Carta Aos Romanos



Baixar 0.81 Mb.
Página14/23
Encontro26.02.2018
Tamanho0.81 Mb.
1   ...   10   11   12   13   14   15   16   17   ...   23

Uma Série de Contrastes – Romanos 5:12-19



12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

13 Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.

14 Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.

15 Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.

16 O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação.

17 Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.

18 Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.

  1. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.

O versículo 11 deve ser estudado juntamente com a seção precedente, de cujo esquema faz parte. “Gloriamo-nos em Deus” pela vida através da qual recebemos a reconciliação e a salvação. A vida de Cristo é uma existência gratificante. Depois de haver caído, Davi orou: “



Restitui-me a alegria da Tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.” (Sal. 51:12) O brilho do céu, a beleza da infindável variedade de flores com a qual Deus atapeta a terra, os alegres cantos dos pássaros, tudo indica que Ele Se deleita na alegria e na beleza. A luz e o louvor não são mais que expressões naturais de Sua vida. “... Gloriem-se em Ti os que amam o Teu nome.” (Sal. 5:11)
Possivelmente não haja em Romanos trecho de mais difícil compreensão do que os versos 12 ao 19. Isso se deve à existência de um extenso parêntese no meio da afirmação principal, junto à repetição de uma expressão recorrente. Em nosso estudo, não nos deteremos em cada detalhe, mas prestaremos atenção à idéia principal presente ao longo do arrazoado. Você pode, depois, fazer uma leitura e um estudo mais pormenorizados.
Princípios fundamentais – No verso 12, o apóstolo retrocede até o princípio. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.” Não há apresentação legítima do evangelho que possa ignorar esses fatos.
Morte devida ao pecado – A morte penetrou o mundo pelo pecado, porque o pecado é a morte. O pecado, quando se desenvolveu plenamente, gerou a morte (Tiago 1:15). “A inclinação da carne é morte.” (Rom. 8:6) “O aguilhão da morte é o pecado...” (I Cor. 15:56). Se não houvesse pecado, não poderia existir a morte. O pecado traz [o veneno da] morte em seu seio. Não foi um ato arbitrário de Deus que a morte viesse como conseqüência do pecado; não poderia ser diferente.
Justiça e vida – “Mas a inclinação do Espírito é vida e paz.” “Ninguém é bom, senão Um, que é Deus.” (Mat. 19:17) Ele é a própria bondade. A bondade é Sua vida. A justiça é simplesmente a maneira de ser de Deus, portanto, justiça é vida. Não se trata meramente de uma concepção do que é reto ou justo, mas da própria retidão ou justiça. A justiça é ativa. Da mesma maneira que o pecado e a morte são inseparáveis, também o são a justiça e a vida. “Vê que hoje te pus diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal.” (Deut. 30:15)
A morte passou a todos os homens – Observe a justiça nisto: a morte passou a todos os homens, “porquanto todos pecaram”. “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.” (Eze. 18:20). E é também uma conseqüência do fato de que o pecado, em si mesmo, conduz à morte, e a morte não pode advir de nenhuma outra maneira que não através do pecado.
Conclusão – O verso 12 inicia uma afirmação que não se completa nele. Os versos 13 ao 17 constituem-se um parêntese, devendo avançar até o 18 para chegar a uma conclusão. Porém, visto haver um espaço parentético tão grande e ser fácil perder o fio da primeira parte da declaração, o apóstolo repete sua essência a fim de podermos perceber a força da inferência. De forma que a primeira parte do verso 18 é paralela ao verso 12. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens... para condenação...” a conclusão é que “por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida”.
O reino da morte – “... A morte reinou desde Adão até Moisés...” Isso não quer dizer que ela não reinasse de igual maneira a partir de Moisés. Essa expressão dá relevo ao fato de que Moisés representa a introdução da lei. “A lei foi dada por intermédio de Moisés...” (João 1:17). Visto que a morte reina pelo pecado e não se imputa pecado onde não há lei, é evidente que a lei estava no mundo antes do Sinai, tanto como após ele. “O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” ( I Cor. 15:56) Onde não há lei, não se pode imputar transgressão; e onde há pecado, reina a morte.
Adão como figura – “Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava Aquele que havia de vir.” Como pode Adão ser figura dAquele que havia de vir, isto é, de Cristo? Precisamente da mesma forma que indicam os versículos seguintes: Adão era uma figura de Cristo porque sua ação afetou a muitos, além dele próprio. Está claro que Adão não podia passar a nenhum de seus descendentes uma natureza mais elevada do que aquela que ele mesmo possuía; portanto, o pecado de Adão tornou inevitável que todos os seus descendentes nascessem com naturezas pecaminosas. Não obstante, a sentença de morte não passou a todos por isso, mas porque todos pecaram.
Figura por contraste – Adão é uma figura de Cristo, porém apenas por contraste. “Não é assim o dom gratuito como a ofensa.” Pela ofensa de um, muitos são mortos; porém, pela justiça de Outro, recebem a vida. “Porque o juízo veio, na verdade, de uma só ofensa para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.” “Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.” Vemos seguidamente o contraste. Cristo reverte tudo o que nos veio em conseqüência da queda de Adão. Mais exatamente, tudo o que se perdeu em Adão é restaurado em Cristo.
“Muito mais” – Podemos considerar que essa é a expressão-chave do capítulo. Não somente fica restaurado em Cristo tudo quanto se perdeu com Adão, porém “muito mais”. “Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida.” E não podemos queixar-nos do fato inevitável de sermos herdeiros de uma natureza pecaminosa através de Adão. Não podemos queixar-nos de um trato injusto. É certo que não podemos ser culpados de possuir uma natureza pecaminosa, e o Senhor não nos incrimina por isso. Ele providencia para que, da mesma maneira que em Adão nos tornamos participantes da natureza pecaminosa, sejamos em Cristo participantes da natureza divina.
No entanto, há “muito mais”. “Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça.” Ou seja, a vida da qual somos feitos participantes em Cristo é muito mais poderosa para a justiça, do que a vida que havíamos recebido de Adão o era para a injustiça. Deus não faz as coisas pela metade. Ele dá “abundância de graça”.
A condenação – “A morte passou para todos os homens”, ou, como lemos mais adiante, “veio a condenação sobre todos os homens”. “O salário do pecado é a morte.” (Rom. 6:23) Todos pecaram e, por isso, todos estão debaixo da condenação. Nenhum homem viveu na Terra sobre o qual a morte não tenha reinado, nem viverá até o final deste mundo. Enoque e Elias, da mesma forma que aqueles que forem transladados quando Cristo vier, não se constituem numa exceção. Não há exceções, porque a Escritura afirma que “a morte passou a todos os homens”. O reino da morte é simplesmente o reino do pecado. “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos.” Enoque foi justo somente pela fé; sua natureza era tão pecaminosa como a de qualquer outro homem. Assim, a morte reinou sobre eles tanto quanto os demais. Lembre-se de que o atual descanso no sepulcro, comum a todos os homens, não é o castigo pelo pecado. É, simplesmente, a evidência de nossa mortalidade. Bons e maus morrem igualmente. Essa não é a condenação, porque há homens que morrem regozijando-se no Senhor, e mesmo entoando cânticos de triunfo.

“Justificação e vida” – “... Por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida.” Não há aqui nenhuma exceção. Do mesmo modo como a condenação veio sobre todos os homens, também a justificação. Cristo provou a morte por todos. Deu-se a Si mesmo por todos e a cada um. O dom gratuito veio sobre todos. O fato de ser um dom gratuito é evidência de que não há exceção alguma. Se houvesse vindo somente sobre aqueles que teriam alguma qualificação excepcional, não seria um dom gratuito.
Por isso, é um fato claramente estabelecido na Bíblia que o dom da justiça e a vida em Cristo vieram sobre todo homem no mundo. Não há a mínima razão para que todo homem que tenha vivido deixe de ser salvo para a vida eterna, exceto se não receber esse dom. Quantos desprezam o dom oferecido tão generosamente!

“A obediência de Um” – Pela obediência de Um, muitos serão feitos justos. O homem não é salvo por sua própria obediência, mas mediante a obediência de Cristo. Isso é o que cético procura ironizar, pois lhe parece que a obediência de um homem não pode ser contada em favor de outro. Porém, aquele que rejeita o conselho do Senhor, nada sabe de justiça e não está qualificado para julgar o caso.

O ensino bíblico não é que Deus nos chama de justos simplesmente porque Jesus de Nazaré foi justo há dois mil anos. Não! O que a Bíblia diz é que por Sua obediência somos feitos justos. Veja que o tempo verbal é o presente do indicativo. Trata-se de justiça atual. O problema daqueles que fazem objeção ao fato de a justiça de Cristo ser imputada ao crente, é que não levam em conta o fato de que Jesus vive. Vive hoje tão certamente como quando esteve na Judéia. “Ele vive” e é o “mesmo ontem, hoje e eternamente” . Sua vida está tão perfeitamente em harmonia com a lei agora como esteve no passado, e vive no coração daqueles que nEle crêem.


Por conseguinte, é a obediência atual de Cristo no crente que o torna justo. O homem não pode, por si mesmo, fazer nada; por isso Deus, em Seu amor, o faz por Ele. Isto é: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim.” (Gál. 2:20)
Por que não todos? – Diz o texto que “pela obediência de um só, muitos se tornaram justos”. Por que não são todos tornados justos pela obediência de Um? A razão é que nem todos querem que seja assim. Se os homens fossem feitos justos simplesmente devido a que Um foi justo há dois mil anos, então todos deveriam ser justos igualmente. Não haveria nenhuma justiça em contar como justo alguém e não todos os demais. Porém, já vimos que não ocorre dessa maneira.
O homem não é meramente contado como justo, mas ele é realmente tornado justo pela obediência de Cristo, que é tão justo hoje como sempre o foi, e que vive naqueles que a Ele se entregam. Sua capacidade para morar em qualquer ser humano é demonstrada no fato de ter Ele tomado a carne humana há dois mil anos. O que Deus fez na Pessoa do carpinteiro de Nazaré, também está desejoso de fazer em todo o que crê. O dom gratuito é concedido a todos, porém nem todos o aceitam; conseguintemente, nem todos são tornados justos por Ele. Não obstante, “muitos” serão feitos justos por Sua obediência.
Para o estudo dos dois versículos que vêm a seguir bastará, para atender ao nosso propósito atual, recordar que o pensamento principal que transcorre ao longo de todo o capítulo é a vida e a justiça. O pecado é morte e a justiça é vida. A morte passou a todos os homens, porque todos pecaram; o dom da justiça veio sobre todos eles na vida de Cristo. Não se imputa pecado onde não há lei, porém, imputou-se pecado a Adão e a todos os que viveram depois dele, inclusive antes da lei haver sido promulgada no Sinai, nos dias de Moisés.

Graça e Verdade – Romanos 5:20 e 21


20 Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça,

21 a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.
Sobreveio a lei – A frase indica que antes do tempo especificamente referido como de entrada da lei, já existia pecado. Se levarmos em consideração os versículos 13 e 14, não haverá dificuldade de compreensão no que se refere à proclamação da lei no Sinai. “Até à lei” refere-se evidentemente ao tempo de Moisés e à apresentação da lei.
Avultasse a ofensa” – A lei foi promulgada para que o pecado, que já existia, “avultasse”. “... Mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.” Assim, temos de admitir que a lei estava no mundo antes do tempo referido como de sua entrada, isto é, antes que fosse proclamada no Sinai. Comprovam-no os versos 13 e 14. É impossível que a lei produzisse mais pecado do que o que já existia. O que ela fez foi identificá-lo e pô-lo em evidência, a saber, mostrar mais plenamente sua verdadeira natureza.
Como lemos em Romanos 7:13, foi para que ele “se mostrasse sobremaneira maligno”. Ninguém teve mais da lei de Deus nem antes nem depois dela ser pronunciada no Sinai. Não houve ninguém que fosse justo anteriormente e que se convertesse em pecador pela promulgação da lei, e tampouco houve ato pecaminoso que se tornasse pior ao vir a lei à luz. Porém, as circunstâncias sob as quais se pronunciou a lei mostraram o aspecto espantoso do pecado, e impressionaram muito mais que antes os presentes com o sentido de sua pecaminosidade.
A graça superabundou – Seria proveitoso que todos conhecessem esse fato. Ouviríamos falar menos de desânimo em vista do fato de sermos tão pecadores. Está o coração cheio de pecado? Saiba você que onde o pecado abundou, superabundou a graça. Isso nos mostra o fato de que Cristo, que é cheio de graça, está à porta do coração (que é a própria pecaminosidade do homem), e pede para entrar (Apoc. 3:15-20). “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” (I Tim. 1:15)
“Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” (Isaías 1:18)
A graça no Sinai – A lei veio para que o pecado abundasse. Em nenhum outro momento havia sido manifesto com maior energia o horror do pecado. Porém, “onde abundou o pecado, superabundou a graça”, logo, fica claro que a graça devia transbordar sobremaneira ao ser a lei dada no Sinai.
É errado supor que o desígnio de Deus era que o homem obtivesse a justiça mediante suas próprias obras de obediência. Pelo contrário, a lei foi promulgada para destacar a superabundante graça de Deus ao perdoar o pecado, e ao operar a justiça no homem.
A lei e o trono de Deus – Lemos que “justiça e juízo são a base do Seu trono” (Sal. 97:2). Em Seu trono habita a justiça. É ela o seu próprio fundamento. A lei de Deus é justiça, Sua própria justiça. No capítulo 51, versos 6 e 7 de Isaías, Deus diz: “Ouvi-me, vós que conheceis a justiça, vós, povo em cujo coração está a Minha lei...” Somente conhecem Suja justiça aqueles em cujo coração está a Sua lei, de maneira que a lei de Deus é sua justiça. A afirmação de que a justiça é o assento (como dizem algumas traduções) ou fundamento de Seu trono, implica que a lei de Deus está em Seu trono. Ele está assentado sobre o trono da justiça.
Evidência do santuário – O santuário que Moisés construiu tinha por finalidade ser a morada de Deus. “E Me farão um santuário para que Eu possa habitar no meio deles.” (Êxo. 25:8) No lugar santíssimo do santuário estava a arca do concerto. Ela é descrita em Êxo. 25:10 a 22. A cobertura da arca recebia o nome de propiciatório. Sobre ela estavam dois querubins de ouro. Em seu interior, sob o propiciatório, estavam as tábuas da lei (ver Êxo. 25:16-21 e Deut. 10:1-5) Entre os dois querubins sobre o propiciatório e acima das tábuas da lei, manifestava-se a glória de Deus, e aí estava o lugar onde o Senhor habitava com Seu povo (Êxo. 25:22). Em II Reis 19:15 e também Salmo 80:1, Deus é descrito como habitando entre os querubins.
Vemos, portanto, que a arca do concerto com o propiciatório era uma representação do trono de Deus. Da mesma forma que os Dez Mandamentos estavam na arca no interior do santuário terrestre, assim também se constituem o fundamento do trono de Deus no Céu. Como o santuário terrestre era luma figura do santuário celestial, o verdadeiro, a lei, como se acha no Céu, no trono de Deus, é idêntica à lei que foi proclamada no Sinai, a qual Deus escreveu sobre tábuas de pedra posteriormente postas dentro da arca.
O trono de Deus e o Sinai – Já verificamos que a lei de Deus é o fundamento de Seu trono. Essa afirmação não deveria surpreender a ninguém, pois o fundamento de qualquer governo é sua lei, e o trono representa simplesmente essa lei. Ao ser dada a constituição do Universo, o monte Sinai foi o assento da lei de Deus. Representava o terror da lei, porquanto ninguém podia tocar o monte sem ser fulminado. Ali estava o Senhor com todos os Seus anjos (ver Deuteronômio 33:2 e Atos 7:53). Portanto, quando a lei foi dada, o monte Sinai representava o trono de Deus naquela ocasião. Dele procediam “relâmpagos, trovões e vozes” (Apoc. 4:5), e ao redor do qual reuniam-se miríades de miríades, milhões e milhões de anjos. Vemos, uma vez mais que a justiça que habita o trono de Deus é a mesma descrita nos Dez Mandamentos, tais como foram proclamados no Sinai e registrados em Êxodo 20:3-17.
O trono da graça – Embora o trono de Deus seja o escrínio de Sua lei – lei que significa morte para os pecadores – é ele também o trono da graça. Somos exortados a nos achegarmos confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Heb. 4:16). Veja, amigo leitor, que devemos nos aproximar para alcançar misericórdia. A cobertura da arca do concerto era chamada propiciatório, o lugar da misericórdia. Era o lugar desde o qual Deus falava com Seu povo, porque a arca do santuário terrestre não apenas representava o trono onde se encontrava a lei, mas também o trono da graça.
A lei e o mediador – É-nos dito que a lei foi dada “pela mão de um mediador” (Gál. 3:19) Quem era o mediador por cuja mão a lei foi outorgada? “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a Si mesmo Se deu em resgate por todos...” (I Tim. 2:5 e 6) A lei, por conseqüência, foi dada no Sinai pelo próprio Cristo, que é e sempre foi a manifestação de Deus ao homem. Ele é o mediador, isto é, Aquele mediante quem as coisas de Deus são transmitidas aos homens. Através de Jesus Cristo confere-se ao homem a justiça de Deus. A declaração de que a lei foi dada pela mão de um Mediador nos lembra que onde sobeja o pecado, a graça o excede em muito.
O fato de que a lei tenha sido dada no Sinai pela mão de um Mediador, indica: 1) Que Deus tomou providências para que ninguém supusesse que poderia obter a justiça a partir da lei, por sua própria força, mas somente através de Cristo. 2) Que o evangelho de Cristo foi desdobrado no Sinai, tanto quanto no Calvário. 3) Que a justiça de Deus revelada no evangelho de Cristo, é idêntica à justiça descrita na lei dada no Sinai. É a mesma justiça que obtemos em Cristo.
O manancial de vida – Lemos em Salmo 36:7-9: “Como é preciosa, ó Deus, a Tua benignidade! Por isso, os filhos dos homens se acolhem à sombra das Tuas asas. Fartam-se da abundância da Tua casa, e na torrente das Tuas delícias lhes dás de beber. Pois em Ti está o manancial da vida; na Tua luz, vemos a luz.” Deus é o manancial da vida e pode dar de beber da torrente de suas delícias aos que nEle confiam.

