Camille Flammarion o fim do Mundo



Baixar 0.51 Mb.
Página16/16
Encontro29.11.2017
Tamanho0.51 Mb.
1   ...   8   9   10   11   12   13   14   15   16
5Porque o mesmo Senhor do céu descerá com algazarras, e com voz de Arcanjo, e com a trombeta de Deus: e os que em Cristo morreram, primeiro ressuscitarão: – Depois nós outros, que ficarmos vivos, seremos com eles juntamente arrebatados, saindo ao encontro do Senhor em o ar: e assim estaremos sempre com o Senhor. – Assim que uns aos outros consolai-vos com estas palavras.

6No ano de 1033, ano da grande fome, os condes de Tusculum fizeram papa a uma criança de doze anos – Benedito IX, assaz desenvolvido para a sua idade, tanto que libertino, ladrão e homicida. Antes que completasse os dezesseis anos, os seus escândalos chegaram a tal ponto que os capitães romanos se conjuraram para trucidá-lo no altar, no momento exato de elevar a hóstia. Salvou-o o eclipse a que nos referimos. Os conjurados estarrecidos não ousaram tocar-lhe. Todavia, teve de fugir e refugiar-se em Cremona, junto do imperador Conrado. Henrique III o reentronizou em 1038 e ele ainda reinou por seis anos, como verdadeiro sultão do seu harém. Houve quem acreditasse que ele ia abdicar para esposar a filha de um barão romano, mas o fato é que reteve a tiara até 1044, quando foi expulso de Roma pelo povo, que elegeu um pontífice mais sério, Silvestre III. Quarenta e nove dias depois, Benedito regressava à testa de um bando de salteadores. Finalmente, no ano seguinte abdicou, com a condição de receber a renda de São Pedro, prometida pelos ingleses ao seu sucessor Gregório VI. Em 1045 havia três papas: Benedito IX, reconhecido pelo partido feudal, que não havia desarmado; Silvestre III, que pontificava num castelo-forte, nos montes da Sabina, e Gregório VI, vigário de Roma, no Vaticano. O imperador Henrique III, de um só golpe, mediante um concílio, conseguiu depor e enclausurar Gregório e Silvestre, nomeando um quarto papa – Clemente II –, consagrado na noite de Natal de 1046.

Mas, Benedito não dormia. No ano seguinte, atirou-se para Roma, qual um abutre, conseguiu envenenar o papa alemão e reinou ainda oito meses no trono de São Pedro. O exército do conde de Toscana chegou a Roma com um novo papa e o suprimiu, então, definitivamente, quando contava 26 anos de idade. Tal o fim de um papa dessa época. O monge Raul Glaber não entra em minudências e contenta-se em dizer que seria coisa horrível o relatar as infâmias de tal vida.



7O dia imediato ao 4 de Novembro, passou a ser 15.

8Mal se publicava a 1ª edição desta obra (1º de Dezembro de 1893), um novo profeta, um sábio vienense, Rodolfo Falb, anunciava um novo fim do mundo, desta vez para 13 de Novembro de 1899, por força de um encontro cometário. Ora, o que nós esperamos nessa data não é um cometa, mas inofensiva chuva de estrelas cadentes.

9Desde 1893, diversos Estados europeus apresentavam uma dívida de 121 bilhões. Somente na França, a dívida pública atingia a 32 bilhões.

Todo cidadão francês, ao nascer, vinha tributado em 987 fs. Os americanos do norte, em compensação, não tinham ônus superior a 18 dólares, ou 90 francos. O imposto per capita elevava-se a 104 fs. O aumento da dívida pública, só em França, saltou de 13.414 milhões, em 1869, para 31.660 milhões, em 1891.

A França faz a si mesma, atualmente, 600 milhões de novas dívidas em cada ano. É verdade que até hábitos muito elegantes são especialmente destinados a reforçar o orçamento. Só o tabaco faculta ao Estado um milhão de francos por dia. Que coisa maravilhosa a organização social do mundo!

As despesas exclusivamente militares aferem-se, para a Europa, na proporção seguinte (em bilhões de francos): 1865 - 2,715; 1870 - 2,478; 1880 - 3,918; 1893 - 4,758.

A Europa mantém atualmente 3.300.000 homens em armas. Cada militar custa, em média, 1.442 fs. e poderia produzir trabalho útil, no mínimo, equivalente a 1.000 fs. por ano.

A barbaria européia contemporânea representa, portanto, uma perda bruta de oito bilhões anuais, ou seja, de vinte e dois milhões por dia. A essa cifra deve-se adicionar ainda o capital imobilizado e improdutivo do material bélico, calculável em 30 bilhões.



10A partir do século XIX os estudos históricos da Natureza tinham descoberto as oscilações verticais, seculares, da crosta terrestre, variando segundo as regiões, e constatara, assim, a lenta depressão do solo ocidental e setentrional da França e a invasão progressiva do mar, até onde chegavam às tradições históricas. Viram como, pouco a pouco, o mar destacara do continente as ilhas de Tersey, as Minquiers, Chausey, Cezembre, Monte São Miguel, engolindo as cidades de Is. Helion, Tommem, Harbour, São Luís, Monny, Bourgneuf, Feillette, Paluel, Nazado e a península armoricana a recuar lentamente diante da invasão oceânica. De século em século a hora diluviana fora soando para Herbavilla, a oeste de Nantes, para Saint-Denis-Chef-de-Caux, ao norte do Havre, para Saint-Etienne-de-Paluel e Gardoine ao norte de Dol, para Tolente, a oeste de Brest, para Porspican, vizinha de Cancale. Mais de oitenta localidades da Holanda tinham sido tragadas no qüinquagésimo século. Noutras regiões as modificações se verificaram em sentido inverso, o mar havia recuado. Ao norte e oeste de Paris, porém, a dupla ação do abaixamento do solo e erosão das costas produziram em 8.000 anos um lençol líquido navegável para navios de alto porte.

11Mais de um leitor há de julgar muito suportável este clima, visto podermos ao presente citar regiões de temperaturas médias inferiores a essa e que, nem por isso, deixam de ser habitadas. Temos por exemplo, Verchnolansk, cuja temperatura média anual é de 19,3 graus. Mas, nessas regiões, há um estio durante o qual o gelo se funde e, se em Janeiro sofrem um frio de 60 graus e até mais, gozam em Julho de 15 ou 20 acima de zero. Ao limite em que chegamos na história do mundo, dava-se o contrário, a temperatura média da zona equatorial era constante e, mais do que nunca, o gelo poderia fundir-se.


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   8   9   10   11   12   13   14   15   16


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal