em intercalar trabalhos ousados com mais introspectivos. A maioria das canções se trata de relações amorosas.

O repertório começou a ser montado a partir do desejo de recuperar canções que havia gravado com outras pessoas e  que ficaram de fora da caixa Camaleão, organizada por Rodrigo Faour, além de outras que ele já tinha vontade de cantar. 

O título Beijo Bandido foi inspirado na letra de “Invento, música do compositor gaúcho Vitor Ramil. Ney da um banho de interpretação, técnica e sedução, mesclando músicas antigas com canções contemporâneas.



A direção musical e os arranjos são de Leandro Braga, cujo piano se sobressai por vontade de Ney. Além de Braga, que já trabalhou com o cantor em projetos anteriores, completam a banda Lui Coimbra (cello e violão), Ricardo Amado (violino e bandolim) e Felipe Roseno (percussão).




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