Capítulo 1 – As fronteiras do paraíso As paisagens literárias



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O entre-lugar, uma metáfora produtiva

A partir de que lugar, então, é possível a retomada do diálogo entre os conceitos centro e margem, que os recoloque para expressar mais que posições enunciativas, privilégios epistemológicos ou diferenças inassimiláveis; que os faça reaver sua unidade e sua diversidade dentro do mesmo espaço de argumentação, assegurando que a distância opere como mediador da negatividade entre eles ao evitar a anulação recíproca de seus termos, sem se tornar, no entanto, estrutura de controle e poder?! Um espaço, um lugar apropriado de promoção e não de contenção do antagonismo que coloque em rotação os termos contrários, tornando possível o movimento que assinale na direção de uma síntese realmente dialética, não redutível, no entanto, aos caprichos da ideologia; um lugar, enfim, em que o limite se transmute em fronteira e passe a designar um espaço de transição conceitual, pautado por um "permanente vir-a-ser" e uma "ausência pulsante".77

Uma imagem presente nos relatos do alto da serra peruana, a do pongo, um indígena que trabalha no interior das grandes fazendas, pode dar a medida do nome que se busca dar a esse lugar. No conto quechua "El sueño del pongo", publicado por Arguedas em 1965, um pongo franzino é constantemente humilhado pelo patrão na frente de outras pessoas e dos próprios criados domésticos, o que o relegava ao desprezo de todos, uma vez que até entre os serventes se distinguiam relações de prestígio. Mas com ele era diferente, pois ao fazer-se imitar animais, ou receber tapas no rosto e na cabeça, tinha sua esquecida condição humana rebaixada ao último lugar na hierarquia social ali vigente. Sempre servil, obedecia a tudo com um silêncio consternador, o que levou ao estupor geral quando, um dia, dirigiu a palavra ao patrão, dizendo que queria contar um sonho. Neste, os dois, patrão e pongo morreram e se encontraram na frente de São Francisco, que após olhar bem dentro de cada um deles e examinar seu coração, determinou o seguinte: que viesse um anjo alto e formoso, seguido por outro menor, mas de igual formosura, trazendo nas mãos uma taça de ouro cheia de mel, e com ela lambuzasse suavemente o corpo do patrão. De igual modo, que viesse o anjo mais comum, sem nenhum atributo especial, trazendo uma lata cheia de fezes e com ela fizesse o mesmo com o corpo do pongo, porém sem dispensar muitos cuidados; findo o que, disse o Santo, após observá-los novamente, que cada qual começasse a lamber o corpo do outro, devagar e por um longo tempo, ordenando ao anjo velho, que nesse momento rejuvenescia, para vigiar que sua ordem se cumprisse integralmente. A intrepidez do pongo ao interpelar a relação que o constituía como inferior só é possível através da linguagem que emana de um lugar específico, situado já não mais na sua condição de explorado, mas num espaço intermédio, um território livre imaginado pela ação ousada e criativa da palavra que se enuncia com os dizeres do outro, devolvendo a essa mesma palavra sua perdida referência satírica. O imponderável do conto resulta não do apagamento da diferença que mediava entre patrão e pongo, mas da sua apropriação como ponto de partida para sua posterior diluição em uma nova categoria, que reponha a humanidade como princípio reitor entre eles.

O "entre-lugar", antevisto por Silviano Santiago como o local ocupado pelo intelectual latino-americano frente à cultura dos países centrais,78 fornece uma metáfora produtiva desse espaço de mediação, desde que tomado em sua perspectiva lúdico-sensual. A vocação militante do artigo de Santiago, manifesta no uso de verbetes que remetem a batalhas ("combater", "agredir", "afrontar") ou denotam táticas pejorativas ("desvio", "contaminação", "agressão"), deve ser entendida a partir do contexto em que o texto aparece. Era a época da luta contra a ditadura militar e o trabalho intelectual vivia entre as trincheiras da resistência. Passadas mais de quatro décadas de seu aparecimento, em virtude da extemporaneidade das condições que condicionaram sua publicação, já não se encontra na realidade brasileira o maniqueísmo que regia as relações sociais e políticas daquela época; por outro lado, nesse período aumentou exponencialmente o trânsito internacional de intelectuais latino-americanos, o que promoveu uma mudança radical na configuração global do conhecimento.



Tomado em sua acepção de jogo e prazer, o entre-lugar retoma seu rendimento teórico, pois oferece ao criador latino-americano o que sempre lhe foi negado, que são os elementos que a lógica desses conceitos abriga: o acaso e a dispersão. Suplementando o que diz Santiago, já que nenhuma leitura é inocente, nem a do europeu, nem a do latino-americano, daqui em diante toda leitura o será. A inocência interpela a distância instituída como regra de acesso à liberdade criadora e libera o ritual antropófago dos porões da clandestinidade para as luzes da sala de jantar. Assim, o entre-lugar retoma o diálogo entre centro e periferia, reescrevendo o continente no Ocidente noutra ordem histórica, a da troca, que não pergunta pela origem por saber que ela circula por toda parte, como aquilo que não diz seu nome, e entende a apropriação não como desfalque, mas como a possibilidade das recombinações infinitas proporcionadas pelos jogos de azar, tão necessária à criação artística. Dessa maneira, o entre-lugar subscreve uma nova ordem conceitual que entende a travessia não apenas como um ponto intermédio entre uma saída e uma chegada, mas como o lugar do experimento, da renovação de caminhos, tão necessários para crítica literária e cultural que se pratica no continente latino-americano.

1 RULFO, 1999, p. 39.

2 RULFO, 1999, p. 40.

3 Movimento que o próprio livro de Rulfo espelha de maneira direta, pois sua temática principal, a morte, se torna expressão do progressivo esvaziamento do campo como função da ausência de vida, já que as personagens ou morrem ou migram para as cidades grandes. É necessário recordar que no momento da publicação de seu livro um novo ciclo de modernização está redesenhando o país, promovendo uma migração massiva do campo para a cidade em escala nunca vista até então. (AGUINAGA, 1999)

4 No caso mexicano, a acima citada novela da revolução. Ver RAMA, 1989.

5 RULFO, 1999, p. 40.

6 Ver MONTE ALTO, 1999, p. 128-131.

7 NEBRIJA, 1992, p. 99.

8 MIGNOLO, 1995, p. 24.

9


 RIBEIRO, 1992, p. 66.

10 RIBEIRO, 1992, p. 67.

11 RIBEIRO, 1992, p. 71.

12 LINS, 1996, p. 181.

13 BANDEIRA, 1998, p. 22.

14 BANDEIRA, 1998; LINS, 1996.

15 Ver o caso específico da disputa em torno da posse da cidade de Colônia de Sacramento, em BANDEIRA, 1998, capítulos 1, 2 e 3.

16 LINS, 1996, p. 188.

17 Toda essa querela acerca da possessão das terras descobertas talvez possa ser um indício, ou até mesmo causa, da distância que mantiveram entre si a América de fala portuguesa e a de fala hispânica. Logicamente que outras razões, como a extensão do território, o tipo de colonização definida pelas coroas e as diferentes opções de matrizes civilizatórias feitas a partir de sua independência, serão igualmente marcantes nesse processo, mas a disputa territorial será sempre um marco presente nessa questão.

18 Reclamos que eram feitos através das hoje conhecidas cartas indígenas ou dos Memoriales, segundo LIENHARD, 1991, p. 48-52. Falar em América na época da Conquista implica pensar em três grandes áreas densamente habitadas: a mesoamérica, a área andina e a costa brasileira, com suas respectivas tribos principais, os mexicas ou astecas, os incas e os tupis-guaranis. Em geral, no período anterior à Conquista não existia, entre os grupos indígenas, o estatuto da posse privada da terra, que respondia por seu uso social e coletivo. Para o caso mexicano, ver LHUILLIER, 1991 e LEÓN-PORTILLA, 1998; para o caso andino, ver SALCAMAYGUA, 1993 e MURRA, 1998; e para o caso brasileiro, ver HEMMING, 1998 e HOLANDA, 2000.

19 CORNEJO POLAR, 2000.

20 CORNEJO POLAR, 2000, p. 237.

21 Ver uma relação detalhada desses textos em MIGNOLO, 1992; também em LIENHARD, 1991, capítulo II.

22 LIENHARD, 1991, Capítulo I.

23 O requerimiento, as capitulaciones e o repartimiento serão, desde já, os documentos regedores da Conquista e dos primeiros anos da colonização espanhola, fase que se conhece como "período insular" do descobrimento (Elliot 1998), ao passo que no Brasil o serão a carta de doação das capitanias hereditárias e o foral, emitidos pela coroa portuguesa aos colonos. (Johnson 1998)

24 LIENHARD, 1991, p. 24. No capítulo em que trata da invenção das letras, Elio Antonio de Nebrija, autor da Gramática de la lengua castellana, publicada em 1492, afirma que elas foram inventadas primeiro "para nuestra memoria: despues para que por ellas pudiessemos hablar con los abseutes [absentes] los que están por venir; prossegue com sua definição, relacionado-a com a voz: "de manera que no es otra cosa la letra: sino figura por la cual se representa la boz." NEBRIJA, 1992, p. 121.

25 COLÓN, 1995, p. 228. Como prova dessa violência que a escrita desata no novo continente, Lienhard relaciona a prática dos proprietários de escreverem seus nomes no próprio rosto dos índios, denunciada na Historia de los indios de la Nueva España, de Frei Toribio de Motolínia, escrito por volta de 1541, bem como o desejo manifestado pelo Padre Manuel da Nóbrega de "escrever à vontade" na alma dos indígenas, já que sua alma era como "papel branco". (LIENHARD, 1991, p. 24, 25) Também Caminha faz uso da expressão "imprimir", ao se referir à simplicidade dos índios em sua Carta. (RIBEIRO, 1992, p. 90)

26 MIGNOLO, 1995.

27 Colombo sabe que "a nomeação (...) equivale a tomar posse." TODOROV, 1991, p. 27

28 NEBRIJA, 1992, p. 107.

29 COLÓN, 1995, p. 221, 222.

30 RIBEIRO, 1992, p. 89-91.

31 MIGNOLO, 1995, p. 17.

32 ROA BASTOS, 1992, p.331.

33 FUENTES, 1992.

34 BROTHERSTON, 1993.

35 NEBRIJA, 1992, 107, 109.

36 RIBEIRO, 1992, p. 101-106.

37 RIBEIRO, 1992, p. 103.

38 Reconhecimento que virá em dois documentos célebres: a Cosmographiae Introductio, publicada em 1507 pela Academia de Saint-Dié, e o mapa-múndi de Waldeseemüller, de mesma data, cuja finalidade era ilustrá-la. O'GORMAN, 1992, p. 174-179.

39 O'GORMAN, 1992, p. 21.

40 A primeira, a do descobrimento "intencional", sustentava que o Almirante agiu impulsionado por um mandato divino; a segunda, a tese do descobrimento "natural", afirmava a incidência da história, já como ente associado ao progresso da espécie humana, sobre quaisquer intencionalidades individuais; e a terceira, a tese do descobrimento "casual", postulava que apesar de todos os equívocos, o que realmente fez Colombo foi encontrar ou descobrir casualmente o continente americano. Ver "História e crítica da idéia do descobrimento da América", em O'GORMAN, 1992, p. 23-68.

41 MIGNOLO, 2002.

42 SANTIAGO, 1982. Mignolo chama a esse momento de inscrição de o segundo grande relato do Ocidentalismo, que localiza o novo mundo no tempo e na história, bem como seus habitantes, que deixam de ser selvagens para tornarem-se "primitivos". MIGNOLO, 2002, p. 855.

43 SANTIAGO, 2000, p. 16.

44 Em Antonio Candido, esse processo receberá o nome de "incorporação à civilização do Ocidente". CANDIDO, 1997, p. 281.

45 MORSE, 2000, p. 21-36.

46 Lúcia Lippi Oliveira registra a polêmica sobre o assunto que teve lugar nas páginas da Revista Novos Estudos CEBRAP, entre Richard Morse e Simon Schwartzman, no artigo "Iberismo e Americanismo. Um livro em questão". Ver OLIVEIRA, 2000.

47 Lúcia Lippi revela que apesar da oposição às teses de Morse, Schwartzman está de acordo em que alguns valores ocidentais não foram incorporados pelo continente latino-americano, por "impedimentos de ordem política configurados no padrão contraditório da colonização que perduram até hoje".

48 MORSE, 2000, p. 115-137.

49 RAMA, 1993, p. 61.

50 TODOROV, 1991, p. 6.

51 As "idéias fora de lugar" de Roberto Schwarz dão a medida justa desse pensamento.

52 SANTIAGO, 2000, p. 17.

53 FANON, 1991, p. 18.

54 Discurso que terá seu ápice na filosofia da história elaborada por Hegel. Ver LIMA VAZ, 1982.

55 "Que haverá de mais tolo do que querer continuamente carregar um fardo que a todo instante se pretende lançar fora; ter horror a si mesmo, mas viver agarrado a si mesmo; acariciar, afinal, a serpente que nos devora, até que nos tenha comido o coração?" VOLTAIRE, 1964, p. 53.

56 Apesar do pensamento sobre a dependência ser do final do século 19, este trabalho procurou esboçar uma crítica à dependência tomando o conceito tal como foi formulado no âmbito das ciências sociais, no final dos anos 60 e começo dos 70.

57 CARDOSO, 1971, p. 32.

58 Se não como um prognóstico, seguramente a tese de Weffort já augurava o enfraquecimento do atual Estado-Nação como mediador das questões pendentes do problema nacional, pois não estaria capacitado a oferecer um "princípio de entendimento da sociedade, como conjunto." WEFFORT, 1971, p. 13.

59 Segundo Roberto Schwarz, esta perspectiva do ensaio de Oliveira, de que "a pobreza a sua superação eram a nossa chance histórica", revelava o desejo de uma "consciência inclusiva, por oposição à excludente", o que o aproxima dos postulados de Celso Furtado, do Cinema Novo e da própria teoria da dependência. Ver SCHWARZ, 2003.

60 OLIVEIRA, 1972, p. 33.

61 OLIVEIRA, 1972, p. 43. Ainda que esse período de crise, compreendido entre os anos 30 e o final de segunda guerra mundial, que é quando os países reorganizam definitivamente o sistema capitalista internacional, preservando em seu centro o núcleo dos países então considerados desenvolvidos, tenha sido breve, foi seguramente a maior oportunidade que o país desperdiçou, ao longo de sua história republicana, de construir um novo modelo de integração nacional que incorporasse de fato todos os segmentos sociais.

62 OLIVEIRA, 1972, p. 40.

63 É importante ressaltar que outra periferia se cria detrás dessa periferia, que se formam naquelas áreas esquecidas, em parte ou na sua totalidade, pelos ciclos modernizantes. Não nos esquecemos, é óbvio, que após Breton Woods, um novo conceito de periferia vai reger as relações entre os países ditos desenvolvidos e os não desenvolvidos, que doravante passarão a ser chamados de subdesenvolvidos, cujo objetivo maior é manter essa equivalência na divisão internacional do trabalho capitalista, criando inclusive uma escala que dividirá as regiões do planeta em primeiro, segundo e terceiro mundo.

64 Curiosamente publicado em 1973 não num caderno de crítica literária, mas na mesma revista em que publicaram seus textos Cardoso, Weffort e Oliveira, os Estudos Cebrap, uma publicação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, de temática econômica com orientação marxista "não dogmática", segundo o próprio Schwarz.

65 Tanto a anexação, como entrada forçada ao Ocidente, como o pertencimento, expressão de um direito natural, sustentam a diferença como uma impossibilidade: a primeira como resultado da negação empregada na violência do método utilizado, e a segunda, por submergi-la nas categorias de progresso que a identificam como o seu avesso, o atraso. Das duas posições, resulta a distância irredutível que encontra na dependência sua expressão natural e na margem seu local de exclusão.

66 CANDIDO, 1995.

67 REALE e ANTISERI, 1990, p. 108.

68 Termo que aparece em Roberto Fernández Retamar pela primeira vez e terá em Mignolo seu delineador dentro do campo pós-colonial. Ver RETAMAR, 1995; MIGNOLO, 2002 e MIGNOLO, 2003.

69 MIGNOLO, 2002, p. 857.

70 A disposição de Mignolo de encontrar na dependência um discurso pós-ocidentalista, como resposta à nova ofensiva ocidentalizante que passa a responder pelo nome de desenvolvimentismo, parece atender à necessidade de registro da ocorrência de um pensamento original que se projeta desde o terceiro até o primeiro mundo, como alternativa epistemológica. Ao longo de sua argumentação, o crítico argentino sustenta certa ambigüidade em relação à distância: por um lado, ele recomenda a sua derrogação como passo necessário para promoção de novas formas de conhecimento que abriguem os variados sujeitos descortinados pela exaustão da modernidade; mas, por outro, mantém a distância como uma das garantias dos discursos dos intelectuais latino-americanos trans-nacionalizados, que foram trabalhar nos países centrais e se colocam como mediadores naturais entre o que se produz fora e dentro do continente latino-americano (ainda que tanto Mignolo como todos estes outros intelectuais sustentem a necessidade de ruptura com a divisão moderna do trabalho intelectual que torna a periferia um lugar impossível de teorizar). Ver na leitura de Julio Ramos sobre o latino-americanismo vernáculo e os estudos latino-americanistas metropolitanos (RAMOS, 2002, p. 223-226), uma justificativa historicamente fundada da importância da distância na produção do conhecimento crítico sobre o continente. Também Cornejo Polar e Nelly Richard abordam o tema da distância em artigos em que discutem a produção dominante da crítica latino-americanista em língua inglesa, salientando os problemas que essa prática coloca para o fazer crítico na e sobre a América Latina. Ver CORNEJO POLAR, 2002 e RICHARD, 2002.

71 Ver o "O nacional e o popular em Antonio Candido e Jorge Luis Borges", em MOREIRAS, 2001, p. 197-220; também o Manifiesto inaugural do Grupo Latinoamericano de Estudos Subalternos, 2000.

72 Manifiesto inaugural, p. 4

73 O que confirmam as palavras de Román de la Campa, em artigo sobre o estudos culturais latino-americanos: "Es tangible que el proyecto de estudios subalternos latinoamericanistas, en su mayor parte, intenta sacar la deconstrucción del academicismo apolítico literario, y llevarla a una nueva izquierda teórica. Pero no siempre lo logra y en la mayor parte de las veces se avecina considerablemente al mismo esquema que quisiera negar. El ejemplo más importante quizá se encuentre en el reiterado desmonte de la modernidad literaria latinoamericana que subyace en casi todas las propuestas subalternas y poscoloniales. (...) El desmonte resultante sólo concibe esta larga historia en términos de partes execrables de una gran totalidad fallida, definible como sociedad criolla, sin mayores deslindes en cuanto a momentos históricos, políticos y literarios." DE LA CAMPA, 2002, p. 98.

74 MOREIRAS, 2001, p. 206, 207.

75 Esta reflexão tem em mira a discussão de Mignolo sobre a teoria (MIGNOLO, 2003, p. 156-161), mas entende que exatos 32 anos atrás ela foi proposta, e melhor resolvida, por Silviano Santiago em seu artigo sobre o entre-lugar do intelectual latino-americano.

76 BEVERLEY, 1989, p. 177. A reivindicação de Beverley é justa na medida em que se entenda a literatura como um campo de batalha onde se travam lutas simbólicas pela representação, que em última instância se traduzem como lutas de poder, mas perde consistência quando defende a apropriação da literatura como matéria para a expressão de grupos ou classes sociais marginalizados. Há aqui uma diferença a ser explorada.

77 Ver "Fronteiras e limites. A distância e o contato" em HISSA, 2002, p. 34-45.

78 SANTIAGO, 2000.



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