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BUREAU POLCOMUNE

Diretor e Editor Responsável: ANTONIO LUCIO

Os artigos com a identificação dos autores e as opiniões neles expressas

são de inteira responsabilidade dos mesmos.

ESPAÇO POLÍTICO Edição 392 – 09/MAIO2011

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AFRO NOTAS



+EXECUÇÕES+

“Na sociedade onde o ar é depravado, a mediocridade é um fato consumado”. Jurandir “Juca” Chaves, brasileiro humorista satírico

Diante de tanta hipocrisia pela morte do terrorista Bin Laden, apenas dois lembretes para avivar a memória de alguns medíocres que deveriam afogar “simuladamente” ou “não” seus destemperos verbais:>

1 – INADMISSÍVEL a crítica de Fidel Castro à “execução” do terrorista responsável por tantas mortes de inocentes, quando ele Fidel, ao defenestrar do poder o ditador cubano Fulgêncio Batista, mandou executar tantos cubanos no paredón, simplesmente por serem partidários do antigo regime.

2 – Qual a “OPORTUNIDADE DE DEFESA” que Bin Laden deu às vítimas do criminoso ataque ao WTC, em 11 de Setembro na metropolitana Nova York?

Mesmo sendo livre o direito de pensar e manifestar as idéias, sempre se faz necessário um momento de reflexão para não cair no ridículo. Antonio Lucio

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Quem é Obama? Agora nós sabemos

E. J. Dionne Jr.

O Barack Obama não é o homem que muitos americanos imaginavam. Essa súbita compreensão transformou a política nos Estados Unidos.

A audácia da bem-sucedida operação contra Osama Bin Laden forçou tanto amigos como inimigos de Obama a reavaliarem o que pensar de alguém que não comporta uma classificação fácil e revela menos de si próprio do que os políticos normalmente são compelidos a fazer.

Obama é difícil de entender porque ele é muitas coisas, não apenas uma. Ele agora provou que pode ser arrojado em nível operacional, mesmo que continue cauteloso em um nível filosófico. Sua propensão a reunir dados e pesar alternativas não leva automaticamente à paralisia. Ela também pode resultar em uma ação ousada, temperada pela prudência – por exemplo, assegurando que houvesse helicópteros adicionais para nossas forças especiais.

A retórica do presidente sempre enfatizou o cuidado, a compaixão e comunidade, palavras esperadas de um político moderadamente liberal. Mas, com um de seus assessores próximos me disse há muito tempo, por dentro há um homem impassível, firme, severo, até. Obama não reluta em usar o poderio militar americano. Ele não hesitou em autorizar que um inimigo dos EUA fosse morte e seu corpo , jogado no mar para evitar um marco que atraísse seguidores de Bin Laden.

Obama nos mostrou quem é em uma de suas mais célebres declarações – sobre a guerra no Iraque – antes de concorrer à Presidência. Seus ouvintes prestaram mais atenção na guerra que ele estava criticando que em suas razões para criticá-la. “Não me oponho a todas as guerras”, ele afirmou em 2002. “Eu me oponho a guerras estúpidas”. Ressalte-se que, quando se trata de um conflito armado, a palavra “estúpido” na costuma fazer parte do vocabulário de um moralista.

O fato de Obama não ser um moralista levou muitas frustrações nos últimos 27 meses. Os liberais não entendem porque ele custa tanto a enfrentar a direita em relação às decisões fundamentais do governo e às exigências de justiça social. Defensores da democracia e dos



Presidente Barack Obama no Marco Zero de Nova York, no dia 5 de maio de 2011.

dos direitos humanos perguntam porque ele demorou tanto a invocar a palavra “democracia” como critério de sua política externa e porque ele foi tão cauteloso em sua reação inicial à Primavera Árabe.

Quem apóia uma política externa americana forte e intervencionista desconfia de que Obama vê declínio dos EUA como inevitável e se considera o encarregado de administrar nossa constante perda de influência.

Foi esta visão que sofreu um profundo golpe quando Obama aprovou a operação contra Bin Laden e escolheu a opção arriscada.

A complexidade de Obama mostra que ele rejeita a idéia de só haver duas alternativas: os EUA como púnica superpotência global ou se retirando para a fraqueza e a irrelevância. Escolhas binárias na são para ele.

Em vez disso, ele vê um mundo em que novas potências – a China, obviamente, mas também a Índia e, no futuro, o Brasil – inevitavelmente surgem para desafiar o domínio americano. A tarefa dos EUA não é evitar a emergência inelutável de outros países fortes. Seu dever é permanecer uma potência capaz de conduzir os novos arranjos globais, defender seus próprios interesses e valores e prosperar em um ambiente cada vez mais competitivo.

E quem duvidava de nossa disposição em dispor de nosso poderio como acharmos mais adequado vai pensar duas vezes depois de Abbottabad.

Essa única ação não “muda tudo”, porque nada é capaz de mudar tudo. Matar um homem não põe fim a duas guerras confusas. A reputação política de Obama vai crescer ou diminuir ao sabor de questões internas e econômicas. Quem o apóia se sentirá frustrado quando sua cautela filosófica prevalecer sobre sua veia arrojada na negociação do Orçamento. E a oposição não vai, de uma hora para outra, adotar as prioridades de Obama.


Mas porque ele ordenou esse ataque, e porque este foi bem-sucedido, ninguém verá Barack Obama da mesma maneira de novo.

--------------------------------------- E.J. DIONNEY JR. é colunista do “Washington Post”

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Copa vai gerar quase 700 mil empregos

Vanessa Carvalho

MINISTRO ORLANDO SILVA

O ministro Orlando Silva (Esporte) afirmou que a organização da Copa de 2014 vai abrir aproximadamente 700 mil empregos no Brasil, sendo que mais da metade serão criados antes da competição. "A Copa do Mundo é geração de postos de trabalho, de receita e de desenvolvimento", disse. O ministro se baseou em um estudo de impacto econômico para garantir que o setor da construção civil será o mais beneficiado pelo investimento destinado à melhoria de portos, aeroportos e sistemas de transporte público das 12 cidades que serão sedes da Copa do Mundo. "Em todas as obras que estão previstas precisaremos de trabalhadores", declarou. Segundo o ministro, o setor turístico também contribuirá para a geração de empregos, porque "os hotéis e restaurantes serão ampliados para atender brasileiros e turistas". Informações EFE.


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Igualdade Racial é para valer, defende ministra Luiza Bairros



Titular da pasta quer contar com apoio e experiência da indústria para superar desigualdades raciais que têm reflexo, inclusive, no campo do trabalho


Ministra Luiza Helena de Bairros, durante reunião do Consocial/Fiesp

Em encontro nesta sexta-feira (6), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, disse que hoje se paga o preço de uma exclusão histórica quando se fala em falta de mão de obra qualificada.

A ministra enfatizou que mais da metade da população brasileira é negra, segundo o último Censo, e esta foi sistematicamente afastada das oportunidades de educação e trabalho, entre outros serviços promotores do desenvolvimento e da inclusão social.

Esse cenário inclui outros desdobramentos: das 16 milhões de pessoas que se encontram na linha da pobreza extrema no Brasil, 75% são negras, informou a ministra, para quem a miséria não é mero reflexo do campo econômico, mas contém  forte componente racial. “Hoje não podemos correr o risco de deixar passar este momento com tantas oportunidades geradas pela sociedade”, reforçou.



Walter Vicioni, superintendente operacional do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP

De acordo com Luiza Helena, não há dúvida de que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec), anunciado recentemente pelo governo federal, e que tem parceria do Senai, é ferramenta de convergência: “A indústria tem experiência acumulada e preocupação com o trabalho de excelência, e o Poder Público pode se beneficiar disso”.

O superintendente operacional do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, apresentou a estrutura do Sistema Educacional da Indústria de São Paulo, que soma um milhão de alunos entre Sesi e Senai, para a ministra e os participantes da reunião do Conselho de Responsabilidade Social (Consocial) da Fiesp, incluindo o ex-ministro Patrus Ananias (que ocupou a pasta de Desenvolvimento Social no governo Lula). FONTE: Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

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AVES DE BICO PRETO EM ARRIBAÇÃO

Na democracia, cada um vai para o partido que quer e ninguém tem nada com isso. Mas o partido político tem que ter uma cara, um rosto, um programa voltado para solucionar os problemas da minoria, principalmente para nós que somos descendentes dos africanos que vieram a força para este Brasil e muito deram de si para o desenvolvimento deste país “pobre e sem miséria”.

Em função do desvio por longo tempo da rota previamente traçada pelo partido no que diz respeito aos compromissos assumidos com o grupo político denominado “tucanafro”, alguns militantes do PSDB na convenção realizada no último sábado manifestaram a vontade de aproveitar o período de inverno que se aproxima para bater asas em direção a outra grei partidária onde possam discretamente pousar seguros, firmes e sem problemas de preconceitos, marginalização partidária, até mesmo racismo subliminar ou explícito contra seus integrantes, por parte de alguns dirigentes de partidos políticos. Aliás, a revoada começou no ano passado durante a campanha presidencial, quando a mais respeitada intelectual liderança ou pseuda liderança política dos “tucanafros” migrou em direção à candidatura da ex-senadora Marina Silva à Presidência da República.

O que se espera é que o novo pouso não se realize no PSD de “Jilberto” Kassab, que pela sua atuação política desenvolvida até aqui, seja no âmbito partidário e ou administrativo da sua gestão como prefeito paulistano, já demonstrou claramente que o respeito à comunidade negra, lideranças ou pseudas lideranças políticas negras, não é o seu forte. Antonio Lucio

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O CARDEAL NEGRO Deu no jornal do Cláudio Humberto

Fotografia é história

Dom Pelé



Na época da ditadura, os militares não tiravam os olhos de três cardeais: Dom Hélder Câmara, Dom Antônio Fragoso e Dom José Maria Pires, também chamado de “Dom Pelé”. Formavam a “Tríade Vermelha”, por serem considerados da ala progressista da Igreja. Dom Hélder teve um secretário preso, torturado e morto. Dom Fragoso era seguido e tinha os sermões gravados. Dom Pelé, arcebispo de João Pessoa, era considerado subversivo. Ao assumir o prelado da Paraíba, renunciou ao Palácio Episcopal, trocando o luxo pela simplicidade. Hoje aposentado, com 89 anos, Dom Pelé mora em Belo Horizonte

Como foi – A última vez que o vira fazia uns dez anos. Foi durante uma reportagem sobre a Missa do Vaqueiro celebrada por ele no sertão paraibano. Na ocasião, ele praticamente não tinha cabelos brancos, vestia batina surrada, estava descalço e tinha um chapéu de couro na cabeça. Dessa vez, no Rio Grande do Norte, durante a visita do Papa João Paulo II, Dom José Maria Pires era um senhor já grisalho e impecável em sua roupa preta de arcebispo. Recordei-me de quando Dom Pelé encerrava sua pregação: - “Irmãos, ide em paz e abençoados por Olodum e Oxalá, que são o Deus Todo Poderoso e o Senhor do Bonfim”. Depois, quando fui retratá-lo, mencionei sua elegância. Com um breve sorriso, disse. – Fiz uma exceção para rever um velho conhecido, o cardeal Karol Wojtyla, que também participou do Concílio Vaticano II, em Roma. Orlando Brito.



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O novo time de estrelas do PCdoB

Neguinho da Beija-Flor a um passo do PCdoB

Neguinho da Beija-Flor

Recém-filiado ao PCdoB, Thobias da Vai-Vai esteve com Neguinho da Beija-Flor na semana passada para convidá-lo a se filiar aos comunistas. A intenção é que Neguinho seja o cadidato do partido a prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 2012.

A decisão de Neguinho sai até a próxima semana. Mas os comunistas dizem que, de 0 a 10, é 9 a chance de o sambista entrar no PCdoB.

No meio das negociações com Neguinho, o também sambista Arlindo Cruz entregou sua ficha de filiação ao PCdoB e entrou para o novo time de estrelas do partido.



O Rapper Rappin Hood (Foto: Hélvio Romero/AE)

Nos próximos dias, o PCdoB receberá a ficha de filiação de Rapin Hood. A convite de Netinho de Paula (que também levou a cantora Leci Brandão para o partido), o rapper entrará no PCdoB para se candidatar à Câmara Municipal de São Paulo em 2012. A ideia de Netinho é que ele seja um dos puxadores de votos dos comunistas.



Thobias da Vai-Vai, ex-presidente da escola campeã do carnaval de São Paulo e candidato derrotado à Câmara dos Vereadores em 2004 pelo PTB, também entregará sua ficha de filiação nos próximos dias ao PCdoB. FONTE:PCdoB

Netinho de Paula, cujo mandato de vereador paulistano termina no final de 2012, caso consiga ou não ser candidato a Prefeito de Carapicuiba ou São Paulo, no pleito do próximo ano, ficará no corredor político até 2014, quando possivelmente tentará tomar nas urnas o mandato do senador Eduardo Matarazzo Suplicy, pois seu sonho, e sonhar não paga imposto, é ser representante de São Paulo na Casa da Cuia Emborcada do Congresso Nacional, em Brasília, que é o Senado.



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Deu no Jornal do Cláudio Humberto 06/05/2011 | 19:12

Ministro arquiva ação sobre bingos



O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, determinou o arquivamento da ação cautelar que pedia a liberação das casas de bingo no país. A ação foi feita pela Confederação Brasileira de Futebol 7 Society e a Federação Internacional de Football 7 Society. As duas organizações haviam proposto a ação contra o Congresso Nacional e as Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, alegando que o Poder Legislativo estava sendo omisso em legislar a respeito da continuidade do funcionamento das casas de bingo do Brasil. Para o ministro, “a presente ação não reúne condições mínimas para prosseguir”. “O pedido é impossível à luz do princípio da separação dos poderes, uma vez que a possibilidade de declarar a mora legislativa e, eventualmente, estabelecer alguma forma de regulamentação transitória no silêncio do Congresso Nacional está limitada ao rito do mandado de injunção e restringe-se exclusivamente aos direitos e liberdades de estatura constitucional, o que, evidentemente, não é o caso deste pedido”, concluiu.



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Zumbi forma 1ª Turma de Tecnologia em Transportes

A Faculdade Zumbi dos Palmares promove nesta segunda-feira, 09 de maio, a partir das 19h, no Memorial da América Latina, na Barra Funda, em S. Paulo, a solenidade de formatura e colação de grau de 206 alunos do Curso de Administração e 37 da primeira turma de Tecnologia em Transportes Terrestres.

Os paraninfos das duas turmas são cantor-pagodeiro, apresentador de TV e empresário Netinho de Paula e a mulher negra batalhadora Leci Brandão, ambos com atuação política em São Paulo, respectivamente, vereador paulistano e deputada estadual, pelo PC do B. Os patronos serão o presidente do Grupo Santander e da Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN), Fábio Barbosa, e o ministro do Esporte, Orlando Silva.

Segundo a assessoria da Faculdade Zumbi dos Palmares, 80% dos 800 alunos formados já estão inseridos no mercado de trabalho.



Importância

Para o aluno do Curso de Tecnologia em Transportes, Maciel Silveira Sanchez, 47 anos, o Curso foi muito importante. "Sou operador de Trânsito da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), e foi muito importante prá mim. Trabalho nessa área há alguns anos, mas faltava alguma coisa”, afirmou.

Já Maíra Lopes, 26 anos, que participa da Colação de Grau do Curso de Administração, o Curso serviu para aprofundar conhecimentos e inseri-la no mercado de trabalho. “Eu era bolsista na Zumbi e tive oportunidade de fazer estágio por um ano e meio no Bradesco. Hoje sou efetiva no Santander, trabalhando na área de atendimento. Foi muito importante prá mim”, afirmou.

A Faculdade Zumbi dos Palmares, que é administrada pela ONG Afrobrás, orgulha-se de ser a primeira Faculdade do país idealizada por negros tendo como foco a cultura, a história e os valores da negritude. “Somos a primeira e única instituição de ensino superior voltada para a inclusão do negro na América Latina”, afirma o reitor José Vicente.

Segundo o reitor José Vicente, a Faculdade tem na sua matriz curricular, o cumprimento da Lei 10.639/2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), obrigando a inclusão do ensino da História da História da África e Cultura Afro-Brasileira no Curriculo do ensino fundamental e médio. “Isso garante que os alunos dos diversos cursos tenham a consciência do seu protagonismo na história”, acrescenta.

A Faculdade mantém os cursos de Administração, Direito, Tecnólogo em Transportes Terrestres, Pedagogia e Publicidade e Propaganda.



Parcerias

A Faculdade – criada há sete anos – tem parcerias com instituições financeiras como os Bancos Bradesco, Citibank, Itaú Unibanco e Grupo Santander do Brasil, além de empresas como Mercedes Benz, Ford e a Nestlé, entre outras.



Fonte: Afropress - 8/5/2011

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Memória Política

DO FUNDO DA MEMÓRIA (final)

Por Carlos Chagas

Título:  Quem realmente mandava

Quarenta anos e sete  nos separam de 1964, não propriamente o ano em que o Brasil se dividiu, porque dividido já estava, mas o ano da ruptura explícita do país  em duas metades.  O diabo é que duas metades artificiais,  falsas,  levadas ao confronto desnecessário por força das circunstâncias e, mais do que delas, por maliciosa manobra das elites econômico-financeiras  nacionais e internacionais.

Porque até hoje vende-se a impressão de que  a partir de 1964 o Brasil  rachou  entre civis e militares, estes usurpando o poder e impondo a ditadura, aqueles vilipendiados,  afastados de cena e condenados, primeiro, ao marasmo, depois   à discordância, e,  desta  à resistência e à vitória,  21 anos depois, com o afastamento das Forças Armadas da cena política.

Na verdade,  não foi nada disso, ou isso expressou apenas a casca enganadora de um conteúdo muito diferente.

Porque tanto a sociedade civil quanto a militar tinham e tem a mesma origem e o mesmo destino. Formam uma só unidade.    Pensam igual e possuem objetivos idênticos.   No caso, a preservação da nação,  de nossa  soberania e de nosso   território.   A presença do Estado como agente regulador das relações econômicas e sociais, fator  maior da distribuição da igualdade entre a população. Mais ainda, a  construção de uma realidade mais  equânime e projetada para o futuro. A distribuição da riqueza nacional em termos solidários.

Era  isso o que pretendiam  os civis  depostos pelos  militares, como foi isso o que perseguiram  os militares que depuseram os civis.

Fala-se do povo. Porque foram as  elites as responsáveis pela ilusória e trágica  divisão cultivada até hoje, inflada  pela truculência com que os militares se comportaram, tanto quanto  pela irresponsabilidade anterior ou a reação posterior,  muitas vezes desmedida,  com que certas parcelas do poder civil reagiram.  O que  menos importa, hoje, é saber quem nasceu  primeiro,  se o ovo ou a galinha.

Na verdade, era e é outra,  a verdadeira  divisão que as referidas elites buscaram e buscam ocultar.   Utilizaram os militares, quarenta anos atrás,  como as mãos do gato,  para tirar as castanhas do fogo.  Hoje,  utilizam a  sociedade civil, que rotulam de  libertária,  para obter os mesmos fins. Quais? A satisfação de seus interesses, a preservação de seus privilégios  e a concentração de  renda cada vez maior,  em suas mãos. A prevalência de uma casta de ricos cada vez mais  ricos e de uma massa sempre maior de descartáveis premidos pela indigência, o desemprego, a fome e  a miséria.  Civis e militares.

Por ironia, foram os militares que, no poder,  ainda conseguiram preservar as linhas mestras de nossa existência   como nação. Como  foram os civis que, ultrapassando  a ditadura, viram-se  enganados e ludibriados, obrigados a aceitar   o  modelo cruel que nos assola cada vez mais, neoliberal, globalizante ou o que seja, responsável pela nossa débacle como   sociedade independente e   organizada.

Tremerão as elites no  dia em que o Brasil  conseguir quebrar a casca desse confronto anterior,  real e justificável pela  argumentação dos dois lados.   Estará desfeito o muro que nos separa, artificialmente mantido como forma de alimentar a ambição e os privilégios das minorias responsáveis pelo aumento da indigência, do desemprego, da fome e da miséria.

Eleito pela indignação diante de tamanha  farsa, assim como o governo Lula, também o governo Dilma Rousseff encontra-se iludido por essas  mesmas elites,   responsáveis pela preservação do modelo que há anos nos assola, feito de falsas verdades absolutas como a de que não  poderia ser diferente,  já que a inflação alcançaria patamares insustentáveis, o dólar chegaria à estratosfera, o risco-Brasil nos sufocaria e os investimentos externos desapareceriam – levando-nos à desagregação.  É mentira. A desagregação está aí  mesmo, expressa  no objetivo oculto que nos vem sendo imposto.     A quebra da soberania,   a alienação do  patrimônio público, a transformação do trabalhador em apêndice desimportante do processo econômico, a perda sistemática do poder aquisitivo dos salários, a supressão dos direitos sociais, a prevalência do setor  especulativo sobre o setor produtivo, a avidez do capital-motel que chega de tarde, passa a noite a vai embora de manhã, depois de haver estuprado um pouco  mais nossa economia, a transformação do Brasil em mero exportador de riqueza,  mais do que  necessária ao nosso desenvolvimento, a submissão aos ucasses internacionais – tudo isso e muito mais continuam  alimentados pelos esqueletos do passado.

Mudará tudo no  dia em que civis e militares se conscientizarem de estar sendo enganados e vilipendiados pela quadrilha neoliberal e dita globalizante, mesmo ao  preço da cicatrização de feridas anteriores.

Haverá que encerrar estas desimportantes considerações sobre a eclosão do movimento militar.   Provavelmente  surgirão condenações dos dois lados. Dos militares, julgando-se ofendidos pelo reconhecimento dos excessos que seus antecessores  praticaram. Dos civis,  que sofreram e sentem-se no direito de cobrar reparações até o fim dos tempos.   Paciência, o passado  não se deu ao trabalho de passar para ser esquecido. Não  nos dirá o que  fazer,  mas precisamente o contrário.   Sempre  mostra, o  passado, aquilo  que devemos evitar.   Coisa  que até agora não conseguimos, por força de quantos pretendem impedir o futuro. (Final)

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A África nos genes do povo brasileiro

Análise de DNA revela regiões que mais alimentaram o tráfico de escravos para o país .

Ricardo Zorzetto*

Durante pouco mais de três séculos de tráfico negreiro o trecho da África Ocidental que vai do Senegal à Nigéria possivelmente forneceu muito mais escravos ao Brasil do que se imaginava. A proporção de homens e mulheres capturados nessa região e enviados à força para cá pode ter superado – e muito – os 10% do total estimado anos atrás pelos historiadores norte-americanos Herbert Klein e David Eltis, estudiosos do tráfico de escravos no Atlântico. Os argumentos que agora servem de suporte à revisão dos cálculos, em especial para o Sudeste do Brasil, não são apenas históricos, mas genéticos. Analisando a constituição genética de pessoas que vivem em três capitais brasileiras, os geneticistas Sérgio Danilo Pena e Maria Cátira Bortolini estão ajudando a resgatar parte dessa história ainda não de todo esclarecida sobre a origem dos quase 5 milhões de escravos africanos que chegaram aos portos de Rio de Janeiro, Salvador e Recife e contribuíram para a formação do povo brasileiro.

Em dois estudos recém-concluídos a equipe de Pena, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e a de Maria Cátira, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), compararam o padrão de alterações genéticas compartilhado por africanos e brasileiros. Desse modo, conseguiram estimar a participação de diferentes regiões africanas no envio de escravos para o Brasil, o último país da América Latina a eliminar a escravidão com a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888.

Os resultados confirmaram que foram três as regiões da África – a Oeste, a Centro-Oeste e a Sudeste – que mais exportaram mão-de-obra africana para o país até 1850, quando o ministro da Justiça do Império Eusébio de Queirós formulou uma lei tornando crime o tráfico de escravos. Até aí, nada muito novo, e a genética apenas corrobora as informações históricas a respeito de uma das situações mais cruéis a que um ser humano pode submeter outro. Já se sabia que o Brasil foi um dos poucos, se não o único, países das Américas a receber africanos de todas as origens.

A novidade é o envolvimento maior no tráfico negreiro da África Ocidental, também conhecida como Costa Oeste, região de onde vieram povos como os iorubás, os jejes e os malês, que exerceram forte influência social e cultural no Nordeste brasileiro, em especial na Bahia.

Durante os três séculos em que os portugueses controlaram o tráfico no Atlântico – o mais antigo, de mais longa duração e maior em termos numéricos –, a proporção de escravos embarcados no Oeste, no Centro-Oeste e no Sudeste da África oscilou bastante. Avaliando registros de viagem africanos, Herbert Klein, da Universidade de Colúmbia, e David Eltis, da Universidade Emory, calcularam que, no total, 10% dos escravos teriam vindo da região Oeste da África e 17% da Sudeste.

O principal fornecedor de escravos seria mesmo o Centro-Oeste, onde ficava a colônia portuguesa de Angola, que teria contribuído com 73% dos africanos enviados para o Brasil amontoados no porão de pequenos navios. “Os dados sobre o tráfico de escravos ainda são incompletos e os historiadores aceitam que a maior parte veio da região de Angola”, comenta Marina Mello Souza, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em história africana.

Cientes de que os registros de viagem nem sempre refletem com precisão o passado, nos últimos tempos os historiadores passaram a recorrer também à genética na tentativa de compreender melhor o que de fato ocorreu. “Nossas estimativas anteriores se basearam em amostras parciais”, disse Klein à Pesquisa FAPESP.

“Estamos revendo essas projeções, com base no trabalho de geneticistas e na revisão dos dados de viagem que a equipe de David Eltis vem investigando na Universidade Emory.” E, nesse ponto, os trabalhos de Pena e Maria Cátira podem colaborar para esse reexame histórico. A análise do material genético compartilhado por brasileiros e africanos revelou que a proporção de escravos oriundos do Oeste da África – entre Senegal e Nigéria – pode ter sido de duas a quatro vezes maior que o contabilizado até o momento, bem mais próximo dos números exportados por Angola.

Origens e destinos

Superior à esperada, a contribuição do Oeste africano provavelmente não se distribuiu igualmente pelo país. Pena e sua aluna de doutorado Vanessa Gonçalves analisaram amostras de sangue de 120 paulistas que classificavam a si próprios e aos seus pais e avós como sendo pretos, seguindo a nomenclatura adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que agrupa os brasileiros em brancos, pretos e pardos – os movimentos de afrodescendentes em geral usam a palavra negro para se referir a pretos e pardos.

Quatro de cada dez pretos paulistas apresentavam material genético típico do Oeste africano. Essa proporção, no entanto, foi menor no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, segundo artigo da equipe da UFRGS a ser publicado no American Journal of Physical Anthropology. Dos 94 pretos cariocas testados por Maria Cátira e Tábita Hünemeier, 31% traziam no sangue a assinatura genética do Oeste africano, apresentada por apenas 18% dos 107 pretos gaúchos. Além de indicar origens e destinos, esses dados talvez expliquem a penetração heterogênea no país do candomblé, religião com importantes traços culturais iorubás e jejes.

Na busca pelas origens do povo brasileiro, não são apenas os historiadores que recorrem aos achados genéticos. Também os geneticistas precisam, por vezes, voltar aos livros de história, sociologia ou antropologia para compreender o que as características genéticas lhes mostram. Ao menos um fato histórico ajuda a entender por que a proporção de pretos com origem no Oeste africano é mais elevada em São Paulo do que a do Rio ou a de Porto Alegre. Nos séculos XVI e XVII, os africanos oriundos do Oeste chegaram aos portos de Salvador e Recife para em seguida serem vendidos aos proprietários dos engenhos de cana-de-açúcar do Nordeste.

Mais tarde, porém, a decadência da economia açucareira levou ao deslocamento da mão-de-obra escrava para as plantações de café que floresciam no estado de São Paulo. Antes dessa migração interna, entre o fim do século XVIII e o início do XIX, São Paulo já apresentava uma concentração de escravos do Oeste africano muito mais elevada que no restante do país. De acordo com Klein, as razões para essa diferença ainda não são completamente compreendidas, mas talvez possam ser parcialmente explicadas pela importação de mão-de-obra diretamente do Oeste africano.

Maria Cátira explica a proporção mais baixa de material genético típico do Oeste da África entre os pretos de Porto Alegre pelo fato de os escravos chegarem ao sul do país por via indireta: 80% da mão-de-obra africana do Rio Grande do Sul era proveniente do Rio de Janeiro, onde a presença de povos do Oeste africano era mais baixa que no Nordeste brasileiro. Ainda assim transparece na composição genética dos pretos brasileiros o tráfico mais intenso para o país de escravos de Angola, no Centro-Oeste africano. Uma proporção menor (12%), mas significativa, veio da região de Moçambique, no Sudeste, sobretudo depois que a Inglaterra passou a controlar mais rigidamente os portos de embarque na costa atlântica da África.

Presença feminina

A contribuição africana para a composição genética do brasileiro não foi desigual apenas do ponto de vista geográfico. Enquanto os homens africanos foram os braços e as pernas que movimentaram a economia açucareira do Nordeste, as mulheres exerceram um encanto especial, de cunho sexual, sobre os senhores de engenho de origem européia, como o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre registrou em 1933 em Casa-grande & senzala, ensaio clássico sobre a formação do país. Por essa razão, o preto brasileiro guarda hoje em seu material genético uma contribuição maior das mulheres do que dos homens africanos, embora o volume do tráfico masculino tenha sido maior.

Essa desigualdade, que os geneticistas chamam de assimetria sexual, torna-se evidente quando se comparam dois tipos de material genético. O primeiro é o DNA encontrado nas mitocôndrias, usinas de energia situadas na periferia das células. Transmitido pelas mães aos filhos de ambos os sexos, o chamado DNA mitocondrial permite conhecer a origem geográfica da linhagem materna de uma pessoa. O segundo tipo de material genético estudado é o cromossomo Y, que os pais passam apenas para seus filhos homens e serve como indicador da linhagem paterna.

A equipe de Pena constatou que 85% dos pretos de São Paulo tinham DNA mitocondrial africano, enquanto apenas 48% apresentavam cromossomo Y característico da África. De modo semelhante, o grupo coordenado por Maria Cátira viu que, em 90% dos pretos do Rio e em 79% dos de Porto Alegre, o material genético africano era de origem materna. Do lado paterno, só 56% do Rio e 36% de Porto Alegre tinham material genético paterno típico da África. “Esses números comprovam a história de exploração sexual das escravas pelos brancos”, comenta Pena, “uma história nada bela porque se baseava em relação de poder”.

Essa assimetria sexual confirmada pela genética já havia sido antes documentada e detalhada pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda, no livro Raízes do Brasil, pelo antropólogo Darcy Ribeiro, em O povo brasileiro, além de nos livros de Gilberto Freyre. Ela se tornou inconteste quando Pena e Maria Cátira começaram há cerca de dez anos, em trabalhos paralelos e complementares, a investigar a formação genética de brancos e pretos brasileiros com o auxílio do DNA mitocondrial e do cromossomo Y.

As primeiras evidências de que o brasileiro carregava em suas células o material genético de índios, africanos e europeus surgiram em abril de 2000, quando o país comemorou os cinco séculos da chegada do colonizador português a este lado do Atlântico ou os 500 anos do descobrimento do Brasil. Aproveitando a data oportuna, Pena publicou – primeiro na revista Ciência Hoje, de divulgação científica, e depois no periódico acadêmico American Journal of Human Genetics – o trabalho que chamou de “Retrato molecular do Brasil”. Nesse estudo com 200 brasileiros das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul, o geneticista da UFMG constatou que, na realidade, 33% descendiam de índios por parte de mãe e 28% de africanos. Em outro estudo, publicado em 2001, mostrou que 98% dos brancos descendiam de europeus pelo lado paterno. Obviamente, a colaboração de índios e negros variava de acordo com a região do país.

Essa era a demonstração genética do que já se conhecia do ponto de vista histórico, sociológico e antropológico. Os primeiros grupos de colonizadores europeus que chegaram ao Brasil depois de 1500 eram formados quase exclusivamente por homens. Milhares de quilômetros distantes de casa, tiveram filhos com as índias. Mais tarde, com a chegada dos escravos durante o ciclo econômico da cana-de-açúcar, passaram a engravidar também as africanas.

A análise do material genético de pretos feita por Pena e Maria Cátira reforça esses resultados: 85% dos pretos brasileiros têm uma ancestral africana, mas os homens africanos estão representados em apenas 47% dos pretos – o restante tem ancestrais europeus em sua linhagem paterna. “É o outro lado da moeda”, diz Pena.

Retrato molecular

Mas o que o DNA mitocondrial e o cromossomo Y de fato revelam? Depende. São ferramentas genéticas fundamentais para determinar a composição de uma população porque são blocos de DNA que não se misturam com outros genes e passam inalterados de uma geração a outra. Mas esse material genético contém muito pouca informação sobre as características físicas de um indivíduo. Ter DNA mitocondrial africano, por exemplo, indica apenas que em algum momento do passado – recente ou não – houve uma mulher africana na linhagem materna daquela pessoa. É por isso que alguém com cabelos louros e olhos azuis pode ter entre suas ancestrais uma africana de pele escura, assim como um homem de pele escura e cabelos encaracolados pode ser descendente de europeus.

Na tentativa de detalhar essa razão, Pena decidiu investigar um terceiro tipo de material genético: o chamado DNA autossômico, que se encontra no núcleo de quase todas as células do corpo. Pena e Flavia Parra selecionaram dez trechos do DNA autossômico típicos da população africana e criaram uma escala chamada índice de ancestralidade africana: quanto mais desses trechos uma pessoa possui, mais próxima ela estaria de um africano. Em seguida, foram procurá-los na população brasileira. Os pesquisadores mineiros testaram esse índice em 173 homens brancos, pretos e pardos de Queixadinha, interior de Minas Gerais, e viram que, em média, os três grupos apresentavam proporções semelhantes de ancestralidade africana, que era intermediária entre a de um português do Porto, em Portugal, e a de um africano da ilha de São Tomé, na costa Oeste da África.

Em outro estudo, Pena e a bióloga Luciana Bastos-Rodrigues analisaram 40 outros trechos de DNA autossômico e descobriram que eles são suficientes para distinguir um indivíduo africano de outro europeu ou de indígena nativo das Américas. Ao comparar esses mesmos trechos de 88 brancos e 100 pretos brasileiros com os de africanos, europeus e indígenas, Pena e Luciana observaram altos níveis de mistura gênica: tanto os brancos como os pretos apresentavam características genéticas de europeus e de africanos. Essa mistura foi ainda mais evidente entre os pretos, que, segundo Pena, “resultam de um processo de intensa miscigenação”.

Com base nesses resultados obtidos em dez anos de investigação das características genéticas do brasileiro, Pena e Maria Cátira não têm dúvida em afirmar que, ao menos no caso brasileiro, não faz o menor sentido falar em raças, uma vez que a cor da pele, determinada por apenas 6 dos quase 30 mil genes humanos, não permite saber quem foram os ancestrais de uma pessoa.

