Carta Aos Romanos



Baixar 0.81 Mb.
Página3/23
Encontro26.02.2018
Tamanho0.81 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   23

A justiça do juízo. Romanos 1:18-20





  1. A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;




  1. porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou.




  1. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;



O homem perdeu o conhecimento de Deus.

Romanos 1:21-23.





  1. porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.




  1. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos



  1. e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.



O resultado de ignorar a Deus. Romanos 1:24 a 32





  1. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si;




  1. pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!




  1. Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza;




  1. semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.




  1. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes,


29 cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores,

30 caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais,


  1. insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia.


32 Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são

passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.
Toda injustiça é condenada - A ira de Deus se manifesta desde o Céu contra toda maldade e injustiça dos homens. "Toda injustiça é pecado..."(I João 5:17). "mas o pecado não é levado em conta quando não há lei." (Rom. 5:13). Portanto, a todo o mundo manifestou suficiente quantidade da lei de Deus, como para deixar a todos sem desculpas para o pecado. O que expõe esse verso equivale ao que encontramos no seguinte capítulo: "Deus não faz acepção de pessoas." Sua ira se manifesta contra toda injustiça. Não há em todo o mundo uma pessoa tão importante que possa pecar impunemente, nem tampouco uma pessoa tão insignificante que seu pecado passe despercebido. Deus é estritamente imparcial. "... Invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um..." (I Ped. 1:17).
Detendo a verdade - Lemos "dos homens que detêm a verdade pela injustiça". Alguns concluíram superficialmente, a partir de Romanos 1:18, que o homem pode possuir a verdade ao mesmo tempo que é injusto. O texto não diz tal coisa. Encontramos evidência suficiente de que isso não é assim, no fato de o apóstolo estar falando nesse capítulo especialmente dos que não possuem a verdade; mas que a transmudaram em mentira. Tendo perdido todo o conhecimento da verdade, estão condenados por seu pecado.

Isso significa que os homens detêm a verdade com injustiça. Quando Jesus foi para Sua própria região natal "não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles." (Mateus 13:58). Porém, no texto de que estamos nos ocupando, o apóstolo quer dizer muito mais que isso. Como mostra claramente o contexto, quer dizer ele que os homens, por sua perversidade, impedem o trabalho da verdade divina em suas próprias almas. Se não fosse pela resistência à verdade, ela os santificaria. E o resultado é:


A justiça da ira de Deus - A ira de Deus se manifesta desde o Céu contra toda impiedade e injustiça dos homens, e se deve ao que "de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou". Não importa quão cegamente o homem possa pecar, persiste o fato de que está pecando contrariamente a grande luz, pois "o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou". Com um tal conhecimento, não somente ante seus olhos, senão de fato em seu interior, é fácil reconhecer a justiça da ira de Deus contra todo pecado, não importando quem o pratique.

Embora não nos esteja perfeitamente clara a forma pela qual o conhecimento de Deus é posto em todo homem, podemos aceitar a constatação que o apóstolo faz desse fato. Na maravilhosa descrição dada a Isaías sobre a loucura da idolatria, é-nos dito que o homem que faz para si um ídolo mente contra a verdade que ele mesmo possui. "... Seu coração enganado o iludiu, de maneira que não pode livrar a sua alma, nem dizer: Não é mentira aquilo em que confio?" (Isa. 44:20)


Vendo o Invisível - É-nos dito sobre Moisés que ele "permaneceu firme como quem vê Aquele que é invisível." (Heb. 11:27). Não se trata de um privilégio especial de Moisés. Todos podem fazer o mesmo. Como? "Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas." (Rom. 1:20) Nunca houve um tempo, desde que o mundo foi criado, em que os homens não tivessem à disposição o conhecimento de Deus.
"Os céus proclamam a glória de Deus,

e o firmamento anuncia as obras das suas mãos."

Salmo 19:1
Seu eterno poder e divindade – As coisas invisíveis de Deus que são dadas a conhecer através das coisas criadas, são Seu eterno poder e divindade. "Cristo [é o] poder de Deus e sabedoria de Deus." (I Cor. 1:24). "Pois nEle foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste." (Col. 1:16 e 17) "Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele ordenou, e tudo passou a existir." (Sal. 33:9) Ele é "o Primogênito de toda a criação" (Col. 1:15). É a origem, o princípio da criação de Deus (Apoc. 3:14).


Isto é, toda a criação provém de Jesus Cristo, que é o poder de Deus. Chamou os mundos à existência a partir de Seu próprio Ser. Portanto, tudo quanto foi criado leva o selo do poder externo e a divindade de Deus. Não podemos abrir nossos olhos, nem sequer sentir a brisa fresca no rosto sem ter uma clara revelação do poder de Des.

Somos a "geração de Deus" - Quando Paulo repreendeu os atenienses por sua idolatria, disse que Deus não está longe de cada um de nós. "Pois nEle vivemos, e nos movemos, e existimos..." (Atos 17:28) Paulo estava falando a pagãos e, portanto, o conceito era tão certo para eles como é para nós. Mencionou, então, seus poetas, que disseram: "Porque somos geração dEle", e pôs nessa declaração o selo da verdade ao acrescentar: "Sendo, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem." (verso 29)
Cada movimento do homem e cada respiração, são obra do poder externo de Deus. Assim, o eterno poder e a divindade são manifestos a todo o homem. Não que o homem seja divino em qualquer sentido, nem que possua por si mesmo algum poder. Muito pelo contrário, o homem é como a erva. "Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade." (Sal. 39:5). O fato de o homem não ser nada por si mesmo - "menos que nada é o que ele é", evidencia o poder de Deus que se manifesta nele.
O poder de Deus na erva - Observe uma pequena folha de erva abrindo caminho desde o solo, em busca da luz solar. É algo realmente frágil. Arranque-a e comprovará que não tem foça para suster-se por si mesma. O simples ato de desenraizá-la faz com que perca sua relativa rigidez. Depende do solo para seu sustento e, portanto, precisa atravessá-lo e emergir. Disseque essa folha tão minuciosamente quanto possível, e você não achará nada que indique a posse de um poder próprio. Esfregue-a entre os dedos e veja que ela se converte em quase nada. É uma das coisas mais frágeis na Natureza, contudo, é capaz de erguer grandes pedras que se interponham no caminho de seu crescimento.

De onde vem sua força? É exterior à erva. Não é nada menos que o poder da vida de Deus, operando de acordo com Sua palavra, que no princípio ordenou: "Produza a terra relva."


O evangelho na criação - Já vimos como em todas as coisas criadas se manifesta o poder de Deus. Consideramos também como "o evangelho ... é o poder de Deus para a salvação". O poder de Deus é sempre o mesmo, uma vez que o texto nos fala de "Seu eterno poder". O poder que se manifesta nas coisas que Deus criou, por conseguinte, é o mesmo que opera nos corações dos homens para salvá-los do pecado e da morte. Podemos ter assim a certeza de que Deus designou que cada parte do Universo seja um pregador do evangelho. Dessa maneira, não é somente certo que a partir das coisas feitas por Deus o homem possa conhecer Sua existência, mas também o eterno poder divino para salvá-lo. O verso 20 do primeiro capítulo de Romanos é o desenvolvimento do dezesseis. Ele nos diz como podemos conhecer o poder do evangelho.

As estrelas como pregadores - "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo." (Sal. 19:1-4).
Agora leia Romanos 10:13-18: "Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão Aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Mas pergunto: Porventura, não ouviram? Sim, por certo: Por toda a terra se fez ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo."
Nesse texto é dada a resposta a toda objeção que o homem possa fazer a propósito do castigo dos pagãos. Como é dito no primeiro capítulo, ninguém tem desculpa. O evangelho foi dado a conhecer a toda a criatura debaixo do céu. Admite-se que o homem não pode invocar Àquele em quem não creu, e que não pode crer sobre quem nada foi dito; e também não pode ouvir sem que alguém pregue. E aquilo que deveria ouvir, e ao qual não pôde obedecer, é o evangelho.

Tendo afirmado isso, o apóstolo pergunta: "Não ouviram, realmente?", e então responde categoricamente à pergunta que acaba de fazer, citando as palavras do salmo 19: "Claro que ouviram. 'Por toda a terra se faz ouvir a Sua voz, e as Suas palavras, até aos confins do mundo." Conseguintemente, podemos saber que essa palavra que os céus contam dia a dia, é o evangelho, e que essa sabedoria que se declara uma noite após outra é o conhecimento de Deus.


Os céus declaram justiça - Sabendo que aquilo que os céus declaram é o evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para a salvação, podemos seguir facilmente a linha do salmo 19. Ao leitor acidental parece que há uma interrupção na continuidade desse salmo. Ele começa falando dos céus e, de repente, passa a abordar a perfeição da lei, bem como seu poder convertedor. "A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma." (verso 7). Entretanto, não há nenhuma interrupção alguns. A lei de Deus é a justiça de Deus; o evangelho revela a justiça de Deus e os céus revelam o evangelho. Então, se deduz que os céus revelam a justiça de Deus. "Os céus anunciam a Sua justiça, e todos os povos vêem a sua glória." (Sal. 97:6).
A glória de Deus é a Sua bondade, já que nos é dito que devido ao pecado todos os homens estão destituídos de Sua glória (Rom. 3:23). Portanto, podemos saber que todo aquele que ergue com reverência seus olhos para o céu, discernindo nele o poder do Criador e estando disposto a colocar-se nas mãos desse poder, será levada à justiça salvadora de Deus. Até o Sol, a Lua e as estrelas – cuja luz não é mais que uma parte da glória do Senhor – iluminarão sua alma com tal glória (Ver Filhos e Filhas de Deus, pág. 19).

Sem desculpa - Quão evidente é, por conseguinte, que os homens não têm desculpas para suas práticas idólatras. Quando o Deus verdadeiro Se revela a Si mesmo em tudo e dá a conhecer Seu amor mediante o próprio poder, que desculpa poderá apresentar o homem para não reconhecê-Lo nem adorá-Lo? Porém, é verdade que Deus faz com que todos os homens saibam de Seu amor? Sim, tão certo como Ele Se revela, porque "Deus é amor." Qualquer que conheça o Senhor, saberá de Seu amor. Se tal acontece aos pagãos, quão indesculpável é a situação daqueles que vivem em países onde o evangelho é pregado com voz audível, a partir da Palavra escrita!
A origem da idolatria - Por que há tantos ainda que O ignoram completamente se Ele Se revelou de maneira tão clara? Eis a resposta: "Porque tendo conhecimento de Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças..." Há algo que Deus deu como sinal e selo de Sua divindade – o sábado. Referindo-se ao homem, disse: " Também lhes dei os Meus sábados, para servirem de sinal entre Mim e eles, para que soubessem que Eu Sou o Senhor que os santifica." (Eze. 20:12). Isso se harmoniza com o que aprendemos em Romanos. Vimos nesse livro que o homem sábio percebe o poder e a divindade de Deus por meio das coisas que Ele criou; o sábado é o grande memorial da criação. "Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou." (Êxo. 20:8-11). Se o homem houvesse guardado o sábado tal como foi dado jamais existiria a idolatria, porquanto ele revela o poder da Palavra do Senhor para criar e operar justiça.
Nulos em seus próprios raciocínios - O homem se rendeu à vaidade de pensamento, e "seu coração insensato foi obscurecido." Com respeito às especulações dos antigos filósofos, disse Gibbon: "Sua razão era freqüentemente guiada pela imaginação, e a imaginação por sua vaidade". O itinerário de sua queda foi o mesmo que do anjo que se converteu em Satanás. "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!

Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo." (Isaías 14:12-14).


Qual foi a causa de sua exaltação e queda? "Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor..." (Eze. 28:17) Uma vez que sua sabedoria e a glória que possuía dependiam inteiramente de Deus, não O glorificou, mas achou que todos os seus talentos originavam-se em si mesmo; conseqüentemente, ao desligar-se, em seu orgulho, da Fonte de luz, converteu-se no príncipe das trevas. Assim também aconteceu com o homem.

Mudaram a verdade de Deus em mentira - "Não há poder senão de Deus." Em a Natureza vemos a manifestação de um magnífico poder que é, em realidade, a obra de Deus. As diversas formas de poder que os filósofos classificam e crêem serem inerentes à matéria, não são mais que a atuação da vida de Deus nas coisas que Ele criou. Cristo "é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste" ou se mantém (Col. 1:17). A coesão, portanto, deriva do poder direto da vida de Cristo. A força da gravidade também, como vemos na relação entre os corpos celestes. "Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o Seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelo nome; por ser Ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar." (Isa. 40:26). Mas os homens observaram os fenômenos da Natureza, e em vez de discernir neles o poder do Deus supremo, atribuíram-lhes divindade.
Desse modo, olhando para si mesmos e vendo quão grandes coisas poderiam alcançar, em vez de honrar a Deus como o Doador e Sustentador de todas as coisas - Aquele em quem nos movemos e existimos –, supuseram ser eles próprios, por natureza, divinos. Assim mudaram a verdade de Deus em mentira.
A verdade é que a vida e o poder de Deus são manifestos em tudo o que Ele criou; a mentira é que o poder que se manifesta em todas as coisas é inerente a elas próprias. O homem põe assim a criatura em lugar do Criador.

Olhando para dentro - Marco Aurélio, reputado como o maior dos filósofos pagãos, afirmou: "Olhem para dentro. No interior está a fonte do bem, e dali brotará sempre o que procuram." Isso expressa a essência de todo paganismo. O eu era supremo. Mas esse espírito não é exclusivo daquilo que é conhecido por paganismo, algo muito comum em nossos dias; portanto, não é em realidade outra coisa que o espírito do paganismo. É uma parte da adoração da criatura em lugar do Criador. Para eles é natural por-se em lugar dEle; e uma vez feito isso, é conseqüência necessária olharem para si mesmos como fonte da bondade, em vez de a Deus.

Quando os olhares de homem convergem para si, qual é a única coisa que pode ver? "Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura." (Mar. 7:21 e 22). Disse Paulo: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum..." (Rom. 7:18). Agora, quando o homem olha para todo esse mal que está por natureza em si, e pensa que é bom e que pode obter o bem a partir de si mesmo, o resultado não pode ser outro senão a mais degradante maldade. Está virtualmente dizendo: "Mal, sê tu o meu bem."



A sabedoria deste mundo - "O mundo, em sua sabedoria, não conheceu a Deus em Sua divina sabedoria." A agudeza de intelecto não é fé, nem a pode substituir. Um brilhante erudito pode abrigar a maior baixeza humana. Há alguns anos foi enforcado um homem acusado de mais de dez crimes brutais, o qual era ilustrado cientista e tinha ocupado alta posição na sociedade. Instrução não é equivalente a cristianismo, embora o cristão possa ser um homem instruído. As invenções modernas nunca salvarão o homem da perdição. Certo filósofo moderno disse que "a idolatria não pode encontrar seu lugar junto à arte e à cultura mais refinadas que o mundo conheceu." Porém, os homens estavam se afundando na maldade, tal como descreve o apóstolo na última parte do primeiro capítulo de Romanos (Nota: O autor, escrevendo em 1895, dificilmente poderia haver imaginado os horrores da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, provocadas pelos homens mais educados e cultos que o mundo havia conhecido). Até mesmo os homens reputados como sábios eram tais como estão ali descritos. Foi o resultado natural de buscar a justiça em si mesmos.

Nos últimos dias - Se você quiser ver uma descrição do mundo nos últimos dias, leia os últimos versículos do primeiro capítulo de Romanos. Os que crêem num milênio de paz e justiça antes da vinda do Senhor, acha-los-ão muito chocantes; e oxalá seja isso para seu próprio bem. Leia cuidadosamente a lista de pecados e logo verá como ela corresponde exatamente ao seguinte: "Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder." Tudo isso provêm do eu, a autêntica fonte do mal que Paulo atribuiu aos pagãos. Essas são as obras da carne (Gál. 5:19-21). São o resultado natural de confiar no eu.
Apesar da declaração do apóstolo, são bem poucos os que crêem que esse estado de coisas chegará a ser geral, especialmente entre aqueles que fazem profissão de piedade. Porém a semente que produz essa colheita está já semeada em todo lugar. O papado, o "homem do pecado, o filho da perdição, opondo-se e levantando-se contra tudo o que se chama Deus, ou que se adora", é a força mais poderosa no professo cristianismo; seu poder aumenta dia a dia. Como progride dessa maneira? Nem tanto por méritos próprios como pela cega aceitação de seus princípios por parte dos professos protestantes. O papado se exaltou acima de Deus ao tentar mudar Sua lei (Dan. 7:25). Ousadamente aceitou o dia de festa pagão de adoração ao Sol – o domingo [sunday ou dia do Sol, em inglês] – em lugar do sábado do Senhor, o memorial da criação. Ele assinala desafiadoramente essa mudança como selo de sua autoridade. A maioria dos protestantes segue viajando nesse trem, aceitando uma instituição que coloca o homem acima de Deus; o símbolo da justificação pelas obras em lugar da justificação pela fé. Quando os professos cristãos aceitam ordenanças humanas apesar do expresso mandamento do Senhor, e sustentam sua instituição evocando os Pais – homens educados na filosofia do paganismo – a execução de todo mal que seus corações possam imaginar não é mais que o passo seguinte no caminho descendente. "Quem tem ouvidos ouça."

Capítulo 2
O Pecado de Outros

Também é Nosso

"Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite." (Sal. 1:1 e 2)
"Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido e para inclinares o coração ao entendimento, e, se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a voz, se buscares a sabedoria como a prata e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da Sua boca vem a inteligência e o entendimento." (Prov. 2:1-6).

Aqui encontramos o segredo para entender a Bíblia: estudo e meditação aliados a um fervente desejo de conhecer a vontade de Deus com o propósito de cumpri-la. "Se alguém quiser fazer a vontade dEle, conhecerá a respeito da doutrina..." (João 7:17). A revisão e o repasse são primordiais para se conhecer a Bíblia. Não é que haja um volume de estudo suficiente que possa prescindir da guia do Espírito Santo, mas que o Espírito Santo testifica precisamente através da Palavra.





Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   23


©ensaio.org 2017
enviar mensagem

    Página principal