British Logic1 Luis Mauro Sá Martino



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ESTRANHOS A SI MESMOS: identidade, alteridade e o inquietante no twitter British Logic1
Luis Mauro Sá Martino2; Ângela Cristina Salgueiro Marques3
Resumo: Este texto delineia alguns aspectos da relação entre identidade e alteridade a partir da análise das interações delineadas na página BritishLogic (@BritishLogic), na rede social digital Twitter. A partir do conceito de “inquietante”, formulado por Freud (2010[1919]), foram analisados todos os posts entre dezembro de 2015 e maio de 2016 com o objetivo de analisar como a questão do “estranho”, em seus vários sentidos, é desvelada a partir da descrição de situações cotidianas. Foram observados três principais elementos: (a) as ações mais triviais são retratadas como fonte de dúvidas e preocupações; (b) interações sociais são mostradas como uma incansável tentativa de esconder os sentimentos reais; (c) qualquer estranhamento social é imediatamente reprimido de modo a não perturbar, e não ser perturbado, mas ao custo de um contínuo descontentamento.

Palavras-chave: Identidade; O inquietante; Alteridade; Subjetividade; Mídias Digitais.

Strangers to themselves: national identity, the uncanny and the otherness on the BritishLogic Twitter

Abstract: This text outlines some aspects of the relationship between identity and otherness as it is presented on the British Logic (@BritishLogic) account on Twitter. Grounded on Freud’s concept of ‘the uncanny’, all posts from posts from December 2015 to May 2016 have been analyzed to understand how the posts highlights the ‘strangeness’ while describing particularly trivial activities of everyday life. Main findings includes three major aspects: (a) everyday practices are seen from a distant point of view, as if the most trivial of actions encompasses a great deal of doubt and strangeness; (b) social interactions are portrayed as an endless game of not displaying real feelings; (c) any sort of social awkwardness is immediately repressed in order not to disturb – and not be disturbed by – anyone, but at a cost of inner dissatisfaction.

Keywords: Identity; The Uncanny; Otherness; Subjectivity; Digital Media.

Introdução

O título deste texto é uma referência ao conhecido trabalho de Julia Kristeva (1988), Étranges a nous mêmes, “Estranhos” ou “Estrangeiros a nós mesmos”, título que, em si, já indica uma série de questionamentos e desafios a respeito do que significa pensar a diferença. Se a abordagem de autoras como Kristeva (1988) e Koltai (2000; 2015) ressalta a questão do estranho a partir de seu duplo jogo com a tradução “estrangeiro” – a palavra é a mesma nos idiomas inglês e francês –, por outro lado é possível questionar, indo mais longe, de que maneira pode-se falar no sentido do “estranho” como algo próximo, quase familiar em sua estranheza. Um “semelhante dessemelhante”, como recorda, na palavra poética, Octávio Paz (2007).

O objetivo deste texto é observar os modos de afirmação de identidade a partir do estranhamento de si mesmo e das práticas cotidianas com as quais o sujeito está acostumado. De certo modo, se a constituição de si e a produção de determinados modos de subjetividade são processos que estão ligados diretamente ao estabelecimento de uma série de elementos habituais na formação de um ethos, como a própria rotina e as práticas cotidianas, seguindo a proposta clássica de Aristóteles (2010), a perspectiva de um estranhamento de si não deixaria de ser, em alguma medida, o avesso da subjetividade.

No caso, o elemento de pauta não está propriamente no habitual e no comum, mas, em certo deslocamento, na perspectiva de identificar exatamente no trivial e no familiar as fontes para a percepção de algo como “diferente”: não o duplo ou o reflexo, mas algo que, embora já conhecido, torna-se novo pela incidência de um outro olhar. É fato que, em certa medida, se está falando da criação de narrativas e contra-narrativas a partir das quais se produzem não apenas subjetividades, mas também processos de identidade pessoal e coletiva. A observação desses elementos conduz, neste caso, à pergunta que origina esta reflexão: de que maneira o sentido de identidade individual e coletiva pode ser constituído a partir de certo estranhamento?

Sem pretensão à resposta, mas em termos de um delineamento, escolheu-se como objeto empírico a página BritishLogic, (@BritishLogic), na rede social Twitter. A página, criada em 2013 pela vlogger Hannah Anderson, já postou mais de 4000 mensagens e tem, no momento desta pesquisa, 230 mil seguidores. A escolha se deu, entre outros fatores, pela proximidade de um dos autores com a cultura britânica, de um lado, e pelas possibilidades de identificação de práticas em relação ao próprio elemento “estrangeiro”, continuamente reafirmado na página.

As pesquisas sobre o sentido do estranho ocupam um lugar especial dentro das Ciências Sociais, tendo sido objeto de estudos como, para mencionar apenas alguns dos mais conhecidos, os de Elias e Scotson (2014), Jenkins (2008) ou Smith (1991), resvalando, não raramente, na fronteira com a psicanálise, como nos trabalhos de Kristeva (1988) ou Koltai (2000; 2015; 2016). É nessa fronteira, com os riscos inerentes à investigação que se arrisca ao interdisciplinar, que se busca trafegar aqui para delinear alguns aspectos da questão levantada. Nesse sentido, a busca por subsídios em autores da psicanálise, sobretudo em Freud (2010 [1919]), não é feita no sentido de explorar aspectos distantes do local de fala dos autores, mas de procurar pensá-la em sua dimensão de compreensão do mundo social; não se trata de “fazer psicanálise” ou usar indiscriminadamente seus referenciais na busca do que Bocock (1998) identifica como um “Freud sociólogo”, mas trabalhar algumas de suas contribuições à compreensão de aspectos do mundo social – pensando, por exemplo, nos caminhos indicados por Hermann (2011), Rouanet (2000), Mezan (1984) ou Dunker (2014).

Retoma-se aqui, também, uma discussão em curso pelos autores no sentido de pesquisar questões relativas à identidade, subjetividade e o estranho (MARQUES, 2009; MARTINO, 2010; MARTINO; MARQUES, 2013; MARQUES; MARTINO, 2013, 2014). O texto está dividido em duas partes. Na primeira, discutem-se aspectos da noção de “Inquietante”, proposta por Freud (2010 [1919]), para, a partir daí, buscar-se a análise do objeto.

1. O inquietante em sua relação com o familiar

Foi provavelmente Freud (2010 [1919]), em seu ensaio intitulado “O inquietante”, quem apontou pela primeira vez a relação entre o familiar e o estranho; ou, de outra maneira, como ambos estão diretamente ligados. O estranho não é, necessariamente, aquilo que está distante: ao contrário, na proximidade, a sensação de estranhamento pode acontecer com igual ou maior força. A proximidade, ao mesmo tempo, não é um sinônimo de familiaridade senão em um nível altamente superficial: mesmo as atividades cotidianas, olhadas em sua microscópica complexidade, não deixam de se revestir, quando analisadas, de um estranhamento derivado de sua própria recorrência: talvez não seja coincidência que a cultura, pensada nesses termos, se revele, afirma Magno (1994, p. 35), como o esforço de transformação do interdito em impossível, garantindo a perpetuação dos modos específicos de pensamento e ação.

Incluído dentro do que se poderia entender como os estudos “sociais” do criador da Psicanálise, o ensaio é uma das incursões de Freud no terrreno da Estética – indicação constante, aliás, do primeiro parágrafo do texto. Mas o que significa essa perspectiva? Ao que tudo indica, Freud está se referindo ao “estético” como sinônimo do “artístico”: de fato, ao longo do texto, ele vai recorrer a variados exemplos da literatura para identificar o quase imperceptível deslocamento da realidade ao qual entendemos com o nome de “estranho” ou “inquietante”.

A obra de arte, em sua forma de representação ao mesmo tempo igual e diferente do elemento representado no que se poderia entender como o modo específico de toda apropriação mimética – a “mimesis”, nesse caso, implicando o estranhamento a partir da duplicação representacional do objeto – se afigura como o caso-limite do que provoca a inquietação: a “reprodução” da realidade na representação não deixa de desafiar a percepção do que é, de fato, o “real”, formando uma espécie de paralaxe a partir da qual o estranho se mostra por conta da duplicidade.

No entanto, Freud não prossegue diretamente por essa trilha, optando por dar uma pista a partir do próprio nome: o “inquietante”, o “estranho”, pode ser abordado em termos comparativos com outras línguas: o Unheimlich alemão, termo de tradução bastante complexa – cf. Souza (2006, 2008) – e bastante ambivalente, indica, entre seus vários sentidos, não apenas a noção de “familiar”, mas também a possibilidade de se pensar em algo “oculto”, “escondido” por conta de uma diferença: no coração do familiar, indica Freud, está a diferença.

Não se trata, no entanto, de uma diferença proveniente de uma distância relacionada ao espaço de um “fora” geográfico ou social: o “fora” está na perspectiva daquilo que constitui o próprio elemento familiar. Mais do que “estranho”, a noção de Unheimlich informa a respeito do “não familiar”, com o prefixo “un” dando a forma negativa para o heimlich, “familiar”, “conhecido”.

O “estranho”, no caso, poderia ser pensado sobretudo como o “desfamiliar”, o “despróximo” – para evitar o uso lexicalmente correto, mas conceitualmente problemático neste caso, do “distante”. O familiar torna-se estranho por conta de uma paradoxal proximidade, e é nesse sentido que Freud parece indicar que, quanto mais próximo se está de algo, mais isso tende a se mostrar diferente e estranho quando observado em atitude de contemplação, com um pouco menos de pressa do que se costuma no cotidiano.

Sua busca, além da questão propriamente linguística, dirige-se para um conjunto de situações nas quais emerge o sentido do inquietante, procurando, a partir daí, isolar o elemento propriamente “inquietante” em todas elas. No entanto, Freud (2010 [1919]) logo observa que não existe nada de particularmente especial nas situações que despertam essa sensação, exceto uma proximidade considerável entre o aspecto do sensível – daí, talvez, a escolha pela experiência estética – e o elemento inquietante: o elo entre ambos não reside senão na ausência de um elemento especial sobre o qual poderia recair a análise, mas é justamente em sua “normalidade”, sua ausência de destaque, que o familiar e o ordinário se tornam inquietantes.

O sentido do inquietante, neste caso, é construído por conta da familiaridade nas relações que permite, em um meta-olhar, transformar as relações de proximidade e distância a partir de deslocamentos mínimos, quase imperceptíveis, no índice relacional com a realidade. Freud distingue, aliás, o sentimento do inquietante das noções de terror, espanto e de horror: nesses casos, o percepção da causa está, em geral, plenamente visível. Essas sensações tendem a ser provocadas, aliás, pela visibilidade consternadora de algo que não só é completamente estranho como também associam, em si, as possibilidades de reconhecimento de perigo, medo e ameaça.

Dessa maneira, a ameaça despertada por um filme de terror, por exemplo, distingue-se fundamentalmente daquela presente em uma história de suspense: enquanto o primeiro tende a ser explícito na fundamentação dos elementos responsáveis por causar o sentimento de horror, no segundo caso a sutileza na construção tende a levar mais adiante, ou mesmo eliminar, a resolução possível: se o horror se dissolve na plena realização da visão daquilo que atrai em sua negatividade, o sentido do inquietante parece adiar perpetuamente sua resolução. Em uma imagem, fixa ou móvel, bem como em um discurso, o inquietante jamais será visto em sua magnitude, mas é continuamente sugerido em seu ocultamento.

A sutileza do inquietante decorre igualmente de um deslocamento quase imperceptível da realidade que, ao mesmo tempo, a transforma em algo inesperado mas, de alguma maneira, irreconhecível em sua familiaridade: essa diferença mínima, muitas vezes mais sentida – decorrendo daí uma perspectiva estética – do que propriamente analisável do ponto de vista da razão, tende a provocar o efeito de inquietação e estranhamento: é por estar muito próxima, é por ser muito conhecida, quase igual ao que se espera, que a realidade se torna inquietante. O “despróximo” se afigura como o elemento de inquietação.

Talvez não seja por acaso que Freud tenha escolhido a obra de arte, em seu aspecto representacional, para trabalhar a questão (MARTINS, 2011). O discurso literário, no caso da literatura fantástica, parece produzir de alguma maneira o espaço fundamental para que se pense o próximo e o distante a partir de uma construção discursiva específica. No fantástico, a ideia de “suspensão da descrença”, fundamental na constituição do jogo literário, atinge um de seus graus mais altos: é preciso crer no texto, entender os recursos de transformação do familiar e do estranho em um grau, muitas vezes, próximo do nivelamento que permite o livre trânsito entre ambos sem que a leitura cause horror.

Não faltariam, neste caso, exemplos: nas obras de Hoffman, Büchner e Kafka, o estranho ganha uma naturalização tanto mais perturbadora quanto o fato das personagens, no interior da história, não o reconherecem como tal.

Para citar o caso mais famoso dentre os mencionados, a transformação do protagonista em “A metamorfose” não é de maneira alguma discutida, sequer mencionada pelas personagens: o estranho, neste caso, é tornado de tal modo “normal” no interior do texto que o efeito do inquietante assume esse direcionamento em relação a quem lê, no incômodo causado exatamente pela ausência de percepção daquilo que seria óbvio.

A literatura infantil, aliás, está eivada de casos semelhantes, no qual a inquietação é provocada não pelo destaque da presença de algo estranho, mas por sua presença quase natural, despercebida das personagens e mesmo do narrador. Não por acaso a crueza dessas histórias desperta a possibilidade de inúmeras análises: o estranho no universo da literatura infantil talvez lembre o quanto o cotidiano mantém inúmeros pontos de inquietação mesmo no espaço da vida adulta. Mais ainda, em alguns casos.

Esses efeitos de deslocamento ocorrem igualmente no sentido oposto, quando o cotidiano é desnaturalizado de suas práticas e tornado distante de si mesmo, “despróximo” do que poderia ser visto. O cotidiano, em sua duração como elemento de proximidade no qual as ações se desenrolam em um único sentido e um único tom – a monotonia – atravessando a maior parte de suas práticas, pode claramente se distanciar de seus praticantes. O estranhamento em relação ao cotidiano só é possível quando de sua meta-observação como um fenômeno a ser notado.

Mas como notar aquilo que está próximo, o conhecido, o trivial? Não se estaria buscando uma redundância proposital quando se fala de conhecer o que já é conhecido e, portanto, não encerra em si nenhum tipo de informação nova que possa ser somada ao que previamente se sabe?

É neste momento que a inquietação com o cotidiano pode acontecer: quando se transforma essa monótona familiaridade em algo novo, o sentido de estranhamento escondido no familiar tende a vir à tona. Nesse aspecto, a perspectiva de Freud se apresenta como bastante útil para compreender esse fenômeno: tornado distante pela proximidade que o esconde, os elementos do cotidiano se revelam tanto mais fortes quanto menos visíveis são na trama de relações constituída entre eles.

Nesse ponto, o questionamento se inverte: haveria algo de mais estranho do que a repetição monótona de uma rotina desprovida, em si mesma, de qualquer sentido último que não seja o de sua própria manutenção? Evidentemente não se está advogando aqui um niilismo rasteiro a respeito do que seria uma “ausência de sentido” da vida: o argumento é inerente às práticas cotidianas, não teleológico.

A ausência de sentido como finalidade não parece pertencer à esfera do estranho ou do inquietante, mas da angústia ou mesmo do desespero. O inquietante não chega a esses limites, mantendo-se em espaços menos visíveis – mas nem por isso menos importantes – para se pensar a relação do próximo e do distante como elementos constitutivos do que se entende por “realidade”. Daí a pergunta sobre o inquietante nas atividades do cotidiano: na monotonia da repetição, não haveria em si a possibilidade de um estranhamento justamente decorrente desse movimento? Ou, colocando na forma de um paradoxo, não seria o inquietante exatamente uma decorrência dessa repetição baseada em um sentido que está além dela, mas do qual não se pode saber com precisão – exatamente por se situar em uma esfera diferente da vida, o inconsciente?



2. As figurações do inquietante na definição de situações

A argumentação de Freud, nesse aspecto, parece situar o inquietante em uma esfera próxima do que, uma geração antes, James (1952 [1890]) argumentava em relação à percepção da realidade. Sem nenhum intuito de promover uma comparação entre os dois autores, mas apenas buscando uma aproximação que pode resultar importante para este trabalho, a identificação da noção de James não será de todo ociosa. No momento em que são necessários índices diversos, como sugere o autor inglês, para a definição do que é “real” em relação ao “sonho”, chega-se com facilidade ao ponto indicado por Freud como o inquietante: o elemento que parece real, guarda todas as características da realidade, parece verdade mas, em seus pequenos detalhes, revela-se como algo diferente.

Do mesmo modo, seguindo na matriz teórica de James, Goffman (1974) observa como é possível encontrar inúmeros efeitos de estranhamento na esfera da ritualística cotidiana: ao dedicar sua observação às pequenas interações, ao mínimo do comportamento humano, o sociólogo canadense consegue, ao longo de sua obra, trazer questões em um sentido aproximado ao pensado por Freud.

Olhado de perto, o cotidiano torna-se tremendamente inquietante, estranho, por conta de sua própria configuração. Não é necessário nenhum evento, nenhuma ação ou atitude para tornar estranho esse cotidiano. Ao contrário, é em sua aparente placidez que ele desafia o pensamento a compreendê-lo e, nesse movimento, acerca-se de um curioso estranhamento dentro de suas condições.

James, neste aspecto, envolve a noção de realiade em múltiplas direções, sobretudo no sentido de mostrar que “o entendimento de uma situação” – e, novamente, há ecos posteriores em Goffman (1974) como “real” não é automática, mas, ao contrário, resulta de uma série de esforços da mente para entendê-la dessa maneira a partir da exclusão de outras possibilidades. A perspectiva freudiana, no entanto, perece não ceder a essa possibilidade propriamente racional, sobretudo por conta de sua matriz sobre a mente humana.

Enquanto James vê essa aproximação como sendo a marca de distinção entre sonho e realidade, Freud, abordando a questão, encontra aí um dos caminhos de formação do inquietante. Assim como em alguns sonhos a distinção entre o que é real e o que é sonho parece se diluir no realismo da experiência vivida durante a noite, também o inquietante reside nas frestas do cotidiano, impulsionado pela relação de estranhamento composta pela sua proximidade. O que é familiar, nesse ponto, espanta mais do que o distante: não se espera do conhecido nenhum tipo de comportamento, ação ou atuação diversa da expectativa mais externa e superficial. A formação de expectativas, aliás, parece decorrer disso.

Não é o familiar, neste caso, que se torna estranho, mas o olhar que incide sobre ele tende a vê-lo a partir de ângulos e enquadramentos que permitem construir um efeito de estranhamento. Algo semelhante ocorre quando se visita uma cidade pela primeira vez: certamente o conjunto arquitetônico, de uma maneira geral, já é conhecido – os prédios, casas e ruas seguem um padrão similar em quase todas as cidades do mundo. No entanto, essa aparente familiaridade se dissolve na percepção dos detalhes responsáveis por compor o que há de específico em cada cidade, cada rua, paisagem e heterotopia.

Talvez, neste sentido, seja possível arriscar que o inquietante só acontece na presença do familiar. É nas evocações do elemento reprimido diante daquilo terrivelmente familiar que se observa a ocorrência do estranho, do inquietante: não é gratuitamente que um dos motes privilegiados das obras de arte que fazem uso desse recurso seja a transformação de objetos e situações do cotidiano em algo assustador. O próprio Freud, nesse ponto, ao retomar um contos de Hoffman intitulado “O homem de areia”, de construção complexa na qual as figuras do autômato, do duplo e dos medos da infância se alternam no desenvolvimento da narrativa, sugere de que maneira é possível entender essa aproximação: o familiar-estranho se desdobra nas frestas de situações conhecidas, mas consideravelmente distantes do que poderia ser algo “normal”, em particular no jogo narrativo de não identificar se as situações descritas estão acontecendo de fato ou apenas na mente do protagonista. A questão proposta por James a respeito da dificuldade de separar a “realidade” de sua percepção volta à tona: como saber quando se está diante de algo real? A resposta, em Freud, não é revestida de nenhuma simplicidade.

Ao contrário, essa divisão parece ser trabalhada muito mais em termos de um gradiente do que, em outros termos, de uma separação direta: na medida em que os processos mentais não podem ser mapeados em sua totalidade – o inconsciente nos torna estranhos a nós mesmos – e permanecem, em boa parte, desconhecidos, a definição do que é uma “realidade” não alcança sua totalidade. Não por acaso, o sentido do inquietante emerge, entre outros elementos, dessa zona inexplorada e inexplorável da percepção, na qual, perdida entre espaços indefiníveis, a percepção tende a se tornar nublada – o inquietante residindo nesses intervalos nos quais é impossível uma definição.

É nesse sentido de estranhamento do familiar, tornado inquietante quando de sua observação de qualquer ponto de vista que não seja o da velocidade das relações cotidianas, que se busca pensar o objeto deste texto. A inquietação revelada com as próprias práticas do dia a dia, delineada continuamente pelo discurso constante no twitter, não deixa de guardar inúmeras possibilidades de compreensão diante do sentido de estranhamento: a partir do que é entendido em Freud, que haveria de mais inquietante do que as práticas cotidianas?



3. O cotidiano como estranhamento

A conta British Logic foi criada no twitter em 2013, pela inglesa Hannah Anderson, que mantém a página ativa. Suas postagens, lançam um olhar de estranhamento às práticas cotidianas que, de alguma maneira, seriam indicativas de uma “lógica britânica”. O olhar, nesse sentido, não deixa de ter um componente crítico na medida em que o retrato desvelado ao longo das postagens indica vários elementos de certa ironia em relação a atitudes e comportamentos recorrentes do povo britânico. A autora mantém uma página similar na rede Instagram. No site YouTube, seu canal não se concentra no tema, abrindo espaço para vídeos a respeito de cultura pop e vida cotidiana, mas sem a mesma vertente de British Logic.

Um primeiro elemento perceptível no acompanhamento das postagens é o aspecto discursivo voltado sobretudo para a descrição, quase sem comentários, de situações cotidianas banais, como andar de ônibus, ir a um supermercado ou conversar em um bar. No entanto, é a apresentação desses momentos que, de alguma maneira, desperta a atenção: as postagens lançam luz sobre situações que, de outra maneira, se perderiam no âmbito da velocidade cotidiana, e, com isso, provocando uma reflexão a seu respeito. É nesse sentido que se pode compreender, de início, o sucesso da página: o trivial, em sua familiaridade, torna-se inquietante.

A descrição das ações cotidianas feitas pela autora geralmente é apresentada de maneira sumária, com julgamentos de valor mais ou menos explícitos, mas sempre a partir de situações corriqueiras. Não parece existir, nas postagens, nenhum elemento inverossímil: ao contrário, a autora opta por uma linguagem altamente denotativa que, em sua trivialidade, desvela o inquietante do cotidiano: “Failing to grab someone's attention after saying “excuse me” twice, meaning you must abandon all hope of interaction forever” (British Logic@BritishLogicMay 25).

O retrato que emerge de suas postagens pode ser entendido como decorrente de um estranhamento em relação aos elementos que, de acordo com certo senso comum à beira do estereótipo, deveriam compor algo como a “identidade inglesa”: uma imagem algo pré-fabricada, refletindo talvez não apenas expectativas em relação a si mesmos, mas, igualmente, uma espécie de “caráter” britânico aí identificável – o que não deixa de ser tematizado: “I'm from England so I'm English, I'm from Britain so I'm British, I'm from the United Kingdom so I'm... THERE IS NO WORD” (British Logic@BritishLogicMar 12).

Talvez não seja errado, nesse caso, observar a construção de um “ethos” específico a partir das ações cotidianas: se as práticas definem o caráter, como observável no pensmento ético clássico, então a descrição das atitudes dentro de “British Logic” não deixa de trabalhar com um caráter imaginário do que constitui o sentido de “britanidade” (“britishness”).

Não se deve levar muito longe, evidentemente, as possibilidades de observar qualquer tipo de “realidade” nesse caso: seria entender como “correta” qualquer redução estereotipada de uma identidade. No entanto, a página “British Logic” faz o tempo todo um jogo com o próprio estereótipo, criando, na identificação de situações “típicas”, um efeito de estranhamento em relação a si mesma.

A “lógica britânica” da página refere-se frequentemente às questões de sociabilidade – ou, em certa medida, de sua ausência: o inglês típico é mostrado como uma pessoa retraída, disposta a tomar atitudes em seu prejuízo contanto que isso o poupe de qualquer contato social que não seja estritamente necessário.

Qualquer tipo de interação social é apresentado, ao longo das postagens, como um problema em relação ao que pode acontecer: o mundo social, a julgar pelo que consta da página, é indicado como uma infinita fonte de estranhamentos, como se a mais trivial das ações fosse, de alguma maneira, revestida de um caráter ambíguo, à qual são destinadas toda a sorte de reflexões: “Nothing is more horrific than being unsure about where you're supposed to queue” (British Logic@BritishLogicApr 3). Ou nesta postagem: “Top British Fears: 1) Accidently touching a stranger on the bus 2) Asking someone if they're in the queue 3)Paying for a 27p item with a £20” (British Logic@BritishLogicMar 13).

Ao longo das postagens, esse efeito de estranhamento perante situações do cotidiano criam uma possibilidade de emergência da noção pensada por Freud: o cotidiano, ao que se nota pelas postagens, é uma intensa fonte de inquietação, como se tudo, de alguma maneira, estivesse fora de seu lugar original e precisasse, por isso mesmo, ser imediatamente arrumado ou deixado como está – o contato social, principalmente, é uma fonte inesgotável de postagens, como se as interações cotidianas não obedecessem a nenhum tipo de ritualística, mas fossem, cada uma delas, objeto de uma profunda reflexão à beira do desconforto referente a uma contínua timidez (VERTZMAN, 2014): “Accidentally pressing the button a stop early on the bus and getting off three miles from your destination to avoid any commotion” (British Logic@BritishLogicMar 5).

Nesse sentido, as postagens parecem indicar a presença do inquietante em quase todos os aspectos do cotidiano, mas também, em termos de uma metalinguagem, a partir do próprio texto postado: é questionável quem, no âmbito das relações cotidianas, poderia de fato dedicar tanta atenção, ou mesmo certa perspectiva reflexiva, a um conjunto relativamente simples de ações.

Pagar uma conta no supermercado, participar de uma festa de família ou fazer uma xícara de chá são descritos na página de uma maneira simples que, justamente por isso, implica o estranhamento: a descrição do familiar, neste caso, serve para realçar a existência, em geral despercebida, dessas práticas cotidianas. Nas postagens, o destaque dado às situações mais simples e triviais do cotidiano recorda continuamente que essas práticas estão longe de serem “naturais” e, por isso mesmo, envolvem um conjunto aberto e complexo de tomadas de decisão a partir dos quais se chega à efetivação de qualquer ação.

Revelada como fruto de escolhas, de pressões e atribulações, a ritualística cotidiana é rapidamente vislumbrada em sua dimensão de construção: a desnaturalização das ações evoca sua estranheza em vários dos posts, como se o simples fato de se destacar o normal permitisse questionar, imediatamente, por que o consideramos “normal”: “The heartbreak of finding an empty teacup when you thought there was one gulp to go” (British Logic@BritishLogicMay 23).

Dessa maneira, o trivial torna-se profundamente estranho – a dupla face do próximo e do “despróximo” incluídos no inquietante se revela na postagem de atividades simples.

Esse elemento tende a se reforçar, de fato, nas várias postagens que indicam um certo descompasso entre a ação e o discurso, de um lado, e as verdadeiras motivações ou sentimentos, de outro. No espaço das relações sociais, essa perspectiva é continuamente reforçada, como se a superfície prático-discursiva da vida cotidiana não fosse senão um contínuo estado de repressão daquilo que efetivamente se quer ou se pensa: Repeating “Sorry, thanks, pardon me" as you struggle through a crowd, even though you’re not sorry or thankful and don’t want to be pardoned” (British Logic@BritishLogicMay 25).

Não se está falando, aqui, de um tipo de repressão ao desejo tal como apresentado por Freud em textos como “Totem e Tabu” ou “O Mal-Estar na Civilização”, embora, por outro lado, não se esteja igualmente distante: de certo modo, a revelação discursiva desses interditos sociais na página British Logic permite de alguma maneira compreender essa divisão justamente a partir da supressão das possibilidades de uma fala desse nível no âmbito social: *someone stands on your toe* You: "sorry"” (British Logic@BritishLogicFeb 2).

Nesse ponto, não seria difícil identificar, com Souza (2006, 2008), aproximações com a questão do estranhamento em relação ao familiar pensado dentro da Antropologia: ao estranhar aquilo que é próximo, a relação de sentido é transformada, se não refeita: é, de alguma maneira, o que a página Bristish Logic parece sugerir na perspectiva de produção do elemento inquietante a partir de uma agenda de postagens relativamente simples, na qual os comentários se esforçam por se dirigirem ao comum, sem maior esforço de reflexão – impossível, aliás, pela própria arquitetura da rede social na qual ela é produzida.

Essa imagem de uma precária sociabilidade é reforçada em inúmeras postagens a partir da perspectiva de que, nas atividades mais simples do cotidiano, há uma busca constante em não perturbar os outros – mas, igualmente, de não ser perturbado.

Uma observação muito importante acerca das postagens de British Logic refere-se ao fato de que elas utilizam o humor (a cumplicidade de partilhamento de experiências através do riso vinculante e da atitude de suspeição) para nos endereçar ao nosso universo cotidiano. Tal uso da linguagem não tem o intuito de reapresentar ou de reterritorializar o cotidiano por meio da indistinção entre as temporalidades e espacialidades do espaço virtual e do espaço do presente (o aqui agora vivenciado). As postagens parecem se servir justamente da distinção entre elas para extrair do cotidiano (de forma sutil ou não) o inquietante, as espessuras e os não-ditos.

Não é porque as postagens tratam de temas ordinários que a experiência se dá de modo tranqüilo e isento de tensões. Toda desterritorialização, todo deslocamento do já conhecido ocorre em meio a turbulências e não configuram uma passagem silenciosa de um espaço a outro, de um tempo a outro. A experiência promovida pelo inquietante é da ordem da suspensão (e por vezes de ruptura) e da produção de nova ancoragem (dos sujeitos, dos objetos, das cenas, dos tempos e espaços). Esse trabalho de mudança dos modos de aparição, das coordenadas do representável e das formas de sua enunciação altera quadros, ritmos e escalas, proporcionando outras formas de apreender o visível, o audível e sua significação.

A força poética do cotidiano, fonte de produção do inquietante, reside também em sua possibilidade de dar forma ao comum: uma possibilidade e uma experiência de encontro, de fraternidade precária, de empatia, sem se transformar em algo instituído, em instituição.

Considerações finais

Uma outra temporalidade é necessária para a percepção do inquietante entrelaçado ao familiar, ao ordinário, ao cotidiano. Refrear o tempo das tarefas e das urgências, torná-lo mais lento, abrir nele ilhas de contemplação propícias à emergência do estranhamento. Sob esse aspecto, podemos falar em uma experiência inquietante: uma experiência estética, sem dúvida, nos termos de Dewey (2005).

Para ele, "a experiência constitui-se de um material cheio de incertezas, movendo-se em direção a sua consumação através de uma série de vários incidentes" (2005, p.95). A profundidade da experiência é dada pela relação entre a experiência atual e a passada. Deve-se estabelecer conexões entre o que já foi feito e o que se deve fazer em seguida.

Em uma experiência o fluxo vai de algo a algo. Como uma parte conduz a outra e como outra parte traz aquela que veio antes, cada uma ganha distinção em si própria. O todo permanente é diversificado por fases sucessivas que constituem ênfases de seus variados matizes" (DEWEY, 2005, p.90).

Uma experiência é fruto de um processo e a chegada ao final está relacionada a tudo o que aconteceu antes enquanto a culminância de um movimento contínuo. O trabalho que une as parcelas de uma experiência manifesta-se, segundo Dewey, no desenvolvimento de um enredo, que depende de um cenário, de um espaço onde desenvolver-se e um tempo para desdobrar-se. Sob esse aspecto, seria possível dizer que a experiência estética é um contínuo enfrentamento inquietante no qual, a cada fase da trajetória, o estranho é convertido em familiar e ao familiar se acrescenta algo que o torna estranho (ou assustador), de modo a configurar um processo ininterrupto em que um se traduz no outro permitindo que as costuras entre passado e presente atualizem a relação entre familiar e estranho.

Experiência é movimento, ritmo, cadência com várias velocidades dentro de uma velocidade, entrelaçando movimento e encadeamento temporal de fatos. Devido a seu contínuo ressurgir, menciona Dewey, não há propriamente brechas ou hiatos quando temos uma experiência. Há pausas, lugares de descanso, mas elas pontuam e definem a qualidade do movimento: "resumem o que se passou e evitam sua dissipação e sua vã evaporação. Sua aceleração é contínua, de modo que evita a separação das partes" (2005, p.90). As pausas da experiência se relacionam, segundo ele, a um constante padecer (sofrer uma experiência), “em que são absorvidas e abrigadas as consequências de um fazer anterior e cada fazer traz em si próprio um significado que foi extraído e conservado”(idem, p.105). As várias partes de uma experiência estão ligadas umas às outras e não apenas sucedem uma a outra, de modo que o resultado é sempre antecipado a cada momento e periodicamente apreciado com especial intensidade. A nosso ver, é nessas pausas, nesses momentos de padecimento, que o inquietante trabalha, descolando o presente de representações que tendem a naturalizá-lo e a reforçar o “já dado”. Antecipar o resultado da experiência a cada etapa é torná-la estranha a si mesma, produzindo desidentificações e, ainda assim, assegurando sua coerência.

Operar no intervalo, na pausa (momentos em que o tempo se desdobra outramente) nos permite encontrar a diferença, a peculiaridade e a novidade. Nos permite também produzir desidentificações: rupturas com uma ordem discursiva que oferece a cada pessoa seu lugar na ordem das coisas, um lugar atrelado à uma identidade exclusiva. Nas análises aqui produzidas vimos como a experiência do banal pode ser constantemente posta em causa, proporcionando aos sujeitos pausas à experimentação e à suspeição: desconstruindo-se, o sujeito constrói-se distinto e oferece rupturas à ordem estabelecida.

Uma última reflexão derivada de nossas análises merece ser mencionada. Nas redes sociais digitais, as interações são muito marcadas por uma espécie de anulamento do outro através de seu silenciamento. As agressões, violências e xingamentos recíprocos tendem a reduzir conversações, debates e diálogos em expressões unilaterais de desrespeito e intolerância. Nesses casos, a alteridade se converte em silêncio exatamente por sua condição de estranho. Silêncio simbólico, mais do que propriamente acústico: o outro fala, mas sua fala não reverbera no espaço social porquanto não tem legitimidade para ser ouvida e, se ouvida, considerada digna de ser escutada. A fala do estranho não é entendida como comunicação, mas como ruído. Ele não alcança, assim, o status de interlocutor.



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1 Artigo apresentado ao Eixo Temático 10 – Subjetividade/identidade do IX Simpósio Nacional da ABCiber.

2 Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Professor do Programa de Mestrado em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero (São Paulo, SP, Brasil). E-mail: lmsamartino@gmail.com.

3 Doutora em Comunicação Social pela UFMG, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de Comunicação Social. Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Bolsista de Produtividade do CNPq. E-mail: angelasalgueiro@gmail.com.


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