CaracterizaçÃo de argamassas para assentamento e revestimento utilizadas em um conjunto habitacional de interesse social no estado da paraíBA



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CARACTERIZAÇÃO DE ARGAMASSAS PARA ASSENTAMENTO E REVESTIMENTO UTILIZADAS EM UM CONJUNTO HABITACIONAL DE INTERESSE SOCIAL NO ESTADO DA PARAÍBA

L. M. C. de Souza, B. S. Lira, G. A. Neves, N. F. C. Nascimento, M. E. A. Carreiro

J.B.Q de Carvalho

Av. Engenheiro José Celino Filho, 95,CEP 58407- 664. loredannamcs@gmail.com

Laboratório de Reciclagem, Departamento de Engenharia de Materiais, Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande/PB, Brasil.

RESUMO
Os conjuntos habitacionais de interesse social recentemente construídos na Paraíba estão sendo alvo de críticas quanto ao desempenho das edificações, especialmente quanto ao surgimento de patologias em argamassas. A argamassa é de fundamental importância na construção desses conjuntos e o mau desempenho pode ter como consequência defeitos na estrutura e nos acabamentos. Com base nisto, esse trabalho objetiva analisar as argamassas utilizadas para revestimento e assentamento em determinado conjunto habitacional localizado na cidade de Campina Grande na Paraíba, assim como comparar os resultados obtidos com as recomendações normativas da ABNT, para isso o material foi submetido aos ensaios de resistência à compressão, densidade no estado endurecido, índice de vazios, absorção de água, densidade no estado fresco, retenção de água e teor de ar incorporado. Os resultados obtidos foram comparados aos requisitos da NBR 13281:2005.
Palavras-chave: argamassa, conjunto habitacional, patologias, desempenho.
INTRODUÇÃO
Devido a grande quantidade de cidadãos sem moradias encontrados no Brasil, várias empresas estão construindo habitações voltadas para população de baixa renda, a rapidez dessas construções com o menor gasto possível, a não preocupação com os materiais utilizados e a falta de manutenção preventiva, acarretam o surgimento de patologias. Algumas dessas patologias são geradas nas argamassas utilizadas nas construções dos conjuntos habitacionais. Argamassas que são de fundamental importância para a construção desses conjuntos, e seu mau desempenho pode acarretar em fissuração, infiltração, corrosão na armadura, ou ate mesmo desprendimento do reboco. O surgimento desses problemas nas construções prejudica o desempenho das edificações especialmente quanto à habitabilidade, conforto, segurança e estética. Este artigo tem como objetivo apresentar uma análise das argamassas utilizadas no revestimento e no assentamento do conjunto habitacional estudado, assim como uma análise comparativa com as recomendações normativas da ABNT.

MATERIAIS E MÉTODOS
Materiais
O conjunto habitacional estudado é localizado na cidade de Campina Grande, PB.

Foram analisadas argamassas referentes ao reboco, chapisco e alvenaria.

Para a Alvenaria a composição foi utilizada uma proporção de 1:4 de Cimento Pozolânico ITA CP IV – 32 RS e massame, passado em peneira de abertura 0.6 mm de acordo com as especificações normativas da ABNT, respectivamente. Para o Chapisco estudado a proporção utilizada foi 1:4 composta por Cimento Pozolânico ITA CP IV – 32 RS e areia lavada, passada em peneira de abertura 4.8 mm de acordo com de acordo com as especificações normativas da ABNT, respectivamente. Enquanto para o Reboco a proporção relativa foi de 1:4:4 composto por Cimento Pozolânico ITA CP IV – 32 RS, Reboncal (plastificante para reboco e alvenaria) e areia lavada, passada em peneira de abertura 4.8 mm de acordo com as especificações normativas da ABNT, respectivamente.
Métodos
Para caracterização das argamassas de assentamento e revestimento estudadas foram realizados os seguintes ensaios: determinação da resistência à compressão (NBR 13279:1995); determinação da densidade de massa aparente no estado endurecido (NBR 13280:1995); determinação da retenção de água (NBR 13277:2005); determinação da densidade de massa e do teor de ar incorporado (NBR 13278:1995) e a determinação da absorção de água, índice de vazios e massa específica (NBR 9778:2005).
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A Fig. 1 apresenta os resultados obtidos no ensaio de resistência à compressão das argamassas estudadas. Observa-se que houve um aumento da resistência com o passar do tempo, (1)Neville (1982) explica este comportamento através do endurecimento da pasta de cimento, quanto mais lentamente se forma essa estrutura maior será a resistência final.

Fig. 1 - Resistência à compressão das argamassas.
De acordo com a (2)NBR 13281:2005 as argamassas atendem aos limites mínimos exigidos com relação ao quesito resistência à compressão com cura aos 28 dias. Sendo classificadas em P4, referentes à alvenaria e o chapisco, e P2, referente ao reboco.

A Fig. 2 apresenta os resultados obtidos pelo ensaio de determinação da densidade no estado endurecido. As argamassas apresentaram valores significativos de densidade aparente, os resultados encontrados permaneceram dentro dos limites especificados pela norma (2)NBR 13281:2005, sendo o chapisco e a alvenaria classificados em M5 e o reboco classificado em M4. Através do gráfico pode-se constatar que a adição de cal a argamassa diminui a densidade da mesma, visto que a densidade do reboco, único que possuía cal em sua composição, foi significativamente menor do que as densidades do chapisco e da alvenaria. De acordo com (3)Silva (2006) com a presença da cal na composição da argamassa, há um aumento no índice de vazios e na absorção de água no estado endurecido, consequência da perda de água que ficou adsorvida às partículas no estado fresco, ocasionando a redução da densidade de massa no estado endurecido.



Fig. 2 – Densidade no estado endurecido das argamassas.
A Fig. 3 mostra os resultados obtidos com relação ao ensaio de índice de vazios nas argamassas. O gráfico mostra a redução dos vazios presentes nas argamassas com o passar do tempo. A densidade de massa no estado endurecido e o índice de vazios possuem comportamentos inversamente proporcionais, isso pode ser comprovado através da comparação entre o gráfico da Fig. 2, citado acima, e o gráfico da Fig. 3.

Fig. 3 - Índice de vazios das argamassas.
O resultado do ensaio de absorção de água é apresentado abaixo, no gráfico da Fig. 4, através do gráfico pode-se observar uma leve diminuição na quantidade de água absorvida pelo chapisco e pela alvenaria com o passar do tempo. Um comportamento inverso foi observado para o reboco devido à presença da cal em sua composição. Como explicado anteriormente por (3)Silva (2006), a presença da cal acarreta em um aumento do índice de vazios e consequentemente da absorção de água.


Fig. 4 - Absorção de água das argamassas.
O ensaio de retenção de água das argamassas apresentou resultados significativamente altos, atingindo pouco menos 100% de retenção, podendo ser observado no gráfico da Fig. 5. Devido à alta retenção de água pelas argamassas, chegando aos limites de retenção, a norma (2)NBR 13281:2005 classifica as mesmas como U6. (3)Silva (2006) comenta em seu trabalho sobre a retenção de água da argamassa, que diminui os efeitos negativos de uma secagem acelerada, evitando a retração da mesma.

Fig. 5 – Retenção de água das argamassas.
Através da Fig. 6 podem-se observar os resultados do ensaio de teor de ar incorporado presente nas argamassas, que se apresentou em maior porcentagem na alvenaria, provavelmente devido a areia utilizada na composição da mesma, que difere da areia usada pelas outras duas argamassas por possuir menor granulometria. Pode-se concluir que o teor de ar incorporado pode ser influenciado pelos agregados usados nas argamassas. (4)Mattos et. al (2002) explica que o teor de ar incorporado tem grande influencia na trabalhabilidade das argamassas, quanto maior o ar incorporado, maior é a trabalhabilidade da argamassa, mas em excesso, pode reduzir a resistência de aderência dos revestimentos.

Fig. 6 – Teor de ar incorporado das argamassas.
Na Fig. 7 são apresentados os resultados do ensaio de densidade de massa no estado fresco das argamassas estudadas. A densidade no estado fresco foi menor no reboco, comparado à alvenaria e ao chapisco. Este fato pode ser explicado pela presença de cal na composição do reboco, como explicado acima nos resultados de densidade no estado endurecido e no ensaio de índice de vazios.

Fig. 7 – Densidade de massa no estado fresco das argamassas.
Para o requisito de densidade de massa no estado fresco a norma (2)NBR 13281:2005 classifica em D5 as argamassas estudadas.
CONCLUSÕES
Baseado nos ensaios realizados pode-se concluir que as argamassas apresentaram resultados conforme as especificações da norma (2)NBR 13281:2005 e são de boa qualidade.

Os resultados do ensaio de resistência à compressão aos 28 dias, assim como o ensaio de densidade de massa aparente no estado endurecido se enquadraram nas especificações norma citada acima. Os resultados do índice de vazios embora existam uma grande variação, são satisfatórios, e não interferem no desempenho da argamassa; no ensaio de absorção de água verificaram-se valores significativos, porém aceitáveis. Os resultados do ensaio de retenção de água, como também, os resultados obtidos no ensaio de densidade no estado fresco apresentaram valores dentro dos requisitos estabelecidos pela norma estudada. O ensaio de teor de ar incorporado apresenta baixas porcentagens de ar nas argamassas.


REFERÊNCIAS

(1) Neville, A. C. Propriedades do concreto. São Paulo: PINI, 1982.

(2) NBR 13281: Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – Requisitos. Rio de Janeiro, 2005.

(3) Silva, N. G. Argamassa de Revestimento de Cimento, Cal e Areia Britada de Rocha Calcária. 2006, 43p - 67p.. Dissertação (Mestrado em Construção Civil – Civil) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

(4) Mattos, L.R.S.; Molin, D.C.C.D.; Carneiro, A.M.P. Caracterização das argamassas para revestimento externo utilizada em Belém/PA (Brasil): estudo do comportamento no estado fresco. 2002.

(5) NBR 13279: Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – determinação de resistência à compressão. Rio de Janeiro, 1995.

(6) NBR 13280: Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – determinação da densidade de massa aparente no estado endurecido. Rio de Janeiro, 1995.

(7) NBR 13278: Argamassa para assentamento de paredes e revestimento de paredes e tetos – determinação da densidade de massa e do teor de ar incorporado. Rio de Janeiro, 1995.

(8) NBR 9778: argamassa e concreto endurecidos - determinação da absorção de água, índice de vazios e massa específica. Rio de Janeiro, 2005.

(9) NBR 13277: Argamassa para assentamento e revestimento de paredes e tetos - Determinação da retenção de água. Rio de Janeiro, 1995.


CHARACTERIZATION OF MORTARS FOR COATING AND SEATING USED IN A HOUSING COMPLEX OF SOCIAL INTEREST IN THE STATE OF PARAÍBA
ABSTRACT

The housing complexes of social interest recently built in Paraíba are being the target of criticism as to the performance of the buildings, especially as to the appearance of pathologies in the mortars. The mortar is of fundamental importance in the construction of these complexes and its poor performance can lead to defects in the structure and its workmenships. Based on that, this study aims to analyze the mortars used for coating and seating in a determined housing complex located in the city of Campina Grande in Paraíba, as well as compare the results obtained with the standard recommendations of ABNT, to do so the material was submitted to tests of compressive strength, specific gravity in the hardened stage, water absorption, voids, specific gravity in the fresh stage, water retentivity and air entrained content in the fresh stage. The results obtained were compared to the requirements of the NBR 13281:2005.



Key-words: Mortars, housing complex, pathologies, performance.

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