Caro Adilson



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CONTRIBUIÇÕES DA ABECE À REVISÃO DA IT8

O texto apresentado a seguir foi o resultado de um trabalho conjunto entre a ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e a Escola Politécnica da Universidade de são Paulo)




Alterar título

Manter apenas o seguinte título: “Resistência ao fogo dos elementos de construção” eliminando o “Segurança das estruturas das edificações”


JUSTIFICATIVA: a IT8 trata de estruturas e de elementos de compartimentação

Incluir no item 5.5.1 a informação abaixo grifada:

5.5.1 – Aço: Adota-se a NBR-14323 - Dimensionamento de Estruturas de Aço de Edifícios em Situação de Incêndio. Recomenda-se que a temperatura crítica do aço seja tomada como um valor máximo de 550º C para os aços convencionais utilizados em perfis cujo estado limite último à temperatura ambiente não seja o de instabilidade local elástica ou calculada para cada elemento estrutural de acordo com a norma supracitada. Aceita-se também o dimensionamento por meio de ensaios de resistência ao fogo de acordo com NBR-5628.


JUSTIFICATIVA: Salvo demonstrado por meio de cálculo ou análise experimental, os elementos comprimidos de chapas finas não conseguem atingir a plastificação total e, portanto, o redutor de resistência deve ser adequado (menor) a essa situação.

Alterar 5.10.1 (subsolos)

De:


5.10 .1 – Os subsolos das edificações devem ter o TRRF estabelecido em função do TRRF da ocupação a que pertencer, conforme Anexo A, não podendo ser inferior ao TRRF dos pavimentos situados acima do solo.

Para:


5.10.1 Os subsolos das edificações devem ter o TRRF estabelecido em função do TRRF da ocupação a que pertencer, conforme Anexo A. Os TRRF dos elementos estruturais do subsolo, cujo dano possa causar colapso progressivo das estruturas dos pavimentos acima do solo, a critério do engenheiro responsável pelo projeto, não poderão ser inferiores ao TRRF dos pavimentos situados acima do solo.
JUSTIFICATIVA: Em vista de novos sistemas construtivos adotados no Brasil, que são pouco ou nada empregados em outros países, deve-se analisar com cautela as restrições ou concessões referentes a exigências de resistência ao fogo de estruturas, com base em recomendações internacionais, pois a realidade construtiva poderá ser diversa daquela aqui aplicada. Segundo a IT 8, as estruturas do subsolo de um edifício devem ter no mínimo o TRRF dos pavimentos superiores (torre). O estabelecimento do TRRF mínimo do subsolo de um edifício como igual ao da torre deve-se ao fato de que, no passado, era comum o subsolo ser construído apenas na projeção da torre do edifício e, portanto, sua estrutura era suporte de toda a edificação. Atualmente, o crescente e imprescindível uso de automóveis em São Paulo fizeram os estacionamentos, comerciais e residenciais, aumentarem horizontalmente sua área. É comum encontrarem-se estacionamentos em subsolos ocupando áreas muito maiores do que a da projeção da torre. Essa nova concepção implica em que existam elementos das estruturas dos subsolos distantes da projeção das torres, ou separados por juntas ou pertencentes a outros subconjuntos estruturais, cujo colapso não coloca em risco a segurança das estruturas acima do solo. O TRRF desses elementos deve continuar a respeitar o princípio do método descrito na IT N°8, qual seja o de ser estabelecido em função do TRRF da ocupação a que pertencer, mas, deve ser esclarecido que é independente do TRRF dos pavimentos situados acima do solo.

Alterar o item A.5.2 (estruturas secundárias)

De:

A2.5 O TRRF das vigas secundárias, conforme item 5.17 desta instrução, não necessita ser maior que:


a) 60 minutos para as edificações de classes P1 a P4;

b) 90 minutos para as edificações de classe P5.

Para:

A2.5 O TRRF das estruturas secundárias, conforme item 5.16 desta instrução, pode ser reduzido de 30 min em relação aos recomendados no Anexo A ou determinados conforme item 5.3 desta instrução, mantendo-se um valor mínimo de 15 min.


JUSTIFICATIVA: Tornar esse item adequado à realidade brasileira. Devem-se analisar com cautela as restrições ou concessões referentes a exigências de resistência ao fogo de estruturas, com base em recomendações internacionais, pois a realidade construtiva poderá ser diversa daquela aqui aplicada. Poucas são as cidades do mundo em que se constroem tantos edifícios medianamente altos quanto SP e, portanto, exigências além das necessárias conduzirão, devido à escala, a um grande desperdício ou ao seu não-cumprimento. Por exemplo, por que um pilarete de sustentação de um piso de um duplex de um edifício de múltiplos andares deve ter o mesmo TRRF dos pilares responsáveis pela sustentação de todo o edifício?

Alterar os seguintes itens referentes a coberturas

JUSTIFICATIVA: tornar o texto mais claro


- Alterar A2.3

De:


A2.3 Edificações enquadradas nos subitens abaixo estão ISENTAS de TRRF, nas condições do item A2.1, sendo que as áreas indicadas referem-se à área total construída da edificação:

Para:


A2.3 Edificações, incluindo suas coberturas, enquadradas nos subitens abaixo, estão ISENTAS de TRRF, nas condições do item A2.1, sendo que as áreas se referem à à área total construída da edificação:
- Excluir os seguintes itens, substituindo-os pelo A 2.3.12
Item 5.6:

5.6 – Cobertura 5.6.1 - As estruturas das coberturas que não atendam aos requisitos de isenção do Anexo A, devem ter, no mínimo, o mesmo TRRF das estruturas principais da edificação.

Item A 2.3.7

A2.3.7 As coberturas das edificações que atendam aos requisitos abaixo:



  1. não tiverem função de piso;

  2. não forem usadas como rota de fuga;

  3. o seu colapso estrutural não comprometa a estabilidade das paredes externas, e nem a estrutura principal da edificação.

Itens a e b de A 2.3.11.1

A isenção deste item não se aplica:



  1. quando a cobertura da edificação tiver função de piso ou for usada como rota de fuga; e

  2. quando a estrutura considerada, a critério do responsável técnico pelo projeto estrutural, for essencial à estabilidade de um elemento de compartimentação ou isolamento de risco.

- Incluir A 2.3.12

As coberturas das edificações que não estão relacionadas em A2.3 como isentas, estarão isentas quando:

Não tiverem função de piso;

Não forem utilizadas como rota de fuga;

O seu colapso estrutural não comprometer a estabilidade das paredes externas, quando essas forem essenciais para evitar a propagação do fogo entre edificações

- Incluir A 2.3.13

Não estarão isentos os elementos estruturais que forem essenciais à estabilidade de um elemento de compartimentação das edificações térreas. Esses elementos estruturais devem ser dimensionados de forma a não entrar em colapso caso ocorra a ruína da cobertura do edifício do lado afetado pelo incêndio.



Ajustes no Anexo C (método do tempo equivalente)

- Após a expressão para cálculo de “W”, incluir:

Nota:

JUSTIFICATIVA: EUROCODE 1

- Incluir a limitação: qfins  qfi

JUSTIFICATIVA: evitar que haja superposição de valores baixos dos parâmetros envolvidos no cálculo


- Substituir a tabela C3, pela expressão que lhe deu origem:

onde:


A é a área do compartimento em metro

h é a altura da edificação em metro

Para γs1 maior do que 3, adotar γs1 = 3
JUSTIFICATIVA: Excluir as irreais e indesejadas descontinuidades propiciadas pela tabela C3, substituindo-a pela expressão que deu origem à tabela. Isso não alterará o nível de segurança do MTE, como se demonstra a seguir.
Comparação entre os valores de TRRF determinados por meio do método do tempo equivalente, adotando-se γs calculados pela IT 8:2004 e pela proposta da USP.

Exemplo 1 - Edificação de escritórios com compartimento de 500 m2 com mais de 30 m de altura e com W=0,82.



Altura

(m)



IT8

(min)


Proposta USP (min)



30

60

60

30.1

90

90

79.9

90

90

80

90

90




Os valores de TRRF calculados pela proposta USP são iguais aos determinados pela IT 8.

Exemplo 2 - Edificação de escritórios com compartimento de 500 m2 com menos de 30 m de altura e com W = 0,82.



Altura

(m)



IT8

(min)


Proposta USP (min)



0

40

41

3

40

41

5.9

40

42

6

40

42

12

44

43

23

48

45

29.9

60

60

Os valores dos TRRF calculados pela proposta USP são similares aos determinados pela IT. Diferenciam-se, para mais ou para menos, em no máximo 3 min se comparados à IT8. Na prática, isso nada afeta a segurança.

Exemplo 3 - Edificação de escritórios com compartimentação de 2000 m2 com chuveiros automáticos, detecção e brigada contra incêndio e com W = 0,85.




altura

IT8

Proposta

USP




0

22

21

3

25

22

5.9

25

24

6

25

24

6.1

30

30

11.9

30

30

12

30

30

12.1

30

30

22.9

30

30

23

30

30

23.1

60

60

29.9

60

60

30

60

60

30.1

90

90

79.9

90

90

80

90

90




Os valores de TRRF calculados pela proposta USP são similares aos determinados pela IT. Diferenciam-se, para menos, em no máximo 3 min para alturas inferiores a 6 m. Na prática, isso nada afeta a segurança.

Exemplo 4 - Edificação residencial com compartimento de 500 m2, sem qualquer dispositivo de proteção ativa e com W = 1,22.



Altura

(m)



IT8

(min)


Proposta USP (min)



0

25

25

3

25

26

5.9

25

26

6

25

26

6.1

30

30

11.9

30

30

12

30

30

12.1

30

30

22.9

30

30

23

30

30

23.1

60

60

29.9

60

60

30

60

60

30.1

90

90

79.9

90

90

80

90

90


Os valores de TRRF calculados pela proposta USP são similares aos determinados pela IT 8. São maiores do que os recomendados pela IT8 em no máximo 1 min. Na prática, isso nada afeta a segurança.