O geneticista brasileiro Marcelo Nóbrega, da Universidade de Chicago, Estados Unidos, concorda, embora afirme que as diferenças genéticas entre populações de continentes distintos podem ser úteis na área médica – por indicar capacidades diferentes de metabolizar medicamentos – e usadas para definir raça. “Isso não significa que as raças sejam profundamente diferentes entre si nem superiores umas às outras”, diz. Para ele, o aumento da miscigenação nos últimos séculos erodiu as divisões entre esses grupos, como no caso brasileiro, e deve tornar obsoleto o conceito genético de raças.

Como já disse Gilberto Freyre em Casa-grande & senzala, “todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo – há muita gente de jenipapo ou mancha mongólica pelo Brasil –, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro.

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Informativo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Fundação Getulio Vargas.

Mesa redonda: Edison Carneiro e o negro no pensamento social brasileiro

O Laboratório de Pensamento Social do CPDOC convida para a mesa-redonda a ser realizada no dia 19 de maio às 15 horas. A mesa será composta por Lilia Schwarcz (USP), Luiz Alberto Couceiro (UFRJ) e Verena Alberti (CPDOC).

Data: 19 de maio de 2011, quinta-feira

Horário: 15h

Local: Auditório 1333 (13º andar) - Fundação Getulio Vargas

Praia de Botafogo – Rio de Janeiro - RJ

Os eventos promovidos pela FGV são gratuitos. A FGV não permite o acesso de pessoas com shorts ou bermudas nem com sandálias tipo havaiana.

CPDOC/FGV

Tel.: (21) 3799.5676 • Fax: (21) 3799.5679 • e-mail: faleconosco.cpdoc@fgv.br •

Internet: http://www.fgv.br/cpdoc _____________________________________________________________



MAMA ÁFRICA 

COLOQUIO "AMADOU MAHTAR MBOW: UMA LUTA PARA AFRICA, UM DESTINO PARA A HUMANIDADE"

Dakar, 10 a 12 de Maio/2011

Mahtar Mbow, antigo diretor geral da UNESCO, é motivo de debate de uma conferência internacional que será realizada de 10 a 12 de maio, na capital do Senegal, Dakar. Peritos de diferentes países preparam cuidadosamente os seus dossiês visando homenageá-lo.

O renomado professor tem agora 90 anos e foi o primeiro africano a dirigir o braço educacional, científico e cultural das Nações Unidas que na altura tinha igualmente uma acepção política, a da integração continental.

Tido como um dos grandes arquitetos do Centro Internacional das Civilizações Bantu (CICIBA), Amadou Mahtar Mbow será homenageado num colóquio internacional, por ocasião do seu nonagésimo aniversário.

Nascido em 1921 em Dakar (Senegal), Amadou Mahtar Mbow fez os seus estudos de pós-graduação em Paris, onde preside a Associação de Estudantes Africanos em Paris. Participou da Segunda Guerra Mundial sob a bandeira francesa, tendo mais tarde lecionado História e Geografia no Senegal. Em 1970 foi nomeado primeiro vice-diretor geral da UNESCO para a Educação e posteriormente eleito duas vezes diretor geral da UNESCO, de 1974 a 1987. Sob a sua liderança, a comissão chefiada por Sean MacBride publicou um relatório intitulado “Muitas Vozes, One World” que apresenta recomendações para o estabelecimento de um novo mundo de informação e comunicação mais justa.

Concebido e implementado no inicio dos anos 80, em pleno primeiro mandato de Amadou Mahtar Mbow como responsável da UNESCO, o Centro Internacional das Civilizações Bantu beneficiou, durante essa fase, de uma atenção especial da sua parte.

É no quadro de cooperação entre esta instituição e o CICIBA que Mbow co-assinou o primeiro acordo, instrumento que permitira, por um lado, a instalação de uma assistência técnica, decenal, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento a favor da organização cultural inter-regional africana, e, por outro, o apoio direto de “Fontenoy” nos programas da “Casa dos Bantu”.

Estes resultados, segundo o historiador angolano e perito da UNESCO Simão Souindoula que estará representando a República de Angola no evento e que por sua vez irá debruçar-se à volta do tema “Amadou Mahtar Mbow, um dos grandes arquitetos do Centro Internacional das civilizações bantu” serão bastante estruturantes nos domínios de intervenção deste auxílio onusiano, tais como os relativos ao aperfeiçoamento profissional, a montagem do primeiro banco de dados culturais africano, a constituição de redes científicas e artísticas, a organização de encontros regionais, a publicação de obras científicas e catálogos de arte, assim como a organização de diversas atividades de animação e promoção culturais.

O simpósio internacional conta com ilustres personalidades, como o antigo Presidente do Mali e da Comissão da União Africana (UA), Alpha Oumar Konaré, o escritor congolês Henri Lopes, e o jornalista francês Hervé Bourges

Os participantes vão abordar a vida de Amadou Mbow em todos os seus aspectos

 Além disso, estão previstas várias atividades no quadro deste aniversário, incluindo uma exposição na Universidade Cheikh Anta Diop de Dakar e uma noite cultural no Teatro Nacional Daniel Sorano

As manifestações serão organizadas em colaboração com a UNESCO, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a Academia Real de Marrocos

 Amadou Mbow, antigo ministro da Educação Nacional do Senegal, foi diretor da UNESCO entre 1974 e 1987.



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Vice-Presidente de Gana, John Dramani Mahama, está em visita ao Brasil

O Vice-Presidente da República de Gana, John Dramani Mahama, está visitando o Brasil, pela segunda vez, tendo aqui chegado no sábado e permanece em solo brasileiro até amanhã (10/5). A delegação que acompanha o Vice-Presidente é composta pelo Ministro de Transporte e Rodovias, Joe Gidisu, pelo Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros, Chris Kodo, e pelo Vice-Ministro das Finanças, Seth Terpker.

A autoridade ganense se reuniu hoje em Brasília com o vice-presidente Michel Temer para repassar temas da agenda bilateral.

A delegação ganense foi recebida pelo Ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, para avaliar a participação de empresas brasileiras em projetos de infraestrutura em Gana.

O vice-presidente da República de Gana e o Ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel e em reunião realizada em Brasília.

Atualmente, Gana é o oitavo mercado africano para produtos brasileiros. Em 2010, as exportações brasileiras para o país chegaram a US$ 317 milhões; este ano, devem passar de US$ 400 milhões, resultado recorde.



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Bukassa e Banda Booka Mutoto

Dia 13 deMaio – 22 h


Existe um pouco da África em cada um de nós... é claro, é o berço da civilização Humana. Feche os olhos e relaxe, que a ela virá... salve a Mãe África.

Bukassa Kabenguele

Criado no Zaire, atual República do Congo, Bukassa Kabengele, 41 anos, nascido na Bélgica e criado na República do Congo, vive no Brasil há mais de 30 anos, onde chegou aos dez anos de idade acompanhando seu pai e quatro irmãos. “Meu pai, Kabenguele Munanga, é hoje professor titular de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP).” Quando mudou para o Brasil ficou um ano e meio na capital potiguar Natal e, em seguida, a família veio para São Paulo e de cá nunca mais saiu.

Conhecido por algumas participações em minisséries e filmes como “A Casa das Sete Mulheres”, “Mad Maria”, “JK”, “Carandiru” e “Mandrake” (HBO), Booka se dedica ainda a uma carreira musical de mais de 25 anos, tendo acompanhado Marisa Monte e Elba Ramalho em turnês internacionais.

Sempre teve como referência mestres como Gilberto Gil, Tim Maia e Cassiano e descobriu, já com certa maturidade, que a música africana o torna autêntico.

Talento nato

“Sou apaixonado pela Vila Madalena. Eu digo, seguramente, que este é o lugar mais democrático de São Paulo. Há espaço para todas as classes sociais, numa movimentação que inclui tanto aquela pessoa que fica na calçada do bar bebendo com os amigos, quanto aquela que vai a um restaurante mais caro e sofisticado”, conta o africano que se naturalizou brasileiro.

Foi também em São Paulo que Booka, como foi apelidado, conheceu sua esposa, a portuguesa e artista plástica Vera Rocha, com quem teve uma filha, Muanza Maria, de quatro anos.

Como negro, sofreu muito preconceito nas terras tupiniquins. “O Brasil é um país machista e racista. Mas é o segundo no mundo com a maior população negra, fora a Nigéria, na África. A minha briga é para que o brasileiro reconheça a sua africanidade e a assuma.”

A primeira canção composta pela mistura de música brasileira com suingue do Congo, “Mutoto”, foi sucesso absoluto e uniu-se a uma série de outras composições, resultando no CD homônimo, lançado pela EMI-Odeon Francesa em 2005. Foram mais de 200 mil cópias vendidas em seis meses.

“Quando vim para o Brasil, depois de uma temporada na França, comecei a abrir espaço para um novo mercado musical e a fazer contatos. Mudei de banda, investi milhares de reais e fui convencendo músico por músico, pois no começo, não havia onde tocar a música que eu faço”, conta.

Ele quebra a ideia que muitas pessoas têm da música africana, de que sua força está apenas nos tambores. Mostra uma música extremamente desenvolvida em sua harmonia e ritmo; revela no palco algumas influências do som africano no mundo, como em Cuba e no tango argentino.

Com o sucesso da festa “Pé na África” e vendo sua rede se expandir em parcerias com o Centro Cultural Africano e o Fórum África, Booka vai assumindo cada vez mais um papel social, um compromisso prático e decorrente do que ele expressa sendo músico ou ator. “Parece que o Universo está me empurrando para exercer esse papel social, para expandir os valores africanos”.

Um grande resultado desse esforço está prestes a nascer no dia 13 de maio. Trata-se do Instituto Sócio-Cultural Dolores África, uma parceria de Bukassa com o Dolores Bar – casa que há 16 anos toca black music.

O Dolores África, que também fica na Vila Madá, terá exposições de roupas e tecidos, formação e auxílio de imigrantes para a entrada no mercado profissional, DJs africanos, espaço da beleza negra, concursos, e, claro, muitos shows da banda militante Booka Mutoto.

Dono de uma fala calma, Bukassa sorri ao cantar com sua voz doce. Nascido na Bélgica e criado na República do Congo, ele veste uma túnica até os tornozelos e encanta com a “Pé na África”, uma festa que celebra a música e a cultura afro-brasileira há um ano no Espaço Urucum.

No palco, ele surpreende: dedilhados de guitarra congolesa, suingue brasileiro, dança afro e letras cantadas em dialetos africanos como o swahili e o tchiluba, em francês e português fazem o público suar, agitado pela Banda Booka Mutoto.

SERVIÇO: BUKASSA KABENGUELE e BANDA BOOKA MUTOTO Dolores África
R. Fradique Coutinho, 1.007, Vila Madalena, São Paulo – SP. Tel.: (11) 3812-6519

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Livro em homenagem a Mário Covas

O lançamento do livro “Mário Covas, democracia: defender, conquistar, praticar”, em homenagem ao ex-governador Mário Covas recebeu um público recorde. Realizado nesta quinta-feira, 5, no Museu da Casa Brasileira, o evento contou com a presença, do governador Geraldo Alckmin, José Serra , dos senadores do PSDB Aloysio Nunes e Álvaro Dias, do secretário estadual da Fazenda Andrea Calabi, dos deputados estaduais tucanos João Caramez, Mauro Bragato, Samuel Moreira e Ricardo Tripoli, do prefeito de Caraguatatuba Antônio Carlos da Silva (PSDB), além vereadores e ex-secretários de Estado.

O livro, um lançamento da Imprensa Oficial de São Paulo, embora não seja uma biografia, narra em 352 páginas, momentos importantes da vida e da trajetória política de Mario Covas desde Santos, onde nasceu, em 1930, até sua morte, em 2001.

Um dos autores da obra, David Uip, médico particular de Covas, também esteve presente ao lançamento autografando os livros.

Os demais autores do livro são: Osvaldo Martins, Humberto Dantas, José Afonso da Silva, Sérgio Praça, Elizabeth Paes dos Santos, Antonio Angarita e Dalmo Nogueira.



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