Carta Aos Romanos



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O evangelho definido. Romanos 1:16 e 17


16 Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;
17 visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

"Não me envergonho" – Não há razão alguma pela qual alguém poderia envergonhar-se do evangelho. Porém, muitos se sentem envergonhados. e a tal ponto que não estão dispostos a rebaixar-se fazendo profissão dele. E a muitos que o professam produz vergonha patente. Qual é a causa dessa vergonha? É o desconhecimento do que constitui o evangelho. Ninguém que o conheça realmente ficará envergonhado dele, nem de alguma de suas facetas.

Desejo de poder - Nada o homem deseja tanto quanto o poder. Trata-se de um anseio que o próprio Deus implantou nele. Desafortunadamente, o diabo enganou a maioria dos homens de tal modo que procuram o poder de forma equivocada. Crêem que ele é encontrado na posse de riquezas ou de posição política, e se lançam à busca de tais coisas. Mas elas não provêem o poder para satisfazer o desejo que Deus implantou em nós, como demonstra o próprio fato de não produzirem satisfação.

Nenhum homem jamais se satisfez com o poder oriundo das riquezas ou posição. Por mais que tenha sempre deseja mais. Ninguém acha nelas o que desejava, de forma que se afana para conseguir sempre mais, julgando que assim satisfará o desejo do seu coração, mas tudo em vão. Cristo é "o Desejado de Todas as Nações" (Ageu 2:7), a única fonte de satisfação completa, já que Ele é a encarnação de todo autêntico poder que existe no Universo: o poder de Deus. "Cristo é o poder de Deus" (I Cor. 1:24).



Poder e sabedoria - Sabe-se que o conhecimento é poder. Isso depende… Se nós ativermos à frase do poeta, "o estudo apropriado para o gênero humano é o "estudo do homem", então, realmente, o conhecimento é qualquer coisa, menos poder. Todo homem sabe que é pecador, que faz o que não deve; porém, esse conhecimento não lhe confere poder para mudar seu curso de ação. Você pode apontar para alguém todas suas faltas, contudo, se não faz mais do que isso, debilitou-o em lugar de fortalecê-lo.

No entanto, aquele que decide, juntamente com o apóstolo Paulo, não saber nada, "senão Jesus Cristo e Esse crucificado", possui sabedoria que é poder. "E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3) Conhecer a Cristo é entrar na posse do poder de Sua vida infinita. É por falta desse conhecimento que o homem é destruído (Oséias 4:6). Porém, visto que Cristo é o poder de Deus, é absolutamente correto dizer que o poder é o que o homem necessita; e o único poder genuíno, o poder de Deus, se revela no evangelho.


A glória do poder - Todos os homens honram o poder. Onde esse se manifeste, você achará uma nuvem de admiradores. Não há ninguém que deixe de admirá-lo ou aplaudi-lo de alguma maneira. Uma musculatura poderosa é objeto freqüente de admiração e orgulho, quer pertença a um ser humano, ou a um animal irracional. Uma máquina poderosa que move toneladas sem esforço aparente, chama sempre a atenção, assim como aquele que a construiu. O homem rico, cujo dinheiro pode pagar o serviço de milhares, sempre tem admiradores, não importando como o adquiriu. O homem de ascendência nobre e posição, ou o rei de uma grande nação, têm multidões de seguidores que aplaudem seu poder. Os homens anseiam relacionar-se com eles, já que de tal relação deriva certa dignidade, embora o poder em si mesmo seja intransferível.
Entretanto, todo o poder terreno é frágil e temporário, enquanto que o poder de Deus é eterno. O evangelho é o poder, e se os homens quisessem reconhecê-lo apenas pelo que ele é, não haveria ninguém que se envergonharia dele. Paulo disse: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo." (Gál. 6:14). A razão disso é que a cruz é o poder de Deus (I Cor. 1:18). O poder de Deus manifestado do modo que é, significa glória: nada para envergonhar-se.

Cristo não se envergonha - Com respeito a Cristo, lemos: "Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que Ele não Se envergonha de lhes chamar irmãos." (Heb. 2:11). "Por isso, Deus não Se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus..." (Heb. 11:16). Se o Senhor não se envergonha de Se chamar irmão dos pobres, débeis e mortais pecadores, o homem não tem nenhuma razão de envergonhar-se dEle. "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus..." (1 João 3:1). Envergonhar-se do evangelho de Cristo! Poderia existir um caso pior de exaltação do eu acima de Deus? Envergonhar-se do evangelho de Cristo, que é o poder de Deus, é uma evidência de que aquele que assim faz se crê, realmente, superior a Deus. Parece que rebaixa sua dignidade ao associar-se com o Senhor.

Jesus, graças Te damos porque Tu não Te envergonhaste de tornar-Se humano, sendo nosso Criador. Graças por haveres "menosprezado a vergonha", quando Teu corpo pendia desnudo entre o céu e a terra, cravado no madeiro. Para Ti não havia nenhuma folha de figueira. Nenhuma pele de animal Te cobriu nessa hora. Só medo e escuridão. Graças por haveres sorvido até às fezes essa taça. Graças por levar em Teu corpo a vergonha de nossos pecados. Graças porque Tu consideras ter sido ferido "na casa de Teus amigos" quando, em realidade, éramos "inimigos" . Graças por termos no Céu um representante como Tu, que apesar de tudo, "não Se envergonha de nos chamar de irmãos". Ao contemplar essa misericórdia, sentimos vergonha por haver-Te negado tantas vezes. Aborrecemos nosso orgulho e nos apegamos a esse amor com que Tu nos atrais a Ti mesmo. Como o discípulo amado, aceitamos recostar nossa cabeça em Teu peito, Tu que não tiveste onde repousar a Tua, desde a manjedoura até a cruz. (L.B.)



Salvos pela fé – O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus." (Efés. 2:8). "Quem crer e for batizado será salvo..." (Mar. 16:16). "Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no Seu nome." (João 1:12). "Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação." (Rom. 10:10) A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado." (João 6:29). A fé que opera.

Faltar-nos-á tempo para falar daqueles que "por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, ... da fraqueza tiraram força..." (Heb. 11:33 e 34). Os homens podem dizer: "não vejo como uma pessoa pode ser feita justa simplesmente crendo." O que você vê não tem nenhuma transcendência: você não é salvo pela vista, mas pela fé, já que é o Senhor quem opera a salvação. Cristo habita no coração pela fé (Efés. 3:17), e uma vez que Ele é a nossa justiça, também "é minha salvação, confiarei e não temerei" (Isa. 12:2). Veremos mais amplamente ilustrada a salvação pela fé, à medida que prosseguirmos no estudo, posto que o livro de Romanos é totalmente dedicado a isso.



"Primeiro do judeu" - Quando Pedro, a pedido de Cornélio – o centurião romano – por mandado do Senhor, foi a Cesaréia para pregar o evangelho aos gentios, suas primeiras palavras, depois de haver escutado a história de Cornélio, foram: "Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável." (Atos 10:34 e 35).

Foi a primeira vez que Pedro percebeu essa verdade, mas não a primeira vez que isso era verdade. Tal verdade é tão antiga quanto o próprio Deus. Ele nunca escolheu uma pessoa com exclusão dos demais. "A sabedoria, porém, lá do alto é ... imparcial." (Tiago 3:17). É certo que os judeus, como nação, foram maravilhosamente favorecidos pelo Senhor, porém perderam todos os seus privilégios simplesmente porque supuseram que Deus os amou mais do que a qualquer outro, e que tinham exclusividade. Ao longo de toda a sua história, Deus tentou fazer com que compreendessem que aquilo que lhes oferecia era para o mundo inteiro, e que tinham de ministrar aos demais a luz e os privilégios de que participavam.

Casos como o de Naamã, o sírio, ou dos ninivitas, a quem Jonas foi enviado, figuram entre muitos outros por meio dos quais Deus queria ensinar aos judeus que Ele não faz acepção de pessoas.

Então, por que o evangelho foi pregado "primeiro ao judeu"? Simplesmente porque estavam mais próximos . Cristo foi crucificado em Jerusalém. Ali Ele comissionou Seus discípulos para a pregação do evangelho. Ao ascender, disse: " Sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra." (Atos 1:8) Era muito natural que devessem começar a pregação do evangelho no lugar e para as pessoas que estavam mais próximas a eles. Esse é o segredo de toda ação missionária. Aquele que não trabalha de acordo com o evangelho em sua própria casa, não fará nenhuma obra evangélica, embora possa viajar a um distante país.



A justiça de Deus - O Senhor disse: "Levantai os olhos para os céus e olhai para a terra embaixo, porque os céus desaparecerão como a fumaça, e a terra envelhecerá como um vestido, e os seus moradores morrerão como mosquitos, mas a Minha salvação durará para sempre, e a Minha justiça não será anulada. Ouvi-Me, vós que conheceis a justiça, vós, povo em cujo coração está a Minha lei..." (Isa. 51:6 e 7). "A minha língua celebre a tua lei, pois todos os Teus mandamentos são justiça." (Sal. 119:172)

Portanto, a justiça de Deus é Sua lei. Não podemos nos esquecer disso. A expressão "a justiça de Deus" ocorre freqüentemente no livro de Romanos, e defini-la de modo diversificado e arbitrário produziu considerável confusão. Se aceitarmos a definição dada pela Bíblia e nunca a abandonarmos, as coisas ficarão mui simplificadas: A justiça de Deus é Sua lei perfeita.



Justiça e vida - Os Dez Mandamentos, seja os que estão gravados em tábuas de pedra ou escritos num livro, não são senão uma declaração da justiça de Deus. Justiça significa a prática do bem, a retidão. Ela é ativa. A justiça de Deus é a Sua prática do bem, Sua forma de ser. E posto que todos os Seus caminhos são justiça, deduz-se que a justiça de Deus é nada menos que a vida de Deus. A lei escrita não é nenhuma ação, mas só uma descrição da ação. É uma descrição do caráter de Deus.

A vida e o caráter de Deus são vistos em Jesus Cristo, no coração de quem a lei de Deus habitava. Não pode haver justiça sem ação. E assim como não há ninguém bom, senão Deus, infere-se que não há justiça, exceto na vida de Deus. A justiça e a vida de Deus são uma só e a mesma coisa.



Justiça no evangelho - "A justiça que vem de Deus se revela de fé em fé." Onde é revelada? "No evangelho." Não se esqueça de que a justiça de Deus é Sua lei perfeita, da qual encontramos uma declaração nos Dez Mandamentos. Não existe conflito algum entre a lei e o evangelho. Na realidade, não existem duas coisas separadas tais como lei e evangelho: a verdadeira lei de Deus é o evangelho, já que a lei é a vida de Deus e somos "salvos por Sua vida". O evangelho revela a lei justa de Deus, posto que ele comporta a lei em si mesmo. Não pode haver evangelho sem lei. Qualquer que ignore ou rejeite a lei de Deus, desconhece o evangelho.

A primeira aproximação - Jesus disse que o Espírito Santo convenceria o mundo d0 pecado e da justiça (João 16:8). Essa é a revelação da justiça de Deus no evangelho. "Onde não há lei, também não há transgressão." (Rom. 4:15). O conhecimento do pecado vem pela lei (Rom. 7:7). Daí se depreende que o Espírito convence do pecado dando a conhecer a lei de Deus. O primeiro vislumbre da justiça de Deus tem como efeito fazer com que o homem sinta sua pecaminosidade, algo assim como a percepção que sentimos de nossa pequenez ante a contemplação de uma magnífica montanha. O mesmo que acontece diante da visão da imensidão da montanha – "A Tua justiça é como as montanhas de Deus." (Sal. 36:6), "cresce" ante nossa visão, à medida que a contemplamos. Então, o que olha continuamente para a justiça de Deus, reconhecerá continuamente sua pecaminosidade.

A segunda e mais profunda aproximação - Jesus Cristo é a justiça de Deus. E Deus não enviou Seu Filho ao mundo "para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele". (João 3:17). Deus não nos revela Sua justiça no evangelho para que fiquemos encolhidos perante ela devido à nossa injustiça, senão para que possamos receber Sua justiça e viver por ela. de forma que nós é encolhido antes de Ele, devido a nossa injustiça, mas de forma que nós podem levar suas justiças e viver para ela. Somos injustos e Deus deseja que nos demos conta disso, de maneira que desejemos receber Sua justiça perfeita. É uma revelação de amor porque Sua justiça é Sua lei e Sua lei é amor (I João 5:3).

Assim, "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I João 1:9). Quando a pregação do evangelho nos revelar a lei de Deus, nós a rejeitarmos e a ela nos opusermos porque condena nosso curso de ação, o que estamos dizendo é simplesmente que não queremos que Deus coloque Sua justiça em nós.


Vivendo pela fé – "Como está escrito: mas o justo viverá da fé?" Cristo é "a nossa vida" (Col. 3:4). Somos "salvos por Sua vida" (Rom. 5:10). É pela fé que recebemos a Jesus Cristo, já que Ele mora em nossos corações pela fé (Efés. 3:17). Ao habitar em nossos corações isso significa vida, já que do coração "procedem as fontes da vida" (Prov. 4:23).
Agora vem a palavra: "Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé..." (Col. 2:6 e 7). Ao recebê-Lo pela fé e andar com Ele da mesma forma que O havemos recebido, "andamos pela fé e não por vista".
"De fé em fé" - Esta expressão aparentemente complexa, que foi objeto de não pequena controvérsia, é em realidade muito simples quando permitimos que a Escritura se explique a si mesma. No evangelho "a justiça que procede de Deus é revelada de fé em fé. Como é escrito: Mas o justo viverá da fé." Observe-se o paralelismo entre "de fé em fé" e "o justo viverá da fé." Justo significa reto.

Na primeira epístola de João 1:9 lemos que Ele (Deus), é fiel e "justo". A vida de Deus é justiça. É Seu desejo que a nossa também seja assim, de forma que nos oferece Sua própria vida. Essa vida se torna nossa pela fé. Da mesma maneira que respiramos, assim temos de viver espiritualmente pela fé; e toda a nossa vida há de ser espiritual. A fé é o alento (respiração) de vida para o cristão. Por conseguinte, do mesmo jeito que vivemos fisicamente de respiração em respiração, deveríamos viver espiritualmente de fé em fé.

Somente podemos viver pelo que respiramos neste momento; assim, só podemos viver espiritualmente pela fé que temos agora. Se vivermos uma vida de consciente dependência de Deus, Sua justiça será nossa, já que a respiraremos continuamente. A fé nos dá força, uma vez que os que a exercitam "tiraram força da fraqueza" (Heb. 11:34).
Dos que aceitam a revelação da justiça de Deus "de fé em fé", se diz que "vão indo de força em força" (Sal. 84:7).
Não nos esqueçamos de que é das próprias palavras da Bíblia que temos de aprender. Toda a real ajuda que um instrutor pode dar a alguém, no estudo da Bíblia, consiste em ensinar-lhe como fixar sua mente com maior clareza nas exatas palavras do registro sagrado. Portanto, primeiramente, leia o texto várias vezes. Não o faça com precipitação, mas cuidadosamente, prestando atenção especial a cada declaração. Nem desperdice um único momento especulando sobre o possível significado do texto. Não há nada pior do que elucubrar sobre o significado de um texto da Escritura, para fazê-lo dizer o que alguém pensa. Ninguém pode saber mais sobre a Bíblia do que a própria Bíblia. Ela está tão disposta a contar sua história a uma pessoa como a qualquer outra.

Pergunte atentamente ao texto. Examine-o uma e outra vez, sempre com um espírito reverente, de oração, para que o texto se explique a si mesmo. Não desanime se você não for capaz de compreender de uma só vez todo o conteúdo do texto. Lembre-se de que se trata da Palavra de Deus e que ela é infinita em profundidade, de maneira que jamais chegará a esgotá-la. Quando chegar a uma passagem difícil, volte atrás e considere-a em relação ao que a precede. Não pense que lhe será possível capturar o significado mais pleno isolando-a de seu contexto. Aplicando-se com perseverança às palavras do texto, a fim de ficar seguro de conhecer exatamente o que ele quer dizer, logo logo você chegará a gravá-lo em sua mente; é então que você começará a saborear alguns dos mais ricos frutos do estudo da Bíblia. Quando menos esperar, brilhará nova luz dessas passagens, e através delas, enquanto estuda outras partes das Escrituras.






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