Referências (somente para a última sugestão)

COSTA, C. N; SILVA, V. P. O método do tempo equivalente para o projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio. In: CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO, 47, 2005, Olinda. Anais… São Paulo: IBRACON, 2005c. Seção 3, p. 154–167.

COSTA, C. N. Dimensionamento de elementos de concreto em situação de incêndio. 2002. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo. (depositada em 2007)

SILVA, V. P.; FAKURY, R. H.; RODRIGUES, F. C.; COSTA, C. N.; PANONNI, F. D. Resistência ao fogo para estruturas: determinação do tempo requerido de resistência ao fogo pelo método do tempo equivalente: uma contribuição à revisão da NBR 14432:2000. Téchne, São Paulo, v. 101, p. 58-62, 2005.
CONCLUSÃO

Na maioria absoluta das edificações, o fator de segurança γs1 calculado pela expressão proposta pela USP conduzirá a valores similares aos preconizados pela IT 8 de 2004. Em raros casos, apresentados neste anexo e em outro documento enviado anteriormente ao CB, o TRRF poderá ficar alguns poucos minutos acima ou abaixo. As diferenças entre o uso da expressão ou da tabela são insignificantes. O emprego da expressão, no entanto, eliminaria a descontinuidade gerada pela tabela C3 da IT 8 de 2004, trazendo mais realismo à aplicação do método além de facilitar a automatização do processo em tão boa hora introduzida pela referida IT.

CONTRIBUIÇÕES DA ABECE À REVISÃO DO ANEXO S DA IT 01
O objetivo destas sugestões são:

Retirar os tópicos que não se referem a estruturas (compartimentação, escadas de segurança, selagens de shafts e divisórias entre unidades autônomas) a fim de permitir que este “memorial de segurança de estruturas” possa ser assinado pelo engenheiro responsável pelo projeto de estruturas. Misturar estruturas com demais sistemas impede que haja um só responsável.

Melhorar a forma de apresentação para facilitar a compreensão.

ANEXO S
Memorial de Segurança contra Incêndio das Estruturas


(Nome da Empresa),registrada no CREA sob no. ________, atendendo o disposto no ítem 5.19 da Instrução Técnica no. 08 do Corpo de Bombeiros de São Paulo e no Decreto Estadual no. 46.076/01, visando à concessão do Atestado de Vistoria do Corpo de Bombeiros, atesta que os elementos estruturais (vigas, lajes, pilares, etc.) constituintes da estrutura (concreto, aço, alvenaria estrutural, madeira, alumínio, etc.) da edificação em referência estão em conformidade com as informações abaixo descritas.

Edificação: (nome da Edificação)

Logradouro Público/no.: (endereço)

Responsável pelo Uso: (nome)

Altura da Edificação (m): altura

Ocupação:

Data:

1 DETERMINAÇÃO DO TEMPO REQUERIDO DE RESISTÊNCIA AO FOGO (TRRF)


1..1 CRITÉRIOS PARA DETERMINAÇÃO DO TRRF

Para a definição dos TRRF foi adotada ... (por exemplo: Tabela A da Instrução Técnica no. 08, conforme tem “5.Procedimentos” da referida Instrução Técnica; ou método do tempo equivalente ou outros devidamente comprovados, tudo conforme IT 08)


1.2 VALORES DO TRRF

Exemplo:


- As estruturas principais (pilares e vigas principais) terão TRRF de 90 min conforme Tabela A , Grupo D, Classe P4 da Instrução Técnica no. 08.

- As vigas secundárias terão TRRF de ____,conforme o anexo A, tem A2.5ª da Instrução Técnica no.08.

1.3 ISENÇÕES OU REDUÇÕES DE TRRF:

Exemplos: Não foi adotada nenhuma condição para redução ou isenção de TRRF na presente edificação...Ou isenção de TRRF para os pilares externos protegidos por alvenaria cega... Ou isenção dos perfis confinados em áreas frias conforme folhas...


2 MÉTODOS PARA SE RESPEITAR OS TRRF DOS ELEMENTOS ESTRUTURAIS

Os métodos adotados foram __________(descrever os métodos: métodos analíticos/numéricos, tabelas, experimentais, cartas de cobertura, etc. sempre citando as normas que foram empregadas)

Os ensaios de resistência ao fogo adotados foram __________( relatório IPT no., UL no., etc. citar os ensaios e especificar se é para pilares, vigas, etc...)
3 MATERIAIS DE REVESTIMENTO CONTRA FOGO E RESPECTIVAS ESPESSURAS

(citar cartas de cobertura adotadas)

Materiais utilizados: (citar todos os materiais utilizados na proteção)

Espessuras adotadas: (exemplo: vide tabela do anexo x carta de cobertura). As espessuras foram calculadas com base nos ensaios laboratoriais acima mencionados, de acordo com os procedimentos da Norma...


4 CONTROLE DE QUALIDADE:

Verificar a necessidade de Controle de Qualidade por empresa qualificada, conforme ítem 5.18 da Instrução Técnica no 08. Anexá-lo a este memorial.





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