Que torrente é essa? “Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.” (Apoc. 22:1) Pense nisso! Um rio que procede do trono de Deus, o qual é o manancial da vida. Convida-se a todo aquele que está sedento a beber copiosamente dessa água. Apocalipse 22:17, João 4:10-14 e 7:37-39 serão de ajuda na compreensão do tema. Bebemos da água da vida ao recebermos o Espírito Santo.


Bebendo da justiça – O Salvador disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.” Quando alguém tem sede, como pode mitigá-la senão bebendo? Nosso Salvador mostra que podemos beber justiça se estivermos sedentos dela. Se você se lembrar de que o trono de Deus é um trono de justiça, e que dele sai o rio da vida, não será difícil ter certeza de poder beber.
Posto que o trono é o assento da justiça, o rio que nele se origina deve, por assim dizer, estar cheio da justiça da lei. Aquele que crê, pois, em Cristo, e bebe de Seu Espírito, ingere certamente a justiça da lei tal como há no trono, ou tal como foi proclamada no Sinai.
Bebendo no Sinai – Quem lê Êxodo 17:1-6, juntamente com Deuteronômio 4:10-12 (mostrando que Horebe e Sinai são o mesmo monte), poderá ver que quando a lei foi proclamada no Sinai, houve um rio de água que corria desde o seu sopé. Esse rio procedia de Cristo (I Cor. 10:4). Cristo, a Rocha viva, esteve no deserto naquela rocha da qual fez brotar a água para dessedentar Seu povo. NEle está a fonte da vida. No Sinai encontramos assim a semelhança completa do trono de Deus. Tratava-se da personificação da lei de Deus, de forma que ninguém podia aproximar-se dele sem morrer e, contudo, todos podiam beber das águas vivas que ali manavam. Nessa figura vemos uma vez mais que a justiça dada a beber àqueles que aceitam o convite de Cristo, é a justiça descrita nos Dez Mandamentos.
O coração de Cristo – Por meio de Davi, Cristo falou acerca de Sua vinda a Terra: “Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-Me fazer a Tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a Tua lei.” (Sal. 40:7 e 8). Ele afirmou que havia guardado os mandamentos de Seu Pai (João 15:10). Tão fielmente os guardou, que observou o sábado do sétimo dia, freqüentemente estigmatizado pelo cristianismo popular como “sábado judeu”.
O cônego Knox-Little diz: “Com toda certeza, nosso Senhor, quando esteve na Terra, guardou o sábado e não o domingo.” (Sacerdotalism, pág. 75) Não é por que o cônego Knox-Little disse, é claro, mas porque a Escritura ensina dessa maneira. É um fato tão claro que não exige maior discussão. Jamais ouvimos de alguém que tivesse a audácia de afirmar que Jesus observou outro dia que não o sétimo, assinalado pelo quarto mandamento. Guardar “o sábado conforme o mandamento” fez parte da justiça que havia no coração de Cristo. Visto que “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente”, o sétimo dia continua ainda hoje em Seu coração.
Vida eterna através de Cristo – “Assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.” A vida de Cristo foi oferecida por nós e para nós na cruz. É sendo crucificados com Ele que vivemos com Ele (Gál. 2:20; Rom. 6:8) “Deus estava em Cristo reconciliando Consigo o mundo.” (II Cor. 5:19). A lei estava em Seu coração, de maneira que o coração de Cristo era verdadeiramente o trono de Deus. “Acheguemo-nos, com confiança, junto ao trono da graça.”
Quando Cristo pendia na cruz, “... um dos soldados Lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.” (João 19:34). Aí estava a fonte da vida manando abundantemente para todos. Vinha do coração de Cristo, onde estava a lei de Deus. Vemos que o Sinai, o Calvário e o Monte Sião apresentam a mesma verdade – a lei. O Sinai e o Calvário não se opõem entre si, mas estão unidos. Apresentam ambos o mesmo evangelho e a mesma lei. A vida que flui do Calvário traz-nos a justiça da lei proclamada no Sinai.
A graça reina pela justiça – Vemos como a graça reina pela justiça para a vida eterna. A vida eterna está em Cristo, pois Sua vida é a vida do Deus existente por Si mesmo “pelos séculos dos séculos”. Entretanto, a vida de Deus é a lei. A graça flui do Senhor a nós por intermédio da vida de Cristo e traz-nos Sua justiça. Dessa maneira, recebemos a lei em Cristo, segundo o propósito para a qual foi ordenada – dar vida.
Aceitar o dom maravilhoso da graça de Deus é simplesmente nos submetermos ou nos entregarmos a Ele, a fim de que Cristo possa morar em nós e viver em nós a justiça da lei, tal como foi promulgada no Sinai e entesourada no trono divino. Desde o flanco ferido de Cristo, flui para você o manancial de águas vivas. Aceite-O e Ele será em você uma fonte de água que salte para a vida eterna.
Oh, cantai outra vez, cantai,

Novas de amor e vida.

Pois eu nelas encontro paz,

Novas de amor e vida.


Belas, sublimadas, puras, inspiradas

Novas do Céu, bênçãos de Deus,

Novas de amor e vida.

Novas do Céu, bênçãos de Deus,

Vida e poder contêm.

Capítulo 6
O Jugo de Cristo é Suave

e o Seu Fardo é Leve

Ao dar início ao estudo do sexto capítulo de Romanos, devemos lembrar-nos de que ele é a continuação do quinto, cujo tema principal é a graça superabundante, o dom da vida e a justiça pela graça. Como pecadores, somos inimigos de Deus. Porém, fomos reconciliados, isto é, libertados do pecado ao recebermos a justiça da vida de Cristo, a qual não conhece limites. Não importa o quanto o pecado possa transbordar, a graça o suplanta “muito mais”.


Crucificados, sepultados e ressuscitados

com Cristo – Romanos 6:1 a 11
1 Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?

2 De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?

3 Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?

4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.

5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição,

6 sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;

7 porquanto quem morreu está justificado do pecado.

8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos,

9 sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele.

  1. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.

  2. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.


Uma pergunta importante – “Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?” É indubitável que em sua mente haja uma pergunta equivalente à feita nos versículos 5 e 7 do terceiro capítulo, e cuja resposta é encontrada nos versos 6 e 8.Trata-se de outro modo de dizer: “Pratiquemos males para que venham bens?” A resposta é óbvia: “De modo algum!”
Mesmo que a graça transborde ali onde o pecado abundou, não há razão para acumular pecados voluntariamente. Isso seria receber a graça de Deus em vão (II Cor. 6:1).
Sua razão – “Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” Isso é simplesmente impossível. Realmente, não há procedência na pergunta se deveríamos ou não praticá-lo, visto estarmos mortos para ele, não podemos viver nele ao mesmo tempo. Um homem não pode estar vivo e morto ao mesmo tempo.
O capítulo anterior demonstrou o fato de que estamos reconciliados com Deus mediante a morte de Cristo, e somos salvos pela Sua vida. Reconciliação com Deus significa libertação do pecado, de maneira que sermos “salvos pela Sua vida” significa que “passamos da morte para a vida”. A vida de pecado era de inimizade, a qual a vida de Cristo pôs fim.
“Batizados em Cristo Jesus” – O batismo é símbolo de incorporação em Cristo. “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.” (Gál. 3:27) “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos...” (I Cor. 12L12 e 13)
Onde Cristo nos toca – É na morte que tomamos contato com Cristo. Alcança-nos Ele no ponto mais baixo possível. Isso garante a nossa salvação. Ela é assegurada a todos, sem exceção. A morte e a enfermidade são tributárias do pecado. A morte é a soma de todos os males possíveis ao homem; é a mais baixa profundidade imaginável, e é aí que Cristo entra em contato conosco. É pela morte que nos unimos a Ele. Em virtude do princípio universal de que o maior inclui o menor, o fato de Cristo ter-Se humilhado a Si mesmo até a morte, demonstra que não há mal que nos possa afetar, o qual Ele não tenha tomado sobre Si.
Batizados em Sua morte” –“Todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na Sua morte...” O que significa ser batizados em Sua morte? Verso 10: “Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.” Morreu para o pecado, não pelo Seu, pois não tinha nenhum, mas “carregando Ele mesmo em Seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados.” (I Ped. 2:24). “Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades...” (Isa. 53:5). Em Sua morte, o pecado morreu; por conseguinte, se somos batizados em Sua morte, também morremos para o pecado.
Uma vida nova – “Tendo Cristo ressurgido dentre os mortos, já não morre mais...” “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com Ele viveremos.” Foi impossível que a sepultura retivesse a Cristo (Atos 2:24). Assim, tão certamente como somos batizados na morte de Cristo, seremos ressuscitados de uma vida de pecado para uma vida de justiça nEle. “Se temos sido unidos a Ele na semelhança da Sua morte, certamente também o seremos na semelhança da Sua ressurreição.”
Crucificados com Ele – Desde que Cristo foi crucificado, ser batizados em Sua morte significa que somos crucificados com Ele. Assim, lemos: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim...” (Gál. 2:20) Crucificado, porém vivo, já que estou crucificado com Cristo e Cristo vive. Em certa ocasião, nosso Salvador garantiu: “Porque Eu vivo e vós vivereis.” (João 14:19) Como podemos viver uma nova vida? Não temos em nós mesmos nenhum poder, porém, Cristo foi ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, e em Sua oração a Deus Ele disse: “Eu lhes dei a glória que a Mim Me deste...” (João 17:22). Portanto, o poder que ressuscitou a Jesus dos mortos põe-se em ação para ressuscitar-nos da morte do pecado. Se estivermos dispostos a permitir que nossa vida anterior seja crucificada, podemos estar certos da concessão da nova.
Crucificado nosso “velho homem” – Seremos tornados em semelhança de Sua ressurreição. Se formos crucificados com Cristo, nossos pecados devem ter sido igualmente crucificados com Ele, posto que fazem parte de nós. Nossos pecados estiveram sobre Ele quando foi crucificado, de maneira que estão certamente crucificados se nós estivermos com Ele.
Porém, há aqui uma diferença entre nós e nossos pecados ao serem crucificados. Somos crucificados a fim de podermos voltar a viver, enquanto que nossos pecados o são com o objetivo de extinção. Cristo não é “ministro do pecado” (Gál. 2:17). Foi a vida de Deus que o ressuscitou dentre os mortos, e nessa vida não existe pecado.
Separação do pecado – Observe que a separação do pecado é produzida pela morte. Isso é assim porque a morte está no pecado. “... O pecado, sendo consumado, gera a morte.” (Tiago 1:15) Assim, nada menos que a morte pode operar essa separação. Não podemos separar-nos a nos mesmos do pecado, porque ele era a nossa própria vida. Se nos fosse possível promover a destruição do pecado, haveria de ser unicamente pela deposição de nossa vida, o que significaria nosso fim. Essa é a razão pela qual não existe futuro para os ímpios que morrem em seus pecados. Ao cessar-lhes (ou ser-lhes retirada) a vida, deixam de existir. Porém, Cristo tinha o poder de depor Sua vida e tornar a tomá-la, por isso, quando depomos nossa vida nEle, somos ressuscitados em virtude de Sua vida indestrutível.
Lembre-se, amigo leitor, que não se trata de devolver nossa vida anterior, mas de que Ele nos dá Sua própria vida. Nessa vida não houve jamais um só pecado, e assim, sermos crucificados e ressuscitados com Ele significa nossa separação do pecado. É preciso manter esse pensamento em mente ao abordarmos o estudo do próximo capítulo.
Sepultados com Ele no batismo – O batismo, por conseguinte, é um enterro. Se quiséssemos seguir as claras instruções das Escrituras, nunca questionaríamos a forma de praticar o batismo. Ninguém que leia a Bíblia pode conceber uma idéia diferente da de que o batismo efetua-se por imersão. “... Sepultados, juntamente com Ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que O ressuscitou dentre os mortos.” (Col. 2:12) O batismo representa a morte e a ressurreição de Cristo, e mediante ele demonstramos nossa aceitação de Seu sacrifício. O próprio ato é, de fato, um sepultamento, a fim de tornar mais destacado o ensino.
Por que a forma de batizar foi mudada? – Como ocorreu a mudança do batismo bíblico para o rito de aspersão? A resposta é facílima. O batismo é um memorial da ressurreição de Cristo. Porém, a “igreja”, entendendo por ela os bispos que amavam mais o louvor dos homens do que o louvor de Deus, e que buscavam o favor da classe influente entre os pagãos, adotou a festividade pagã do Sol. A fim de se justificar desse proceder, declarou que o sol nascente que os pagãos adoravam era um símbolo da ressurreição do “Sol da Justiça”, isto é, de Cristo, e que observando o domingo celebravam Sua ressurreição.
Todavia, agora os prelados se encontravam com dois memoriais da ressurreição, de forma que abandonaram aquele que Deus havia dado. Para que não parecesse estarem eles depreciando o batismo, declararam que o costume pagão de aspergir com “água benta”, própria da festividade do Sol, constituía o batismo sancionado pelas Escrituras.
O povo confiava nos padres em lugar de consultar pessoalmente a Bíblia, e assim era muito fácil fazê-lo crer que estava obedecendo a Deus. É certo que alguns atendem à Palavra no que se refere ao batismo por imersão, enquanto observam o domingo, porém, isso é inconsistente. É um contra-senso ignorar a Palavra num particular (observância do domingo), a fim de prover um memorial para algo que já se está celebrando de acordo com a Bíblia (o batismo). O batismo bíblico está caindo em desuso entre muitos observadores do primeiro dia da semana. Antes ou depois, terão de decidir-se inteiramente por uma das duas opções.
Instrumentos de Justiça – Romanos 6:12-23
12 Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;

13 nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.

14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.

15 E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!

16 Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?

17 Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues;

18 e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.

19 Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação.

20 Porque, quando éreis escravos do pecado, estáveis isentos {isentos; isto é, no original, forros} em relação à justiça.

21 Naquele tempo, que resultados colhestes? Somente as coisas de que, agora, vos envergonhais; porque o fim delas é morte.

22 Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;

23 porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

O reino do pecado – Aprendemos no quinto capítulo que o reino do pecado é o reino da morte, posto que a morte vem através do pecado. Porém, aprendemos também que o dom da vida é oferecido a todos, de tal maneira que aquele que tem a Cristo tem a vida. Neles não reina a morte, mas eles mesmos “reinarão em vida por Um só, por Jesus Cristo”. A exortação “não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal”, equivale a uma exortação para morar em Cristo e entesourar Sua vida. Obtemos a vida pela fé e assim é como temos de mantê-la.
De quem você é servo? – A resposta é evidente: “sois servos desse mesmo a quem obedeceis”. Se nos submetermos ao pecado, somos servos do pecado, posto que “todo o que comete pecado é escravo do pecado”. (João 8:34). Contudo, se nos submetermos à justiça, somos seus servos. “Ninguém pode servir a dois senhores.” (Mat. 6:24) Não podemos servir ao pecado e à justiça a um só tempo. Ninguém pode ser pecador e justo de uma vez (Nota: emprega-se aqui o termo “pecador” na acepção de Isa. 1:29; 13:9; I Ped. 4:28, etc. A suposição de que se referisse aqui à extirpação da natureza pecaminosa, é totalmente contrária ao ensino do autor) Ou bem reina o pecado ou bem reina a justiça.
Instrumentos – Deparamo-nos, neste capítulo, com dois termos que descrevem as pessoas: servos e instrumentos. O pecado e a justiça são dois governantes. Não somos mais que instrumentos em suas mãos. O caráter da obra que um instrumento realiza é inteiramente determinado por aquele que o usa.
Que tipo de obra fará um bom lápis? Boa, nas mãos de um escritor competente. Muito deficiente, se quem o maneja é um tabaréu. Um homem bom escreverá com ele apenas o que é bom; porém, empregado por um malvado, propiciará uma exibição de maldade. Agora, o homem não é uma simples ferramenta. Não, seguramente. Os instrumentos comuns não podem escolher quem os empregará, enquanto que um homem tem plena liberdade de escolha naquilo que se refere a quem servirá. Tem que se submeter, não apenas uma vez, mas continuamente. Caso se submeta ao pecado, cometerá pecado. Se se submeter a Deus para ser um instrumento em Suas mãos, não pode fazer outra coisa que não seja o bem, por tanto tempo quanto esteja submisso a Ele.
Um paralelo – No versículo 19, somos exortados a nos submetermos como servos da justiça, da mesma forma que antes nos submetemos a ser servos do pecado. Fazendo tal coisa, nos versículos seguintes somos assegurados de que tão certamente como o fruto antes era pecado e morte, será agora santidade ao nos tornarmos servos da justiça. Isso é garantido, eternamente garantido, porque “onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor”. A justiça é mais forte que o pecado, assim como Deus é mais poderoso que Satanás. Deus pode arrebatar das mãos satânicas a alma que clama por libertação. Porém, ninguém pode arrebatar os filhos de Deus de Suas mãos.

