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A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA INFANTIL NO INÍCIO DA ALFABETIZAÇÃO NO 2º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL EM UMA ESCOLA MUNICIPAL DA CIDADE DE LINS

THE IMPORTANCE OF LITERATURE IN EARLY CHILDHOOD LITERACY IN 2nd YEAR IN A BASIC EDUCATION SCHOOL MUNICIPAL CITY OF ROWS
Lucia da Silva Luciano – luciliana_silva@hotmail.com

Graduanda em Letras – UNISALESIANO Lins

Profa. Orientadora Dra. Elaine Cristina Moreira da Siva – Unisalesiano Lins –pedagogia@unisalesiano.edu.br



Prof. Me. Marcos José Ardenghi – Unisalesiano Lins – marcos@unisalesiano.edu.br




RESUMO
Esta pesquisa teve como objetivo mostrar que a literatura infantil como instrumento pedagógico faz parte do processo da alfabetização desenvolvendo as habilidades de codificação e decodificação, estimulando a aquisição de um estilo de linguagem a partir da imitação da literatura infantil, pois no processo da aquisição da leitura e da escrita, a literatura infantil aparece como uma grande aliada, sendo nos anos iniciais da educação formal, a criança encontra-se na fase dos sonhos e adora ouvir histórias que aguçam seu mundo imaginário. A literatura conduz o educando não só à aprendizagem, mas, também oportuniza o desenvolvimento da reflexão e criticidade, além de permitir que se realize a leitura com fruição, sentindo prazer ao estar lendo. Evidenciou-se nesta pesquisa que a literatura infantil está presente na sala de aula, porém não sendo utilizada como um recurso no processo de alfabetização, mas sim, como uma atividade rotineira. Sabe-se que as crianças são fascinadas por histórias e que essas favorecem seu desenvolvimento cognitivo, intelectual, emocional e social. Buscou-se aqui confirmar que a Literatura Infantil contribui no processo de alfabetização desenvolvendo a capacidade de aprendizagem do indivíduo. O grande desafio é conseguir adaptar a literatura infantil no currículo informal à situação escolar, como um instrumento central à preparação e ao processo de alfabetização. Outro aspecto levantado foi o sentido de contar histórias, pois quando uma criança houve história é estimulado o pensar, o desenhar, o teatral, o imaginar, o brincar, o escrever, o querer ouvir de novo a mesma história ou outra. Através da pesquisa bibliográfica constatou-se que a Literatura Infantil é o marco inicial de uma cultura e, por isso, é fundamental fazer parte da prática pedagógica do professor nas séries iniciais.
Palavras-chave: Alfabetização. Literatura Infantil. Ensino Fundamental.

ABSTRACT
This research aimed to show that children's literature as a pedagogical tool is part of the process of developing the literacy skills of encoding and decoding, encouraging the acquisition of a language style from the imitation of children's literature, because in the process of reading acquisition and writing, children's literature appears as a great ally, and in the early years of formal education, the child is at the stage of dreams and loves to hear stories that sharpen their imaginary world. The literature leads the learner not only to learning but also favors the development of reflection and criticism, and allow it to perform the reading with enjoyment, feeling glad to be reading. It was evident in this research that children's literature is present in the classroom, but not being used as a resource in the literacy process, but as a routine activity. We know that children are fascinated by these stories and promote their cognitive, intellectual, emotional and social development. Here we sought to confirm that the Children's Literature in the literacy process helps develop the learning capacity of the individual. The challenge is to adapt to children's literature in the school situation informal curriculum as a central tool for the preparation and process of literacy. Another point raised was the sense of storytelling, because when a child's story was stimulated thinking, drawing, theatrical, to imagine, to play, to write, to want to hear again the same story or another. Through literature research it was found that the Children's Literature is the starting point of a culture and, therefore, it is essential part of the pedagogical practice of teachers in the early grades.
Keywords: Literacy. Children's reading. Elementary school.

INTRODUÇÃO
Este tema foi escolhido porque, ao tomar ciência da importância da literatura infantil no processo global de formação do indivíduo, constatou-se a necessidade de aprofundar mais neste recurso pedagógico de suma importância para o início da alfabetização, pois a literatura conduz o educando não só à aprendizagem, mas, também oportuniza o desenvolvimento da reflexão e criticidade, além de permitir que se realize a leitura com fruição, sentindo prazer ao estar lendo.

As crianças que nascem em ambientes letrados cedo, desenvolvem um interesse em relação às atividades da leitura e escrita que os adultos praticam ao seu redor. Esse interesse será variável em função da qualidade, da frequência e do valor que possam ter essas atividades para os adultos que convivem mais diretamente com as crianças. Assim, uma mãe que lê textos interessantes e de boa qualidade para o seu filho, diariamente transmite informalmente para ele uma série de informações, sobre a língua escrita e sobre o mundo. A qualidade, portanto, do que se lê para a criança é extremamente importante e não pode ser alheia aos interesses dela.

É muito difícil uma criança que não se interesse, por ouvir histórias e não expresse espontaneamente um interesse admirável pelas palavras.

O grande desafio é conseguir adaptar a literatura infantil no currículo informal à situação escolar, como um instrumento central à preparação e ao processo de alfabetização.

Quando uma criança houve história é estimulado o pensar, o desenhar, o teatral, o imaginar, o brincar, o escrever, o querer ouvir de novo a mesma história ou outra.

Inicialmente foi realizada uma pesquisa bibliográfica em livros sobre questões relativas e temas propostos neste estudo através de pesquisa de campo, como forma de conhecer e analisar a utilização da literatura infantil no processo de alfabetização em uma sala de 2º ano do ensino fundamental em uma escola municipal da cidade de Lins. Num segundo momento foi realizada a pesquisa de campo. Para tal atividade, a comunicação e a interação estabelecida entre o pesquisador e os pesquisados proporcionaram um clima de interesse, segurança e confiança.

A pesquisa foi realizada com 20 alunos no processo de alfabetização no 2º ano do ensino fundamental, através de observações das aulas da professora, aplicação de atividades diagnósticas nos alunos para saber as hipóteses de escrita. Também houve aplicação de uma sequência didática, onde os alunos tiveram que reescrever o conto de fadas: “A Branca de neve e os sete anões” e analisei comparativamente os resultados.

Esse trabalho de pesquisa abordou a importância da Literatura Infantil no processo de alfabetização no 2º ano do ensino fundamental em uma escola municipal da cidade de Lins.


LITERATURA INFANTIL E ALFABETIZAÇÃO
A literatura infantil vincula-se com a questão escolar, embora o livro infantil seja literário na medida em que supere todos os padrões que modificam o comportamento de quem os lê.

Poucos conhecem O mito de Édipo, mas todos sabem das circunstâncias da Cinderela e que fator determinou o seu final feliz. Esta personagem da literatura infantil, como tantas outras, integra o imaginário de um imenso número de pessoas no lado ocidental do globo e circula por diversas manifestações culturais.

Segundo Zilberman (1990, p. 12), quando a literatura nasceu, na Grécia antiga, chamava-se poesia e sua função principal era divertir a nobreza nos intervalos entre uma guerra e outra. “A Ilíada e a Odisséia devem seu aparecimento a essa circunstância, porém sua permanência no tempo não se explica da mesma maneira”. Esses dois poemas épicos tornaram-se para os gregos, de acordo com a autora, algo semelhante à Bíblia para os hebreus: um instrumento que contava as origens da nação explicitava as diferenças entre homens e deuses, servia para legitimar o modelo político adotado e ainda ditava as normas de comportamento privilegiadas por aquela sociedade. Dessa forma, a literatura assumiu desde muito cedo uma propensão educativa. No decorrer do tempo ela sofreu inúmeras transformações, surgiram novos gêneros, mas uma certeza manteve-se com o tempo: “a de que o texto poético favorece a formação do indivíduo cabendo, pois, expô-lo à matéria-prima literária, requisito indispensável a seu aprimoramento intelectual e ético” (ZILBERMAN, 1990, p. 13).

É muito importante o uso da Literatura no processo de alfabetização, pois unindo-se literatura e alfabetização a criança acaba entrando em contato com o mundo letrado, onde a amplia seu vocabulário e adquiri conhecimento, principalmente exercitando seu imaginário.

Lajolo enfatiza a importância de a literatura estar presente no currículo escolar:

[...] a leitura literária também é fundamental. É à literatura, como linguagem e como instituição, que se confiam os diferentes imaginários, as diferentes sensibilidades, valores e comportamentos através dos quais uma sociedade expressa e discute, simbolicamente, seus impasses, seus desejos, suas utopias. (2001, p. 106)

Como diz Lajolo, “o cidadão, para exercer plenamente sua cidadania, precisa apossar-se da linguagem literária, tornar-se seu usuário competente” (2001, p. 106). É preciso garantir o acesso a essa produção cultural.

Segundo Candido, no clássico ensaio “O direito à Literatura”, ele focaliza a relação da literatura com os direitos humanos de dois ângulos diferentes:

Primeiro verifiquei que a literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo, ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade. Em segundo lugar, a literatura pode ser um instrumento consciente de desmascaramento, pelo fato de focalizar as situações de restrição dos direitos, ou de negação deles, como a miséria, a servidão, a mutilação espiritual. Tanto num nível quanto no outro ela tem muito a ver com a luta pelos direitos humanos. A organização da sociedade pode restringir ou ampliar a fruição deste bem humanizador. O que há de grave numa sociedade como a brasileira é que ela mantém com a maior dureza a estratificação das possibilidades, tratando como se fossem compressíveis muitos bens materiais e espirituais que são incompreensíveis. (1995, p. 186)
A tarefa de ensinar a ler e escrever utilizando as histórias infantis torna-se um processo muito prazeroso e gratificante, onde é possível alfabetizar as crianças, formar um bom leitor e um bom escritor, pois segundo Morais, a:

[...] aprendizagem da leitura é um produto cultural, baseado sem dúvida em capacidades naturais, mas pressionado por aquilo que as famílias e as instituições educacionais oferecem à criança (1996, p. 201)

No período de alfabetização a Literatura oferece um grande conforto para a criança que se encontra nesta fase, sendo seus pais, escola e professores os responsáveis maiores neste período, onde os mesmos devem criar oportunidades para que a alfabetização ocorra da maneira e no tempo certo.

É de fundamental importância que no período da educação infantil a criança seja estimulada e tenha contato direto com as letras, palavras e textos, podendo ser oferecido através de leituras realizadas juntamente com as crianças na escola em casa, pois as crianças aprendem escrevendo e lendo.

Segundo Soares (1995, p.73)
A função primordial da escola seria, para grande parte dos educadores, propiciarem aos alunos caminhos para que eles aprendam, de forma consciente e consistente, os mecanismos de apropriação de conhecimentos. Assim como a de possibilitar que os alunos atuem, criticamente em seu espaço social. Essa também é a nossa perspectiva de trabalho, pois, uma escola transformadora é a que está consciente de seu papel político na luta contras as desigualdades sociais e assumem a responsabilidade de um ensino eficiente para capacitar seus alunos na conquista da participação cultural e na reivindicação social.
O trabalho com a Literatura deve ter inicio bem cedo e se possível de uma maneira interdisciplinar, para que futuramente estes alunos tenham o hábito e o gosto pelas obras literárias.

Segundo Souza (1998, p.23)

O caráter sistemático do projeto entende-se como necessário, porque o despertar de um interesse que pretende ser duradouro não ocorrerá através de contatos esporádicos.

A literatura no ambiente escolar tem sua importância devido ao fornecimento de condições que propicia à criança em formação.

De acordo com Soares:

A função primordial da escola seria, para grande parte dos educadores, propiciarem aos alunos caminhos para que eles aprendam, de forma consciente e consistente, os mecanismos de apropriação de conhecimentos. Assim como a de possibilitar que os alunos atuem, criticamente em seu espaço social. Essa também é a nossa perspectiva de trabalho, pois, uma escola transformadora é a que está consciente de seu papel político na luta contras as desigualdades sociais e assumem a responsabilidade de um ensino eficiente para capacitar seus alunos na conquista da participação cultural e na reivindicação social. (SOARES, 1995 p. 73)

Se for oferecida à criança desde seu ingresso em classes de pré-escolar, um contato diário com as atividades de leitura e escrita, a alfabetização será transformada num processo descontraído.

A alfabetização constitui-se, de um trabalho de fixação de correspondência, através das palavras geradoras retiradas dos livros de história, e de um incentivo paralelo à descoberta de novas correspondências pela leitura de livros de história e escrita de textos livres.

A história do livro infantil é relativamente recente. E ainda assim é preciso esclarecer de que livro se está falando, pois nessa categoria se incluem os livros de aprender a ler, e as séries de leituras graduadas que os completam; os livros das diferentes disciplinas escolares; os livros que não são utilizados na aprendizagem formal, e se caracterizam mais como de recreação. Naturalmente, os livros sem palavras, os chamados “álbuns de gravuras”, destinados aos pequeninos, e que representam uma comunicação visual – pelo desenho – anterior às letras, são também casos especiais. (MEIRELES, 1979, p. 23)

A língua é transparente quando cumpre sua função comunicativa de deixar claro o que quer dizer; ela é opaca quando a clareza cede lugar ao jogo e ao brinquedo. Com esse tratamento, a potencialidade comunicativa do material é neutralizada, prevalecendo o prazer da auto-expressão e da liberdade de composição.

É muito importante a introdução da criança com a língua escrita no processo de alfabetização, pois ela ajuda a estimular a expressão, que geralmente, leva o adulto a desejar estimula-la.

Na literatura de textos poéticos a criança que está em fase de alfabetização, não só aproxima do livro como fonte de conhecimento e prazer, como exerce papel muito importante na formação da expressão verbal. No texto criativo é encontrada a característica fundamental que é a surpresa causada pelas relações que estabelece ao nível da composição e do sentido. Essa surpresa apresenta novas possibilidades de expressão e aproximando objetos cujos vínculos eram insuspeitados.

A poesia e a narrativa oferecem à criança em fase de alfabetização a oportunidade de experimentar a potencialidade linguística, descobrindo novos efeitos de sentido e as diversas possibilidades de nomeação que medirá seu conhecimento do mundo. O livro e a leitura, nesse momento, serão apresentados à criança como suporte e a ação empreendida para tornar-se alfabetizado.

A literatura no primeiro ano de escolaridade, pode ser entendida como uma aquisição de uma habilidade ou o domínio de alguma coisa específica, pois alfabetizar torna-se um ato que se esgota em si.

Por outro lado, uma experiência com a função poética da linguagem provém das cantigas de ninar, das cantigas de roda e das parlendas, patrimônio cultural popular escassamente considerado na sistematização do ensino da língua.

O contato inicial com a literatura não exige um domínio específico na escrita. A experiência pré-escolar, geralmente, põe na bagagem infantil narrativas populares, versos, trava línguas, adivinhas, outras manifestações ricas em ludismo sonoro. A importância dessa experiência consiste em que a relação estabelecida, através dela, entre falante e língua, dá primordialmente ao lúdico e ao afetivo. Trata-se, portanto, de uma experiência com a expressividade da língua.

A obra literária recorta o real, sintetiza-o e interpreta-o através do ponto de vista do narrador ou do poeta. Sendo assim, manifesta, através do fictício e da fantasia, um saber sobre o mundo e oferece ao leitor um padrão para interpreta-lo. A literatura infantil é um patrimônio cultural da sociedade que se caracteriza, a cada obra, pela proposição de novos conceitos que provocam uma subversão do já estabelecido. Sendo assim o homem, se constitui à proporção da formação de conceitos, a infância se caracteriza por ser o momento mágico e primordial dessa constituição e a literatura infantil é um instrumento relevante dele. Desse modo, a literatura infantil se configura não só como instrumento de formação conceitual, mas também de emancipação da manipulação da sociedade. Se a dependência infantil e a ausência de um padrão inato de comportamento são questões que se interpretam, configurando a posição da criança na relação com o adulto, a literatura surge como um meio de superação por possibilitar a reformulação de conceitos e a autonomia do pensamento.

O envolvimento de crianças com a leitura de histórias e com a produção de textos não necessita, portanto, esperar a alfabetização formal se concretizar. No entanto, para que uma criança se torne efetivamente alguém que leia e escreva, é preciso, que em algum ponto desse processo, um conhecimento específico venha a ser desenvolvido.

Para atender de forma mais direta esse trabalho paralelo de incentivo à escrita de palavras, é necessário que a criança esteja interessada em aprender. Esse trabalho poderá ser iniciado com letras móveis ou com o abecedários, privilegiando os caracteres de imprensa, por serem estes mais fáceis para as crianças.

É importante destacar que, na perspectiva do letramento, as habilidades de leitura devem ser aplicadas diferenciadamente a diversos tipos de suportes e textos: “literatura, livros didáticos, obras técnicas, dicionários, listas, enciclopédias, quadros de horário, catálogos, jornais, revistas, anúncios, cartas formais e informais, rótulos, cardápios, sinais de trânsito, sinalização urbana, receitas…” (SOARES, 2001, p. 69)


A alfabetização – a aquisição da tecnologia da escrita – não precede nem é pré-requisito para o letramento, isto é, para a participação em práticas sociais de escrita, tanto assim que analfabetos podem ter um certo nível de letramento: não tendo adquirido a tecnologia da escrita, utilizam-se de quem a tem para fazer uso da leitura e da escrita; além disso, na concepção psicogenética de alfabetização que vigora atualmente, a tecnologia da escrita é aprendida não, como em concepções anteriores, com textos construídos artificialmente para a aquisição das “técnicas” de leitura e de escrita, mas através de atividades de letramento, isto é, de leitura e produção de textos reais, de práticas sociais de leitura e de escrita. (SOARES, 2001, p. 92)
Para um estímulo mais direto á compreensão da escrita do alfabético por parte da criança, um trabalho com as semelhanças de sons entre as palavras poderá ser iniciado desde cedo na pré-escola, jogos e leituras que envolvam rimas (como poesia e as histórias rimadas) poderão servir de base à escrita de palavras contendo semelhanças de sons como, por exemplo, rato – pato – gato – galo – gago etc. A prática com a escrita de grupos de palavras contendo semelhanças de sons já teve sua eficácia constatada em alguns estudos.

No decorrer desse processo, a evolução da criança, no que diz respeito à representação gráfica, poderá ser acompanhada através de ditados de palavras contendo números diferentes de sílabas ou mesmo através de sua escrita espontânea.

Uma vez incentivada à leitura efetiva dos livros de história já conhecidos pode leva-las ao prazer de descobrir novas correspondências de som e grafia.

Por outro lado a produção escrita da criança poderá ser incentivada, evitando restringi-lo à simples produção de sentenças com os padrões silábicos ensinados. Sempre que não souber escrever uma determinada palavra a criança poderá pedir ajuda à professora. Quando são motivadas para a produção de textos, muitas crianças aprendem novos padrões silábicos e expandem suas possibilidades de escrita.

A leitura pode ser estimulada à partir de livros contendo textos curtos cujas histórias já são conhecidas pela criança. As leitura iniciais, estará oferecendo à criança um suporte para que ela consiga descobrir novas correspondências sem – grafia. Ao dominar os mecanismos da leitura, as próprias crianças buscarão a leitura de novos livros.

A criança pequena encontra nos livros de estampa, álbuns coloridos, álbuns de imagens ou álbuns de figuras um dos mediadores mais eficazes, para estabelecer relações de prazer e de conhecimento entre ele e o mundo dos seres e das coisas que a rodeiam e que ela mal começa a explorar.

Não é de hoje que editoras inglesas, japonesas, americanas, alemãs e outras colocam nas estantes de livrarias de todo o mundo belíssimas publicações totalmente sem texto... Ou melhor com narrativa apenas visual, onde toda a história é contada através de desenhos ou fotos, sem nenhuma palavra... Também existem livros em que algo do que foi desenhado se move pela página, e outros em que há partes recortadas, permitindo que se formem figuras novas e divertidas ou cenários diversificados (patas de gato, cabeça de avestruz e corpo de elefante... ou telhado de casinhola com portão de castelo. Por aí vai, vai...), para encantamento e fascinação completa da criança. (ABRAMOVICH, 1994, p. 26)

Existem livros com imagens que devem provocar o conhecimento ou o reconhecimento de objetos ou seres, familiares à criança a partir dos 18 meses, onde é o momento de elaboração da linguagem. São livros de brinquedos, móveis, bichos, alimentos que facilitará a operação mental que identifica a percepção visual e a palavra correspondente.

A partir dos 3 anos, onde há a ampliação do mundo da criança, o livro é como imagens, que são tiradas ainda do ambiente familiar, formando estorietas simples, que podem ser manipuladas pela criança, para formar outras situações ou estórias e contá-las.

Se partir do princípio de que hoje a educação da criança visa basicamente levá-la a descobrir a realidade que a rodeia; a ver realmente as coisas e os seres com que ela convive; a ter consciência de si mesma e do meio em que está situada; a enriquecer-lhe a intuição daquilo que está para além das aparências e ensiná-la a se comunicar eficazmente com os outros, a linguagem poética destaca-se como um dos mais adequados instrumentos didáticos. E nesse sentido, cabe aos professores prepararem-se para extrair desse instrumento suas mil virtualidades.

Sendo assim a poesia para crianças deve atuar, basicamente, sobre os seus sentidos e emoções. Os poemas que se expressarem por fórmulas sonoras, repetitivas ou por refrões, rimas finais ou internas, etc. São os que mais diretamente os atrairão.

Quando uma criança houve história é estimulado o pensar, o desenhar, o teatral, o imaginar, o brincar, o escrever, o querer ouvir de novo a mesma história ou outra. Afinal, tudo pode surgir através de um texto bem lido!

E mesmo as crianças maiores, que já sabem ler, também podem sentir grande prazer no momento da leitura. Não esquecer nunca que o destino da narração de contos é o ensinar a criança a escutar, a pensar e a ver com os olhos da imaginação. A narração é um antiquíssimo costume popular que podemos resgatar da noite dos séculos, mas nunca modifica-la com elementos estranhos a ela. Usar slides ou qualquer outro meio de ilustração e distração é interferir e neutralizar a sua mensagem, que é sempre auditiva e não visual.

A Literatura Contemporânea busca estimular a criatividade, a descoberta ou conquista dos novos valores em questão. É aqui que entra o papel do professor com sua didática.

Portanto, é esta a produção atual da literatura para adultos e crianças.

A valorização da educação, da cultura e da leitura faz parte do processo de conscientização da sociedade. No entanto, a democratização da leitura e da escola passa pela dignificação salarial e pela melhoria das condições da infraestrutura para o trabalho específico.


3 CAMINHOS DA PESQUISA
Apresentamos abaixo as sequências das atividades desenvolvidas:

1º momento - Observações

Com a experiência vivenciada durante dois dias em que estive na sala de aula dessa turma, pude perceber que a Literatura Infantil pode sim ajudar e muito no processo de alfabetização, afinal, quanto mais à professora desperta interesse pela história que está sendo contada, mais as crianças querem manusear os livros, perguntam a ela quais as letras, o que está escrito e dessa forma vão enriquecendo o conhecimento silábico, mas infelizmente não observei nenhuma atitude da professora em explorar este recurso pedagógico.

2º Momento - Aplicação do diagnóstico pela pesquisadora.

Como teria pouco tempo para a realização da atividade, procurei trabalhar com assunto recente e já trabalhado com os alunos, então neste momento selecionei e ditei 5 palavras do conto: Branca de Neve e os Sete anões, porém antes de ditar as palavras disse para os mesmos que não poderiam usar borracha e se errassem poderiam escrever novamente a palavra em baixo mas da maneira correta e também falei que poderiam escrever as palavras da maneira que eles sabem escrever.

A partir do diagnóstico aplicado nos alunos, apresento o levantamento das hipóteses de escrita:


1-HIPÓTESES SILÁBICAS DO 2º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

EM LISTA DE PALAVRAS

HIPÓTESES SILÁBICAS

QUANTIDADE

DE ALUNOS



Hipótese Pré silábica

01

Hipótese Silábica

01

Hipótese Silábica- alfabética

02

Hipótese Alfabética

15

3º Momento - Aplicação da sequência didática pela pesquisadora.


Contou-se a história da Branca de neve e os sete anões e pedi para que os mesmos realizarem a reescrita da história, para tanto, relembrei a estrutura de um texto e fui questionando conforme eles escreviam, pois muitos diziam não lembrar mais da história ou até mesmo que não sabia escrever, no ultimo caso eu dizia: escreve do seu jeito, pois você é capaz.

A partir do diagnóstico da reescrita aplicada nos alunos, apresento as seguintes quadro.


2- REESCRITA DA HISTÓRIA- GARANTINDO A PRESENÇA DOS ACONTECIMENTOS NARRADOS E UTILIZANDO ELEMENTOS DA LINGUAGEM ESCRITA CARACTERÍSTICAS DOS CONTOS

Reescreveu garantindo a presença

da maioria

dos acontecimentos

narrados


Reescreveu

garantindo pelo

menos a metade

dos acontecimentos

narrados


Reescreveu

menos da metade

dos acontecimentos

narrados


Presença de

escrita, mas

não a solicitada


Ausência de

escrita

03

07

07

02

01


De acordo com alguns autores como Ferreiro; Teberoski (1991), Cagliari (2009), Soares (1995), Lajolo (2001), Tfouni (2006) e Abromovich (1994), o processo de alfabetização compartilhado com a literatura infantil é um procedimento que qualifica o conhecimento e o contextualiza. O livro de literatura infantil pode ser considerado uma ferramenta preciosa para professor e para a escola como meio propulsor para uma melhor qualidade da aprendizagem. Significando a formação crítica, onde a criança explora a criatividade, a imaginação e a significação em seu meio.
CONCLUSÃO
Ao longo deste estudo foi discutida a importância da Literatura Infantil como recurso pedagógico no processo da alfabetização, através do seu uso frequente no cotidiano escolar. Observou-se qual a utilização deste instrumento pedagógico em sala de aula.

Desenvolver o processo de alfabetização não é uma tarefa fácil, mas essencial nos dias atuais.

A pesquisa realizada sobre a contribuição da literatura infantil como recurso pedagógico no processo da alfabetização, foi possível constatar que o trabalho com a literatura não deve ficar apenas restrito à leitura e sim propor uma aprendizagem significativa rumo à construção do conhecimento em essencial no início da alfabetização.

A formação do professor é de suma importância para que o trabalho com a literatura junto com a alfabetização possa vir a surtir efeito com seus alunos, pois para o reconhecimento da escrita e seu significado é necessário ler e compreender. A leitura é uma atividade que deve estar inserida num projeto coletivo, cuja diversidade de situações sociais deve mobilizar as estratégias a serem adotadas em sala de aula.

Vivemos em uma sociedade onde a escrita e a leitura estão por toda a parte. Sendo a língua um fenômeno social, cultural e dinâmico que muda de acordo com suas regionalidades, ou seja, suas variantes linguísticas, onde podemos utilizar a Literatura Infantil como instrumento de transformação da própria realidade.

O objetivo era mostrar que a literatura infantil pode ser usada como um instrumento pedagógico no processo de alfabetização e ser potencializadora de habilidades que estimulem o ato de codificação e decodificação e a aquisição de um estilo de linguagem a partir da imitação da literatura infantil, no entanto, o objetivo não foi atingido, devido a várias circunstâncias, mas ficou comprovado o problema da utilização da Literatura Infantil na contribuição no processo de alfabetização, isto é, a professora em questão não utiliza este recurso como um auxílio no processo de alfabetização, mas sim como uma atividade diária de leitura, onde é possível observar abaixo nas descrições de algumas das minhas observações do seu trabalho junto á sala.

Durante a minha pesquisa houve alguns contratempos como: falta de tempo hábil para realizar a quantidade de observações e intervenções necessárias, pois a escola encontrava-se em festa, ora viagem e a professora também tinha que cumprir o seu planejamento.

A partir dos resultados obtidos espera-se que o uso da Literatura infantil, seja mais frequente, pois a mesma contribui no processo de alfabetização desenvolvendo a capacidade de aprendizagem, sempre considerando que o gênero é arte e desenvolve a imaginação, valores e cultura.

Sendo assim, espera-se que a Literatura Infantil como instrumento pedagógico esteja mais presente, em sala de aula, de forma lúdica e inovadora, procurando manter sua essência literária e tornando o contato com ela significativo, colaborando no processo de alfabetização.

Tendo em vista que, através de um trabalho utilizando a literatura podemos estimular a produção do conhecimento, reconhecendo que o mesmo transforma a criança em um ser atuante capaz de executar e compartilhar o conhecimento adquirido.

A utilização do livro de literatura infantil deve se tornar um recurso pedagógico fundamental para a formação da criança leitora que é capaz de ouvir, fantasiar, interpretar e, com a ajuda do professor, registrar o que entendeu em processo de alfabetização. Procurar praticar atividades envolvendo a literatura infantil, na tentativa de qualificar o conhecimento adquirido e buscar o prazer em aprende. É preciso manter um padrão de ensino em que as estruturas escolares possam oferecer ambientes propícios à leitura.

É preciso ensinar e estimular a literatura nas escolas, mas de uma forma literária, onde os docentes precisam ter consciência de que o leitor que lê consegue transformar imediatamente aquilo que leu em escrita e fala que é construída socialmente.

É preciso ressaltar que a Literatura Infantil contribui para a formação do leitor, estimulando a sua curiosidade e instigando a construção de novos conhecimentos, e, portanto não deve ser deixada de lado pelos professores, nem utilizada sem planejamento prévio, muito menos como pretexto para ensinar conteúdo. Ela é um amplo campo de estudos que exige do professor conhecimentos para saber adequar os livros às suas crianças, gerando um momento propício de prazer e estimulação para leitura, constatou-se que para que isso se torne realidade é preciso a utilização de metodologias diversificadas e muito criativas.

Finalizando e ressaltando a importância da Literatura Infantil, ficou claro que ela apresenta um quadro no qual precisa ser aperfeiçoada por todos para que compreendam o porquê e o para que das coisas no mundo. Dificilmente será entendida a importância das relações sociais mais abertas, se não partir do início com a criança o estudo da Literatura no qual desperta interesse para um caminho de conhecimentos.



Terminando, utilizo as palavras de Paulo Freire (1994), o qual argumenta que toda prática de alfabetização é uma prática conscientizadora que permite ao sujeito, por meio da leitura do mundo e da palavra, ir paulatinamente transformando sua consciência ingênua em consciência crítica e ainda deixa claro que não basta ler e escrever, mas é necessário ter uma concepção crítica sobre o mundo em que vivemos.
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Universitári@ - Revista Científica do Unisalesiano – Lins – SP, ano 5, n.11, jul/dez de 2014


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