Carta aberta dos estudantes de artes m. D. Carlos alexandre netto



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CARTA ABERTA DOS ESTUDANTES DE ARTES

M. D. CARLOS ALEXANDRE NETTO



MAGNÍFICO SENHOR REITOR DA UFRGS E CANDIDATO DA CHAPA 2 À REITORIA:
Nós, estudantes do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, viemos por meio desta carta manifestar nossa insatisfação com o descaso da Reitoria em relação aos espaços destinados à pratica e ao ensino artístico.
Hoje temos nas graduações locadas no prédio do Instituto de Artes da Rua Senhor dos Passos mais de 800 estudantes, chegando a mais de 1000 quando somados aos que cursam as pós-graduações e extensões, além dos 200 estudantes de Artes Dramáticas, no prédio do Departamento de Artes Dramáticas, que pertence a este Instituto. O mencionado prédio que hoje comporta mais de 1000 pessoas foi projetado, em 1943, para 300 pessoas, para ser o prédio administrativo central do conjunto edificante que deveria constituir o Instituto de Artes com cerca de quatro vezes a área do atual prédio.
Desde que o Senhor assumiu a Reitoria dessa Universidade, em 2008, o Instituto de Artes recebeu alguma verba para reformas através de projetos, mas que está parada porque a burocratização crescente dos órgãos internos da UFRGS nos impede de proceder ou porque não há técnicos suficientes para atender as demandas. Ainda ao longo de sua gestão, recebemos também alguns equipamentos importantes, mas não podemos utilizá-los devido à falta de espaço ou às péssimas condições da rede elétrica de ambos os prédios do IA. Os novos elevadores, a reforma das fachadas e a troca das esquadrias de algumas janelas, que foram reformas emergenciais para resolver os problemas indicados no laudo estrutural feito em 2007, obviamente foram insuficientes para melhorar as condições de ensino dos estudantes de artes. Já faz quatro anos desde essas reformas e desde que o Senhor é o Magnífico Reitor dessa Universidade, e nada mais foi feito.
Nós, estudantes do Instituto de Artes, reivindicamos que sejam cumpridos todos os acordos feitos na implementação do REUNI.
Quando, em 2007, o Senhor coordenou a plenária do IA que discutiu o REUNI, foi a condição maior proposta para aderir ao mesmo a de ter um novo prédio, além de receber mais espaço de forma imediata, vagas para professores e servidores técnico-administrativos. Contando com seu compromisso nessa questão, o IA aderiu ao REUNI, em 2008. Criamos um novo curso em 2010, de História da Arte, outro em 2012, de Música Popular, e ampliamos o número de vagas existentes, tudo como condição do REUNI. Contudo, para nossa decepção, a contrapartida do projeto para o IA não foi cumprida: apenas recebemos alguns professores e a certeza de que seremos mais estudantes a nos amontoar no atual prédio.
Sabemos que o projeto de mudança do IA para o prédio do ICBS, no Campus Centro, está sendo feito, ainda que a passos lentos. Contudo, não podemos esperar cinco anos, como está previsto, para ter um local de estudo e trabalho próprio à nossa produção artística. Nosso Instituto não tem condições de receber as turmas que ingressarão no próximo ano, e menos ainda por cinco anos mais. Tampouco podemos seguir isolados da UFRGS e fragmentados entre dois prédios, quando a convivência e o intercâmbio entre as diversas áreas das artes enriqueceria tanto nosso trabalho.
Assim, os estudantes do Instituto de Artes esperam que o Magnífico Senhor Reitor cumpra seu papel de promover uma melhor qualidade de ensino, tratando os cursos de artes como parte igualmente importante desta Universidade. Trazemos a seguir uma apresentação das principais necessidades de nosso Instituto que até então tem sido negligenciadas, na esperança de que o Senhor tome ciência e participação na resolução de tais questões.

Atenciosamente,


Estudantes do Instituto de Artes.
Centro Acadêmico Tasso Corrêa – Artes Visuais e História da Arte

Centro Acadêmico Bruno Kiefer – Música

Centro Acadêmico Dionísio – Artes Dramáticas

REIVINDICAÇÕES GERAIS!

PRIORIZAR O CUMPRIMENTO DO COMPROMISSO DE DAR AO INSTITUTO DE ARTES O NOVO PRÉDIO.



  • Adequação dos dois prédios às normas de segurança contra incêndios.

  • Reforma das entradas dos dois prédios para acessibilidade universal.



ARTES VISUAIS E HISTÓRIA DA ARTE



1. Espaço físico:

— Seis novas salas de aula teórica (incluindo demandas do novo curso de História da Arte): duas são necessárias de forma imediata, e as demais para 2013/2 e 2014.

— Adequação do espaço novo para cerâmica e escultura no Campus Central (mudança do anexo FEBIC): condições de segurança contra incêndios, exaustão de gases tóxicos, espaço exclusivo para solda;

— Reforma do prédio anexo ao Instituto de Artes para uso do DAV;

— Atendimento às necessidades do PPGAV: Salas de aula e laboratórios, equipamentos;

— Pinacoteca: Melhorias nos espaços do Acervo e Restauro (Criação de laboratório), de forma urgente: existem trabalhos de grande importância sendo deteriorados;

— Criação de estúdio de fotografia e tratamento de imagem;

— Reforma do Espaço de Exposição Ado Malagoli: reparação da rede elétrica, restauração e pintura das paredes;



  • Criação de laboratório de informática para a Unidade, aberto permanentemente aos estudantes e comunidade acadêmica;

  • Descupinização do prédio;

— Salas de trabalho para professores para orientações e pesquisa.

2. Estrutura funcional:

— Desburocratização dos processos para reformas, compras e serviços (há projetos ainda não concluídos, em andamento desde 2007);

— Reforma na sala da secretaria do DAV, com implementação de projeto existente que inclui aquisição de novos móveis (ou implementação do espaço compartilhado entre as secretarias dos departamentos do IA);

— Atenção especial ao Projeto PROPLAN, anual, do Instituto de Artes para a aquisição de equipamentos, softwares e demais itens de material permanente;

— Espaço para funcionamento da COMGRAD do curso de Bacharelado em História da Arte (ou sua inclusão no projeto de gestão administrativa conjunto da Unidade).

3. Recursos humanos:

— Um funcionário para a secretaria do DAV;

— Quatro vagas para Concurso Público: Professores para o Bacharelado em História da Arte (Vagas REUNI);

— Duas vagas para Abertura de Concursos Públicos Docentes: Bacharelado em Artes Visuais

— Abertura de Concurso Público para Técnico de Nível Superior para a área de Restauro;

— Apoio técnico (funcionário técnico especializado) ao Laboratório de Computação Gráfica 71 e para disciplinas do Curso.




ARTES DRAMÁTICAS


Abaixo-assinado:

Nós, alunos do Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul — UFRGS, viemos por meio de este documento manifestar nossa insatisfação com o descaso da Reitoria em relação aos espaços destinados à pratica e ao ensino artístico nas artes cênicas.

No momento, estamos sem teatro para apresentar os trabalhos produzidos dentro da Universidade por falta de manutenção adequada. O Departamento de Arte Dramática conta (ou contava) com duas salas para apresentação pública de trabalhos produzidos pelos acadêmicos: a Sala Qorpo Santo e a Sala Alziro Azevedo, que são utilizadas também como salas de ensaio devido à falta de espaço iminente no Departamento.

A Sala Qorpo Santo está fechada há cerca de 3 anos, mesmo tendo dois projetos de reforma e melhorias aprovados pelo CT Infra de 2008 e 2010, com verbas disponíveis de mais de 300 mil reais. Os projetos de reforma e compra de equipamentos não são realizados devido à paralisa burocrática determinada por órgãos internos da Universidade.

Já a Sala Alziro Azevedo, que há muito tempo sobrevive de forma precária — e até mesmo perigosa — com fiação elétrica muito antiga, na última semana teve de ser fechada, e as apresentações do projeto TPE (Teatro, Pesquisa e Extensão), que acontecem nas quartas-feiras em duas sessões gratuitas e conta com um público mensal de aproximadamente 400 pessoas, foram canceladas.

Os problemas do curso de Teatro são muito maiores do que brevemente relatados aqui, mas esta é uma amostra de como os artistas e professores de artes, inclusive aqueles em formação, são tratados (no curso de Dança, que fica no Campus Olímpico, a situação não é diferente).

No início do ano, por duas vezes o Instituto de Artes teve de ter suas aulas canceladas. Esperamos que não seja necessário interditar o Departamento ou realizar protesto estudantil, desde que tenhamos uma resposta imediata e um comprometimento por parte da reitoria em resolver os problemas citados.

Necessitamos das condições mínimas para que prossigamos com nossas pesquisas e nossa produção intelectual de forma satisfatória e sem riscos aos estudantes. Porque, apesar de amplamente referido nas súmulas das atividades acadêmicas, as apresentação de cenas e espetáculos são obrigatórias a todos os alunos da faculdade, inclusive àqueles cuja ênfase não seja em Direção ou Atuação. Mas como executar nossas tarefas acadêmicas, essas mesmas que a universidade prevê em seu currículo, se não há espaço para tal atividade?

Atualmente, todo o material de divulgação da MOSTRA DAD já está na gráfica, mas talvez este tenha que ser alterado em função do descaso da Universidade para com seus alunos. Estamos, neste momento, nos recusando a ocupar uma sala sem condições salubres de trabalho. Não podemos nos dispor a tomar choques ou deixar o público no escuro por falta de manutenção do espaço. No mínimo, seria desrespeitoso para o estudante que está apresentando o seu trabalho, para os professores que nos orientam artisticamente e apóiam a nossa reivindicação, e para o público que é a razão de ser de nosso trabalho, que paga os seus impostos para que tenhamos um Ensino Superior de qualidade com uma infraestrutura mínima para tal.

Contamos com todo apoio universitário, artístico, e dos cidadãos para que esta situação seja resolvida o mais breve possível. Precisamos de uma reforma verdadeira e uma manutenção contínua, sem medidas paliativas, para que possamos continuar formando cada vez mais pessoas que são referências para a arte e cultura do nosso país e também fora dele; artistas, produtores e empreendedores, tais como:

Exigimos a imediata reforma elétrica na Sala Alziro Azevedo:

Alexandre Silva, figurinista e atual coordenador do FUMPROARTE;

Angela Gonzaga, diretora do grupo Teatro do Tambo, professora da FEEVALE;

Antônio Gilberto, diretor teatral e atual Diretor do Centro de Arte Cênicas/FUNARTE;

Araci Esteves, atriz de teatro e cinema, várias vezes premiada;

Breno Ketzer, coordenador de artes cênicas de Porto Alegre;

Caio Fernando Abreu, dramaturgo e escritor;

Carlos Cunha Filho, ator de teatro e cinema, várias vezes premiado

Carlos Mödinger, ator e professor da UERGS;

Cibele Sastre, bailarina, professora da ULBRA;

Daniel Colin, do Teatro Sarcáustico, grupo com inúmeros prêmios;

Daniela Carmona, atriz, diretora e fundadora do TEPA;

Dilmar Messias, fundador do Circo-Teatro Girassol;

Diones Camargo, dramaturgo;

Fernando Ochôa, diretor e iluminador;

Flávio Rocha, diretor artístico na Rede Globo;

Grace Gianoukas, atriz e diretora idealizadora do Terça Insana (São Paulo);

Hamilton Leite, do grupo Oigalê;

Inês Marocco, diretora do grupo Cerco;



Ivete Brandalise, apresentadora do programa Primeira Pessoa na TVE;

Jezebel de Carli, diretora do Grupo Santa Estação, várias vezes premiado;

José Ronaldo Faleiro, professor da UDESC

Julio Conte, diretor e dramaturgo, autor do sucesso Bailei na Curva;

Larissa Maciel, atriz da rede globo (destaque no papel principal da minissérie Maysa);

Leona Cavalli, atriz (integrou o grupo do José Celso Martinez Correa, Teatro Oficina);

Luciana Hartmann, professora na UnB;

Luciano Alabarse, coordenador do Festival Internacional Porto Alegre Em Cena;

Luiz Artur Nunes, diretor teatral e professor da UNIRIO;

Lurdes Eloy, atriz de teatro e cinema, várias vezes premiada;

Moira Stein, atriz, diretora e professora na UFPEL;

Newton Silva, jornalista, apresentador do programa Estação Cultura na TVE;

Paulo Flores, fundador da Terreira da tribo de atuadores Óinóis aqui Traveiz;

Paulo Berton, professor e atual Secretário de Cultura da UFSC;

Roberto Oliveira, ator e diretor, fundador do Depósito de Teatro, grupo várias vezes premiado;

Rô Cortinhas, figurinista de teatro e cinema;

Rosa Campos Velho, foi diretora do IEACEN (Instituto Estadual de Artes Cênicas) e do Teatro de Arena;

Sandra Dani, atriz várias vezes premiada pelo Açorianos, foi professora do DAD;

Sergio Lulkin, ator do grupo TEAR, professor da Faculdade de Educação UFRGS;

Susana Saldanha, professora da Faculdade de Dança Angel Viana/RJ;

Tatiana Cardoso, atriz, foi professora da UERGS, integra o grupo internacional VidenesBro (Dinamarca).

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