“Não estais debaixo da lei” – Muitos se guardam cuidadosamente de citar essa passagem, pretendendo estarem livres da obediência à lei de Deus. Por estranho que pareça, empregam-na como uma negação seletiva da observância do quarto mandamento. Leia o quarto mandamento a alguém que rejeite o sábado do Senhor – o sétimo dia –, e ele lhe dirá: “Não estamos debaixo da lei.” Todavia, o mesmo que dá essa resposta, citará o terceiro mandamento a alguém que tome o nome de Deus em vão, ou o primeiro e o segundo a um pagão idólatra. Reconhecerá assim também o sexto, o sétimo e o oitavo mandamentos. Parece, pois, que não crêem realmente que essa declaração de que não estamos debaixo da lei signifique que temos liberdade de transgredi-la. Estudemos o verso em conjunto e em suas diferentes partes.


O que é pecado? – “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.” (João 3:4) “

“Toda injustiça é pecado...” (I João 5:17). Está bem claro. Estabeleçamos isso muito bem em nossa mente.



O que é justiça? – O oposto do pecado, porque “toda injustiça é pecado” (I João 5:17). Porém, “o pecado é a transgressão da lei”; daí, a justiça é observar a lei. Assim, quando somos exortados a submeter nossos membros a Deus como instrumentos de justiça, estamos sendo admoestados a prestarmos obediência à lei.
O domínio do pecado – O pecado não tem domínio sobre aqueles que se submetem como servos da justiça ou da obediência à lei – porque pecado é transgressão da lei. Agora leia o verso 14 integralmente: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.” Isto é, a transgressão da lei não acha lugar entre aqueles que não estão debaixo da lei. Assim, os que não estão debaixo da lei são precisamente aqueles que a obedecem. Os que a transgridem, sim, estão debaixo dela. Está muito claro!
Debaixo da graça – “Não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.” Constatamos que os que não estão debaixo da lei são os que a observam. Conseguintemente, os que estão debaixo da lei são os que a violam, estando por isso sob a condenação da lei. Porém, “onde abundou o pecado, superabundou a graça”. A graça liberta do pecado.
Sentimo-nos quebrantados pelas ameaças da lei que temos transgredido, e buscamos refúgio correndo para Cristo, que é “cheio de graça e verdade”. Ali encontramos libertação do pecado. NEle achamos, não apenas graça para cobrir todos os nossos pecados, mas a justiça da lei, visto que Ele está cheio de verdade, e a lei é a verdade (Sal. 119:142). A graça “reina” pela justiça (ou obediência à lei) para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
O salário do pecado – Vimos no segundo capítulo que aqueles que rejeitam a bondade de Deus estão acumulando ira contra si mesmos. Agora, então, a ira vem somente sobre os filhos da desobediência (Efés. 5:6). Os que pecam estão decidindo qual será seu próprio salário. “O salário do pecado é a morte.” O pecado traz em si mesmo a morte – “o pecado, sendo consumado, gera a morte”. Ele não pode ter um fim diferente que não a morte, porque ele é a ausência de justiça, e a justiça é a vida e o caráter de Deus. Desse modo, a eleição persistente e definitiva do pecado significa escolha da completa separação da vida de Deus e, por isso, de toda vida possível, porquanto não há outra à parte da que provém dEle. Cristo, que é sabedoria de Deus, diz: “todos os que me odeiam amam a morte” (Prov. 8:36). Os que finalmente sofrerem a morte serão somente aqueles que haviam trabalhado para obtê-la.
O dom de Deus – Não trabalhamos para a vida eterna. Nenhuma obra que pudéssemos fazer significaria um pagamento mínimo por ela. Ela é dom de Deus. É certo que advém unicamente pela justiça, porém a justiça também é um dom. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Efés. 2:8-10)
“Oh, quão grande é a Tua bondade, que guardaste para os que Te temem. a qual na presença dos filhos dos homens preparaste para aqueles que em Ti se refugiam!” (Sal. 31:19) O que peca recebe simplesmente aquilo que busca. Porém, a quem se entrega como servo da justiça, Deus provê justiça e com ela outorga-lhe a vida eterna, tudo como dom gratuito. “O caminho dos ímpios perecerá”, mas o jugo de Cristo é suave e o Seu fardo é leve.


Capítulo 7
Casados Com um Péssimo Marido
Todo o capítulo sete de Romanos está realmente contido no sexto. Quem entende o capítulo anterior não terá problemas com este. Somos tornados justos pela obediência de Cristo. Isso se deve ao fato dEle nos dar Sua vida agora. Ele vive em nós.
Chegamos a essa união com Cristo ao sermos crucificados com Ele. Nessa morte é destruído o corpo do pecado, a fim de que, a partir de então, não sirvamos mais ao pecado. Dito de outro modo, não transgredimos mais a lei. Estamos tão estreitamente identificados com o pecado, que sendo esse a nossa vida, não pode ser destruído sem que morramos. Entretanto, em Cristo não há pecado, de forma que quando somos ressuscitados com Ele, o pecado permanece morto. Sendo, pois, ressuscitados com Ele, vivemos com Ele, algo que era impossível anteriormente devido ao pecado; o pecado não pode morar com Ele.



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   10   11   12   13   14   15   16   17   ...   23


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal