Camuflagem define o duelo com os paparazzi dos protótipos



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Março, 2008



Camuflagem define o duelo com os paparazzi dos protótipos
A camuflagem e o disfarce são extremamente importantes quando os protótipos de novos modelos deixam as bem guardadas instalações do estúdio de design e se dirigem para o circuito de testes ou mesmo para a estrada. Embora muitos dos ensaios sejam hoje previamente efectuados através da simulação em computador ou na bancada de testes, surge inevitavelmente o dia em que todos os resultados dos testes têm de ser validados, o que obriga a sair com o automóvel para o seu habitat natural: a estrada.
Há dois anos, foi a vez do Insignia, o novo Opel com estreia mundial marcada para o dia 22 de Julho. Era o seu primeiro teste de condução, no circuito de Nürburgring-Nordschleife, um dia que os especialistas em camuflagem da Opel tinham preparado meticulosamente durante meses. Com uma novíssima linha da carroçaria e um design escultural, o sucessor do Vectra está destinado a criar sensação no segmento em que se insere. Mas as surpresas só causam impacte se não forem descobertas previamente.
A equipa responsável pela camuflagem dos protótipos começou a preparar o programa de testes numa fase em que o novo automóvel ainda não era mais que simulações em computador e modelos de barro. Juntamente com os chefes de design e os engenheiros, a equipa definiu as linhas características do automóvel que importava esconder o mais possível dos paparazzi de protótipos.
Trabalhando em conjunto, desenvolveram um “tratamento visual” (facelift) para o futuro modelo capaz de optimizar o disfarce dos protótipos. A título de exemplo, uma das versões tinha uma traseira especialmente elegante e fluida, pelo que foi instalado um saliente estabilizador aerodinâmico para a dissimular. De igual modo, foi construído um modelo de madeira para servir de molde a peças plásticas de camuflagem, necessárias para as 200 unidades de teste que é preciso disfarçar desde a fase de desenvolvimento até à produção em série.

Os elementos utilizados na camuflagem de outros componentes característicos da carroçaria foram igualmente desenhados e produzidos utilizando o mesmo processo. Como é hábito, os primeiros protótipos foram trazidos para uma oficina situada numa área particularmente bem protegida da fábrica.



Primeiro “facelift” teve como objectivo tornar o Insignia o mais feio possível
Nesta fase da operação de camuflagem, os especialistas utilizam cola e folha metálica especiais, que garantem uma superfície regular e mantém a flexibilidade e a resistência com intervalos de temperatura de - 40 °C a + 70 °C. Noutras zonas, a folha é levantada com espuma para alterar os contornos do veículo. Este material adesivo é também utilizado para camuflar linhas características dos vidros. A polícia alemã utiliza este tipo de folha para marcar as suas viaturas de patrulha, se bem que a verde e azul e não com o preto dos veículos de testes.
Coberturas pequenas e de elevado contraste encobrem outras superfícies da carroçaria dos protótipos. Durante anos, a prática da Opel foi utilizar um padrão axadrezado a preto e branco, mas este foi agora substituído por “peixinhos”, ou seja, diamantes em forma de peixe desenhados para confundir as lentes das câmaras e as observações indiscretas. Este trabalho de disfarce será em breve aperfeiçoado com um novo tipo de camuflagem cujo padrão cria um efeito intermitente.
Se tiver um logótipo da Opel, não é de certeza um Opel
Afixar dísticos e sinais falsos da marca nos protótipos é um truque de camuflagem recorrente. Assim, se um veículo de testes ostentar um logótipo da Opel ou parecido e chapas de matrícula com as letras GG (o código para Groß-Gerau e Rüsselsheim na Alemanha), o mais certo é não ser mesmo um Opel.
Os faróis e as luzes traseiras são especialmente difíceis de disfarçar, visto que as autoridades responsáveis pelo licenciamento dos veículos exigem que o cone de luz, as luzes de travagem e todas as outras funções exteriores de um automóvel – mesmo tratando-se de um protótipo – cumpram a legislação em vigor. Os faróis e as luzes traseiras são muito utilizados pelos técnicos de design para tornar a marca dos automóveis facilmente reconhecível, pelo que têm de ser muito bem disfarçados. Para isso, os especialistas em camuflagem colocam luzes simples e redondas com origem numa loja de acessórios na traseira do veículo e criam componentes especiais para os faróis.

Outro desafio que se coloca aos especialistas em camuflagem é a necessidade de remover os elementos de disfarce. Para efectuar certos testes, como os de acústica ou aerodinâmica, quaisquer elementos de estilo da carroçaria representam um obstáculo. É por isso que alguns construtores de automóveis preferem utilizar grandes coberturas fixas à carroçaria com correias Velcro e de amarração. A Opel optou por uma abordagem diferente, visto que essas grandes coberturas podem soltar-se a alta velocidade, comprometendo a camuflagem e colocando em perigo os outros utilizadores da estrada.


As pessoas são o maior obstáculo a uma operação perfeita de camuflagem
O ponto mais fraco de qualquer operação de camuflagem são os técnicos associados ao veículo de testes. Sempre que há pessoas envolvidas no processo, o risco de erro está presente, havendo sempre a possibilidade de os elementos de camuflagem não serem correctamente colocados.
A fim de evitar estas possíveis falhas dos pilotos ou dos engenheiros de testes, a Opel tem um conjunto estrito de regras aplicável aos protótipos. A Regra 531 estipula que nenhum carro de testes camuflado poderá parar num local público, por exemplo, para o condutor ir tomar uma refeição. É igualmente obrigatória a presença de um oleado a bordo, uma vez que até os veículos Opel mais fiáveis podem sofrer uma avaria durante a fase de testes. Se for o caso, têm de ser rapidamente cobertos. Para proteger os segredos da fábrica, os protótipos são sempre acompanhados por um segundo veículo nas estradas públicas, de modo a que, se houver necessidade de ajuda, esta seja prontamente prestada. Para percorrer longas distâncias, os protótipos têm de ser transportados em camiões fechados, por exemplo, para efectuar testes de condução na Finlândia. No passado, era frequente os fotógrafos mais afoitos levantarem rapidamente o oleado do camião e tirarem algumas fotografias enquanto o motorista descansava profundamente.
Mas porquê todo este esforço? Porque, resumidamente, a indústria automóvel vive e respira com os novos modelos, que interessam essencialmente a dois grupos: os construtores e os meios de comunicação social. Assim, enquanto os concorrentes desejam responder aos novos produtos o mais rapidamente possível com as suas próprias inovações, para os meios de comunicação social as notícias sobre algo verdadeiramente novo são um meio valioso para atrair leitores ou espectadores.
Uma das características mais importantes de um automóvel novo é o seu design exterior. É a primeira impressão que o cliente tem do modelo, define o visual da marca perante o público e, não raramente, dá azo a conjecturas sobre as possíveis inovações tecnológicas que a carroçaria poderá esconder. Foi por isso que, ao longo dos anos, proteger os novos estilos de carroçaria dos olhares indiscretos se tornou uma arte no seio dos departamentos de desenvolvimento dos construtores de automóveis.
Paparazzi dos protótipos: o público-alvo dos especialistas em camuflagem
Os principais adversários dos especialistas em camuflagem são fotógrafos especializados conhecidos por caçadores de protótipos ou apenas fotógrafos espiões. Os paparazzi caçadores de protótipos sabem muito bem quais são os circuitos de testes preferidos pela indústria automóvel.
Estes fotógrafos enfrentam a concorrência crescente de amadores que têm a sorte de fotografar um automóvel desconhecido com a câmara do telemóvel. Que até pode não ser um veículo por lançar, dado que algumas das fotografias que chegam às secretárias dos editores mostram modelos de produção que só são invulgares por não serem comercializados no país do fotógrafo - daí parecerem exóticos ou misteriosos.
Por outro lado, os fotógrafos profissionais podem ganhar somas avultadas com as suas fotografias, tudo dependendo da marca, do momento e da qualidade da imagem da fotografia, e são o principal rendimento de um grupo pequeno e altamente especializado. No passado, designers experimentados adaptavam artisticamente fotografias de automóveis camuflados com lápis e tinta-da-china para darem forma, muitas vezes com grande precisão, a imagens das últimas inovações. Hoje, são os especialistas em Photoshop que tentam criar imagens realistas dos novos modelos. Como meio de ajuda, recorrem a fotografias de protótipos e concept cars utilizados pelos fabricantes para indagar a reacção do público nos salões automóveis e antecipar o lançamento de futuros veículos de produção em série.


GM Portugal – Comunicação http://media.opel.pt General Motors Corporation

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