CaracterizaçÃo geotécnica de uma encosta de pomerode visando a análise de estabilidade



Baixar 13.62 Kb.
Encontro06.02.2018
Tamanho13.62 Kb.

CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA DE UMA ENCOSTA EM POMERODE – SANTA CATARINA VISANDO A ANÁLISE DE ESTABILIDADE
Vinícius Webber; Dra. Regina Davidson Dias (Orientadora); Prof. Murilo Espíndola.

INTRODUÇÃO


Os deslizamentos de encostas tem sido tema de constantes estudos, visto que estão associados a desastres naturais. Estes geram prejuízos sociais e econômicos, e ocorrem geralmente devido a saturação do solo decorrente de fortes e constantes períodos de chuvas. Estes estudos têm por objetivo fornecer suporte técnico aos órgãos governamentais e aos profissionais em geral, buscando-se evitar que áreas de risco sejam habitadas, reduzindo prejuízos econômicos, sociais, reduzindo transtornos em vias bloqueadas, mas principalmente poupando vítimas. A bacia do rio Itajaí, localizada ao norte de Santa Catarina, é um local onde historicamente se tem registros de deslizamento de encostas e enchentes. Em Novembro de 2008 ocorreram os últimos grandes acontecimentos da região, sendo este um caso histórico, com inúmeras vítimas e prejuízos sócio-econômicos inestimáveis. A região de estudos está situada às margens da rodovia SC416, entre Pomerode e Rio dos Cedros, no alto vale do Itajaí. Esta rodovia possui um histórico significativo de interrupções decorrentes de deslizamentos de encostas, sendo objetivo principal desta pesquisa a caracterização geotécnica da área de estudo com o intuito de se entender e propor suporte técnico para execução de métodos para redução dos processos de instabilidade.

Palavras-chave: Estabilidade de encostas; Resistência ao cisalhamento dos solos; Vale do Itajaí.


MÉTODOS
A coleta do solo na encosta foi realizada através da extração de um bloco de amostra indeformada, de acordo com os procedimentos estabelecidos pela Norma XXXX do DNIT. Procurou-se manter as propriedades físicas do solo da encosta estudada, sendo que posteriormente foram coletadas novas amostras com o auxílio anéis de PVC para utilização em ensaios de caracterização, segundo a metodolodia MCT. Parte do solo coletado foi seco ao ar para utilização nos ensaios de caracterização, sendo que as amostras utilizadas na determinação dos parâmetros de resistência ao cisalhamento foram retiradas do bloco indeformado, e posteriormente ensaiadas através do equipamento de cisalhamento direto do Laboratório de Materiais da Universidade dos Sul de Santa Catarina. Os ensaios de caracterização do solo foram análises granulométricas, sedimentação, limites de Atterberg, densidade real das partículas, MCT, umidade higroscópica, compactação e CBR. O laboratório de materiais da UNISUL possui os equipamentos necessários para a pesquisa. Os parâmetros de resistência foram determinados através do ensaio de cisalhamento direto, em corpos de prova com 36 cm2. As tensões normais utilizadas foram 12,5kPa, 25kPa, 50kPa, 100kPa, 150kPa e 200kPa para as amostras inundadas, e 25kPa, 50 kPa, 100 kPa, 200 kPa e 400 kPa para as amostras não inundadas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os ensaios de caracterização, de acordo com a classificação HRB, foram classificados como A-7-5, e apresentaram índice de grupo igual a 19,6.

A análise granulométrica com sedimentação indicou a presença de 0,41% de pedregulhos, 0,33% de areias grossas, 7,29% de areias médias, 8,14% de areias finas, 46,95% de siltes e 36,89% de argilas. Desta forma, foi verificado que o solo estudado é composto basicamente por material fino, sendo este correspondente a 91,98% da massa de sólidos do solo.

Os limites de consistência obtidos foram WL:70,9%, WP:41,8% e IP:29,1%. Aplicando-se estes valores na carta de plasticidade de Casagrande, conforme a Figura 1, foram caracterizados os solos como siltes muito compressíveis.

Figura 1 – Carta de plasticidade de Casagrande.

Fonte: Modificada de Vargas (1978).

Pelo ensaio de classificação MCT, o solo é classificado como Siltes Cauliníticos e Micáceos, Siltes Arenosos e Siltes Argilosos.

A compactação feita com Proctor Normal apresentou resultado de densidade máxima de 14,34 kN/m2 e umidade ótima de 22%. O ensaio de Índice de Suporte Califórnia, utilizando como energia Proctor Normal, apresentou CBR de 5% e expansão de 5,3%. A resistência axial do solo sem cal foi de 0,8 MPa e com adição de cal foi de 2,45 MPa.

Resultados Ensaio de Cisalhamento Direto (Figuras 2 e 3):



Figura 2


Figura 3
CONCLUSÕES
Os ensaios de caracterização indicaram a presença de siltes muito compressíveis na área de estudos, sendo que os ensaios de expansão indicaram valores da ordem 5%. Os parâmetros de resistência ao cisalhamento apresentaram uma redução na coesão do solo quando inundado de 34 kPa.

De uma forma geral, é possível dizer que os solos estudados apresentam características ímpares, e que o estudo dos solos tropicais catarinenses deve ser contínuo, uma vez que a negligência no estudo de encostas pode acarretar em sérios problemas sócio-econômicos e de desenvolvimento da região da bacia do rio Itajaí.


REFERÊNCIAS
DAVISON DIAS, R. Aplicação de Pedologia e Geotecnia no Projeto de Fundações de Linhas de Transmissão. Tese de Doutorado em Engenharia – Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Rio de Janeiro, RJ, 1987, 309p.
HIGASHI, R.A.R. Metodologia de Uso e Ocupação dos Solos de Cidades Costeiras Brasileiras Através de SIG com Base no Comportamento Geotécnico e Ambiental. Tese (Doutorado em Engenharia Civil – Área de Concentração: Infra-Estrutura e Gerência Viária) Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Universidade Federal de Santa Catarina. 486p. 2006.

Compartilhe com seus amigos:


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal