Carta aberta da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo Gol 1907 em 29 de setembro de 2007



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Documentário da Discovery Channel não é aprovado pelos familiares das vítimas do Vôo 1907
Familiares definem como estranha e tendenciosa a postura do canal Discovery Channel

Neste dia 10 de junho vai ao ar, pelo canal Discovery Channel, um documentário sobre o maior acidente aéreo brasileiro, envolvendo o Jato Legacy e o Boeing 737/800 da Gol, intitulado A Tragédia do Vôo 1907.


Após inúmeros questionamentos realizados pelos familiares das vítimas do Vôo 1907, a empresa americana disponibilizou para que eles assistissem o documentário via link de internet encaminhado após o cadastramento dos familiares.
O documentário que, segundo material enviado pela Discovery Channel, apresenta a seqüência de eventos que ocasionaram o pior acidente aéreo registrado na história da aviação brasileira, com depoimentos de responsáveis pelas investigações, não agradou os familiares das vítimas do Vôo 1907.
Porém, o documentário produzido pela Discovery Channel não levou em consideração as declarações prestadas pelo engenheiro mecânico, Engº Sérgio Mauro de Moraes Rego da Costa, diretor do departamento de ensaios da Embraer ao delegado da Polícia Federal, o qual “indagado se os botões de código de Transponder e TCA’s são semelhantes a ponto de causar confusão e hipoteticamente gerar desligamento involuntário, afirma que não é normal e nem deveria ocorrer confusão na operação de tais equipamentos, e sequer conhece algum caso que lhe tenha sido relatado em seus vários anos de experiência”.
Segundo Anne Rickli (Brasília-DF), filha da vítima Maria das Graças Rickli, o documentário é prematuro e tendencioso. “No início do documentário, parece até que os pilotos e a tripulação do Legacy são as vítimas. Se a Discovery deseja ser imparcial na sua reportagem que se digne a proceder ao resgate da verdade sob a pena de descrédito em suas manifestações”, salienta Anne.
Já Patrícia Garcia (Manaus-AM), esposa da vítima Francisco Marques Garcia Junior, acredita que a reportagem ficou muito mais na responsabilidade dos controladores do que na dos pilotos, que foram irresponsáveis e não tinham o conhecimento necessário das regras internacionais e não respeitaram o plano de vôo, bem como não tinham conhecimento técnico para pilotar a aeronave.
A precipitação do documentário é o fator mais intrigante em todo esse processo. “Não entendo o porquê da decisão da Discovery em publicar o documentário antes mesmo do término das investigações. Para que tanta pressa de levá-lo ao ar?”, comenta Andréa da Cunha Ferri (Cachoeira do Itapemerim-ES), esposa da vítima Ricardo de Souza. Em todo documentário, comenta Andréa, tem-se a nítida impressão que o objetivo da produtora é de inocentar os pilotos americanos. “Se é um simples documentário, que seja mostrado a verdade, sem favorecer ninguém, quanto menos culpando um lado só”.
“O fato dos pilotos se omitirem da participação do documentário, de certa forma, denuncia a provável falha deles”, avalia Odair Bovi (Campinas-SP), marido da vítima Marilene Bovi.
Para Angelita de Marchi (Valinhos-SP), esposa da vítima Plínio Siqueira Jr, existe o receio dos familiares que este documentário seja apresentado em outros países onde os fatos reais não chegaram , e com isso, levá - los a uma conclusão errônea sobre os verdadeiros fatos que envolveram a tragédia que ainda está sob investigação. “Considero o documentário precipitado e tendencioso, uma vez que não apresentou com a mesma atenção os pontos falhos dos pilotos do Legacy, além de que fatos relevantes como a falta de experiência – relatada pelo próprio piloto Joseph Lepore em depoimento à Polícia Civil, onde afirma que possui apenas cinco horas de vôo neste equipamento e 20 em simulador, não foram abordadas no documentário”, lamenta.
“É inaceitável este documentário”, diz Alcione Torres (Recife – PE), esposa da vítima Marcelo Torres. “Por que a Discovery não colocou todos os fatos verídicos no filme? Temos a transcrição da Caixa Preta do Legacy, mas no documentário, não aparece os diálogos mais relevantes!”, questiona a familiar.
Marcelo Marques dos Santos (Brasília – DF), marido da vítima Inês Marques, avalia a postura da Discovery como no mínimo estranha. “Pode parecer apenas um documentário, mas num momento tão decisivo, onde se definem responsabilidades, pode-se inferir que no mínimo este material ameniza a mão nas responsabilidades dos americanos e pesa a mão no sistema de controle aéreo brasileiro, que também falhou. Porém, nada justifica a pouca ênfase nas atitudes dos pilotos americanos que não acionaram o código de emergência do transponder, quando se encontravam sem comunicação”.
“Os vilões, os pilotos, passam a ser heróis ao escaparem ilesos do sistema tupiniquim de controle do trafego aéreo e a opinião pública mundial que verá esse documentário vai pressionar as decisões nacionais que sempre ficam presas à opinião pública mundial”, avalia Marques dos Santos.
Para os familiares é trágico que as autoridades brasileiras não façam nada a respeito da publicação deste documentário. “A Discovery está culpando o Brasil e vitimando os americanos”, afirma Alcione. “É lamentável que um veículo como a Discovery se preste a este tipo de reportagem e que os brasileiros assistam a tudo, sem consciência crítica, com muita pipoca e curiosidade”, finaliza Marques dos Santos.

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